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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 Brancos, Tintos | 11:00

Liquidações de vinho: é hora de comprar

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Quem resiste a uma promoção? Janeiro é o mês em que as importadoras começam suas liquidações, que geralmente se estendem até fevereiro. Todo ano é assim. Algumas remarcações anunciadas atiçam o saca-rolha virtual que todo enófilo esconde em seu bolso. Afinal de contas, trata-se de uma troca comercial: a vontade de comprar – por um precinho melhor – versus a urgência de o lojista se desfazer dos estoques, por uma margem menor.

As queimas de catálogo das lojas de prateleira ou virtuais têm uma particularidade que diferencia daquelas liquidações de início do ano dos grandes magazines: aquela TV de 50 polegadas com a tecnologia mais avançada que está com o preço reduzido em janeiro é a mesma que era vendida antes do Natal,  já os vinhos em liquidação geralmente são de safras mais antigas ou são rótulos que a importação foi descontinuada.

Por isso mesmo, antes de ir às compras,  vale a pena observar algumas regras para evitar futuras, e literais, ressacas.

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento. Consequência: o vinho provavelmente estará em processo de oxidação.

2. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada, outro indicativo de problemas na qualidade da bebida.

3.
Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos das safras mais antigas – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema. Se a safra do tinto for mais antiga – e principalmente se for um vinho de guarda – é sinal de evolução. Aí depende de seu apreço por vinhos envelhecidos.

4.
Fique atento às safras. Tintos mais básicos, e principalmente os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos (há sempre muita desova de rosés nestas promoções…)

5. Não compre por impulso (este conselho devo repetir a mim mesmo). Como a maior parte das ofertas são de safras mais antigas, pergunte ao lojista se se trata de um vinho com potencial de guarda (geralmente mais caros), se não for, planeje a compra para consumo rápido, principalmente os brancos.

6. Encontrou um preço de um vinho que é uma barbada, e que pode resolver sua vida no dia-a-dia e vale investir numa caixa? Experimente antes. Se a loja não tiver uma amostra, compre uma garrafa, prove em casa e decida sobre a compra de um maior volume de rótulos com segurança, ou você pode ter 12 garrafas de vinagre muito caro para temperar a salada por todo o ano. Eu fiz isso este ano e me preveni de um desastre.

O melhor das ofertas, uma seleção pessoal

Os rótulos abaixo estão organizados por importadora, seguindo um critério pessoal de escolha e baseado nas premissas acima. No final de cada bloco, um link leva para a lista completa de vinhos, quando disponível na internet, com todas as informações e preços. A maior parte das lojas está concentrada em São Paulo, mas as lojas virtuais de seus sites permitem a compra em todo o Brasil.

A World Wine incorporou ao seu catálogo os rótulos da Enoteca Fasano no final de 2011. A importadora sempre capricha em suas ofertas, que batiza de “Bota-fora”, tanto em variedade como em quantidade (são mais de 400 rótulos com descontos). Há de tudo: espumantes, tintos, brancos e fortificados. Nas lojas, além das ofertas anunciadas, são oferecidas outras garrafas de ponta de estoque e preços reduzidos. O “bota-fora” vai até dia 4 de fevereiro. Estas aqui podem agradar:

Champagne Delamotte Blanc de Blancs Brut, Delamotte, Champagne, França (de R$ 250,00 por R$ 149,90; desconto de 41%) – blanc de blancs são os champanhes produzidos apenas com a uva branca chardonnay de grande presença na boca e com um estilo mais austero. Indicado para os amantes das borbulhas mais nobres e refinadas e que exigem qualidade.

Prosecco di Valdobbiadene Brut, Minoetto, Itália (de R$ 70,00 por R$ 39,90, desconto de 43%) – um prosecco típico da excelente região de Valdobbiadene. Bem elaborado, com boa acidez, frescor. Preço de espumante nacional.

Maycas del Limarí, Sauvignon Blanc 2007, Sauvignon Blanc, Maycas del Limarí, Chile (de R$ 59,90 por R$ 39,90, desconto de 33%) – a linha Maycas de Limarí busca a fineza nos aromas e sabores que puxam sempre para aquela sensação mineral mais delicada, de frescor, mas com forte personalidade. Na boca, apesar da idade, ainda tem aquelas notas de maracujá, cítricos, muito frescor, mas recomenda-se beber ainda neste verão.

Maycas del Limarí Reserva Syrah 2007, Syrah, Maycas del Limarí, Chile (de R$ 59,90 por R$ 39,90, desconto de 33%) – da mesma vinícola da sugestão acima, agora um tinto 100% syrah, uma uva que vem desempenhando bem no Chile. Envelhecido por doze meses em barricas francesas, é elegante, tem boa fruta e boa estrutura.

Bourgogne Pinot Noir 2007, Pinot Noir, Domaine Olivier Guyot, França (de R$ 140,00 por R$ 79,90, desconto de 42%) – a pinot noir tem seus seguidores xiitas que não consideram outra hipótese do que aquelas garrafas elaboradas na região da Borgonha. Sempre de cor mais clara, aromas frutados e sabor delicado, é um vinho elegante por definição. Este exemplar do Guyot tem todos os predicados de um Borgonha típico e pessoalmente me remete a um dos primeiros rótulos de classe que provei.

Sedara IGT 2007, Nero d’Avola, Donnafugata, Itália (de R$ 69,00 por R$ 39,90, desconto de 42%) – a nativa Nero d’Avola é típica da ilha de Sicília, na Itália. É uma das uvas que compõe do popular tinto Corvo, mas aqui ela expressa uma fruta mais intensa, uma boca mais gostosa e um corpo médio. Vale experimentar.

Dorna Velha DOC 2007, Tinta Barroca, Touriga Francesa, Touriga Nacional, Quinta do Sival, Portugal (de R$ 59,00 por R$ 34,80, desconto de 40%) – um exemplo de um vinho de entrada e fácil do Douro, com três das uvas mais típicas da região, com toques de frutas, florais e bem redondinho na boca. Provavelmente por descontinuação de importação, toda linha Dorna Velha está em oferta, desde este mais simples até o reserva, por R$ 179,00

1865 Malbec 2008, Malbec, Viña San Pedro, Chile (de R$69,00 por R$ 49,90, desconto de 27%) – a gigante vinícola San Pedro tem rótulos de todas as categorias, a linha 1865 prima pela qualidade com preço razoável, melhor quando reduzido. Uma boa oportunidade de provar um malbec fora da Argentina, envelhecido 12 meses em barrica francesa e com aquele toque meio doce e de fruta madura que tanto agrada nesta uva aos consumidores brasileiros.

Le “C” de Camplong 2004, Mouvedre, Carignan, Syrah e Grenache, Camplong, França (de R$ 240,00 por R$ 99,90, desconto de 58%) – uma das oportunidades que as liquidações oferece ao amante dos vinhos é arriscar exemplares de regiões menos conhecidas e de qualidade por um preço mais acessível. Esta foi uma recomendação do meu amigo Manoel Beato, o “sommelier jedi” do grupo Fasano, responsável por trazer o rótulo para o Brasil. Da região de Languedoc-Roussilon/Corbières tem potencial de envelhecimento, portanto a safra 2004 deve estar com boa evolução. O mesmo rótulo, safra 2005, sai por R$ 129,90.

Lista completa: conheça todos os vinhos em promoção na World Wine

Na importadora e loja Zahil a promoção vai até dia 29 de fevereiro. São 22 rótulos que não farão mais parte do catálogo da empresa e que por isso ganham descontos entre 25% até 50%. Só podem ser adquiridos na loja em São Paulo. Estes aqui me parecem uma boa alternativa:

Riesling Clos Mathis 2003, Riseling, Ostertag, Alsácia, França (de R$ 243,00 por R$ 145,00 desconto de 40%) –  A riesling é a uva-estandarte da Alsácia, aquele pedaço da França que fala alemão, e resulta em brancos com um perfume típico, minerais, com um toque que lembra petróleo que é uma delícia. Este Ostertag é um representante dos biodinâmicos – a turma odara dos vinhedos que não interfere no ciclo natural das vinhas e que produz vinhos de pureza sem igual.

Rutini Syrah 2006, Syrah, Rutini Wines, Argentina (de R$ 108,00 por R$ 70,20, desconto de 35%) – 100% syrah. A Rutini é uma vinícola importante argentina, com deliciosos caldos, sempre precisos. Este syrah é bem cotado no Guia Descorchados, uma referência dos vinhos chilenos e argentinos.

Winemaker’s Selection Branco 2008, Chardonnay e Sauvignon Blanc, Bodegas Salentein,  Argentina (de R$ 51,00 por R$ 39,90, desconto de 20%) – blend simpático das duas uvas brancas mais conhecidas dos consumidores onde o sauvignon equilibra com a acidez e o chardonnay dá um toque untuoso e corpo.

Expand, com lojas espalhadas em todo o país, também tem tradição em descontos em janeiro.  Este ano são 60 rótulos de vários países com descontos de 20 a 70%, grande parte de rótulos em estoque que não são mais importados pela empresa. Vale conferir os rótulos abaixo:

Zind Humbrecht 2006, Chardonnay, Auxerrois, Pinot Bianco, Zind Humbrecht, França (de R$ 148,80 por R$ 103,00, desconto de 30%) – outro representante tradicional dos elegantes brancos da Alsácia. Aqui um blend de brancas sm a presença da riesling. Um branco sério, de acidez cortante, que precisa ser consumido logo, e costuma ter grande persistência.

Quinta do Vallado Port Tawny 10 anos, Quinta do Vallado, Portugal (de R$ 188,00 por R$ 150,40, desconto de 20%) – a Quinta do Vallado atualmente é importado no Brasil pela Cantu, mas este tawny faz parte do estoque da Expand. Tawny – que tem este nome devido à cor aloirada – é um vinho fortificado de belo ataque de nariz e boca, frutas secas, um caramelo envolvente. Pra ficar namorando no buquê. Pode iniciar ou terminar uma refeição.

Palo Alto Reserva Cabernet Sauvignon 2009, Cabernet Sauvignon, Palo Alto, Chile (de R$ 34,80 por R$ 24,36, desconto de 28%) – vinho de entrada, na uva que melhor se adapta em solos chilenos. Aqui vale aquele conselho. Experimente uma garrafa, se resolver a pizza do domingo, faça um estoque para o semestre.

Lista completa: conheça os vinhos em promoção na Expand

A loja da importadora Grand Cru promove até o dia 31 de janeiro o que eles apelidaram de Grand Solde. As compras podem ser feitas pela web também.

Doña Paula Olives Road Syrah Viognier 2006, Syrah e Viognier, Doña Paula, Argentina (de R$ 110,00 por R$ 66,00, desconto de 40%) – a syrah, cheia de especiarias, é dominante neste corte comum na região do Rhone, na França e repetido em terreno argentino. A branca viognier comparece com apenas 3% e aromas florais. A Doña Paula é um vinícola confiável e de bons produtos, outro garantia de uma boa compra.

Enate Crianza 2005, Tempranillo e Cabernet Sauvignon, Enate, Espanha (de R$ 77,00 por R$ 57,75, desconto de 25%) – um blend de uvas potentes e com sabores de frutas mais maduras. Um espanhol fácil de beber e de gostar.

Glen Carlou 2008, Chardonnay, África do Sul (de R$ 82,00 por R$ 49,20, desconto de 40%) – uma competente vinícola para conhecer a produção da África do Sul. Passa 10 meses envelhecendo em carvalho, que confere amplitude na boca e exala aromas de abacaxi mais doce. Deve estar pronto para beber.

Lista completa: conheça os vinhos em promoção na Grand Cru

No site da importadora com maior presença nas cartas dos restaurantes de São Paulo e com um catálogo parrudo, a Mistral, os vinhos portugueses e espanhóis estão como dólar congelado a R$ 1,59 até dia 22 de janeiro (ou enquanto durarem os estoques). Explica-se: os preços praticados pela Mistral são em dólar, que é convertido pelo câmbio do dia. O Altano Biológico 2008, da região do Douro, em Portugal está saindo por R$ 57,24 e é um belo exemplo da tipicidade da região; o Artadi Tempranillo 2008, é o Rioja opulento, que enche a boca, um vinho de macho.

Saideira

Vale insistir que além de seguir os conselhos iniciais deste texto, o consumidor que opta por abastecer a adega neste período (eu me incluo nesta lista) deve ter consciência de que eventualmente, no meio de suas escolhas, um vinho não se encontra no seu apogeu, pode até estar em decadência, por questões de idade, armazenamento ou mesmo estilo. É o risco que se corre, mas é também uma das belezas de um produto que está em constante transformação. O vinho, afinal, é mutante. E nem todas as mutações são boas, não é mesmo? Boas compras!

Autor: beto gerosa Tags: , ,

terça-feira, 25 de outubro de 2011 Tintos, Velho Mundo | 23:31

Um bate-papo com o Sousão

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Éramos três na mesa. Eu, minha mulher e o Sousão. Ao fundo, a noite caindo sobre as parreiras carregadas de frutos, espalhadas em terraços talhados à mão por gerações de vinicultores do Douro, região histórica de vinhedos de Portugal, declarada Patrimônio da Humanidade pela ONU.

Sousão foi apresentado em uma degustação de vários rótulos por um jovem administrador da Quinta do Vallado, uma vinícola encravada no coração da região de Peso da Régua, mais especificamente junto ao Rio Corgo, afluente do Douro, e conquistou com seu papo diferente e personalidade forte. Tanto é que permaneceu conosco no jantar.

Sousão entretanto não é uma pessoa, como pode sugerir seu nome, mas sim uma uva típica do Douro e do Minho e também o título do rótulo monovarietal (de uma só variedade) que a Quinta do Vallado produz desta especialidade. Aliás, os nomes das uvas portuguesas sempre merecem um comentário adicional. A sousão, por exemplo, também atende pelo nome de: sousão forte, sousão de Correr, negrão de pé de perdiz, tinto antigo, espadeiro preto entre outros.

Mas não é preciso estar embriagado para conversar com uma garrafa de vinho, não é mesmo? Quem aprecia o produto está em constante conversa com os caldos. O papo com o sousão foi uma troca de impressões sobre sabores, aromas e sensações do vinho.

A uva e seus sabores

Quinta do Vallado Sousão 2008

O sousão é uma variedade muito utilizada na região do Douro na produção do vinho do Porto, mas pouco comercializada em carreira-solo. Foi minha primeira experiência com a uva que começou surpreendendo pela cor – quase negra e impenetrável. Fez bonito no aroma (aquele perfume meio indecifrável que no jargão do vinho é traduzida como frutas negras, um toque de tabaco, a baunilha da madeira, tudo muito sedutor). A boca é ampla, potente, com final longo e confirmando a experiência do nariz nas frutas negras, estes jargões que os homens que cospem vinho usam para descrever um sabor. Pra mim, agora, existe o gosto e o aroma do sousão, que vou saber identificar sempre que deparar com um exemplar na taça, assim como existe o gosto e aroma da pinot noir e outras tantas variedades de uva. O nosso bate-papo atravessou a noite, e como toda boa conversa os temas foram variando, com novas camadas de aromas e sabores surgindo, sempre com uma pegada mais diferenciada. Taí uma definição que pouco define mas muito explica o Quinta do Vallado Sousão: diferente.

Garrafa cheia eu não quero ver sobrar...

O bichão foi envelhecido o equivalente a duas gestações (18 meses) em barris de carvalho francês e mantém a tradição de pisa manual em lagares (como são chamados em Portugal os tanques de cimento) por seis dias. A pisa manual, para quem não sabe, é aquela imagem tradicional de homens de braços entrelaçados que esmagam as uvas com seus pés em turnos de seis a oito horas, e que conferem uma extração mais delicada do suco para a fermentação. Para manter o ânimo da moçada são entornadas várias garrafas de vinho no processo (na foto as garrafas vazias ao lado da sousão no tanque), afinal tradição é bom mas a recompensa é melhor ainda.

Pode soar atrasado e pouco higiênico, mas o processo, que vem sendo  substituído por máquinas que simulam a pisada humana, é reservado apenas para vinhos de exceção. E para quem torce o nariz para a cena e suas consequências higiênicas vale lembrar que a fermentação – transformação do açúcar da uva em álcool – passa a régua em qualquer resquício humano.

O lagar onde as uvas sousão são pisadas

Se a  prova de um vinho está associada a um momento, o cenário do Douro, em meio às parreiras onde é cultivado, potencializou meu encontro com o sousão. Esta experiência em ambiente de folhinha e com a melhor companhia possível ajudou, é claro, na decisão de trazer para a coluna o Quinta do Vallado Sousão 2008 (R$ 150,00, importado pela Cantu) como o ViG (Vinho indicado pelo Gerosa) da vez. O preço do papo não é tão amigável, mas assim é a vida. Algumas experiências saem mais caras mesmo…

Notas relacionadas:

  1. Os bons vinhos e o bom papo do português Luis Pato
  2. Os vários tipos e estilo de Vinho do Porto
Autor: Beto Gerosa Tags: , ,

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 Brancos, Tintos | 11:41

Infográfico: como são feitos os vinhos brancos e os vinhos tintos

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 como são feitos os vinhos brancos e tintos

Engarrafamento: a última etapa da produção do vinho. Clique na imagem para ver o infográfico.

O primeiro vinho produzido provavelmente foi um acaso da natureza. Um cacho de uvas esmagadas largado ao relento sofreu o ataque de leveduras naturais e ocorreu a fermentação alcoólica – isto é, a transformação do açúcar da fruta em álcool. A grosso modo, aquele suco virou vinho. A espécie que deparou com a bebida, e teve a curiosidade e a coragem de provar aquele líquido, deve ter sentido uma euforia desconhecida, e talvez experimentado o primeiro porre da humanidade – ou do projeto de humanidade que se formava.

A partir de algum momento na antiguidade a vinificação foi estabelecendo seu processo.  A forma como o vinho é produzido não mudou quase nada de lá para cá. As uvas eram colhidas, esmagadas e colocadas em recipientes de barro em buracos cavados na terra; ali as uvas sofriam o processo de fermentação alcoólica e os jarros eram lacrados com barro. Meses mais tarde, as tampas eram rompidas, as cascas eliminadas e o suco que sobrava era jogado em outro vaso limpo, que repousava em um lugar fresco, protegido do calor e novamente lacrado pela terra. Quando a tampa era retirada, o aroma forte da uva e  álcool, ou seja do vinho, indicava que a bebida estava pronta. A humanidade então já sabia os efeitos do vinho e gostava deles.

Se o princípio é o mesmo há séculos, o método foi se aperfeiçoando e a vida em uma adega hoje em dia  é resultado da evolução tecnológica e de pesquisas laboratoriais. O objetivo é produzir vinhos cada vez mais livres de  defeitos, harmônicos, sedutores e que encontrem seu consumidor em perfeito estado.

A uva é quem manda, mas a adega ajuda. Saiba como são feitos os vinhos tintos e os vinhos brancos.

Toda vez que um produtor ou enólogo estrangeiro visita o Brasil para expor seus rótulos à apreciação dos homens que cospem vinho (os degustadores profissionais e especialistas) eles repetem sempre um mesmo mantra: “Um vinho de qualidade se faz no vinhedo. É até possível produzir um vinho ruim com uma boa uva, mas com uva ruim é impossível fazer um bom vinho”. Ok, já sabemos,  mas uma adega bem equipada, com tecnologia adequada ajuda bastante. Se não, por que tanto investimento em equipamentos, tecnologias e pesquisas?

Bom, sem querer tirar o romantismo da bebida, que é ao mesmo tempo um produto da natureza e uma intervenção do homem, este Blog do Vinho apresenta um infográfico que mostra todas as etapas por que passam as pérolas agrícolas tintas e brancas, desde o momento que chegam à adega até se transformar em vinho engarrafado, arrolhado e com um  rótulo bacana. Clique aqui para saber como são feitos o seu cabernet sauvignon ou o seu chardonnay.

Notas relacionadas:

  1. Brancos, bons e nem sempre baratos
  2. Vinho e bacalhau: um casamento que dá certo
  3. Vinhos suíços. Eles existem. E são bons
Autor: Beto Gerosa Tags: , , ,

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 Blog do vinho, Brancos, Tintos | 07:53

10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

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20.000 rótulos

O vinho, assim como a crase, não foi criado para humilhar ninguém. Mas muita gente sofre um pouco na hora de escolher qual garrafa vai levar para casa. “Eu não entendo de vinho” é frase mais comum de se ouvir. Como se fosse preciso algum conhecimento prévio para agradar o próprio paladar. O medo do consumidor diante da prateleira, ou da carta de vinho de um restaurante, lembra o temor do goleiro durante o pênalti.

Compreensível. São mais de 20.000 rótulos espalhados pelos pontos de venda e cartas às vezes extensas ou mal elaboradas. Ou seja, o sujeito tem pavor de levar uma bola entre as pernas.E jogar dinheiro fora. Para evitar este desconforto, um conjunto de dez dicas vai ajudá-lo na hora de escolher e comprar sua garrafa.

5 dicas para se dar bem

1. No restaurante. Confie no sommelier: ele é seu aliado. Em geral ele elaborou a carta e/ou tem conhecimento sobre a melhor combinação com a comida da casa. Seja claro sobre quanto quer gastar (lembre-se que os preços ali são mais altos mesmo) e o tipo de vinho que mais lhe agrada. Não se acanhe de pedir o rótulo mais barato da lista, muitos consumidores, evitando demonstrar falta de afinidade com o tema, acabam optando pelo segundo vinho da lista, que nem sempre entrega mais qualidade, mas obviamente será mais caro.

2. Nas lojas. Prefira as casas especializadas ou importadoras. As chances de o vinho ser melhor tratado ali é maior – eles vivem disso. Os catálogos das importadoras são uma ótima fonte de pesquisa sobre a origem e as características do produto. Alguns são tão bons e completos que valem como leitura. Claro que no texto todos os vinhos são excepcionais; alivie os elogios exagerados e fique na essência da informação Esteja aberto a sugestões dos vendedores das lojas, e crie uma relação de confiança com estes profissionais que entendem do riscado e podem ajudar muito na escolha. No geral eles preferem conquistar um consumidor com sugestões viáveis ao bolso do que empurrar um tinto ou branco encalhado no fundo da loja e perder a confiança de um potencial cliente.

3. Na internet. O comércio eletrônico já é realidade. Faz tempo. Transforme a tecnologia em uma aliada. Toda loja importante tem sua divisão de e-commerce. Praticamente todo rótulo tem uma resenha escrita na web. É uma espécie de catálogo digital, onde se pode pesquisar pelo produto, região, uva, safra e até pontuação da crítica, para quem acha isso um fator importante na hora da compra. Nem sempre é. A relação pontuação/preço daquele senhor com sobrenome de caneta (Robert Parker) em geral favorece mais o preço do que o consumidor. Mas não deixa de ser outro fator de decisão. Há ainda muitas opções de ferramentas para acessar pelo celular. Falta de informação, portanto, hoje em dia não é desculpa. É preguiça.

4. Ajuda dos amigos. A propaganda boca a boca é uma forma desinteressada de trocar experiências. Os amigos podem dar boas dicas, seja na mesa do restaurante, no escritório e principalmente nas redes sociais – para onde a conversa fiada foi transferida. A discussão rola solta nos fóruns, twitters e facebooks da vida. Curtiu um vinho? Fotografe o maldito rótulo – se não você vai esquecer – arquive a imagem e compartilhe com os colegas. Fica mais fácil repetir um pedido, provar uma recomendação, além de ser divertido.

5. Aposte na certeza. Se você está no começo desta jornada, não se arrisque: na dúvida, escolha um vinho pelas uvas mais conhecidas de cada país ou região. Malbec na Argentina, cabernet sauvignon no Chile, sangiovese na Itália, um corte bordalês (cabernet franc, cabernet sauvignon e merlot) na França, tempranillo na Espanha, touriga nacional em Portugal, riesling na Alemanha, sauvigon blanc na Nova Zelândia e espumantes no Brasil (se quiser um tinto, arrisque um merlot). Com tempo você deve se aventurar, apostar na variedade e mudar seu padrão de escolha, arriscando um torrontés argentino, um shiraz chileno, um pinot noir francês, um antão vaz lusitano, um mencia espanhol, um nebiolo italiano, os vinhos de corte (mistura de várias uvas) e por aí vai. As escolhas são infinitas (Clique aqui e conheça as uvas tintas e brancas).

5 cuidados na hora da compra

Alguns cuidados evitam levar gato por lebre. Xixi de gato, afinal, só é do jogo no aroma de algum sauvignon blanc mais bacana da França (alguém aí torceu o nariz? Saiba mais sobre os aromas do vinho clicando aqui). Siga então estas regras para se dar bem:

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento.

2. Se puder, escolha as garrafas que estejam deitadas, nelas o líquido está em contato com a rolha.

3. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada.

4. Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema.

5. Fique atento às safras. Tintos mais básicos, assim como os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos.

Autor: Beto Gerosa Tags: , ,

domingo, 21 de junho de 2009 Tintos, Velho Mundo | 23:37

Vinhos suíços. Eles existem. E são bons

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“Na Itália, por trinta anos sob os Bórgias, eles tiveram guerra, terror, assassinato e derramamento de sangue, mas produziram Michelangelo, Leonardo da Vinci e a Renascença. Na Suíça, eles tiveram amor fraternal, quinhentos anos de democracia e paz, e o que eles produziram? O relógio-cuco.”
Orson Welles, em O Terceiro Homem

A frase acima dita pelo cineasta Orson Welles no filme O Terceiro Homem, baseado no livro do escritor inglês Graham Greene, já se tornou clássica, e quase obrigatória, quando o assunto é a Suíça. É imprecisa na informação – o relógio-cuco é uma invenção alemã – mas perfeita na tese que defende. Mas para fazer justiça a este pequeno país, no entanto, acho que é possível incluir os vinhos à modesta lista de contribuições dos helvéticos à humanidade.

A Suíça é uma nação-Berlitz, dividida pelas línguas francesa, alemã e italiana e formada por 26 cantões, como são chamadas as regiões do país. A parte francófona, no entanto, em especial a região de Valais, é a que produz os vinhos de melhor qualidade e de maior identidade. Dominada pelos Alpes e de clima ameno, a Suíça produz, para surpresa geral, mais vinhos tintos (55%) do que brancos (45%). E consome mais tintos também. E como consomem os tedescos! Mais de 40 litros de vinho por habitante. Descontando as crianças e abstêmios, faça os cálculos de quantas garrafas cabe a cada suíço. Além dos cerca de 140 milhões de garrafas de produção interna – quase toda consumida ali mesmo -, a sede é aplacada por outros 60% de fermentados importados.

Uma pequena fração da produção dos vinhos suíços é exportada. Quase uma concessão de um país – e de um povo – onde os problemas parecem que se esqueceram de existir. Por esta razão é muito provável que você já tenha provado um rótulo deste pequeno país da Europa. Eu nunca tinha. E de cara fui apresentado a treze garrafas da região de Valais. Os vinhos quando passam por uma prova não chegam sozinhos, eles carregam o histórico do degustador e suas preferências pessoais. Afinal, a comparação, um dos critérios de uma avaliação, só se faz com a construção de referências. E eu gostei do que passou pelo meu nariz e passeou pela minha boca.

Trata-se da linha Maître de Chais, elaborados por uma enóloga, Madeleine Gay, cheia de medalhas no peito com prêmios conquistados nesta infinidade de concursos de tintos e brancos que se espalham pelo mundo. Esqueça um pouco as medalhas, isso não tem tanta relevância do ponto de vista do consumidor. Quem gosta de medalha é atleta e general. Mas nesse caso, parece que a qualidade foi premiada mesmo.

São rótulos de uvas nativas, aquelas espécies originais de cada país ou região. Foi um festival de nomes novos e sabores diferenciados (começou bem): fendant, petite arvine, heida, humagne blanche, pela ala dos brancos.  Humane rouge, diolinoir, cornalin e as internacionais syrah e pinot noir, para os tintos. Estas uvas têm história. Elas são produtos de um resgate genético recente, da década de 1990, que recuperou cepas de 3.000 anos passados, provavelmente cultivadas pelos romanos. Seja como for, a ciência deu uma mãozinha para a vinicultura suíça e aportou originalidade e variedade num mundo muito plano de cabernets e chardonnays.

Os vinhos

Os brancos me empolgaram mais. Toda a linha tem um perfil homogêneo, uma espécie de marca registrada: bom potencial aromático, busca pela intensidade e certa originalidade e elegância. É a mão do produtor e do enólogo que diz “olha eu aqui” em cada garrafa. Como não era um concurso, pude empatar minha preferência com dois rótulos de caráter distintos: Petit Arvine Fully AOC 2007 (R$ 88,00), e Humagne Blanche Du Valais AOC 2006 (R$ 88,00), ambas da Maître de Chais e com as uvas nativas explicitadas no rótulo. A primeira mais exuberante, rica em aromas cítricos e com um apelo mineral que me agrada, a segunda floral no início e com um amanteigado prolongado sedutor e fino (o bichão é fermentado em barris com as borras e a bebida, untuosa, passeia pela boca). Um terceiro branco merece uma consideração aqui. O Vielles Vignes 2004 (R$ 96,00): mais encorpado, complexo e gastronômico. O vinho é resultado da mistura das uvas marsanne, amigne, pinot blanc, heida. Mas os dois primeiros brancos me seduziram mais – e por menos dinheiro -, fator sempre importante em uma avaliação.

Dos tintos, dois rubros suíços me chamaram a atenção: o Syrah de Valais AOC 2006 (R$ 96,00), com boa concentração de boca e especiarias esperadas, algo ali na influência do Rhône, e o meu preferido, pena que mais caro, Domaine Evêché Valais AOC 2004 (R$ 116,00). A uva é a diolinoir, uma mistura das uvas rouge de diolly e pinot noir, que traz mais volume que uma pinot, dando aquela sensação de uma bebida mais encorpada, de cor escura e paladar de frutas mais negras misturada a um toque de especiarias e um final terroso.

Mas devo confessar que só fui provar os tintos pois era esta minha penosa obrigação no momento. Eu parava ali nas taças dos brancos. Do envolvente humagne blanche, do sedutor petit arvine, e da elegante composição de marsanne, amigne, pinot blanc, heida, uvas que até pelo  som provocam curiosidade e têm apelo. Uma sequência com a originilidade de um Orson Welles e a precisão e a qualidade de um relógio-cuco suíço.

Quem traz e onde comprarVitis Vinífera

Notas relacionadas:

  1. Brancos, bons e nem sempre baratos
  2. Pêra-Manca: o vinho que descobriu o Brasil
  3. Dominique Laurent: o doceiro que virou vinho
Autor: beto gerosa Tags: , ,

quarta-feira, 10 de junho de 2009 Novo Mundo, Tintos | 18:47

Surazo, um chileno que não tem pressa

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Os vinhos sul-americanos costumam ser lançados assim que as uvas são esmagadas, fermentadas e jogadas para dentro da garrafa em forma líquida, certo? É a lei que rege o ciclo de vida destes vinhos de consumo imediato. Não para Don Emilio de Solminihac, proprietário e enólogo da vinícola chilena Santa Mônica. Seus rótulos, batizados no Brasil e na Inglaterra de Surazo, não rezam por esta cartilha. Eles descansam mais tempo na adega antes de serem lançados nas prateleiras. Tratam-se de brancos que não têm pressa e tintos que sabem aguardar seu melhor momento.

Surazo é o vento que corta os vinhedos da região do Vale do Rapel, onde está o Santa Monica. Ele  retarda o amadurecimento das uvas, aumentando a concentração do sabor e aroma dos vinhos. O nome  exibido no rótulo retrata a origem e o estilo da bebida.

Don Emilio Solminihac é o simpático senhor da foto acima, uma mistura do ator Jack Palance com traços do ex-presidente do período militar, Garrastazu Médici. A voz no entanto é pausada e suave, como se espera de douto com um título Don atrelado ao nome. Ele foi o primeiro sul-americano formado em enologia pela Universidade de Bordeaux, em 1952, e foi discípulo do pai de todos os enólogos, o francês Emile Peynaud. Solminihac carrega a tradição do velho mundo, onde o costume de aguardar os vinhos evoluir é uma escolha  natural. Ou era. Don Emílio sabe que o consumidor hoje em dia não tem paciência para aguardar o amadurecimento da bebida e é rápido no saca-rolha. Resolve o problema segurando ele mesmo seus vinhos na adega. Isso é uma raridade.

Os vinhos

A linha mais básica, o varietal Surazo Cabernet Sauvignon (R$ 35,00), pode muito bem entrar no panteão dos bons e baratos. Um degrau acima, o corte Surazo Reserva 5 Big Reds (R$ 46,00) – cabernet sauvignon (40%),  merlot (30%), carmenère (20%), syrah (5%) e malbec (5%) – é o chamado pau pra toda obra e vai bem com vários tipos de pratos: desce redondo (opa, isso não é cerveja?), é  macio e tem uma presença de fruta atraente e persistente na boca. Ambos são da safra de 2003. Veja bem, 2003 e não 2006, 2007…

Perguntado se a carmenère é uva símbolo chilena, Don Emílio relativiza: “É uma uva muito recente, ainda conheço pouco”. Ele dá preferência à merlot. “A carmenère é muito sensível, pede uma graduação alcoólica de no mínimo 14 graus”, explica. As uvas, a propósito, são colhidas a mão, o que facilita a seleção dos cachos de acordo com o estilo do vinho, dos mais ligeiros aos de qualidade superior.

Na linha de tintos de alta qualidade, o Gran Reserva Cabernet Sauvignon e Merlot (R$ 131,00) vem com ano de 2002 carimbado no rótulo. Antes de chegar na sua taça, o bicho ficou interagindo com uma barrica francesa por 18 meses o que conferiu uma boa concentração e estrutura parruda, além de uma amplitude de aromas bem diversificada, principalmente aqueles herdados da madeira (tostado, baunilha, defumado) e das frutas mais maduras. Até o branco da linha Surazo varietal, o Chardonnay (R$  35,00), não é um recém-nascido, como de praxe. É de 2006.

Mas emblemático mesmo desta filosofia é o Surazo Reserva Especial. A safra comercializada é de 1993 (R$ 68,00). Uau! Um tinto envelhecido em grandes barris, depois em madeiras menores, seguido de tanques de aço inoxidável e por fim hiberna na garrafa. É o rótulo mais antigo ainda em linha disponível no Chile. Bom, taí um estilo de vinho que merece passar por um decanter antes de abastecer sua taça. Mas depois de tudo que escrevi sobre este jarra metida à besta no post anterior, você não vai levar a recomendação a sério, não é?

Quem traz: Importadora Porto Mediterrâneo

Notas relacionadas:

  1. O chileno que derrotou os franceses
  2. Três goles de três vinhos de três países…
  3. Bom pra diabo!
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terça-feira, 28 de abril de 2009 Brancos, Tintos, Velho Mundo | 18:58

Dominique Laurent: o doceiro que virou vinho

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Para vender, Borgonha com gougères
Para comprar, Borgonha com pão
(ditado dos négociants da região)

Provar um vinho bem elaborado da Borgonha é um experiência única. O que é melhor, então, do que um bom Borgonha na taça? É um bom Borgonha acompanhado de receitas típicas desta região situada no leste da França. Dá para melhorar este cenário? Sim, se você puder contar com a presença do négociant que elaborou o vinho à mesa e desfrutar das histórias sobre seus tintos.

Foi esta a experiência que transformou minha segunda-feira em um sábado de aleluia. Dominique Laurent é o négociant. O chef responsável pela harmonização atende pelo nome de Emmanuel Bassoleil e os vinhos gravados com o nome de Dominique Laurent na etiqueta são: Bourgogne Cuvée “Numero 1”, Chambolle-Musigny Vieilles Vignes 2005 e, para grand finale, Gevrey-Chambertin Vieilles Vignes 2003, em garrafa magnum, de 1,5 litro, por que o moço não atravessou um oceano para brincar!

Négociant não é atravessador

Um vinhedo da Borgonha é uma colcha de retalhos com inúmeros pequenos produtores: gente simples que por inúmeras razões históricas herdou um pedaço de terra abençoada, de solo calcário, e vende seus cachos de uva para cidadãos que tratam de vinificar, afinar os vinhos, criar uma identidade e por fim vender pelos olhos da cara. São os tais négociants.

Tem gente que pode ter a ideia errada de que o négociant é uma espécie de vampiro dos vinhedos que explora os humildes agricultores e só coloca a etiqueta e fica com a parte do leão. Na verdade este é um sistema tão antigo quanto a Borgonha, criado para resolver o problema de produção e comercialização do vinho em uma região de terrenos tão pulverizados. O négociant não é um atravessador, e sim um facilitador, mas obviamente, como em qualquer cadeia produtiva leva uma grana maior do que quem planta a uva.

Como tudo na vida, porém, há os négociants preocupados em produzir grandes volumes e acabam engarrafando um “pinóquio noir”, um vinho mentiroso, que não traduz o potencial da uva desta região. Outros, ao contrário, resgatam a qualidade desta uva refinada, e até um pouco pedante, com excelentes caldos, de variados níveis. Há mais do primeiro grupo do que do segundo, por isso é sempre necessário conhecer o produtor. Difícil, não é? Por isso, sempre que topar com um Borgonha que seja do agrado e caiba no orçamento é bom anotar o nome diretinho ou fotografar o rótulo pelo celular.

Dominique Laurent está na linha dos pequenas empresas, grandes negócios & ótimos vinhos. Também representa a simplicidade da região, antípoda em todos os sentidos da nobreza de Bordeuax. Mas é o simples que engana, pois não existe um Borgonha que valha a pena que seja barato. Ele iniciou sua carreira como chef pâtissier – se fosse no interior de Minas, seria chamado de doceiro mesmo -  e em 1987 decidiu fazer o que mais gostava, e se transformou em négociant na subregião de Nuit-Saint-Georges (Cote d’Or, Borgonha), onde selou uma rede de  relacionamentos com os pequenos produtores que lhe garantem a uva para seus quase 60 cuvées anuais. Todas de produção limitada.

E o que os vinhos de Dominique Laurent têm de tão especial?

Vieille Vignes
– vieille vigne aqui não é só uma força de expressão, mas se traduz no tempo em que as raízes do vinhedo estão agarradas ao solo (pardon, terroir). Vinhas antigas são sinônimo de qualidade e de intensidade, na fruta e nos  aromas. O Chambole-Musigny Vieilles Vignes 2005, por exemplo, é resultado da frutas de parreiras de 1902, 1920, 1930 e por aí vai; o Gevrey-Chambertin Vieilles Vignes 2003 tem plantas de 1910.

Barricas mágicas – é reconhecido o trabalho de Laurent com as barricas, que o marketing transformou em “mágicas”, mas que o próprio négociant simplificou como “nostálgicas”. “Trata-se de um trabalho de recuperar o que era feito no passado, dava certo, e foi esquecido”, resume ele, ao explicar o uso de madeiras com 300 e 400 anos de idade, que levam de 5 a 7 anos para secar. O mosto (o suco de uva) fica em contato com as borras por vários meses, “sem marcar o vinho com a madeira”, como gosta de enfatizar. Cada barril sai por 900 euros, contra 500 a 600 das barricas tradicionais.

Assemblage
– parece estupidez falar de assemblage (mistura de uvas) em um vinho varietal (de uma só variedade de uva). Não custa lembrar aos incautos, Borgonha tinto é da uva pinot noir e c’est fini. Mas é isso que Laurent faz, desde seu vinho mais básico. Ele seleciona uvas de diferentes perfis e parcelas de terreno para compor uma palheta de sabores mais rico para seus vinhos. “Assemblage é um vinho mais de alta-costura onde várias parcelas compõem o perfil de um vinho”, explica.

Outra ousadia do négociant é “rebaixar” seus vinhedos. Explica-se: na cadeia alimentar das regiões e subregiões da Borgonha (um prêmio para quem souber o nome de todas de cor, sua localização no mapa e importância) os terrenos ainda sofrem a divisão de quatro grandes apelações (AOC). São elas: regional (23 apelações, responsáveis por 65% da produção total); comunal ou village (44 AOC, 36%); premier cru (635 climats classé, 10%); grand cru (33 AOC, somente 2% da produção, o crème-de-la-crème). Pois Dominique Laurent, a fim de aportar mais qualidade aos seus pinot noir de classificações inferiores, comete e heresia de usar uvas de premier cru em garrafas que não ostentam esta classificação no rótulo.

Os vinhos

Bourgogne Cuvée Numero 1
2005 (R$ 144,00) – não, não tem número 2, 3 etc. O número 1 aqui é sinônimo de melhor couvée (colheita). Seguindo o preceito de assemblage, trata-se de uma seleção das melhores parcelas criando um Borgonha mais simples – que lá fora tem preço de vinho mais simples mas aqui é preço de gente grande mesmo -, mas já com alguma complexidade e que vai melhorando bastante descansando na taça. Curioso que Laurent prefere bebê-lo mais frio, quase gelado. Perguntei a razão, e ele respondeu: “Por que é assim que se bebe”. Definitivamente, sem frescuras o sujeito.

Chambolle-Musigny 2005 (R$ 368,00) – trata-se da seleção de uvas de diversos terroir. Aqui Laurent “rebaixa” seus premiers crus para aumentar a qualidade dos vinhos. Permanece por 20 meses na barrica e sua palheta aromática inicia com flores, cedro e revela um forte café no fundo da taça. Bastante complexo e intenso. Um vinho respeitável.

Gevrey-Chambertin Vieilles Vignes 2003 (R$ 1.153,00 a magun, R$ 464,00 a garrafa de 750 ml). Année Exceptionnelle. É assim que Dominique Laurent define o vinho em seu rótulo. Aqui vai a mão de mestre do négociant. 2003 foi o ano da canícula que matou os velhinhos na França e rendeu vinhos medíocres na Borgonha, pois as uvas foram colhidas em agosto, antes do tempo, prejudicando a acidez da safra. Dominique Laurent pagou para ver e colheu as uvas somente em setembro. Ok, teve a sorte de ser agraciado por uma mudança no tempo que refrescou a temperatura e permitiu colher uvas de imensa extração de cor, aromas e taninos. Mas foi ousado. Ou seja, ele é uma exceção à regra. A garrafa comprovou sua tese.

Para quem está costumado a um Borgonha de cor mais pálida, este aqui é mais musculoso, como são em geral os Gevrey-Chambertin. Apresenta cor intensa, aromas que lembram um porto, um toque de especiarias e é muito  longo. A boca aveludada
tem sabor de frutas (cerejas mais doces), sempre com uma potência mais fina, se é que dá para definir algo desta maneira. Um Borgonha de macho com diploma. Detalhe, Laurent produziu uma edição especial em garrafas de 1,5 litro, magum, só vendida aqui no Brasil e na França.

Para comprar e vender

Bom, Borgonha não é para amadores, mas para amantes. E endinheirados. Mas tudo bem, cabe aqui neste blog uma extravagância de quando em vez, afinal não se discute uma obra pelo seu preço – é uma conseqüência – mas pela capacidade de atingir o seu público. E Dominique Laurent nem é dos mais caros, apesar de estar um degrau acima na alas dos négociants.

O ditado que inicia este texto é recorrente entre négociants da Borgonha. Gougères são uma espécie de pão de queijo da região e sua textura mascara, como todo queijo, alguns defeitos do vinho. Por isso é o melhor acompanhamento no momento da venda, do ponto de vista do négociant. Quem quer provar – e comprar - um autêntico Borgonha, com seus aromas e sabores multifacetados, deve escolher um pedaço de pão, que não engana o palato, mas mostra a verdade do vinho. Os rótulos de Dominique Laurent foram servidos com gougères e fatias de pão.

Saiba mais sobre a Borgonha

Site oficial (em inglês)
(em francês)

Onde comprar:
World Wine

Notas relacionadas:

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  2. Pêra-Manca: o vinho que descobriu o Brasil
  3. Vinho e bacalhau: um casamento que dá certo
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sexta-feira, 24 de abril de 2009 Nacionais, Novo Mundo, Tintos | 20:28

Churchill engarrafado

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Estou sempre disposto a aprender,
mas nem sempre gosto que me ensinem.

Winston Churchill

Um tinto elaborado com a uva cabernet franc, engarrafado num vasilhame de formato bordalês, etiquetado com um rótulo idêntico ao Romanée-Conti, elaborado por um americano no Brasil e com nome de estadista inglês. Contando assim,  parece mentira. Mas este vinho existe. Trata-se do Churchill Cabernet Franc 2006, um vinho potente,  amadeirado, com um tostado no estilo dos tintos do Napa Valley, da Califórnia, com muita fruta madura e de baixíssima produção (só 600 garrafas).

Propagada de forma viral, a safra de 2006 foi bastante comentada entre os poucos que tomaram seus goles. 2007 não teve. Para 2008 serão cerca de 1500 garrafas. Ainda é um universo pequeno, mas são estes achados que fazem o charme dos caçadores de novidades brancas e tintas. Para quem está sempre aberto a aprender, mas ao contrário do Churchill estadista aceita um sugestão com gosto, é uma boa aposta. Principalmente se o perfil dos tintos californianos for a sua praia.

Para apresentar a criatura, nada melhor do que o criador. O Blog do Vinho, depois de provar o vinho, foi ouvir o produtor. Com a palavra, Mr. Nathan J. Churchill:

Como surgiu a ideia de produzir um vinho no Brasil?
A ideia de investir no vinho brasileiro surgiu pelo contato e amizade com a Valmarino, eles têm um produto excelente, e ofereceram um pouco de seu vinho para eu experimentar com o uso de barricas.

Por que escolheu a uva cabernet franc?
O cabernet franc é uma uva tinta que se dá bem no Brasil, principalmente em Bento Gonçalves e particularmente em Pinto Bandeira, onde fica a vinícola Valmarino, do meu amigo e colaborador Marco Antônio Salton. Tive acesso a este vinho, estava muito bom, e achei que seria diferente. A uva já foi mais comum no Brasil, e acho que deveria ser mais explorada. Os cabernet franc da Valmarino consistentemente recebem as melhores notas no Brasil.

Quantas garrafas você produziu?
Foram produzidas duas barricas de vinho, portanto 600 garrafas. 2006 foi o primeiro ano. Ainda restam umas 200 garrafas (em São Paulo é vendida pela Enoteca Saint VinSaint). 2007 não houve. Para 2008 aumentei a produção para cinco barricas (1500 garrafas). O Churchill 2008 está há dois meses na barrica e está evoluindo bem, com bastante café e toffee. As barricas do 2008 são de 36 meses de secagem enquanto as do 2006 foram de 24 meses. A tostagem foi a mesma. A uva também. A nova vinificação do Marco Antônio, porém, proporcionou mais fruta.

Como funciona sua parceria com a Valmarino?
O Marco Antônio faz o vinho e me cede uma quantidade para elaborar nas minhas barricas. Eu não participo no cultivo. O processo de vinificação é feito na Valmarino. Para a safra 2006 o Marco Antônio adquiriu um novo tipo de tanque fermentador (de alta tecnologia) que dá resultados ainda melhores. Toda esta parte é feito pelo Marco.

O uso da madeira é muito marcante no Churchill. Era esta mesma a intenção?
O vinho Churchill surgiu de duas coisas. A primeira era minha frustração com o uso de barricas pelas vinícolas no Brasil. Minha empresa representa umas das mais conceituadas tonelarias do mundo, a Taransaud, e como vendedor de barricas eu sabia quanto agrega a barrica ao vinho. Em termos simples, a barrica aumenta exponencialmente a complexidade e qualidade do vinho. Por isso, praticamente todos vinhos top a nível mundial passam por barricas novas. Porém, no Brasil a prática de usar barricas novas não é usual – são sempre poucas barricas, misturadas com as de vários usos, para muito vinho. Eu queria ver pessoalmente se a barrica usada de forma “correta” faria também uma grande diferença no vinho brasileiro. Fiquei feliz em comprovar que a barrica faz a sua mágica aqui também.

A segunda coisa que eu queria comprovar ou verificar era o uso do carvalho americano no vinho. A Taransaud tem uma subsidiaria, a Canton, em Kentucky, EUA, que fabrica barricas exclusivamente com carvalho americano. A Canton usa a mesma técnica tradicional de secagem da madeira que a matriz na França (36 meses ao ar livre). O que se descobre é que o carvalho americano, que é mal visto no Brasil, quando bem trabalhado proporciona excelentes resultados (a um custo muito menor, diga-se de passagem).

O senhor esperava a crítica positiva que o vinho teve?
Quando provei a primeira garrafa eu achava que o vinho era bom. Fiquei muito surpreso e feliz com o entusiasmo nas degustações na SBAV (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) e depois em outras aonde o Churchill foi considerado o melhor vinho. Tenho muita sorte de trabalhar com o Marco Antônio, que me dá um excepcional vinho base para fazer a élevage nas minhas barricas.

É inegável que o rótulo do Churchill é uma referência à etiqueta do Romanée-Conti (veja fotos acima). Foi proposital?
Pois é… a ideia original era usar uma arte de um designer, porém ele estava com a agenda cheia e não pôde fazer um desenho para mim. Portanto, tive de fazer eu, e como sempre admirei os rótulos da Romanée-Conti, La Tache e seus companheiros (leia entrevista com o produtor Aubert de Villaine ), resolvi fazer algo parecido. Para 2008 o rótulo vai mudar um pouco. Para melhor, espero.

O Churchill é um vinho de  guarda?
Pergunta difícil.  Preparei o vinho para ser guardado. Como eu não sabia se iria vender ou se ficaria com 600 garrafas para meu próprio consumo, utilizei uma rolha especial para vinhos de guarda: a rolha francesa Diam (100% isento de TCA). Gostaria de ter utilizado o screw-cap de alumínio, porém não existem garrafas no Brasil para esta embalagem.
A evolução depois de 15 meses na garrafa tem sido muito positiva. O veredicto sobre a guarda do cabernet franc é dividido. Alguns franceses melhoram, enquanto uns californianos nem tanto. Eu não recomendaria guardar o Churchill por muito tempo em altas temperaturas (fora de uma adega climatizada), porém, a uns 14 graus acredito que vai continuar melhorando até 2012. O tempo dirá. O vinho está muito bom agora. Se fizer um churrasco, recomendo tomar em vez de guardar.

Por que o preço inicial da garrafa, 32 reais, aumentou para cerca de 68 reais?
Gostaria que o preço fosse mais baixo, porém se tivesse deixado no preço original teria vendido todas as 600 garrafas na primeira semana.

Qual sua avaliação do vinho nacional?
O Brasil é um lugar ideal para produzir vinhos excepcionais e únicos, exatamente por ser fora da rota de exportação de vinhos globalizados.  Como nós não exportamos muito, não temos sofrido pressão para fazer um vinho que agrada ao consumidor americano, inglês ou holandês. É um dos poucos lugares aonde ainda existem vinhos autênticos. E temos também o nosso terroir. O produtores brasileiros são verdadeiros heróis, pois os insumos custam o dobro do preço mundial, fora outras complicações de todo tipo.
Há excelentes vinhos aqui, principalmente aqueles de Bento Gonçalves e da serra Santa Catarinense. Gosto dos vinhos da Valmarino, Salton, Villa Francioni. Acho que o 130 da Valduga é o melhor espumante nacional.

O espumante é mesmo o melhor vinho brasileiro?
O Brasil tem uma vocação natural para espumantes. O clima favorece tanto a produção das uvas como o consumo do vinho em si. A meu ver, os espumantes do Brasil só perdem para os franceses (champagne).
É uma oportunidade fantástica. O espumante pode ser tomado no calor que é muito refrescante, e já existe o hábito do balde de gelo à mesa com a cerveja.Com um pouco de marketing tem tudo para crescer muito.

E os tintos verde-amarelos?
Quanto aos tintos, não é fácil. Algumas safras são boas e outras mais complicadas. As boas estão se tornando mais comuns, talvez pelas mudanças climáticas.

Conte-me um pouco sobre o senhor.
Sou norte-americano e resido continuamente no Brasil desde 1987. O nome Churchill vem da Inglaterra, porém minha família está há 13 gerações nos EUA. Antes de chegarem na Inglaterra, os Churchills vieram da França. Conheço razoavelmente bem Napa (Califórnia) devido a alguns projetos que tive lá.  Admiro muito o vinho americano. Embora caro, a qualidade é alta.

Seu amigos americanos já provaram o Churchill?
Sim, meus amigos e família já provaram o Churchill.  Quase todos gostaram, com a exceção da minha mãe.
(Nota deste blog: espero que a safra 2008 agrade a mãe de Nathan Churchill: crítica negativa de mãe ninguém merece, não é não?)

Notas relacionadas:

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quinta-feira, 16 de abril de 2009 Porto, Teste, Tintos, Velho Mundo | 22:04

Você conhece vinho do Porto?

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O vinho do Porto é uma instituição. Sinônimo de vinho português pelo mundo teve uma presença marcante no Brasil durante o Império e a República. Até meados do século passado, era comum finalizar ou iniciar as refeições com um cálice desta bebida.

Elaborado com uvas típicas da região do Douro, e armazenado nas adegas de Vila Nova de Gaia (foto), ficou conhecido como Vinho do Porto a partir da segunda metade do século XVII por ser exportado a partir da cidade portuária de mesmo nome.

Certamente, o leitor deste blog já bebeu algum Porto na vida, se é que não dá suas talagadas eventuais. A propósito, o Brasil é, hoje, o 11º maior mercado do Porto em todo o planeta. Mas o quanto você sabe sobre este fortificado único? O Blog do Vinho elaborou mais um teste para tentar, de uma forma divertida e despretensiosa, avaliar seu conhecimento.

Para começar, um pouco de história. O vinho do Porto é a mais antiga denominação de origem controlada do mundo. Ela foi estabelecida pelo Marquês de Pombal em:




Qual das afirmações abaixo é verdadeira?




Por que o vinho do Porto é doce?




O que é um Porto Ruby?




A Região Demarcada do Douro (RDD) localiza-se no nordeste de Portugal. A área cultivada, assim como na Borgonha, é composta de um mosaico de pequenos produtores, com seus vinhedos pendurados em belíssimos terraços que margeiam o Rio Douro. Quantos produtores existem na região?




São exportadas, atualmente, mais de 10 milhões de caixas (de 12 garrafas) de vinho do Porto pelo planeta. Qual o principal mercado do vinho de Porto, tanto em volume como valor?




A legislação do Douro só permite produzir vinhos fortificados do Porto?




O que significam as letras LBV no rótulo de um Porto?




O que vem a ser a Lei do Terço?




Das seguintes uvas tintas nativas portuguesas uma não entra na receita do vinho do Porto, qual é?




O que significa a indicação Tawny de 20 anos no rótulo?




Em alguns Portos mais especiais os cachos das uvas são pisados em lagares. O que são os lagares?




O Porto é chamado de fortificado por conta de seu alto grau alcoólico obtido pelo acréscimo de aguardente vínica. Para cada 440 litros de mosto são adicionados quantos litros desta aguardente?




Há vários tipos de Porto: ruby, tawny, vintage, colheita e tawny com indicação de idade (10, 20, 30 e 40 anos). O ruby e tawny são responsáveis por ___ do consumo de Porto.




Na cadeia alimentar dos vinhos do Porto, o Vintage é a jóia da coroa. Diz o ditado que o Tawny é uma obra do enólogo e o Vintage uma obra de Deus, já que depende das condições climáticas de um ano para ser declarado como tal. Tem baixíssima produção e safras certificadas pelo IVDP (Instituto do Vinho do Douro e do Porto). Para finalizar, uma pergunta para entendidos de boa memória. Qual das safras abaixo de Porto não foi declarada como Vintage?






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  1. Teste das uvas – o vinho da uva, a uva do vinho
  2. Pêra-Manca: o vinho que descobriu o Brasil
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quarta-feira, 8 de abril de 2009 Brancos, Harmonização, Porto, Tintos, Velho Mundo | 23:45

Vinho e bacalhau: um casamento que dá certo

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Para ninguém me acusar de ficar indiferente ao dilema do almoço da sexta-feira Santa ou da Páscoa, aqui vão, de última hora, os meu pitacos para a melhor combinação de vinho com o bacalhau.
Para início de conversa, não existe unanimidade: os portugueses, os artesãos do bacalhau, preferem os tintos. Eu, que só fui apreciar a iguaria há poucos anos e ainda acho a melhor receita a preparada pela minha mulher, prefiro os brancos encorpados, de preferência das uvas chardonnay, arinto ou antão vaz. Mas cai bem também um chardonnay mais untuoso do Chile, da Argentina e mesmo do Brasil

Para satisfazer portugas e brazucas uma lista reduzida de brancos e tintos para acompanhar o baca da Páscoa. Mas só os vinhos da terrinha, até por respeito à sua culinária

Os brancos
Como já disse, minha preferência, de todos os preços.
Esporão Reserva Branco 2007 – Qualimpor

Redoma branco 2007 (Niepoort) – Mistral

Borba Antão Vaz e Arinto Branco 2005 – Adega Alentejana

Paulo Laureano Premium Branco 2006 – Adega Alentejana

Filipa Pato Ensaios Branco – Casa Flora

Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2007 – Mistral
(Filipa e Luiz, pai e filha, os dois com brancos bacanas)

Tintos
Mas se você insiste nos tintos para a ocasião, vá de rubros da Bairrada, como os da linha do Luis Pato, elaborados com a uva baga. Duas escolhas:
Luis Pato Baga 2005 – Mistral

Vinhas Velhas tinto 2005 – Mistral

Ou então a coleção de rótulos do Alentejo do enólogo Paulo Laureano:

Casa de Sabicos Reserva Tinto 2005 – Adega Alentejana

Villa Romannu Tinto 2005 – Interfood

Paulo Laureano Clássico Tinto 2006 – Adega Lentejana

E o chocolate?
Quanto ao chocolate, o ovo de Páscoa e outras surpresas do coelhinho, vamos combinar que:

1. ovo de Páscoa e chocolate é coisa de criança, e não convém criança beber vinho;

2. não precisa combinar vinho com tudo. Abre seu celofane, pegue o bombom mais desejado, ou arrebente a casca do ovo, e deixe derreter na boca, à capela, e curta este momento calórico sem culpas;

3. se mesmo assim você quer fazer o tal casamento, vai de Porto Ruby ou Tawny, os mais simples na cadeia alimentar dos fortificados do Douro. Se você tiver muita grana um Tokay Aszu 6 Puttonyos manda muito bem. Mas aí, minha gente, o Tokay sozinho já é a festa completa.

Boa Páscoa a todos.

Notas relacionadas:

  1. Brancos, bons e nem sempre baratos
  2. Pêra-Manca: o vinho que descobriu o Brasil
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