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quarta-feira, 27 de julho de 2011 Brasil | 07:58

SETH ERROS: EDIÇÃO ESPECIAL – Como ser brasileiro, mas não demais, no exterior

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É bem difícil um turista chegar ao Brasil e não se apaixonar pela paisagem, pela música, pela comida. Mas é o povo que deixa a melhor impressão. Vocês são charmosos, otimistas, sorridentes, hospitaleiros. E as qualidades são contagiantes. O estrangeiro chega e entra na mentalidade brasileira. Como dizem, quando em Roma, faça como os romanos…

Mas o que acontece quando o romano sai de Roma? Ou seja, agora que muitos brasileiros estão viajando pela primeira vez para o exterior é preciso pensar em quais “brasilidades” funcionam, e quais não, além das fronteiras brasileiras.

Sorrir muito e ter uma atitude positiva são qualidades que sempre ajudam

Sorrir muito e ter uma atitude positiva sempre vão dar certo. Outros costumes… nem tanto. Seguindo a tradição da coluna, fiz uma lista de sete, ou seja Seth, erros para o brasileiro evitar no exterior. (Um esclarecimento para o leitor. Deve ser irônico receber conselhos de comportamento de alguém dos Estados Unidos, país que produz talvez o turista mais chato e irritante do mundo – o famoso “ugly American”. Mas é que meu povo já é um caso perdido. Há séculos que nós viajamos pelo planeta fazendo besteiras, e cachorro velho não aprende truques novos. Para vocês, ainda há tempo.)

1) FALAR COM O POLEGAR. É talvez a “brasilidade” mais comentada pelos americanos que visitam o seu país pela primeira vez: esse sinal de levantar o polegar (ou até os dois) para dizer “ok”, ou “não tem problema”, ou “de nada”, ou “pode passar” ou até simplesmente “bom dia”. O brasileiro não inventou o “thumbs up” (como se diz em inglês), mas é de longe o país que mais usa. Por exemplo, tenho um amigo que cada vez que viaja ao Brasil conta quantos “thumbs up” recebe por dia. Dois polegares ao mesmo tempo valem dois, óbvio.

Tudo bem dentro do Brasil. Mas em muitos outros países, é esquisito – até brega – fazer isso. (E em alguns países é vulgar: Bangladesh, por exemplo.) Para nós, nos Estados Unidos, é coisa do passado. Lembra muito o personagem “The Fonz” do seriado “Happy Days”, um cara cool demais… só que nos anos 50.


2) TOMAR BANHO. E OUTRO. E MAIS UM.
Os brasileiros são, sem dúvida, o povo mais limpo do mundo. Às vezes acho que nos dias mais quentes do verão vocês passam mais tempo debaixo do chuveiro do que fora. Eu não admito aos amigos brasileiros que nem sempre tomo banho antes de dormir, por medo de perder a amizade ou talvez até meu visto.

Mas quando for viajar, lembre que o Brasil tem 14% da água doce do mundo, e só 3% da população do planeta. Em muitos países a água é escassa, em outros o custo para aquecê-la é alto. Quando eu estudava em Paris, hospedado com uma família francesa, minha “mãe” reclamava muito quando eu passava mais de cinco minutos no chuveiro. Num hotel, pelo menos, ninguém vai saber que você está gastando demais os recursos naturais do país. Mas se você ficar na casa de amigos, tente se limitar a um banho curto por dia. Não se preocupe: que eu saiba ninguém nunca morreu por ficar pouco tempo no banho, nem mesmo na França.

Em muitos países, o tamanho dos biquínis brasileiros vão atrair olhares estranhos

3) USAR SUNGAS E BIQUÍNIS BRASILEIROS. Não é que não pode. É que você só deve ficar ciente das repercussões. Queridas brasileiras, eu conheço vocês, e vocês adoram comentar quando uma gringa aparece na praia de Ipanema com um desses biquínis feios que cobrem a bunda toda. Agora se preparem para uma revanche. Se vocês andarem com um biquíni brasileiro ­– desses que tapam talvez 10% da sua bunda – em muitos países vão atrair alguns olhares estranhos das mulheres locais. (Os homens vão gostar, com certeza, mas só porque o biquíni lembra um pouco a roupa de uma stripper.)

Quanto à sunga, em alguns países, tudo bem. Em outros, como é o caso do meu, se considera bem esquisito e meio vulgar. Exemplo: num episódio do programa americano Curb Your Enthusiasm, o personagem principal (o comediante Larry David) enxerga o psiquiatra dele na praia… de sunga. Fica horrorizado e decide desistir da terapia.


4) LIXO NO LIXO.
O mundo está dividido em duas partes: a que tem sistema de esgotos que permite jogar o papel higiênico na privada, e a que não tem. E, desculpe a intimidade, mas no mundo com sistema de esgotos que permite, se considera muito nojento jogar papel usado no lixo.

Fora do Brasil as pessoas não costumam se beijar tão apaixonadamente em público

5) BEIJAR À VONTADE. O problema do beijo de cumprimento é bem documentado, não vou perder seu tempo falando de quantas vezes se beija em cada cidade do mundo. O problema é o beijo na boca, que no Brasil é muito mais aceitável em público do que em outros países. Ou seja: nas ruas, nos parques, nas mesas de bares e restaurantes, até na fila para entrar no cinema. Por isso eu sempre digo que o lema oficial do Brasil deveria ser “Get a room!”. Essa frase, que em tradução livre seria algo como “Arrume um motel!”,  é o que se fala quando um casal está expressando sua afeição de forma… exagerada.

Juro que em nenhum outro país do mundo (que eu conheça) os casais se beijam tão aberta e apaixonadamente em público quanto no Brasil. E pior, ao lado dos amigos. Eu não estou contra, e até faço também quando a situação se justifica… no Brasil. Mas em outros países, na maioria das situações, é preciso se controlar para não constranger os outros. Existem exceções: no cinema, até pode, mas pelo amor de Deus só se estiverem sozinhos, e não ao lado de um casal de amigos. Na balada ou numa festa, ok, não precisa arrumar um motel para se beijar. Mas arrume um cantinho escuro pelo menos.

Cheque no guia de viagem quanto se deve dar de gorjeta em cada país, mas nunca deixe de dar

6) ESQUECER A GORJETA. Em Nova York, os garçons odeiam os estrangeiros. Por quê? Porque um garçom nos EUA não ganha quase nada de salário – recebe até menos de um salário mínimo, porque vive das gorjetas. Até os estrangeiros que sabem disso acham justo deixar 10% ou 12%. Não é. É 15% se você é chato (ou se o garçom foi chato) e 18% ou 20% se não. E sem reclamar. Em outros países, a gorjeta varia muito, por isso você sempre deve dar uma olhada no sua guia de viagem ou procurar na internet. (Eu não conheço um bom site em português mas em inglês existem muitos – bota “tipping by country” no Google.

7) PEDIR CERVEJA COMO SE ESTIVESSE NO BRASIL. Uma vez fui jantar em Nova York com uma família de brasileiros. O pai acabava de chegar ao país e tentou explicar à garçonete (em português, que ela não entendia) que queria a cerveja com dois dedos de colarinho. Quando a bebida chegou sem espuma nenhuma, ele reclamou e tentou explicar de novo. A garçonete falou para nós: “Explique para ele que entendo o que ele quer, mas o negócio do chope não funciona assim.” E é verdade: colarinho na cerveja é um fenômeno brasileiro que é difícil de encontrar na maioria de países (fora a cerveja Guinness).

Não espere cerveja muito gelada em todos os países. A baixa temperatura não ajuda a sentir o sabor

Quanto à cerveja gelada, o mundo está mais dividido. Normalmente, pessoas de países tropicais gostam de cervejas fracas e bem geladas, para se refrescar num dia quente. Esse é o caso do Brasil. Mas em muitos outros países se acredita que o sabor é mais importante, e é fato que cerveja muito gelada perde o sabor. Um dia, na Bolívia, eu estava jantando com um casal de brasileiros que reclamou à garçonete que a cerveja estava quente. Tentei explicar para eles: “não vai ter mais gelada, aqui se toma assim.”

Nossa, já chegamos a sete? Então preciso colocar um bônus especial para meus queridos paulistanos:

7 – B) MATAR PEDESTRES À VONTADE. Não sou advogado, mas segundo observo nas ruas de São Paulo,  a lei local determina que um motorista que vê um pedestre atravessar a rua e não tenta matá-lo vai preso. Mas quando você alugar um carro em outro país, preste atenção: o pedestre tem algo que se chama “direitos.” Em alguns países da Europa, da Ásia e estados dos Estados Unidos, a lei até exige parar o carro quando alguém pisa na faixa de pedestres.

Agora, a boa notícia. O brasileiro é tão querido no mundo – pelos jogadores de futebol, pela música, pela atitude – que até pode cometer os erros e ninguém vai reclamar. Bom, talvez o pedestre, se é que ele sobrevive.

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Autor: Seth Kugel Tags: , , , ,

terça-feira, 5 de julho de 2011 Seth Erros | 20:01

Seth erros de quem vive arrumando desculpa para não viajar

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- Leia também: Não há desculpa para não viajar

1) Pensar que você não pode viajar por causa da idade ou de uma deficiência ou de restrições à dieta. Sempre tem um jeito.

2) Para pessoas com restrições alimentares, viajar sem levar comida de emergência (como os amendoins da minha mãe).

3) Para pessoas que tomam remédios, viajar sem estoque extra (e divididos entre várias malas se uma delas se extraviar).

4) Viajar sem levar os contatos dos seus médicos.

5) Não saber como ligar para seu país a partir de outro país. Se seu celular não funciona, abra uma conta do Skype para ligar de um computador para telefones fixos ou celulares.

6) Se viajar para um país que fala um idioma diferente, leve um papel no idioma local que explique seus problemas de saúde em caso de emergência. Se não encontrar on-line, você sempre pode recorrer ao Google Tradutor.

7) Cometer um crime. Na cadeia, é difícil mesmo viajar.


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Autor: Seth Kugel Tags:

Estados Unidos, Europa | 20:00

Não há desculpa para não viajar

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Existem muitas desculpas para as pessoas que têm medo de viajar. Aceito somente três, e só na forma temporária:

1) Não tenho dinheiro (agora).
2) O consulado não me deu visto (desta vez).
3) Meus filhos são muito pequenos (ainda).

Ah, ok, “estou na cadeia” também funciona. Difícil mesmo viajar. Mas qualquer outra desculpa – sou velho demais, tenho dieta restringida, nunca fiz antes, tenho medo etc, nem me fale.

Meus pais em lua-de-mel em Antígua

Meus pais em lua-de-mel em Antígua

A contraprova, para mim, são meus pais, Peter e Judy Kugel, que me levaram nas minhas primeiras viagens quando eu era criança – e eles ainda podiam fazer tudo. E agora que estão mais maduros (81 anos e 73 anos, respectivamente) e têm vários problemas de saúde (meu pai, por exemplo, tem mal de Parkinson, e minha mãe não pode ingerir nem um miligrama de glúten sem que isso cause complicações)? Ainda fazem quase tudo.

Não acredita? É só ver as fotos deles o ano passado comigo na Nicarágua: meu pai ajudando a empurrar o carro que ficou atolado na lama em uma Zona Rural sem sinal de celular para pedir ajuda, ou minha mãe comendo “quesillos” nicaraguenses numa barraca simples que ficava em uma estrada rural. Eles podem e você não? Credo.

Na semana passada, escrevi sobre nossa viagem recente à Croácia. Fiquei impressionado (mais uma vez) com a flexibilidade e habilidade dos dois como viajantes e decidi fazer uma entrevista com eles por telefone da Turquia, onde estou agora. A ideia original era entrevistar minha mãe primeiro, e depois meu pai. Só que minha mãe ficou na linha durante a segunda entrevista e não resistiu: teve de interromper meu pai. Para variar.

Primeira viagem de verão em família, em Wyoming, EUA (nem sei quem é o cara no lado direito)

Primeira viagem de verão em família, em Wyoming, EUA (nem sei quem é o cara no lado direito)

Seth Kugel: Mãe, você pode explicar sua doença?
Judy Kugel:
Faz muuuuito tempo que estou viajando, mas há 11 anos fui diagnosticada com a doença celíaca, o que significa que não posso comer nada com glúten. E muitas coisas contêm glúten: pão, por exemplo, assim como qualquer receita feita com farinha de trigo, centeio, cevada ou aveia. [Uma observação: Faz mais de uma década que minha mãe não toma uma cerveja. Tadinha.
Seth Kugel:
Por isso, em Cambridge [cidade dos Estados Unidos onde moram], vocês quase nunca comem em restaurantes. Na viagem, isso é impossível de evitar. Como isso te afeta?
Judy Kugel: Nunca vou parar de viajar, mas é verdade que tudo fica mais complicado. Você chega a um restaurante e no primeiro momento eles trazem à mesa um pão maravilhoso com azeite de oliva fino. Aí você fica pensando: “Tô morrendo de fome e não posso comer nada ainda.” Mas isso não é razão para não viajar. Às vezes é só um ajuste – adoro sorvete, mas não posso pedir uma casquinha. Às vezes é mais difícil. Quando estou na França, é extremamente difícil não comer um croissant.

Seth Kugel: Precisa levar comida com você?
Judy Kugel: Sempre viajo com alguma proteína e algo que contém ferro, normalmente um pacote grande de amendoim com uvas passas. Quando volto para casa nem posso olhar um amendoim por um mês. Mas na viagem isso me sustenta.

Família em viagem pela Croácia

Família em viagem pela Croácia

Seth Kugel: E o idioma? Como explica para os garçons uma situação tão perigosa se eles não falam o mesmo idioma que você?
Judy Kugel: Existem cartões na internet que explicam a doença em muitos idiomas. Quando visito um país, sempre imprimo o cartão do no idioma local. Mas acontece que em alguns países é até mais fácil para um celíaco comer que nos Estados Unidos. Em muitos países da América Latina o milho é a matéria-prima para cozinhar, e isso eu posso comer. Quando te visitamos no Brasil, adorei aquele pão impossível de pronunciar [pão de queijo] feito com farinha de mandioca. Agora encontramos um mercado brasileiro perto da casa que vende esse pão congelado e fazemos em casa.

Seth Kugel: Em algum momento a doença interfere na escolha dos destinos?
Judy Kugel: Eu não desconsidero nenhum país, mas é verdade que quase sempre que viajo perco peso porque não corro riscos. Existe um clube de viagens para celíacos, mas nunca pensei em viajar com eles. A verdade é que nunca deixaria de viajar por isso porque as viagens enriquecem minha vida mais que qualquer outra coisa.

Seth Kugel: Qualquer outra coisa?
Judy Kugel: Exceto meus filhos.

A família Kugel em Zimbabue

A família Kugel em Zimbábue

Seth Kugel: Boa resposta. Pai, eu acho que apesar do mal de Parkinson e das outras doenças que você tem, você está melhor do que a maioria dos homens de 81 anos. Mas, ainda assim, isso deve causar problemas na hora de viajar, né?
Peter Kugel: Sim. Devido à apneia de sono preciso viajar com uma máquina que se chama CPAP. É um incômodo porque é difícil passar pela segurança no aeroporto. Quando fomos para Cuba, me pararam na alfândega e fui o último do grupo a sair. Quase perdi o ônibus porque nunca tinham visto aquele aparelho. Além disso, em qualquer quarto de hotel sempre preciso de uma tomada ao lado da cama. Em casa eu sempre durmo do lado direito da cama; e na viagem às vezes preciso trocar de lugar com sua mãe. Mas são só pequenos obstáculos.

Seth Kugel: E o mal de Parkinson?
Peter Kugel:
Afeta muito minha mobilidade. Antes sua mãe e eu sempre andávamos de 30 km a 40 km de bicicleta por dia. Agora não podemos mais. Eu sempre era o mais forte do grupo e, de um dia para outro, deixei de ser.
Judy Kugel:
Aos 77 anos ainda era. Aos 78 não.
Peter Kugel:
Na Croácia, tive problemas no caminho para uma caverna por causa das pequenas pedras soltas. E para chegar a uma das casas onde ficamos, em Dubrovnik, era preciso subir muitas escadas. Isso foi difícil.
Judy Kugel:
Seu pai está exagerando. Ele lida muito bem com as situações e acho que nunca desistiríamos de uma viagem por causa de sua incapacidade.
Peter Kugel: É verdade, nenhum problema me impede de fazer algo. Só fica um pouco mais difícil.

Meus pais e meu irmão em Bariloche

Meus pais e meu irmão em Bariloche

Seth Kugel: E sua companheira da viagem?
Peter Kugel: Ajuda muito. Nos damos muito bem, mas nós discutimos às vezes por bobagens (ou pequenas coisas), segundo meus filhos.

Seth Kugel: Então, muita coisa mudou nas suas viagens por causa de doenças ou idade?
Judy Kugel:
Em geral, não. Viajamos muito bem, e acho que nosso estilo não mudou muito.
Peter Kugel:
Algum dia, nem sei quando, vamos ter que começar a viajar em cruzeiros ou outras alternativas, onde cuidam mais de você.
Judy Kugel: Mas não somos o tipo de viajante que gosta de ficar no ônibus com um monte de velhinhos, porque não nos consideramos velhos. Adoramos as pessoas jovens e achamos que nos damos bem com eles.

Meus durante a última viagem feita à Croácia

Meus pais durante a última viagem feita à Croácia

Seth Kugel: Mas em algum momento vocês ficam preocupados por estar longe dos seus médicos se acontecer algo?
Peter Kugel:
Quando viajamos com você para a Nicarágua, poderíamos ter contratado um seguro de saúde que incluía o transporte por helicóptero se algo acontecesse conosco. Mas não fizemos isso. Hoje em dia os serviços médicos do mundo todo estão melhores que nunca e sempre podemos ligar para nossos médicos nos Estados Unidos.
Judy Kugel: Tudo que você faz na vida envolve algum risco. Se tivéssemos medo de viajar e ficássemos em casa, sem dúvida alguma, o telhado cairia sobre nós.


- Não deixe de ler:  Seth erros de quem vive arrumando desculpa para não viajar

Autor: Seth Kugel Tags: ,

quarta-feira, 4 de maio de 2011 América Latina | 07:30

República Dominicana: o Brasil Caribenho

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Ano passado, estava lendo o jornal e vi que a CVC estava oferecendo um pacote para a República Dominicana, esse pequeno país hispânico que divide uma ilha caribenha com o Haiti.

“Brasileiros na República Dominicana”, pensei. Que ótima… E péssima ideia.

Fotos Seth Kugel

Playa Encuentro em Cabarete

Ótima porque o país é lindo e verde e tem praias e montanhas de sobra. E o povo dominicano é muito alegre, gentil com os turistas, tem um dom musical, adora dançar e não tolera uma refeição sem arroz e feijão.  Ou seja: são brasileiros caribenhos (e isso sem falar de sua mistura africana-índia-europeia, da história de ditadura militar, da indústria açucareira e de outras mil semelhanças.)

Péssima porque o pacote anunciado te leva para Punta Cana, a região menos “dominicana” da República Dominicana. Há quatro décadas, esta área era praticamente deserta, com praias virgens e poucos habitantes. Nem se chamava Punta Cana. Alguns empresários descobriram esse pequeno paraíso sobrevoando a região de helicóptero –  na época, não existia Google Earth – e começaram a construir resorts. E mais resorts. Tantos resorts que é possível ir do aeroporto de Punta Cana a alguns deles sem enxergar uma só casa habitada por um dominicano. Perfeito, talvez, para um nova-iorquino que quer escapar da neve em quatro horas de voo. Mas vale a pena para um brasileiro viajar mais de 12 horas só para relaxar numa praia bonita? E para que existe Ubatuba, Búzios, Floripa e Costa de Sauípe? Pela mesma quantia é possível ir para Fernando de Noronha, pelo amor de Deus.

A solução, claro, é montar seu próprio itinerário.

Passei o último réveillon na costa norte do país, perto da cidade de Puerto Plata, com três amigos americanos. Ficamos hospedados no Barefoot Beach Pad, vendidos como hotel. Na verdade, são apartamentos limpos e confortáveis à beira-mar que custam menos de R$200 por noite e ficam perto da cidadezinha de Cabarete, conhecida pelo vento e pelo surf. A escolha foi do meu amigo Tom, que queria aprender kitesurfing.

Eu cheguei com outras prioridades: comida, praia e música.

COMIDA

A comida dominicana se parece, à primeira vista, com a cozinha brasileira.  O prato mais típico é carne acompanhada de arroz, feijão e salada. Frutas tropicais como mamão e maracujá são comuns, assim como a mandioca (só que se chama “yuca”). Até os pastéis, que nos outros países hispânicos se chamam  “empanadas”, aqui são “pastelitos”. Fácil, né?

Fotos Seth Kugel

Lagosta, pescado e tostones em Playa Grande

Claro que os temperos são diferentes e há iguarias locais como os “tostones” – bananas-da-terra fritas, prensadas e fritas de novo. Não esqueça o sal e o ketchup, ou, como dizem os dominicanos, “catchú”.
Cabarete é uma cidade muito turística, mas apesar dos restaurantes e lanchonetes que ofereciam desde hamburgueres até sushi, encontramos um lugar simpático, simples e barato de comida dominicana: Sandro’s.

O “prato do dia” no Sandro’s –um guisado de porco acompanhado de arroz, feijão e salada de repolho com abacate – custava cerca de 150 pesos (R$ 6). Vale a pena também pedir uma porção de tostones, claro.

PRAIA

A praia principal de Cabarete é perfeita para a prática de windsurfing de dia e para as baladas à noite. Mas existem outras praias ótimas na região.

Fotos Seth Kugel

Playa Encuentro em Cabarete

Playa Encuentro fica a dez minutos do centro, com escolas de surfing informais e uma extensa faixa de areia onde sempre é possível encontrar um ponto deserto.  As ruínas de um hotel abandonado dão um toque de mistério ao lugar e um restaurante simpático, Chez Arsenio, vende sanduíches para comer sob as palmeiras.

Um pouco mais longe – 45 minutos de carro, na cidade de Rio San Juan – fica Playa Grande. Além de ser grande (óbvio), a praia possui uma associação de vendedores que fazem de tudo: assim que você chega ao local, eles já avisam para não estacionar o carro sob os coqueiros (para evitar danos causados por cocos) e, em seguida, alugam cadeiras (“cheilones”, do francês “chaise longue”). Na hora de almoço, os vendedores oferecem lagostas e peixes grelhados na hora. E a qualquer hora, peça “una verde” – uma cerveja Presidente muuuuuito gelada, em garrafa verde.

MÚSICA

E, por favor, não se deixe seduzir pela  música eletrônica e pop das discotecas da praia de Cabarete (os lugares perfeitos para conhecer mochileiros dinamarqueses com dreadlocks etc.). Vá conhecer a verdadeira música dominicana.

Apesar de contar com uma pequena população de 10 milhões de habitantes, a República Dominicana exerce uma enorme influência musical sobre a América Latina. Os dominicanos são responsáveis por dois dos gêneros mais ouvidos no mundo hispânico: merengue e bachata. Infelizmente, são pouco conhecidos no Brasil, mas há uma bachata famosa que virou um sucesso em sua versão brasileira (lembram do Fagner?).

Vale a pena se familiarizar com os ritmos musicais antes de viajar. E graças ao YouTube, isso é fácil. Para o merengue, procure os clássicos de Juan Luis Guerra e Sergio Vargas, ou a versão urbana do grupo Omega. Na bachata, um gênero mais romântico (e meio brega), há o Joe Veras e a banda Aventura. A banda dominicana é famosa na Europa e eu até ouvi uma de suas músicas em Manaus, mas só os caribenhos sabem dançar corretamente.

Em qualquer cidade da República Dominicana, você pode ir a uma discoteca local para dançar. Mas o país é tão pequeno que não é raro encontrar um show de um músico famoso em algum lugar perto de você. É só prestar atenção nas estradas: sempre tem cartazes simples pregados em árvores ou nos postes.

Fotos Seth Kugel

Dançando no show do Frank Reyes

Lá em Cabarete, saímos duas vezes para ouvir música ao vivo. A primeira vez foi na virada do ano. Seguindo a dica de uma amiga dominicana que mora em Nova York, deixamos os turistas em Cabarate para trás e fomos ao Rancho Típico Puerto Plata. Fomos os únicos estrangeiros entre mais de 500 dominicanos, a maioria sentada em grupos de família, bebendo rum ou refrigerante sob um teto de palha e madeira. A banda tocou merengue típico e dançamos com as tias, filhas e primas da família ao nosso lado.

Pelos cartazes ficamos sabendo que no dia seguinte Frank Reyes (meu bachatero favorito!) daria um show em outro local de Puerto Plata. Convenci meus amigos (que nunca tinham ouvido falar do tal Frank Reyes) que valia a pena pagar 1000 pesos (R$43) para ir ao show. Frank atrasou muito, chegando só depois da 1h, mas assim que ele entrou em cena, a noite foi um espetáculo – não tanto no palco, mas na pista, com o público cantando, gritando, tirando fotos ou dançando os sucessos “Nada de nada” e “Princesa”. Até meu amigo Adam, que não dança nem sob tortura, se animou e dançou algumas músicas com umas dominicanas muito pacientes.

*

Mas você não precisa ir para Cabarete e Puerto Plata.

Vale a pena ficar um dia na capital, Santo Domingo, a única verdadeira metrópole do país, para visitar os museus, as praças e o prédio onde morou o filho de Cristóvão Colombo, Diogo, na época em que ele foi vice-rei das Índias de Castela.

Mas é preciso também sair da cidade e nem pense em se limitar às praias mais próximas. O país é muito pequeno. Recomendo pegar a nova estrada para a península verde de Samaná, com hotéis pequenos e praias lindas. Entre janeiro e março, há excursões para observações de baleias. Outra dica é conhecer as cidades de Constanza e Jarabacao, nas montanhas. Ou sair totalmente do roteiros turísticos e visitar o noroeste do país, onde levei meus três amigos após três dias em Cabarate, em busca de praias desertas e a especialidade da região, chivo picante (cabra apimentada).

Mas onde quer que você esteja, não se esqueça de procurar os cartazes à beira da estrada para saber os melhores lugares para dançar.

SETH ERROS

O que não fazer na sua viagem à Flórida

1) Ir a Punta Cana. A República Dominicana de verdade está em outras partes.

2) Pensar que é caro. Pesquisando na internet, encontrei passagens de R$800 a R$1300 para Santo Domingo, pela TACA ou Avianca.

3)
Ir em agosto ou setembro. É temporada de furacões.

4) Depender do espanhol que aprendeu em Madrid. O espanhol dominicano é falado muito rápido com letras que somem (“¿Cómo estás?” vira “¿Cómo tú tá?”) e possui vocabulário próprio (maracujá é “chinola”, não “maracuyá”).

5) Conversar sobre futebol. Dominicanos jogam beisebol e ponto: mais de 10% dos jogadores das Grandes Ligas de Beisebol dos Estados Unidos são dominicanos.

6) Ir sem ter aprendido um pouco sobre a música dominicana. Pode escutar merengue e bachata 24 horas por dia pela web: www.bachataradio.com.

7) Resistir aos “plátanos”. Fritos ou fervidos, verdes ou doces, essas bananas-da-terra são tão importantes para a cultura dominicana que em Nova York o bairro de imigrantes dominicanos muitas vezes é chamado de Platanolândia.

Autor: Seth Kugel Tags: , , , ,

quarta-feira, 27 de abril de 2011 América Latina, Brasil, Estados Unidos, Europa, Oriente Médio, Ásia | 10:00

Como passei a ganhar a vida viajando

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Existem jornalistas de turismo que passam a vida inteira jantando nos restaurantes mais badalados de Paris, testando tours de helicóptero pelo Rio de Janeiro e provando o serviço de quarto nos hotéis cinco estrelas de Nova York (para ver se o champanhe tem borbulhas suficientes, imagino).

Como é que meus colegas conseguem arrumar esses bicos de luxo e eu não? Sei lá. Meus chefes sempre me mandam fazer coisas bem distintas: provar comidas de rua, testar os ônibus públicos que chegam ao Pão de Açúcar e ficar nos hotéis mais econômicos (com uma verba que inclui até a cervejinha do frigobar).

Tudo bem. Luxo é ótimo, quem nega mente. Mas viajar assim não é conhecer o mundo real. É pular de fantasilândia em fantasilândia, deixando passar os destinos de verdade, as culturas de verdade e as pessoas de verdade.

Na minha nova coluna que estreia hoje no iG, convido o leitor a me acompanhar por este mundo de verdade. Mas isso só começa na próxima semana. Primeiro, gostaria que me acompanhasse em uma pequena viagem ao meu passado, pelas três viagens que mais me marcaram – e me formaram.

Quênia, 1985


Arquivo pessoal

Eu e minha família queniana

Meu amigo Brian e eu tínhamos acabado de chegar na casa dos nossos anfitriões africanos, uma construção simples de barro numa aldeia remota, quando uma aranha tamanho-de-rato caiu do teto e pousou sobre a cabeça dele.

Eu tinha 15 anos e estava passando um mês e meio na África Oriental com mais 11 adolescentes norte-americanos, num intercâmbio organizado pela YMCA. Era a primeira vez que eu viajava sem meus pais. Fomos morar com uma família de agricultores num lugar onde a maioria dos moradores nunca tinha visto pessoas brancas, pelo menos de perto.

Brian achou que a aranha fosse só uma gota d’água e tentou tirá-la com a mão, mas a aranha pousou de novo sobre a camisa dele. Eu gritei. Ele gritou (mais forte ainda) e deu um salto. A aranha-rato caiu no chão e alguém da nossa família africana a matou como se não fosse nada. Para eles, foi nada mesmo. Viver sem geladeira, sem TV, sem água nem luz? Também nada. As mulheres comerem só depois dos homens terminarem? Nada. Lavar as mãos com um jato de urina de vaca? Nada.

Sabe o que os impressionou mais? O pelo nos braços e pernas de nós, gringos. Os quenianos quase não tinham. (As crianças adoraram acariciar nossos braços; os adultos conseguiram se controlar). E nossas mãos: tão macias e delicadas comparadas com as deles. Prova de que nunca tínhamos trabalhado na vida.

Para mim, o mundo nunca seria igual após aquela viagem (ou aquela experiência). Quando voltei aos Estados Unidos, parei de disputar com meu irmão o caderno de esportes do jornal todas as manhãs e comecei a ler o caderno de notícias internacionais, procurando as poucas notícias que chegavam da África. Três anos depois, na faculdade, decidi me especializar em política africana.

República Dominicana, 1993


Arquivo pessoal

Minha aluna Sheyla entre as suas priminhas

Meu primeiro trabalho depois da faculdade foi como professor da rede pública de ensino num programa de serviço social que se chamava Teach For America. (Já existe uma versão brasileira, dê uma olhada.) Dava aula no terceiro ano primário a crianças imigrantes, na Escola Pública 156, na infame região do South Bronx. Adorava ir, todos os dias, do apartamento que dividia com outros dois professores em Manhattan para esta região periférica e pobre de Nova York. Porém, cheia de energia e vida; para mim era como viajar para outro país, mas com bilhete de metrô em vez de passaporte. Falava-se mais espanhol do que inglês no bairro; eu aprendi rápido. (Só não tão rápido como os chineses, cujos restaurantes dependiam dos clientes latinoamericanos.)

Também adorava visitar as casas dos meus alunos – dominicanos na sua maioria – e nunca recusei um convite para jantar um arroz com frango ou um guisado caribenho. Um dia fui convidado para o aniversário da minha aluna Sheyla. Segundo o convite, a festa era no sábado às 15h.

Ainda ignorante em relação à cultura latina, cheguei pontualmente às 15h. Obviamente, a famíla de Sheyla nem tinha começado a arrumar a casa. Sheyla, que completou 8 anos naquele dia, tinha acabado de sair do banho. Ainda de toalha, correu para o quarto, morrendo de vergonha de seu professor.

Quando o próximo convidado chegou, precisamente três horas depois, os pais de Sheyla já tinham me convidado para viajar com eles à República Dominicana nas férias de verão. Claro que aceitei.

Ficamos todos na pequena casa da avó de Sheyla na capital Santo Domingo. Eu tinha que dividir a cama com o irmão de Sheyla, também aluno na Public School 156. (Nos EUA, um professor que compartilha uma cama com um aluno seria preso, mas fazer o quê?) Fiquei um mês por lá, onde aprendi a fazer “tostones” (bananas da terra fritas), a entender telenovelas e a pegar o ônibus público para o centro da cidade, além de lavar roupa à mão. Mas o que era mais difícil era dançar merengue, um requisito básico na cultura dominicana. Me obrigaram a praticar quase todos os dias e sempre chegavam vizinhos para rir do gringo.

Que vergonha. Mas valeu a pena. Devo minha carreira a essa família e a essa viagem. As primeiras matérias que publiquei no New York Times foram crônicas e notícias sobre a comunidade dominicana em Nova York (até hoje o maior grupo de imigrantes da cidade). Minha primeira viagem paga pelo jornal foi à República Dominicana. E 18 anos mais tarde, meu iPod está lotado de música dominicana, meu espanhol tem acento dominicano e quando danço merengue, ninguém mais ri de mim.

Brasil, 2004


Depois de estudar português por um ano, tinha chegado a hora de conhecer o país que, para a grande maioria dos norte-americanos, é um lugar muito misterioso: o Brasil (todos vocês conhecem meu país, ou pelo menos uma versão dele, pelos seriados, filmes e notícias que chegam; nos EUA há poucas reportagens sobre o Brasil e, na sua maioria, sobre favelas, carnaval, futebol…e, às vezes, uma reportagem sobre política de sua “capital”, Buenos Aires.)

Procurando escapar de turistas e conhecer um Brasil de verdade, optei por não visitar as praias cariocas nem passar o carnaval em Salvador. Entrei no Brasil pela fronteira colombiana, em Tabatinga (AM). A ideia era pegar um barco para Manaus – daqueles em que você dorme na rede – e passar quatro dias sem falar nenhuma palavra em inglês, conversando só com meus “vizinhos” e estudando um livro de gramática que tinha levado comigo.

Sem saber, eu peguei um barco de evangélicos, o que tinha duas consequências. A ruim: não vendiam cerveja. A boa: os meus vizinhos de rede me adoraram porque meu nome é inspirado no Velho Testamento. Fiz amizade com meus vizinhos da rede ao lado, um casal muito simpático com dificuldades de leitura. Eles liam a bíblia beeeem devagar. A gente fez uma troca: eu lia os versos bem rápido, em voz alta, e eles corrigiam minha pronúncia horrível.

Minha primeira crônica para um caderno de viagens foi sobre os quatro dias que passei no barco evangélico. E ainda hoje viajo do mesmo jeito: sempre topo uma aventura. Sempre tento evitar os roteiros comuns e triviais. Não gosto dos resorts, odeio as redes hoteleiras internacionais, sempre tento escolher a opção mais regional. E da mesma maneira quando era professor, nunca recuso um convite para jantar na casa de pessoas que conheço durante as minhas viagens, não importa quão pobres sejam ou afastado esteja o local.

As aventuras, os riscos, os desencontros culturais, os lugares, as pessoas, as aranhas…é isso a essência da viagem. É o que vou contar neste blog – junto, claro, com dicas sobre hotéis, restaurantes e outras atrações tradicionais. Cada semana também terá sempre uma seção de “anti-dicas” – o que NÃO fazer, que vou chamar de “Seth Erros”.

Para mim, este blog  é, de certa forma, minha próxima viagem. E como as viagens que gosto, não é de luxo. Pelo contrário. E é talvez o maior desafio da minha carreira: a primeira vez que escrevo em português, a primeira vez que escrevo exclusivamente para um público brasileiro (claro que os portugueses, angolanos, caboverdianos etc. são muito bem-vindos também). Vou depender de você, leitor, para me avisar como estou me saindo. Se gostar de algo, mande um comentário; se não gostar, mande dois. Vou tentar responder, esclarecer e até brigar com você quando for necessário.

SETH ERROS

Na viagem, você não deve…

1) Ter medo. Dos lugares incomuns, das comidas novas, das experiências inéditas.

2) Isolar-se. O viajante que viaja sozinho (como eu) não tem escolha: tem que conversar com desconhecidos. Para os que viajam com o companheiro ou os amigos, talvez isso não pareça tão necessário.  Mas é.  Faça um esforço, converse com desconhecidos no ônibus, no restaurante, na praia, no hotel. Viajar sem fazer amizades novas não tem graça.

3) Reclamar quando algo não é igual. No meu país, por exemplo, comer arroz e feijão nas refeições não é comum e muitos brasileiros reclamam disso. Mas sejam tolerantes conosco.

4) Ficar no roteiro turístico. Desvie um pouco! Entre em ruas pequenas, desça do metrô uma estação antes para se perder um pouco,  peça dicas aos habitantes locais.

5) Deixar os filhos para trás. Eu aprendi a viajar viajando, não ficando em casa com a babá ou com os avós.

6) Planejar demais. Eu sempre faço uma lista de atividades/restaurantes/ atrações que gostaria de conhecer. Mas não são compromissos, são sugestões. Os melhores lugares são os que se descobre no caminho.

7) Não planejar nada. Pelo menos dê um Google no destino para saber um pouco sobre o destino. (Exemplo: Líbia não é um destino tranquilo hoje em dia.)

Autor: Seth Kugel Tags: , , , ,