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terça-feira, 22 de junho de 2010 Entrevista, Novo Mundo | 12:07

África do Sul: o vinho do país da vuvuzela

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“A África do Sul não é só pinotage”,
John Platter, critico de vinhos
e autor do guia John Platter’s South African Wines

A Copa do Mundo na África revelou ao mundo um estádio belíssimo, o Soccer City, popularizou uma traquitana ensurdecedora e irritante, a vuvuzela, e mostrou ao mundo que no extremo sul do continente africano faz frio. Muito frio, como lembram os cronistas esportivos a todo instante. Nossos enviados parecem surpresos com esta obviedade climática, afinal as terras que ficam abaixo do paralelo 30 esfriam mesmo no inverno. E é neste trecho da África, na mesma faixa onde crescem as parreiras da Argentina e da Austrália, que são cultivadas as parreiras sul-africanas. Os vinhedos próximos à Cidade do Cabo registram temperaturas semelhantes ao do Napa Valley, na Califórina.  No país da vuvuzela, o vinho também faz barulho!

O país não é exatamente um iniciante na produção de vinhos. A história vitivinícola sul-africana pode ser simplificada em três fases distintas.

Início. Um Novo Velho Mundo – As primeiras vinhas foram plantadas em meados do século XVII, na região de Constantia, perto do Cabo da Boa Esperança. Os holandeses lá instalados tiveram uma mãozinha de refugiados franceses conhecedores da viticultura. Os vinhos brancos de sobremesa de Constantia, elaborados com a uva moscatel, chegaram a ser objeto de desejo das cortes europeias neste período. Este início precoce torna a África do Sul uma contradição em termos: trata-se de uma região do Novo Mundo com mais de 350 anos! A decadência do setor veio com o ataque da filoxera (sempre ela), a praga que dizimou, em 1886, boa parte das videiras ao redor do mundo. O replantio priorizou a produção em grandes quantidades, mas o volume bateu na parede da recessão inglesa, os maiores importadores do vinho sul-africano daquele tempo.

Nos tempos das cooperativas e do apartheid – O início do século XX foi marcado, assim, pela quantidades de uva por cacho e não pela qualidade da fruta. Numerosos fazendeiros vendiam suas colheitas para cooperativas e atravessadores poderosos que controlavam os preços. Em 1918 esses fazendeiros, com ajuda do governo, criaram uma cooperativa própria, a Ko-operative Wijnbouwers Vereniging (KWV), que durante anos regulamentou e controlou preços e tinha plenos poderes sobre a indústria do vinho na África do Sul. Hoje a KWV se tornou uma empresa privada, com rótulos próprios. Esta situação, agravada pelo boicote aos produtos do país em represália ao apartheid vigente, tornou o vinho sul-africano desconhecido fora do país.

O renascimento do vinho de qualidade – O cenário começa a mudar em 1994, com o fim do regime do apartheid. Uma política agressiva de inovação e investimento em tecnologia, a aposta em  diferentes terroirs para uvas internacionais, além do charme de uma uva nativa (a pinotage) tornou o país em um grande produtor de vinhos de qualidade em poucos anos. Atualmente são mais de 500 vinícolas privadas em funcionamento, o dobro do início do século.

Apesar de a pinotage ser uva emblemática as tintas mais produzidas são cabernet sauvignon, shiraz, merlot, seguida da pinotage. (A pinotage é uma variedade africana originária do cruzamento das uvas francesas pinot noir e cinsault, conhecida no país como hermitage.) As brancas dominam 55% da área cultivada (dados de 2006), as mais plantadas são: chenin blanc, colombard (para brandys), chardonnay e sauvignon blanc.

John Platter: o Robert Parker da África do Sul

Em 2004, o jornalista John Platter – o crítico de vinhos mais influente da África do Sul – deu uma entrevista a este redator. Ele á autor do guia John Platter’s South African Wines, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos (conheça outros guias na seção Biblioteca). Lançado em 1980, o guia é uma referência no mercado e aceito como verdade pela crítica internacional. Ter um rótulo bem cotado no guia de Platter é um carimbo no passaporte internacional de uma vinícola.

Ninguém melhor para introduzir o leitor deste blog no mundo do vinho sul-africano do que seu crítico mais bem informado. Mesmo passados seis anos da entrevista, sua visão sobre a produção, as tendências e características do vinho da África do Sul continuam atuais. Abaixo os principais trechos:.

Como o senhor define o estilo do vinho sul-africano?

Nós fazemos vinhos há 350 anos. Mas de uma maneira mais séria somente há 10 ou 15 anos. O estilo sul-africano está entre o moderno vinho do novo mundo, como o australiano, gratificante e imediato, e o clássico vinho do velho mundo europeu, mais austero, complexo, com capacidade de envelhecimento na garrafa.

Como são julgados os vinhos em seu guia?
São 10.000 vinhos analisados por ano, durante sete meses. Mas é um trabalho de equipe, não faço isso sozinho (Nota: na edição de 2008 são quinze colaboradores). São degustados vinhos do ano e de safras passadas, para saber como a qualidade está evoluindo. Eles são classificados numa escala que vai de zero a cinco estrelas e somente 17 vinhos recebem a cotação máxima .

O vinho sul-africano evoluiu muito desde o lançamento da primeira edição de seu guia, em 1980?
A mudança desde 1980 é tremenda. Todo ano se verificam melhorias. Os aperfeiçoamentos tecnológicos foram imensos. Um dos exemplos de como a tecnologia tem ajudado nesta evolução é o uso de fotos aéreas infravermelhas tiradas das plantações durante a colheita, o que permite monitorar quais as uvas certas para colher no meio do vinhedo. São refinamentos que vieram com o tempo. Mas não aprendemos rápido o suficiente. A mudança tem de ser feita primeiro nos vinhedos, para produzir frutas melhores, mais limpas, maduras e puras. A qualidade do vinho é obtida primeiro nos vinhedos, antes da vinificação.

A pinotage é a principal uva do país?
A pinotage é reconhecida como a uva que só nós temos. É uma questão de orgulho nacional. Mas se podemos dizer que a Argentina é malbec, a África do Sul não é pinotage. É apenas uma entre as muitas variedades que produzimos, e uma variedade muito controversa, que gera uvas de má qualidade se não forem bem cuidadas, pois têm uma certa rusticidade. Por isso, temos produtores apaixonados e outros que odeiam esta cepa. Quando misturada a outras uvas, o que chamamos de Cape Blend, funciona melhor. Nós trabalhamos muito bem com outras uvas; fazemos shiraz brilhantes – temos um clima muito similar (ensolarado, quente) ao Vale do Rhone, na França, onde a fruta se dá melhor -, muito bons pinot noir, cabernet sauvignon, sauvignon blanc e chardonnay. O problema é que todo mundo tem shiraz e cabernet sauvignon e acaba-se produzindo vinhos muito parecidos.

Como se diferenciar e se destacar neste mercado?
Nós estamos trabalhando para produzir vinhos com tipicidade, que sejam originais, relevantes, com reconhecimento de seu terroir, que são as características de solo e clima de uma microregião que dão uma especificidade única a um vinho. Nós temos de passar por este estágio e evoluir. Se África do Sul não produzir um vinho com o seu terroir não vai conseguir se distinguir em relação a outros países, caso contrário vai acabar produzindo uma espécie de “coca-cola”.

Dê um exemplo de um produto onde o terroir faça a diferença.
Temos um sauvignon blanc produzido pela Steenberg, em Constantia Valley, em que os vinhedos estão localizados numa região de ventos muito fortes e onde há uma seleção natural que diminui o número de cachos na parreira. As frutas que resistem são mais maduras, melhores e produzem um vinho que tem uma característica única, conferida à sua casca por este mesmo vento. E a casca, vale lembrar, é o elemento da uva de onde vêem os principais aromas do vinho. Isso ninguém pode copiar. É um bom exemplo do que se pode extrair de um terroir.

Como era trabalhar na África do Sul no período do apartheid?
Muito difícil. Era terrível sentir que todo o mundo era contra você. Mais ou menos o que os americanos devem estar sentindo agora (a entrevista foi realizada na era Bush). Não havia competição. Com o fim do regime do apartheid e a entrada da África do Sul no mercado de exportação, mudaram as regras de produção e começaram as melhorias nos vinhedos e vinícolas do país. Mas no aspecto social ainda temos um sério desafio pela frente: só 1% da indústria está nas mãos da população negra e o governo, acertadamente, identificou que esta situação é insustentável por muito tempo. Eu trabalho num órgão do governo (South African Wine Trust ) que tem a missão criar condições para mudar esta realidade. (Último relatório da South African Wine Trust indicam que esta questão andou de lado e continua no mesmo patamar with less than 1% of the land under wine grapes under black ownership, management or control.)

Antes de ser colunista de vinhos, o senhor trabalhou na United Press como correspondente de guerra e testemunhou vários conflitos. O que o levou a mudar de área?
Fiz este tipo de jornalismo por 15 anos. A Guerra da Biafra, por exemplo, foi muito sofrida, ver pessoas com fome, matando-se umas às outras. Eu achei que eu não seria forte o suficiente para continuar o resto da minha vida nesta função. Cobrir uma guerra é uma experiência fisicamente muito intensa. Eu sempre gostei da idéia de ser um fazendeiro e trabalhar com vinho. Provar e escrever sobre vinho é muito criativo também, é tão criativo como tentar criar histórias dramáticas sobre a guerra.

O que é mais difícil escrever: uma coluna de vinho ou um artigo sobre a guerra?
Os dois são difíceis. São ambas experiências subjetivas. Você tem elementos objetivos para lidar na guerra e no vinho também. Mas o que você coloca no papel é o seu ponto de vista. E é muito difícil expressar sua verdade, especialmente no vinho, pois muita coisa sem sentido é escrita sobre o assunto. E muitos termos nada significam para a maioria das pessoas.

Além de crítico o senhor também é produtor de vinho. O que começou primeiro?
Minha carreira de crítico começou antes, só depois fui aprender a fazer vinho. Eu produzo uma pequena quantidade para consumo próprio. E comecei este trabalho para saber como é fazer vinho. Assim entendo melhor a bebida. Também aprendi uma coisa: é mais fácil ser crítico do que produtor.

Por quê?
Você passa a entender as dificuldades de um produtor. São milhões de detalhes que devem ser observados, no vinhedo e na vinificação. Escrever um livro também é difícil mas não é tão mágico e complicado como fazer um vinho e lidar com a natureza.

O que é mais gratificante: vender 1 milhão de exemplares de seu guia ou criar um vinho brilhante, com reconhecimento mundial?
Atualmente estou aposentado, e apesar de estar envolvido no guia faço outras coisas também. Mas se você me fizesse esta pergunta quando ainda estava completamente envolvido na edição, eu diria que eu preferiria produzir um vinho brilhante, que pudesse merecer as cinco estrelas do meu guia.

Nem chenin blanc, nem pinotage

Quem sou eu para discordar de John Platter? Mas a realidade das taças provaram até agora que, pelo menos dos exemplares que chegam ao Brasil, o melhor da África do Sul são mesmo os tintos de shiraz ou o cape blend e os brancos refrescantes e de grande personalidade  das uvas sauvignon blanc e chardonnay. Onde encontrar estas belezinhas? Nos links abaixo você chega direto nas páginas das importadoras dos rótulos sul-africanos.

Mistral

Expand

Zahil

Grand Cru

Decanter

World Wine

Vinci

Casa Flora

Autor: Beto Gerosa Tags: , , , ,

segunda-feira, 14 de junho de 2010 Teste | 11:47

Você conhece vinho chileno?

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Você conhece os vinhos desses vinhedos?

O consumidor mais atento percebe em uma rápida visita pelas lojas e superemercados qual é a maior oferta de rótulos importados no Brasil: são dos nossos vizinhos Chile e Argentina. O Chile, no entanto, se mantém na pole-position dos vinhos mais vendidos no país. Em 2009,  22,516,176 litros de tintos e brancos chilenos  invadiram nossas prateleiras e encheram nossas taças: um crescimento de 20% em relação ao ano anterior (dados consolidados pela Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho). Ou seja, volta e meia você desarrolha uma garrafa chilena, certo? Então  Responda mais este teste do Blog do Vinho e confira seus conhecimentos dos vinhos do lado de lá da Cordilheira dos Andes.

No final deste quiz você encontra outros cinco testes do Blog do Vinho

O Chile produz vinhos de alta qualidade e de grande produção. A mamãe-natureza faz sua parte.  Por um lado a Cordilheira dos Andes ergue uma barreira natural que mantém a sanidade das uvas. Do lado oposto, pelo Oceano Pacífico, os vinhedos recebem o ar frio e úmido, que formam nuvens baixas e neblina. Qual corrente marítima é responsável por este resfriamento?




Qual a uva tinta mais plantada no Chile?




Um do vales mais conhecidos do Chile, onde são engarrafados vinhos de alta qualidade, fica praticamente dentro da capital, Santiago. Trata-se do:




Ao topar com o termo reservado em um rótulo de um vinho chileno, você:




Chile também produz vinhos brancos de alta qualidade. A região de Casablanca, com suas baixas temperaturas, tem o terroir adequado para a cultivo das uvas brancas. Ter o termo Casablanca estampado no rótulo é um indicativo de qualidade para este tipo de vinho. Quem foi o enólogo e produtor que primeiro enxergou o potencial desta região?




O tinto Almaviva é um dos vinhos ícones do Chile. A empresa é resultado de uma joint-venture entre a francesa Mouton-Rothschild e a gigante Concha y Toro. Este tesouro líquido é resultado da mistura das uvas cabernet sauvignon, carmenère e cabernet franc, em variadas proporções, determinada pela safra de cada ano. O nome Almaviva é uma referência:




Em 1979, um importante produtor fez um investimento importante na região de Curicó. Foi o primeiro investimento estrangeiro a apostar no potencial dos vinhos do Chile, depois foi seguido por vinícolas francesas e outros capitais de risco. Qual foi este produtor?




Casillero del Diablo é um dos rótulos chilenos mais conhecidos e vendidos no Brasil. Seus varietais tintos e brancos são facilmente encontrados na prateleiras dos supermercados. Qual explicação do nome Casillero Del Diablo para este vinho?




As regiões vinícolas do Chile estão concentradas no centro do país. O sistema de Denominação de Origem está dividido em quatro principais regiões - Coquimbo; Aconcagua, Vale Central e Sul e suas respectivas subregiões. Qual das subregiões abaixo não corresponde à sua denominação de origem?




Esta é fácil mas obrigatória em um quiz sobre o Chile. A uva tinta carmenère foi identificada  pelo professor francês Jean-Michel Boursiquot em 1994. Até então ela era confundida, e misturada, com a variedade:




Dos três rótulos abaixo, um deles não é chileno. Se você é capaz de identificar qual é?




Além do clima favorável, e por conta da proteção natural das Cordilheiras dos Andes, o Chile é um dos raros países vitivinícolas que jamais sofreu problemas com uma famosa praga dos vinhos:




As mulheres são importantes no desenvolvimento dos vinhos chilenos. Qual das três enólogas abaixo é responsável por brancos e tintos de estilo elegante e mineral na região do Vale de San Antonio, a 4 quilômetros do Oceano Pacífico?




Dados de 2008, portanto antes do terremoto que atingiu algumas áreas vinícolas do Chile, indicavam que o país era o ___ maior produtor de vinho do mundo:




Qual a proporção de uvas tintas e brancas plantadas no Chile?






Faça os outros testes

Autor: Beto Gerosa Tags: , , ,

domingo, 6 de junho de 2010 Degustação | 22:51

A Babel de Baco – a feira de vinhos da Mistral

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Vinho para todos os gostos: oitenta produtores de quinze países

Os homens que cospem vinho têm outra oportunidade de exercer sua habilidade de provar rótulos das mais variadas procedências sem de fato bebê-los de verdade. O chato é dispensar a bebida na frente do pai da criança. Explico: a importadora Mistral realiza, a partir desta segunda-feira, 7 de junho, sua quinta bienal do vinho, o Encontro Mistral 2010, com a presença de mais de oitenta produtores e enólogos de quinze países, numa verdadeira Babel de Baco. O complicado é que a qualidade é tão extraordinária que mesmo os homens que estão acostumados a cuspir vinho em eventos com inúmeros rótulos à disposição, acabam sorvendo talagadas explícitas diante das oportunidades oferecidas.

Ao contrario de uma grande feira de negócios, como a ExpoVinis, o consumidor final divide a atenção de enólogos e produtores com especialistas e profissionais do ramo no mesmo espaço e horário. Os ingressos são sempre muito disputados, e limitados a 200 lugares por dia, e só podem ser adquiridos com antecedência – não são vendidos na entrada do salão, nem com reza braba. Os ingressos estão esgotados, mas há uma lista de espera para quem ainda tem esperança e alguma sorte…

Quermesse do vinho

São inúmeras mesas espalhadas em um amplo salão. Funciona como uma espécie de quermesse do vinho. As vinícolas são identificadas pelo nome e por um mapa com indicação da região e do país de origem Em cima das toalhas perfilam inúmeras garrafas abertas para aplacar a sede dos visitantes. Imagine que cada produtor traz vários rótulos de sua linha de produção: brancos, tintos, rosés, espumantes, doces e fortificados. Multiplique o números de rótulos disponíveis por oitenta e dá para ter noção do tamanho da oferta. A diversidade e a diversão são garantidas.

Servindo a bebida, explicando as principais características de seus vinhedos, detalhes de vinificação, ou mesmo fazendo só marketing estão os enólogos estrelados, produtores conhecidos e diretores de vinícolas. Nesta edição do Encontro Mistral 2010 são mais de oitenta destes personagens do mundo do vinho a dispor dos visitantes. Gente do padrão do argentino Nicolas Catena (Catena), o português Luis Pato (da vinícola homônima), Jean-Guillaume Prats (enólogo da Cos d’Estournel), as espanholas Olga Fernandez e Maria Cruz Fernandez, proprietárias da Pesquera, Marc Kent (proprietário da sul-africana Boekenhoutskloof), o grego Leon Karatsalos (da surpreendente e premiada vinícola grega Gaía) ou o sempre simpático e atencioso francês Jean Louis Despagne, proprietário do Château Tour de Mirambeau.

Diante desta turma, nada de se intimidar. Basta chegar, esticar a taça, provar e cuspir… se for capaz.

SERVIÇO
Encontro Mistral 2010
São Paulo – Dias 7, 8 e 9 de junho – Grand Hyatt (Av. das Nações Unidas, 13301)
Rio de Janeiro – Dia 10 de junho – Sheraton Rio Hotel & Resort (Av.  Niemeyer, 121)
Horário: das 17h às 21h30
Preço: R$ 290,00 por dia
Reservas: (11) 3372 3400. Os ingressos estão todos vendidos, mas há uma lista de espera
Ingressos limitados a 200 por dia
Não há venda de ingressos no local

Notas relacionadas:

  1. Aberta a temporada de feiras de vinho em São Paulo
  2. Os homens que cospem vinho: como funcionam as degustações dos concursos
Autor: Beto Gerosa Tags: ,

sexta-feira, 4 de junho de 2010 Nacionais | 14:56

Bons, básicos, baratos e brasileiros

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Os vinhos de grande volume das principais vinícolas são a base da pirâmide do consumo. Uma espécie de “Caminho Suave” dos tintos e brancos, uma cartilha por onde o iniciante começa a experimentar e gostar de vinho, o reincidente tem a opção do dia-a-dia e aqueles felizardos que são recomendados pelos médicos a tomar uma dose diária de um tinto têm uma alternativa segura.

Vinhos de linhas mas simples de empresas como Almadén, Aurora e Salton fazem parte de um segmento que poderia muito bem ser chamado de BBB do vinho nacional: bons, básicos e baratos. Sim, eles existem, são simples e descomplicados. E o crescimento do mercado de vinho fino nacional (veja abaixo) está produzindo boas novidades no setor: investimentos, qualificação da bebida e até modernização visual dos rótulos.

Agora, em nova embalagem

E se além de bons e baratos estes vinhos mais básicos fossem também bonitos? Almadén e Aurora apostaram em mudanças visuais em seus rótulos. Eles ficaram mais limpos e fáceis de identificar nas prateleiras de supermercado, em ambos os casos cada uva tem uma cor. A Salton mantém seu rótulo mais escuro para a linha Classic, mas também adota a diferenciação de uvas pela cor.

Almadén

Não é à toa que a Miolo Wine Group adquiriu a Almadén em outubro de 2009, e  mexeu com a fórmula dos vinhos produzidos na região de Livramento em um investimento de 2 milhões de reais em melhorias nos processos de vinificação. O resultado foi apresentado oficialmente na última ExpoVinis – feira internacional de vinhos de São Paulo. Primeira boa novidade: diminuiu-se o teor de açúcar. Todos os varietais (vinho de uma única uva) da Almadén estão mais leves, frutados e refrescantes e sem aquele docinho enjoativo que caracterizava a linha. Confesso que fui provar a bebida com um pé atrás, pois a memória gustativa eram daquela bebida demi-sec, acrescida de açúcar. Não era discurso, mudou-se a fórmula. Provei toda a linha: os brancos chardonnay, sauvignon blanc e riesling (safra 2010), o rosé cabernet sauvignon (2010) e os tintos cabernet sauvignon, merlot e tannat (safra 2009). A bela surpresa, para este blog, foram o branco chardonnay, sem madeira, bastante refrescante, boa fruta e características da varietal evidentes e o tinto merlot, macio na entrada, também com fruta fresca e fácil de beber. Preço médio: R$ 15,00.

Aurora

A linha varietal da Aurora é composta de sete rótulos. Os tintos cabernet sauvignon, merlot, pinot noir e carmenère; os brancos chardonnay e gewurztraminer e ainda um rosé de merlot. O cabernet sauvignon, envelhecido em barris de carvalho e um pouco mais encorpado, é o meu preferido: tem um bom corpo e creta presença na boca. Preço médio: R$ 17,00.

Salton

Na lista de bons e baratos já elaborada por este blog em outubro de 2008 o Salton Classic Tannat já merecia destaque. Correto, bem vinificado. Seu preço é imbatível (volta e meia está em ofertas em grandes lojas e supermercados), seus taninos  melhoram se acompanhados de um churrasquinho informal no clube. Em recente viagem à vinícola, a prova dos varietais merlot, cabernet sauvigon e tannat (ainda são comercializadas as brancas riesling e chardonnay) ratificou a preferência por esta uva emblemática do uruguai – de longe o mais prazeroso rótulo da linha. Preço médio: R$ 13,00

O que é bom para o Chile é bom para o Brasil

A aposta na qualificação destes vinhos básicos é importante e necessária para a indústria e para o incremento do consumo do vinho nacional. As gigantes chilenas Concha y Toro, Santa Rita e Santa Helena, por exemplo, têm no seu portfólio desde vinhos para grande massa até premiadíssimos rótulos badalados pela critica e disputados entre os especialistas. Da base para o topo, a qualificação é a melhor propaganda. Até por que, vamos combinar, elaborar vinho caro e bom é até uma obrigação. Prova dos noves é manter qualidade em larga escala e ainda tascar o nome no rótulo…

Crescimento em vendas

No Brasil, o mercado interno de vinho finos – aquele feito de uvas viníferas – vem ganhando musculatura e reagindo ao fraco desempenho dos dois últimos anos. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) apontam para uma retomada da indústria vitivinícola, com um crescimento de 26% no primeiro trimestre de 2010, ou seja não precisava da obrigação do selo fiscal, né? Só no Rio Grande do Sul –  cerca de 90% da produção nacional – foram comercializados 2,32 milhões de litros, o maior volume desde 2007.  Fica claro que é da base da pirâmide que virá esta alavancagem no consumo. Tanto melhor se a qualidade do que se bebe for melhor. Até por que, quem foi fisgado pelo mundo do vinho sabe muito bem, qualidade é um caminho sem volta, tanto para o consumidor como para a indústria.

Notas relacionadas:

  1. Deu zebra no ranking de espumantes da Playboy
  2. Marco Danielle: da tormenta ao prelúdio
  3. Bem, amigos, agora Galvão Bueno também é vinho
Autor: Beto Gerosa Tags: , , , ,

sexta-feira, 28 de maio de 2010 Blog do vinho | 17:44

Sexo, vinho churrasco e… futebol

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Sexo e vinho: nem todos gostam, segundo Dunga

Dunga continua surpreendendo os torcedores. Em recente entrevista, quando questionado sobre a rotina dos jogadores enclausurados na concentração na África do Sul, o técnico da seleção brasileira de futebol declarou “Nem todos gostam de sexo, de vinho ou sorvete. Temos que respeitar a individualidade de cada um”. Já o médico da seleção Argentina, rival em todos campos, contra-atacou: “Não podemos negar durante mais de um mês também um churrasco, um copo de vinho ou um pouco de doce, por isso de vez em quando é permitido”, afirmou Donato Villani. Já começo e me simpatizar pela seleção argentina…

Como as declarações citam sexo e vinho, vale resgatar duas notas sobre a relação entre a bebida e a atividade sexual – dos homens e das mulheres -, publicadas neste blog.

Vinho X impotência

Se ainda faltava algum argumento “médico” para justificar sua dose diária de vinho seus problemas se acabaram! Pesquisa realizada pela University West Australia, e divulgada pelo site da revista inglesa Decanter, encontrou uma relação entre o consumo moderado e continuado de vinho e baixas taxas da disfunção erétil. 1700 australianos participaram da amostragem e o acompanhamento destas alegres cobaias mostraram que as ocorrências de disfunção erétil prolongadas foram reduzidas de 25% a 35% em consumidores regulares de vinho – uma a 20 taças por semana – quando comparados àqueles pobres infelizes que não têm o hábito de beber.

Vinho tinto aumento o desejo sexual feminino

O consumo moderado de vinho tinto, já foi comprovado, é eficaz para as coronárias, faz bem para a saúde em geral e até para a  libido do homens. Agora, os cientistas capricharam: segundo estudo realizado pelo hospital Santa Maria Annunziata, em Florença, na Itália, o consumo de uma ou duas taças diárias de vinho tinto aumenta a libido feminina. Foram pesquisadas 789 mulheres entre 18 e 50 anos, moradoras na região de Chianti, próxima ao hospital. Bom, aí também não vale, além de tinto é Chianti, não precisa muito esforço  para o vinho fazer parte do dia-a-dia. Mas vamos em frente.

Apresentado em março na IX Semana da Prevenção Andrológica, promovida pela Società Italiana di Andrologia (SIA), o estudo foi baseado no questionário Fsfi – Female sexual function índex -, que avalia a sexualidade feminina por dezenove questões distribuídas nos seguintes critérios: do desejo ao interesse, da lubrificação ao orgasmo e da satisfação à dor.

O resultado quem conta é Nicola Mondaini, dirigente do hospital Santa Maria Annunziata e responsável pela  pesquisa: “Este estudo mostrou que as mulheres que consomem um a dois copos de vinho tinto por dia (11%) têm uma sexualidade melhor do que o grupo de mulheres abstêmias (35%) ou até mesmo aquelas que bebem ocasionalmente”. Não sou eu quem diz, mas o cientista italiano. Bravo! Bravíssimo!

Os louros de uma vida sexual mais plena se devem aos nossos amigos polifenóis, são mais de 300 tipos encontrados no vinho tinto, que a pesquisa mostra agora ter uma ação sobre alguns componentes hormonais femininos, em particular o estrogênio. O chocolate, que é rico em antioxidantes, é sabido também que estimula a sexualidade feminina. O que sugere que a dupla vinho & chocolate tem o efeito de uma bomba afrodisíaca…

O estudo é sério, minha gente, resultará até na publicação de um livro: “Bacco e Venere, ovvero vino ed eros nella vita dell’uomo”, que tem lançamento prevista, na Itália, previsto pela editora Giunti. Como de costume, é sempre bom alertar, estes estudos recomendam um consumo contínuo, mas moderado. Alcoolismo é coisa séria, não é disso que trata este blog, muito menos os estudos científicos e pesquisas.

Churrasco

Quanto ao churrasco, um parceiro fantástico para a carne não é nem argentino muito menos brasileiro, mas o tannat uruguaio. Mais detalhes e dicas de rótulos na nota: Tannat: o tinto uruguaio que combina com churrasco.

Quanto ao futebol,  eu não entendo, nem gosto. Como diria o Dunga “Temos que respeitar a individualidade de cada um”.

Autor: Beto Gerosa Tags: ,

quinta-feira, 27 de maio de 2010 Blog do vinho | 11:31

O mito do vinho de bom custo-benefício

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Vinhos de bom custo-benefício

"Amor, qual vinho tem um bom custo-benefício?"

Um jargão do vinho que se espalhou como praga para outras atividades é o tal “bom custo-benefício”. Tudo agora tem um bom custo-benefício, desde o  tinto chileno de supermercado, passando pelo banho do totó no pet shop, até o  smartphone que tem conexão direta com a Nasa, nada escapa. Não sei quando surgiu esta praga, mas já virou um vício de linguagem que funciona quase como uma muleta para os críticos e especialistas que não querem se comprometer com uma indicação mais simples. Como se quisessem advertir: “Olha, o vinho não é uma maravilha, tem suas qualidades, mas por este preço você esperava o quê?”

Tudo na vida tem um valor, um custo embutido. Não há almoço grátis, dizia o economista e prêmio Nobel Milton Friedman, muito menos com vinho, acrescentaria eu. Qual é o benefício que um vinho pode trazer? Agradar ao paladar e dar prazer, basicamente. Um vinho caro e que tem estes mesmos atributos, provavelmente de maneira mais intensa e consistente, se torna desta maneira um mau custo-benefício? E o contrário, um rótulo bem barato que provoca uma careta e é a antessala da dor de cabeça, é um bom custo mas um benefício ruim? Faz sentido?

Os diplomatas do vernáculo contornam a situação trocando o benefício pela qualidade. O vinho tal tem uma boa relação de qualidade e preço. A coisa assim fica mais clara.  No geral a qualidade eleva o preço de uma mercadoria à medida que agrega valor a ela, seja por meio de matéria-prima mais refinada, por uma embalagem mais bem-cuidada, uma inovação que exigiu um gasto de tempo e experimentação e até mesmo na elaboração da campanha da marca – a mão invisível do marketing, parodiando o pai da economia Adam Smith.

Os americanos, sempre mais pragmáticos, resolvem a questão com o selo Best Buy. Direto ao ponto. É uma indicação das melhores compras que seu dinheiro pode pagar. Um Best Buy pode ser de um valor mais baixo – e ainda assim ter qualidades que tornam aquele vinho uma boa opção de compra – ou mesmo ter vários dígitos na etiqueta, e ainda assim valer a pena e justificar o dinheiro investido na garrafa.

Este Blog do Vinho se posiciona sobre o tema. Um vinho pode ser bom e barato ou ruim e barato. Ou então ser uma boa compra, seja pelo critério de preço, seja de qualidade. Melhor ainda quando os dois mundos se encontram… e vão para sua taça.

No restaurante

Outro vício da gastronomia que parece perder força é a chamada “comida honesta”. Vai na mesma linha, o chef não é estrelado, os ingredientes não são lá muito sofisticados, o ambiente é assim meio sem graça e a criatividade das receitas é nula. O resenhista tasca um “comida honesta”. Aquela bem feitinha, sabe? Você não terá uma experiência incrível mais vai sair satisfeito da mesa e o crítico livra a cara de indicar uma casa fora do circuito. E, principalmente, o cliente não vai ficar endividado para o resto do mês, pois o preço ali é menor. O que leva a outra questão, os restaurantes badalados, de boa comida e muito caros são desonestos? Os preços não estão estampados no cardápio, estão enganando alguém?

Ok, vamos combinar que certos restaurantes do eixo Rio-São Paulo deviam começar a oferecer parcelamento no cartão de crédito ou mesmo abrir um carnê para permitir o pagamento das contas cada vez mais estratosféricas. Mas a escolha da casa é uma decisão individual. E se você, como eu, não dispensa um bom vinho (de bom custo-benefício? de boa qualidade e preço? uma boa compra?), a conta mais do que dobra. Mas o preço do vinho em restaurantes já é assunto para outro post.

Repercussão dos leitores  29/5/2010

Um blog desta natureza, como é o do vinho, é um espaço para discutir, propor, fazer testes, comentar e às vezes trazer alguma novidade. A proposta deste post que acabas de ler é trazer o tema custo-benefício para discussão. O tema, na minha modesta opinião,  é duvidoso, banalizado e usado muitas vezes como uma muleta dos especialistas e indústria do vinho – e expandiu seus tentáculos para outras áreas. Muitos leitores acharam o tema uma bobagem, a argumentação furada, o raciocínio presunçoso, ou até mesmo concordaram. Mas se despertou uma reação, ele existe. As argumentações a favor ou contrárias, quando consistentes, trazem luz para a discussão. Agradeço a participação. Este blog é democrático, estão todos representados na área de comentários. Só não vale xingar a mãe…
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terça-feira, 25 de maio de 2010 Livros | 12:28

Os melhores vinhos do Chile, da Argentina e do Brasil

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Edição 2010

Descorchados 2010
Guia de Vinhos de Argentina, Brasil e Chile
Patricio Tapia
Degustadores: Jorge Lucki, Fabrício Portelli e Hector Riquelme
Editora Planeta
RS 120,00/R$ 150,00

Responda rápido: qual o melhor vinho do Chile, da Argentina e do Brasil? Difícil? Pois  quatro mosqueteiros da degustação – profissionais das taças meio cheio e meio vazias – levaram ao pé da letra o titulo do guia que editam  (Descorchados) e chegaram nesta resposta. Para isso desarrolharam mais de 2.000 amostras de vinhos sul-americanos e após uma peneira de 1.387  garrafas selecionadas montaram um painel de 50 rótulos e enfim chegaram a um vencedor: o argentino Catena Zapata DV Catena Nicasia Vineyard Malbec 2003. Os onze primeiros lugares e as surpresas brasileiras da lista você confere no final deste post.

Descorchados: enfim, um guia de vinhos para o mercado nacional

Guia de vinhos tem aos montes. Aqui mesmo neste blog, na seção de livros, é possível encontrar alguns dos títulos disponíveis nas livrarias. A maioria, no entanto, tem uma visão americana ou europeia. Mas o que adianta um guia recheado de indicações francesas, italianas e americanas que raramente você vai encontrar nas prateleiras e na carta de vinhos dos restaurantes e, pior ainda, dificilmente terá dinheiro para comprar?

O Guia Descorchados vem suprir esta lacuna. Comandado pelo reconhecido critico chileno Patricio Tapia, o guia é uma seleção que reúne os melhores vinhos do Chile, da Argentina e do Brasil – aqueles que você encontra nas prateleiras dos supermercados e nas boas importadoras. São exatos 1.387 rótulos recomendados e comentados e uma boa novidade: pela primeira vez é realizada uma avaliação de 86 vinhos nacionais, entre tintos, brancos e espumantes.

Didático e fácil de consultar, o guia organiza os produtores dos três países por cores: azul para a Argentina; verde para o Brasil e bordô para o Chile. Cada produtor é introduzido por um pequeno texto e os vinhos selecionados são empilhados pelo critério de pontuação, com símbolos que indicam seu tipo (branco,  tinto, espumante, rosé ou doce), preço médio e até indicação de boas barganhas. A parte inicial – uma descrição dos vales e vinhedos de cada país e uma descrição das principais varietais e sua melhor combinação com comida – é pura informação, mas o leitor só vai se ater a este conteúdo após folhear as páginas de rankings . Além da já citada lista dos top 50, há outros rankings organizados por variedade de uva e de país. Afinal, concordando ou não, quem resiste a uma lista? O melhor malbec argentino? Noemía; o melhor cabernet sauvignon chileno? Manso de Velasco; o melhor espumante brasileiro?  Chandon Excellence, e por aí vai…

O que a esquerda utópica do final da década de 70 tentou na ideologia Tapia e seus colaboradores conseguiram em um guia, a tal unidade da América Latina, pelo menos no mundo do vinho. Publicado no Chile há treze anos, desde 2008 incluiu no time de degustadores os craques Fabrício Portelli (Argentina) e Jorge Lucki (Brasil). Em um primeiro passo ampliou o leque de opções com garrafas argentinas. Este ano incorporou os produtores brasileiros e o próximo candidato lógico, e anunciado, são os vizinhos uruguaios, que serão incluídos numa próxima edição.

Entre os 50 melhores, 4 brasileiros

DV Catena Zapata

A prova coordenada por Jorge Lucki é feita às cegas – isto é, o rótulo não é mostrado para os degustadores, explica ele no início do guia. Um julgamento desses tem sempre um lado pessoal, mas as listas foram ordenadas seguindo o conhecido critério de pontuação (até 100 pontos), critério este que o próprio Tapia não considera ideal: “As pontuações, muito no fundo, escondem é essa mania ocidental de acreditar que a perfeição existe”, escreve no prefácio, para logo adiante tentar se explicar sobre o  “método Parker” aplicado. “Mas é a única maneira que eu conheço de mostrar a vocês de que vinhos gosto mais, qual prefiro, de até onde vai minha subjetividade neste assunto.” Vamos então ao gosto de Tapia & Cia, extraindo do Descorchados 2010 uma amostra dos onze primeiros colocados. Por que onze? Para registrar o maravilhoso branco chileno Sol de Sol, que tanto aprecio….

1º – Catena Zapata DV Catena Nicasia Vineyard Malbec 2003 – Argentina – importadora Mistral

2º – Caliboro Erasmo Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc 2006 (Maule) – Chile – importadora Casa do Porto

3º – Maycas del Limarí Reserva Especial Syrah 2007 (Limarí) – Chile –Importadora Enoteca Fasano

4º – Ribera del Lago Cabernet-Sauvignon, Merlot 2007 (Colbún) – Chile – Importadora Casa do Porto

5º – Catena Zapata, Nicolas Catena Zapata Malbec 2006 – Argentina – Importadora Mistral.

6º – Casa Marin, Cipreses Vineyard Sauvignon Blanc 2009 (Lo Abarca)– Chile – Importadora Vinea

7º – Concha y Toro, Carmín de Peumo Carmenère 2007 (Peumo) – Chile –  Importadora  VCT

8º – Villard Tanagra Syrah 2007 (Casablanca) – Chile –  Importadora Decanter

9º – Finca La Anita Malbec 2006 – Argentina – Importadora Bodegas de los Andes

10– Morandé, House of Morandé Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc 2006 (Maipo) – Chile– Importadora Carvalhido

11º- Aquitania, Sol de Sol Chardonnay 2007 (Traiguén) – Chile– Importadora Zahil

O jogo é equilibrado. Se entre os primeiros onze colocados o Chile fez mais bonito (8 x 3), na batalha geral dos Andes a Argentina levou 24 posições contra 22 do Chile, restando 4 honrosos lugares ao Brasil.

Pode ser que o bebedor mais requintado sinta falta de ícones chilenos como Almaviva, Chadwick ou Dom Melchor nesta lista. Eles também foram avaliados, fazem parte do guia, claro, mas não chegaram lá… não estão entre os top 50.  Outro ponto que chama a atenção é que a uva syrah está mostrando seu valor em vinhedos chilenos. Isso é muito bom.

Vila Francioni Sauvignon Blanc

Grata surpresa, no entanto, é encontrar quatro produtores nacionais entre os top 50. Surpresa maior é que o rótulo brasileiro melhor colocado no ranking (37º posição) não é um espumante, muito menos um tinto, e sim a branca sauvignon blanc 2009 da Vinícola Villa Francioni, da região de  São Joaquim, em Santa Catarina. Os outros brasileiros classificados sao tintos: 43º Casa Valduga Storia Merlot 2005;  45º Salton Talento 2005; 47º Miolo RAR 2005. Bacana, não?

O melhor das indicações deste guia, porém, é que você vai encontrar tanto os pesos-pesados nas páginas de seus respectivos produtores como muitos dos rótulos do dia a dia que você depara nos supermercados e lojas de vinho – todos devidamente descritos e  pontuados. Enfim um guia pragmático e mais próximo das nossas taças.

Notas relacionadas:

  1. O peso: se tiver de apostar em um critério, escolha este
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Autor: Beto Gerosa Tags: , , , ,

sexta-feira, 7 de maio de 2010 Degustação | 19:25

Como descrever um vinho?

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“As próprias sensações visuais devem traduzir-se imediatamente em pensamento”
Giulio Carlo Argan, critico de arte italiano

O quadro reproduzido acima é do pintor Francês Henri de Toulouse-Lautrec. Trata-se da tela A toalete (1896), atualmente exposta no Musée d’Orsay, em Paris. Como você descreveria esta singela tela? O autor Giulio Carlo Argan, um dos últimos representantes de uma escola crítica que procurava o sentido da arte na sua história, analisava da seguinte maneira:

A Toalete é um quadro no sentido tradicional do termo; nele, porém, cada signo, seja gráfico seja cromático, vale não por si, mas por sua capacidade de transmitir uma energia que logo se comunica com todo o espaço. Impossível isolar uma bela cor, um belo arabesco linear em sua composição densa e animada. O espaço não é profundidade nem tela de projeção: é um plano fugidio, movediço, onde, ao invés de permanecer, as figuras e coisas deslizam (…) A figura não está em primeiro plano (…) A perspectiva tem um desenvolvimento irregular (…) A matéria da cor é parca e árida (…) Não há nenhuma caracterização psicológica explícita nessa figura sem rosto, seu significado humano transparece no modo de sentar no chão (…) Tem-se a impressão que o artista evitou deliberadamente tudo o que atrai a vista, para isolar o que, através dos olhos, penetra e desperta uma reação, uma resposta do pensamento.”

Agora volte ao quadro.  Seria esta a sua descrição do que se passa nesta tela? As pinceladas te provocam esta análise acurada? Estimulam uma resposta do pensamento que, de acordo com o critico, era a pretensão do artista?

Provavelmente não. Mas um olhar atento ao quadro, com algum rigor, com tempo para reflexão e pausa para a imersão vai revelando um detalhe aqui, uma percepção ali e até que a visão de Argan faz algum sentido e pode ser incorporada à sua avaliação pessoal da  tela. Agora, nos aproximamos um pouco da visão do crítico, e também do artista. A bagagem cultural do resenhista e seu olhar treinado permitem, é claro, esta série de ilações que certamente falta aos leigos em artes plásticas para quem o belo é um conceito muitas vezes intraduzível.

O dialeto do vinho

Um paralelo pode ser traçado com o vocabulário usado para descrever os vinhos. Ou pelo menos certos rótulos mais refinados, que pedem uma reflexão mais acurada, uma análise mais profunda. Assim como uma obra de arte pode proporcionar diversas reações, inclusive nenhuma, o vinho também tem sua compreensão em diversos níveis: do mais simples (gostei/não gostei) ao mais elaborado. Compõem esta avaliação a cor, o olfato, o gustativo e a experiência. Este mosaico de sensações provoca as mais variadas elucubrações dos degustadores.

Enrico Bernardo, sommelier consagrado de restaurantes estrelados como George V, de Paris, comenta assim a prova de um Romanée-Conti, um ícone da Borgonha:

“A taça transportou-me a outro mundo. Seu buquet é atraente desde os primeiros segundos. Ele libera instantaneamente o frescor de uma fruta vermelha acidulada, perfumes de bastões de alcaçuz, húmus e erva recentemente cortada. Na boca, o encontro é acanhado, mas muito intrigante em sua mistura de sutileza e profundidade. Os taninos são finos e de uma sedosidade notável.  A safra 1996 confirma a classe natural e a beleza desse terroir único. Uma recordação inesquecível…”

Aqui se repete o fenômeno do crítico de arte. Se por um lado as notas de Enrico Bernardo apartam o neófito do fermentado de uva engarrafado, por outro revelam um profundo respeito à dedicação de um produtor pelo seu trabalho. Um produtor de vinho nada mais é que um profissional que extrai da terra um fruto milenar que macerado e fermentado se transforma em suco alcoólico de uva que revela a força de seu solo, a tipicidade de seu clima e o caráter de sua origem.

Este sentimento de plenitude, expresso nas últimas palavras de Bernardo, é o que une e move tantos seguidores do vinho. A busca de todo apaixonado pela bebida é encontrar o néctar inesquecível, que provoque a mesma reação que a tela de um grande artista: o despertar de uma resposta do pensamento.

A poesia é necessária?

Claro, nem sempre cabe tanto salamaleque para descrever um vinho. Os rótulos mais simples, os tintos e brancos de menos expressão, são como textos do noticiário: precisam ser corretos, bem apurados e honestos, mas nem por isso concorrem a algum prêmio. Mas, não há como negar, é farto o besteirol impresso ou digitalizado com descritivos incompreensíveis até pelo mais calejado bebedor de vinho. É muita poesia para pouca rima. O sempre citado – e criticado – Robert Parker é mestre nas figuras de linguagem rebuscadas, o que dá uma oportunidade e tanto para a sátira desenfreada dos detratores de plantão. Coisas como: cerejas crocantes, groselha sexy, feno empoeirado e folhas outonais caramelizadas são descrições recorrentes nas degustações de Parker e companhia. Quem não estranha?

Outro dia deparei com uma ficha de degustação de uma importadora em que um  determinado tinto espanhol era descrito com uma cor “rubi impenetrável, um aterrorizante equilíbrio e infindável persistência”. Um desavisado que lê uma coisa dessas é até capaz de evitar o vinho.

Direto ao ponto

Mas há deliciosas exceções. O jornalista especializado em gastronomia, Mauro Marcelo Alves, presenciou o seguinte diálogo entre um vendedor de uma adega do Mercado Municipal e seu cliente:

- Este vinho é bom? – pergunta o comprador.

- É o bicho! – indica o vendedor.

– Então embrulha pra mim – decidiu o cliente.

Quem está certo? Creio que tanto o crítico parnasiano que carrega nas tintas como o vendedor pragmático que vai direto ao ponto. A mensagem, afinal, tem vários caminhos para atingir o pensamento do público-alvo, como perceberam Toulouse-Lautrec, Giulio Argan, Robert Parker ou mesmo nosso simpático balconista do Mercado Municipal.

A opção maluco-beleza multimídia

Gary Vaynerchuk, para quem ainda não conhece, é uma espécie de metralhadora giratória da degustação. A velocidade e a quantidade de  aromas e sabores que ele enumera em cada episódio de seus programas de vídeo na web é espantoso.  O TV Wine Library é a versão mais multimídia do discurso da bebida.

No episódio abaixo (frenéticos 30 minutos de discurso), Gary prova uma variedade de produtos (de pipoca a geleias) para demonstrar como é importante treinar o paladar para conseguir identificar certos aromas e sabores em uma taça de vinho. É uma outra maneira de decifrar o vinho: verbalizando-o.

Notas relacionadas:

  1. Salvem os enochatos!
  2. Uma taça para cada vinho
  3. Para que serve um decanter?
Autor: Beto Gerosa Tags: , ,

quinta-feira, 29 de abril de 2010 Nacionais | 12:51

Bem, amigos, agora Galvão Bueno também é vinho

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Galvão Bueno e Adriano Miolo no lançamento do Paralelo 31, na ExpoVinis: sucesso na feira

Galvão Bueno, o locutor mais assistido e comentado da TV brasileira, agora tem um vinho para chamar de seu. Para ser mais preciso, uma vinícola inteira. Trata-se da Bellavista Estate Bueno, localizada na região de Campanha, no extremo Sul do Rio Grande do Sul. A base do projeto está plantada, os vinhedos crescendo, o perfil do vinho definido, mas, como ele mesmo comentou, não dava para esperar cinco anos até que os primeiros frutos estivessem maduros e só então começar a colar seu nome em uma garrafa.”  O apresentador acalentava este sonho há muito tempo mas há cinco anos resolveu tocar a sério o projeto, e com auxílio de Adriano Miolo, enólogo e proprietário da vinícola de mesmo nome, encontrou o terreno, próximo dos vinhedos da Fortaleza do Seival, em Campanha.

Os primeiros rótulos lançados, o tinto Bueno Paralelo 31 e o espumante Bueno Couvée Prestige, são resultado de uma associação de sua incipiente vinícola com a consolidada Miolo Wine Group. O espumante usa as tradicionais chardonnay e pinot noir. O tinto é um corte de cabernet sauvignon (60%), merlot (30%) e petit verdot (10%). Galvão define esta parceria com uma frase de efeito: “O Adriano Miolo diz que se trata de um vinho elaborado a seis mãos: as minhas, as dele e a do consultor Michel Rolland. Mas eu digo que na verdade são quatro mãos, a dos dois enólogos profissionais, e um coração, o meu”.

Olá, amigos! Vai um vinho aÍ?

E como é o vinho afinal?

Quem tem acompanhado a assinatura Michel Rolland na Miolo já sabe o que vai encontrar. Cor bem escura, fruta madura, macio, toque de madeira. Um estilo novo mundo fácil de gostar, bem cuidado, um padrão atual dos vinhos de mais alta gama da Miolo.  Este é um caminho que o tinto nacional vem trilhando: uma bebida pronta e com um toque mais doce -  às vezes falta aquela acidez que era uma característica local, mas que também em excesso era um problema que deixava a bebida menos amigável.

Galvão Bueno apresentou seu vinho no estande da Miolo na terça-feira, 27 de abril, na feira internacional da ExpoVinis. Desnecessário dizer que ele roubou a festa. Era um gole do vinho e uma foto com os amigos, e inimigos, da Rede Globo. Galvão é um profissional da comunicação. Degusta um vinho como quem descreve uma musa. No lugar de frutas e flores traça paralelos com perfis femininos.

“Um merlot eu defino assim”, demonstra após tomar um pequeno gole do vinho: “Espetacular, uma beleza clássica, sensual, encantadora, mas no final da noite rende um mero suspiro.”

Já um cabernet sauvignon em sua visão teria a seguinte narrativa: “Esfuziante, agressiva, marcante, e, depois de 10 minutos, já está arranhando suas costas e falando no seu ouvido…”

Notas relacionadas:

  1. Deu zebra no ranking de espumantes da Playboy
  2. Dois espumantes nacionais em dois estilos: nature e brut
  3. O Beaujolais brasileiro tá na área?
Autor: Beto Gerosa Tags: , , ,

quarta-feira, 28 de abril de 2010 Degustação | 18:44

Os Top Ten da ExpoVinis 2010

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Os homens que cospem vinho
se reuniram no fim de semana dos dias 25 e 26 de abril e após cheirar, bochechar e dispensar mais de 160 amostras elegeram os dez melhores vinhos da ExpoVinis, versão 2010.  Os dez melhores dentre os que enviaram garrafas para serem avaliadas no concurso Top Ten, é claro. Com uma exceção, os vinhos estão à venda nas boas lojas. Cheque a lista e veja se concorda com a opinião dos jurados:

OS TOP TEN

Espumante Nacional

Grand Legado Brut (Brasil) – Wine Park

Espumante Importado

Ferrari Perle 2002 (Itália) – Ferrari, importado pela Decanter

Branco Chardonnay

Villagio Grando 2008  (Brasil) – Villagio Grando

Branco Sauvignon Blanc

Yealands Estate 2008 (Nova Zelândia)– Yealands State, sem importador

Branco Outras Castas

Mesh Riesling (Austrália) – Mesh, importado pela KMM

Rosé

Château de Pourcieux 2009 (França) – Château de Pourcieux, importado pela Cantu

Tinto Nacional

Sesmarias 2008 (Brasil)  – Miolo

Tinto Novo Mundo

Morandé Grand Reserva Syrah 2005 (Chile) – Morandé, importado pela Morandé

Tinto Velho Mundo

Herdade do Esporão Touriga Nacional 2007 (Portugal) – Herdade do Esporão, importado pela Qualimpor

Fortificado/Doces

Madeira Justino’s Colheita 1995 (Portugal) – Justino Henriques, importado pela Casa Flora

VICES E OUTROS LUGARES

Para quem não se contenta só com os primeiros lugares, a organização do evento divulgou outras classificações, em algumas categorias.

Espumante Nacional

1º Grand Legado Brut – Wine Park

2º Aurora Chardonnay Brut – Cooperativa Aurora

3º Miolo Millesime Brut – Miolo

4º Pedrucci Brut – Pedrucci

Branco Chardonnay

1º Villagio Grando 2008  (Brasil)– Villagio Grando

2º Cordilheira de Sant’Ana Reserva Especial 2008 (Brasil) – Cordilheira de Sant’Ana

Tinto Nacional

1º Sesmarias 2008 – Miolo

2º Dom Cândido Cabernet Sauvignon Reserva 2009 – Dom Cândido

3º Salton 100 anos – Salton

4º Storia 2006 – Casa Valduga

Tinto Novo Mundo

1º Morandé Grand Reserva Syrah 2005 – Morandé, importado pela Morandé

2º Tomero Gran Reserva Malbec – Tomero, importado pela Domno Brasil

3º Cristobal 1492 Malbec 2008 – Don Cristobal, importado pela Divina Botella

Tinto Velho Mundo

1º Herdade do Esporão Touriga Nacional 2007 (Portugal) – Herdade do Esporão, importado pela Qualimpor

2º Arzuaga Reserva  Especial 2004 (Espanha) – Bodegas Arzuaga Navarro, importado pela Decanter

3º Avan Terruño de Valdehernando 2007 (Espanha) – Juan Manuel Burgos, importado pela Del Maipo

Avaliação crítica, mas também pessoal

Em algumas categorias houve maior coincidência nas escolhas dos 12 degustadores. O fabuloso espumante italiano Ferrari, o enebriante Madeira Justino’s Colheita 1995 foram quase uma barbada. Já os 30 tintos do velho mundo, os 19 do novo mundo e os 30 tintos nacionais geraram maior multiplicidade de escolhas. Alguns produtores mais espertos já perceberam algumas preferências destes jurados que com uma alteração ou outra se mantêm há alguns anos cuspindo os melhores vinhos da feira. Nos brancos outras castas, um bom riesling sempre acaba levando, o touriga nacional é um tinto de degustação por excelência. O truque, porém, nem sempre funciona. O melhor tinto novo mundo, quem levou foi um syrah do Chile, da Morandé. No momento mais emocionante da apresentação dos rótulos, na noite de terça-feira, o próprio Pablo Morandé, enólogo e produtor chileno, o homem que “descobriu” o potencial da região de Casablanca, veio explicar pessoalmente seu vinho. A maior surpresa, talvez, foi a premiação de um espumante pouco conhecido: Grand Legado Brut, que trabalha com vinhas antigamente utilizadas pela Forestier.

Como é o Top Ten

Os vinhos que concorrem na degustação do Top Ten da ExpoVinis são aqueles enviados pelos expositores. Concorre quem quer. Eles são divididos em uma dezena de categorias: espumante nacional, espumante importado, sauvignon blanc, chardonnay, outras uvas brancas, rosados, tintos nacionais, tintos novo mundo, tintos velho mundo, fortificados e doces. As garrafas são ensacadas, numeradas e avaliadas. As notas de cada jurado são somadas e os melhores em cada categoria levam a medalha no peito e saem anunciando por aí. Justo ou não, trata-se de um julgamento coletivo, que é mais preciso que a nota de um só critico. Os jurados só conhecem os rótulos provados no momento da divulgação do resultado, que foi anunciado às 14h30 do primeiro dia da feira (27/04).

OS 12 JURADOS

  • Daniel Pinto (Sbav – SP)
  • Jorge Carrara (Folha de São Paulo e Prazeres da Mesa),
  • José Maria Santana (Revista Gosto),
  • Marcelo Copello (Mar de Vinhos),
  • Manuel Beato (Sommelier do Fasano, Guia de Vinhos Larousse)
  • Celito Guerra (Enólogo e Degustador da EMBRAPA),
  • Gustavo Andrade de Paulo (ABS – SP, Wine Style),
  • Ricardo Farias (ABS – RJ, Vinotícias),
  • Gerson Lopes (ABS – MG, Estado de Minas),
  • Marcio Oliveira (SBAV – MG),
  • José Luiz Pagliari (SBAV – SP) e
  • Beto Gerosa (Blog do Vinho, iG).

Notas relacionadas:

  1. O envelhecimento do vinho: o mito da idade
  2. Aberta a temporada de feiras de vinho em São Paulo
Autor: Beto Gerosa Tags: , , ,

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