Publicidade

Posts com a Tag Rosé

terça-feira, 17 de março de 2009 Velho Mundo | 10:16

Como fazer um vinho rosé. Fácil: misture o tinto com o branco!

Compartilhe: Twitter

Imagine a cena. Você pede um vinho rosé no restaurante (ok, é uma situação um pouco rara, mas como se trata de ficção, vale a imagem). O garçom traz uma garrafa de vinho tinto em uma mão e outra de vinho branco na outra. Ambas abertas. Gentilmente trata de misturar as duas cores na sua taça, até entender que o resultado foi um rosé “da casa”.

Exageros à parte, é o que pode acontecer no mercado do vinho rosé, se produtores da união europeia aprovarem no próximo dia 27 de abril este método de elaboração do rosado. Aqui cabe um parêntese, o bom rosado, claro, não é (ou não era) resultado da mistura dos dois vinhos, tinto e branco. Trata-se de outro bicho.

A maioria dos vinhos rosés é feita de uvas tintas e sua cor vai desde o rosa pálido até o vermelho-escuro. Essa variação se deve ao tempo em que a casca da uva é mantida em contato com o líquido e aos processos de fabricação da bebida. Há três métodos de elaboração:

Maceração
Como é: depois de ser prensada, a uva é mantida em contato com o líquido por um tempo que varia de seis a 24 horas. Depois dessa etapa, chamada de maceração, as demais fases da produção são semelhantes às do vinho branco, fermentado em temperaturas mais baixas
Características: de cores mais claras e sabor suave

Sangria
Como é: depois de espremidas, as uvas são colocadas num tanque para fermentação. Quando o líquido começa a fermentar, transformando o açúcar em álcool, uma parte é retirada para a elaboração do rosé. O restante se torna vinho tinto
Características: de cores e gostos mais fortes

Mistura
Como é: é a que se pretende aprovar. Consiste em misturar uma quantidade de vinho branco com vinho tinto.
Características: oxidação rápida. O vinho estraga em um ano

O que está se tentando tornar legal é uma prática mais rápida e mais barata de produzir rosés em massa, de qualidade inferior, mirando o sedento mercado chinês.

Se o rosé já sofre algum preconceito por parte dos consumidores, e de muitos especialistas, a “batida” de vinho tinto e branco é capaz de prejudicar de vez a imagem desta bebida saborosa, descomplicada, mas nem por isso carente de qualidade, tipicidade e tradição. A região da Provence, na França, que o diga.

Como declarou Xavier de Volontat, presidente associação de viticultores da região Languedoc, no sudeste da França ao jornal telegrah.co.uk, misturar vinho branco com algumas gotas de tinto – esta na verdade seria a grande mudança, a predominância de uvas brancas como chardonnay e sauvignon, tingidas por gotas de cabernet, shiraz, merlot -  “cria um vinho, no máximo, laranja, jamais um rosé”. Para Gilles Masson, diretor do centro francês de pesquisas de vinho rosé,  “A delicada harmonia entre a coloração, aroma e sabor do verdadeiro rosé se perderia.”

E os produtores nem ficam rosé de vergonha… ui, essa foi mal.

Fonte: Rosé? Just mix red and white wine, says EU

Notas relacionadas:

  1. Caro, muito caro, mas exclusivo
  2. Bordeaux em três rótulos
  3. Da cor do pôr-do-sol
Autor: beto gerosa Tags: ,

quarta-feira, 4 de março de 2009 Rosé, Velho Mundo | 17:00

Da cor do pôr-do-sol

Compartilhe: Twitter

O verão parece que resolveu dar as caras neste  final de fevereiro e início de março. E na hora de escolher um vinho, como fica? Com este calor todo  o vinho tem de refrescar o paladar e não esquentar a cabeça, e o corpo, de acordo?

Sob esta canícula, e diante de suculentos medalhões de filé mignon grelhados no ponto exato e um quiche de queijo, pode então se desenhar um ponto de interrogação. Qual vinho pode aportar frescor e ainda acompanhar a comida? Um branco vai ser esmagado pelo grelhado. Um tinto seria muito pesado. Um rosé, nessas horas, pode ter o efeito de uma miragem no deserto. Resolve, pode acreditar.

Abrir um rosé numa hora dessas, na temperatura correta (lá pelos 10 graus), despejar seu líquido na taça e acompanhar suas paredes suarem tem efeito de propaganda de pasta de dente. É refrescante até de olhar.

E se é para escolher um rosé, a Provence, no sul da França, é a opção mais clássica e acertada. Produzindo caldos rosados há mais de 2.500 anos, é a única região do mundo onde este tipo de vinho é a esmagadora maioria: 70% da produção é composta de rosés.

Minha escolha recai então sobre o Château des Chaberts – Cuvée Prestige, 2006, da Appellation Coteaux Varois En Provence. Duas uvas dividem atenção na garrafa, as tintas francesas grenache e cinsault.

Este tipo de bebida geralmente tem aromas ligeiros de frutas frescas. Este rótulo lembrava morangos frescos, aqueles de caixinha mesmo que é o que a gente conhece. Um floral bem de leve, o suficiente para perfumar a bebida. Na boca, tem força para interagir bem com o grelhado, e uma boa acidez que pede novo gole.

E ainda tem a cor, um dos maiores charmes deste vinho. As tonalidades variam daquela casca de  cebola, bem clarinha, passando pelo salmão até um rosa bem vivo. Este Château des Chaberts, para mim, estava mais para uma casca de cebola de tons um pouco mais fortes, mas meu filho deu a melhor definição para um vinho que é a cara do verão: cor de pôr-do-sol. Perfeito.

Onde encontrar: Casa Flora
Leia Mais: A hora do vinho rosado (VEJA, dezembro de 2006)

Notas relacionadas:

  1. Caro, muito caro, mas exclusivo
  2. Bordeaux em três rótulos
Autor: beto gerosa Tags: , , , ,

terça-feira, 16 de dezembro de 2008 Espumantes, Nacionais | 18:29

Férias, praia e espumante fresco

Compartilhe: Twitter

Areia, água salgada, piscinas de variados formatos, sol a pino. No serviço, o pessoal sempre muito disposto da recreação, o inevitável axé, aquele casal que você conheceu há duas horas e já virou amigo de infância. Na seção de comes e bebes, uma oferta infinita de bebidas nacionais e importadas. O garçom sempre disposto a verter álcool em quantidades industriais em seu copo. Sorria, você está na Bahia! Mais precisamente, num desses hotelzões onde a comilança e a beberagem estão incluídas na tarifa.

Para quem gosta realmente de vinho, no entanto, não é lá o melhor programa. A qualidade deixa muito a desejar (os tais vinhos importados prometidos nos folhetos, creio que foram, na verdade, deportados de tão ruins), o tinto, obviamente vem quente, e o espumante em copo americano de plástico. Mas ninguém espera uma carta de vinhos selecionada em um esquema semelhante, num quiosque de praia de luxo, certo? E nem todo programa precisa ter vinho. São férias, afinal… bebe-se sem compromisso.

Vinho combina com praia?

Borbulhas - Sim, principalmente se for um espumante. Taí um trabalho que as vinícolas brasileiras deveriam investir mais esforço, marketing e conquistar um espaço que está aberto. Pela manhã, para abrir os serviços, é muito bom. Já experimentou? Meninos, eu vi! Como estava acessível e na temperatura certa, muita gente trocava – ou mesmo intercalava!!! – uma taça de espumante com uma tulipa de chope. É simples. Basta ter a oferta e, principalmente, quebrar a afetação da bebida para torná-la mais uma opção na praia – e não uma alternativa “chique e diferenciada”. Feito isso, meio caminho está andado.

Brancos - Também, mas os mais leves, ligeiros, frutados, um sauvignon blanc, um viognier, um gerwustraminer. Dos italianos um pinot grigio ou um fiano, o português alvarinho, ou sua versão espanhola albariño, e ainda da península ibérica o macabeo. As opções são várias. Mas me parece que a real vocação da praia é mesmo dos espumantes.

Rosés – Claro, são ok. Leves, frutados, frescos. Não é à toa que são perfeitos com comida mediterrânea. Mas, Houston,  temos problemas. Primeiro: raramente há oferta disponível, mesmo com a recente onda em torno da bebida. Segundo, há muito rosé ruim por aí. Terceiro, tem muito preconceito em torno da bebida. Muito trabalho, não? Mas tendo oportunidade, é uma delícia.

Tintos – Não acho o ideal. Mas tem muita gente que não se importa. Mas creio que, sinceramente, vinho não é para toda ocasião. Na praia, na refeição, um tinto mais ligeiro, num ambiente mais refrigerado, ok. Ou como eu já testemunhei também no Nordeste: com gelo. Maior heresia não existe no planeta vinho, né não?

Vodca (ou chachaça), fruta, açúcar e gelo – De dia, pé na areia ou na beira da piscina, um espumante, de vez em quando, até vai bem. Quem sabe até um branco ou um rosé com os petiscos. Mas não há nada igual a uma caipirinha e uma espreguiçadeira. Sem preconceito, sem restrições. O importante é ser feliz. São férias.

Notas relacionadas:

  1. Deu zebra no ranking de espumantes da Playboy
  2. Os outros espumantes do ranking da Playboy
Autor: beto gerosa Tags: , ,