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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 Brancos, Tintos | 11:00

Liquidações de vinho: é hora de comprar

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Quem resiste a uma promoção? Janeiro é o mês em que as importadoras começam suas liquidações, que geralmente se estendem até fevereiro. Todo ano é assim. Algumas remarcações anunciadas atiçam o saca-rolha virtual que todo enófilo esconde em seu bolso. Afinal de contas, trata-se de uma troca comercial: a vontade de comprar – por um precinho melhor – versus a urgência de o lojista se desfazer dos estoques, por uma margem menor.

As queimas de catálogo das lojas de prateleira ou virtuais têm uma particularidade que diferencia daquelas liquidações de início do ano dos grandes magazines: aquela TV de 50 polegadas com a tecnologia mais avançada que está com o preço reduzido em janeiro é a mesma que era vendida antes do Natal,  já os vinhos em liquidação geralmente são de safras mais antigas ou são rótulos que a importação foi descontinuada.

Por isso mesmo, antes de ir às compras,  vale a pena observar algumas regras para evitar futuras, e literais, ressacas.

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento. Consequência: o vinho provavelmente estará em processo de oxidação.

2. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada, outro indicativo de problemas na qualidade da bebida.

3.
Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos das safras mais antigas – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema. Se a safra do tinto for mais antiga – e principalmente se for um vinho de guarda – é sinal de evolução. Aí depende de seu apreço por vinhos envelhecidos.

4.
Fique atento às safras. Tintos mais básicos, e principalmente os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos (há sempre muita desova de rosés nestas promoções…)

5. Não compre por impulso (este conselho devo repetir a mim mesmo). Como a maior parte das ofertas são de safras mais antigas, pergunte ao lojista se se trata de um vinho com potencial de guarda (geralmente mais caros), se não for, planeje a compra para consumo rápido, principalmente os brancos.

6. Encontrou um preço de um vinho que é uma barbada, e que pode resolver sua vida no dia-a-dia e vale investir numa caixa? Experimente antes. Se a loja não tiver uma amostra, compre uma garrafa, prove em casa e decida sobre a compra de um maior volume de rótulos com segurança, ou você pode ter 12 garrafas de vinagre muito caro para temperar a salada por todo o ano. Eu fiz isso este ano e me preveni de um desastre.

O melhor das ofertas, uma seleção pessoal

Os rótulos abaixo estão organizados por importadora, seguindo um critério pessoal de escolha e baseado nas premissas acima. No final de cada bloco, um link leva para a lista completa de vinhos, quando disponível na internet, com todas as informações e preços. A maior parte das lojas está concentrada em São Paulo, mas as lojas virtuais de seus sites permitem a compra em todo o Brasil.

A World Wine incorporou ao seu catálogo os rótulos da Enoteca Fasano no final de 2011. A importadora sempre capricha em suas ofertas, que batiza de “Bota-fora”, tanto em variedade como em quantidade (são mais de 400 rótulos com descontos). Há de tudo: espumantes, tintos, brancos e fortificados. Nas lojas, além das ofertas anunciadas, são oferecidas outras garrafas de ponta de estoque e preços reduzidos. O “bota-fora” vai até dia 4 de fevereiro. Estas aqui podem agradar:

Champagne Delamotte Blanc de Blancs Brut, Delamotte, Champagne, França (de R$ 250,00 por R$ 149,90; desconto de 41%) – blanc de blancs são os champanhes produzidos apenas com a uva branca chardonnay de grande presença na boca e com um estilo mais austero. Indicado para os amantes das borbulhas mais nobres e refinadas e que exigem qualidade.

Prosecco di Valdobbiadene Brut, Minoetto, Itália (de R$ 70,00 por R$ 39,90, desconto de 43%) – um prosecco típico da excelente região de Valdobbiadene. Bem elaborado, com boa acidez, frescor. Preço de espumante nacional.

Maycas del Limarí, Sauvignon Blanc 2007, Sauvignon Blanc, Maycas del Limarí, Chile (de R$ 59,90 por R$ 39,90, desconto de 33%) – a linha Maycas de Limarí busca a fineza nos aromas e sabores que puxam sempre para aquela sensação mineral mais delicada, de frescor, mas com forte personalidade. Na boca, apesar da idade, ainda tem aquelas notas de maracujá, cítricos, muito frescor, mas recomenda-se beber ainda neste verão.

Maycas del Limarí Reserva Syrah 2007, Syrah, Maycas del Limarí, Chile (de R$ 59,90 por R$ 39,90, desconto de 33%) – da mesma vinícola da sugestão acima, agora um tinto 100% syrah, uma uva que vem desempenhando bem no Chile. Envelhecido por doze meses em barricas francesas, é elegante, tem boa fruta e boa estrutura.

Bourgogne Pinot Noir 2007, Pinot Noir, Domaine Olivier Guyot, França (de R$ 140,00 por R$ 79,90, desconto de 42%) – a pinot noir tem seus seguidores xiitas que não consideram outra hipótese do que aquelas garrafas elaboradas na região da Borgonha. Sempre de cor mais clara, aromas frutados e sabor delicado, é um vinho elegante por definição. Este exemplar do Guyot tem todos os predicados de um Borgonha típico e pessoalmente me remete a um dos primeiros rótulos de classe que provei.

Sedara IGT 2007, Nero d’Avola, Donnafugata, Itália (de R$ 69,00 por R$ 39,90, desconto de 42%) – a nativa Nero d’Avola é típica da ilha de Sicília, na Itália. É uma das uvas que compõe do popular tinto Corvo, mas aqui ela expressa uma fruta mais intensa, uma boca mais gostosa e um corpo médio. Vale experimentar.

Dorna Velha DOC 2007, Tinta Barroca, Touriga Francesa, Touriga Nacional, Quinta do Sival, Portugal (de R$ 59,00 por R$ 34,80, desconto de 40%) – um exemplo de um vinho de entrada e fácil do Douro, com três das uvas mais típicas da região, com toques de frutas, florais e bem redondinho na boca. Provavelmente por descontinuação de importação, toda linha Dorna Velha está em oferta, desde este mais simples até o reserva, por R$ 179,00

1865 Malbec 2008, Malbec, Viña San Pedro, Chile (de R$69,00 por R$ 49,90, desconto de 27%) – a gigante vinícola San Pedro tem rótulos de todas as categorias, a linha 1865 prima pela qualidade com preço razoável, melhor quando reduzido. Uma boa oportunidade de provar um malbec fora da Argentina, envelhecido 12 meses em barrica francesa e com aquele toque meio doce e de fruta madura que tanto agrada nesta uva aos consumidores brasileiros.

Le “C” de Camplong 2004, Mouvedre, Carignan, Syrah e Grenache, Camplong, França (de R$ 240,00 por R$ 99,90, desconto de 58%) – uma das oportunidades que as liquidações oferece ao amante dos vinhos é arriscar exemplares de regiões menos conhecidas e de qualidade por um preço mais acessível. Esta foi uma recomendação do meu amigo Manoel Beato, o “sommelier jedi” do grupo Fasano, responsável por trazer o rótulo para o Brasil. Da região de Languedoc-Roussilon/Corbières tem potencial de envelhecimento, portanto a safra 2004 deve estar com boa evolução. O mesmo rótulo, safra 2005, sai por R$ 129,90.

Lista completa: conheça todos os vinhos em promoção na World Wine

Na importadora e loja Zahil a promoção vai até dia 29 de fevereiro. São 22 rótulos que não farão mais parte do catálogo da empresa e que por isso ganham descontos entre 25% até 50%. Só podem ser adquiridos na loja em São Paulo. Estes aqui me parecem uma boa alternativa:

Riesling Clos Mathis 2003, Riseling, Ostertag, Alsácia, França (de R$ 243,00 por R$ 145,00 desconto de 40%) –  A riesling é a uva-estandarte da Alsácia, aquele pedaço da França que fala alemão, e resulta em brancos com um perfume típico, minerais, com um toque que lembra petróleo que é uma delícia. Este Ostertag é um representante dos biodinâmicos – a turma odara dos vinhedos que não interfere no ciclo natural das vinhas e que produz vinhos de pureza sem igual.

Rutini Syrah 2006, Syrah, Rutini Wines, Argentina (de R$ 108,00 por R$ 70,20, desconto de 35%) – 100% syrah. A Rutini é uma vinícola importante argentina, com deliciosos caldos, sempre precisos. Este syrah é bem cotado no Guia Descorchados, uma referência dos vinhos chilenos e argentinos.

Winemaker’s Selection Branco 2008, Chardonnay e Sauvignon Blanc, Bodegas Salentein,  Argentina (de R$ 51,00 por R$ 39,90, desconto de 20%) – blend simpático das duas uvas brancas mais conhecidas dos consumidores onde o sauvignon equilibra com a acidez e o chardonnay dá um toque untuoso e corpo.

Expand, com lojas espalhadas em todo o país, também tem tradição em descontos em janeiro.  Este ano são 60 rótulos de vários países com descontos de 20 a 70%, grande parte de rótulos em estoque que não são mais importados pela empresa. Vale conferir os rótulos abaixo:

Zind Humbrecht 2006, Chardonnay, Auxerrois, Pinot Bianco, Zind Humbrecht, França (de R$ 148,80 por R$ 103,00, desconto de 30%) – outro representante tradicional dos elegantes brancos da Alsácia. Aqui um blend de brancas sm a presença da riesling. Um branco sério, de acidez cortante, que precisa ser consumido logo, e costuma ter grande persistência.

Quinta do Vallado Port Tawny 10 anos, Quinta do Vallado, Portugal (de R$ 188,00 por R$ 150,40, desconto de 20%) – a Quinta do Vallado atualmente é importado no Brasil pela Cantu, mas este tawny faz parte do estoque da Expand. Tawny – que tem este nome devido à cor aloirada – é um vinho fortificado de belo ataque de nariz e boca, frutas secas, um caramelo envolvente. Pra ficar namorando no buquê. Pode iniciar ou terminar uma refeição.

Palo Alto Reserva Cabernet Sauvignon 2009, Cabernet Sauvignon, Palo Alto, Chile (de R$ 34,80 por R$ 24,36, desconto de 28%) – vinho de entrada, na uva que melhor se adapta em solos chilenos. Aqui vale aquele conselho. Experimente uma garrafa, se resolver a pizza do domingo, faça um estoque para o semestre.

Lista completa: conheça os vinhos em promoção na Expand

A loja da importadora Grand Cru promove até o dia 31 de janeiro o que eles apelidaram de Grand Solde. As compras podem ser feitas pela web também.

Doña Paula Olives Road Syrah Viognier 2006, Syrah e Viognier, Doña Paula, Argentina (de R$ 110,00 por R$ 66,00, desconto de 40%) – a syrah, cheia de especiarias, é dominante neste corte comum na região do Rhone, na França e repetido em terreno argentino. A branca viognier comparece com apenas 3% e aromas florais. A Doña Paula é um vinícola confiável e de bons produtos, outro garantia de uma boa compra.

Enate Crianza 2005, Tempranillo e Cabernet Sauvignon, Enate, Espanha (de R$ 77,00 por R$ 57,75, desconto de 25%) – um blend de uvas potentes e com sabores de frutas mais maduras. Um espanhol fácil de beber e de gostar.

Glen Carlou 2008, Chardonnay, África do Sul (de R$ 82,00 por R$ 49,20, desconto de 40%) – uma competente vinícola para conhecer a produção da África do Sul. Passa 10 meses envelhecendo em carvalho, que confere amplitude na boca e exala aromas de abacaxi mais doce. Deve estar pronto para beber.

Lista completa: conheça os vinhos em promoção na Grand Cru

No site da importadora com maior presença nas cartas dos restaurantes de São Paulo e com um catálogo parrudo, a Mistral, os vinhos portugueses e espanhóis estão como dólar congelado a R$ 1,59 até dia 22 de janeiro (ou enquanto durarem os estoques). Explica-se: os preços praticados pela Mistral são em dólar, que é convertido pelo câmbio do dia. O Altano Biológico 2008, da região do Douro, em Portugal está saindo por R$ 57,24 e é um belo exemplo da tipicidade da região; o Artadi Tempranillo 2008, é o Rioja opulento, que enche a boca, um vinho de macho.

Saideira

Vale insistir que além de seguir os conselhos iniciais deste texto, o consumidor que opta por abastecer a adega neste período (eu me incluo nesta lista) deve ter consciência de que eventualmente, no meio de suas escolhas, um vinho não se encontra no seu apogeu, pode até estar em decadência, por questões de idade, armazenamento ou mesmo estilo. É o risco que se corre, mas é também uma das belezas de um produto que está em constante transformação. O vinho, afinal, é mutante. E nem todas as mutações são boas, não é mesmo? Boas compras!

Autor: beto gerosa Tags: , ,

terça-feira, 21 de junho de 2011 Cursos, Degustação | 21:10

Aromas e vinhos: isso lhe cheira bem?

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“Para que descrever com palavras o que não são palavras?”
Amos Oz, em Rimas da Vida e da Morte

Quem já participou de uma dessas degustações conduzidas por um especialista ou acompanha as resenhas dos críticos mais badalados na imprensa especializada já deve ter topado com uma descrição mais ou menos como a que segue sobre as sensações aromáticas proporcionadas por um determinado vinho:

“O bouquet é amplo. Varia entre a compota de damasco, o caramelo na manteiga com sal, o mel, a casca de laranja cristalizada, o fumo de cachimbo e a infusão de camomila”
(Descrição do sommelier  Enrico Bernardo sobre o Tokaji Aszú 6 Puttonyos István Szepsy, 1995)

Impressiona, tem sua beleza, mas também desanima, né? Repare que o caramelo é na manteiga com sal, sem sal não vale! Agora, imagine que você esteja acompanhando ao vivo a situação acima. Ouve o sujeito a sua frente descobrir uma nova camada de aroma a cada fungada. Aí você afunda o nariz no mesmíssimo vinho em sua taça e não alcança qualquer um desses perfumes, ou pior, sugestionado pela oratória do sommelier acaba encontrando afinal um pouco de mel – talvez a única referência mais próxima do seu mundo.

Na sequência, você olha para o lado e, aliviado, percebe que seu vizinho também está farejando a bebida como um cão e dá de ombros incrédulo com a própria incapacidade olfativa.

- Você sentiu alguma coisa parecida? – vocês se indagam.

Não, provavelmente não.

O que significa isso, afinal? O sommelier é um prestidigitador barato ou você é um inalador incompetente? Calma! Nem uma coisa nem outra. Os aromas dos vinhos, assim como a crase na língua portuguesa, não estão aí para humilhar ninguém. Eles existem e – isso é importante – não são afetação de enófilo metido a besta e sim sinônimo de qualidade do vinho. OK, às vezes este povo exagera, e mente um pouquinho, mas é a parte mais lúdica de uma degustação. Associar os possíveis aromas de um vinho a um repertório pessoal e tentar identificá-los e descrevê-los é parte do desafio. E da diversão.

Quer reconhecer os aromas? Vá lamber sabão, pedra…

Se o teu negócio é só beber e ainda precisa se convencer da importância do aromas, e da diferença que eles fazem ao vinho, faça uma experiência muito simples. Tome um gole de um vinho. Agora repita a operação tampando o nariz. Sentiu? Sentiu o quê? Quase nada, né? É a prova dos noves da ligação daquilo que se cheira com aquilo que se come, do olfato ao paladar.

Mas não fique desesperado se você não sentir muita coisa nas primeiras vezes que meter o nariz no copo, e não recitar um poema de aromas como no exemplo acima. O reconhecimento tem a ver com memória, experiência pessoal e treino, muito treino. Se você é do tipo que nunca passou perto de uma horta, não manuseia temperos e desvia da cozinha fica difícil identificar aqueles aromas de pimenta-do-reino e especiarias que geralmente aparecem nos vinhos elaborados com a uva shiraz, por exemplo. Em qualquer situação, vinho e comida sempre se encontram… Se teu conhecimento de flores vem do papel de parede do computador também fica complicado reconhecer uma violeta em um tinto português de touriga nacional ou em um malbec argentino de boa extração. E por aí vai.

Alguns descritivos estão intimamente ligados à região onde os vinhos são produzidos. É sempre bom manter no horizonte que uva – a matéria-prima principal do vinho – é um produto agrícola, que tem suas raízes, literalmente, ligadas à mamãe natureza. Mas se você, assim como eu, é um espécime do asfalto, faltam sim algumas referências que serão adquiridas com o tempo. Aliás, se surge aquele tutti-fruti na sua taça que te remete ao chiclete da infância, qual o problema? É a sua régua. Cada um tem a Madeleine que lhe cabe… e nem todo mundo tem vocação para ser Proust (o escritor) na vida

Mas o que são esses aromas, afinal? É química, estúpido!

Os seres humanos, bebedores ou não de vinho, são capazes de identificar cerca de 10.000 diferentes tipos de aromas. Detalhe, as mulheres, comprovadamente, são melhores nisso. Até o momento já foram registrados pelos cientistas cerca de 1.000 componentes aromáticos nas uvas e vinhos. E você aí nem para descobrir aquela cereja berrando no pinot noir, hein?

Mas vamos deixar claro uma coisa. Vinho não é vitamina de padaria, só tem uma fruta lá dentro, a uva. Outra coisa, as rosas plantadas próximo a alguns vinhedos não transferem o seu perfume ao vinho. Elas estão ali para alertar o vinhateiro do perigo iminente de uma praga, pois são mais frágeis que as parreiras. O perfume das rosas chegam de outra maneira. E também ninguém joga café, mel ou frutas brancas e vermelhas no mosto na hora da fermentação.

Aquela amora, o café, as flores, o mel, enfim, os descritivos aromáticos, são resultado de vários fatores desde propriedades químicas da uva até a própria elaboração do vinho – vinificação, leveduras utilizadas, métodos de envelhecimento – e variam de percepção de pessoa para pessoa.

Quando você inala os aromas de um vinho você está de fato em contato com uma série de substâncias voláteis que flutuam no espaço vazio da taça – por isso que balançamos a taça, para que estas substâncias se misturem ao oxigênio, revelem sua grandeza e se modifiquem.

O que se percebe no nariz, seja qual for a origem, são moléculas aromáticas, a exemplo do linalol, do nerol e do limoneno, encontrados também em frutas e flores e chamados de aromas livres pela química. São compostos com nomes estranhos que vamos citar só para justificar a pesquisa: terpênicos, ésteres, fenóis voláteis, alcoóis, aldeídos e acetonas, acetatos, lactonas, hidrogenados, sulfurados, etc. Um pinot noir é geralmente associado ao aroma da cereja, mas você pode comentar que percebeu um 4-etoxicarbonil-y-butirolactona na sua taça, se preferir. Outros exemplos dos compostos químicos presentes nos vinhos e os aromas que entregam:
Ésteres: octanoato de etilio. Aromas: abacaxi, peras.
Composto terpênico: Limonemo e citral. Aromas: casca do limão, lima, laranja.
Alcoóis: álcool feneletílico. Aromas: rosas e mel.
Ácidos: ácido acético. Aromas: vinagre.
Lactonas: sotolon. Aroma: frutos secos.
Fenóis voláteis: 4-metil-2-metoxifenol. Aroma: fumo.

A coisa pode perder ainda mais a poesia. O composto sulfurado p-mentha-8-thiol-3-one, encontrado em alguns brancos da uva sauvignon blanc da região francesa do Loire, também é observado na urina do gato. Portanto, em grandes concentrações, o tal xixi de bichano é de fato um aroma presente neste branco, e, creia, sinal de qualidade da bebida!

Outras aromas se originam das leveduras utilizadas na fermentação. Ao transformar açúcar em álcool elas criam dezenas de compostos químicos aromáticos, como frutas tropicais, pão torrado e ainda produzem fenóis voláteis que lembram aromas de terra, apesar de não ser originários do solo.

Os aromas, indicam estudos recentes, não vêm somente da natureza, também são produto da ação do homem, resultado de gerações de vinicultores que adaptaram seus vinhedos e ajustaram a fermentação até atingir o máximo que o vinho podia proporcionar.

Para fazer bonito entre os amigos

Desde 1990, quando a doutora Ann C. Noble, do departamento de enologia da  Universidade de Davis, na Califórnia, criou a chamada roda dos aromas (veja um exemplo aqui), o tema virou mania. Trata-se de um dispositivo com três discos com cerca de 120 descrições aromáticas para tintos e brancos. No centro estão as classificações mais genéricas (frutados, por exemplo), nas rodas seguintes os termos se tornam mais específicos (amoras, morangos). A ideia é fazer a combinação entre eles girando os discos.

Este blog, cumprindo sua missão de servir o leitor, vai dar uma mão para quem está decidido a reconhecer os perfumes do vinho.   São informações sobre a classificação dos aromas dos vinhos por grupos, tipo e  uva, e servem mais como referência do que como guia. Estas listas são compiladas, catalogadas e discutidas por especialistas em livros e enciclopédias e um certo consenso entre enófilos e curiosos de todo o mundo.

A classificação

Os compostos aromáticos são divididos em três grupos:
Primário (ou varietal) – vem da própria uva e lembra frutas frescas e maduras, flores, vegetais e minerais.
Secundário – resultado do processo de fermentação, vinificação, não são originários da uva, são aromas de madeira, leveduras.
Terciário (ou bouquet) – é a sensação olfativa que o vinho desenvolve depois de engarrafado e envelhecido por vários anos.

Entenda o seu crítico, quando ele diz que sente aromas…
Frutados - Cassis, cerejas, ameixas, goiaba, framboesa, groselha (vermelhas, nos vinhos tintos); pêssegos, abacaxi, maracujá, melão, pêssego (brancas e amarelas, nos vinhos brancos).
Florais – Rosas, violetas, jasmins, acácias, tília, etc.
Especiarias e condimentados - Pimenta, pimenta-do-reino, cravo, canela, alcaçuz, noz-moscada, etc.
Animais – Caça, carne, pelo molhado, couro, etc.
Vegetais e herbáceos - Palha, grama, feno, cana-de-açúcar, cogumelos, chá, fumo, pimentão, etc.
Minerais - Petróleo, terra, pedra de isqueiro, etc.
Químicos – Fermento de pão, enxofre, removedor de esmalte, etc.
Queimados (ou empireumáticos) – Alcatrão, tostado, defumado, caramelo, café torrado, piche, etc
Amadeirado – Carvalho, baunilha, cedro, eucalipto, etc
Outros aromas– chocolate, mel, caixa de charutos, suor, xixi de gato etc

Os aromas mais comuns nos vinhos brancos
(Advertência: vê lá, você não vai sentir este arco-íris de aromas em  todos os vinhos de cada uva abaixo, tratam-se apenas de algumas características que podem ou não aparecer na sua próxima fungada)

Sauvignon blanc – frutas frescas, cítricas, pêssego, manjericão, tomilho, pimentão verde, eucalipto, hortelã, maracujá, pedra de isqueiro (fumé) e xixi de gato no Loire.  Toques agradáveis herbáceos e vegetais (grama), dependendo do vinicultor.
Chardonnay – sem madeira é mais mineral, frutos brancos como pera,  melão branco, cítrico e frutas tropicais como o abacaxi, mamão, goiaba e banana Depois de estágio em barrica, doce de pêssego, manteiga, torrada, brioche, avelã e evoluído perfumes de acácia.
Riesling – cítricos como lima, lichia, tangerina.
e notas de petróleo, resina, quando evoluído
Chenin blanc – maças verdes, damascos, mel, nozes e avelãs.
Viognier – violeta e banana, se muito intenso damasco.
Gewurztraminer – tem uma fragrância fascinante,  lichia, pétala de rosa, damasco, pera e uma especiaria parecida com cravo-da-índia (gewurz é especiaria, em alemão).
Moscatel – aromas doces da própria uva, o que é raro em varietais.
Sémillon – cítricos, grama, mel e torradas.

Os aromas mais encontrados nos vinhos tintos
(Vale o mesmo conselho de cima, não é por que está listado aqui que vai aparecer na sua próxima taça.)

Cabernet sauvignon – frutas vermelhas e especiarias como baunilha, alcaçuz; pimentão em conserva. Evoluído passa para as trufas negras, frutas vermelhas em compota, café, chocolate geleia e tabaco. No chile tem uma característica mais amentolada e às vezes uma goiaba pronunciada.
Merlot – frutas vermelhas escuras (amoras e ameixas pretas), chocolate se passar por madeira
Pinot noir – cereja vermelha ou preta, ameixa, amora silvestre, framboesa, rosas secas e pimenta-do-reino quando jovem e cogumelo, bosque e geleia e alguma torrefação quando evoluído
Syrah – azeitona preta, pimenta-do-reino, amora preta, cereja preta, ameixa, pimenta do reino, cravo e canela, violetas, chocolate amargo, alcatrão e alcaçuz.
Grenache – geleia, ameixa, frutas vermelhas, louro, na maturidade especiarias e ervas secas.
Gammay – morango, framboesa.
Nebiollo – groselha preta e amora silvestre, toques florais de violeta e pétalas de rosa, ameixas secas, trufas brancas, especiarias, couro, cogumelos, terra molhada, adega úmida (aqui só para entendidos…).
Malbec – aromas típicos de frutas pretas, cereja madura, anis, frutas vermelhas, floral puxado para a violeta
Tempranillo – frutados vermelhos simples – morango, cereja ou framboesa. Nos exemplares envelhecidos, os mais comuns, notam-se aromas de figo, de geleias de frutas e envolventes traços de torrefação e muita madeira.
Sangiovese – cereja amarga, especiarias, tabaco e ervas.

Algumas dicas de onde estão os aromas para começar a brincadeira sem errar
Nos brancos: flores brancas e amarelas ou frutas brancas e amarelas: maça, pera, abacaxi, pêssego, maracujá, lírio, jasmim etc.
Nos tintos: flores ou frutas vermelhas. Rosa violeta, morango, cereja, framboesa, amora, groselha, cassis.
Vinhos jovens: flores e frutas frescas ou vegetais que evoluem com o envelhecimento para os aromas de frutas maduras, secas ou geleia.
Vinhos mais envelhecidos: aromas animais ou de decomposição.

O envelhecimento em barricas de carvalho também agregam aromas ao vinho. São eles:
Barrica Européia (francesa) – coco, nozes, cravo, pimenta preta.
Barrica Americana – baunilha, noz-moscada, castanha, coco, cedro, frutas secas.
Tipo de tostagem
Leve – mel, chocolate branco, serragem.
Média – amêndoas tostadas, caramelo, chocolate. Tabaco, café expresso e tostado.
Forte – fumo, pão tostado, grafite, chocolate preto, fumo.

Isso lhe cheira bem?

Se devidamente treinados, nossos receptores e o bulbo olfativo – áreas onde as sensações são registradas e decodificadas – permitem identificar, além dos aromas, as principais características de um vinho, como a variedade da uva, o terroir (de onde ele vem), o estágio de evolução da bebida e até dão pistas de sua safra.

Parece muito complicado? É um pouco, já escrevi aqui que vinho não é exatamente um tema simples. Para beber ninguém precisa aprender nada. Basta virar a taça. Para conhecer, e tirar mais prazer da bebida, é preciso se dedicar um pouco e observar com mais atenção o que vem da garrafa. O tema aromas entra um pouco nesta nebulosa área que tanto apaixona quem descobre seus mistérios como afasta quem enxerga neste jogo uma complicação desnecessária.

Estou no primeiro time. Mas para mim, muitas vezes, basta reconhecer que o pinot noir na minha taça tem aroma de pinot noir, ou seja, me remete a outros pinot noir que já provei e me agradam. Eu não tenho vocação para arqueólogo de aromas, uma espécie de Indiana Jones do vinho em busca camada aromática perdida. O cheiro é parte do prazer. E vinho é um perfume para ser bebido.

Notas relacionadas:

  1. Irritando Fernanda Young
Autor: beto gerosa Tags: , , ,

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010 Espumantes, Teste | 16:47

Você sabe qual espumante está bebendo? Ou, nem tudo que borbulha é champanhe…

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“Borgonha faz com que você pense em bobagens; Bordeaux faz com que você fale sobre elas, e champanhe faz com que você as cometa” Brillat-Savarin, gourmet francês do séc XVIII

Cometer bobagens após tomar um espumante, vá lá, é do jogo. Mas cometê-las antes de tocar os lábios na bebida, por falta de conhecimento, não tem graça alguma. Este blog, sempre imbuído do espírito de defesa dos interesses do leitor, uma espécie de advogado dos enófilos dos trópicos (te cuida, Robert Parker!), lança então este desafio para você testar seus conhecimentos sobre vinhos com borbulhas. Se útil não for, no mínimo é um assunto para depois do brinde.

Usar a denominação Champgne no rótulo só é permitido nos vinhos produzidos na região de mesmo nome, no norte da França. Como se chamam os outros espumantes franceses, elaborados pelo mesmo método tradicional ou champenoise?




O que significa dizer que um espumante é elaborado pelo método charmat?




Espumante é coisa nossa! Nos vinhos tintos a importação esmaga a produção nacional em volume de vendas, já entre os espumantes verde-amarelo, a situação se inverte, na proporção de 70% para o produto nacional e 30% para o importado. Entre as principais produtores de espumante no Brasil, qual é a líder em volume de produção?




Um champanhe é denominado blanc de noirs quando é elaborado com as uvas:




Atualmente, mais de 80% dos champanhes são do tipo seco, com um menor teor de açúcar por litro. Qual das três expressões abaixo indica o espumante mais seco?




A quem é atribuída a frase "Estou bebendo estrelas", ao descrever a sensação das borbulhas pinicando o céu da boca pela primeira vez, no século XVII?




Qual a vinícola pioneira na elaboração de espumantes no Brasil?




Quem acompanha esta coluna, e já fez o outro teste, já sabe que prosecco é o nome da uva e não da região onde se produz este espumante italiano (bem, agora os italianos estão tentando criar a denominação de Proseco também). O melhor prosecco, no entanto, é produzido em uma conhecida Denominação de Origem Controlada do Vêneto. Qual é ela?




Além das uvas francesas chardonnay e pinot noir os espumantes brasileiros também vinificam outra variedade branca na elaboração de seus rótulos. Qual é ela?




Cada lugar tem um nome para seu espumante. Na Espanha são conhecidos como cavas, e bastante difundidos entre nós. Quais são as três principais uvas nativas da Península Ibérica usadas nos cavas?




As garrafas de espumantes, por precaução e necessidade, têm o vidro espesso e são lacradas com rolhas de cortiça presas por gaiolas de arame. Todo este cuidado é devido à alta pressão no interior das garrafas (são as borbulhas querendo se libertar). Uma garrafa de espumante pode ter em seu interior até:




Há uma grande variação de modelos de garrafa de espumantes, e com uns nomes meio esquisitos, que soam um tanto quanto bíblicos. Em um vasilhame comum cabem 750 mililitros de bebida. Já em uma magnum, é colocado o dobro do líquido. Qual o nome que se dá ao modelo capaz de armazenar 3 litros (ou 4 garrafas)?




O que significa um champanhe vintage ou millésime?




Os champanhes mais comuns, com a inscrição NV (non vintage) no rótulo, se caracterizam por:




As bolinhas de gás carbônico, além do charme e da marca registrada do espumante, são fatores que indicam qualidade da bebida. Um espumante, por exemplo, pode ser considerado melhor quando as bolhas forem:




Quem aprecia um espumante mais docinho, aromático e pouco alcoólico tem a opção de ser feliz com uma garrafa elaborada pelo método Asti. Qual a uva usada neste outro estilo de espumante italiano?




A Alemanha, que tem o maior consumo per capita de vinho com borbulhas do mundo, também produz o seu espumante, pouco conhecido no Brasil? Qual o nome?




A pergunta pegadinha da vez, para fechar o questionário. Você é capaz de adivinhar quantas borbulhas existem potencialmente, em média, em uma garrafas de 750 mililitros de um champanhe?






Notas relacionadas:

  1. Você entende de vinho, ou só faz pose?
  2. Férias, praia e espumante fresco
  3. Rankings dos espumantes nacionais. Existe o melhor?
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009 Blog do vinho | 21:34

O último vinho da vida

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É quase inevitável. Toda entrevista com grandes críticos e especialistas invariavelmente termina com uma pergunta clássica: Qual o vinho que escolheria para tomar se esse fosse o último de sua vida? Eu mesmo já perpetrei este desafio sem imaginação para o elegante autor britânico Hugh Johnson. É sempre curioso saber o que pensam aqueles que já provaram de tudo e são referência para os apreciadores da bebida. Melhor ainda é deixá-los em uma sinuca de bico. Abaixo, três famosos críticos revelam a sua preferência:

Hugh Johnson — Seria uma das minhas raras garrafas de antigo Tokay (um branco doce da Hungria). Ele tem todas as qualidades que fazem que o vinho seja um assunto tão rico: profundidade, intensidade de sabor, vitalidade, singularidade e história.

Robert Parker – Provavelmente um dos vinhedos do Guigal, um produtor da região do Rhône. Talvez um La Mouline ou um Petrus 1947 ou um Cheval Blanc 1947. Nasci em 1947, um ano de ótima colheita no Pomerol e em Saint-Émilion, duas sub-regiões de Bordeaux.

Jancis Robinson  - Um vinho madeira Cossart Bual da safra de 1908 (U$ 824,00 no site Peter Wylie Fine Wines) seria uma ótima opção.

Último post

A escolha do tema vinho derradeiro tem um sentido aqui. Esta coluna sofrerá uma breve interrupção e mudará de endereço. Foi ótimo ocupar este espaço. Se eu tivesse que escolher uma garrafa de vinho para comemorar este último post, seria um Champagne safrado. Nem tanto por uma predileção pessoal, mas por conta do simbolismo  que esta escolha representa. Champagne é o vinho da celebração, por definição. Pois tudo merece ser comemorado nesta vida, os finais e os inícios,principalmente quando a experiência foi boa.

Muito obrigado àqueles que me seguiram aqui e até a próxima parada.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009 Degustação | 18:11

O envelhecimento do vinho: o mito da idade

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“O vinho é uma substância viva, e tudo que está vivo se modifica, até atingir o seu fim”

Hugh Johnson, em A Life Uncorked

O tema da guarda do vinho é sempre polêmico. E fala mais de perto aos especialistas que aos consumidores, mas vale um texto neste blog.  Quando instigado aconselhar os mais jovens sobre a vida, o dramaturgo carioca Nelson Rodrigues (1921- 1980) tinha a resposta pronta: “Envelheçam”. O mesmo adágio, no entanto, não pode ser aplicado sempre a todos os tipos de vinhos – ao contrário do que se pensa o senso comum. Nem todo caldo tem no seu DNA as condições de evoluir com o tempo. Muito pelo contrário, a maioria esmagadora dos rótulos é lançada para consumo imediato. Da prateleira direto para a taça.

A longevidade depende de alguns fatores, como o índice de teor alcoólico, nível de açúcar e quantidade de acidez da bebida e, para os tintos, da qualidade dos taninos. Muito importante também nesta equação é a qualidade da adega, da rolha, de onde afinal as garrafas acompanharão o passar dos anos.  E nem todos os vinhos envelhecem igual. O envelhecimento, na realidade é uma troca, um pacto entre o consumidor e o vinho. Ganha-se algumas coisas e perdem-se outras.

Os tintos mais jovens, com muita fruta e potência, por exemplo, não ganham muito com esta troca. Ao contrário, perdem suas principais características  e qualidades pois não têm estrutura para envelhecer.  Já os vinhos com capacidade de guarda, mesmo os do novo mundo, podem perder a exuberância de frutas com o tempo na garrafa, mas os taninos se amaciam e o conjunto fica mais equilibrado e harmonioso, a madeira se integra mais à bebida. Surgem neste estágio aromas e sabores deliciosos e oníricos, tornando o vinho mais complexo e fascinante. Quem já provou um tinto que evoluiu bem com os anos sabe do que eu estou falando.

Tempo, tempo, tempo

Os Barolos, da Itália, normalmente são fechados e tânicos na juventude e necessitam de anos de guarda para oferecer o seu melhor e mostrar toda sua exuberância e complexidade. Grandes vinhos de safras excepcionais geralmente estão fechados – com pouco intensidade aromática e gustativa -  se consumidos muito cedo. Percebe-se toda a estrutura da bebida, mas os aromas só vão aparecer depois de um longo estágio na adega. Abrir um grand cru de Bordeaux 2005,  considerada uma das melhores safras de todos os tempos, antes de dez, quinze anos é tratado como um infanticídio entre os especialistas. Bom, até isso já mudou um pouco, mas a regra ainda vale. Mesmo os Bordeaux de alta gama já saem das vinícolas cada vez mais prontos para serem bebidos. É um tendência, mas que não elimina a capacidade de evolução na garrafa. Se o proprietário de uma dessas garrafas perderá com esta decisão o melhor que aquele rótulo pode oferecer em intensidade, complexidade e sabor, é sempre uma questão em aberto.

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Quem espera sempre alcança?

Deixar a garrafa descansando na adega, é bom ressaltar, não é o comportamento mais comum do consumidor, mesmo dos chamados vinhos da tropa de elite. Pouco importa que a resenha do mais badalado crítico – aquele mesmo que você está pensando – aconselhe esperar até 2015. Até por que dificilmente alguém vai ter a pachorra de reler a crítica de cinco anos atrás para checar se o sujeito acertou ou não no prognóstico…

O diretor técnico e enólogo do incensado Almaviva, Michel Frou, revelou que 95% da safra de seus vinhos são vendidos no ano que são colocados nas prateleiras. Imagina-se que grande parte deste lote seja consumido imediatamente após à compra ou nos meses seguintes.

Para o consumidor, portanto,  trata-se de uma aposta no futuro. Existe um auge teórico – o Everest da curva de evolução -, em que boa parte da fruta permanece viva e praticamente toda a complexidade do envelhecimento se mostra. Quem tem  paciência de esperar anos até que uma garrafa atinja seu ponto máximo, definitivamente tem fé na vida. Eventualmente, pode deparar com um vinho decrépito ou mesmo oxidado. Mas esta é parte da magia que seduz milhares de bebedores pelo planeta, e que afasta outros tantos desta esperança no apogeu. Como se diz entre os entendidos, “não há grandes vinhos, mas grandes garrafas”. O tempo só vem comprovar este ditado.

* este texto foi publicado originalmente na coleção Vinhos do Mundo, aqui aparece editado com acréscimos.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009 Degustação | 19:51

Variedade, opções e minhas circunstâncias

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A importadora Mistral realizou mais uma edição de seu tour anual. Um pouco menor em tamanho e em variedade, talvez efeito da crise, que mostra sinais de recuperação. Mas, mesmo mais compacto, o número de garrafas de um evento desses é sempre superior à capacidade de degustação de qualquer cristão. E é isso que atrai os apreciadores do vinho.

Portugal, Itália, Argentina e Chile dominaram o campo de batalha do Hotel Grand Hyatt, onde foi  realizado o evento em São Paulo. A comparação procede: às vezes é quase uma guerra por um trago de vinho. Uma turba de braços estendidos se aglomera em direção a um Jacopo Biondi Santi, a um Castello del Terriccio ou ao infalível Catena Zapata.

Mas justiça seja feita, o diferencial das feiras da Mistral é que todos produtores derrubam nas taças vinhos de toda linha. Tem desde o soldado raso até general de quatro estrelas.  É possível provar desde o tinto mais básico até o topo de linha, e comparar cada rótulo com o seu valor. E à medida que se avança na hierarquia deste exército de garrafas, o preço cresce. E muito

Variedade

E como o ingresso de preço único permite saborear este plantel de tintos e brancos, a gente fica mal acostumado e pode perder a noção da realidade. Um sauvignon blanc Sileni Estates da Nova Zelândia (R$ 64,00) aqui, um Viña Montes Folly Syrah 2005 (R$ 303,00) ali, uma pausa para um Sassoalloro 2004 (R$ 150,00), um suspiro antes de um Lupicaia Cabernet Sauvignon/Merlot IGT 2004 (R$ 739,00) e um papo sempre proveitoso com Luis Pato enquanto se prova um gole de Vinha Barrosa 2005 (R$ 166,00), por que ninguém é de ferro.

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A maior surpresa da feira para mim, no entanto, estava no escalão mais baixo. O português Altano 2006, uma mescla das uvas tinta roriz (70%) e touriga francesa (30%) a 37,00 reais. Um bom e barato que vai entrar na próxima lista do Blog do Vinho. A boa surpresa foi sua versão orgânica, chamado de Altano de Produção Biológica 2007 (R$ 69,00), um tinto de muita fruta, frescor, construído a partir daquela mistura de uvas típicas do Douro, de vinhedos de mais de 25 anos: touriga nacional, tinta roriz, tinta barroca e touriga franca, com dez meses de barril.

Minhas (e talvez as suas) circunstâncias

Mas nada como a vida real para mostrar a realidade e  seus limites. Após atravessar as portas do hotel e deixar para trás a farra de Baco, decidimos  por um restaurante argentino próximo. Na carta de vinhos, curiosamente, opções da mesma importadora.  Fica a dúvida, qual o tinto que vai acompanhar a carne? Feitas as contas, a decisão recai sobre um tinto honesto, saboroso e de qualidade constante: o argentino Altos Las Hormigas Malbec 2007 (R$ 34,00 na tour Mistral e R$ 49,00 na carta do restaurante). Ou seja, é sempre bom ter a perspectiva do consumidor (a minha), quando se põe a mão no bolso e se escolhe um vinho. E o Altos Las Hormigas mandou muito bem.

Notas relacionadas:

  1. Salvem os enochatos!
  2. Salvem os enochatos!
  3. Irritando Fernanda Young
Autor: beto gerosa Tags: , ,

sábado, 8 de agosto de 2009 Degustação | 00:14

Faço o que eu digo, mas não faça o que eu faço…

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O mundo do vinho é cheio de regras, etiquetas e conceitos preestabelecidos (já escrevi isso). E parte da culpa por esta espécie de cerimonial pode ser creditada aos chamados formadores de opinião que orbitam  em volta deste mundo. São os críticos, blogueiros, especialistas, sommeliers, enólogos, produtores e enoxiitas de toda espécie que elaboram uma tese a cada novo gole. E às vezes intimida quem apenas quer ter prazer numa taça de vinho. Confesso,  também sou parte integrante deste circo.

Mas será que este rigor todo resistira a um teste com uma câmera escondida em jantares, degustações ou feiras de tintos e brancos que esta turma toda?

Quando um especialista diz “Aprecie com moderação, bastam duas taças durante a refeição”, será que ele segue o mesmo receituário?

Alguém já presenciou um grupo de degustadores em ação? Ou topou com uma reunião de uma confraria, onde a relação de garrafa por pessoa costuma ser na base de um para um, no mínimo? Pois é, sem hipocrisias. A desculpa oficial para esbórnia etílica dos enófilos atende pela prerrogativa de que o vinho não é igual a outras bebidas, como se também não fosse alcoólica.

Quando um especialista diz “A sequência correta do serviço dos vinhos exige que os trabalhos comecem pelos espumantes, prossigam com os brancos, seguidos pelos tintos mais leves, para só então enfrentar os rubros mais encorpados”, significa que não é para quebrar a regra nunca?

Bom, se for seguir esta sequência o incauto leitor já não poderia observar a primeira recomendação, de beber com moderação em uma refeição. Mas o que faz esta turma toda de entendidos nas feiras de vinho? Salta de um robusto tinto da Rioja para um sauvignon blanc da Nova Zelândia com a mesma ligeireza com que finaliza a jornada com um rosé de Provance. Faz sentido?

Quando o especialista diz “A regra número 1 de harmonização é branco com os peixes, tintos com as carnes”, será que ele segue mesmo esta regra?

Pois para boa parte dos conesseurs, o inverso é quase um crime de lesa-pátria, e seu autor deve ser condenado a beber vinagre até o fim dos tempos. Mas eu vi, com estes olhos que o terroir há de comer, muito bacana de Baco inverter esta lógica com a maior felicidade e sem culpa. São encorpados cabernets chilenos acompanhando massas regadas a molho de tomate, que pedem  tintos com maior acidez, ou mesmo  brancos mais refrescantes com nacos de carne grelhada e até  saladas entre goles de  tintos tânicos, intercalados por uma  água mineral para neutralizar o efeito.  E tudo bem.  Isso é muito comum, creia,  principalmente em uma degustação em que só  são servidos exemplares de tintos e a salada é o primeiro prato.

Resumo da ópera: nem tudo que se recomenda deve ser seguido à risca. Claro, tem sua lógica, tem seu saber, tem a experiência de quem tem uma litragem considerável. Mas nada disso deve impedir seu prazer e o momento.

Vinho é assunto sério. Precisa ser?

Um leitor me advertiu em um  comentário sobre outro post,  devidamente publicado, que vinho é “assunto sério”. E que eu deveria evitar “comentários dispensáveis, de efeitos redutores.”

Não sei se este é o tipo de texto que se encaixa na bronca, mas desculpe, caro leitor, vou discordar. Vinho pode ser também ser tratado com leveza, humor e alegria. E, principalmente, com pontos de vista variados.  É o que se tenta por aqui… Quebrar as regras à mesa, nas taças e no texto.  Creio que esta postura pode mais ajudar do que atrapalhar o mundo do vinho.

E você qual regra de Baco gosta de quebrar?

Notas relacionadas:

  1. Salvem os enochatos!
  2. Para que serve um decanter?
  3. Confraria, você ainda vai ter uma
Autor: beto gerosa Tags: , ,

sexta-feira, 31 de julho de 2009 Degustação | 19:50

Bons vinhos, baixa gastronomia e grandes amigos

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“Nunca vi uma boa amizade nascer numa leiteria”.
Vinícius de Moraes

Gastronomia vem do grego antigo e significa “conhecimento do estômago”, mais precisamente do alimento e da bebida endereçados a ele, eu suponho. A etimologia grega da palavra economia vai na linha de “administração da casa”, o que pode ser traduzido no controle suado do dinheirinho que a gente ganha e gasta ao longo da existência. A baixa gastronomia, portanto, pode ser definida como a confluência destas duas definições, ou seja, a gastronomia que não pesa no bolso mas afaga o paladar.

E foi para comprovar a tese de que a boa culinária não precisa estar necessariamente associada ao preço proibitivo praticado por alguns restaurantes que um grupo de amigos, entre os quais eu me incluo, criou a Confraria da Baixa Gastronomia. Dois anos depois de vários encontros, a grata satisfação: comemos bem, levamos nossos vinhos e estreitamos nossa amizade. É, os gregos sabiam o valor das palavras…

Nossa confraria – seis marmanjos e uma moça de fino trato – faz um trabalho de garimpo da boa gastronomia de baixo preço que é praticada em São Paulo e uma vez por mês levamos nossas taças e garrafas embaixo do braço e experimentamos as harmonizações possíveis. A baixa gastronomia, portanto, longe de ser um termo depreciativo, é uma exaltação à qualidade sem extorsão. É uma incursão por pratos regionais ou típicos, com um grau de sofisticação variado, mas com uma característica em comum: são diferenciados e representativos de sua culinária.

Arais, uma espécie de Cafta, do Carlinhos, onde tudo começou e Malfati, do Fiorana.

Arais, uma espécie de cafta, do Carlinhos, onde tudo começou, e Malfati, do Fiorana.

A boa gastronomia

Um pequeno apanhado de deliciosos sabores e o vinhos que mais me marcaram – ou melhor harmonizaram – com a comida nestes dois anos.

Amazônia – Bixiga
Pratos
Pato no tucupi (assado e cozido servido com farinha de mandioca)
Pirarucu na chapa guarnecido de arroz de jambu.

Vinho
Sol de Sol 2006, Viña Aquitania, Traiguén, Chile

Carlinhos – Pari
Pratos
Arais (cafta prensado em pão árabe)
Cordeiro recheado com arroz e amêndoas na manteiga, guarnecido de brócolis ao alho e óleo e batata corada (para grupo mínimo de doze pessoas)

Vinho
Cabo de Hornos 2001, Viña San Pedro, Valle de Lontué, Chile

Dona Onça – Centro
Pratos
Frango com quiabo, polenta e verdura refogada
Costela de tambaqui frita
Mini-Churros com doce de leite

Vinhos
Barbera d’Asti Camp du Rouss 2005, Luigi Coppo, Itália, Piemonte
Scala Dei Negre Garnacha 2006, Scala Dei, Priorato, Espanha

Empório Nordestino – Freguesia do Ó
Prato
Carne de sol paraibana

Vinho
Vinha do Fojo 1999, Quinta do Fojo, Douro, Portugal

Galinhada do Bahia – Carandiru
Pratos
Galinha ao molho pardo, pirão de galinha, feijão-tropeiro, carne-de-sol, mandioca frita sequinha, salada verde, maxixe, batata-doce, banana-da-terra, jerimum e quiabo

Vinho
Viña Salceda Reserva 2000, Viña Salceda, Rioja, Espanha

Mocotó – Vila Medeiros
Pratos
Queijo-de-Coalho dourado na manteigade garrafa com melado de cana
Atolado de Bode – cabrito ensopado com mandioca
Sorvete de Rapadura artesanal, preparado com meladode cana e pedaços de rapadura

Vinho
Salton Talento 2002, Salton, Serra Gaúcha, Brasil

Pasquale – Pinheiros
Pratos
Sopressata, embutido artesanal produzida com carne porco e temperos
Rigatoni ao ragu de cordeiro

Vinho
Barbera d’Asti Pomorosso 1993, Luigi Coppo, Piemonte, Itália

Templo da Carne Marcos Bassi – Bixiga
Prato
Bisteca fiorentina (filé mignon, contrafilé e alcatra)

Vinhos
Châteu Tour de Mirambeau Couvée Passion Blanc 2003 Despagne, Bordeaux, França
Carruades Chateau Lafite 1996, Lafite, Paulliac, Bordeaux, França

Voilà Bistrô – Jardins
Prato
Pombo  dourado na moelle com mini legumes

Vinhos
Champagne Henrriot Rosé 2002, Henriot, Champagne, França.

Rótulos franceses para um bistrô gaulês

Rótulos franceses para um bistrô gaulês

O nosso mapa do vinho

O vinho entra pela porta da frente e muitas vezes com um elemento estranho ao habitat, pois nem sempre é visto nas mesas nestes restaurantes. É uma experiência curiosa, por exemplo, juntar a toalha xadrez, a mesa e as cadeiras rústicas de uma casa como a Galinhada do Bahia, no bairro paulistano do Canindé, com nossas taças e garrafas de vinho de todo o mundo.

Até hoje, já derrubamos 85 garrafas, devidamente registradas em uma planilha, com a seguinte distribuição geográfica

21 –  França

11 – Portugal

10 – Espanha

8 – Brasil

8 – Argentina

8 – Chile

6 – Itália

5 – Alemanha

2 – Austrália

2 – Nova Zelândia

2 – Hungria

1  - Líbano

1 – Índia

Assim ditribuídos:

51 Tintos

28 Bancos

6 Champanhes/espumantes

Nossa modesta lista revela, antes de tudo, como a diversidade é uma das bases do mundo do vinho. Revela também a preferência do grupo e a adega, e as possibilidades, de cada um. Provamos de Borgonhas refinados, como um Clos Vougeot 2004, a tintos argentinos. Mergulhamos o nariz tanto em champanhes safradas como em refrescantes espumantes nacionais. Enchemos nossas taças com elegantes brancos alemães e típicos exemplares de vinho verde Português. Já fizeram parte da farra preciosidades como o espanhol Viña Tondônia tinto 1985 (na sequência de fotos) e curiosidades como um tinto da Córsega e outro da Índia, este com a assinatura do onipresente enólogo-consultor Michel Rolland. Tudo vale a pena, se a garrafa não é pequena, não é mesmo?

A experiência da Baixa Gastronomia

E sem frescuras. Nós estamos ali para experimentar, para pôr à prova a combinação desta comida tão cheia de sabor com os espumantes, tintos e brancos que carregamos nas sacolas. O resultado é sempre surpreendente, revelando que o vinho não precisa ser caro e o restaurante não precisa ser estrelado para a mágica da harmonização dos sabores acontecer. E que a combinação vinho caro e comida simples e bem-feita também dá samba. Tentamos fazer com que estes dois mundos se completem. Quando não funciona, e isso acontece, aproveitamos o melhor de cada um.

Claro que vez ou outra rompemos esta regra e nos reunimos em casas mais estabelecidas e conhecidas, mas sempre com propostas originais ou qualidade certificada. Mas longe do roteiro para ver e ser visto. Nestes momentos tentamos montar outra estratégia, com uma proposta qualquer de rótulos aliado ao menu do restaurante. Se o destino é um bistrô, rótulos franceses são bem-vindos, biên sur.

Na sequência, a delicada retirada da rolha do tinto de Rioja, Tondônia 1985

Na sequência, a delicada retirada da rolha do tinto de Rioja, Tondônia 1985


As bodas de 2 anos da Baixa Gastronomia

Nossa confraria completou dois anos, como já foi dito aqui. Toda primeira terça-feira do mês temos um compromisso com nossas taças e nossa fome de experimentar novos pratos e vinhos. Ao contrário do que possa se imaginar não é uma reunião de enochatos que ficam tricotando a história de cada rótulo ou discutindo se a fermentação malolática tem ou não seu valor. Trata-se, antes de tudo, de um encontro entre amigos com uma paixão em comum: o vinho. Simples assim. Repito um pouco a definição do post anterior: uma confraria é um relação de camaradagem, de troca de experiências, um fórum vivo de sensações e avaliações. É um dos momentos mais aguardados do mês.

O almoço de comemoração da confraria da Baixa Gastronomia foi realizado no Fiorana. Um lugar especial, com cardápio também especial, elaborado pelo atencioso e simpático chef Mario Santoni, que no passado já conduziu as caçarolas da família Matarazzo.

MENU

Antepasto
Berinjelas e abobrinhas

Olivi ascolani (uma azeitona recheada com uma mistura de carne de boi, de porco e de frango misturadas a presunto, queijos parmesão, pecorino)

Salada verde com tomate

Primo piato
Malfatti (levíssima massa de nhoque, recheada com espinafre e ricota)

Secondo piato
Ganso com cogumelos salteados

Sobremesa
Degustação de tortas da casa, elaboradas por Dona Rita, proprietária da casa.

OS SETE VINHOS

  1. Grande Sendrée 2002, Drappier, Champagne, França;
  2. Pêra Manca Branco 2007, Fundação Eugênio de Almeida, Alentejo, Portugal
  3. Churchill 2005, Cabernet Franc, Bento Gonçalves, Brasil
  4. Viña Tondonia 1985, Viña Tondonia, Rioja, Espanha
  5. Comte de M 2004, Château Kefraya,Líbano
  6. Clos de Vougeaut 2004, Jean Grivot, Borgonha, França
  7. Tokaji Szanirodn 2004, Hungria

Terça-feira, dia 4 de agosto, tem mais. Eba!

Notas relacionadas:

  1. Salvem os enochatos!
  2. Uma taça para cada vinho
  3. Cursos, livros e links: aprendendo a beber, parte I
Autor: beto gerosa Tags: , , ,

quarta-feira, 29 de julho de 2009 Degustação | 12:22

Confraria, você ainda vai ter uma

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“Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe mas ninguém dorme no ponto
Há, há, há, há… mas ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos!”

Uma confraria, como se sabe, é aquela justificativa que enófilos e eventuais bebedores de vinho dão para desmarcar uma reunião importante de trabalho ou faltar ao aniversário do cunhado sem qualquer dor na consciência, pois têm um compromisso mais importante: compartilhar uma garrafa de vinho com os amigos.

Na França, o hábito de reunir amigos em torno das garrafas também é conhecido por confréries bachiques (de Baco), o que dá bem a dimensão do encontro. O diferencial que separa o porre pagão da degustação ecumênica está na escolha da bebida, da comida e da companhia: é o vinho e suas circunstâncias. É o mesmo espírito da turma do funil da marchinha, só que com uma camada de verniz.

Um pouco de história

O nome confraria tem origem na mais antiga organização do gênero que se tem notícia na França: l’Antico Confrarie de Sant-Andiu de la Galiniei, fundada em 1140, em Béziers. Não tinha o formato atual, mas aí está sua gênese. Um dos mais antigos grupos ainda em atividade também é do país de Sarkozy, que aliás não bebe: a La Confrérie des  Chevalliers du Tastevin, criada  em novembro de 1934. A história é curiosa, o resultado, melhor ainda.

Em um momento de crise de liquidez dos caldos da Borgonha, dois amigos, Camille Rodier e Georges Faiveley, tiveram a brilhante ideia para aquecer o mercado: “Se ninguém quer nossos vinhos”, raciocinaram, “vamos convidar nossos amigos para vir prová-los conosco.” E criaram a confraria.

O experimento deu resultado. O Chevaliers du Tastevin é, desde 1945, proprietário do Châetau Clos de Vougeot. A partir desta experiência bem-sucedida, outras regiões criaram seus próprios grupos que se espalharam pela Europa com o objetivo de divulgar seus produtos entre seus consumidores. São também famosas as confrarias portuguesas do Vinho do Porto – que tem entre seus membros figurões tão díspares como Fernando Henrique Cardoso e o ditador Fidel Castro  e do Periquita, criada em 1993 para reunir os amantes do rótulo português mais consumido no Brasil. Entre seus 165 atuais membros se misturam  personalidades como o especialista e historiador de vinho Carlos Cabral e a especialista em entornar a taça Hebe Camargo.

A mãe de todas as nossas confrarias

Mas as confrarias que nos interessam são aquelas formadas por grupos anônimos, sem interesse comercial. A popularização destes grupos de vinho é um fenômeno recente entre nós. Acompanhou o crescimento do mercado, o surgimento das lojas especializadas, a evolução do serviço dos fermentados nos restaurantes. Elas são, de certo modo, uma conseqüência da explosão dos cursos de iniciação de vinho e da popularização da bebida na classe média.

As confrarias brasileiras podem ser uma novidade entre os neófitos, mas é importante o registro dos desbravadores. Afinal, não cabe aqui a mesma síndrome do governo Lula: como se nunca antes neste país um grupo de conhecedores tivesse se reunido para apreciar a bebida de Baco. A Confraria do Amarante, idealizada pelo especialista José Osvaldo Albano do Amarante e pelo crítico e jornalista Saul Galvão (falecido em 2009), está na ativa há 26 anos. Desde fevereiro de 1983 doze amantes de vinho se reúnem mensalmente para degustações às cegas – aquele tipo de prova em que as garrafas são embaladas e os rótulos só revelados no final –,  sempre acompanhadas de jantares em bons restaurantes de São Paulo. O grupo já provou cerca de 2.700 garrafas, todas meticulosamente registradas e comentadas em uma planilha pelo autor de uma das melhores obras de referência sobre o tema: Os Segredos do Vinho – Para Iniciantes e Iniciados. De certa maneira, a Confraria do Amarante é a mãe de todas as confrarias que surgiram de lá para cá.

Também têm história para contar a confraria dos Amigos de Babette, que se reúne para cozinhar e harmonizar pratos refinados com comida idem e a Confraria Madame Pompadour, um clube da luluzinha de Baco – uma resposta às confrarias dominadas pelos marmanjos – que se dedica a degustações de champanhes franceses.

Agora é sua vez

Uma confraria se forma para que amigos compartilhem suas melhores garrafas, experimentem as novidades, comparem o rótulo A com o rótulo B, cotizem uma garrafa que é objeto de desejo, isso tudo em clima de camaradagem e descontração. É também aquele momento em que o vinho é protagonista. Em que  ninguém vai ficar olhando torto para a sequência de rótulos, reclamando do balé de taças girando sem parar e ironizando o festival aromas que cada degustador encontra nos caldos. Afinal, como conclama um dos  primeiros posts deste blog: Salvem os enochatos! E se o objetivo é só beber comentando o jogo de domingo, qual o problema? A regra é não ter regra. O importante é o encontro.

Então, que tal criar a sua confraria? Reúna os amigos, e monte um grupo.

Algumas dicas para aproveitar melhor suas reuniões.

1. É importante manter uma agenda. Procure estabelecer uma data fixa para os encontros. Todas as primeiras quartas-feiras do mês, algo assim, que facilite o agendamento e continuidade do grupo. Se for esperar o melhor dia para cada participante, é capaz de a confraria nunca passar do primeiro brinde;

2. Aproveite as facilidades da tecnologia e organize as reuniões por e-mail ou então crie contas nas redes de relacionamento como Facebook, Orkut ou MySpace, onde os encontros podem ser registrados com imagens e textos, ou até mesmo em tempo real, com apreciações de no máximo 140 toques do Twitter, por exemplo;

3. Escolha um tema para o encontro. Pode ser um país (vinhos argentinos), uma região mais específica (Borgonhas), um tipo de vinho (brancos), de uva (riesling) ou mesmo safra (Baraolos de 2001);

4. A experiência pode ficar mais rica também se alguém se dispuser a pesquisar sobre os vinhos que vão ser degustados, as principais características, um pouco de sua história e algumas curiosidades sobre as uvas, as principais vinícolas, estes detalhes que fazem a alegria dos enófilos de carteirinha, mas que também atiçam a curiosidade de quem está chegando neste mundo;

5. Se for harmonizar com comida, combine de cada colega levar pelo menos um representante de cada variedade: um espumante, um branco, tintos e um de sobremesa;

6. Anote o nome, safra e produtor do vinho e registre os rótulos com fotos. Assim, você vai criando seu acervo pessoal das provas e pode repetir a garrafa que mais lhe agradar em outra oportunidade;

7. Se o encontro for na casa de um dos confrades, verifique se é preciso levar taças adicionais;

8. Se a reunião for marcada em um restaurante, é importante perguntar, no ato da reserva, se a casa cobra serviço de rolha, se tem taças de vinho adequadas, etc. Se não tiver, não se acanhe em levar suas taças, saca-rolhas, balde de gelo, o que for preciso para aproveitar ao máximo a oportunidade;

9. Se existir serviço de vinho no restaurante, reserve uma taça de um vinho ao sommelier ou proprietário e ouça a avaliação do profissional;

10. A dica mais importante, no entanto, é tornar este hábito um prazer, uma diversão daquele tipo que você espera ansiosamente pelo próximo encontro.

Você já tem, ou teve, seu grupo de vinhos? Conte aqui sua experiência. No próximo post, eu conto a minha. São dois anos da Confraria da Baixa Gastronomia, da qual orgulhosamente faço parte e que  completou recentemente dois anos de brindes. Mas isso merece outro texto.

Obs.: Aos meus persistentes seguidores que reclamaram na área de comentário, e com justa razão, do meu sumiço, minhas sinceras desculpas. Outras atividades me impediram de batucar aqui. Mas prometo recuperar o tempo perdido.

Notas relacionadas:

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  2. Cursos, livros e links: aprendendo a beber, parte I
  3. Para que serve um decanter?
Autor: beto gerosa Tags: , ,

quarta-feira, 8 de julho de 2009 Velho Mundo | 22:30

A última do português

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Sede da Quinta da Alorna, em Portugal

Sede da Quinta da Alorna, em Portugal

Vinho português não chega a ser uma novidade na mesa dos brasileiros. Quem aí do outro lado da tela nunca provou um cálice de Porto, uma taça do vinho verde Casal Garcia ou mesmo o tinto Periquita, nome que é motivo de um sem-número de piadas entre os neófitos, mas que não provoca qualquer comentário malicioso entre seus habituais consumidores.

Mas… Lisboa, temos problemas. Os representantes dos tintos d’além mar no Brasil não ficaram nada satisfeitos com a posição que coube a Portugal no ranking em volume de garrafas importadas em 2008: 4º lugar. A Itália atropelou nossos colonizadores e passou para a terceira posição (ver tabela abaixo).

1º  Chile  34,38%
2º  Argentina  26,54%
3º  Itália  17,91%
4º  Portugal  11,24%
5º  França  4,54%

ATUALIZAÇÃO (16/07/2009)
Portugal volta a ocupar o terceiro lugar!

Acabo de receber, do consultor Adão Morellatto, um informe com o mais recente levantamento do mercado de vinhos importados no 1º semestre de 2009, comparando com igual período de 2008. Aparentemente os tintos e brancos lusitanos voltam a ocupar o terceiro lugar mais em virtude da queda dos italianos – fenômeno que Adão ainda tenta destrinchar – do que pelo crescimento dos portugueses. Em todo caso, mostra uma reação e uma valoração nos preços.  Reproduzo na íntegra, sem edição, abaixo:

Conforme havíamos previsto houve uma queda de 1,923% em valor e de 0,871% em volume, refletindo muito  o mercado de capitais, a partir de setembro/08. Assim manifestaram-se os principais players do mercado:

1.    CHILE - Novamente deverá fechar o ano como principal exportador, com 33,55% de Share Value e 38,42% de Share Market, apresentando um crescimento de 1,457% em valor e de 2,130% em volume, como este ano há uma desgravação aduaneira, que estabelece o produto chileno próximo de 9% de I.I. (Imposto de Importação),  provavelmente seguirá com esta tendência de crescimento.

2.    ARGENTINA -   Também segue a tendência de consolidação como 2º maior exportador, mas apresentando um Share Value de 23,63% e Share Market de 27,03%, com crescimento próximo ao apresentado durante todo o ano de  2008 de 4,789%.

3.    PORTUGAL - Destacamos a performance equilibrada deste exportador, não sofrendo muita alteração em sua participação há alguns anos, apresentando um Share Value de 14,25% e Share Market de 11,11%, observado que seus vinhos possuem um custo médio de US$ 3,07 e com posicionamento constante de valoração.

4.    ITÁLIA - Foi o país que apresentou a maior queda entre os cinco primeiros players, com queda de 17,493 de Share Value, e com uma representatividade de 12,05%. Ainda estou levantando alguns dados na origem para identificar a razão para tamanha queda.

5.    FRANÇA - Também apresenta uma queda acentuada de 9,848% de Share Value e com participação de 9,08%.

6.   DEMAIS PAÍSES - Observa-se uma queda de 4,939% em Share Value.

Conforme dados acima, o primeiro semestre sempre apresenta uma queda, pois é um período típico de reposição, no segundo semestre, mantendo as paridades cambiais vigentes, teremos um quadro mais animador e de acordo com algumas fontes, grandes redes de mercado, iniciaram conversações para o fim do ano, portanto, provavelmente apresentaremos em Janeiro de 2010, uma situação mais otimista, observando que o mercado atual, já desovou grande parte do stock remanescente e já se observa uma demanda de aquisição e reposição de produtos.

O contra-ataque

Portugal não entrou em guerra, mas também não acovardou-se. E prepara o contra-ataque. Se 2009 é  o ano da França no Brasil, o braço lusitano que promove os vinhos da terrinha no mercado interno e externo resolveu promover por aqui o Ano do Vinho Português. Em uma parceria com  a Associação Brasileira de Sommeliers, a Viniportugal irá promover palestras com enólogos representativos das regiões mais importantes de Portugal. Já participaram das degustações: a estrela da Bairrada e do Dão, Luis Pato, com seus vinhos homônimos, e, mais recentemente, veio comentar seus brancos e tintos o enólogo Nuno Cancela de Abreu, da vinícola Quinta da Alorna, do Ribatejo.

Ribatejo? Não! Agora pode chamar de Tejo

O Ribatejo, como várias outras regiões do planeta,  melhorou muito a qualidade de seus vinhedos e rótulos nos últimos vinte anos.  Para mudar a imagem de seus produtos, o pessoal da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Ribatejo teve então uma grande ideia. Se o Ribatejo estava associado a vinhos de grande volume e pouca qualidade do passado (lá chamados de “vinho carrascão”), resolve-se o problema eliminando as inicias do nome, rebatizando-a como Tejo.  O Rio Tejo, com seus  1009 quilômetros de extensão, é símbolo da região, que corta em duas metades. De certa forma esta decisão repete o batismo de outras regiões vinícolas da Europa, estabelecidas em torno de rios, a exemplo do Douro. Mesmo assim, creio que a decisão partiu de um palpite de algum marqueteiro ou  uma consulta a um numerólogo. Parece piada. Ribatejo e Tejo não faz lá muita diferença.

O enólogo Nuno Cancela comentou a um grupo de jornalistas que o novo nome também facilitaria o reconhecimento dos rótulos no principal mercado mundial de vinhos, os Estados Unidos. Ah, tá… Fica combinado então que para o americano médio ficou  mais simples dizer Tejo. Mas e quando o mesmo sujeito topar com as uvas nativas? Como vai pronunciar fernão pires, alicante bouschet, castelão, tinta miúda, touriga nacional…

Opinião divergente

Reproduzo aqui um comentário assinado por Azeredo no  fórum Enogastronomia - um dos fóruns de vinho mais movimentados da web.
Azeredo rebate minha observação irônica sobre a mudança de Ribatejo para Tejo com o seguinte argumento:

Não, não foi obra de marqueteiro, nem de numerólogo, muito menos é uma piada, e faz uma enorme diferença.
A decisão é discutida há muitos anos, foi embasada nos relatórios e pesquisas sobre o vinho portugues nos mercados internacionais.
Todos eles mostram que uma das sete grandes barreiras para a divulgação e aceitação dos vinhos portugueses no estrangeiro é’ o desconhecimento e dificuldade dos consumidores de localizarem a sua origem.
Isto faz uma enorme diferença, para quem quer conquistar mercados altamente competitivos.
Assim sendo, a “última do português” é uma medida extremamente salutar, que aumentou em 27% as exportacoes para paises consumidores.

Comento

Azeredo, como se vê, tem uma argumentação sólida, por isso acho que vale a intervenção neste espaço, apesar de ele ter enviado sua opinião em outro fórum de discussão.  A ironia do texto foi levada ao pé da letra. O que acredito, e tento expor nesta nota,  é que é o  salto na qualidade dos vinhos da região –  mencionado no texto –  que impulsiona o crescimento nas vendas.  A troca de nome é uma consequência, uma decisão de marketing.  Aliás, a  mudança  é recente, não deve ter influenciado, ainda, o aumento em 27% as exportações dos vinhos portugueses.

Vinhos: um espumante, um  branco e dois tintos

Das minhas recentes incursões pelo terreno lusitano, quatro indicações, para momentos diferentes, já que o tema aqui é Portugal

Bairrada

Espumante Baga Luis Pato rosado bruto (R$ 67,00, na Mistral) – Indicação de espumante português não é piada. É uma boa opção também, pode acreditar. Este frisante rosado é elaborado com a uva baga, que fez a fama de Luís Pato. Seco e refrescante, tem aquele aroma de frutas vermelhas frescas e uma acidez que limpa a boca, que é o que se espera de um bom espumante, com um toque diferenciado no sabor que o rosé traz. Arrisque, e depois venha comentar aqui.

Riba(ops) Tejo

Quinta da Alorna Branco 2008 (R$ 36,90) – Na minha eterna evangelização dos brancos nesta coluna, aqui vai  uma sugestão que é saborosa e de preço atraente. Muito fresco. A uva arinto dá notas de frutas mais amarelas, como melão, e a fernão pires aquela sensação cítrica e viva. Um belíssimo vinho de entrada, de piscina.

Quinta da Alorna Reserva Tinto 2007 (R$ 73,50, ambos encontrados na Adega Alentejana) – A uva cabernet sauvignon, misturada a uma das maiores representantes do solo português, a perfumada touriga nacional,  cria este vinho de corte que descansa em barricas novas de carvalho francês por um ano antes de ser engarrafado. Se o primeiro branco é um vinho de piscina do Tejo, já este é tinto para a sala de jantar, com frutos mais maduros, taninos mais complexos e maior estrutura, reafirmado pelo final consistente.

Douro

Quinta da Touriga Chã 2004 (de R$ 137,00 por R$ 79,00, até dia 31 de julho na liquidação da Interfood Clasics) – Esta é uma daquelas boas ofertas que valem a pena para conhecer um produto diferenciado. A touriga nacional é “a uva” portuguesa por excelência – bem conduzida e vinificada se transforma em caldos muito interessantes. Este aqui (80% touriga nacional e 20% tinta roriz) é, ao mesmo tempo, delicado no nariz (flores, violetas) e potente na boca (frutas negras e doces). Desce macio e pede mais um gole. Acompanha bem assados, mas acompanha melhor ainda um bate-papo entre amigos que gostam de um bom vinho português.

Notas relacionadas:

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  2. O Douro, o Porto e as letras
  3. Você conhece vinho do Porto?
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