Espumantes | Blog do Vinho

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Arquivo da Categoria Espumantes

quarta-feira, 24 de abril de 2013 Degustação, Espumantes, Nacionais, Novo Mundo, Porto, Rosé, Tintos, Velho Mundo | 09:00

Os homens que cospem vinho elegem os onze melhores vinhos da ExpoVinis 2013

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Onde foi parar todo mundo?

Um incauto que invadir uma sala de degustações de um concurso de vinho após uma prova vai deparar com uma visão parecida com a da foto ao lado. Inúmeras taças com bons mililitros de vinho e baldes cheios da bebida. Se tiver a oportunidade de observar, momentos antes, os jurados provando os tintos, brancos, espumantes e fortificados acompanhará um festival de giradas de taça, fungadas, bochechos, caretas de desagrado alternadas com suspiros de aprovação, e finalmente cusparadas leves e elegantes (se é que isso é possível) do vinho em copos de plástico que em seguida serão entornados em baldes maiores. Qual o pensamento que passará por sua cabeça? “Este povo não gosta de vinho!” Na verdade, estão em pleno trabalho Os Homens que Cospem Vinho e sua função nesta sala é escolher os dez melhores vinhos da ExpoVinis 2013– 16º edição da feira mais importante de vinho da América Latina -, no tradicional concurso Top Ten, que tenho a honra de ser convidado pelo sexto ano como jurado (perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem…).

E eles (nós) não bebem todo aquele vinho disponível por um motivo muito simples: são 224 amostras em dois dias, ninguém sobreviveria para contar o final da história. Os doze jurados se reúnem para escolher um vinho de consenso que vai para o trono de cada uma das dez categorias do concurso. Este consenso é resultado das anotações e notas de todos os jurados que somadas chegam a uma média ponderada e ao fermentado campeão.

Este ano os organizadores decidiram dar mais espaço ao vinho nacional e dividiram a categoria “Tintos Nacionais” em duas: os representantes da “Serra Gaúcha”, que produzem cerca de 80% dos tintos do país, e “Outras Regiões”, fruto do potencial de novas áreas vinícolas do Brasil. O Top Ten de 2013, por uma questão de empate na categoria Velho Mundo, acabou elegendo onze vinhos. Abaixo a lista dos vencedores em cada categoria.

Os campeões: 11 vinhos, 12 jurados e nenhum segredo

Vencedores do TOP Ten 2013

ESPUMANTE NACIONAL – total de 13 amostras

Villaggio Grando Espumante Brut Rosé 2012

Região: Água Doce, Santa Catarina

Uvas: pinot noir e merlot

ESPUMANTE IMPORTADO – total de 11 amostras

Aida Maria Rosé Brut Reserva 2007

Região: Douro, Portugal

Uva: touriga nacional

BRANCO NACIONAL – total de 19 amostras

Da’divas Chardonnay 2012, Lidio Carraro

Região: Terras da Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul

Uva: chardonnay

BRANCO IMPORTADO – total de 30 amostras

Casas Del Bosque Sauvignon Blanc Reserva 2001

Região: Casablanca, Chile

Uva: sauvignon blanc

TINTO NACIONAL  SERRA GAÚCHA – total de 15 amostras

Perini Quatro 2009

Região: Vale do Trentino, Rio Grande do Sul

Uvas: cabernet sauvignon, merlot, tannat, ancellotta

TINTO NACIONAL OUTRAS REGIÕES – total de 14 amostras

Pericó Basaltino Pinot Noir 2012

Região: São Joaquim, Santa Catarina

Uva: pinot noir

ROSÉ – total de 6 amostras

Maquis Rosé 2012

Vale Aconchágua, Chile

Uva: malbec

TINTOS NOVO MUNDO – total de 32 amostras

Vistalba Corte A 2009

Região: Mendoza, Argentina

Uvas: cabernet sauvignon, malbec

TINTO VELHO MUNDO – total de 70 amostras

Santa Vitoria Grande Reserva 2008

Região: Alentejo, Portugal

Uvas: touriga nacional, cabernet sauvignon,  syrah

Sacagliola Sansì Selezione Barbera d’Asti 2009

Região: Piemonte, Itália

Uva: Barbera

DOCES E FORTIFICADOS – total de 14 amostras

Quinta Do Noval Porto Tawny 40 Anos

Região: Porto, Portugal

Uvas: tinta barroca, tinta roriz, touriga francesa, touriga nacional

Todos os vinhos estão expostos na ExpoVinis 2013, que vai abrigar mais de 400 expositores nos dias 24, 25 e 26 de abril no pavilhão azul da Expo Center Norte em São Paulo (veja ficha abaixo)

O nomes dos culpados pela eleição dos onze vinhos acima

Presidentes de mesa

Hector Riquelme – sommelier chileno

Mario Telles Jr -  ABS-SP

Jurados

Jorge Carrara – Prazeres da Mesa

Marcio Pinto – consultor e ABS-MG

Celito  Guerra – Embrapa

Beto Gerosa – Blog do Vinho

Gustavo Andrade de Paulo – ABS-SP

José Luiz Paligliari – Senac

Ricardo Farias – Sbav Rio de Janeiro

José Luis Borges – ABS-SP

Diego Arrebolla  – sommelier grupo Pobre Juan

Manoel Beato – sommelier grupo Fasano

Leia também: Como funcionam as degustações nos concursos

Todas as cores

E os vinhos eram bons?

Quando o painel é tão diverso e com tantas categorias a qualidade varia na mesma proporção do volume oferecido. Vale lembrar que o concurso é sempre às cegas, não sabemos o que estamos bebendo, apenas a categoria. Há grandes disputas entre bons vinhos que se afunilam numa espécie de tira-teima entre os melhores, há categorias que um rótulo se sobressai sobre os demais dada a sua superioridade – um Tawny 40 anos por exemplo é uma covardia – e outras que a média é muito parecida. Em Tintos do Novo Mundo, por exemplo, haviam exemplares com taninos (aquela sensação de adstringência que seca a boca mas é importante na estrutura e envelhecimento dos vinhos) tão agressivos que quase saí da sala e fui abrir um Boletim de Ocorrência. Claro, eram mais de 30 amostras, aparece de tudo. Os tintos nacionais apresentaram uma boa média e sempre surgem novos rótulos que acabam surpreendendo. Estas descobertas são uma das belezas de participar de um concurso desses. Curiosa superioridade dos espumantes rosés no resultado final. Eu gostei da escolha! Os brancos são menos prestigiados pelos produtores e poucos rótulos são enviados, o que prejudica a avaliação. Ah, importante, cada expositor tem direito a enviar dois vinhos na categoria que escolher. São estes os vinhos avaliados e não todos os vinhos da Expovinis, obviamente.

A prova acabou, mas sobrou vinho na taça

Mas dá para avaliar um vinho sem engolir?

Sobre a quantidade de vinho servida para o teste:

Aconselha-se a colocar na boca um volume pequeno de vinho, de cerca de 6 a 10 mililitros. (…) O volume utilizado deve ser sempre o mesmo para cada vinho, caso contrário torna-se impossível qualquer comparação rigorosa. (…) O copo de degustação deve ser simples, com capacidade de cerca de 200 mililitros, sem floreios, de paredes finas, sem cheiro de guardanapo nem de pano de prato. O copo normatizado pelo INAO-AFNOR e suas variantes é muito apropriado. O líquido a um terço de sua capacidade permite leve agitação necessária para liberar as moléculas odoríferas do vinho

Sobre cuspir o vinho nas degustações

Geralmente o degustador, ao longo dos exercícios profissionais, cospe o mais completamente possível o trago de vinho. Não é que a degustação seja melhor quando o vinho é expelido, ao contrário, aliás. Mas, evidentemente, seria impossível para o provador beber sem prejuízo alguns tragos dos dez ou trinta vinhos que frequentemente ele degusta numa mesma seção (…) Algumas pessoas estão convictas de que, se não engolirem, não terão nenhuma sensação; situam na “garganta” o centro da degustação por que, na verdade, elas engolem diretamente mas não degustam.

SERVIÇO

ExpoVinis 2013 – site oficial

DATA
24, 25 e 26 de Abril de 2013

LOCAL
Expo Center Norte – Pavilhão Azul
São Paulo – SP – Brasi

HORÁRIOS
24 de Abril
Profissional → 13h às 21h

25 de Abril
Profissional → 13h às 21h
Consumidor → 17h às 21h

26 de Abril
Profissional → 13h às 20h
Consumidor → 17h às 20h

PREÇOS

Entrada com direito a uma taça de cristal: R$ 70,00 (Valor de 3º lote)
Entrada estudante sem taça: R$ 35,00 (Valor de 3º lote)
Taça Avulso: R$ 30,00

Notas relacionadas:

  1. Os Top Ten da ExpoVinis 2010
  2. Infográfico: como são feitos os vinhos brancos e os vinhos tintos
  3. Concurso elege os dez melhores vinhos da Expovinis 2011
Autor: Beto Gerosa Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 27 de dezembro de 2011 Espumantes, ViG | 16:32

É dia de champanhe, bebê!

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3, 2, 1 Pow! O espumante é a bebida do fim do ano. E do início. E do meio...

Não se bebe espumante, champanhe, prosecco ou cava em dia triste. O estampido seco libera as borbulhas adormecidas na garrafa e, transferidas para tulipas, convidam ao primeiro gole. Antes de descer pela garganta, o primeiro brinde! O frescor limpa a boca e as borbulhas normalmente desenham um sorriso e estimulam novos goles. Trata-se de um vinho de comemoração e celebração. Talvez aí esteja um dos segredos da crescente demanda. É uma bebida com um marketing imbatível: o da alegria.

Por isso mesmo é a bebida oficial das festas de fim de ano. Em um país que até pouco tempo atrás até o guaraná era champanhe, tudo que borbulha tá valendo. E efervescentes genéricos de sidra, proseccos vagabundos e chuvas de prata da vida ganham status de bebida de celebração pelo simples fato de cuspir a rolha como um foguete e de espalhar sua espuma para fora da garrafa. No momento do brinde, muitas vezes segue direto goela abaixo pelo gargalo mesmo, numa espécie de cachimbo da paz das borbulhas.

Qual o problema? O importante é celebrar! Mas se sua intenção vai um passo além e seu objetivo é aliar a comemoração a uma bebida de qualidade, está na hora de escolher a garrafa da virada, daqueles que podem ser os melhores anos de suas vidas. 31 de dezembro é dia de champanhe, bebê!

Os vários estilos de espumantes

Para facilitar a sua vida, o Blog do Vinho traz uma lista de produtores que garantem uma qualidade sem erro. Tanto para os felizardos que têm “muito dinheiro no bolso” (a turma do champanhe) como para os que pelo menos esbanjam “saúde pra dar e vender” (a turma do espumante “orgulho da viticultura” nacional). E ainda explica, para quem ainda não sabe, a diferença dos vários estilos de espumantes – não, não é tudo a mesma coisa

CHAMPANHE

É o rei-leão dos espumantes, está no topo da pirâmide destes vinhos, até no preço. São mais intensos, ricos e de paladar apurado, com aromas que lembram panificação, às vezes de cor mais dourada. O espumante nasceu na região de Champagne, localizada no nordeste da França, e segue regras rígidas. As únicas uvas permitidas são: a branca chardonnay (dá finesse, notas florais e minerais), e as tintas pinot noir (frutas vermelhas e estrutura ao vinho) e pinot meunier (frutado). Estranhou o uso de tintas em champanhes? Mas é assim mesmo, são usadas tanto uvas brancas como tintas, o que dá a cor ou não a um vinho é o contato da bebida com as cascas.

Todo vinho sofre uma fermentação para transformar o açúcar da uva em álcool. Nos efervescentes, são duas. No champanhe, a segunda fermentação é feita na própria garrafa – a este método se dá o nome de champenoise, ou classico. Este método, com vinho-base bom e terroir exclusivo, confere mais elegância e intensidade à bebida. Dos diferentes estilos de champanhes, os mais caros e refinafos podem ficar até dez anos repousando nas caves antes de estar disponível ao consumidor.

Nem tudo que borbulha é champanhe

Champagne só em Champagne

Se topar com um espumante fora da França com o nome “champagne” gravado na etiqueta, desconfie. Champagne é a única região do planeta autorizada a usar esta designação nos rótulos. Na verdade, existem exceções que conseguiram burlar esta restrição, mas vale como regra.

Produtores importantes: Ayala, Billecart-Salmon, Bollinger, Charles Heidsieck, Delamotte, Deutz, Drappier, Jacques Selosse, Krug, Laurent-Perrier, Louis Roederer, Moët & Chandon, Pol Roger, Ruinart, Salon, Tattinger, Veuve Clicquot Ponsardin.

Preços médios: champanhe é cara. A partir de R$ 160,00 é possível encontrar bons produtos, como a Delamotte Brut. A sempre boa Tattinger sai por R$ 200,00, a Drapier Carte d`Or vale R$ 205,00 e a Gosset Brut Excellence R$ 192,00. Nas mais caras, e exclusivas, o céu é o limite, uma Dom Pérignon safrada não sai por menos de R$ 750,00, a prestigiadíssima Jacques Selosse Substance sai por R$ 1.500,00! – precisa ter muito o que comemorar…

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Veuve Clicquot Ponsardim (entre R$ 200,00 e 230,00) – aquela do rótulo amarelo. É quase um blockbuster da champanhe no Brasil e no mundo (mais de 10 milhões de garrafas ao ano) e merece seu sucesso. Fácil de encontrar em lojas e supermecados. Bom aroma, frutas e torrefação. Um ótimo começo para se conhecer um champanhe típico, com seu toque oxidado, frutas secas, torrefação e cítricos.

CRÉMANT

Espumante genérico francês, também elaborado pelo método clássico, produzido fora da região delimitada de Champagne, sendo que o maior volume vem da região do Loire, mas com boas casas na Borgonha também. Costumam ter menos pressão e são mais ligeiros. Não há muita oferta de rótulos no Brasil.

Produtores importantes: Louis Bouillot, Domaine Amiot Guy et Fils, Dopff au Moulin, Grandin, Vigneau-Chevreau.

Preços médios: O crémant não é tão caro quanto o champanhe. Na média de 80 a 90 reais há rótulos disponíveis. Exemplos Amiot Guy Cremant (R$ 98,00).

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): O Crémant de Bourgogne Perle de Vigne Brut Grand Reserve (R$ 85,00) é um belo exemplar para comparar entre os espumantes de Reims/Champagne e fora desta região demarcada. Aromas de leveduras presentes, mas com muito frescor. Legal para conhecer o estilo.

CAVA

Outro espumante feito pelo método clássico – esqueceu o que é? Segunda fermentação na garrafa –, mas de origem espanhola, na região de Penedés, na Catalunha. As uvas são nativas: macabeo, viura (dão um toque frutado), parellada (acidez) e xarel-lo (acidez e potência). A Espanha é o segundo maior produtor de espumantes do mundo. A gigante Cordoniu coloca no mercado 130 milhões de garrafas ao ano. São facilmente encontradas nas prateleiras de supermercados e são deliciosos e potentes, vale experimentar.

Produtores importantes: Freixenet, Cordoniu, Raventos I Blanc.

Preço médio: as cavas têm preços mais acessíveis, encontram-se rótulos das gigantes Freixenet e Cordoniu por 55 reais, em média – valores similares aos bons espumantes nacionais – e são mais fáceis de encontrar em redes de supermercados. As versões rosés são bem interessantes.

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Raventos I Blanc Gran Reserva Brut (R$ 140,00). Uma cava de maior qualidade, com tostados e notas de frutas secas. Fica 6 meses em contato com leveduras e mais 36 envelhecendo na garrafa. E daí? Mais complexidade, sabor e expressão em boca.

PROSECCO

Quem já passeou por este Blog do Vinho já sabe: prosecco nada mais é que uma uva nativa da Itália, mais precisamente da região de Valdobbiadene e Canegliano, no Vêneto. Com ela, se faz este espumante que, ao contrário dos vinhos efervescentes anteriores, é elaborado pelo método charmat. O que é isso? Aqui, a segunda fermentação se dá em grandes tanques fechados de aço inoxidável que suportam altas pressões (a pressão do gás chega até a 7 atmosferas). Há os proseccos mais refinados, eles chegam da região de Cartize, mas a grande maioria é uma bebida mais fácil, de cor mais clara e de sabor próprio. A propósito, há proseccos no mercado de grande volume bem ruins, se puder, evite. Tem prosecco no Brasil? Tem. A Salton (R$ 25,00) e a Aurora (R$ 22,00) produzem seus rótulos. E ao contrário do champanhe, pode ter seu nome estampado no rótulo. São frescos e honestos, uma boa opção aos italianos mais comuns.

Produtores importantes: Adami, Bisol, Ca Bolani, Dominio de La Vega, Jeio, Mionetto, Nino Franco, Ruggeri.

Preço médio: entre 40 e 80 reais encontram-se proseccos de qualidade de produtores importantes como Mionetto e Bisol.

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Nino Franco Rústico (R$ 80,00). Trata-se de uma escolha afetiva. Foi o primeiro Prosecco de qualidade que experimentei e nunca decepciona, mostrando a capacidade desta uva quando bem vinificada e tratada.

ESPUMANTES (sparkling wines)

Nome genérico para todo vinho com duas fermentações. Há rótulos da Itália, da Argentina, do Chile, da Alemanha (conhecidos como Sekt), de Portugal – em toda parte  –, até a Inglaterra começou a se aventurar neste mercado. O Brasil produz espumantes premiados em vários concursos sérios e reconhecidos pela crítica internacional e nacional. A grande maioria é elaborado pelo método charmat com bons resultados; algumas vinícolas arriscam o método clássico, nem sempre superiores ao charmat. No Brasil, além das uvas francesas chardonnay e pinot noir, é comum o uso da riesling itálico que teve boa adaptação no sul do país. Nossos espumantes se caracterizam pela boa acidez, frescor, juventude (é comprar e beber, sem dormir na adega) e média intensidade, um aroma levemente cítrico, um vinho de celebração com qualidade, acima de tudo.

Produtores importantes

Brasil: Adolfo Lorna, Aurora, Bueno State, Caves Geisse, Chandon, Dal Pizzol, Dom Cândido, Don Giovanni, Domno, Marson, Miolo, Pericó, Peterlongo, Piagentini, Pizzato, Salton, Valduga, Vallontano.

Itália: Costaripa, Bellavista, Ferrari.

Portugal: Luis Pato, Quinta da Bacalhoa, Vértice.

Preços médios: a partir de 20 reais já é possível achar um espumante correto para chamar de seu. Subindo um pouco a régua, com você será bastante feliz com alguns exemplos Ponto Nero Brut (R$ 30,00), Aurora Brut 100% Chardonnay (R$ 30,00).

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Se você aprecia uma bebida mais elaborada, mais densa e com mais requintes de paladar – todos elaborados pelo método champenoise – fique com o Don Giovanni Brut (R$ 42,00), o Pizzato Brut (R$ 44,00) ou Casa Valduga 130 Brut (R$ 60,00); para os espumantes com característica mais verde-amarela, descrita acima, e de qualidade sempre constante, as dicas são o saboroso Chandon Reserva Brut (R$ 48,00) e o sempre bom Salton Reserva Ouro (R$ 30,00). Entre os estrangeiros, uma boa alternativa é o espumante Costaripa Brut (R$ 68,00 na oferta de Natal), produzido na região da Lombardia pelo método champenoise. E Luis Pato Maria Gomes 2010 (R$ 74,00), um pioneiro das borbulhas na Bairrada, mais simples e fresco. Nunca decepciona.

Brut, sec, demi-sec. Qual o significado?

Se os estilos mudam em cada região e pelo método de vinificação, o teor de açúcar – e o sabor – também se alteram de acordo com a sua classificação. Fique atento ao que diz o rótulo, é fácil se enganar. Os espumantes são classificados conforme a concentração de açúcar por litro.

Nature (zero dosage): até 3 gramas por litro

Extrabrut: até 6 gramas por litro

Brut: menos de 15 gramas por litro

Sec: entre 17 e 35 gramas por litro

Demi-sec: entre 33 e 50 gramas por litro

Doux: acima de 50 gramas por litro

Ou seja, essas expressões nos rótulos indicam o grau de açúcar por litro em cada garrafa. Atualmente, 80% do mercado são dominados pelo tipo brut, que é mais seco e com baixa concentração de açúcar. Sec, ao contrário do que parece, não é seco, mas levemente adocicado. Mais comum encontrar a expressão demi-sec. Doux dispensa explicações.

Escolheu o seu? É hora de jorrar a bebida na taça!

Fala sério, não é tudo igual, não é mesmo? Agora é só escolher qual bebida combina melhor com seu bolso e paladar para celebrar 2012, 2013, 2014…

Notas relacionadas:

  1. Deu zebra no ranking de espumantes da Playboy
  2. Com a palavra, o campeão
  3. Você sabe qual espumante está bebendo? Ou, nem tudo que borbulha é champanhe…
Autor: Beto Gerosa Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010 Espumantes, Teste | 16:47

Você sabe qual espumante está bebendo? Ou, nem tudo que borbulha é champanhe…

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“Borgonha faz com que você pense em bobagens; Bordeaux faz com que você fale sobre elas, e champanhe faz com que você as cometa” Brillat-Savarin, gourmet francês do séc XVIII

Cometer bobagens após tomar um espumante, vá lá, é do jogo. Mas cometê-las antes de tocar os lábios na bebida, por falta de conhecimento, não tem graça alguma. Este blog, sempre imbuído do espírito de defesa dos interesses do leitor, uma espécie de advogado dos enófilos dos trópicos (te cuida, Robert Parker!), lança então este desafio para você testar seus conhecimentos sobre vinhos com borbulhas. Se útil não for, no mínimo é um assunto para depois do brinde.

Usar a denominação Champgne no rótulo só é permitido nos vinhos produzidos na região de mesmo nome, no norte da França. Como se chamam os outros espumantes franceses, elaborados pelo mesmo método tradicional ou champenoise?




O que significa dizer que um espumante é elaborado pelo método charmat?




Espumante é coisa nossa! Nos vinhos tintos a importação esmaga a produção nacional em volume de vendas, já entre os espumantes verde-amarelo, a situação se inverte, na proporção de 70% para o produto nacional e 30% para o importado. Entre as principais produtores de espumante no Brasil, qual é a líder em volume de produção?




Um champanhe é denominado blanc de noirs quando é elaborado com as uvas:




Atualmente, mais de 80% dos champanhes são do tipo seco, com um menor teor de açúcar por litro. Qual das três expressões abaixo indica o espumante mais seco?




A quem é atribuída a frase "Estou bebendo estrelas", ao descrever a sensação das borbulhas pinicando o céu da boca pela primeira vez, no século XVII?




Qual a vinícola pioneira na elaboração de espumantes no Brasil?




Quem acompanha esta coluna, e já fez o outro teste, já sabe que prosecco é o nome da uva e não da região onde se produz este espumante italiano (bem, agora os italianos estão tentando criar a denominação de Proseco também). O melhor prosecco, no entanto, é produzido em uma conhecida Denominação de Origem Controlada do Vêneto. Qual é ela?




Além das uvas francesas chardonnay e pinot noir os espumantes brasileiros também vinificam outra variedade branca na elaboração de seus rótulos. Qual é ela?




Cada lugar tem um nome para seu espumante. Na Espanha são conhecidos como cavas, e bastante difundidos entre nós. Quais são as três principais uvas nativas da Península Ibérica usadas nos cavas?




As garrafas de espumantes, por precaução e necessidade, têm o vidro espesso e são lacradas com rolhas de cortiça presas por gaiolas de arame. Todo este cuidado é devido à alta pressão no interior das garrafas (são as borbulhas querendo se libertar). Uma garrafa de espumante pode ter em seu interior até:




Há uma grande variação de modelos de garrafa de espumantes, e com uns nomes meio esquisitos, que soam um tanto quanto bíblicos. Em um vasilhame comum cabem 750 mililitros de bebida. Já em uma magnum, é colocado o dobro do líquido. Qual o nome que se dá ao modelo capaz de armazenar 3 litros (ou 4 garrafas)?




O que significa um champanhe vintage ou millésime?




Os champanhes mais comuns, com a inscrição NV (non vintage) no rótulo, se caracterizam por:




As bolinhas de gás carbônico, além do charme e da marca registrada do espumante, são fatores que indicam qualidade da bebida. Um espumante, por exemplo, pode ser considerado melhor quando as bolhas forem:




Quem aprecia um espumante mais docinho, aromático e pouco alcoólico tem a opção de ser feliz com uma garrafa elaborada pelo método Asti. Qual a uva usada neste outro estilo de espumante italiano?




A Alemanha, que tem o maior consumo per capita de vinho com borbulhas do mundo, também produz o seu espumante, pouco conhecido no Brasil? Qual o nome?




A pergunta pegadinha da vez, para fechar o questionário. Você é capaz de adivinhar quantas borbulhas existem potencialmente, em média, em uma garrafas de 750 mililitros de um champanhe?






Notas relacionadas:

  1. Você entende de vinho, ou só faz pose?
  2. Férias, praia e espumante fresco
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Autor: beto gerosa Tags: , , , ,

segunda-feira, 18 de maio de 2009 Degustação, Espumantes | 18:42

Um instante, maestro!

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Muita gente tem um certo receio de abrir uma garrafa de espumante. Há sempre o perigo iminente de a garrafa virar uma arma. Às vezes a pressão interna é tanta que, mesmo cercado de cuidados, a rolha se transforma em um projétil, causando estragos à sua volta.

A maneira correta de desarrolhar o champanhe faz até parte do currículo dos cursos de vinho por aí. Aquele ritual de abrir a gaiola de arame, segurar firme o corpo da garrafa e ir afrouxando com cuidado a cortiça até provocar o estampido seco que sinaliza o momento mágico em que a rolha se separa enfim do gargalo e libera a espuma de dentro da garrafa.

Esta batalha com a rolha é um desafio para você na hora de abrir seu champanhe? Seus problemas se acabaram! Uma nova cápsula anunciada na França promete revolucionar a vedação e a posterior abertura dos espumantes. A traquitana, desenvolvida pela multinacional Alcan, atende pelo nome de maestro e é produzida com plástico reciclável e alumínio. A Alcan investiu três anos de pesquisa e 1 milhão de euros até chegar ao formato atual. O mercado potencial, no entanto, é atraente: só em Champagne são 332 milhões de garrafas por ano.

Como funciona o maestro
É uma espécie de screw cap dotada de um mecanismo com uma alavanca, o mesmo princípio usado nas latas de cerveja, que permite a abertura rápida e segura da tampa. Simples assim, você puxa a alavanca e libera as borbulhas. É o fim da rolha subindo como um foguete. Mas o estampido seco – tóf! -, resultado da liberação da pressão do interior da garrafa, continua presente. “Ainda há a música, mas não há o perigo”, explica o diretor de exportação da Maison Duval-Leroy, Roger Begault, que ainda decretou: a “rolha será abandonada”.

A Duval-Leroy é considerada uma das 15 top Maison da região de Champagne. Localizada no coração da Cote des Blancs, com 200 hectares de vinhedos plantados em sua maioria com a uva chardonnay, a Duval-Leroy tem tampinha de criança, mas corpinho de 150 anos registrados na carteira de identidade.

A parceria da Duval-Leroy com a Alcan é uma aposta na inovação e mostra um caminho para o mundo das rolhas. Será que vai pegar?
Curioso? Assista o vídeo abaixo

Site da Alcan explica a nova cápsula

Duvay Leroy – site oficial

Autor: beto gerosa Tags:

quarta-feira, 18 de março de 2009 Espumantes, Nacionais | 22:24

Dois espumantes nacionais em dois estilos: nature e brut

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Os vinhos com borbulhas são um tema recorrente neste blog. Para mim, é uma bebida de largada e de chegada. E muitas vezes aguenta o vôo solo numa boa.  Eu costumo sempre iniciar os trabalhos com algum espumante na taça. Às vezes, continuo em sua companhia por toda refeição, bate-papo, seja lá o motivo da reunião. E feliz da vida.

E o espumante… é coisa nossa!
O Brasil, já se disse aqui também, tem uma ampla oferta de vinhos com bolinhas muito bem elaborados no sul do país. Vem lá da região da Serra Gaúcha duas garrafas provadas recentemente. O Perine Nature e o .Nero. Duas propostas diversas, o primeiro mais exclusivo, de baixa produção, e o segundo para toda hora. Dois acertos que agradam e convencem na taça, que é a prova dos noves.

Perine Nature – trata-se de uma edição limitada, somente 1.000 garrafas foram elaboradas, e um primeiro lote de 500 garrafas trabalhadas no mercado. O vinho é  elaborado pelo método champenoise, ou tradicional, aquele originado em Champagne, na França, onde a segunda fermentação se dá na garrafa, o que geralmente entrega ao vinho mais personalidade. As uvas usadas seguem a tradição francesa, chardonnay e pinot noir. A diferença aqui é a natureza de estilo do espumante, com um mínimo de açúcar residual (2 gramas por litro), o que se traduz no nome “nature”.

Explica-se: após a finalização da segunda fermentação do vinho-base é adicionado um xarope conhecido como licor de expedição, que vai regular o teor de açúcar do espumante. Nos espumantes nature este licor não entra de bicão na garrafa. Ou seja, o vinho-base, e uvas que são sua origem, precisa realmente ser muito bom para um produtor arriscar a dispensar o xarope na fórmula final. O que se busca, na verdade, é um outro perfil de espumante.

(Pausa para interromper o texto e explicar o teor de açúcar dos espumantes com uma tabelinha didática)

Os espumantes são classificados conforme
a concentração de açúcar por litro.

Nature (zero dosage): até 3 gramas por litro
Extrabrut: até 6 gramas por litro
Brut: menos de 15 gramas por litro
Sec: entre 17 e 35 gramas por litro
Demi-sec: entre 33 e 50 gramas por litro
Doux: acima de 50 gramas por litro

O Nature da Perini tem uma coloração mais para o dourado, bem vibrante, e cremosidade média. O aroma não estava tão aberto, mas tinha um toque de frutas secas interessante. A boca é seu pulo-do-gato. As borbulhas parecem estampidos secos que não terminam naquela sensação docinha no final, o que às vezes acontece com os espumantes com maior grau de açúcar. Uma comparação possível, que me agrada, é a imagem do café sem açúcar, onde a pureza, e a força, predominam. No site da Vinícola Perini sai por 66 reais. Não provei com comida, mas sim à capela, como deve ser com os espumantes com mais personalidade.

(Pausa para furar o bloqueio nacionalista e indicar um “nature” de Champagne, na França)

Ayala Brut Nature Zéro Dosage NM -  este é um raros exemplares produzidos em Champagne e importado ao Brasil. Bastante seco, como sugere sua elaboração, é uma bebida rica e concentrada, champanhe de macho, preço de champanhe (R$ 275,00, na Mistral)

.Nero Brut (leia-se Ponto Nero) – Aqui a proposta é outra. A Vinícola Domno, uma subsidiária da Casa Valduga criada em agosto de 2008, lançou esta linha com vocação de bebida mais descontraída, para o dia-a-dia. Elaborado com as uvas chardonnay (60%), pinot noir (30%) e riesling (10%) tem 12 gramas de açúcar por litro. O espumante toma sua forma pelo método charmat, segunda fermentação em tanques, em que as leveduras ficam em contato com o vinho por seis meses. O resultado é mais desencanado, o frescor e a acidez se equilibram na boca com bolhinhas não muito numerosas mas eficientes.

O design do rótulo, negro, um tanto misterioso, contrasta com a bebida mais delicada e de cor mais translúcida. O efeito visual é arrebatador, mas tem  mais jeitão de marketing do que qualquer outra coisa. A garrafa, com certeza, se destaca em uma prateleira de loja. O lance do . em forma sinal em vez de escrito  também é uma daquelas sacadas que podem chamar  mais a atenção para o design do que para a bebida. Bobagem, sacadas à parte, trata-se de uma boa opção descomplicada, a 25 reais a garrafa. Alegrou uma pescada com molho de alcaparras.

Serviço
Vinícola Perini, site oficial
Domno Brasil, site oficial

Mais sobre o tema no Blog do vinho
Champagne, espumante, prosecco e cava: iguais, mas diferentes

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Autor: beto gerosa Tags: , ,

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 Entrevista, Espumantes, Nacionais | 10:15

Angelo Salton 1952 – 2009

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O mundo do vinho acordou mais triste nesta terça-feira, dia 10 de fevereiro. Faleceu, a 1 hora desta madrugada, vítima de um infarto agudo, o presidente da Vinícola Salton, Ângelo Salton. Segundo assessoria de imprensa da empresa, há 15 dias o empresário havia feito um check-up geral e nada havia sido constatado. O corpo está sendo velado no cemitério do Araçá e às 16 horas segue para o crematório de Vila Alpina. Ângelo tinha 56 anos e deixa a mulher, Fátima, e quatro filhos.

No último encontro que tive com Ângelo, em um restaurante em São Paulo no final do ano passado, ele esbanjava otimismo e bom humor – uma característica marcante de sua personalidade – e estava cheio de planos para o aniversário de 100 da Salton, que será comemorado em 2010. Seus planos, certamente, terão continuidade na empresa.

Reproduzo abaixo o último texto que publiquei sobre Ângelo e o sucesso dos espumantes Salton na edição de dezembro de Veja São Paulo. Esta é a modesta homenagem deste blog a este guerreiro do vinho nacional.

O senhor das borbulhas

De cada três espumantes abertos no Brasil, dois
são nacionais. E 40% da produção brasileira é
do paulistano Ângelo Salton Neto

Por Roberto Gerosa 19.12.2007

Uma visita ao restaurante Fasano, em 2000, mudou a vida do empresário paulistano Ângelo Salton Neto. Enquanto tentava incluir um de seus rótulos na refinada carta de vinhos da casa, notou que a maioria das mulheres bebia um prosecco italiano durante a refeição. Imediatamente, ligou para o enólogo da Salton, em Bento Goncalves, no Rio Grande do Sul: “Aqui, só se bebe isso. Precisamos fazer o nosso”. Estava com sorte. Em suas propriedades havia 77 hectares cultivados com a uva prosecco, que era usada em outro tipo de vinho. Em três meses, lançou 6 000 garrafas. Um sucesso de público e crítica. De lá para cá, investiu pesado em sua linha de espumantes e, há três anos, chegou à liderança do setor, ultrapassando a Chandon, sua maior concorrente. De cada 100 garrafas de espumantes finos produzidas no Brasil, quarenta saem dos tanques de aço da Vinícola Salton, encravada na região de Tuiuti, vizinha a Bento Gonçalves.”E eu nem sabia que prosecco era o nome da uva”, conta Ângelo.

O bisavô de Ângelo veio para o Brasil em 1878. Saiu da comuna italiana de Cison di Valmarino, na região do Vêneto, próximo a Valdobbiadene, o berço dos melhores proseccos do mundo. Instalou-se na colônia italiana de Dona Isabel, atual Bento Gonçalves. Seus sete filhos fundaram, em 1910, a vinícola que foi batizada com o sobrenome da família. Na década de 40, o pai de Ângelo se mudou para São Paulo. O filho nascido aqui há 55 anos foi criado no prédio da Zona Norte onde atualmente funciona outra empresa do grupo, a Conhaque Presidente (20 milhões de litros vendidos ao ano). “Passei a infância no meio daquelas garrafas”, lembra. Engenheiro mecânico formado pelo Mackenzie, Ângelo largou a carreira para ingressar na companhia em 1976. Desde 1986, está na presidência do grupo, que tem um faturamento previsto de 39 milhões de reais para este ano, só com a linha de espumantes. “As mulheres e as festas são as grandes responsáveis por esse sucesso”, diz.

Ângelo, que cultiva a barba desde os tempos de faculdade, tem um jeito bonachão e um vozeirão que fazem lembrar um pouco o ator Orson Welles em seus últimos filmes. É um vendedor nato. Nas feiras de vinho, serve pessoalmente clientes e curiosos. “Defendo a qualidade do vinho nacional, e peço para comprar o meu, claro.” Atualmente, é respeitado pela crítica especializada e está sempre na mídia – pode ser visto com freqüência no Programa Amaury Jr., da Rede TV!. Até chegar a esse ponto, no entanto, teve de quebrar resistências. Certa vez, para chamar a atenção do jornalista e colunista de vinho da rádio CBN Renato Machado, abriu com estardalhaço um espumante. “Ele reclamou da maneira como a garrafa foi aberta, mas experimentou e aprovou a bebida”, afirma. “Não me lembro desse encontro e não tenho conhecimento dos espumantes da Salton para fazer qualquer comentário”, diz Machado. De olho na renovação dos consumidores, Ângelo aposta no lançamento, em fevereiro do ano que vem, do Prosecco Night, em garrafas de 375 e 750 mililitros. “Quando eu tinha 19 anos, só bebia uísque. Hoje, os jovens gostam de espumante”, afirma ele, que só foi trocar o malte escocês pelas borbulhas depois dos 40.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008 Degustação, Espumantes, Nacionais | 21:01

Rankings dos espumantes nacionais. Existe o melhor?

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Festas de fim de ano. Chegou a hora de escolher um espumante para as comemorações. As prateleiras de supermercados e de lojas especializadas se enchem de ofertas que vão do mais exclusivo champanhe francês ao mais ordinário prosecco italiano.

A dica deste blog é ficar no meio do caminho, e optar pelos ótimos espumantes nacionais. O preço é acessível e no quesito qualidade a produção tupiniquim de vinho com borbulhas só perde em número de medalhas em concursos internacionais para os franceses.

O que escolher?
Dois rankings recentes realizados pelas revistas Veja São Paulo e Playboy podem ajudar na escolha. Trata-se de um painel do que há de melhor no mercado, avaliado por gente que entende de uva que vira álcool e concentra espuma. As garrafas foram adquiridas em lojas, e não enviadas pelas vinícolas, o que garante a lisura no processo e torna o resultado um serviço para os leitores. Veja o resultado na tabela abaixo. (Se isso é alguma referência para os leitores, eu mesmo já tratei de comprar umas caixas de uma dessas marcas abaixo para meu réveillon)

Degustadores iguais, resultados diferentes
A avaliação e a classificação diferem no resultado, como pode-se comparar. O curioso desta prova é exatamente esta divergência. São poucas coincidências, como o da marca Chandon, na segunda colocação – Chandon é sempre um clássico e, cá entre nós, mantém um estilo que a maioria dos degustadores conhece e aprova. Também bateu na nona posição do ranking a menos divulgada De Gréville.

A falta de consenso é sinal de fraqueza ou uma virtude? Alguns leitores podem até questionar a validade destas provas, afinal dois dos degustadores participaram de ambas as provas, a sommelière Alexandra Corvo e o  sommelier Manoel Beato. Mas na realidade esta variedade é a prova de que a degustação não é uma ciência exata e que vários fatores influenciam o gosto. Para mim, a cruzinha vai para a opção virtude.

Qual é o melhor, afinal?
Alexandra Corvo dá sua explicação para a divergência das escolhas: “O que existe é cada garrafa”, sintetiza, e humaniza a discussão complementando “nós mesmos temos bem mais variações de humor do que os vinhos”.  Eu acrescentaria que as avaliações não elegem os melhores vinhos disso ou daquilo, mas sim as melhores garrafas disponíveis naquele painel e naquelas condições. Trata-se de um consenso entre vários cidadãos com alguma experiência, conhecimento e boa “litragem” entre tintos, brancos, espumantes e doces. Encare como uma boa referência. O resultado é uma lista que pode, sim, ajudar, mas jamais ser a palavra final sobre uma opção que afinal é definida pelo gosto de cada um.

E você, é  influenciado pelos rankings na escolha de sua bebida?

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008 Espumantes, Nacionais | 18:29

Férias, praia e espumante fresco

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Areia, água salgada, piscinas de variados formatos, sol a pino. No serviço, o pessoal sempre muito disposto da recreação, o inevitável axé, aquele casal que você conheceu há duas horas e já virou amigo de infância. Na seção de comes e bebes, uma oferta infinita de bebidas nacionais e importadas. O garçom sempre disposto a verter álcool em quantidades industriais em seu copo. Sorria, você está na Bahia! Mais precisamente, num desses hotelzões onde a comilança e a beberagem estão incluídas na tarifa.

Para quem gosta realmente de vinho, no entanto, não é lá o melhor programa. A qualidade deixa muito a desejar (os tais vinhos importados prometidos nos folhetos, creio que foram, na verdade, deportados de tão ruins), o tinto, obviamente vem quente, e o espumante em copo americano de plástico. Mas ninguém espera uma carta de vinhos selecionada em um esquema semelhante, num quiosque de praia de luxo, certo? E nem todo programa precisa ter vinho. São férias, afinal… bebe-se sem compromisso.

Vinho combina com praia?

Borbulhas - Sim, principalmente se for um espumante. Taí um trabalho que as vinícolas brasileiras deveriam investir mais esforço, marketing e conquistar um espaço que está aberto. Pela manhã, para abrir os serviços, é muito bom. Já experimentou? Meninos, eu vi! Como estava acessível e na temperatura certa, muita gente trocava – ou mesmo intercalava!!! – uma taça de espumante com uma tulipa de chope. É simples. Basta ter a oferta e, principalmente, quebrar a afetação da bebida para torná-la mais uma opção na praia – e não uma alternativa “chique e diferenciada”. Feito isso, meio caminho está andado.

Brancos - Também, mas os mais leves, ligeiros, frutados, um sauvignon blanc, um viognier, um gerwustraminer. Dos italianos um pinot grigio ou um fiano, o português alvarinho, ou sua versão espanhola albariño, e ainda da península ibérica o macabeo. As opções são várias. Mas me parece que a real vocação da praia é mesmo dos espumantes.

Rosés – Claro, são ok. Leves, frutados, frescos. Não é à toa que são perfeitos com comida mediterrânea. Mas, Houston,  temos problemas. Primeiro: raramente há oferta disponível, mesmo com a recente onda em torno da bebida. Segundo, há muito rosé ruim por aí. Terceiro, tem muito preconceito em torno da bebida. Muito trabalho, não? Mas tendo oportunidade, é uma delícia.

Tintos – Não acho o ideal. Mas tem muita gente que não se importa. Mas creio que, sinceramente, vinho não é para toda ocasião. Na praia, na refeição, um tinto mais ligeiro, num ambiente mais refrigerado, ok. Ou como eu já testemunhei também no Nordeste: com gelo. Maior heresia não existe no planeta vinho, né não?

Vodca (ou chachaça), fruta, açúcar e gelo – De dia, pé na areia ou na beira da piscina, um espumante, de vez em quando, até vai bem. Quem sabe até um branco ou um rosé com os petiscos. Mas não há nada igual a uma caipirinha e uma espreguiçadeira. Sem preconceito, sem restrições. O importante é ser feliz. São férias.

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terça-feira, 9 de setembro de 2008 Espumantes, Velho Mundo | 21:23

Dom Pérignon para poucos

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Champagne está em festa. E a celebração vai ser aqui, no nosso quintal. Mas é para poucos. O lançamento da safra de 2000 do Dom Pérignon -  a primeira do século XXI -, acontece pela primeira vez na América Latina, em São Paulo, no restaurante D.O.M., do badalado chef Alex Atala. Atala esteve em Epernay, na França, para uma visita à sede da maison Dom Pérignon e lá encontrou Richard Geoffroy, o chef de caves (ou chefe de adega), que orquestrou todo o evento. Ele enviou diretamente da França três baús recheados de ingredientes e louças que serão utilizados na cerimônia batizada de 7 Sensualidades. Atala teve ainda de importar, e até produzir, ingredientes no mínimo curiosos, como o chá chinês Pu Er, o azeite siciliano de Constanzo Hyblon, que é servido gelado, sal de bambu verde, açúcar de palmito, o raro óleo de Argan, mel marroquino, “smen”, manteiga clareada do norte da África, e o “ras el hanout”, uma mistura de especiarias do norte da África e do Oriente Médio.

Nesta quinta, dia 11 de setembro, poucos e bons estão convocados para a boca-livre que dá o ponta-pé inicial da degustação deste delicado e intenso champanhe, um assemblage da tinta pinot noir e da branca chardonnay. Entre eles, o casal Malu Mader e Tony Belotto (colunista de VEJA.com) e as jornalistas Marília Gabriela e Lilian Pacce. O cardápio, com os sete elementos que traduzem o jeito de ser do champanhe, tem direito até a charuto no final (sim, charuto, dizem os entendidos, harmoniza também com champanhe; eu não sei, não fumo). São eles:

1. Puro
Ice plant e azeite de oliva Hyblon gelado
Salada de rambutan e manga verde
Carpaccio de vieiras

2. Tátil
Robalo, suco de trufas e pêssego

3. Ardente
Berinjela com mel e especiarias

4. Carnal
Tagine marroquino

5. Fusões
Caviar, óleo de argan e sorvete de açafrão

6. Etéreo
Pudim de cinzas de coco

7. Complexo
Charuto El Rey del Mundo petit corona

Tudo isso pode ser seu por uma noite, entre os dias 15 de setembro a 31 de outubro. Basta desembolsar 800 reais por cabeça. A cerimônia é limitada a 6 pessoas por noite, mediante reserva. Alguém se habilita?

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008 Espumantes, Velho Mundo | 23:49

Caro, muito caro, mas exclusivo

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Após um década de sigilo, a Maison Krug – uma das mais emblemáticas casas da região de Champagne – desarolhou a mais cara champanhe já lançada no mercado. Trata-se da 1995 Krug Clos d’Ambonnay. Foram produzidas somente 3.000 garrafas desta série, que devem custar entre 3.000 e 7.000 dólares.
A 1995 Krug Clos d’Ambonnay tem origem pra lá de delimitada. Somente meio hectare de um único e  exclusivo vinhedo da vila que dá o nome ao vinho, Ambonnay, onde foram cuidadosamente cultivados os cachos de pinot noir, a única uva que entra na composição desta jóia engarrafada.
Não, não tive o privilégio de provar. Já uma repórter da revista Time, Lydia Itoi, sim – os jornalistas sempre arrumam um boquinha. Lydia, apesar do preço, achou que cada gole vale cada centavo cobrado. Seu relato:
“A colheita do vinho se deu em 1995 e a primeira fermentação foi realizada lentamente em pequenas barricas de carvalho, no lugar dos tradicionais tanques de aço inoxidável. Isso deu uma tremenda intensidade, caráter e notas tostadas de brioche, além de mostrar uma fruta muito fresca e jovem. É simplesmente surpreendente.”
Alguém se habilita?

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