Da cor do pôr-do-sol

O verão parece que resolveu dar as caras neste final de fevereiro e início de março. E na hora de escolher um vinho, como fica? Com este calor todo o vinho tem de refrescar o paladar e não esquentar a cabeça, e o corpo, de acordo?
Sob esta canícula, e diante de suculentos medalhões de filé mignon grelhados no ponto exato e um quiche de queijo, pode então se desenhar um ponto de interrogação. Qual vinho pode aportar frescor e ainda acompanhar a comida? Um branco vai ser esmagado pelo grelhado. Um tinto seria muito pesado. Um rosé, nessas horas, pode ter o efeito de uma miragem no deserto. Resolve, pode acreditar.
Abrir um rosé numa hora dessas, na temperatura correta (lá pelos 10 graus), despejar seu líquido na taça e acompanhar suas paredes suarem tem efeito de propaganda de pasta de dente. É refrescante até de olhar.
E se é para escolher um rosé, a Provence, no sul da França, é a opção mais clássica e acertada. Produzindo caldos rosados há mais de 2.500 anos, é a única região do mundo onde este tipo de vinho é a esmagadora maioria: 70% da produção é composta de rosés.
Minha escolha recai então sobre o Château des Chaberts – Cuvée Prestige, 2006, da Appellation Coteaux Varois En Provence. Duas uvas dividem atenção na garrafa, as tintas francesas grenache e cinsault.
Este tipo de bebida geralmente tem aromas ligeiros de frutas frescas. Este rótulo lembrava morangos frescos, aqueles de caixinha mesmo que é o que a gente conhece. Um floral bem de leve, o suficiente para perfumar a bebida. Na boca, tem força para interagir bem com o grelhado, e uma boa acidez que pede novo gole.
E ainda tem a cor, um dos maiores charmes deste vinho. As tonalidades variam daquela casca de cebola, bem clarinha, passando pelo salmão até um rosa bem vivo. Este Château des Chaberts, para mim, estava mais para uma casca de cebola de tons um pouco mais fortes, mas meu filho deu a melhor definição para um vinho que é a cara do verão: cor de pôr-do-sol. Perfeito.
Onde encontrar: Casa Flora
Leia Mais: A hora do vinho rosado (VEJA, dezembro de 2006)
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Autor: beto gerosa Tags: cinsault, França, grenache, Provence, Rosé


