
A artista plástica Sanda Cinto, em seu ateliê, na Vila Madalena, em São Paulo (Foto: Eduardo Lopes)
Os delicados desenhos de Sandra Cinto estarão em evidência nos Estados Unidos em 2012. A artista plástica paulista, que já expôs naquele país em mostras coletivas de arte contemporânea, estará em duas exposições individuais, que permanecerão um ano em cartaz. Uma no Museu de Arte de Seattle e outra no The Phillips Collection, em Washington. “É a primeira vez que as duas instituições abrem espaço para um artista brasileiro”, contou Sandra, que abriu seu ateliê, na Vila Madalena, em São Paulo, para receber a coluna.
Sandra vai desenhar com caneta permanente – à base de óleo – diretamente sobre as paredes dessas duas instituições, por isso está debruçada sobre as maquetes, em que, com cuidado de artesã, cria o que depois reproduzirá in loco. O modelo também serve para a própria instituição se preparar para receber o trabalho da brasileira, em termos de material a ser providenciado e de adequação do espaço.

Detalhe da maquete da artista para o Museu de Seatlle (Foto Eduardo Lopes)
A primeira mostra será aberta em 13 de abril no pavilhão do Olympic Sculpture Park, uma das três unidades do Museu de Arte de Seattle. Duas semanas antes da data, a artista desembarcará na cidade com dois assistentes brasileiros. Lá ganhará o reforço de mais quatro americanos. A despeito das mãos extras, sabe que passará, em média, oito horas por dia, em pé, com a caneta em punho para preencher com seus desenhos 300 metros quadrados. “Quando vou expor fora, nunca posso dizer que conheci a cidade. Conheço o museu e só. Não dá para sair depois do trabalho e jantar fora. Fico moída. Tenho de ir para o hotel, tomar um antiinflamatório e dormir.”
No Olympic Sculpture Park, ela fará um desdobramento da exposição Imitação da Água – que tem como ponto de partida um poema de João Cabral de Melo Neto. Essa mostra ficou em cartaz durante um mês, em 2010, em três salas do Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista. “Em Seattle, a presença da água é muito forte. É o lugar dos Estados Unidos onde mais chove”, comenta a artista, justificando a escolha do tema. Além disso, o pavilhão onde estarão os desenhos de Sandra ficam de frente para o mar. “Olhando a minha produção, vejo o desejo de trazer a natureza para o meu trabalho. Talvez isso venha de morar em São Paulo.

Obras da artista em seu ateliê (Foto: Eduardo Lopes)
Para a The Phillips Collection, Sandra ainda estuda o que fazer para ocupar todas as paredes do café do museu. Está encantada com o americano Arthur Dove, que tem obras expostas na instituição, e pensa em fazer algo que dialogue com o trabalho dele, o que viria de encontro ao nome do projeto para o qual foi convidada, Intersections. A mostra está programada para maio de 2012.
No meio desses dois projetos, ela ainda encontrou tempo e fôlego para aceitar fazer uma instalação no Palexco, em La Coruña, na Espanha, e, em 2 de outubro, embarca para lá. Com a maquete quase pronta, sua intenção é dar continuidade à obra Depois da Chuva, que expôs, em março, na Tanya Bonakdar Gallery, em Nova York.
Ao contrário de artistas que trabalham em suportes possíveis de serem carregados de um lado para o outro, Sandra sabe que, esgotada a duração da mostra, operários cobrirão sua obra com tinta branca para que o espaço seja ocupado por outros, mas isso não a abala. “Serve para me ensinar sobre a efemeridade das coisas. Nada é para sempre.”
(Fotos: Eduardo Lopes)