Seth Erros | Viagens com Seth Kugel - iG

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Posts com a Tag Seth Erros

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 Destinos Internacionais, Seth Erros | 05:55

Seth Erros no inverno islandês

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1)   Beber tanto na balada e acordar tarde no dia seguinte: no inverno, não se pode perder nem um minuto de luz.

2)   Perder o Museu Nacional. Esta deve ser a primeira parada no país (até um substituto do Duty Free Shop).

3)   Sentir a obrigação de gastar 100 reais na Blue Lagoon.

4)   Comer carne de baleia sem pesquisar um pouco na internet sobre a polêmica sobre a caça destes animais. São controversos, mas argumentos existem dos dois lados.

5)   Ficar só em Reykjavik. Mas cuidado se nunca dirigiu sob neve antes.

6)   Procurar vida noturna em Reykjavik todas as noites do inverno. Apesar de ser famosa pelas baladas, é um fenômeno de final de semana.

7)   Não provar os doces de alcaçuz, nem a cerveja Viking, nem o Rúgbrauð (pão de centeio, muito denso), nem o skyr (iogurte islandês), nem o tubarão podre.  Ah ok, pode evitar o tubarão podre. E, se alguém perguntar, é só dizer “provei, é nojento.”

Leia também:
Noites quentes e dias agitados no inverno da Islândia

Notas relacionadas:

  1. Seth erros para não fazer se você quiser conhecer a cultura local (na Turquia e no mundo)
  2. Seth erros para evitar no CouchSurfing… e em Istambul
  3. Seth erros dos turistas norte-americanos
Autor: Seth Kugel Tags: , ,

quarta-feira, 12 de outubro de 2011 Estados Unidos, Sem categoria | 07:50

Seth erros no Bronx

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Nesta semana, os erros são meus: lugares que devem fazer parte da minha matéria sobre o Bronx, mas que não cabem.

Veja também:
Uma volta ao passado no Bronx

1)   City Island – bairro que fica numa ilha a nordeste do Bronx, mas parece mais uma cidadezinha do litoral. Com excursões de barco, restaurantes de peixes, lojas de presentes e sorvete.

2)   New York Botanical Garden – o jardim botânico principal da cidade.

3)   Wave Hill – um jardim público com muitos eventos culturais e vistas ótimas do Rio Hudson.

4)   Orchard Beach – uma praia pública não tão linda, mas muito interessante pela cultura hispânica que predomina nos fins de semana de verão. Nunca falta salsa para dançar.

5)   Bronx Zoo – o mais famoso de Nova York.

6)   Woodlawn Cemetery – lugar de enterro de muitos nova-iorquinos importantes, quase um museu de mausoléus. Ao norte do cemitério, o bairro de Woodlawn é um dos últimos bairros verdadeiramente irlandeses. Os “pubs” são a prova.

7)   Dominick’s – Mais uma experiência do que um restaurante. É o melhor lugar da Arthur Avenue se tiver tempo para sentar e almoçar ou jantar. Você senta em mesas comunitárias e pede o que você quiser – não tem cardápio. Não sabe o que pedir? É só olhar o que estão comendo ao seu lado – quase não há clientes novatos como você, assim que a maioria dos seus vizinhos já sabe bem o que é oferecido no cardápio invisível.

Notas relacionadas:

  1. Como passei a ganhar a vida viajando
  2. Flórida além da Disney (e de Miami)
  3. Seth Erros em Nova York
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011 Seth Erros | 07:54

Seth erros dos turistas norte-americanos

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- Leia também: Explicando o Brasil aos turistas gringos

1) Achar que o Brasil é só Rio de Janeiro, São Paulo e Amazônia.

2) Achar que toda mulher brasileira é top model.

3) Pensar que todas essas top models adoram fazer sexo com turistas pálidos e gordos.

4) No Rio, ficar em Copacabana em vez de Ipanema ou Santa Tereza.

5) Em São Paulo, não sair do Jardins.

6) Ficar surpreso que a Amazônia tenha cidades grandes como Manaus e não só aldeias indígenas.

7) Não ir pro Brasil porque é muito longe e muito caro.

Notas relacionadas:

  1. Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem
  2. Seth erros para não fazer se você quiser conhecer a cultura local (na Turquia e no mundo)
  3. Seth erros para evitar no CouchSurfing… e em Istambul
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011 Estados Unidos | 07:40

Seth Erros em Nova York

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- Leia também: Nova York longe do óbvio

1) Pensar em sua viagem a Nova York como uma excursão de compras. Sei, as coisas são muito baratas na minha cidade. Mas dedique um ou dois (ou três) dias para as compras, e os outros para explorar a cidade.

2) Ir para museus se você não gosta de arte. Pode até mentir para os amigos. “Nossa, o Met, que massa! Obras incríveis num prédio lindo!” Ninguém vai saber que você nunca foi lá.

3) Hospedar-se em Midtown. OK, pode até visitar a Times Square. Mas pelo menos durma em outra parte da cidade. Se você não é membro do Couchsurfing, tente o site AirBnB para alugar um apartamento por alguns dias. Ou ainda pode aproveitar os muitos hotéis de downtown Manhattan, ou do Brooklyn.

4) Ir à Times Square e comer em uma cadeia nacional tipo McDonalds ou Sbarros. (Dica: o Margon, 136 West 46th Street, é um restaurante cubano pequeno, barato e ótimo)

5) Ficar dentro de Manhattan o tempo inteiro. Seria como ir pro Rio e ficar só na Zona Sul, sem conhecer Santa Teresa, a Lapa ou o centro da cidade.

6) Pensar que é só inglês que se fala em Nova York. Existem bairros onde o espanhol, o russo e o mandarim funcionam muito melhor.

7) Deixar que duas meninas de 19 anos sejam melhores turistas do que você.

Notas relacionadas:

  1. Flórida além da Disney (e de Miami)
  2. Jackson Heights: Nova York como você nunca viu
  3. São Paulo ou Nova York: Qual a melhor pizza do mundo?
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quarta-feira, 20 de julho de 2011 Seth Erros | 07:54

Seth erros para evitar no CouchSurfing… e em Istambul

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- Leia também: Surfando no sofá alheio, em Istambul

1) Começar a usar o CouchSurfing sem investir tempo em seu perfil.

2) Não passar várias horas vendo perfis no site para aprender a “linguagem” do CouchSurfing e saber como funciona.

3) Pensar que vai arrumar um sofá no último minuto, ou na primeira tentativa. Dá trabalho. (Se você é uma modelo de 23 anos pode até ser um pouco mais fácil, acho, mas nem tanto.)

4) Só ficar na casa dos membros e não abrir a sua casa para eles.

5) Em Istambul, ficar só no lado “europeu” da cidade. Balsas partem a todo momento para o lado asiático, onde tudo é mais barato, inclusive hotéis, bares e banhos turcos.

6) Pensar que pode visitar qualquer mesquita a qualquer hora. As orações são feitas cinco vezes por dia, e o horário das mesmas depende da data. Procure o horário na internet.

7) Perder uma visita a uma das “Ilhas do Príncipe”. Ou ir no fim de semana, quando todos os turcos lotam as praias, ruas e sorveterias.

Notas relacionadas:

  1. Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem
  2. Sete erros para as atrações imperdíveis
  3. Seth erros para não fazer se você quiser conhecer a cultura local (na Turquia e no mundo)
Autor: Seth Kugel Tags:

quarta-feira, 13 de julho de 2011 Seth Erros | 07:35

Seth erros para não fazer se você quiser conhecer a cultura local (na Turquia e no mundo)

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- Leia também: Minha viagem incrível para Sanliurfa (sem chegar a Sanliurfa)

1) Ficar mudo só porque você não fala o idioma do lugar. Existem muitas formas de se comunicar: sinais, desenhos, gestos, sorrisos.

2) Pensar que as únicas diferenças entre tomar um ônibus e alugar um carro são o preço e o conforto. A diferença mais importante é o poder explorar lugares e parar onde quiser.

3) Sempre seguir a rota do Google Maps ou do GPS. A vida local não se vive nas estradas ou avenidas principais.

4) Desistir de conversar com todos os habitantes locais só pelo azar de o primeiro deles ser chato.

5) Tentar fomentar uma revolução na cultura local. Costumes de milhares de anos não vão mudar pelas ações de um turista que passa uma hora num lugar. Aprenda tudo que for possível e leve esse conhecimento com você para usar (e fomentar revoluções, se quiser) no futuro.

6) Esquecer que um país grande não tem uma só cultura. Na Turquia, por exemplo, os direitos das mulheres e dos gays são muito mais avançados em Istambul do que no Sudeste tradicional.

7) Na Turquia, visitar só Istambul e a costa. O Sudeste está cheio de tradições diferentes e tem uma história fascinante e uma comida maravilhosa.

Notas relacionadas:

  1. Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem
  2. Sete erros para as atrações imperdíveis
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quarta-feira, 22 de junho de 2011 Europa, Seth Erros | 10:30

Sete erros para as atrações imperdíveis

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1) Seguir só a rota das atrações “imperdíveis”.

2) Tentar ir a muitos lugares imperdíveis em pouco tempo. Porque o Louvre, em Paris, realmente é imperdível. Mas se só visitou o museu por 30 minutos, o perdeu.

3) Ir para um lugar só para dizer: “Estive lá”. Viagens são para você, não para contar para os demais. (A verdade: os demais nem querem saber.)

4) No caso de Pompeia e Herculano, pagar o preço inteiro. Compre um ArteCard.

5) Tentar visitar Pompeia e Herculano num dia só. Escolha um e se quiser suba no vulcão Vesúvio também.

6) Ficar mudo quando seus filhos chegam da escola te contando de Pompeia. Mencione Herculano também!

7) Contar com mapas, panfletos e guias em áudio sempre. Boa ideia: imprimir informação detalhada dos lugares “imperdíveis” antes de visitar, sobretudo se você não fala o idioma do país onde se encontra.

Notas relacionadas:

  1. O lado multicultural de Londres
  2. Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem
Autor: Seth Kugel Tags:

quarta-feira, 15 de junho de 2011 Seth Erros | 11:50

Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem

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1) Avaliar como ruim a pizza de outra cidade só por ser diferente. Claro que é diferente. Viva a diferença!

2) Avaliar a pizza paulistana sem provar as melhores, como a da Bráz. (É só ganhar na Mega-Sena primeiro.)

3) Avaliar a pizza de Nova York sem provar as melhores: Joe’s, por exemplo, ou os lugares mencionados nesta matéria do blog Slice.

4) Usar garfo e faca numa pizzaria nova-iorquina…

5) … e não pegar a fatia com guardanapos!

6) Colocar azeite de oliva na sua pizza em Nova York ou Nápoles.

7) Colocar ketchup ou maionese na sua pizza em São Paulo, Nova York ou, pelo amor de Deus, em Nápoles. Uma pizza que precisa de ketchup ou maionese é uma pizza ruim mesmo.

Veja também:

- São Paulo ou Nova York: Qual a melhor pizza do mundo?

Autor: Seth Kugel Tags: , , , , , , ,

quarta-feira, 25 de maio de 2011 Europa | 08:00

O lado multicultural de Londres

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Eu não sou travesti, juro. Mas numa tarde de janeiro passado quis muito me vestir de mulher. Para ser específico: mulher muçulmana.

Deixe-me explicar. Foi durante uma viagem a Londres em que tinha decidido visitar Green Street, um bairro de imigrantes em East London. Cheguei em um destes ônibus vermelhos de dois andares e, quando desci, tinha esfriado muito e começava a chover. Pior, eu tinha esquecido meu casaco no hotel. Neste mesmo momento passaram por mim três mulheres vestidas com burcas (essa roupa muçulmana que cobre o corpo inteiro, da cabeça aos pés). Tive dois sentimentos ao mesmo tempo. O primeiro foi o choque maravilhoso do turista de “Cheguei a outro mundo!”. O segundo foi inveja: a roupa pareceu tão prática para um inverno londrino. Queria uma.

Fotos Seth Kugel

Mulheres muçulmanas apreciam vitrine de loja de roupas indianas, na Green Street

Não quero entrar na polêmica sobre burcas e o tratamento dado à mulher no Islã. Mas ver mulheres andarem com burcas durante horas após ficar maravilhado com obras de grandes mestres do Renascimento, na National Gallery, na Trafalgar Square, é um dos prazeres que só acontece nos grandes polos de imigração.

E Londres, como Paris, Nova York e Los Angeles, é um deles (São Paulo também já foi, mas faz tempo que a maioria dos seus sírios, espanhóis, italianos e japoneses foi abrasileirada). Em Londres, Green Street é um dos centros principais de imigração da Índia e de seus vizinhos, esse subcontinente hindu e muçulmano que tem uma história longa e complicada com o Reino Unido, seu ex-colonizador.

Se é só curry (o que em Londres é sinônimo de comida indiana) o que você quer, pode ir a Brick Lane, uma rua pitoresca de prédios velhos com placas em inglês e hindi e ótimos descontos na hora do almoço. (O Aladin é um dos mais populares.)

Mas Green Street é um destino muito mais interessante – precisamente  por não ser um destino turístico, mas uma comunidade viva. Minutos depois de ver aquelas mulheres de burca, avistei uma multidão de pessoas na calçada, do lado de fora de uma loja de jornais, a East Side News. Todos estavam lendo, com grande interesse, pedaços de papel pregados na janela.

Fotos Seth Kugel

Anúncios na vitrine da loja East Side News

Fui ler os papéis, óbvio. Alguns exemplos:

“Quarto disponível só para vegetarianos, £55/semana inclui comida e luz”

“Aluga-se quarto duplo com família bangladeshi, apropriado para casal ou duas meninas”

“Quarto duplo. Procuram-se: meninos muçulmanos (indianos, paquistaneses)”.

Eram classificados, na versão vitrine! Fiquei encantado não só pelo cenário que parecia tão anacrônico no mundo virtual, mas também pelos detalhes culturais dos anúncios: “só para vegetarianos”, “procuram-se muçulmanos” etc. Nos Estados Unidos, seriam “só não-fumantes” e “animais de estimação proibidos”. Entrei na loja para perguntar se era um serviço gratuito ou se os anunciantes pagavam. Resposta: pagavam sim, £1.50 (R$ 4) por semana. No verso de cada papel – visível do lado de dentro da loja – estava a data de “vencimento” do anúncio.  Fascinante.

Próximo destino: loja de bijuterias. Normalmente não sou o tipo de homem que entra muito em joalherias – para confirmar é só perguntar às minhas ex-namoradas. Mas visitar o bairro indiano e não ver uma bijuteria é como visitar Paris e não comer um pain au chocolat. As lojas são tão exageradamente luminosas e as bijuterias tão brilhantes e cheias de detalhes que é quase impossível resistir.

Fotos Seth kUGEL

Família de imigrantes do Sri Lanka escolhem bijuterias para casamento. A noiva é a segunda do lado esquerdo

Dentro da loja, encontrei uma família inteira olhando a mercadoria… e mais ninguém. Nesses momentos, quando você se sente muito fora de lugar, sempre há duas opções: bater um papo com alguém ou ficar com vergonha e fugir. Detsa vez arrumei coragem para conversar e falei um “oi” para um homem com uma expressão de desespero, tipo “homem-esperando-mulher-em-loja-de-sapatos”.

“Quem vai se casar?”, perguntei. Ele apontou para os noivos (que acenaram um “oi”) e nós dois começamos a conversar. Sua família era do Sri Lanka, um país que sofreu uma terrível guerra civil entre tâmeis e cingaleses; sua família foi para a Inglaterra para escapar da violência; só a mãe dele ficou na ilha, localizada perto do subcontinente indiano.

Dei meus parabéns para o casal e fui para o próximo destino imperdível: uma doceria. Adoro os doces indianos (bom, não é surpresa, adoro todos os doces). São feitos à base de leite, têm cores quase néon e, às vezes, vêm embrulhados em papel-alumínio comestível.

Fotos Seth Kugel

Doceria indiana no bairro londrino

Escolhi o Eastern Goods (165 Green Street), onde o balconista reconheceu meu sotaque norte-americano e conversou comigo sobre sua estadia nos Estados Unidos. Quando escolhi doces para levar, ele me presenteou com vários extras.

Só faltava jantar (antes de comer os doces, claro). O homem na loja de joias tinha me explicado que o centro da comunidade do Sri Lanka não se encontrava na Green Street, mas na High Street, a 15 minutos a pé na direção leste e perto da estação de metrô East Ham. Me perdi totalmente e cheguei lá 40 minutos depois (sem a ajuda do meu mapa  turístico, que não incluia esta área.)

Em uma loja de comidas importadas do Sri Lanka, pedi dicas de restaurantes. Me mandaram para Thaykam (278 High Street), um self-service onde se come à vontade por £4.99 (R$ 13). A comida era muito parecida com a indiana: curries, grão-de-bico, verduras cozidas. Perguntei para outro cliente qual era a diferença. Mas ele era indiano e brincou: “Não existe tradição culinária no Sri Lanka. Roubaram tudo da gente”.  Ri, mas não acreditei.

Green Street e Brick Lane não são os únicos lugares onde se pode aprender sobre os indianos. O museu Victoria & Albert (o “V&A”) reúne peças de arte e móveis de todo o ex-império britânico. Lá estão muitos tesouros da Índia, inclusive um tigre, feito de madeira, dominando um soldado britânico com uma mordida no pescoço. Mas não é apenas uma escultura: uma manivela mexe o braço do homem e a boca do tigre; o homem grita e o tigre ruge. E – li, mas quase não acreditei – no tronco do tigre há um…órgão musical! Pertencia a Tipu Sultan, um líder indiano que (adivinhem só?) era conhecido por ser inimigo dos britânicos.

Só essa obra valeria o preço do ingresso do museu – isso se a entrada fosse cobrada. Em Londres os museus são quase todos de graça.  O mesmo preço, por coincidência, de uma caminhada pela Green Street.

SETH ERROS

PARA EVITAR EM UMA VIAGEM A LONDRES

1) Limitar-se ao mapa turístico. A estação do metrô onde se encontra Green Street (Upton Park) fica fora da maioria dos mapas – mas não do Google Maps, claro.

2) Conhecer só a “Londres europeia.”. É uma das cidades mais diversas do mundo.

3) Em Green Street, achar que todos são indianos.  Há também imigrantes do Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka.

4) Visitar Green Street de dieta.  É só ver os doces indianos no balcão e acabou.

5) Ter medo de perguntar.  Não existe guia para te explicar tudo o que acontece em Green Street (apesar deste site em inglês). Você precisa pesquisar com a boca.

6) Sair de Londres sem comer curry – se não for para Green Street, pelo menos visite a Brick Lane.

7) Visitar Green Street no dia de um jogo de futebol do clube West Ham United.

Autor: Seth Kugel Tags: , , , ,

quarta-feira, 18 de maio de 2011 Estados Unidos | 07:30

Flórida além da Disney (e de Miami)

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A cada ano aproximadamente 300 bilhões de brasileiros chegam a Orlando, Flórida, para visitar a Disney. Ok, estou exagerando. Mas se a população do Brasil fosse mais numerosa, eles teriam que abrir um consulado dentro do Castelo da Cinderela.

Arquivo pessoal

Eu e meu irmão na Disney

Não estou criticando. A Disney é ótima! Eu visitei quando tinha 6 anos e a foto minha e do meu irmão com o Pluto (não com o Pateta, conforme disse antes) virou um clássico da família (apesar do menino loiro desconhecido que entrou na foto sem a gente perceber).

Mas como para muitos brasileiros a visita à Disney é também a primeira oportunidade de conhecer os Estados Unidos, acho que vale a pena aproveitar e descobrir um pouco do que fica fora do Reino Mágico e de outros parques de diversão. Ou seja, lugares onde o Mickey e a Minnie não andam pelas ruas e uma água sem gás custa menos de R$ 4.

Trata-se de esticar a viagem por só mais dois dias, alugar um carro e explorar a região. (Ah, e visitar Miami – que fica a 365 km de Orlando – é proibido, pois é um lugar quase tão atípico dos Estados Unidos quanto a Disney).


DESTINOS

Existem diversas opções. O roteiro depende do gosto da sua família e do tempo que vocês têm. Eu fui recentemente ao Kennedy Space Center (a 87 km da Disney) e fiquei impressionado com os foguetes de verdade, os filmes Imax e as apresentações multimídia que contam a história da exploração espacial (dentro de alguns anos, vai chegar o ônibus espacial aposentado Atlantis). O Kennedy está preparado para receber os brasileiros com mapas, guias em áudio e site em português.

Fotos Seth Kugel

Menina observa ônibus espacial de longe no Kennedy Space Center

Para os fãs do automobilismo, existe o tour do Daytona Beach International Speedway de Nascar (a 120 km da Disney). Se você se programar bem, dá para assistir a uma das corridas – a mais famosa é a Daytona 500 em fevereiro.

Um pouco mais longe está a cidade histórica de St. Augustine (a 200 km), fundada pelos espanhóis em 1565. A atração que mais gostei (tirando o Luli’s Cupcakes) foi o ótimo Castelo de São Marcos, uma fortaleza que passou pelas mãos dos espanhóis, ingleses e americanos – lá, dá para ver uma demonstração de canhão feita por “soldados” vestidos com uniformes da época.

Para as crianças, há o museu Ripley’s Believe It Or Not! (em português: “Acredite Se Quiser!”) lotado de coisas bem esquisitas. Lá também você encontra a prova de que entrou numa região conservadora do meu país: no museu existe uma réplica da famosa estátua David, de Michelangelo. Mas ela fica atrás de umas árvores para que os olhos inocentes não fiquem ofendidos pelo corpo nu da obra-prima do mestre italiano. Acredite se quiser!

Fotos Seth Kugel

Fernandina Beach tem quilómetros de praia sem fim

Mais distante fica Fernandina Beach (a 310 km), uma cidadezinha com quilômetros de praias brancas e um centro histórico de casas vitorianas lindas do século 19. Não esqueça os ótimos cupcakes da Patty Cakes Bakery. (Dá para perceber que não perco a oportunidade de provar um cupcake?)

HOSPEDAGEM

Minha recomendação: fique com sua família em um motel.

Peraí. Preciso me explicar melhor.

Um “motel” em inglês norte-americano é simplesmente um hotel para motoristas (motor + hotel = motel), onde seu carro chega até a porta do seu quarto. É tipicamente mais barato e menos luxuoso que um hotel, mas tem todo o básico: banheiro, TV, ar-condicionado, camas. Camas para dormir, claro, apesar de também estarem disponíveis para outras atividades – como para crianças pularem em cima.

O motel também é um clássico das viagens em família que todos nós gringuinhos aprendemos quando crianças. Papai e mamãe no banco da frente, nós crianças atrás, a cada cinco minutos gritando “Já chegou?”. E, 253 “já chegou?” depois, finalmente chega-se ao motel perto de alguma praia ou algum parque nacional.

Fotos Seth Kugel

O Luna Sea Motel em Cocoa Beach

Existem vários tipos de motel. As cadeias nacionais, como Days Inn, onde fiquei por duas noites em St. Augustine recentemente, são perfeitamente aceitáveis. Mas é melhor escolher um motel independente, como o Ocean Mist Motel em Ormond Beach, perto de Daytona. Não é nada espetacular, mas quando passei ao lado dele em abril, fiquei impressionado com o estacionamento lotado apesar de ser fora de alta temporada. “Não pode ser tão ruim”, pensei. Pelo contrário. Descobri que aquele era um lugar simples mas limpo e bem cuidado, onde os donos – um americano casado com uma chinesa – cuidam muito bem dos clientes e promovem um clima social.

Mas nem todos os motéis são assim…  Há alguns que são sujos. Por isso, você sempre deve pedir para ver um quarto antes de pagar.

COMIDA

Para o café de manhã, tem que ir a um diner, essa clássica lanchonete americana que você já viu nos filmes (lembra a última cena de Pulp Fiction – Tempo de Violência?). A ordem típica seria pancakes, bacon e café. Só não reclame quando o café chega fraquíssimo. Assim é o café de diner: uma experiência cultural.

Para almoço ou jantar procure um “seafood shack”, casas muito informais que servem peixe e frutos do mar fritos ou grelhados. Eu posso recomendar três por experiência própria:

Fotos Seth Kugel

A varanda no restaurante Our Deck Down Under

Our Deck Down Under em Port Orange (perto de Daytona Beach) fica quase embaixo de uma ponte que liga uma ilha estreita (“barrier island” em inglês) com o continente e faz tanto sucesso que, de sexta a domingo, a fila fica tão grande que você nem deve tentar. Ok, deve, para pedir um sanduíche de mahi-mahi, camarões frescos ou ostras fritas.

Muito parecido, com mais charme mas menos estrutura é o Singleton’s Seafood Shack em Mayport (perto de Fernandina Beach). E finalmente, há o Archie’s Seabreeze em Fort Pierce, um lugar onde realmente dá para sentir que você está nos EUA. Quando eu fui lá, um guitarrista tocava e cantava ao vivo rock clássico, ao mesmo tempo em que eram servidos camarões feitos no bafo e vendidos pela libra, anéis de cebola e cerveja Budweiser.

Fotos Seth Kugel

Camarões, anéis de cebola e cerveja Yuengling no Archie's

E garçonetes que sabem tratar os clientes. Da última vez que estive no Archie’s Seabreeze, estava meio distraído com o celular, escrevendo um e-mail importante para meus chefes em Nova York, quando chegaram meus camarões. Alguns minutos depois, ainda estava escrevendo e a garçonete voltou para dizer docemente: “Os camarões vão esfriar, querido!” Fiquei surpreso. Na Disney, em Miami e em Nova York – três lugares que ficam dentro dos Estados Unidos sem fazer parte dos Estados Unidos – as garçonetes não prestam tanta atenção e não dizem “querido”.

Desliguei o celular e descasquei o primeiro camarão. Ainda estava quente.

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