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Posts com a Tag vinho

quarta-feira, 9 de março de 2011 Blog do vinho | 20:18

O vinho vai invadir a avenida em 2012

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Leandro Hassum como Deus Baco no carnaval da Mocidade Independente de 2011. Uma palhinha do que vem por aí...

Quem patrocina o Carnaval, em geral, são as cervejarias. Mas o vinho está armando uma ação de marketing para tomar as avenidas em 2012. Animado com o resultado dos desfiles das Escola de Samba de São Paulo, do Rio de Janeiro e, pasmem, até de  Porto Alegre (afinal 90% da produção do fermentado nacional está concentrado no Rio Grande do Sul), o Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho) anunciou que está negociando com as três escolas campeãs de 2011 destas cidades – a Beija-Flor (RJ), a Vai-Vai (SP), e a Restinga (POA) – a inclusão do tema “Vinhos do Brasil” como enredo das escolas no ano que vem. “As escolas já aceitaram o tema, dizendo que é um tema que tem tudo para ser campeão”, comemora o gerente de marketing do Ibravin, Diego Bertolini.

Beija-Flor rima como merlot. Vai-Vai rima com tocai

Estranhou o tema? Carnaval vale tudo, em São Paulo uma escola cantou os “encantos de Dubai”, no Rio o “cabelo” foi tema de outra agremiação. Já a Mocidade Independente deu uma palhinha no desfile do Rio de Janeiro deste ano do que nos espera nos Sambódromos da vida em 2012. Seu enredo “Parábola dos Divinos Semeadores” teve o vinho com parte do desfile. A bebida estava presente no carro alegórico com um enorme Deus Baco, representado pelo comediante da TV Leandro Hassum que distribuía – e devorava –  parte dos 150 quilos de uvas frescas que decoravam o carro. O trecho do samba-enredo da Mocidade  prenuncia o que vem por aí:

A rainha de bateria da Mocidade, Andrea de Andrade: reparou no cacho de uvas?

Festa de Ísis, a farra do vinho/
Em Roma a semente foi brotar

Enófilos com samba – e vinho – na veia, uni-vos! Vai ter espumante jorrando na avenida, uvas em profusão e garrafas monumentais ornadas com modelos cobertas de folhas de parreira. Quem se habilita mandar seu samba do vinho? Envie seus versos na área de comentários deste blog.

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  1. Vinho, cinema e Oscar. Qual vinho combina com seu filme predileto ao Oscar de 2011?
Autor: Beto Gerosa Tags: , ,

sábado, 26 de fevereiro de 2011 Blog do vinho | 00:37

Vinho, cinema e Oscar. Qual vinho combina com seu filme predileto ao Oscar de 2011?

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A combinação dos candidatos ao Oscar de melhor filme com alguns estilos de vinho.

A festa da transmissão do Oscar é como o show do Roberto Carlos na TV Globo. Tem todos os anos e os críticos sempre reclamam. Mas todo mundo assiste – e comenta. Mais ou menos como o malbec argentino… Os especialistas torcem o nariz, mas todo mundo compra – e bebe.

No domingo, dia 27 de fevereiro, calcula-se que cerca de 1 bilhão de espectadores deve grudar na frente da telinha para checar qual filme será o vencedor das telonas – e ainda saber quem vai levar para casa a estatueta de melhor ator, atriz, diretor. Por que não acompanhar a festa com uma taça de vinho na mão? O Blog do Vinho se propõe associar, da maneira livre, os dez títulos que concorrem ao Oscar 2011 a um estilo de branco, tinto, espumante ou fortificado. Uma espécie de harmonização de filme & vinho. Aí o aficionado pela sétima arte e pelos fermentados pode unir dois prazeres de maneira divertida.

Os filmes e os vinhos

“Cisne Negro” – Os conflitos  de uma bailarina, interpretada com maestria por  Natalie Portman, transformam o mundo da dança numa história de horror psicológico que mantém o espectador tenso do começo ao fim. No roteiro, o conflito da personagem principal é representado pelos movimentos singelos do cisne branco e pela sensualidade do cisne negro, pano de fundo do balé de Tchaikovsky retratado na obra.

Vinho para acompanhar – Em um filme onde a dualidade e a busca da perfeição são componentes que definem a trama, a escolha do vinho se dá por meio de uma uva caprichosa, a pinot noir, capaz de produzir dois vinhos de diferentes estilos: os elegantes borgonhas e os estonteantes champanhes O caldos da Borgonha têm alma feminina. A pinot noir é uma uva delicada, que gera vinhos que nunca são óbvios; a cor e os aromas sugerem delicadeza e elegância, na boca pulsa uma força impactante; seus sabores e aromas se revelam em camadas que passam do sublime ao surpreendente. A pinot noir também é a uva usada nos melhores champanhes, geralmente parceiros da branca chardonnay. Um tipo de champanhe porém tem a alma Cisne Negro, produzido somente da uva tinta pinot noir resulta no espumante Blanc de Noir. Pinot noir, uma uva Cisne Negro por excelência.

“Bravura Indômita” – Refilmagem do western de John Wayne, de 1969, sobre uma adolescente que contrata um oficial do Exército norte-americano bêbado para encontrar o assassino de seu pai.

Vinho para acompanhar – Um western talvez combine mais com um Bourbon do que com um vinho, mas mesmo neste campo também é possível uma “harmonização”.  Na Austrália é produzido um rótulo concentrado e parrudo, da uva shiraz, o Dead Arm, ideal para acompanhar pratos fortes. O nome representa uma doença que atinge algumas vinhas da vinícola. Um dos braços da videira morre lentamente, beneficiando o outro braço restante, que  acaba produzindo frutos concentrados e saborosos. Uma videira que supera as agruras da natureza e dá a volta tem uma pegada western, não?

“A Rede Social” – O filme conta a história de Mark Zuckerberg e a criação do Facebook. Os bastidores da montagem do site de relacionamento que todos nós usamos – e os conflitos pessoais dos nerds de Harvard que criaram a ferramenta e se tornaram milionários –  retratam pela primeira vez a geração internet no cinema.

Vinho para acompanhar – O filme registra alguns porres e algumas taças de vinho em seu roteiro. Um chardonnay amadeirado e bem cremoso, no estilo californiano, com aquela baunilha exalando pelas bordas da taça, é a companhia ideal para bebericar enquanto se acompanha os monólogos cínicos do personagem de Mark Zuckerberg –  e ao mesmo tempo digitam-se comentários no Facebook pelo celular. Este estilo de chardonnay Novo Mundo hoje é comum em todos o planeta, são assim alguns brancos desta uva produzidos no Brasil, no Chile, na Argentina, na Austrália, Itália, nos Estados Unidos e até mesmo onde menos se espera, como em Israel.

“Toy Story 3″ – A animação computadorizada que revelou o cowboy Woody e o astronauta Buzz Lightyear tem seu no seu terceiro episódio sua história mais emocionante. O ritual de passagem da infância para a adolescência é visto aqui do ponto de vista dos brinquedos, que esquecidos em um baú são acidentalmente levados a uma creche repleta de outros brinquedos comandados por um urso do mal. Entre aventuras, fugas e cenas hilárias – como a dos personagens da Barbie e do namorado Ken – a animação conquista o público infantil e encanta o adulto.

Vinho para acompanhar – Afastem as crianças das taças, mas um Beaujolais Nouveau é o rótulo ideal para quem está torcendo pela animação na festa do Oscar. Elaborado com a uva gamay, é um vinho muito leve, frutado e feito para beber jovem. Um tinto  descompromissado como a adolescência, geralmente de rótulos alegres e coloridos. Dá até para imaginar Buzz Lightyear  com uma taça na mão vibrando: “To infinity and beyond!”

“A Origem” – No filme de estilo obra em aberto – e que cada um que tire sua conclusão -, Leonardo DiCaprio comanda uma equipe que invade os sonhos de pessoas para roubar de seu inconsciente segredos que possam ser utilizados por empresas concorrentes. O desafio do grupo é a encomenda inédita de invadir a mente de um cliente e implantar uma idéia. O início mais esotérico vai dando espaço a um filme de ação com fundo de drama romântico.

Vinho para acompanhar – Um vinho com uma tese a defender, como os biodinâmicos ou vinhos naturais – aqueles que dispensam a química, pregam um retorno às raízes (às “origens”, sacou?) e se baseiam no respeito aos grandes equilíbrios da natureza – são ao mesmo tempo representantes e antípodas de um universo que mistura os sonhos e a tecnologia, foco do roteiro de A Origem. Mas cá entre nós, os grandes representantes dos “bio” dariam um naco de seu vinhedo para entrar na mente dos consumidores e implantar a idéia da pureza e da superioridade de seus vinhos, né não?

“O Discurso do Rei” – A história é baseada na vida de George VI, rei da Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, e seus esforços para superar a gagueira auxiliado por um terapeuta da fala de métodos pouco ortodoxos. O tema não parece ser muito empolgante, mas o filme de roteiro bem construído e interpretações afinadas tem seu favoritismo na premiação do Oscar.

Vinho para acompanhar – Nada mais britânico que um vinho do Porto, uma intervenção dos ingleses em solo português. Um filme tradicional como O Discurso do Rei exige um Porto Vintage de marcas que mostram a influência do Império Britânico até no rótulo, como Taylor’s, Dow’s, Niepoort, Warre’s e Sanderman. Um fortificado de sabor concentrado, requintado e elegante.

“O Vencedor” – O filme é baseado na história do campeão mundial de boxe Micky Ward e de seu irmão Dicky, um ex-boxeador viciado em crack. Dicky imagina que está sendo filmado para um documentário sobre seu retorno aos ringues, quando na verdade o objetivo é flagrar seu vício no crack.

Vinho para acompanhar – Filme de luta exige um vinho de musculatura, uva de macho. Um tannat uruguaio, com taninos presentes, que exigem  carne gordurosa como acompanhamento, é o parceiro recomendado entre um golpe e outro dos pugilistas.

“127 Horas” – A produção narra a história real do alpinista americano Aron Ralston, que precisou arrancar o próprio braço com um objeto cortante para se livrar de uma rocha que o prendeu por mais de cinco dias no Bluejohn Canyon.

Vinho para acompanhar –127 horas é um filme de deserto, muita rocha, seco, afiado e com uma tensão permanente. Um branco da uva riesling seco, de preferência alemão, corta como navalha, tem uma acidez presente, cítricos no nariz, um leve picante na boca. Além de todas estas características, trata-se de um fermentado com grande expressão de mineralidade, a pedra que se revela no vinho.

“Minhas Mães e Meu Pai” – A comédia azarão da festa traz Annette Bening e Julianne Moore como um casal de lésbicas cujos filhos buscam o pai biológico, um retrato bem-humorado das variações das famílias contemporâneas.

Vinho para acompanhar – O filme mais leve da premiação – com exceção do infantil  Toy Story  3 – é de temática gay. Não há bebida mais gay do que um espumante rosé, que reúne a festa das borbulhas com a exuberância da cor e o frescor dos aromas frutados. Um flute de espumante rosé para Minhas Mães e Meu Pai é a homenagem perfeita.

“Inverno da Alma” – A história gira em torno de uma família desestruturada em busca do pai desaparecido. A adolescente Ree, de 17 anos, tem responsabilidades de chefe de família. Com uma irmã e irmão pequenos, e a mãe com problemas mentais, ela é responsável por colocar comida na mesa e resolver problemas deixados pelo pai foragido. Para piorar a situação, o pai coloca a casa, localizada nas geladas montanhas do Missouri, como garantia de fiança de uma pena judicial. Ree enfrenta a barra e sai à  procura do pai-problema e no caminho é desafiada a se confrontar com o passado da família e encarar as regras e a ética próprias da comunidade local.

Vinho para acompanhar – O inverno na alma do titulo se refere tanto ao frio das montanhas, que exige sempre um gorro de lã na personagem principal, como à angústia que passa uma adolescente que carrega o peso das obrigações de uma mulher adulta. A indicação do vinho por similiaridade aponta para um icewine do Canadá. O icewine é um branco doce, de baixo teor alcoólico, elaborado com uvas colhidas congeladas.  A bebida, servida em temperatura de 8 graus, remete ao cenário do filme. A boca untuosa e o sabor forte do vinho, com um toque de mel, são forjados pelo frio. Frio da natureza, o frio da alma.

Dê sua opinião

Este colunista não é especialista em cinema, mas tem suas preferências. Talvez comece o show com um chardonnay amadeirado, seguido de um bom Borgonha. Mas não vai ficar triste em terminar a noite com uma taça de Beaujolais Nouveau.

Não concorda com a lista? Envie as harmonizações possíveis dos filmes candidatos ao Oscar 2011 pela área de comentários abaixo.

  • Leia ainda sobre cinema & vinho no Blog do Vinho

Luzes, câmera e vinhosOs filmes em que o vinho é protagonista – ou pelo menos é parte importante do enredo.
Post sobre SidewaysA lista dos vinhos consumidos pelos personagens principais.
Post sobre MondovinoO documentário mais comentado que visto do mundo do vinho.

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Conheça os indicados ao Oscar 2011 e faça suas apostas

O jogo dos ganhadores do Oscar


Notas relacionadas:

  1. Luzes, câmera e vinhos
Autor: Beto Gerosa Tags: , ,

terça-feira, 13 de abril de 2010 Entrevista | 08:29

Nós viemos aqui para beber ou para conversar? Uma entrevista com o criador do Fórum Eno-Gastronomia, Mike Taylor

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O vinho, definitivamente, é uma bebida tagarela. Seus admiradores não se contentam apenas em prová-la. Têm uma necessidade quase atávica de escrever sobre o que se bebe. Se até alguns anos atrás estas  impressões eram registradas em cadernos que ficavam guardados na gaveta, hoje elas são públicas e se multiplicaram em blogs, fóruns e redes sociais.

O fórum, o avô das redes sociais, talvez seja a forma mais orgânica em que os fanáticos pelo fermentado rubro e branco debatem suas preferências, discordam da critica especializada e dividem conhecimento entre iguais.

Nestes espaços virtuais do vinho, ninguém é tratado com desdém por discutir  filigranas aromáticas ou questões como o selo fiscal, recentemente instituído pelo governo federal. As notas de Parker a um vinho, por exemplo, são discutidas com paixão de boleiro e argumentos  científicos. Novas safras são aguardadas com ansiedade adolescente, degustações são combinadas entre confrarias e a visita de certos enólogos é tratada com status de chefe de estado.

Nas redes sociais, a conversa é mais descontraída. O grupo do Orkut Adoro Vinho Tinto tem 182.255 membros, por exemplo. Nos Estados Unidos a comunidade social Must Love Wine tem 9.330 membros cadastrados e 135.000 seguidores.

Apesar de a discussão estar migrando para os facebooks e orkuts da vida,  Alguns  fóruns ainda sobrevivem.

Lá fora, megasite americano da revista Wine Spectator tem um fórum atuante. Assim como o site especializado Wine Lovers

Aqui no Brasil, o fórum mais atuante e talvez de maior repercussão é o Fórum de Eno-Gastronomia , mais conhecido entres seus integrantes como o Fórum do Mike. Criado em 2005 pelo consultor em vinhos e gastronomia Mike Taylor, hoje conta com  4.400 membros, muitos com participações diárias, responsáveis por cerca de 100 posts semanais.

Myke Taylor, o mediador do Fórum Eno-Gastronomia

Mike Taylor, do Fórum Eno-Gastronomia

Mike, 43 anos, vive e trabalha atualmente na Argentina, onde é consultor de vinícolas, recebe grupos e clientes interessados em conhecer as regiões produtoras da Argentina e do Chile além de coordenar o Grupo de Estudos e Degustação de Vinhos (GEDV). Na Argentina ampliou sua presença na rede e montou o Forum Vinogourmet, versão hispânica do Fórum de Eno-Gastronomía, que já conta com 3.100 membros.

Mike, em entrevista ao Blog do Vinho, defende: a livre discussão de idéias e a participação de lobbies e profissionais no seu fórum (“Tenho muito orgulho de contar com eles como membros”), o vinho nacional (Se há um vinho que me surpreende positivamente, esse é o brasileiro”), o consumidor nacional (“O brasileiro dá de dez a zero nos seus vizinhos argentinos”), mas é rigoroso com os blogs e críticos de vinho (“Tem muita gente que escreve para ser convidado de graça a eventos e degustações”). Recentemente, Mike se envolveu na polêmica sobre o uso do fungicida netamicina em alguns rótulos de Mendoza, o que  rendeu uma discussão acalorada na rede e no próprio fórum. “Não há evidências concretas que provem que houve má-fé por parte de alguns produtores argentinos”, defende. E sugere um protecionismo dos órgãos europeus ligados à vinicultura. “A Europa não consegue colocar muito vinho encalhado no mercado”. Leia a entrevista:

SOBRE O FÓRUM

Como foi a ideia de criar o Fórum Eno-Gastronomia?
Um amigo enófilo consultou-me, um sábado à noite, onde podia aprender sobre vinhos na internet. Eu indiquei uma lista de discussão muito popular naquela época, mas ele disse que só participaria de um fórum que fosse meu. Voltei para casa com essa ideia, e nessa madrugada de domingo criei o Fórum de Enogastronomía.

Quem é o publico que freqüenta o fórum?
Nosso fórum é freqüentado por enólogos, sommeliers, importadores, distribuidores, chefs de cuisine, enófilos e bon vivants que se sentem à vontade para discutir com outros gourmets apaixonados pela boa mesa.

A liberdade de expressão é a principal característica. Seguida da busca de conteúdo sério em matéria de enologia, com linguagem acadêmica, mas também expressada de modo acessível. Sempre procurei mostrar aos enófilos que vinho não é bicho de sete cabeças.

Existem lobbies do vinho de qualquer espécie participando do Eno-Gastronomia?
Sim. E tenho muito orgulho de contar com eles como membros. Acredito que os “caucus” e “lobbies” são proativos. Esses grupos não precisam estar escondidos. E considero que a venda, a livre oferta, não é pecado.

Não vejo nada de errado em que uma importadora publique um jantar ou degustação, ou que alguém venda seus vinhos no nosso fórum ou que um produtor divulgue as qualidades do seu vinho.

Tenho orgulho que enólogos como José (Pepe) Galante, do grupo Ex Catena Zapata, agora Salentein – Mapema, ou Aldo Biondolillo, da Tempus Alba, sejam membros ativos do meu fórum argentino.

Gosto se discute?
Gosto se discute, sim. O gosto, como as regras, mudam, mas há reações da físico-química no paladar que não se discutem. Então, se alguém insistir em comer um fruto do mar com um tinto encorpado sem considerar que os taninos do vinho  ao entrar em contato com o iodo e a saliva no paladar deixarão a sua boca com sabor metálico, está na hora de discutir o gosto.

Por que se escreve e se discute tanto sobre  vinho?
Como o vinho é por natureza paixão pela terra, pelo método, pelas tradições, pelo produto final, é natural que quem discute sobre vinhos seja passional e o debate acalorado.

A CRÍTICA E OS CRÍTICOS

Qual a importância da crítica internacional?

Aqui devemos separar o trigo do joio e vice-versa. Parker e a Wine Spectator de  um lado e Hugh Johnson, Jancis Robinson e a revista Decanter de outro.

O primeiro time, made in U.S.A. tem mostrado sérios problemas de credibilidade. O Parker envia pessoas como Jay Miller que dão 90 pontos até em água mineral com gás. Detalhe: recebem presentes e viagens de vinícolas.

Não nego o valor democratizador que Robert Parker teve na divulgação do vinho como bebida e não duvido dos benefícios. Mas é impossível achar que tem um supernariz… ainda que ele tenha segurado o mesmo em 1 milhão de dólares.

A revista Wine Spectator organizou um concurso fraudulento onde escolheu como melhor restaurante do mundo uma casa de Milão que não existia. Assim, não dá para você acreditar neles.

O Hugh Johnson, é um maestro de maestros. A Jancis Robinson é Master of Wine. São pessoas com muito estudo e formação. São esses os modelos que devemos imitar, o aperfeiçoamento, muito estudo. A revista Decanter, eu gosto, leio e acho confiável.

Gostaria também de mencionar um crítico muito interessante, o iconoclasta Gary Vaynerchuck, do site Wine Library.

Como avalia a crítica especializada no Brasil e os blogs de vinho?
Sempre digo que admiro Marcelo Copello pois ele está sempre estudando, se aperfeiçoando. Assim você pode ver a evolução dele, desde o primeiro livro onde era rigoroso demais com a pontuação dos vinhos, até o sistema que adotou quando foi editor da Revista Adega.

Já alguns supostos críticos brasileiros de vinhos têm me decepcionado muito, principalmente quando pessoalmente os vejo e ouço afirmar que um vinho chileno tipo “blockbuster” tem a elegância de um vinho da Borgonha…

O blog é um diário íntimo aberto a multidões. O blog não pode ser encarado como uma coisa definitiva. Boa parte não escreve, apenas copia, repassa, e muitas vezes nem menciona a fonte.

A Internet trouxe uma quebra de paradigmas. Hoje todo mundo pode ter um blog. Mas há de se ter conteúdo e dedicação para mantê-lo. Parece que em matéria de vinhos, não de enologia, as coisas ficaram mais flexíveis. Hoje você vê gente sem preparação acadêmica, que não são sommeliers, falando e escrevendo de vinhos. Isso é bom? Sim! Tem  um lado positivo, a democratização do conhecimento. A universalidade. Porém há muito boato e falácia.

Tem muita gente que escreve para ser convidado de graça a eventos e degustações, faz pose de entender alguma coisa, pergunta se a barrica é de primeiro ou segundo uso como se entendesse e percebesse a diferença.

Mas a culpa não é toda deles, é das importadoras, vinícolas e distribuidoras que convidam indiscriminadamente supostas pessoas que são ou serão formadoras de opinião.

Pessoalmente sou contra os eventos de graça. Muitos deles se convertem em celeiros de pessoas que procuram fazer uma boquinha.  Leia mais »

Notas relacionadas:

  1. Danielle, artista, vinhateiro ou ambos?
Autor: Beto Gerosa Tags: , , ,