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quarta-feira, 17 de agosto de 2011 Oriente Médio | 08:00

Catorze: Dois por Seth em Beirute

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Quase nunca estou de férias. Eu sei que parece um absurdo para os que consideram minha vida de viajante profissional uma folga eterna, mas é verdade. Apesar de vocês não acreditarem, as viagens, por mais maravilhosas que sejam, não deixam de ser trabalho também. Tem as horas e horas de pesquisa, a monotonia de esperar nos aeroportos e dormir nos ônibus, a correria de uma viagem de poucos dias para fazer muitas coisas, a tarefa de separar o bom do ruim para os leitores exigentes, o estresse dos deadlines e os chefes que pedem demais e pagam de menos. (Estou falando dos chefes do passado. Os meus chefes de agora são perfeitos, claro.)

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Prédios destruidos na guerra fazem parte do ambiente dia a dia de Beirute

Até nos dias que consigo tirar para mim para fazer algo divertido, sempre fico pensando “serve para uma matéria?” e escrevendo notas e tirando fotos. O único destino onde me libero totalmente é a casa dos meus pais, porque ninguém quer saber se a cama do meu antigo quarto é tão confortável quanto era anos atrás ou se os brownies da minha mãe ainda são os melhores do mundo. (Uma obs: é e são.)

Mas milagres acontecem e, ao final de mais de dois meses de viagem pelo Mediterrâneo, estava em Beirute com dois dias livres e nenhuma matéria para fazer. Eu não sabia absolutamente nada da capital do Líbano –  quer dizer, na verdade só sabia que durante minha infância inteira esse foi um lugar de eterna guerra e nos tempos de paz tinha virado chique. Mas depois de passar 65 dias seguidos pesquisando e planejando cada momento, nem queria pensar no que fazer.

Seth número 2 negocia em árabe com um taxista

Seth número 2 negocia em árabe com um taxista

Por sorte, estava hospedado na casa de um dos melhores guias de Beirute que existe: meu amigo e xará Seth Sherwood, também jornalista de viagens. Ele passa todos os verões em Beirute, conhece a cidade muito bem e fala árabe suficiente para negociar com taxistas e brincar com garçons e também sabe ler letreiros. Eu me deixei nas mãos dele.

Para ver as primeiras atrações da cidade, nem precisávamos sair do apartamento dele, era só sair para a sacada. É que o prédio dele tem uma vista do antigo Holiday Inn, um prédio de 26 andares que está em ruínas, após ser atingido por bombas, granadas e balas em uma batalha que ocorreu em – inacreditável – 1976. (Há até árvores saindo das janelas do andar mais alta…como isso aconteceu eu nem imagino.)

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Árvores crescem no andar mas alto do antigo Holiday Inn em Beirute

Isso é Beirute: entre os prédios modernos e novinhos existem outros que foram destruídos durante a guerra civil (que durou de 1975 até 1990) e estão lá como uma lembrança macabra do horror desses anos. Os libaneses cristãos e muçulmanos vivem, trabalham, se divertem e têm uma vida mais ou menos normal em meio à destruição.

A vista da sacada não é só ruínas. Em frente ao prédio há um hotel moderno, e se os hóspedes decidem deixar as cortinas abertas, dá para sentar no balcão, tomar uma cerveja e ver o que eles fazem dentro de seus quartos. E vimos algo bem interessante. (Não se preocupe, não é o que você está pensando.)

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Os hóspedes muçulmanos fazem a reza o quarto do hotel

Dois homens entraram no quarto e começaram a tirar a roupa. (Sério, não é o que você está pensando, de verdade.) Colocaram outra roupa mais confortável, e se sentaram de joelhos no chão… para rezar. Os muçulmanos rezam cinco

vezes por dia, claro, e se não dá tempo para ir a uma mesquita, fazem sua oração onde quer que estejam. Para o outro Seth, não era esquisito ver isso – ele me disse que nos restaurantes é comum ver muçulmanos pararem de comer, colocarem um tapete no chão e rezarem no meio das outras mesas. Mas para mim era uma novidade.

- Leia também: Seth Erros para evitar em Beirute

Nessa mesma cidade com ruínas de guerra e muçulmanos que rezam cinco vezes por dia, existem clubes de praia que parecem Florianópolis. Um dia meu xará Seth me levou ao Riviera Hotel, que fica de frente para a praia e a apenas 20 minutos da casa dele. Você paga 20 dólares para entrar na área da piscina e de repente está num mundo que parece uma festa de verão da MTV: a piscina com um bar dentro, um DJ tocando as músicas que todo o mundo sabe de memória como “Empire State of Mind” de Jay Z e Alicia Keyes, e mulheres e homens incrivelmente sarados dançando e bebendo. Alguns bebiam drinques coletivos de copos gigantescos com canudos enormes e múltiplos. No Oriente Médio, me disse o outro Seth, você só vê isso em Beirute e Dubai.

Seth número 2 fumando narguile no restaurante Abdel Wahab

Seth número 2 fumando narguile no restaurante Abdel Wahab

Mas nosso primeiro objetivo era sair à noite e conhecer a famosa vida noturna da cidade, principalmente no bairro de Gemmayzeh. Seguindo a dica de um amigo do Seth que tínhamos encontrado num café, fomos para uma festa no Behind the Green Door, uma espécie de bar e boate com nome inspirado em um filme pornô clássico de 1972. (“Atrás da Porta Verde” em português, para os leitores que estão fingindo nunca terem ouvido falar do filme.) Isso aconteceu poucos dias depois da morte de Amy Winehouse e cada pessoa que entrava na boate recebia uma máscara da Amy. O lugar estava lotado com jovens bebendo e dançando à músicas como “Rehab” e falando a mistura típica de inglês, francês e árabe que serve de idioma oficial da juventude da cidade.

- Leia também: Dois dias em Trípoli (no Líbano, não na Líbia)

Fomos também a outros lugares mais tranquilos: o bar do restaurante Momo at the Souks (a versão libanesa do famoso Momo de Londres), o Coop d’Etat, no terraço do Saifi Urban Gardens, um lugar que é albergue, centro cultural, escola de árabe e bar – tudo junto – , e o bar Demo, um dos favoritos do Seth, um lugar mais boêmio com “mesas” feitas de cartões de cerveja.

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Arak, licor com sabor de anis, é uma boa pedida

Para agradecer o Seth por sua hospitalidade, claro que tinha que convidá-lo para jantar. Ele escolheu o Abdel Wahab, no bairro de Ashrafiyeh, um lugar de comida libanesa tradicional em um ambiente de luxo. Como o restaurante fica no lado cristão da cidade, dava para tomar bebidas alcoólicas (algo mais raro – mas não impossível – nos bairros muçulmanos). A gente pediu uma pequena garrafa de arak, o licor com sabor de anis que fica leitoso quando você coloca água.

Pedimos muitas coisas típicas (o homus, o baba ganush, a linguiça libanesa). Mas o Seth insistiu para provar um prato chamado simplesmente “Birds”. Como o jantar era de agradecimento, concordei.

Comer “birds” – “pássaros” em inglês – no Abdel Wahab é um desses momentos que divide os verdadeiros carnívoros da comunidade VVS (Veganos, Vegetarianos e Simpatizantes). O prato consiste em seis pequenos passarinhos – como as aves fofinhas que cantam nas árvores e que seu filho de 5 anos desenha na escola e você coloca na porta da geladeira. Só que eles chegam sem cabeça, preparados em óleo na frigideira e servidos em molho de romã e suco de limão. Você come de um bocado só, mastigando forte para quebrar os ossos.

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Os polêmicos "Birds"

Talvez eu seja uma pessoa cruel, mas eu gostei da experiência. O sabor era mais ou menos – como todas as aves que você prova pela primeira vez, parecia frango. Depois, chegou a sobremesa, e fumamos um narguilé, um desses cachimbos de água que se usa para fumar tabaco com sabores doces. O nosso era de uva.

Foi difícil deixar Beirute e voltar para a rotina. Mas fiquei feliz de haver passado alguns dias de férias de verdade, com guia pessoal e sem me preocupar em anotar tudo o que acontecia no meu bloco e tirar fotos a todo momento, sabendo que nunca ia ter que escrever sobre essa experiência.

Ops.

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  1. Seth erros para evitar no Líbano
  2. Dois dias em Trípoli (no Líbano, não na Líbia)
Autor: Seth Kugel Tags: ,

Seth Erros | 07:45

Seth erros para evitar em Beirute

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1) Pedir um beirute. O sanduíche não existe lá e a cidade não está à venda.

2) Acreditar nos conselhos de quem fala que não pode ficar no lado muçulmano da cidade. A guerra acabou duas décadas atrás. (Mas a melhor vida noturna está nas áreas cristãs.)

3) Ir ao clube de praia do Riviera Hotel se você não gosta de discotecas. (Ou leve protetores de ouvido.)

4) Beber um desses martinis gigantescos enormes sem a ajuda de vários amigos.

5) Ir a Beirute em julho ou agosto. Muito quente.

6) Ler esta matéria se vai fumar narguilé.

7) Deixar de comer os “birds” no restaurante Ashrafiyeh porque você acha cruel. Se você é vegetariano, tudo bem. Se não, pare de ser hipócrita e coma esses passarinhos bonitinhos de um bocado só.

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  1. Seth erros para evitar no Líbano
Autor: Seth Kugel Tags: ,

quarta-feira, 3 de agosto de 2011 Oriente Médio | 07:59

Dois dias em Trípoli (no Líbano, não na Líbia)

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Às vezes, tenho certeza de que vou gostar de uma cidade antes mesmo de conhecê-la. A fórmula é simples. Basta ser um lugar com cultura e história, mas com uma imagem suficientemente negativa para que a maioria dos turistas fique de fora.

Assim, não há filas para nada, e – mais importante – é tão interessante para o povo local conhecer os turistas, quanto para os turistas conhecerem os locais. Exemplos: Nápoles, na Itália, tem fama de perigosa e suja, mas quem conhecê-la vai encontrar gente boa e ótima comida. Medellín, na Colômbia, ficou famosa por causa do narcotráfico, mas sua realidade contemporânea é de esculturas de Botero nas ruas, clima de “eterna primavera” e um dos povos mais simpáticos (e lindos) do mundo.

A área residencial de Trípoli

E agora posso agregar Trípoli, a segunda cidade do Líbano, à lista. É uma cidade muçulmana e conservadora, elementos que ainda dão medo em  algumas pessoas. Além disso, Trípoli tem uma história recente de violência (algo um pouco mais preocupante): a guerra entre Hizbollah e Israel chegou na cidade em 2006 e destruiu alguns prédios. Mas o pior, acho, é que compartilha o nome com outra Trípoli, capital da Líbia e agora uma das cidades (realmente) mais perigosas do planeta.

Perfeito. Eu estava hospedado com uma família em Anfeh, uma cidadezinha a apenas 15 minutos de Trípoli, mas em área quase completamente cristã. Cheguei num sábado a Trípoli pelo sistema conveniente de táxis compartilhados, que te deixam em uma praça central adornada com uma escultura em letras árabes que dizem simplesmente: Alá.

Mulheres passam pela porta de uma mesquita em Trípoli

Ou seja, para os que chegam sem saber se Trípoli é cristã ou muçulmana, o mistério se resolve rápido.

A cidade tem várias atrações turísticas – mesquitas, uma cidadela com vista panorâmica da cidade –, mas as duas que me interessavam mais eram os souqs – ou seja, mercados tradicionais – e uma obra meio acabada de um arquiteto que vocês conhecem: Oscar Niemeyer.

Uma Brasília abandonada

As obras da Feira Internacional de Trípoli – com prédios e monumentos em uma área de 10.000 hectares, quase no centro da cidade – foram paradas em 1975 com o  começo da guerra civil libanesa. E ainda estão aí, quase sem uso e fechadas ao público.

Bom, não 100% fechadas. Os adolescentes entram na área escalando uma cerca; eu consegui entrar falando muito inglês com o oficial de segurança que não falava inglês e respondeu em árabe. Ao final, ficou frustrado comigo (esperando propina, acho) e acabou desistindo e me deixando entrar. (Acho que o português – ou a propina – funcionam também.)

A surpresa é que depois de 26 anos de esquecimento o lugar é maravilhoso. Parece uma Brasília abandonada. (Ou seja, Brasília no fim de semana.)

Arcos, cúpulas, monumentos, praças enormes, uma quase-cidade vazia e incrível. Mas nem tão abandonada quanto eu tinha lido: alguém obviamente cuida das árvores e dos jardins do espaço da Feira, porque o lugar está cheio de verde e flores. O prédio do qual mais gostei foi o teatro coberto em forma de domo. Pendurado do teto, cabos de metal retorcidos parecem estalactites contemporâneas. Quem sabe para que. Cada passo rende um eco forte – para testar, gritei “Oi!” e contei as repetições: 23. E pichado numa parede, “Niemeyer 4ever”.

A Feira Internacional de Trípoli, obra do Niemeyer parada em 1975 no começo da guerra civil libanesa

Foi vendo a pichação que ouvi um barulho e percebi que não estava sozinho. Um casal jovem estava do outro lado, conversando. A menina me viu e gritou, num inglês quase perfeito:

“De onde você é?”

E fui conversar. O cara era um estudante universitário que só falava francês e ficou calado. Mas ela, uma menina de 17, de  véu, não parou de falar.

Explicou que falava inglês perfeito porque a mãe era alemã (uma explicação que nem tem muita lógica, mas tudo bem), me contou que eles vêm todos os domingos ao mesmo lugar, e contou seu sonho de fazer faculdade nos Estados Unidos, em Harvard. De tão inteligente que parecia, nem duvido que consiga.

Mais da Feira Internacional de Trípoli

Contei para ela que meus pais moram em Cambridge, cidade onde fica Harvard, e disse que a esperava lá em casa daqui a um ano, quando ela fosse começar. E como agora somos amigos no Facebook, pode ser que aconteça mesmo.

Os monumentos abandonados são imensamente tristes, e não só porque não dá para as pessoas visitarem e apreciarem sua beleza. É que numa cidade tão densamente povoada existe um espaço verde tão imenso e tão lindo que deveria ser o Central Park ou o Ibirapuera da cidade, mas que quase ninguém consegue entrar.

Souq de roupa em Trípoli


Diversão nos souqs

Depois fui aos souqs, uma confusão de ruas para pedestres, estreitas, semicobertas, barulhentas e lotadas de lojas e barracas de todo produto imaginável. Para o turista o que mais interessa é Khan al Saboun, uma fábrica de sabonetes e um lugar perfeito para comprar presentes se, por exemplo, você está chegando ao final de sua viagem e ainda não comprou nada para sua mãe que mora em Cambridge.

Comprei. Mas gostei mais da área dos açougues, comidas e temperos, onde fiz alguns amigos.

O primeiro foi o Louay, dono de uma loja de queijos e temperos, que tinha morado na Grécia por dez anos e falava inglês porque em Atenas namorou uma americana de Las Vegas.  Quando soube que eu era norte-americano, começou a falar de política.

Temperos na loja do Louay

“Se você tivesse chegado aqui no Líbano há 25 anos, todos adoravam os Estados Unidos,” disse. “Agora todos odeiam. Obama é melhor do que Bush. Pelo menos tentou com Israel. Mas qualquer um que está a favor de matar mulheres e crianças é nosso inimigo.”

Melhor não entrar em uma conversa dessas, pensei, e perguntei sobre os queijos e seu tempo na Grécia. Logo, ele me apresentou a Abu Ahmad, o vendedor de doces que estava na loja em frente, pedindo que eu tirasse fotos dele. O estabelecimento se chamava Abu Ahmad e vendia doces há décadas no mesmo lugar.

A máquina fotográfica, como quase sempre acontece, atraiu a atenção de um monte de crianças. Deixei eles tirarem algumas fotos também, o que foi um erro, porque depois disso me perseguiam implacavelmente pelos souqs, me fazendo posar e pedindo para tirar ainda mais fotos. Foi divertido.

As crianças que me perseguiam


Almoço local

Saí dos souqs para um bairro residencial de prédios tão velhos que pareciam que poderiam desmoronar a qualquer momento. Foi lá que vi uma mulher de véu sentada na porta de sua casa. Parecia que havia décadas que estava sentada na mesma cadeira, fazendo a mesma coisa. Eu queria tirar uma foto, mas tinha medo de ofendê-la. Então, levantei a máquina para ver como ela reagiria. E justo como as crianças, começou a fazer poses. Pouco depois, me convidou para tomar chá. Conheci a filha dela, a Amné, com quem consegui conversar um pouco em francês. Ela me contou que sua mãe se chamava Wafaa, tinha 75 anos, e padecia de uma enfermidade nos rins.

Elas me perguntaram sobre quais comidas libanesas eu gostava, e falei as primeiras que chegavam à mente: tabule e kibe.

Claro que me convidaram para almoçar tabule e kibe no dia seguinte. Eu tinha planejado ir às montanhas, mas a verdade é que Tripoli valia mais um dia, sobretudo com esse almoço. Voltei para os souks, conversei com Louay (dessa vez, ele nem mencionou política), tirei fotos com as mesmas crianças, e comprei doces da lojinha de Abu Ahmad como presente para Wafaa e Amné.

Almoço em casa de Waafa, Amné e família

Quando cheguei no almoço havia muitos outros parentes, como era de se esperar em almoço de domingo. Mas não era uma família de diversas idades, como eu esperava. Havia só idosos, alguns doentes, todos fumando e comendo quase sem conversar. O kibe (cru) e o tabule estavam excelentes, mas achei o cenário e a falta de conversa um pouco deprimente.

O interessante é que, apesar de eu não ter me divertido muito no almoço, e de não ter conseguido conversar muito com eles, acho que eles gostaram muito da minha presença. É algo que não acontece (muito) nas cidades mais turísticas: o povo local se divertir com os turistas, e não vice-versa.

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  1. Seth erros para evitar no Líbano
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Oriente Médio, Seth Erros | 07:53

Seth erros para evitar no Líbano

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Leia também: Dois dias em Trípoli (no Líbano, não na Líbia)

1) Vestir-se como no Brasil (ou na Europa). Alguns dos leitores da minha coluna polêmica da semana passada, escreveram que não é preciso mudar seus costumes brasileiros durante uma viagem ao exterior. Acho que Trípoli não é lugar para eles. Aqui é preciso vestir roupa conservadora, principalmente as mulheres.

2) Cair nos estereótipos da mulher muçulmana. No começo, não queria conversar com as mulheres na rua, por medo de ofender alguém. Mas, no final, percebi que era preconceito. Usar véu não significa deixar de existir.

3) Ficar só nas zonas cristãs do Líbano. Até em Beirute é possível nunca sair dos bairros bonitos dos cristãos. Mas quem viaja assim, pode perder mais da metade do país.

4) Pensar que o Líbano é um bom lugar para pegar uma praia. Estando na costa Leste do Mediterrâneo, há praias. Mas não muito lindas, na sua maioria.

5) Entrar no país com carimbo de Israel no passaporte. Por incrível que pareça, é muito possível que a imigração não permita a entrada de alguém que já visitou o grande inimigo do país.

6) Não prestar atenção nas notícias antes e durante sua viagem. Neste momento, o Líbano está bastante seguro. Mas recomendo ler ou o Daily Star (periódico libanês em inglês) ou o L’Orient Le Jour (em francês) ou colocar  “Líbano” no Google Notícias para ver o que está acontecendo.

7) Perder a oportunidade de comer as comidas libaneses que vocês conhecem – como os kibes – no Brasil para depois comparar.

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