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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 Brancos, Tintos | 11:00

Liquidações de vinho: é hora de comprar

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Quem resiste a uma promoção? Janeiro é o mês em que as importadoras começam suas liquidações, que geralmente se estendem até fevereiro. Todo ano é assim. Algumas remarcações anunciadas atiçam o saca-rolha virtual que todo enófilo esconde em seu bolso. Afinal de contas, trata-se de uma troca comercial: a vontade de comprar – por um precinho melhor – versus a urgência de o lojista se desfazer dos estoques, por uma margem menor.

As queimas de catálogo das lojas de prateleira ou virtuais têm uma particularidade que diferencia daquelas liquidações de início do ano dos grandes magazines: aquela TV de 50 polegadas com a tecnologia mais avançada que está com o preço reduzido em janeiro é a mesma que era vendida antes do Natal,  já os vinhos em liquidação geralmente são de safras mais antigas ou são rótulos que a importação foi descontinuada.

Por isso mesmo, antes de ir às compras,  vale a pena observar algumas regras para evitar futuras, e literais, ressacas.

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento. Consequência: o vinho provavelmente estará em processo de oxidação.

2. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada, outro indicativo de problemas na qualidade da bebida.

3.
Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos das safras mais antigas – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema. Se a safra do tinto for mais antiga – e principalmente se for um vinho de guarda – é sinal de evolução. Aí depende de seu apreço por vinhos envelhecidos.

4.
Fique atento às safras. Tintos mais básicos, e principalmente os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos (há sempre muita desova de rosés nestas promoções…)

5. Não compre por impulso (este conselho devo repetir a mim mesmo). Como a maior parte das ofertas são de safras mais antigas, pergunte ao lojista se se trata de um vinho com potencial de guarda (geralmente mais caros), se não for, planeje a compra para consumo rápido, principalmente os brancos.

6. Encontrou um preço de um vinho que é uma barbada, e que pode resolver sua vida no dia-a-dia e vale investir numa caixa? Experimente antes. Se a loja não tiver uma amostra, compre uma garrafa, prove em casa e decida sobre a compra de um maior volume de rótulos com segurança, ou você pode ter 12 garrafas de vinagre muito caro para temperar a salada por todo o ano. Eu fiz isso este ano e me preveni de um desastre.

O melhor das ofertas, uma seleção pessoal

Os rótulos abaixo estão organizados por importadora, seguindo um critério pessoal de escolha e baseado nas premissas acima. No final de cada bloco, um link leva para a lista completa de vinhos, quando disponível na internet, com todas as informações e preços. A maior parte das lojas está concentrada em São Paulo, mas as lojas virtuais de seus sites permitem a compra em todo o Brasil.

A World Wine incorporou ao seu catálogo os rótulos da Enoteca Fasano no final de 2011. A importadora sempre capricha em suas ofertas, que batiza de “Bota-fora”, tanto em variedade como em quantidade (são mais de 400 rótulos com descontos). Há de tudo: espumantes, tintos, brancos e fortificados. Nas lojas, além das ofertas anunciadas, são oferecidas outras garrafas de ponta de estoque e preços reduzidos. O “bota-fora” vai até dia 4 de fevereiro. Estas aqui podem agradar:

Champagne Delamotte Blanc de Blancs Brut, Delamotte, Champagne, França (de R$ 250,00 por R$ 149,90; desconto de 41%) – blanc de blancs são os champanhes produzidos apenas com a uva branca chardonnay de grande presença na boca e com um estilo mais austero. Indicado para os amantes das borbulhas mais nobres e refinadas e que exigem qualidade.

Prosecco di Valdobbiadene Brut, Minoetto, Itália (de R$ 70,00 por R$ 39,90, desconto de 43%) – um prosecco típico da excelente região de Valdobbiadene. Bem elaborado, com boa acidez, frescor. Preço de espumante nacional.

Maycas del Limarí, Sauvignon Blanc 2007, Sauvignon Blanc, Maycas del Limarí, Chile (de R$ 59,90 por R$ 39,90, desconto de 33%) – a linha Maycas de Limarí busca a fineza nos aromas e sabores que puxam sempre para aquela sensação mineral mais delicada, de frescor, mas com forte personalidade. Na boca, apesar da idade, ainda tem aquelas notas de maracujá, cítricos, muito frescor, mas recomenda-se beber ainda neste verão.

Maycas del Limarí Reserva Syrah 2007, Syrah, Maycas del Limarí, Chile (de R$ 59,90 por R$ 39,90, desconto de 33%) – da mesma vinícola da sugestão acima, agora um tinto 100% syrah, uma uva que vem desempenhando bem no Chile. Envelhecido por doze meses em barricas francesas, é elegante, tem boa fruta e boa estrutura.

Bourgogne Pinot Noir 2007, Pinot Noir, Domaine Olivier Guyot, França (de R$ 140,00 por R$ 79,90, desconto de 42%) – a pinot noir tem seus seguidores xiitas que não consideram outra hipótese do que aquelas garrafas elaboradas na região da Borgonha. Sempre de cor mais clara, aromas frutados e sabor delicado, é um vinho elegante por definição. Este exemplar do Guyot tem todos os predicados de um Borgonha típico e pessoalmente me remete a um dos primeiros rótulos de classe que provei.

Sedara IGT 2007, Nero d’Avola, Donnafugata, Itália (de R$ 69,00 por R$ 39,90, desconto de 42%) – a nativa Nero d’Avola é típica da ilha de Sicília, na Itália. É uma das uvas que compõe do popular tinto Corvo, mas aqui ela expressa uma fruta mais intensa, uma boca mais gostosa e um corpo médio. Vale experimentar.

Dorna Velha DOC 2007, Tinta Barroca, Touriga Francesa, Touriga Nacional, Quinta do Sival, Portugal (de R$ 59,00 por R$ 34,80, desconto de 40%) – um exemplo de um vinho de entrada e fácil do Douro, com três das uvas mais típicas da região, com toques de frutas, florais e bem redondinho na boca. Provavelmente por descontinuação de importação, toda linha Dorna Velha está em oferta, desde este mais simples até o reserva, por R$ 179,00

1865 Malbec 2008, Malbec, Viña San Pedro, Chile (de R$69,00 por R$ 49,90, desconto de 27%) – a gigante vinícola San Pedro tem rótulos de todas as categorias, a linha 1865 prima pela qualidade com preço razoável, melhor quando reduzido. Uma boa oportunidade de provar um malbec fora da Argentina, envelhecido 12 meses em barrica francesa e com aquele toque meio doce e de fruta madura que tanto agrada nesta uva aos consumidores brasileiros.

Le “C” de Camplong 2004, Mouvedre, Carignan, Syrah e Grenache, Camplong, França (de R$ 240,00 por R$ 99,90, desconto de 58%) – uma das oportunidades que as liquidações oferece ao amante dos vinhos é arriscar exemplares de regiões menos conhecidas e de qualidade por um preço mais acessível. Esta foi uma recomendação do meu amigo Manoel Beato, o “sommelier jedi” do grupo Fasano, responsável por trazer o rótulo para o Brasil. Da região de Languedoc-Roussilon/Corbières tem potencial de envelhecimento, portanto a safra 2004 deve estar com boa evolução. O mesmo rótulo, safra 2005, sai por R$ 129,90.

Lista completa: conheça todos os vinhos em promoção na World Wine

Na importadora e loja Zahil a promoção vai até dia 29 de fevereiro. São 22 rótulos que não farão mais parte do catálogo da empresa e que por isso ganham descontos entre 25% até 50%. Só podem ser adquiridos na loja em São Paulo. Estes aqui me parecem uma boa alternativa:

Riesling Clos Mathis 2003, Riseling, Ostertag, Alsácia, França (de R$ 243,00 por R$ 145,00 desconto de 40%) –  A riesling é a uva-estandarte da Alsácia, aquele pedaço da França que fala alemão, e resulta em brancos com um perfume típico, minerais, com um toque que lembra petróleo que é uma delícia. Este Ostertag é um representante dos biodinâmicos – a turma odara dos vinhedos que não interfere no ciclo natural das vinhas e que produz vinhos de pureza sem igual.

Rutini Syrah 2006, Syrah, Rutini Wines, Argentina (de R$ 108,00 por R$ 70,20, desconto de 35%) – 100% syrah. A Rutini é uma vinícola importante argentina, com deliciosos caldos, sempre precisos. Este syrah é bem cotado no Guia Descorchados, uma referência dos vinhos chilenos e argentinos.

Winemaker’s Selection Branco 2008, Chardonnay e Sauvignon Blanc, Bodegas Salentein,  Argentina (de R$ 51,00 por R$ 39,90, desconto de 20%) – blend simpático das duas uvas brancas mais conhecidas dos consumidores onde o sauvignon equilibra com a acidez e o chardonnay dá um toque untuoso e corpo.

Expand, com lojas espalhadas em todo o país, também tem tradição em descontos em janeiro.  Este ano são 60 rótulos de vários países com descontos de 20 a 70%, grande parte de rótulos em estoque que não são mais importados pela empresa. Vale conferir os rótulos abaixo:

Zind Humbrecht 2006, Chardonnay, Auxerrois, Pinot Bianco, Zind Humbrecht, França (de R$ 148,80 por R$ 103,00, desconto de 30%) – outro representante tradicional dos elegantes brancos da Alsácia. Aqui um blend de brancas sm a presença da riesling. Um branco sério, de acidez cortante, que precisa ser consumido logo, e costuma ter grande persistência.

Quinta do Vallado Port Tawny 10 anos, Quinta do Vallado, Portugal (de R$ 188,00 por R$ 150,40, desconto de 20%) – a Quinta do Vallado atualmente é importado no Brasil pela Cantu, mas este tawny faz parte do estoque da Expand. Tawny – que tem este nome devido à cor aloirada – é um vinho fortificado de belo ataque de nariz e boca, frutas secas, um caramelo envolvente. Pra ficar namorando no buquê. Pode iniciar ou terminar uma refeição.

Palo Alto Reserva Cabernet Sauvignon 2009, Cabernet Sauvignon, Palo Alto, Chile (de R$ 34,80 por R$ 24,36, desconto de 28%) – vinho de entrada, na uva que melhor se adapta em solos chilenos. Aqui vale aquele conselho. Experimente uma garrafa, se resolver a pizza do domingo, faça um estoque para o semestre.

Lista completa: conheça os vinhos em promoção na Expand

A loja da importadora Grand Cru promove até o dia 31 de janeiro o que eles apelidaram de Grand Solde. As compras podem ser feitas pela web também.

Doña Paula Olives Road Syrah Viognier 2006, Syrah e Viognier, Doña Paula, Argentina (de R$ 110,00 por R$ 66,00, desconto de 40%) – a syrah, cheia de especiarias, é dominante neste corte comum na região do Rhone, na França e repetido em terreno argentino. A branca viognier comparece com apenas 3% e aromas florais. A Doña Paula é um vinícola confiável e de bons produtos, outro garantia de uma boa compra.

Enate Crianza 2005, Tempranillo e Cabernet Sauvignon, Enate, Espanha (de R$ 77,00 por R$ 57,75, desconto de 25%) – um blend de uvas potentes e com sabores de frutas mais maduras. Um espanhol fácil de beber e de gostar.

Glen Carlou 2008, Chardonnay, África do Sul (de R$ 82,00 por R$ 49,20, desconto de 40%) – uma competente vinícola para conhecer a produção da África do Sul. Passa 10 meses envelhecendo em carvalho, que confere amplitude na boca e exala aromas de abacaxi mais doce. Deve estar pronto para beber.

Lista completa: conheça os vinhos em promoção na Grand Cru

No site da importadora com maior presença nas cartas dos restaurantes de São Paulo e com um catálogo parrudo, a Mistral, os vinhos portugueses e espanhóis estão como dólar congelado a R$ 1,59 até dia 22 de janeiro (ou enquanto durarem os estoques). Explica-se: os preços praticados pela Mistral são em dólar, que é convertido pelo câmbio do dia. O Altano Biológico 2008, da região do Douro, em Portugal está saindo por R$ 57,24 e é um belo exemplo da tipicidade da região; o Artadi Tempranillo 2008, é o Rioja opulento, que enche a boca, um vinho de macho.

Saideira

Vale insistir que além de seguir os conselhos iniciais deste texto, o consumidor que opta por abastecer a adega neste período (eu me incluo nesta lista) deve ter consciência de que eventualmente, no meio de suas escolhas, um vinho não se encontra no seu apogeu, pode até estar em decadência, por questões de idade, armazenamento ou mesmo estilo. É o risco que se corre, mas é também uma das belezas de um produto que está em constante transformação. O vinho, afinal, é mutante. E nem todas as mutações são boas, não é mesmo? Boas compras!

Autor: beto gerosa Tags: , ,

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 Brancos, Tintos | 11:41

Infográfico: como são feitos os vinhos brancos e os vinhos tintos

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 como são feitos os vinhos brancos e tintos

Engarrafamento: a última etapa da produção do vinho. Clique na imagem para ver o infográfico.

O primeiro vinho produzido provavelmente foi um acaso da natureza. Um cacho de uvas esmagadas largado ao relento sofreu o ataque de leveduras naturais e ocorreu a fermentação alcoólica – isto é, a transformação do açúcar da fruta em álcool. A grosso modo, aquele suco virou vinho. A espécie que deparou com a bebida, e teve a curiosidade e a coragem de provar aquele líquido, deve ter sentido uma euforia desconhecida, e talvez experimentado o primeiro porre da humanidade – ou do projeto de humanidade que se formava.

A partir de algum momento na antiguidade a vinificação foi estabelecendo seu processo.  A forma como o vinho é produzido não mudou quase nada de lá para cá. As uvas eram colhidas, esmagadas e colocadas em recipientes de barro em buracos cavados na terra; ali as uvas sofriam o processo de fermentação alcoólica e os jarros eram lacrados com barro. Meses mais tarde, as tampas eram rompidas, as cascas eliminadas e o suco que sobrava era jogado em outro vaso limpo, que repousava em um lugar fresco, protegido do calor e novamente lacrado pela terra. Quando a tampa era retirada, o aroma forte da uva e  álcool, ou seja do vinho, indicava que a bebida estava pronta. A humanidade então já sabia os efeitos do vinho e gostava deles.

Se o princípio é o mesmo há séculos, o método foi se aperfeiçoando e a vida em uma adega hoje em dia  é resultado da evolução tecnológica e de pesquisas laboratoriais. O objetivo é produzir vinhos cada vez mais livres de  defeitos, harmônicos, sedutores e que encontrem seu consumidor em perfeito estado.

A uva é quem manda, mas a adega ajuda. Saiba como são feitos os vinhos tintos e os vinhos brancos.

Toda vez que um produtor ou enólogo estrangeiro visita o Brasil para expor seus rótulos à apreciação dos homens que cospem vinho (os degustadores profissionais e especialistas) eles repetem sempre um mesmo mantra: “Um vinho de qualidade se faz no vinhedo. É até possível produzir um vinho ruim com uma boa uva, mas com uva ruim é impossível fazer um bom vinho”. Ok, já sabemos,  mas uma adega bem equipada, com tecnologia adequada ajuda bastante. Se não, por que tanto investimento em equipamentos, tecnologias e pesquisas?

Bom, sem querer tirar o romantismo da bebida, que é ao mesmo tempo um produto da natureza e uma intervenção do homem, este Blog do Vinho apresenta um infográfico que mostra todas as etapas por que passam as pérolas agrícolas tintas e brancas, desde o momento que chegam à adega até se transformar em vinho engarrafado, arrolhado e com um  rótulo bacana. Clique aqui para saber como são feitos o seu cabernet sauvignon ou o seu chardonnay.

Notas relacionadas:

  1. Brancos, bons e nem sempre baratos
  2. Vinho e bacalhau: um casamento que dá certo
  3. Vinhos suíços. Eles existem. E são bons
Autor: Beto Gerosa Tags: , , ,

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 Blog do vinho, Brancos, Tintos | 07:53

10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

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20.000 rótulos

O vinho, assim como a crase, não foi criado para humilhar ninguém. Mas muita gente sofre um pouco na hora de escolher qual garrafa vai levar para casa. “Eu não entendo de vinho” é frase mais comum de se ouvir. Como se fosse preciso algum conhecimento prévio para agradar o próprio paladar. O medo do consumidor diante da prateleira, ou da carta de vinho de um restaurante, lembra o temor do goleiro durante o pênalti.

Compreensível. São mais de 20.000 rótulos espalhados pelos pontos de venda e cartas às vezes extensas ou mal elaboradas. Ou seja, o sujeito tem pavor de levar uma bola entre as pernas.E jogar dinheiro fora. Para evitar este desconforto, um conjunto de dez dicas vai ajudá-lo na hora de escolher e comprar sua garrafa.

5 dicas para se dar bem

1. No restaurante. Confie no sommelier: ele é seu aliado. Em geral ele elaborou a carta e/ou tem conhecimento sobre a melhor combinação com a comida da casa. Seja claro sobre quanto quer gastar (lembre-se que os preços ali são mais altos mesmo) e o tipo de vinho que mais lhe agrada. Não se acanhe de pedir o rótulo mais barato da lista, muitos consumidores, evitando demonstrar falta de afinidade com o tema, acabam optando pelo segundo vinho da lista, que nem sempre entrega mais qualidade, mas obviamente será mais caro.

2. Nas lojas. Prefira as casas especializadas ou importadoras. As chances de o vinho ser melhor tratado ali é maior – eles vivem disso. Os catálogos das importadoras são uma ótima fonte de pesquisa sobre a origem e as características do produto. Alguns são tão bons e completos que valem como leitura. Claro que no texto todos os vinhos são excepcionais; alivie os elogios exagerados e fique na essência da informação Esteja aberto a sugestões dos vendedores das lojas, e crie uma relação de confiança com estes profissionais que entendem do riscado e podem ajudar muito na escolha. No geral eles preferem conquistar um consumidor com sugestões viáveis ao bolso do que empurrar um tinto ou branco encalhado no fundo da loja e perder a confiança de um potencial cliente.

3. Na internet. O comércio eletrônico já é realidade. Faz tempo. Transforme a tecnologia em uma aliada. Toda loja importante tem sua divisão de e-commerce. Praticamente todo rótulo tem uma resenha escrita na web. É uma espécie de catálogo digital, onde se pode pesquisar pelo produto, região, uva, safra e até pontuação da crítica, para quem acha isso um fator importante na hora da compra. Nem sempre é. A relação pontuação/preço daquele senhor com sobrenome de caneta (Robert Parker) em geral favorece mais o preço do que o consumidor. Mas não deixa de ser outro fator de decisão. Há ainda muitas opções de ferramentas para acessar pelo celular. Falta de informação, portanto, hoje em dia não é desculpa. É preguiça.

4. Ajuda dos amigos. A propaganda boca a boca é uma forma desinteressada de trocar experiências. Os amigos podem dar boas dicas, seja na mesa do restaurante, no escritório e principalmente nas redes sociais – para onde a conversa fiada foi transferida. A discussão rola solta nos fóruns, twitters e facebooks da vida. Curtiu um vinho? Fotografe o maldito rótulo – se não você vai esquecer – arquive a imagem e compartilhe com os colegas. Fica mais fácil repetir um pedido, provar uma recomendação, além de ser divertido.

5. Aposte na certeza. Se você está no começo desta jornada, não se arrisque: na dúvida, escolha um vinho pelas uvas mais conhecidas de cada país ou região. Malbec na Argentina, cabernet sauvignon no Chile, sangiovese na Itália, um corte bordalês (cabernet franc, cabernet sauvignon e merlot) na França, tempranillo na Espanha, touriga nacional em Portugal, riesling na Alemanha, sauvigon blanc na Nova Zelândia e espumantes no Brasil (se quiser um tinto, arrisque um merlot). Com tempo você deve se aventurar, apostar na variedade e mudar seu padrão de escolha, arriscando um torrontés argentino, um shiraz chileno, um pinot noir francês, um antão vaz lusitano, um mencia espanhol, um nebiolo italiano, os vinhos de corte (mistura de várias uvas) e por aí vai. As escolhas são infinitas (Clique aqui e conheça as uvas tintas e brancas).

5 cuidados na hora da compra

Alguns cuidados evitam levar gato por lebre. Xixi de gato, afinal, só é do jogo no aroma de algum sauvignon blanc mais bacana da França (alguém aí torceu o nariz? Saiba mais sobre os aromas do vinho clicando aqui). Siga então estas regras para se dar bem:

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento.

2. Se puder, escolha as garrafas que estejam deitadas, nelas o líquido está em contato com a rolha.

3. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada.

4. Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema.

5. Fique atento às safras. Tintos mais básicos, assim como os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos.

Autor: Beto Gerosa Tags: , ,

terça-feira, 28 de abril de 2009 Brancos, Tintos, Velho Mundo | 18:58

Dominique Laurent: o doceiro que virou vinho

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Para vender, Borgonha com gougères
Para comprar, Borgonha com pão
(ditado dos négociants da região)

Provar um vinho bem elaborado da Borgonha é um experiência única. O que é melhor, então, do que um bom Borgonha na taça? É um bom Borgonha acompanhado de receitas típicas desta região situada no leste da França. Dá para melhorar este cenário? Sim, se você puder contar com a presença do négociant que elaborou o vinho à mesa e desfrutar das histórias sobre seus tintos.

Foi esta a experiência que transformou minha segunda-feira em um sábado de aleluia. Dominique Laurent é o négociant. O chef responsável pela harmonização atende pelo nome de Emmanuel Bassoleil e os vinhos gravados com o nome de Dominique Laurent na etiqueta são: Bourgogne Cuvée “Numero 1”, Chambolle-Musigny Vieilles Vignes 2005 e, para grand finale, Gevrey-Chambertin Vieilles Vignes 2003, em garrafa magnum, de 1,5 litro, por que o moço não atravessou um oceano para brincar!

Négociant não é atravessador

Um vinhedo da Borgonha é uma colcha de retalhos com inúmeros pequenos produtores: gente simples que por inúmeras razões históricas herdou um pedaço de terra abençoada, de solo calcário, e vende seus cachos de uva para cidadãos que tratam de vinificar, afinar os vinhos, criar uma identidade e por fim vender pelos olhos da cara. São os tais négociants.

Tem gente que pode ter a ideia errada de que o négociant é uma espécie de vampiro dos vinhedos que explora os humildes agricultores e só coloca a etiqueta e fica com a parte do leão. Na verdade este é um sistema tão antigo quanto a Borgonha, criado para resolver o problema de produção e comercialização do vinho em uma região de terrenos tão pulverizados. O négociant não é um atravessador, e sim um facilitador, mas obviamente, como em qualquer cadeia produtiva leva uma grana maior do que quem planta a uva.

Como tudo na vida, porém, há os négociants preocupados em produzir grandes volumes e acabam engarrafando um “pinóquio noir”, um vinho mentiroso, que não traduz o potencial da uva desta região. Outros, ao contrário, resgatam a qualidade desta uva refinada, e até um pouco pedante, com excelentes caldos, de variados níveis. Há mais do primeiro grupo do que do segundo, por isso é sempre necessário conhecer o produtor. Difícil, não é? Por isso, sempre que topar com um Borgonha que seja do agrado e caiba no orçamento é bom anotar o nome diretinho ou fotografar o rótulo pelo celular.

Dominique Laurent está na linha dos pequenas empresas, grandes negócios & ótimos vinhos. Também representa a simplicidade da região, antípoda em todos os sentidos da nobreza de Bordeuax. Mas é o simples que engana, pois não existe um Borgonha que valha a pena que seja barato. Ele iniciou sua carreira como chef pâtissier – se fosse no interior de Minas, seria chamado de doceiro mesmo -  e em 1987 decidiu fazer o que mais gostava, e se transformou em négociant na subregião de Nuit-Saint-Georges (Cote d’Or, Borgonha), onde selou uma rede de  relacionamentos com os pequenos produtores que lhe garantem a uva para seus quase 60 cuvées anuais. Todas de produção limitada.

E o que os vinhos de Dominique Laurent têm de tão especial?

Vieille Vignes
– vieille vigne aqui não é só uma força de expressão, mas se traduz no tempo em que as raízes do vinhedo estão agarradas ao solo (pardon, terroir). Vinhas antigas são sinônimo de qualidade e de intensidade, na fruta e nos  aromas. O Chambole-Musigny Vieilles Vignes 2005, por exemplo, é resultado da frutas de parreiras de 1902, 1920, 1930 e por aí vai; o Gevrey-Chambertin Vieilles Vignes 2003 tem plantas de 1910.

Barricas mágicas – é reconhecido o trabalho de Laurent com as barricas, que o marketing transformou em “mágicas”, mas que o próprio négociant simplificou como “nostálgicas”. “Trata-se de um trabalho de recuperar o que era feito no passado, dava certo, e foi esquecido”, resume ele, ao explicar o uso de madeiras com 300 e 400 anos de idade, que levam de 5 a 7 anos para secar. O mosto (o suco de uva) fica em contato com as borras por vários meses, “sem marcar o vinho com a madeira”, como gosta de enfatizar. Cada barril sai por 900 euros, contra 500 a 600 das barricas tradicionais.

Assemblage
– parece estupidez falar de assemblage (mistura de uvas) em um vinho varietal (de uma só variedade de uva). Não custa lembrar aos incautos, Borgonha tinto é da uva pinot noir e c’est fini. Mas é isso que Laurent faz, desde seu vinho mais básico. Ele seleciona uvas de diferentes perfis e parcelas de terreno para compor uma palheta de sabores mais rico para seus vinhos. “Assemblage é um vinho mais de alta-costura onde várias parcelas compõem o perfil de um vinho”, explica.

Outra ousadia do négociant é “rebaixar” seus vinhedos. Explica-se: na cadeia alimentar das regiões e subregiões da Borgonha (um prêmio para quem souber o nome de todas de cor, sua localização no mapa e importância) os terrenos ainda sofrem a divisão de quatro grandes apelações (AOC). São elas: regional (23 apelações, responsáveis por 65% da produção total); comunal ou village (44 AOC, 36%); premier cru (635 climats classé, 10%); grand cru (33 AOC, somente 2% da produção, o crème-de-la-crème). Pois Dominique Laurent, a fim de aportar mais qualidade aos seus pinot noir de classificações inferiores, comete e heresia de usar uvas de premier cru em garrafas que não ostentam esta classificação no rótulo.

Os vinhos

Bourgogne Cuvée Numero 1
2005 (R$ 144,00) – não, não tem número 2, 3 etc. O número 1 aqui é sinônimo de melhor couvée (colheita). Seguindo o preceito de assemblage, trata-se de uma seleção das melhores parcelas criando um Borgonha mais simples – que lá fora tem preço de vinho mais simples mas aqui é preço de gente grande mesmo -, mas já com alguma complexidade e que vai melhorando bastante descansando na taça. Curioso que Laurent prefere bebê-lo mais frio, quase gelado. Perguntei a razão, e ele respondeu: “Por que é assim que se bebe”. Definitivamente, sem frescuras o sujeito.

Chambolle-Musigny 2005 (R$ 368,00) – trata-se da seleção de uvas de diversos terroir. Aqui Laurent “rebaixa” seus premiers crus para aumentar a qualidade dos vinhos. Permanece por 20 meses na barrica e sua palheta aromática inicia com flores, cedro e revela um forte café no fundo da taça. Bastante complexo e intenso. Um vinho respeitável.

Gevrey-Chambertin Vieilles Vignes 2003 (R$ 1.153,00 a magun, R$ 464,00 a garrafa de 750 ml). Année Exceptionnelle. É assim que Dominique Laurent define o vinho em seu rótulo. Aqui vai a mão de mestre do négociant. 2003 foi o ano da canícula que matou os velhinhos na França e rendeu vinhos medíocres na Borgonha, pois as uvas foram colhidas em agosto, antes do tempo, prejudicando a acidez da safra. Dominique Laurent pagou para ver e colheu as uvas somente em setembro. Ok, teve a sorte de ser agraciado por uma mudança no tempo que refrescou a temperatura e permitiu colher uvas de imensa extração de cor, aromas e taninos. Mas foi ousado. Ou seja, ele é uma exceção à regra. A garrafa comprovou sua tese.

Para quem está costumado a um Borgonha de cor mais pálida, este aqui é mais musculoso, como são em geral os Gevrey-Chambertin. Apresenta cor intensa, aromas que lembram um porto, um toque de especiarias e é muito  longo. A boca aveludada
tem sabor de frutas (cerejas mais doces), sempre com uma potência mais fina, se é que dá para definir algo desta maneira. Um Borgonha de macho com diploma. Detalhe, Laurent produziu uma edição especial em garrafas de 1,5 litro, magum, só vendida aqui no Brasil e na França.

Para comprar e vender

Bom, Borgonha não é para amadores, mas para amantes. E endinheirados. Mas tudo bem, cabe aqui neste blog uma extravagância de quando em vez, afinal não se discute uma obra pelo seu preço – é uma conseqüência – mas pela capacidade de atingir o seu público. E Dominique Laurent nem é dos mais caros, apesar de estar um degrau acima na alas dos négociants.

O ditado que inicia este texto é recorrente entre négociants da Borgonha. Gougères são uma espécie de pão de queijo da região e sua textura mascara, como todo queijo, alguns defeitos do vinho. Por isso é o melhor acompanhamento no momento da venda, do ponto de vista do négociant. Quem quer provar – e comprar - um autêntico Borgonha, com seus aromas e sabores multifacetados, deve escolher um pedaço de pão, que não engana o palato, mas mostra a verdade do vinho. Os rótulos de Dominique Laurent foram servidos com gougères e fatias de pão.

Saiba mais sobre a Borgonha

Site oficial (em inglês)
(em francês)

Onde comprar:
World Wine

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Autor: beto gerosa Tags: , , ,

quarta-feira, 8 de abril de 2009 Brancos, Harmonização, Porto, Tintos, Velho Mundo | 23:45

Vinho e bacalhau: um casamento que dá certo

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Para ninguém me acusar de ficar indiferente ao dilema do almoço da sexta-feira Santa ou da Páscoa, aqui vão, de última hora, os meu pitacos para a melhor combinação de vinho com o bacalhau.
Para início de conversa, não existe unanimidade: os portugueses, os artesãos do bacalhau, preferem os tintos. Eu, que só fui apreciar a iguaria há poucos anos e ainda acho a melhor receita a preparada pela minha mulher, prefiro os brancos encorpados, de preferência das uvas chardonnay, arinto ou antão vaz. Mas cai bem também um chardonnay mais untuoso do Chile, da Argentina e mesmo do Brasil

Para satisfazer portugas e brazucas uma lista reduzida de brancos e tintos para acompanhar o baca da Páscoa. Mas só os vinhos da terrinha, até por respeito à sua culinária

Os brancos
Como já disse, minha preferência, de todos os preços.
Esporão Reserva Branco 2007 – Qualimpor

Redoma branco 2007 (Niepoort) – Mistral

Borba Antão Vaz e Arinto Branco 2005 – Adega Alentejana

Paulo Laureano Premium Branco 2006 – Adega Alentejana

Filipa Pato Ensaios Branco – Casa Flora

Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2007 – Mistral
(Filipa e Luiz, pai e filha, os dois com brancos bacanas)

Tintos
Mas se você insiste nos tintos para a ocasião, vá de rubros da Bairrada, como os da linha do Luis Pato, elaborados com a uva baga. Duas escolhas:
Luis Pato Baga 2005 – Mistral

Vinhas Velhas tinto 2005 – Mistral

Ou então a coleção de rótulos do Alentejo do enólogo Paulo Laureano:

Casa de Sabicos Reserva Tinto 2005 – Adega Alentejana

Villa Romannu Tinto 2005 – Interfood

Paulo Laureano Clássico Tinto 2006 – Adega Lentejana

E o chocolate?
Quanto ao chocolate, o ovo de Páscoa e outras surpresas do coelhinho, vamos combinar que:

1. ovo de Páscoa e chocolate é coisa de criança, e não convém criança beber vinho;

2. não precisa combinar vinho com tudo. Abre seu celofane, pegue o bombom mais desejado, ou arrebente a casca do ovo, e deixe derreter na boca, à capela, e curta este momento calórico sem culpas;

3. se mesmo assim você quer fazer o tal casamento, vai de Porto Ruby ou Tawny, os mais simples na cadeia alimentar dos fortificados do Douro. Se você tiver muita grana um Tokay Aszu 6 Puttonyos manda muito bem. Mas aí, minha gente, o Tokay sozinho já é a festa completa.

Boa Páscoa a todos.

Notas relacionadas:

  1. Brancos, bons e nem sempre baratos
  2. Pêra-Manca: o vinho que descobriu o Brasil
  3. Tannat: o tinto uruguaio que combina com churrasco
Autor: beto gerosa Tags: , , , ,

terça-feira, 7 de abril de 2009 Brancos, Doce, Novo Mundo | 11:04

Icewine: o vinho que veio do frio

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Escolha uma das opções. Você já:
a) tomou vinho do Canadá?
b) provou um branco elaborado com a uva vidal?
c) experimentou um icewine?

Se respondeu não a todas as alternativas anteriores não há nada de errado com você, nem com seu conhecimento de vinhas e rótulos. O mundo do vinho é que é variado mesmo, e por isso mesmo é impossível conhecer de tudo. A diversão é esta, quando você tem a oportunidade de conhecer algo novo. Percebeu? Essa é a riqueza desta bebida. Eu, por exemplo, até sábado passado jamais havia provado um vinho da uva vidal.

O icewine é um vinho produzido em países de clima realmente frios, como Alemanha, onde recebe o nome de Eiswein, Áustria e aqui nas bandas do novo mundo fez a fama no Canadá. Antes de serem colhidas congeladas, no mês de dezembro, as uvas derretem e congelam novamente umas oito vezes. Cada vez que se congelam, mais sabores se concentram na fruta. O resultado é um branco doce, de baixo teor alcoólico com aqueles aromas etéreos que os bons vinhos de sobremesa exalam e que qualquer nariz mais cético é capaz de perceber. Na boca costuma vir uma sensação de compotas de frutas brancas ou cítricas, muito mel e certa untuosidade.

O Canadá se esmera em produzir bons icewines pelas razões óbvias. O clima é propício. Recentemente um grande amigo visitou o país e nos trouxe uma garrafa de um icewine da Peller Estates. Era um Icewine Vidal da safra 2007, da região de Niagara-On-the-Lake, da VQA (Vintners Quality Alliance ) de Ontário. VQA é um sistema de apelação canadense que garante que as uvas são provenientes da região de Ontário). É um tipo de vinho que deve ser bebido gelado e acompanha os doces no final da refeição, ou até mesmo substitui a sobremesa tal a riqueza de seus aromas e sabores (um doce de laranja de avó do interior, mel no nariz e no paladar, um toque de manteiga), tudo com enorme frescor – não é enjoativo com alguns vinhos doces muito alcoólicos. A fermentação é feita também a baixas temperaturas para manter a concentração da fruta.

O problema foi a garrafa, de 200 ml – o que é normal para vinhos neste estilo. Para quatro taças foi necessária uma divisão parcimoniosa. Ficou gostinho de quero mais, o que é sempre um sinal de a coisa correu bem. Se tiver algum conhecido que venha de uma viagem ao Canadá, pede um para ele. Aqui nos trópicos, um ice wine vale como uma brisa refrescante e doce no final dos trabalhos.

Se não tiver uma amigo vindo do Canadá, há como se virar. A Casa Flora importa um rótulo de icewine. Trata-se do Cave Spring, 100% riesling. Este eu já provei faz um tempo e tinha uma pegada mais de abacaxi em calda e muito pêssego.
O preço: 280 reais, mas a garrafinha é mais generosa, de 375 ml.

Assista aqui o belo filme sobre os vinhedos e a colheita do icewine da Peller Estates, de onde retirei as imagens que ilustram este post.

Notas relacionadas:

  1. Vinho branco: você ainda vai beber um
  2. Brancos, bons e nem sempre baratos
  3. A boa fase de exportação do vinho argentino
Autor: beto gerosa Tags: , ,

quarta-feira, 26 de novembro de 2008 Brancos, Novo Mundo, Velho Mundo | 23:29

Brancos, bons e nem sempre baratos

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Para quem me acompanha aqui, desculpe a demora. Um certo André até resolveu perguntar se o colunista estava vivo. No post anterior (ali embaixo), a idéia era mostrar que as uvas de pele mais clara, quando fermentadas e transformadas em álcool, são capazes de produzir pérolas líquidas. Os leitores deste blog, na sua maioria, concordaram com o autor e até enviaram suas sugestões.

Agora resta cumprir a promessa e sugerir algumas garrafas que merecem ser desarrolhadas – ou desrosqueadas. Explico. Muitos dos vinhos brancos contemporâneos usam tampas de rosca, algo que é perfeitamente normal, seguro e recomendado para bebidas mais frescas, que não têm pretensão de evoluir na garrafa. Acredite, há grandes rótulos com tampas de rosca, isso não deve limitar seu processo de escolha.

Antes das sugestões, uma constatação: a oferta de brancos é infinitamente menor que a de tintos. Entre numa loja de vinhos ou no corredor de bebidas do supermercado e repare: a minoria branca está relegada a um cantinho de menor exposição. Nas cartas dos restaurantes, a lista de brancos costuma ser minimalista, o que empurra o cidadão na escolha de um tinto mesmo. Resultado: pouca variedade resulta em preço nem sempre atraente. O que justifica o “nem sempre” do título. Há brancos de preço bastante acessível, claro, mas é mais fácil achar uma variedade maior de tintos bons e baratos do que dos brancos da mesma categoria de preço.

Para facilitar um pouco a vida, a lista está dividia por tipo de uva, um argumento bastante “novo mundo”, mas de fácil assimilação e organização. Afinal, estamos aonde? Predominam, é claro, os chilenos e argentinos das uvas sauvignon blanc e chardonnay. A relação não tem a pretensão de apontar os melhores brancos do planeta, muito menos disponíveis no mercado. São 30 dicas com um único critério: de já ter passado pela minha taça. Espero que a extensa lista compense a longa espera.

SAUVIGNON BLANC

Viña Errazuriz – Reserva Sauvignon Blanc 2007
Vale de Casablanca, Chile – R$ 47,02
2007 foi uma boa safra na região de Casablanca. O Errazuriz tem uma linha de grande qualidade, este sauvignon blanc é um vinho fresco, com maracujá perceptível até para quem acha que sentir aroma em vinho é uma afetação de enófilo desocupado.

Boekenhoutskloof – Porcupine Ridge Sauvignon Blanc 2006
Franscchhoeck, África do Sul – R$ 42,78
O porco-espinho do rótulo, ainda bem, não solta dardos afiados, mas sim uma lima no nariz que convida um gole, e fecha o ciclo com o cítrico de volta à boca. Muito bem avaliado pela crítica internacional. Um prêmio para quem conseguir soletrar o nome do produtor e da região onde é elaborado depois de derrubar uma garrafa.

William Cole – Alto Vuelo Sauvignon Blanc 2005
Vale de Casablanca, Chile – R$ 49,00
No Vale de Casablanca são produzidos os mais refrescantes e bem-feitos brancos do Chile. A influência das correntes marítimas do Oceano Pacífico e as médias de temperatura mais baixas são ideais para maturação das uvas brancas. É dali que chega este sauvignon blanc que é puro maracujá, de ótima acidez e delicioso de beber. Um dos meus prediletos.

Domaines Barons Rothschild – Los Vascos Sauvignon Blanc 2007
Casablanca, Chile – R$ 55,00
A empresa é controlada por Domaines Barons Rothschild (Lafite) e busca um perfil mais francês em seus rótulos. Há, por exemplo, uma preocupação permanente com o teor alcoólico de seus vinhos. Este aqui tem boa fruta, frescor e persistência média. Um toque cítrico que agrada, cor bem clarinha. Um bom vinho de aperitivo e para pratos mais leves. Anyway, quem não tem Lafite francês, caça com chileno.

Pascal Jolivet – Attitude Sauvignon Blanc 2006
Loire, França – R$ 72,13
A região do Loire é conhecida por produzir ótimos brancos e com preços mais acessíveis (acessível para vinho francês, fique bem entendido). Taí um exemplo para começar explorar este lado menos conhecido da França. Um vinho do velho mundo de estilo mais moderno, 100% sauvignon blanc, intenso e profundo e com um perfume de flores brancas muito atraente.

Sileni Estates – Cellar Selection 2007
Marlbororough, Nova Zelândia – R$ 73,43
Os críticos Hugh Jonson e Jancis Robinson compartilham muitas opiniões sobre o mundo do vinho. Uma delas é a vocação da Nova Zelândia na construção de brancos da uva sauvignon blanc com  caráter e tipicidade. A fruta expressiva, a longa persistência de aromas e o sabor que preenche a boca entregam neste vinho as características que os mestres ingleses identificam na região.

Quartz “Lês Cailloux du Paradis” 2004
Loire, França - R$ 134,00
O hedonista Ed Motta sabe das coisas. Ele me apresentou esta jóia, da linha orgânica – vinhos naturais que dispensam defensivos agrícolas e outros truques tecnológicos. Este pequeno vinhedo do Loire de 13 hectares traz para a garrafa uma bebida de uma mineral idade cortante e, aposto, muito diferente de qualquer sauvignon que você já provou. Muito longo. Como diria o Ed, de chorar

Casa Marin – Cipreses Sauvignon Blanc 2006
San Antonio, Chile – R$ 160,00
Premiadíssimo sauvignon da também elogiadíssima enóloga María Luz Marín. No nariz e na boca é superlativo em frutas tropicais. O final é longo, muito longo. Daqueles vinhos que o prazer aromáticos é tão grande quanto o gustativo. Recebeu a menção como o melhor sauvignon blanc do Chile no guia local Descorchados. Cobra caro pela fama…

CHARDONNAY

Salton – Volpi Chardonnay 2006
Serra Gaúcha, Brasil – R$ 24,00
A série que tem as bandeirinhas de Volpi no rótulo, e dá o nome ao vinho, indica um produto de maior qualidade da gaúcha Salton. É bastante agradável, com alguma tipicidade, fresco e com uma madeira bem integrada. Um ligeiro toque amanteigado no final da boca é percebido. Tomei recentemente, depois de muito tempo sem provar, e me surpreendeu. O preço é um enorme atrativo. A Salton promete retomar a produção de outros brancos da linha Volpi. Recentemente colocou nas gôndolas o sauvignon blanc e pretende relançar o gerwustreminer. Bom que a indústria nacional se volta também para os brancos.

La Roche - Punto Nino
Casablanca, Chile – R$ 44,00
Na Borgonha, La Roche é chamadode o Rei de Chablis. Pois os franceses instalaram-se em Casablanca (olha aí a região de novo) para produzir um chardonnay com o mesmo estilo gaulês, mas com tempero chileno. Se tomados lado a lado, um La Roche francês e outro chileno, as diferenças saltam ao nariz e na boca. O preço salta no bolso: R$ 44,00 X R$ 90,00.  Mas os pilares dos brancos elegantes produzidos em Chablis são preservados: o frescor, a acidez bem dosada, uma certa alegria. O rótulo idêntico reforça esta identidade da marca.

Santa Helena – Selección del Directório Chardonnay
Casablanca, Chile – R$ 44,10
Um chardonnay bem feito da gigante Santa Helena que, preconceitos à parte, têm brancos e tintos de todos os naipes, como este chardonnay de boa estrutura, toques de baunilha e manteiga e envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho.

Rutini – Rutini Chardonay 2006
Mendoza, Argentina – R$ 66,00
Outro chardonnay que passa por madeira – 30% de primeiro ano e 70% de segundo uso -, mas não é dominado por ela. As frutas tropicais estão bem presentes -  tem um abacaxi inconfundível – e a boa acidez se mescla com aquele amanteigado típico da fermentação malolática e da batonagem (explicação irritante: a malolática transforma o ácido málico em lático, a batonagem mantém as leveduras em contato com o suco, ambas acabam desenvolvendo no vinho esta sensação untuosa e amanteigada que a barrica potencializa). Muito técnico? Seguinte, o vinho tem caráter mas não é enjoativo.

Villa Francioni Chardonnay 2006
Bom Retiro, Santa Catarina – R$ 66,00
Este representante verde-amarelo de Santa Catarina tem um espírito mais pugilista, de ataque. É mais indicado para quem gosta de chardonnay opulento, com um tostado que explode no nariz e na boca, um toque de amêndoas, mas com uma acidez adequada. Seu enólogo, Bettú, passa uma mensagem clara. Trata-se de um chardonnay para quem gosta de branco com madeira. Na minha modesta opinião, um dos melhores chardonnay elaborados por aqui.

Albert Bichot Vielles Vignes 2005
Chablis, Borgonha – França – R$ 69,00
Já que se falou aqui de Chablis, um original merece ser degustado. Este é da linha mais básica, 20% do vinho passa por carvalho. Não é exuberante, mas tem uma cremosidade perceptível e ótima acidez e toque cítrico. A somellière Alexandre Corvo, que nos brinda vez ou outra com seus comentários, também já recomendou em seu blog.

Eduardo Chadwick – Arboleda Chardonnay 2005
Vale de Casablanca, Chile – R$ 75,00
Chadwick divide seus vinhedos em 90% de tintos e 9% de brancos. Nem por isso trata mal suas uvas que não são tintas.  O estilo é mais parrudo, amadeirado, com aquela cremosidade um pouco amanteigada na boca, uma característica bem de chardonnay do novo mundo, elaborado por um produtor que prima pela qualidade de seus rótulos.

Maycas del Limari Chardonnay Reserve Especial 2006
Vale del Limari, Chile – R$ 96,00
Marcelo Papa  é um dos craques da enologia chilena, da poderosa e onipresente Concha y Toro. É dele o sempre bom cabernet sauvignon (ops!) Marques da Casa Concha. Aqui a ubervinícola tem um empreendimento com outro nome (Maycas del Limari) e proposta: apostar em vinhos de alta gama e para um público mais conhecedor. A origem é de uma região pouco explorada no Chile, o Vale do Limari. Trata-se de um chardonnay de fato diferente: muito fresco e mineral, aromas de maçã verde presentes. O toque fumê, muito agradável, vem do contato com as borras, já que não passa por madeira.

Catena Zapata – Catena Alta Chardonnay 2005
Mendoza, Argentina –  R$ 103,45
Catena é sempre Catena. O produtor que revolucionou o vinho argentino produz um chardonnay de alta estirpe, mais sério, cremoso, passeia pela boca antes de descer redondo e macio pela garganta. É longo e sedutor e mereceu pontuação acima de 90 pontos do Roberto Parker. Alguém se importa?  Olha, eu juro que nunca é determinante, mas chama a atenção.

Viña Aquitania Sol del Sol  2005
Traiguén, Chile – R$ 147,00
Sempre citado pela crítica como um dos mellhores chardonnay do Chile, trata-se, de fato, de um dos mellhores e mais elegantes chardonnay do Chile. Eu tive o privilégio de provar várias safras (no jargão, dá-se o nome de degustação vertical) deste excepcional vinho e a evolução do bicho é para calar a boca de quem diz que branco não envelhece bem, ainda mais do novo mundo. Mais ainda, a elegância, aquela característica que nasce com o vinhedo – da mesma maneira que nasce com algumas pessoas – faz este Sol brilhar mais forte na taça. Fácil negociar com o bolso alheio, mas vale um investimento maior.

Monteviejo – Lindaflor Chardonnay 2006
Mendoza, Argentina R$ 183,00
Este branco carnudo, encorpado e com fruta explosiva, um abacaxi em calda, cai bem ao gosto do consumidor nacional. O final é bem prolongado, mas não é exatamente pelo lado da elegância, mas da potência. O vinho é parte de projeto Clos de Los Siete, do renomado e controverso Michel Rolland. Precinho assusta um pouco, né não?

Pierre-Andre, Mersault 1Er Cru lês Charmes 2005
Borgonha, França R$ 742,00 (uau!)
Bom, aqui a coisa é de gente grande. O tipo do branco que deve fechar uma refeição, em vez de abri-la. Para ocasiões especialíssimas, aquele jantar apaixonado ou então com o seu amigo rico… enfim. O 1er cru da região de Mersault, localizado a 8 quilômetros de Beaune, é um chardonnay untuoso, encorpado mas extremamente sedoso. Os aromas vão do pêssego às nozes. É pura expressão de seu terroir, de seu solo argiloso. Um mersault com um leitãozinho é o caminho para o paraíso…

CASTAS PORTUGUESAS

Borba Antão Vaz & Arinto 2005
Alentejo, Portugal – R$ 31,00
Também já citei este vinho antes. A mistura dessas duas castas típicas portuguesas resulta num branco de aromas cítricos, boa estrutura e com toques de baunilha. O caldo é fermentado em barricas de carvalho. Há sempre uma boa discussão sobre qual a melhor harmonização com o bacalhau. Eu, por exemplo, prefiro brancos mais estruturados. Em Portugal os tintos têm a preferência. Provei este Borba com um bacalhau grelhado, em meio a tintos muito mais caros e famosos, e este se encaixou melhor no meu radar de harmonização. Quando soube do preço, então, a felicidade foi maior.

Qualimpor – Esporão Reserva
Alentejo, Portugal – R$ 87,50
Este alentejano de corpo e alma é um típico branco de regiões mais quentes. Untuoso, intenso, de pegada mais encorpada, é uma mistura das uvas brancas nativas antão vaz, roupeiro e arinto. Quando penso em bacalhau, é um dos primeiros rótulos que me ocorrem, até por que é fácil de encontrar em lojas. O vinho de cima á mais difícil de encontrar… Foi citado pelo leitor Luiz Garcia como estupendo. Estamos juntos nessa, Garcia! Estágio de seis meses em barricas de carvalho americano. Tem aroma frutado com notas de madeira, ananás, pêssego e baunilha.

FP Ensaios Branco
Beiras, Potugal – R$ 46,20
A genética pode não explicar tudo, mas com certeza deu uma mão aqui. Filipa Pato é filha de Luiz Pato, mas trilha seu caminho com independência e, principalmente, competência. De sua palheta de uvas autóctones (aquelas que são nativas de uma região ou país) Filipa extrai vinhos que são parceiros para a comida. Neste Ensaios 2005, o arinto dá o frescor e o bical é responsável pela cremosidade que envolve a boca.

RIESLING

Cono Sur Bicicleta Riesling 2006
Bio-Bio, Chile – R$ 23,80
Olha a Cono Sur aí de novo, gente! Não há muito como evitar, seus vinhos de base são bem-feitos e o preço é imbatível. Entra sempre na minha lista. A Cono Sur é uma perna do gigante Concha y Toro chileno. Trata-se de um riesling básico, mas já com as características da uva  presentes no nariz e na boca, sempre aquele toque um pouco mineral dizendo “presente”! Na temperatura adequada (de 10 a 12º) vai bem com um peixinho leve.

Selbach-Oster Riesling QbA Troken
2007

Mosel, Alemanha – R$ 79,40
A riesling, como escrevi antes, revela todo seu potencial na Alemanha e na Alsácia (França). As garrafas de gargalo alongado da Selbach-Oster acondicionam brancos de grande acidez, mineralidade à flor da pele e, neste caso aqui, bom preço. Para recuperar a imagem do vinho branco alemão sem gastar muito.

Petaluma Riesling Clare Valley 2005
Clare Valley, Austrália – R$ 118,00
A Austrália também vem fazendo sucesso nos brancos de alta gama. Este aqui tem sabor amplo com as notas minerais típicas dessa cepa notável, concentrado e longo, atraente acidez e longa persistência. É um vinho que equilibra pureza e fruta. Aromas de boa complexidade, em especial o toque de petróleo, querosene, típicos da cepa.

OUTRAS CASTAS

TORRONTÉS
Colomé – Torrontés 2007
Salta, Argentina R$ 38,00
O proprietário da Colomé é um suíço. A torrontés, junto à malbec, é considerada uma casta emblemática da Argentina. A combinação, no entanto, deu certo. As parreiras ficam próximas à Cordilheira dos Andes, neste que é considerado um dos mais altos vinhedos do mundo (entre 2200 e 3015 metros). Assim como a Gewurztraminer (leia abaixo), a torrontés é puro perfume, o caldo denso às vezes tem um perfil até meio doce. Servida na temperatura correta é uma bela maneira de abrir os trabalhos.

GEWURZTRAMINER
Cordilheira de Santanna – Reserva Especial ,Gewurztraminer 2004
Campanha, Brasil – R$ 42,00
Outra dica de leitor, desta vez do Marco Aurélio, que compartilho. A gewurztraminer é uma cepa muito floral, tem aroma de pétalas de rosas mesmo, que não é do agrado de todo mundo. Mas é muito agradável de beber. Esta experiência bem realizada do casal de enólogos Rosana Wagner e Gladistão Omizzolo na região da Campanha rendeu apenas 6.700 garrafas. Uma pode ser sua e aí você avalia se concorda comigo e com o Marco Aurélio.

FURMINT
Oremus – Tokaji Furmint Mandolás 2005
Oremus, Hungria – R$ 79,40
A Hungria não é só vinho branco doce, os famosos tokay. Também produz brancos secos de muito estilo e personalidade. É o caso deste aqui, que uva a uva furmint que é ao mesmo tempo encorpado e cítrico. Vale conhecer, na linha de descobrir novas uvas.

VIOGNIER
Família Zuccardi – Santa Julia Viognier 2006
Mendoza, Argentina – R$ 22,50
Outra alternativa de uva branca mais para o lado da leveza e do frescor, e aquele toque cítrico agradável que merece compartilhar sua taça. A linha Zuccardi sempre tem boas opções em vários níveis de tintos e brancos, este tem a vantagem de um preço mais acessível.

PEVERELLA
Cave Ouvidor – Insólito 2005
Santa Catarina, Brasil (em torno de R$ 100,00, se você achar)
Aqui eu quebro o crit´´erio estabelecido acima e finalizo com um vinho que nunca provei. A produção de apenas 1.000 garrafas torna a procura complicada. Vale pela curiosidade. A uva é a peverella, introduzida no Brasil em 1930. Um vinho na linguagem dos brancos naturais, biodinâmicos do Loire, sem adição de sulfito. O leitor Flavio Henrique Silva recomendou com veemência. Ed Motta, fã das ampolas naturais, também citou várias vezes em sua antiga coluna Boa Vida aqui na VEJA.com. Duas indicações valem mais do que a minha. Reproduzo o texto de Ed Motta: “Quando vi a coloração alaranjada já fiquei empolgado, mas o nariz e boca desse vinho são muito complexos, um elixir de nozes e frutas tropicais, sem dúvida o melhor vinho brasileiro que bebi. É vinho branco que pode ser decantado: durante toda a degustação esse vinho foi ficando cada vez mais importante, notas de mel, ultraincrível.”. Se um dia provar, juro que comento aqui. Mas acho que posso confiar na dica.

PREÇOS: os valores foram coletados em 25/11 em sites de lojas, supermercados, vinícolas e importadoras como Adega Alentejana, Ana Import,  Enoteca Fasano, Expand, Grand Cru, KMM, Mistral, Qualimpor,  Vinci,Vinea Store, World Wine, Zahil.

Notas relacionadas:

  1. Um sonho engarrafado
  2. Três goles de três vinhos de três países…
  3. Bons, baratos e prazerosos
Autor: beto gerosa Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 10 de novembro de 2008 Brancos | 12:00

Vinho branco: você ainda vai beber um

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Você conhece aquela da mulher que morreu de vinho branco?
- Ela estava atravessando a rua, veio um carro vermelho,
ela desviou, mas aí vinho branco…

A revista especializada inglesa Decanter de julho de 2006 dedicou sua capa aos vinhos brancos. Da última vez que havia cometido esta ousadia, três anos antes, as vendas em banca despencaram. Seu editor interino, Guy Woodward, praticamente pediu desculpas aos leitores – e ao departamento de circulação – no editorial, e justificou a insistência em bancar um tema impopular com a seguinte provocação: “Are you a wine racist?”. A revista Adega, publicação nacional sobre vinhos, também já arriscou uma capa com vinhos albinos, nos seus três anos recém-completados, com o seguinte argumento: “Dez motivos para gostar dos brancos”.

“The change we need”, Barack Obama
Ou seja, é de se imaginar que esta nota não faça muito sucesso entre os leitores. O tema aqui, é claro, são os rótulos de uvas brancas, o patinho feio das vendas, a garrafa que a maioria dos consumidores nem dá bola na prateleira. Vamos pular aqui a história do vinho branco alemão da garrafa azul, para explicar o preconceito ao vinho branco entre os brasileiros – já cansou -  e passar direto para o ataque.

“Vinho, pra mim, tem de ser tinto”, é uma das frases que mais ouço. Trata-se de uma injustiça. Os brancos são insubstituíveis com determinadas comidas, são refrescantes no verão e podem ser tão intensos, aromáticos e oníricos quanto os festejados tintos de alta qualidade.

Este blog não tem a pretensão de mudar o gosto de ninguém, muito menos educar quem quer que seja – militância até em vinho, que é um prazer, não dá! A idéia aqui é despertar a curiosidade. Se você realmente é um apreciador de vinho, os brancos merecem fazer parte do seu registro sensorial e gustativo. Os grandes rótulos, aliás, ao contrário do que estabelecem as regras, são servidos ao final da refeição, de tão surpreendentes que são. Em sua última visita ao Brasil, o produtor Aubert de Villaine, do superbadalado Romannée-Conti, reservou para o final da refeição um estupendo Montrachet, um chardonnay da região da Borgonha de beber de joelhos – mesma posição que deve ser mantida na frente do gerente do banco para bancar as despesas da garrafa.

Branco, mas não gelado como a neve

Vinho branco já começa errado no nome – a única bebida branca que eu conheço é leite, e não é o nosso business aqui. A cor, na realidade, vai do palha clarinho aos tons dourados, quase ouro. Branco se contrapõe a tinto, só isso.

O serviço deve ser em temperatura entre 8 a 10 graus. Mas se você gelar demais a bebida corre o risco de perder o leque aromático e as características de suas uvas. O gelado excessivo aplaina as papilas gustativas. O resultado é insípido. Preste atenção, então, para não esquecer a garrafa no baldinho de gelo, muito menos dentro do freezer! O inverso, quente demais, também é um desastre, a acidez ferve na boca e ninguém merece vinho branco quente!

Tempo, tempo tempo
No geral, os melhores brancos secos são os de safras mais recentes. Sim, claro, há as exceções. Mas o acerto é maior seguindo este critério de tempo. Vinhos leves e fresos não envelhecem bem. Cuidado então com as liquidações de início de ano com brancos do dia-a-dia de safras antigas.  Se estiverem na bacia das almas, o potencial de problema é enorme…

Frutas brancas, cítrico e mineral
Aroma é um sinal de qualidade. Nos brancos, eles são de frutas brancas (o que facilita muito), como pêra, maçã verde, abacaxi, pêssego, maracujá e cítricos, como limão e lima. Os aromas minerais – petróleo, pedra de isqueiro e que lembram resina (isso é bom, acredite) – também são característicos de brancos mais evoluídos, principalmente nos riesling. O tempo na barrica e o envelhecimento em garrafa resultam aromas mais complexos, como mel, manteiga, um fumê.

O vinho vem da uva… e da vinícola
Os vinhedos para as uvas brancas costumam ser plantados em zonas mais temperadas e frias, ou com alguma influência de brisas marítimas, e costumam se aproveitar bem de solos calcários – aquelas conchinhas deixadas pelos mares de outrora que parecem brotar dos vinhedos de Chablis, na França. No Chile, por exemplo, os melhores brancos vêm da região mais fria de Casablanca. Em países como Alemanha, Áustria e até no Canadá a coisa chega no limite de as uvas serem colhidas congeladas para a produção dos chamados Ice Wine.

Além das uvas brancas, claro, a grande diferença está no processo de vinificação. Ao contrário dos tintos, a casca e a semente não fazem parte do processo de fermentação – aquele momento mágico que o açúcar vira álcool e a festa começa. Portanto, nada de dizer que seu chardonnay está tânico. Quem dá o tanino, e a cor dos tintos, é a casca da uva, que aqui é desprezada.

A fermentação se dá em tanques de aço inoxidável com controle de temperatura. O controle se justifica pelo seguinte, se a temperatura da fermentação for além dos 18 graus a coisa desanda. Para comparar: nos tintos a fermentação se dá entre os 24 e 30 graus, pois a finalidade é a extração da cor; nos brancos, o objetivo é preservar o frescor. No passado, quando esta tecnologia não era dominada, muitos brancos tinham sabor oxidado. Daí uma certa má fama que perdura. Portanto, vamos evitar simplificações: tecnologia não é ruim para o “mundovino” quando bem utilizada, ao contrário do que apregoam alguns xiitas das cantinas.

Depois do tanque, o vinho pode ou não amadurecer em barricas de carvalho, ou na garrafa, depende do estilo que se pretende atingir.  Os chardonnay mais untuosos, mais pesados, geralmente passam pela barrica.

Brancos secos
Os brancos podem ser divididos em algumas categorias: secos, doces, fortificados e até espumantes, que não deixam de ser brancos. O foco aqui é o branco seco, se não este post fica interminável.

Eles podem ser refrescantes, fáceis e leves, quase uma bebida de verão, aquela para começar os trabalhos (exemplo clássico: a sauvignon blanc) ou cremosos, amanteigados, untuosos e de maior corpo (aqui reina a chardonnay), quem vão melhor junto às refeições. Mas só para chatear e evitar a monotonia, a regra não é engessada: há chardonnays refrescantes e ligeiros e sauvignon blancs profundos e de meditação, ok?

A propósito, pode aparecer uva tinta em vinho branco, e algumas uvas brancas entram na composição de alguns tintos, como no Rhone, por exemplo. Um exemplo clássico de tintas em vinho branco é o champagne, que tem a tinta pinot noir na sua composição. Mas esta é só mais uma das pegadinhas do mundo do vinho. Pra impressionar entre os amigos. Vinho branco, na grande maioria das vezes, vem das uvas de pele branca mesmo. (veja lista das uvas aqui)

Agora, se você perguntar a um crítico ou especialista qual a uva branca do coração, ele não vai titubear no veredicto: a riesling. Esta uva da Alsácia, na França, e da Alemanha, produz um líquido mineral, elegante, intenso, pouco alcoólico, coisa fina mesmo.

Branco, blanco, blanc, white, de onde ele vêm
As grandes vedetes dos vinhos brancos no velho mundo são a França (Borgonha, Chablis, Bordeaux, Alsácia, Loire) e a Alemanha. A Itália, Portugal e Espanha também têm suas regiões e principalmente castas nativas que resultam em produtos especialíssimos. A desconhecida Áustria também se destaca neste cenário (olha o riesling aí, gente!). No novo mundo, a Nova Zelândia brilha com a sauvignon blanc e a Austrália e os Estados Unidos com a chardonnay, Chile e África do Sul também têm o seu valor. O Brasil, artilheiro dos espumantes, esteve sempre na segunda divisão desta categoria, mas alguns rótulos interessantes de novas regiões de Santa Catarina e nas franjas do Uruguai começam a surpreender.  (Conheça todas as regiões no mapa do vinho).

Por fim… ou quem sabe o começo

Fica combinado então o seguinte, da próxima vez que estiver em uma festa, numa reunião ou no restaurante e você estiver à procura de um tinto e o garçom vier com o branco, aceite. Não rejeite. Experimente. Ao contrário da piada infame do começo deste texto, ninguém morre de vinho branco.

Notas de rodapé
1. No próximo post, listarei  alguns bons brancos de diferentes países que experimentei, gostei e dá para comprar.
2. Esta nota foi escrita na companhia de um sauvignon blanc da África do Sul, Porcupine  Ridge 2007.
3. Esclarecimento final importante: este texto foi redigido em casa, e não na redação de VEJA.com!

Autor: beto gerosa Tags:

segunda-feira, 6 de outubro de 2008 Brancos, Tintos | 20:48

Bons, baratos e prazerosos

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Sugerir vinhos caros é fácil e, em certo sentido, inútil. Quem compra rótulos de primeira linha, afinal, não precisa de muito conselho ou tem quem o faça pessoalmente. Difícil é descobrir as boas garrafas, ou as ofertas, entre os rótulos mais acessíveis que inundam as prateleiras de lojas e supermercados. E, acredite, há muitas oportunidades à disposição.

Mas até mesmo uma seleção de boas garrafas que não pesam no bolso precisa ser fruto de uma experiência pessoal para não se tornar numa simples listagem de “best buys”. Aqui vai a  minha lista que, como qualquer lista, está sujeita a críticas e correções. O critério foi o de tintos e brancos (deixei de fora os espumantes) até 35 reais. É claro que não se tratam de vinhos hedonistas, que primam pela profusão de aromas, pela intensidade marcante ou final prolongado. Mas podem, sim, tornar o seu dia-a-dia mais feliz.

TINTOS

Salton Classic Tannat
Rio Grande do Sul, Brasil - de R$ 11,00 a R$ 15,00
Da linha mais simples da Salton. Correto, bem vinificado. Seu preço é imbatível, seus taninos  melhoram se acompanhados de um churrasquinho informal no clube.

Pupilla Carmenère
Vale Colchagua, Chile – R$ 16,00
A uva-símbolo do Chile, seja lá o que isso queira dizer, num dos tintos de melhor custo-benefício da paróquia, produto da bodega Luis Felipe Edwards. Taninos bem resolvidos, frutas vermelhas e uma especiaria de leve. Resolve a vida e se encontra fácil em supermercados.

Rio Sol Cabernet Sauvignon/Syrah 2006
Vale do São Francisco, Pernambuco, Brasil - R$ 18,90
Este tinto nacional foi escolhido pelo júri da última Expovinis (feira de vinho realizada anualmente em São Paulo), em uma degustação às cegas, como o melhor tinto nacional. Concorreu com outros 39 rótulos, a maioria de preço mais elevado. Sou co-responsável: participei do júri. Tem uma fruta muito madura, típica de uma região ensolarada como aquela, mas um bom equilíbrio e acidez presente. Um achado de Pernambuco, uma região pouco provável alguns anos atrás.

Cono Sur Bicicleta Pinot Noir 2006
Vale Central, Chile – de R$ 21,00 a R$ 24,00
Vinícola com preocupações ambientais e certificada pela agricultura orgânica. Difícil recomendar um pinot noir do dia-a-dia, mas a correta linha bicicleta tem varietais que primam pela qualidade. Agradável,  corpo médio (como se espera de um pinot) aromas leve de cereja. Outra dica da mesma linha é o branco da uva riesling.

Emiliana, Cabernet Sauvignon
Valle Rapel, Chile – de R$ 21,00 a R$ 24,00
Esta vinícola também alia vinhedos orgânicos com rótulos de grande produção. Tinto com um nariz mais presente que a boca, que é mais ralinha, mas agradável. Um cabernet sauvignon mais para o lado da juventude, da fruta fresca. Se ajeitou bem com uma massa com molho de carne.

Periquita 2004
Terras do Sado, Portugal – R$ 24,00
O tinto português mais vendido no país. Desde a safra de 2001 modernizou seu corte e ficou mais macio e fácil de beber. Resultado da adição de uma porcentagem maior das castas aragonês e trincadeira à tradicional uva castelão (a periquita), que dá a grande personalidade deste vinho.

Don Roman Tempranillo 2005
Rioja, Espanha – R$ 29,90
Este espanhol está sempre presente em listas de vinhos de bons preços. Mais que correto, tem um bom volume na boca, aromas presentes de especiarias e tostados gostosos. Nos restaurantes do chef e proprietário do La Vecchia Cucina e La Pasta Gialla, Sergio Arno, são servidos com o nome de Arno no rótulo. Foi escolhido por Veja São Paulo como boa opção de custo-qualidade entre os  rótulos personalizados dos restaurantes da cidade.

.com 2005
Alentejo, Portugal – R$ 29,90
Com este nome no rótulo, não podia faltar nesta lista do blog do vinho. Uma mistura das cepas portuguesas trincadeira e aragonez com a francesa cabernet sauvignon e a “francesa de alma lusitana”  alicante bouschet. O produtor Monte dos Cabaços (é isso mesmo, gente, não errei) faz um vinho moderno, quente, ao gosto do consumidor atual.

Los Vascos Cabernet Sauvignon
Vale Colchagua, Chile – R$ 30,00
Frutado e bem feito cabernet chileno com boa acidez, álcool controlado e aquele toque amentolado chileno. Um estilo que não muda. Sempre um boa pedida e, além do mais, sempre dá para dizer que está diante de um Barons de Rothschild.

Los Cardos Malbec 2006
Luján de Cuyo, Argentina – R$ 30,00
Tinto da vinícola Doña Paula que abriu a coleção de livros Vinhos do Mundo, Adega VEJA, da qual ajudei a selecionar: macio, bom de nariz, redondo na boca, nem um pouco enjoativo, como às vezes acontece com a malbec.

Le Bateaux Syrah 2006
Languedoc, França – R$ 35,00
Raro tinto francês na linha bom e barato. Best buy da revista americana Wine Spectator. Não é à toa, tem aquela perceptível especiaria da syrah com frutas bem maduras e a chancela da Domaines François Lurton.

Trio Merlot, Carmenère, Cabernet Sauvignon 2007
Valle Central, Chile – de R$ 37,00 R$ 39,90
Esta linha da gigante Concha y Toro é sempre resultado da mistura de três variedades (daí o nome), a primeira domina o corte, no caso aqui, a merlot. Apesar do preço fora da proposta inicial foi incluído só para chamar atenção de um pequeno detalhe. Muitas vezes, estes cortes  por preço (no caso até 35 reais) em uma lista de v
inhos deixam de fora rótulos bem bacanas. Por 2 ou 4 reais a mais, você tem na taça um tinto saboroso, macio, com notas de chocolate – resultado de um trabalho criterioso do enólogo. Pense nisso também na hora da compra, para menos e para mais

BRANCOS

Casillero del Diablo Sauvignon Blanc 2006
Vale Central, Chile – R$ 26,50
Tem larga distribuição em supermercados e lojas. Boa acidez e frescor. Um toque cítrico que agrada; um aroma de maracujá facilmente perceptível, muito encontrado em sauvignon blanc. Uma recomendação sem medo de errar. Faz um sucesso danado com uma pescadinha lá em casa.

Pizzato Chardonnay
Rio Grande do Sul, Brasil – R$ 27,00
Este não é um chardonnay para quem gosta daquele estilo mais intenso com as notas de barrica, meio amanteigado. Este exemplar nacional aposta na linha contrária, não passa pelo carvalho e tem uma acidez mais presente. Uma opção de chardonnay mais para o frescor.

Villa Montes Sauvignon Blanc 2006
Vale Central, Chile – R$ 31,00
A sempre confiável Viña Montes produz este ótimo e fresco sauvignon blanc, de pureza varietal e cítrico, como é comum nesta uva no Chile. Provei a primeira vez junto a produtores, num agradável almoço, e ficou sempre na lembrança como uma boa opção de branco, que repito sempre que posso.

Borba Antão Vaz & Arinto 2005
Alentejo, Portugal - R$ 31,00
A mistura dessas duas castas típicas portuguesas resultam num branco de aromas cítricos, boa estrutura e com toques de baunilha, resultado da fermentação realizada em barricas de carvalho. Há sempre uma boa discussão sobre qual a melhor harmonização com o bacalhau. Eu, por exemplo, prefiro brancos mais estruturados. Em Portugal os tintos têm a preferência. Provei este Borba com um bacalhau grelhado, em meio a tintos muito mais caros e famosos, e este se encaixou melhor no meu radar de harmonização. Quando soube do preço, então, a felicidade foi maior.

Alamos Chardonnay 2007
Mendoza, Argentina – R$ 32,15
Branco premiado mais básico da linha Catena. Passa seis meses no barril de carvalho o que aquele  sensação cremosa de um chardonnay mais encorpadão, mais recomendado para peixes mais fortes e aves. Bastante elogiado pelos bacanas do vinho de todas as estirpes: a lista começa em Robert Parker, passa pela rival britânica Jancis Robinson e ainda pela revista americana Wine Spectator.

Os leitores deste blog podem contribuir com suas recomendações e tornar esta lista mais rica, completa e diversificada, aí embaixo, nos comentários.

Preços coletados entre os dias 3 e 6 de outubro de 2008  nos sites daslojas Mistral, Expand, Zahil, Rei dos Whisky’s & Vinhos VIP, Imigrantes Bebidas, Pão de Açúcar e Bom Marché

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quinta-feira, 25 de setembro de 2008 Brancos, Novo Mundo, Tintos, Velho Mundo | 17:24

Três goles de três vinhos de três países…

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…de um mesmo produtor: O. Fournier. Algumas impressões:

O Centauri Sauvignon Blanc 2007 (Chile, Vale de Leyda, San Antonio, U$38,50) vem da primeira safra do projeto do O. Fournier no Chile. Tem ótimo frescor e aquele nariz meio cítrico e de ataque que se espera de um sauvignon blanc do novo mundo.

O tinto Alfa Crux Blend 2002 (Argentina, Mendoza, La consulta, U$ 75,50), como revela o nome, é uma mistura de três uvas: tempranillo (60%), malbec (35%) e merlot (5%). Se tiver de optar, eu costumo preferir os cortes. O produtor Ortega Gil-Forunier também. Neste tipo de vinho o trabalho do enólogo é mais exigido, pois ele pode extrair o melhor de cada uva e reunir num único rótulo. Vinho delicioso, pronto e macio na boca, aromas de frutas mais maduras e flores, tudo isso prolongado por um final longo.

Alfa Spiga 2003 (Espanha, Ribera del Duero 2004, U$ 129,50). Trata-se de um puro-sangue: 100% tempranillo (tinta del país, como é conhecida a uva na região). Ortega Gil-Fournier aposta, e torce, na vocação da tempranillo como uma uva internacional, e cita experiências na Austrália e nos Estados Unidos. E, só para contrariar minha predileção por misturas, mencionada acima, este vinho conquistou de primeira, mas exige um investimento mais alto. O Alfa Spiga, antes de virar garrafa, hiberna 20 meses em barricas novas de carvalho, que dá aquele tempero ibérico e um caldo potente, de cor intensa e fruta madura. Que a tempranillo se espalhe pelo mundo, então.

Site oficial: O. Fournier
Onde encontrar: Importadora Vinci (preços com cotação do dólar do dia)

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