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14/10/2009 - 18:19

A palavra, o pavio e a palmatória

SÃO PAULO | Felipe Massa é um cara bom de entrevista. O lado negro da força sentou-se à esquerda de quem entra no espaço reservado ao enche-pança-com-carne e esperou o brasileiro falar à beça ali no outro canto. Depois chegou sorrindo, mesmo sabendo que parte do que houvera falado anteriormente seria repetido à exaustão.

Ainda chama atenção a parte ocular afetada pelo acidente do fim de julho. O olho em si já não está tão fechado; lembra muito quem sofre de miastenia, uma doença que acomete os nervos e se caracteriza pela queda das pálpebras. A olheira é profunda. Sentou e colocou o fino celular na mesa. “Você vem sempre aqui?”, brincamos, e aí o papo fluiu por uns tantos 40 minutos, interrompidos pela vegetariana Vanessa Ruiz e seu afã de falar ao vivo em sua rádio.

E num TOC, respondeu a todos rodando o celular. Primeiro falou da tristeza pela ausência em Interlagos e em Abu Dhabi daqui duas semanas. E depois da tristeza que sentiu pelo caso de Cingapura, pelo envolvimento de Nelsinho Piquet e pelo não cancelamento da corrida.

Massa se sente totalmente apto a correr. Mas foi aconselhado a evitar. Um novo acidente pode trazer sequelas. A prudência falou mais alto. “Estou em condições”, falou umas tantas vezes, num tom de lamentação por não poder estar no carro daqui a dois dias.

O ponto alto, no entanto, foi a contudente declaração de que Fernando Alonso sabia da armação que a Renault aprontou em Cingapura no ano passado. “Não tem como ele não saber. Lógico que ele sabia. Certeza absoluta.”

Massa falou isso numa boa. Uma impressão normal, que segue a linha da grande maioria que tem o mínimo conhecimento do caso — embora a FIA aponte, em sua investigação, que Alonso não soubesse. Mas logo no fim da tarde, a Ferrari expôs em sua página uma espécie de retratação. Alegou que Felipe falou de cabeça quente. 

“O que disse é fruto de uma impressão pessoal que não está baseada em qualquer elemento concreto. O Conselho Mundial da FIA estabeleceu que não há nenhuma prova de que Fernando tivesse sido informado do que aconteceria e eu respeito essa decisão. É óbvio que eu tenha ficado desgostoso com o que aconteceu em Cingapura no ano passado. Já manifestei várias vezes minha opinião a respeito do ocorrido; agora é o momento de fecharmos definitivamente essa página e olhar para frente. O que é certo é que aquele episódio não condicionará de forma alguma o relacionamento que terei com Fernando quando formos companheiros de equipe.”

O esclarecimento da Ferrari soa mais incisivo que a própria declaração de Massa. A tentativa de quase desdizer uma opinião que notoriamente era uma impressão pessoal mexeu na ferida que não existia. A Ferrari apareceu com panos quentes agora sujos que já ganham as páginas de todo o mundo. Assumiu a culpa onde não havia culpado.

Deu o braço. E não vai chorar a palmatória.

Autor: Victor - Categoria(s): F1 Tags: , , , ,
27/09/2009 - 14:19

Anti-stall, a mangueira de 2009

SÃO PAULO | É tudo muito bonito, bem iluminado, caprichadinho, uma nova praça que já ficou muito mais falada do que muitos locais que recebem a F1 há zilhões de temporadas, mas Cingapura não tem lá corridas das mais animadas. Aliás, é quase um dogma em relação às provas de rua. São alguns momentos interessantes, mas disputas e trocas de posições são artigos em falta.

É por isso que, dadas as condições normais de temperatura e pressão, a pole de Hamilton ontem, mais pesado, já delineava que sua vitória seria fácil, “simples”, como o próprio definiu. É bem verdade que Rosberg e Vettel trataram de deixar sua vida mais mansa, com erros que lhes trouxeram punições, mas dificilmente alguém conseguiria demover o redentor Hamilton.

Lewis, aliás, seria uma grande pedra no sapato brawniano se a McLaren tivesse este carro desde o começo da temporada. A partir da Hungria, quando praticamente colocou um novo modelo na pista, Hamilton conseguiu 28 pontos, menos apenas do que Raikkonen, que fez 30 e nadinha, absolutamente nadinha, hoje. Barrichello, com o sexto lugar, foi a 25. Button, quinto, somou 16.

Button, aliás, sai como vitorioso do fim de semana (oh!, não diga?). Digo. Antes Barrichello precisava tirar 3,5 pontos por corrida. Sua meta agora é de mais de 5, visto que não adianta empatar na classificação geral — são 15 pontos mais um que Jenson tem pelo número de vitórias a mais. E só em uma corrida durante a temporada toda, a de Valência, Barrichello conseguiu somar mais do que cinco pontos que o companheiro.

Apesar do discurso otimista, “pra frentex”, como diria Ivan Capelli, e do “barrichellocentrismo” que permeiou a transmissão — todos os ocorridos tinham de beneficiar Rubens —, o resultado de Cingapura é um baque. Barrichello, ainda, revelou o que a TV acabou não mostrando: um problema no segundo pit-stop.

A transmissão da prova mostrava por diversos ângulos o problema que tirou Webber da corrida, com o disco de freio, e só pegou a saída dos pits de Barrichello, sem resgatar as imagens dos segundos anteriores. Disse o brasileiro que não conseguiu engatar o ponto morto e não entrou o anti-stall, que já havia o atrapalhado nas largadas da Austrália, da Turquia e da Bélgica, e o motor se foi. “Perdi uns 10 segundos”, lamentou.

Não foram bem 10 segundos, mas foram, de fato, decisivos. Em sua primeira parada, na volta 19, Barrichello gastou 25s101; Button, 25s845 quando parou na 29. Na segunda, na 46, o tempo perdido por Rubens foi de 27s438; o inglês, 22s408, na 51, mais ou menos na linha das últimas paradas dos demais. Isto é, Barrichello perdeu 5s030 em relação ao companheiro. Ao retomar o ritmo de prova, o brasileiro tinha cerca de 25s de desvantagem para Button antes da parada deste. Se tivesse, portanto, não perdido tempo no pit, provavelmente voltaria à frente de Jenson.

Semana que vem no Japão, Button já pode ser campeão, embora a tendência seja que Barrichello salve o match point e tente nova sobrevida em Interlagos. No caso de não ficar com o título, os problemas com o anti-stall serão responsabilizados. Do mesmo modo que a mangueira do pit de Massa recebeu a culpa, injustamente sozinha, em 2008.

Autor: Victor - Categoria(s): F1 Tags: , , , , ,
25/09/2009 - 14:13

As coincidências da noite

SÃO PAULO | Todo mundo na F1 pode indiretamente estar fazendo um grande esforço para deixar o que aconteceu em Cingapura no ano passado.

Mas correr justamente em Cingapura neste fim de semana já era um fator claro de que o assunto seria martelado ao extremo.

Mais ainda com a rodada de Romain Grosjean, o substituto de Nelsinho Piquet, justamente no mesmo ponto em que provocou a batida do ano passado.

E Fernando Alonso está andando bem, embora os treinos livres valham menos que Flavio Briatore.

Só falta alguém bater na volta 14 da corrida de domingo…

Autor: Victor - Categoria(s): F1 Tags: , , , , , ,
21/09/2009 - 11:25

O passe livre para o crime

SÃO PAULO | Ninguém esperava que os 26 doutos membros do Conselho Mundial, imbuídos pelo espírito da Revolução Francesa, mandassem Flavio Briatore, Pat Symonds, Fernando Alonso e Nelsinho Piquet, à guilhotina, ali na Place da la Concorde, esperando que o mundo tomasse ciência de que a moralização do esporte, e não só do automobilismo, precisa de atitudes drásticas, representando um marco zero para todos os atletas. Da mesma forma, era um ou outro que achava que o julgamento de hoje seria um lava-mãos que atirasse à F1 no mesmo patamar de um truco.

Mas na escala dos extremos, a decisão da FIA pendeu muito mais para o joio do que para o trigo.

Porque não fez mais que a obrigação ao defenestrar para todo e sempre Briatore, que brincou bastante de F1 sempre de forma suspeita e usou a categoria mais para seus desejos pessoais, tipo passeios de barco com 40 modelos a seu dispor, do que para fazer algo de produtivo ao automobilismo. A questão, nisso tudo, é que Briatore é só mais um. Sua saída não significa que a categoria está livre da representação do Mal. Como diria o poeta bêbado, é borrifar o Bom Ar num banheiro químico. 

Impedir o trabalho de Symonds por cinco anos é inexplicável, a partir do momento em que o Conselho não apontou que houve alguma recompensa por eventual denúncia do dito cujo. Numa investigação que concluiu que ele e Briatore agiram unidos, e que Symonds até teve mais ações, a diferença nas penas denota simplesmente que a intenção da audiência era pegar Briatore para Cristo, e deixar que o tempo se encarregue de apagar as marcas da falcatrua. E como cada vez mais, em tempos de consumo rápido de tudo, nossa memória é seletiva, não é de se duvidar que “abrandem” a punição por “bom comportamento”, e Symonds voltaria bonito e pimpão antes de 2014.

À Renault, então, diria o filósofo contemporâneo Gerson que foi brincadeira, um belisquinho e um peteleco na orelha, já que um puxão poderia doer. Dois anos de suspensão em caso de reincidência é como tirar do criminoso a arma do delito que comprovadamente cometeu, ou foi cúmplice, e achar que um simples sermão vai salvar sua alma pecadora. Nem o Pastor Malafaia seria capaz de uma transformação tamanha. Se a Renault um dia contar sua história, vai escrever que a grande FIA concluiu que sua culpa foi ter sido ingênua de não perceber que tinha um par de Dick Vigaristas em seu quadro de funcionários, passando adiante para um próximo capítulo literalmente à francesa.

A Alonso, nada. Mas nem devem ter discutido tirar o troféu, perder a corrida, nada, nada, nada. Nelsinho saiu livre, como paladino da moralidade e dos bons modos, amparado pelo escudo da língua solta ávida por vingança. Adotou o papo do arrependimento, que é do direito de qualquer um, de que não quer perdão e de que vai recomeçar a vida no automobilismo do zero. Não pode fazer o mesmo com a integridade. A desculpa que muitos apontaram, o fato de ter, à época do caso, 23 anos, e estar sob pressão por não ter emprego para o ano que vem, de ter sido marionete, é ridícula. Piquet aceitou fazer parte da armação, pronto. Tivesse por princípio a moralidade e a ética, evitava tudo isso. Evitava o botão da tabula rasa que não lhe dá garantia nenhuma de que vai ter um lugar em 2010. E recomeçar deve ser buscar a vida em outros ares.

Ao fim e ao cabo, as decisões tomadas pela FIA hoje demonstram que a delação premiada passa a ser sinônimo de salvação, de solução e de honra.  A F1, no frigir dos ovos, dá respaldo para que safadezas sejam cometidas, e os autores que um dia, por qualquer motivo, se ressintam do pecado, que aflorem a covardia e delatem seus colegas, que se transformem em alcaguetas profissionais. E para estes, o resultado é uma mera questão de mudar a dor da consciência.

Autor: Victor - Categoria(s): F1 Tags: , , , , , , ,
20/09/2009 - 14:59

Nelsão rompeu com Nelsinho

SÃO PAULO | A notável Barbara Gancia colocou uma informação interessante em seu blog hoje. Citando uma boa fonte — e bota boa nisso —, diz a jornalista que Nelsão Piquet, ao saber do ocorrido em Cingapura, brigou com Nelsinho e ficou dois meses sem falar com o rebento. O original está aqui.

Ou seja, no GP do Brasil, em que Nelsão fez a denúncia para Charlie Whiting — notícia também confirmada pela Barbara — e que “negociou” o fico de Nelsinho na Renault, pai e filho não se falavam.

À medida que as informações vêm à tona, todo esse caso sórdido de armação de resultado vai concentrando a culpa no trio Briatore/Symonds/Nelsinho. Ou num eventual quarteto, com Alonso, que foi chamado às pressas para dar mais declarações antes do julgamento do Conselho da FIA.

O que significa que tem algumas coisinhas ainda meio sem explicação. E Alonso, vale dizer, tem a fichinha suja, com envolvimento no caso de espionagem entre McLaren e Ferrari e da atuação de seu massagista na classificação do GP da Hungria, para atrapalhar Lewis Hamilton na disputa pela pole. É um ponto que a Barbara levantou na conversa que tivemos há pouco.

Alguma punição tem de haver nessa segunda. O caso ficou tão explícito e a sujeira está tão exposta e espalhada que uma multa, módica ou exacerbada, faz a F1 ficar ao nível de um truco, em que o roubo faz parte do jogo.

Autor: Victor - Categoria(s): F1 Tags: , , , , , , , ,
16/09/2009 - 17:34

Um olhar, sem palavras

SÃO PAULO | Acompanhava alguns vídeos sobre a corrida de Cingapura no ano passado e me deparei com um, de boa qualidade, que mostrou a reação da comemoração da vitória de Fernando Alonso.

O outrora puto Briatore com o “não-piloto” Piquet esbraveja com a conquista. Daí olha para a esquerda. E aí os screen shots do olhar do rapaz ao lado do ex-dirigente da Renault falam mais que tudo.

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Autor: Victor - Categoria(s): F1 Tags: , , , ,
16/09/2009 - 14:46

Moreno: “Estou de queixo caído”

SÃO PAULO | Há cinco dias, quando os documentos vazados da FIA e o próprio Nelsinho Piquet atestavam a participação no episódio de Cingapura, além da confissão da delação, entrei em contato novamente com Roberto Moreno. O ex-piloto, que tem vínculos amplamente conhecidos com os Piquet, havia dado belas e contundentes declarações de defesa da honra da família, em que duvidada veementemente da participação de qualquer um deles neste episódio.

Moreno me respondeu há pouco o e-mail. 

Primeiramente, Roberto agradeceu “a todos que me apoiaram respondendo o Blog Victal“. “Fiquei emocionado de saber quantas pessoas gostam de mim e apoiaram meus comentários”. E pediu desculpas “pela minha falta de informação, pura ignorância em relação à nova F1, que eu pessoalmente categorizo por razões pessoais de ‘F1 PS’, ‘pós-Schumacher’”.

Moreno não demorou a expressar sua imensa surpresa. “Estou me sentindo muito mal, de queixo caído com o desenvolvimento desta situacao Briatore/Nelsinho.  Tudo em que eu acreditava me mostraram que eu estava enganado”, falou. Disse sentir saudades da F1 dos anos 70 e 80. “Acredito que meus 12 anos nos Estados Unidos me deixaram por fora do que realmente pode acontecer quando se tem uma pessoa como o Briatore comandando uma equipe.”

O brasileiro, que mora em Miami, falou que sente muito por Nelsinho ter sido convencido a fazer parte da armação. Também, “sinto muito pela demissão de Pat Symonds, meu amigo de longas datas, de tomar chá juntos na fábrica de formula Ford da Royale em 1979, onde ele foi o projetista do meu primeiro carro de corrida, o Royale RP26″, carro que Moreno ajudou no desenvolvimento. ”Fui ate baby-sitter de sua filha algumas vezes para ganhar um trocado a mais”, revelou.

Roberto apontou que “muita coisa ainda vai acontecer” pelo que conhece de Nelsão. “Ele não vai deixar por menos”, indicou. “Não vai deixar o filho que ele tanto apoiou para chegar aonde chegou ser punido pelas pressões de Briatore sem fazer o Briatore pagar caro por isso”. Mais: “Se ele ainda é o Nelson que conheço vai até o fim nesta história toda, nao vai sossegar enquanto o Briatore nao tiver pagado bem caro o que fez seu filho fazer.”

E na guerra contra Briatore, Moreno disse, em tom de brincadeira — com seu inerente fundo de realidade: “Não preciso dizer que terá todo o meu apoio neste processo.”

Autor: Victor - Categoria(s): F1 Tags: , , , , ,
16/09/2009 - 14:20

Parlatório

SÃO PAULO | Agora que a Renault se encarregou de despachar os arquitetos da farsa de Cingapura, o que os caros internautas acreditam que vá acontecer à equipe francesa no julgamento do Conselho Mundial da próxima segunda?

Uma exclusão e açoitamento na Place de la Concorde pública? Uma multa à la caso de espionagem, de uns tantos milhões que não eram tantos assim na prática? Uma reprimenda com predicados de menina boba com cara de mamão e um conselho para que não repita mais esta prática? Mandem bala.

Autor: Victor - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
09/09/2009 - 14:15

Piquet: denúncia e delação premiada

SÃO PAULO | Coloco o mesmo texto que está no Grande Prêmio aqui. Que é um apanhado do que havia escrito dias atrás (sobre vendetta e delação premiada).

A delação premiada deve salvar a pele de Nelsinho Piquet na F1. A investigação que transcorre sobre o GP de Cingapura de quase um ano atrás deve mirar em Flavio Briatore, e consequentemente na Renault, sem que sobre a quem denunciou a armação consumada na volta 14 da primeira corrida noturna da história da categoria.

O Grande Prêmio apurou que a história tem seu início na pressão exercida por seu empresário e chefe, face a ameaça de demissão no ano passado, e seu pavio na revelação de que a perda do controle do carro na saída da curva 18 do circuito de Marina Bay foi proposital e deliberada.

A situação de Piquet na Renault em 2008, se não for da lembrança de todos, era similar à que viveu neste ano, com Briatore chegando ao pé do ouvido em tom de ameaças. Tirando o GP da Alemanha, em que conquistou um segundo lugar casual, por conta de uma estratégia de pits decorrente da entrada do safety-car por um acidente de Timo Glock, Nelsinho ficou apagado. E a Renault errou a mão no carro, e nem Fernando Alonso o salvava.

Surgiu, então, um fim de semana em que o R28 andou na frente, o de Cingapura. O desespero de Alonso com o carro quebrado no treino classificatório em que pintava como favorito à pole foi a expressão máxima de quem via ali sua única chance de vitória se esvair. E logo depois, o plano começava a ganhar formas.

Alonso largaria leve da 15ª posição e teria um número X voltas para fazer sua parada, muito antes até do que os ponteiros. O carro de segurança aparecia, o grupo ficaria junto até que os boxes fossem abertos, e aí o espanhol pularia lá para frente. Aí entrou Nelsinho. E Briatore exerceu a função que mais usou contra Nelsinho, a que o próprio definiu como carrasco.

Era aceitar ser o cara que provocaria a entrada do SC para contento de Alonso ou a demissão da Renault. A garantia era a continuidade até o fim da temporada e seria ponto vital na renovação do contrato para 2009. Nelsinho acabou aceitando.

Na volta 12, o carro 5, em 11º, fez sua parada nos pits. Dois giros mais tarde, o carro 6, em 16º, “perdia o controle” e enchia o muro até com violência. Então último por sua ida aos boxes, Alonso subiu para 16º na volta 15, ganhou uma posição na 17, aparecia em quinto na 18 e foi subindo até a ponta sem mais perdê-la na 34.

Piquet sofria ameaça constante de substituição pelo compatriota Lucas Di Grassi. O acordo cingapuriano o manteve até o fim do ano. O acordo cingapuriano foi decisivo para que seguisse na Renault nesta temporada, ainda que Briatore embutisse a cláusula de contrato que dava chance de defenestrá-lo se Nelsinho não conseguisse 40% dos pontos que Alonso tivesse obtido até metade do campeonato.

E chegou na metade do ano, e Piquet estava zerado na pontuação. Após o GP da Alemanha, aquele em que largou na frente de Alonso, Nelsinho chegou a ser demitido. A notícia foi dada por Galvão Bueno, inclusive. Na terça, a readmissão. É que naquela manhã, em Mônaco, os Piquet relembraram o caso de Cingapura. Encostaram Briatore na parede. E o dirigente deu mais uma corrida a Piquet, tendo em seu carro todas as evoluções contidas no de Alonso.

A saída veio após a Hungria. Nos bastidores, os Piquet arquitetavam a ‘vendetta’. Contaram à FIA o episódio do ano passado. Segundo a revista “Autosport”, Nelsão entrou em contato com Max Mosley para lhe contar do que havia ocorrido em Cingapura em 26 de julho, dia do GP da Hungria. Quatro dias depois, ainda de acordo com a “Autosport”, Nelsinho foi à sede da FIA em Paris para dar um depoimento aos representantes da entidade.

A FIA abriu investigação chamando os três comissários do GP de Cingapura, além de dois investigadores da Quest — uma firma de investigação de ex-agentes do FBI — dando garantias de que nada vai sobrar a Nelsinho. De posse dos dados da telemetria e com depoimentos de funcionários da Renault, a FIA chegou à conclusão de que a denúncia tem fundamento. E se assim for, deve punir Briatore e sobrar para a montadora francesa.

Eventualmente livre, Piquet negocia com a Campos para ficar na F1. Senão vai para a Indy. Tanto que viajou para os EUA na semana passada para negociar por lá.

Autor: Victor - Categoria(s): F1 Tags: , , , , , ,
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