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domingo, 6 de junho de 2010 Degustação | 22:51

A Babel de Baco – a feira de vinhos da Mistral

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Vinho para todos os gostos: oitenta produtores de quinze países

Os homens que cospem vinho têm outra oportunidade de exercer sua habilidade de provar rótulos das mais variadas procedências sem de fato bebê-los de verdade. O chato é dispensar a bebida na frente do pai da criança. Explico: a importadora Mistral realiza, a partir desta segunda-feira, 7 de junho, sua quinta bienal do vinho, o Encontro Mistral 2010, com a presença de mais de oitenta produtores e enólogos de quinze países, numa verdadeira Babel de Baco. O complicado é que a qualidade é tão extraordinária que mesmo os homens que estão acostumados a cuspir vinho em eventos com inúmeros rótulos à disposição, acabam sorvendo talagadas explícitas diante das oportunidades oferecidas.

Ao contrario de uma grande feira de negócios, como a ExpoVinis, o consumidor final divide a atenção de enólogos e produtores com especialistas e profissionais do ramo no mesmo espaço e horário. Os ingressos são sempre muito disputados, e limitados a 200 lugares por dia, e só podem ser adquiridos com antecedência – não são vendidos na entrada do salão, nem com reza braba. Os ingressos estão esgotados, mas há uma lista de espera para quem ainda tem esperança e alguma sorte…

Quermesse do vinho

São inúmeras mesas espalhadas em um amplo salão. Funciona como uma espécie de quermesse do vinho. As vinícolas são identificadas pelo nome e por um mapa com indicação da região e do país de origem Em cima das toalhas perfilam inúmeras garrafas abertas para aplacar a sede dos visitantes. Imagine que cada produtor traz vários rótulos de sua linha de produção: brancos, tintos, rosés, espumantes, doces e fortificados. Multiplique o números de rótulos disponíveis por oitenta e dá para ter noção do tamanho da oferta. A diversidade e a diversão são garantidas.

Servindo a bebida, explicando as principais características de seus vinhedos, detalhes de vinificação, ou mesmo fazendo só marketing estão os enólogos estrelados, produtores conhecidos e diretores de vinícolas. Nesta edição do Encontro Mistral 2010 são mais de oitenta destes personagens do mundo do vinho a dispor dos visitantes. Gente do padrão do argentino Nicolas Catena (Catena), o português Luis Pato (da vinícola homônima), Jean-Guillaume Prats (enólogo da Cos d’Estournel), as espanholas Olga Fernandez e Maria Cruz Fernandez, proprietárias da Pesquera, Marc Kent (proprietário da sul-africana Boekenhoutskloof), o grego Leon Karatsalos (da surpreendente e premiada vinícola grega Gaía) ou o sempre simpático e atencioso francês Jean Louis Despagne, proprietário do Château Tour de Mirambeau.

Diante desta turma, nada de se intimidar. Basta chegar, esticar a taça, provar e cuspir… se for capaz.

SERVIÇO
Encontro Mistral 2010
São Paulo – Dias 7, 8 e 9 de junho – Grand Hyatt (Av. das Nações Unidas, 13301)
Rio de Janeiro – Dia 10 de junho – Sheraton Rio Hotel & Resort (Av.  Niemeyer, 121)
Horário: das 17h às 21h30
Preço: R$ 290,00 por dia
Reservas: (11) 3372 3400. Os ingressos estão todos vendidos, mas há uma lista de espera
Ingressos limitados a 200 por dia
Não há venda de ingressos no local

Notas relacionadas:

  1. Aberta a temporada de feiras de vinho em São Paulo
  2. Os homens que cospem vinho: como funcionam as degustações dos concursos
Autor: Beto Gerosa Tags: ,

quinta-feira, 22 de abril de 2010 Degustação | 13:26

Os homens que cospem vinho: como funcionam as degustações dos concursos

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Um editor de jornal é alguém que separa o joio do trigo – e publica o joio.
Ditado popular da imprensa

Sempre que participo de uma degustação com muitas amostras, como a que vai avaliar e premiar os dez melhores rótulos da ExpoVinis, imagino como seria descrito o roteiro da cena. (Anote: a Expovinis acontece nos dias 27, 28, 29, como foi dito no post anterior, sobre a temporada de feira de vinhos em São Paulo )

O cenário

Uma longa mesa repleta de taças vazias que vão sendo preenchidas com espumantes, brancos tintos e doces ao longo do dia. Mais de 150 amostras! Ao lado das taças, curiosos baldes. Uma grande farra, talvez. Um porre homérico, com certeza.

Os personagens

Uma dezena de respeitáveis senhores sentados em volta desta mesa. Não há nenhum representante do sexo feminino. Parecem compenetrados. O papel e a caneta na mão sugerem que vão registrar a façanha, talvez para não correr o risco de esquecer no dia seguinte…

A ação

Taças cheias de vinho. Vai começar a festa de Baco! Estes personagens passam então a exibir um estranho comportamento que consiste em inspecionar a cor da bebida, aspirar os aromas que aparecem, tímidos, e balançar a taça  com movimentos firmes e repetidos. Voltam então  a afundar o nariz próximo à bebida, desta vez absortos, alguns  de olhos fechados, buscando na memória uma comparação que traduza a percepção aromática (a cena podia ser coberta com imagens de flores, frutas, chocolate, café fumegante, um gato fazendo xixi… não, melhor não, ia exigir explicação Aromas e Vinhos, isso lhe cheira bem?). Só então um trago da bebida é sorvido, o líquido percorre toda a extensão das papilas gustativas (esse movimento é sugerido com um bochechar discreto). Finalmente o momento de glória, aquele que é o propósito de todo produtor que plantou, colheu e vinificou as uvas:  o apreciador bebe prazerosamente o vinho. Certo? Errado. Close no balde. Após todo este balé gustativo o sujeito cospe o vinho!  Aí então passa a fazer algumas anotações, que culminam em alguma pontuação.

Meio nojento? Não é a cena mais plástica deste mundo, certo? Mas é assim que são julgados e avaliados os vinhos em concursos, degustações e até em feiras de vinho. E é assim que tem de ser. A explicação é simples. Não há ser humano e discernimento que agüente beber – e engolir – tal quantidade de fermentados. Por mais história, elegância e cultura que caiba dentro de uma garrafa, o vinho nunca vai deixar de ser uma bebida alcoólica. Multiplicado por cem, então, vira caso de coma alcoólica e cirrose galopante.

O paradoxo deste julgamentos é que para avaliar e distinguir os melhores vinhos é necessário prová-los em grande volume, em sequencia, sem conhecimento do rótulos e procedências. E dispensar a bebida. Baseado no conhecimento técnico, bagagem cultural, experiência e, claro, certa dose de subjetividade, os jurados devem separar o joio do trigo. Muitas vezes, diga-se de passagem, o joio é contemplado. Mas é humano, demasiadamente humano.

Como é o Top Ten

Os vinhos que concorrem na degustção do Top Ten da ExpoVinis são aqueles enviados pelos expositores. Concorre quem quer. Eles são divididos em uma dezena de categorias: espumante nacional, espumante importado, sauvignon blanc, chardonnay, outras uvas brancas, rosados, tintos nacionais, tintos novo mundo, tintos velho mundo, fortificados e doces. As garrafas são ensacadas, numeradas e avaliadas. As notas de cada jurado são somadas e os melhores em cada categoria levam a medalha no peito e saem anunciando por aí. Justo ou não, trata-se de um julgamento coletivo, que é mais preciso que a nota de um só critico.

Qual o critério? Bom, o degustador avalia vários aspectos técnicos da bebida: a cor, os aromas, a persistência, o equilíbrio dos componentes, sua intensidade e, no meu caso, dou importância à tipicidade do vinho. Um rótulo de tinto do velho mundo precisar trazer características desta parte do mundo vinícola, por exemplo;  isso a gente chama de tipicidade, um vinho que reflete as características de seu terreno, de sua uva, de seu clima.

Outra dúvida que pode passar pela cabeça de muita gente. Após avaliar uma dezena de amostras os jurados não se cansam e o julgamento dos vinhos seguintes não pode ser prejudicado? Ou mesmo os primeiros da jornada? Aqui vale um paralelo cinematográfico. Assim como um bom ator se destaca e faz crescer um filme em qualquer parte  da história que apareça, seja nos primeiros minutos, no desenrolar do enredo ou só no final, um bom vinho também é capaz de se sobressair em qualquer momento de uma degustação. A excelência é sempre fácil reconhecer.

Os jurados só conhecem os rótulos provados no momento da divulgação do resultado, que será anunciado às 14h30 do primeiro dia da feira (27/04). Na noite desse mesmo dia ocorrerá a Degustação Especial Top Ten 2010, onde serão feitos comentários sobre cada um dos vinhos  contemplados.

Acompanhe a degustação do Top Ten no twitter do Blog do Vinho.

Notas relacionadas:

  1. Aberta a temporada de feiras de vinho em São Paulo
Autor: Beto Gerosa Tags: , ,

segunda-feira, 19 de abril de 2010 Degustação | 10:01

Aberta a temporada de feiras de vinho em São Paulo

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Se você adora vinho, não perde uma oportunidade de provar novidades e quer checar safras recentes, guarde um espaço em sua agenda para visitar as feiras de vinho que invadem a cidade de São Paulo em abril. A primeira, da importadora World Wine, começa já na segunda-feira, dia 19 de abril. A maior, a ExpoVinis Brasil, a 14º edição da megafeira anual de vinhos, acontece nos dias 27, 28 e 29.

Espécie de parque de diversões de enófilos e consumidores de vinho, as feiras também são um espaço para fazer negócios. Por esta razão, são reservados dias e horários exclusivos aos sommeliers, donos de restaurantes, profissionais da área e imprensa especializada para conversar com os produtores e avaliar os rótulos que desejam comercializar, colocar em suas cartas ou apenas conhecer. Este povo vai, afinal, escolher o que você vai beber nos próximos anos.

Nos dias e horários abertos aos consumidores, a disputa por um determinado rótulo é um tanto mais complicada. Exige do visitante o braço constantemente esticado com a taça em punho e uma certa dose de paciência. Mas vale a pena. O raciocínio é simples. Funciona como um rodízio de vinho. Por um preço único é possível conhecer e provar inúmeros rótulos, conversar pessoalmente com produtores e enólogos e ainda levar para casa algumas garrafas com algum desconto. Prepare o fígado. E vá de táxi!

World Wine Experience

O que é: feira da importadora World Wine, o braço mais refinado do grupo La Pastina. São 150 rótulos de 20 produtores do Novo Mundo, com garrafas do Chile, Argentina, Estados Unidos, Austrália e África do Sul. Site

Indicado para quem… quer provar uma variedade de tintos e brancos do Novo Mundo, com destaque para rótulos argentinos e chilenos, muitos deles novidades da importadora.

Onde: Meliá Jardim Europa, Rua João Cachoeira, 107, Itaim Bibi, São Paulo, SP.

Quando: 19/4, das 15h às 20h (para profissionais do setor) e 20/4, das 16h às 21h (público em geral)

Preço: R$ 100,00.

Informações: (11) 3383-7477

Expovinhoff 2010

O que é: acontece um dia antes do salão internacional da ExpoVinis, e se propõe ser a primeira feira de vinhos fora do circuito no Brasil. São 17 expositores entre produtores nacionais e importadoras com o diferencial de serviço adequado dos vinhos,  armazenados em adegas climatizadas (muitas vezes bebe-se vinho quente no calor destes eventos). Site

Indicada para quem… quiser participar de uma feira em um ambiente mais descontraído e aconchegante, e ter acesso mais fácil a produtores e enólogos.

Onde: Restaurante Pandoro. Avenida Cidade Jardim, 60, São Paulo, SP.

Quando: 26/4, das 11h/21h.

Preço: R$ 20,00

Degustações especiais:

12h- Domaine de L´Oustal Blanc – Languedoc
12h30 – Lídio Carraro – Brasil
13h- Vinhos La Fortuna – Chile – Maria Inês Beltrão – Importadora MIB
14h- Viña Sucre – Chilean Premium Wine s- Wine Company
14h50- Gloria Reynolds – Alentejo – Casa do Porto
15h20- Vinhos da Corsega Alain Mazoyer – Empório Sori
15h50 – Vinhos de Tomelloso, A origem de Grandes Vinhos desde 1986
16h20 – Douro Family State
16h50 – Coloman, Os Vinhos da Terra de Don Quixote de La Mancha, o Maior Vinhedo do Mundo
17h20 – Domaine Louise Brizon- Cave Jado
18h30 – Horacio Fuentes- Enólogo Ventisquero- Cantu
19h- Gianmarco Ghisolfi- Barolo Bricco Visete – Tre Bicchieri Gambero Rosso
19h30- José Correa – Enólogo Cia. Das Quintas – Interfood
20h10 – Arthur Azevedo- O novo Mundo X O Velho Mundo – Max Brands

Degustações gratuitas para quem se inscrever no e-mail degustação@propop.com.br


ExpoVinis Brasil 2010

O que é: 14º edição do maior evento do setor da América Latina. São mais de 250 expositores de todo o mundo; destaque para as mais de 40 vinícolas nacionais reunidas no espaço do Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho –, além da presença das maiores importadoras em atuação no país. Site

Indicado para quem… quer ter um panorama dos vinhos de todo o mundo, desde países pouco conhecidos como Bolívia e Sérvia, até grandes produtores como  Argentina, Portugal, França, Itália e um amplo painel do vinho nacional. A feira é enorme, melhor se programar com o mapa, distribuído na entrada, e definir prioridades.

Onde: Expo Center Norte – Pavilhão Vermelho,Vila Guilherme,  São Paulo, SP

Quando: 27/4, das 14h às 22h (para profissionais do setor) e 28 e 29/4, das 14h  às 22h (19h/22h para público em geral)

Preço: R$ 40,00 (com taça para degustação), R$ 30,00 (sem taça).

Degustações especiais:

A ExpoVinis tem uma série de degustações promovidas por importadoras, associações, como a Vini Portugal, Ibravin, etc. As provas promovidas pela organização da feira são as seguintes:

27 – terça-feira – Degustação Top Ten ExpoVinis 2010 (concurso que elege os dez melhores vinhos da feira, avaliados em prova às cegas por jornalistas especializados, sommeliers e representantes de associações. Este colunista é um dos jurados e vai contar depois como foi a degustação)

28 – quarta-feira - Joan Pujol, da espanhola Miguel Torres, conduz a ‘Vertical do Mas La Plana’, o rótulo mais refinado da Bodega Torres, do Chile.

28 – quarta-feira – O enólogo franco-chileno Patrick Valette comandará os painel: ‘Melhores tintos do Velho e Novo Mundo no ExpoVinis Brasil’ .

29 – quinta-feira – Lorenzo Zonin, especialista em conversão biodinâmica, e Davide Rosso, produtor de Barolo, Piemonte (Itália), dirigem a prova ‘Futuro do vinho: biodinâmicos’.

Informações e reservas para as degustações pelo e-mail degustacoes@exponor.com.br ou pelo telefone (11) 3141-9444.

Leia também: Vale a pena ir às feiras de vinho?

Autor: Beto Gerosa Tags: , ,