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terça-feira, 7 de julho de 2009 Blog do vinho | 01:59

Rótulo novo, as mesmas ideias

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Espelho, espelho meu, existe blog mais bonito que o meu?

Espelho, espelho meu, existe blog mais bonito que o meu?

Blog do Vinho deu uma renovada no seu visual, como devem ter notado alguns fieis leitores. Assim como outras blogs de Veja.com,  ele está mais integrado ao  site, as colunas ficaram mais largas e o menu lateral saltou para o lado esquerdo da tela.

Outras novidades foram incorporadas, como uso de tags (as tais palavras-chave mais importantes de cada texto), categorias (que vão agrupar temas que estão relacionados entre si), ícones para compartilhar os textos e até mudança de url (aquele endereço que identifica cada post). Agora o endereço é uma referência ao título de cada nota (esta aqui vai incorporar no final “rótulo-novo-mesmas-ideias”). Em internetês significa que agora o Blog do Vinho tem uma URL amigável. O colunista, pois, pode até não ser considerado tão amigável. Mas a URL, agora é.

Outra melhoria é a área de comentários, fundamental em um espaço que pretende dar voz à opinião de seus leitores – que costumam ser mais inteligentes, observadores e bem-informados do que o autor. E estão sempre me corrigindo. Aquele transtorno de ter de digitar aquelas letras – mais difíceis de decifrar que rótulo de vinho alemão – desapareceu. Basta digitar seu nome, e-mail válido e meter bronca. As mensagens são moderadas, sim. Mas meu compromisso é de publicar todos os comentários (com o privilégio de poder responder a alguns), menos aqueles que xingam a mãe, não estão relacionados ao tema (quer discutir a crise do Senado, há outros espaços em Veja.com para isso) ou são difamatórios ou preconceituosos.

O rótulo mudou, mas o objetivo deste blog continua o mesmo: tratar o vinho de forma bem-humorada e descontraída, com opinião independente e uma visão pessoal de todo tinto, branco, rosado, espumante e doce que eventualmente caia na minha taça e mereça um comentário. Além, é claro, de trazer muito serviço e atualizar o que existe de novidade no mundo do vinho.

Assim como a bruxa da Branca de Neve ali de cima, eu achei que ficou o blog de vinho mais bonito de todo o reino. Mas o julgamento não cabe a mim, mas ao leitor, que neste caso ocupa o papel crítico do espelho…  Ficou melhor ou pior?

Notas relacionadas:

  1. Você pagaria para ler este blog?
Autor: beto gerosa Tags: , , , ,

segunda-feira, 2 de março de 2009 Blog do vinho | 18:44

Você pagaria para ler este blog?

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The news sentimentalists among us savor the best newspapers — their lovely turns of phrase, their bold reportage — as if they were rare and fragile wines. Which, these days, they are.
Jon Fine, BusinessWeek

Prezado leitor, tenho uma proposta para você aí, do outro lado da tela: topas pagar para ler este blog?

Muito provavelmente, não. Nem que sejam alguns centavos.

Não se irrite. Trata-se de uma provocação lançada neste espaço por dois motivos: em função da reportagem de capa da revista Time intitulada “How to save your newspaper”, que gerou uma frenética discussão sobre o tema de conteúdo pago x gratuito na internet e por estarmos, eu e você, em lados diferentes da rede: aquele que escreve e quem consome esta informação.

Mas se os jornais e as notícias hoje começam a ser tratados por alguns como vinhos raros e frágeis, como sugere o trecho do artigo da BusinessWeek que abre este texto, é possível então traçar um paralelo imaginário com o mundo do vinho, o que nos trás de volta ao tema deste blog.

Do vinho em plástico ao vinho de graça

Assim como no passado era preciso ir às bancas e livrarias e pagar para se ter acesso aos jornais e revistas – que hoje estão disponíveis gratuitamente na grande maioria dos sites de informação, em blogs e redes sociais – hoje é necessário pagar para obter o vinho que se deseja, mesmo que seja por meio da internet, certo?

Mas e se o cenário fosse outro? Vamos nos permitir imaginar alguns modelos em um futuro próximo.

1. Alguém descobre um meio de distribuir a bebida por uma rede de encanamentos e os tintos e brancos chegam em sua casa direto pela torneira. Se paga uma espécie de assinatura, como de água, e passe-se a ter vinho vertendo 24 horas por dia em domicílio.

2. Ao mesmo tempo, é criada uma fantástica máquina de custo muito baixo e que permite a fácil e rápida produção de vinho caseiro, o homewine. É um grande sucesso entre enólogos amadores. O sujeito compra as uvas e elabora o fermentado em casa, como um café expresso. Alguns produtores urbanos plantam parreiras no quintal de casa e no jardim dos edifícios (a cota de vinho que cabe a cada morador dos condomínios entra em pauta nas reuniões deliberativas).

3. O vinho com rótulo domiciliar passa a ser distribuído também pela rede de encanamentos secundários. Alguns casos mais raros recebem a consagração de um pequeno séquito e se transformam em cult home wines e chegam até a concorrer com nomes consagrados, mesmo sem contar com a garantia de qualidade e da tradição das grandes vinícolas.

4. A profissão de enólogo entra em crise e sofre com a concorrência amadora e domiciliar. Os enólogos, para garantir o sustento, se transformam em personal-enólogos, e são contratados para animar a festa do aniversário de 18 anos do Júnior ou para  comemorar os 80 anos do vovô, sempre criando um vinho exclusivo para cada ocasião.

5. A competição é brava, e em uma tentativa desesperada de sobrevivência alguns produtores tradicionais que ainda distribuem seus vinhos engarrafados em canais de lojas e restaurantes buscam um novo modelo de negócio: o patrocínio. Os rótulos, que antes estampavam só o nome da vinícola, da uva e do país na etiqueta agora veiculam publicidade. Algo assim: “Chablis, fresco e mineral, como o seu creme dental Fresh Tooth.”

6. O último prego é batido no mercado tradicional quando finalmente é lançado o vinho gratuito. A conta nem sempre fecha, mas torneiras passam exibir patrocínios em seus metais, e você pode optar entre os vários fornecedores que oferecem sua bebida através de inúmeras redes instaladas. A diversidade é enorme, desde o vinho domiciliar até os de grandes empresas. Mas o sabor é sempre meio parecido.

7. A maioria dos produtores de qualidade quebra. Os tintos e brancos de boutique e os grandes chateaux ficam com preços proibitivos. Só os ricos, emergentes e colecionadores se mantêm fiéis a rótulos exclusivos e de tradição.

8. Num momento de crise mundial de liquidez – de dinheiro, não do fermentado, a publicidade fica escassa mas o custo de manutenção da rede permanece o mesmo, fora a mão-de-obra e a matéria-prima. O modelo gratuito patrocinado então também entra em crise.

9. Defensores do bom vinho resolvem ressuscitar a velha fórmula da cobrança e sugerem a manutenção da rede de distribuição de vinhos, mas por meio de micropagamentos, pelo cartão de crédito ou pelo celular.

Conclusão?
A discussão se estabelece. O vinho deve ser cobrado ou gratuito? É possível produzir um bom produto só com patrocínio e publicidade?

Nesta situação imaginária, e delirante, você pagaria para beber vinho, mesmo após ter provado o modelo gratuito?

Sim? Não? E para acessar este blog? Topas pagar?

Circula há tempos na web um vídeo que já antecipa o cenário maluco desenhado acima, aqui o vinho chega direto pelo seu computador. Assista.

Autor: beto gerosa Tags: