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quinta-feira, 10 de maio de 2012 Brasil | 06:42

Um teste do aeroporto de Guarulhos antes da invasão dos gringos

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Admiro André Franco Montoro, ex-governador de São Paulo e líder do movimento Diretas Já, não pelas realizações políticas que conseguiu em vida, mas por ter sido tão esperto dois anos após sua morte. Aconteceu em 2001, quando o Congresso Nacional decidiu rebatizar o Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos em sua honra. De algum lugar do céu, o governador declarou “NÃO QUERO!” E, abracadabra, o nome não pegou. Brilhante.

Quem ia querer, de verdade? O aeroporto é feio e sombrio, os pães de queijo são caros e os sanitários nem tão sanitários. Ainda assim, gosto do aeroporto. Eu não sou tão exigente para precisar de um bar de sushi, um trem-bala até o centro da cidade, um terminal cheio de luz e cores; vamos deixar essas coisas para cidades lindas. O concreto cinza e tetos baixos da sala de desembarque são megadeprimentes para quem chega de outro país após dez horas de voo, mas quem nega que representa bem a maioria da arquitetura da cidade? De certa forma, o aeroporto é uma fiel representação de São Paulo.

Outras viagens: Para inglês entender

Em Guarulhos, turistas perdem qualquer bronzeado imediatamente, por falta de luz natural

Mas eu reconheço que minha opinião é minoritária (ou talvez única). Assim que decidi avaliar, de forma objetiva, como seria a experiência de um estrangeiro chegando ao Brasil para uma reunião, umas férias, ou, sim, a Copa de 2014.

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Claro que testar os terminais 1 e 2, ambos construídos nos anos 80, não é completamente justo. O terminal 4, branquinho e novinho, acaba de abrir – mas ainda está meio vazio, usado só para voos da Webjet e quase sem serviços adicionais.  E o terminal 3, que será o maior de todos, entrará logo em construção e, segundo os planos, ficará pronto até o começo da Copa em 2014 (aham). Quem sabe se os terminais 3 e 4 vão transformar Guarulhos em um aeroporto moderno e entre os melhores do mundo (aham, aham), invalidando completamente esta pesquisa?

Terminal 4: branquinho e lindo, mas sem serviços

Bom, o teste inicial foi um sucesso. Cheguei de Nova York no sábado, prestando atenção ao processo de desembarque, imigração e alfândega. Achei tudo bem fácil: apesar de haver um pouco de confusão nos corredores onde os que desembarcam cruzam com os que estão embarcando, não tinha nenhuma fila na imigração, a mala chegou rapidinho e sai da alfândega sem os oficiais perceberem os 18 iPads na minha mala. (Nota para a Receita Federal: estou brincando.) E fui direto para o ônibus secreto que quase ninguém conhece, mas que te leva para o metrô Tatuapé por R$ 4,30.

Mas sei que às vezes há filas enormes, policiais federais que não sabem nada de inglês e falta total de ar condicionado.

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Querendo fazer mais um teste sem sair e voltar ao País, voltei na segunda-feira, simulando não falar nenhuma palavra de português e fingindo ser um gringo recém-chegado e à procura de informação, serviços, comida, transportes e os outros serviços do aeroporto. Vejam o que descobri:

Estrutura
Um aeroporto é a primeira impressão que um turista ou empresário tem da cidade. A cidade é limpa? É bonita? É eficiente? Como já falei, São Paulo não é nenhuma dessas coisas. Imagina passar por um aeroporto supermoderno e chique e depois ficar 90 minutos no trânsito para chegar ao centro de uma cidade cinzenta e suja. Que desilusão.

Mas a diferença é que a cidade é “cool” apesar de ser cinza. O concreto do aeroporto de Guarulhos é só cimento e areia; o concreto da cidade de São Paulo é cimento e areia com suplemento de arte, grafite, toques de beleza, cantinhos secretos.

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Escuro e deprimente... como São Paulo mas sem 'vibe'

O aeroporto tem pouquíssima arte: tem um mural pop de Romero Britto que dá um pouco de cor e, escondido entre os terminais 1 e 2, se encontra o Espaço Cultural Infraero, que deve ser muito lindo, mas estava fechado quando eu passei às 18h30. Mas esculturas, quadros, até exibições de grafite nas áreas públicas ajudariam muito a melhorar. Imagine um Beco de Batman ligando os terminais 1 e 2!

Minha maior queixa, porém, é a tipografia – ou seja, as fontes que usam em todo lugar. Olha as letras aqui:

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Desembarque Internacional na "Rodoviária" Internacional de Guarulhos

Parece uma rodoviária nos anos 70. E a tela que mostra as chegadas dos voos? Nunca vi tipografia tão apertada com tanto espaço em branco. Superdifícil ler. E se um passageiro que sai da alfândega e entra na área pública do aeroporto quiser encontrar o banheiro ou informações turísticas? Será difícil, porque colocaram a sinalização – e várias outras coisas – bem atrás da área onde ficam todos os motoristas, com papéis indicando o nome dos passageiros que vieram buscar. E nós que não temos motorista? Como vamos encontrar o banheiro?

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Ajuda ao turista
E que tal o tadinho do turista que chega a Guarulhos sem saber nada sobre o transporte e sem nem um hotel reservado? Boa notícia: os atendentes do balcões de informação da Infraero, da São Paulo Turismo e até da Guarulhos Convention and Visitors Bureau (para quem viajou dez horas para desfrutar das maravilhas da cidade de Guarulhos) falavam inglês e eram bem competentes.

Balcão da Infraero; bom inglês, boa atitude

Testei os três, fingindo não falar português, e pedindo dicas básicas sobre transporte (para Campinas e para o Centro de São Paulo) e hotéis (no Centro e perto do aeroporto). Tudo certo em todos os balcões. O inglês de todo o mundo era perfeito? Não, mas eu não preciso um inglês de Oxford para me contar que o Airport Bus Service fica na segunda porta à esquerda.

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A informação também não era perfeita. Para a moça que trabalhava no balcão da São Paulo Turismo, perguntei por um hotel barato perto do aeroporto. Recomendou o Matiz, dizendo que era “entre R$ 100 e R$ 300”. Em muitas cidades teriam ligado para o hotel para verificar ou até reservar, mas tudo bem. Ela era simpática. (E o preço, quando liguei, era R$184. Entre R$ 100 e R$ 300 mesmo.)

Sobre o que fazer em São Paulo por um dia, outra jovem entusiástica insistiu que eu precisava ir ao Centro para provar o “very, very big bologna sandwich”, um sanduíche de mortadela muito grande, no Mercado Municipal. E ganhei um panfleto sobre o mercado. Também recomendou a Pinacoteca e a Praça da Sé, mencionando que era necessário tomar cuidado com o celular e a máquina. Boas dicas, mas que tal uma caminhada pela avenida Paulista e uma visita ao MASP também?

O nível de inglês era aceitável. O entusiasmo era mais. É um bom começo.

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Culinária
O mínimo que se espera em um aeroporto internacional de cidade grande é que tenha opções variadas, pessoas que falem um pouco de inglês ou cardápios em inglês e um ambiente relaxante. Guarulhos, infelizmente, falha em todos.

Para quem quer um sanduíche, um pão de queijo, um hambúrguer, um quibe, uma pizza medíocre e ter de disputar por uma das poucas mesas disponíveis, tudo ótimo. Mas, hoje em dia, os aeroportos internacionais de grandes cidades oferecem muito mais, em um ambiente mais tranquilo.

Nome em inglês, mas cardápio só em português

E a situação para quem não fala português (ou espanhol, que funciona mais ou menos) é péssima. Ironicamente, o inglês é pior nos restaurantes com nomes em inglês: nem Baked Potato, nem Naturally Fast, por exemplo, têm cardápios em inglês ou pessoal que falava nenhuma palavra na língua quando eu visitei. Lugares como Viena e Balloon Café tinham cardápios em inglês, mas ninguém que falava. Um prêmio para o cara que trabalha no Frango Assado, que apesar de não ter cardápio em inglês, parou para me explicar com precisão o que era um beirute.

Internet
Novidade em Guarulhos: desde abril tem internet de graça para passageiros nas salas de embarque.  Foi impossível testar isso sem comprar uma passagem, assim que subcontratei o teste para o amigo, Rich Yang, que voou de Guarulhos ontem. Ele reportou  – só depois de chegar ao aeroporto de Montevidéu, onde a internet funciona – que, em São paulo, o sistema não aceitou o número do seu boarding pass.

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Eu tive problemas parecidos quando tentei no piso de desembarque. Mas para mim é igualmente importante, ou talvez mais, ter internet nas outras áreas do aeroporto. Para, por exemplo, chegar em um país estrangeiro e pegar os e.mails depois de um voo longo, ou abrir o Skype e ligar para a pessoa que disse que ia te pegar mas não aparece. Ou, antes do check-in, para mandar e-mails da fila interminável ou pegar o número da conta de milhas.

E chegamos a um problema. A rede pública no aeroporto, “Linktel Wifi”, está disponível em todas partes do aeroporto, não só na sala de embarque.  Bom, “disponível” no sentido de “existir”, mas não no sentido de “funcionar”, pelo menos para gringos.

Mais: A imagem do Brasil no exterior

O preço é bom: R$ 1,99 por uma hora. Só que não tem versão em inglês e sem endereço no Brasil não é possível se cadastrar. Nem cheguei ao ponto de botar um cartão de crédito.

O atendente na mesa da Infraero salvou o dia, me avisando que a loja Digital World, no segundo andar, tinha uma rede de Wi-Fi. Mas precisava estar perto da loja. Você ainda tem a opção de usar os computadores deles, que funcionavam bem. Assim que, apesar de Guarulhos não ter Wi-Fi modelo 2012, chegou pelo menos a 1998.

Tomadas
Precisa de tomadas. Mais tomadas. Meu reino por uma tomada. Quem chega de um voo internacional chega sem bateria, quem chega para um voo internacional precisa carregar. Mas esse problema não é só de Guarulhos, existe ao redor do mundo nos aeroportos mais antigos. Vamos esperar que o terminal 3 seja um paraíso da eletricidade.

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A seleção inteira de livros em inglês disponíveis na LaSelva de Guarulhos

Livraria
A única livraria que encontrei no aeroporto (fora as das salas de embarque, que não pude visitar) foi a LaSelva, que tinha pouquíssimo para o passageiro internacional. Dez títulos de livros em inglês, a maioria sobre vampiros ou algo parecido. Algumas revistas em inglês, francês e italiano, mas nada das revistas que se vê em qualquer outro aeroporto do mundo: Time, The Economist etc. Porém, tinha dezenas de cópias de “Quem Acontece”, com Michel Teló na capa.

Transporte
Quem quer pegar táxi não tem nenhum problema: o sistema, apesar de ser muito caro, funciona e quando eu fiz meu teste, os atendentes falavam um inglês suficiente. O preço é bem alto – mais de R$ 100 para os bairros hoteleiros, mas isso é assim no mundo inteiro. Por isso nunca pego táxi. A opção que me deram nos balcões de informação era o Airport Bus Service, esse ônibus executivo que chega a várias partes da cidade, incluindo Congonhas, por R$ 35. O inglês da jovem que trabalhava lá era muito, muito fraco, mas conseguiu me entender e me mostrar o horário e o preço na tela.

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(Ninguém recomendou o ônibus de R$ 4,30 para o Tatuapé, mas prefiro assim, se pessoas demais ficarem sabendo, todo o mundo vai pegar e eu nunca vou conseguir um assento.)

Também testei o inglês falado nas locadoras de carros, com resultados mistos. Na Localiza, a mera pergunta “Do you speak English” pareceu assustar tanto a tadinha da balconista que nem conseguiu responder com “Sorry”; na LocarAlpha, a mulher me disse “I don’t speak English” com sotaque tão bom que achei que estava mentindo, mas quando perguntei quanto era um carro por uma semana, ficou claro que não falava mesmo. Na Hertz e Unidas falaram bem; a menina da Unidas só não sabia falar “não tem direção hidráulica” em inglês, mas conseguiu explicar usando gestos bem engraçados que qualquer pessoa teria entendido.

Se os aeroportos brasileiros vão sobreviver à Copa, não vai ser com novos terminais e aulas de inglês e quem sabe quais bandas de samba e faixas de “WELCOME!”. Vai ser pelo charme dos brasileiros como a menina da direção hidráulica e o cara do Frango Assado que dedicou seu tempo para me explicar o que era um beirute.

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- Hotéis inusitados pelo mundo

- O Amapá e sua mistura de tradições

- Já conhece Buenos Aires? Vai para Punta

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Notas relacionadas:

  1. São Paulo ou Nova York: Qual a melhor pizza do mundo?
Autor: Seth Kugel Tags:

quarta-feira, 15 de junho de 2011 Seth Erros | 11:50

Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem

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1) Avaliar como ruim a pizza de outra cidade só por ser diferente. Claro que é diferente. Viva a diferença!

2) Avaliar a pizza paulistana sem provar as melhores, como a da Bráz. (É só ganhar na Mega-Sena primeiro.)

3) Avaliar a pizza de Nova York sem provar as melhores: Joe’s, por exemplo, ou os lugares mencionados nesta matéria do blog Slice.

4) Usar garfo e faca numa pizzaria nova-iorquina…

5) … e não pegar a fatia com guardanapos!

6) Colocar azeite de oliva na sua pizza em Nova York ou Nápoles.

7) Colocar ketchup ou maionese na sua pizza em São Paulo, Nova York ou, pelo amor de Deus, em Nápoles. Uma pizza que precisa de ketchup ou maionese é uma pizza ruim mesmo.

Veja também:

- São Paulo ou Nova York: Qual a melhor pizza do mundo?

Autor: Seth Kugel Tags: , , , , , , ,

Brasil, Estados Unidos, Europa | 08:00

São Paulo ou Nova York: Qual a melhor pizza do mundo?

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Duas fatias de Joe's, estilo nova-iorquino (ou seja, sem nada em cima, e definitivamente sem azeite)

Quando um nova-iorquino se muda para São Paulo é impossível evitar a pergunta: “Qual das duas cidades tem a melhor pizza?”. Ou, mais comum: “A pizza paulistana é a melhor do mundo, né?”.

Uma observação somente: os nova-iorquinos também acham que a pizza deles é a melhor do mundo. E daí temos um problema, porque as pizzas das duas cidades são muito, muito diferentes.

A diferença mais marcante é a grande quantidade de ingredientes que os paulistanos colocam sobre a pizza. Em Nova York, é queijo, tomate e mais um ingrediente (pepperoni, por exemplo), no máximo. Nos meus primeiros meses em São Paulo, quando comi pizza portuguesa, baiana ou vegetariana – com mil ingredientes em cima de cada uma – , minha resposta sempre era: “A pizza de São Paulo é muito boa. Só que não é pizza.”

- Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem

Pizza boa e barata em uma pizzeria típica, em Erculano, fora de Nápoles. Massa incrível, tomates frescos.

Pizza boa e barata em uma pizzeria típica, em Erculano, fora de Nápoles

Ou seja, não era a pizza que eu conhecia. É que pizza em Nova York e São Paulo não é só pizza. É cultura. E são culturas tão diferentes que achava impossível comparar as pizzas das duas cidades – até a semana passada, quando estive em Nápoles, Itália.

Lá a pizza não é só cultura. É vida. Da legitimidade da pizza de Nápoles ninguém pode desconfiar. Assim que, entre São Paulo e Nova York, ganha quem tem a pizza que mais se parece com a pizza napolitana. Capisce?

Vamos à comparação:

1 – Ingredientes: Pizza para mim, pelo menos para meu lado nova-iorquino, é massa, molho de tomate e queijo. E, talvez, um ingrediente: pepperoni, por exemplo. Ou um monte de alho picado (hummm). Por outro lado, minha alma paulistana entende que pode colocar mais, sem se esquecer dos elementos básicos. Em Nápoles? Tem a famosa Da Michele (que apareceu no livro Comer, Rezar, Amar) onde só há duas opções: pizza margherita e pizza marinara. Mas na Pizzeria Starita, também muito famosa (o dono até serviu pizza ao Papa João Paulo II), o cardápio é muito variado, como em São Paulo. Empate.

2 – Pizza boa e barata: Nem tudo pode ser perfeito. Quando se bota presunto, azeitona, palmito, catupiry, frango, calabresa, abacaxi, rúcula  e mais ingredientes sobre a pizza, a massa, o molho de tomate e o queijo perdem importância? Em Nova York uma pizzaria de bairro não sobrevive nem uma semana com a massa de cartolina e omolho de baixa qualidade de muitas pizzarias que já provei em São Paulo. Em Nápoles também não. Até pizzas baratíssimas que eu provei – de 3 euros ou 4 euros (R$ 7 a R$ 9) – tinham massa perfeita, tomate fresco e mozzarella de búfala de qualidade. Vantagem: Nova York

Pizza racchetta na Pizzeria Starita em Nápoles: com muitos ingredientes inclusive ricota e cogumelos

Pizza racchetta na Pizzeria Starita em Nápoles: com muitos ingredientes inclusive ricota e cogumelos

3 – Pizza boa e cara: Por fim, descobri onde existem ótimas pizzas em São Paulo: nos lugares caríssimos, como Bráz e Veridiana. Tudo da melhor qualidade. Agora, gente, isso é pizza, a melhor que já provei. Nova York também tem pizzarias “de grife”, tipo Motorino, mas não são tão parte da cultura e é raro encontrar uma pizza por mais de R$ 30. E esses preços paulistanos? Mais de R$ 40, às vezes até R$ 50, por uma pizza? Parece piada, mas só os donos das pizzarias que estão rindo. E muito. Vantagem São Paulo, mas é vitória pírrica.

4 – Forma: É tão comum em Nova York pedir pizza por “slice” (uma fatia) que o melhor blog sobre pizza se chama Slice mesmo. A pizza de São Paulo se pede inteira, com a exceção de poucos lugares, como O Pedaço da Pizza e a ótima ideia de rodízio de pizza (Detalhe: o rodízio de pizza é minha invenção brasileira favorita, muito melhor do que a feijoada ou a bossa nova). Em Nápoles, apesar de poder comprar um pedaço em muitos lugares, a cultura prevalente é pedir uma pizza inteira. Leve vantagem: São Paulo.

5 – Quem serve: Em São Paulo, o garçom chega com a pizza e depois serve as primeiras fatias a todo o mundo. Depois volta para dar as segundas e as terceiras. Uma das minhas atividades favoritas nas pizzarias paulistanas é começar a pegar um pedaço e ver o garçom correr à mesa para me ajudar. Em Nova York, ao pedir uma pizza inteira, você mesmo pega o primeiro pedaço, o segundo e o terceiro (No meu caso, também o quarto e o quinto). Em Nápoles? As pizzas são de tamanho individual e nem chegam divididas em fatias. Ambos estamos errados. Empate.

Em Nova York, pizza se come com a mão

Em Nova York, pizza se come com a mão

6 – Com garfo e faca ou com a mão: Pizza em São Paulo se come com garfo e faca. Muito civilizado. Pizza em NY se come com a mão. Muito fácil. O paulistano, sem dúvida, acha o costume nova-iorquino anti-higiênico. Mas comer com garfo e faca parece tão esquisito em Nova York que, quando o Donald Trump foi filmado comendo pizza assim na Times Square, foi ridicularizado. É só ver a raiva do comediante Jon Stewart neste clip (começa no 4:15) para entender o que os nova-iorquinos acham de comer pizza com garfo e faca (e nem precisa entender o inglês). Também não perca a demonstração de como comer uma “slice” (a 5:30).  Porém, em Nápoles, é com garfo e faca que se come a pizza. Vantagem: São Paulo

7 – Quando?: Em São Paulo, domingo é o dia oficial da pizza. Em Nova York, o dia oficial da pizza é: todos os dias, no almoço ou no jantar, como lanche, ou até para comer antes de sair para um restaurante caro para não gastar demais (Bom, esse último exemplo talvez só eu faça). Nápoles? Pizzarias lotadas o tempo todo também. Vantagem: Nova York.

8 – Quem faz: O cara que faz pizza, em Nova York, se chama “pizzamaker” ou pior, “pizza guy”. Em São Paulo é “pizzaiolo”. Em italiano como deve ser?  Vantagem: São Paulo

9 – Azeitonas: Quem decidiu, em São Paulo, botar azeitonas em qualquer pizza? Não foi um napolitano. Em Nápoles, como em Nova York, a pizza só tem azeitonas se você pede com azeitonas. Vantagem: Nova York

10 – Condimentos: Em São Paulo muitas pessoas colocam azeite de oliva na pizza, algo que me pareceu muito esquisito quando vi pela primeira vez – jogar mais gordura sobre uma comida gordurosa? Em Nova York muitas pessoas botam pimenta calabresa ou queijo parmesão nas “slices”. Você pode usar o mesmo argumento para o queijo: uma comida com queijo precisa de mais queijo? Em Nápoles a pizza é tão boa que ninguém bota nada em cima. Faz sentido. Empate

Fazendo pizzas na Pizzeria Starita em Nápoles 1

Fazendo pizzas na Pizzeria Starita em Nápoles

É óbvio que as tradições das pizzas em São Paulo e Nova York são bem diferentes, que cada uma tem suas qualidades e que, apesar de os dois povos terem suas discordâncias, podemos nos respeitar. Mas só pode haver uma cidade ganhadora. Então, o envelope, por favor. A melhor pizza do mundo é… a de Nápoles.

- Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem


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