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quinta-feira, 21 de junho de 2012 Europa | 06:46

Curiosidades de Copenhague, capital da Dinamarca

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Acabo de passar uma semana em Copenhague, e das “top 10” atrações da lista oficial do site de turismo da cidade, eu visitei quatro. Vamos resumir: a estátua da Pequena Sereia é linda, a Torre Redonda tem uma vista maravilhosa do centro histórico, o Castelo Rosenborg oferece mais provas de que é bom ser rei, os restaurantes do porto Nyhavn são caros demais.

Ainda acordado? É que são poucas as cidades que conheço pela primeira vez e volto falando das atrações turísticas. Visitá-las pode dar uma estrutura aos seus dias, mas as lembranças vêm do que acontece entre elas. Como esta foi a primeira cidade que visitei na minha viagem à Escandinávia, não estou pronto ainda para responder às perguntas e dúvidas bem interessantes que os leitores deixaram na lista de comentários da coluna algumas semanas atrás. Mas para mim as quatro atrações de verdade eram as curiosidades da vida na cidade.

Outras viagens: Impossível não amar Roma

A vista do centro histórico da Torre Redonda

1) A cultura da bicicleta

Quando saí do apê que aluguei em Copenhague, o que menos esperava era me encontrar dirigindo em um engarrafamento. Sobre tudo porque não aluguei um carro. Mas o engarrafamento que encontrei era de bicicleta. A menina cujo apartamento aluguei me emprestou a bike dela, e saí para conhecer a cidade na hora do rush, nem pensando que existe uma hora do rush de bicicletas. E aí me encontrei, esperando atrás de umas 15 outras “magrelas” para o sinal abrir.

Já conheci cidades nos Estados Unidos que dizem que são “bicycle-friendly”. O governo pinta algumas linhas nas ruas para criar faixas só para bicicletas e botam placas avisando aos motoristas a respeitar os ciclistas, o que parece fazer uma pequena diferença.

Mas em Copenhague foi outra história. As faixas não são pintadas, são ELEVADAS. Ou seja, mais baixa do que a calçada, mais alta do que a rua. Inacreditável. Os faróis para carros são normais, como os de qualquer país, mas também há faróis para bicicletas, que são versões em miniatura, como em uma casa de bonecas. Fofas, com certeza, mas que também funcionam.

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Mais estacionamento para bicicletas

E regras, regras, regras. A interação entre pedestres, ciclistas e motoristas em três níveis de rua parece complicada? Pois ainda tem mais uma categoria: os passageiros de ônibus. Quando o ônibus para ao lado da rua, os ciclistas param também para esperar os passageiros descerem, atravessarem a faixa de bicicletas, e entrarem na calçada. Bom, quase todos os ciclistas menos um – eu. Quem sabia? Quase atropelei uma senhora idosa, mas ela me viu com tempo.

O interessante é que já sabia que Copenhague era conhecida pela cultura de bicicletas. Mas é como qualquer viagem: você pode ler matérias, ouvir histórias, se preparar mentalmente, mas, ao final, é preciso viajar para acreditar.

Conclusão para quem pensa em ir para Copenhague: o ser humano precisa de algumas coisas básicas para sobreviver: comida, água, oxigênio. E, em Copenhague, falta mais uma: a bicicleta.

2) O sanduíche incompleto

Eu, americano, e você, brasileiro, talvez não concordemos em tudo, mas estamos 100 % unidos, pelo menos, em nossa resposta à pergunta: quantos pedaços de pão são necessários para fazer um sanduíche. Dois, né? Até quem está na dieta Atkins e há anos não come pão lembra disso. Pois na Dinamarca um sanduíche leva um pedaço só. Fica embaixo, às vezes tão coberto que nem se sabe que ele está lá até que se ataque os outros ingredientes com garfo e faca.

Chama-se smørrebrød, e é quase o prato nacional. Nem me pergunte como pronunciar esse “o” com a barra. Eu tentei mil vezes aprender com os dinamarqueses e não consegui nem chegar perto.

O pão, normalmente um pedaço fino de pão de centeio bem denso, é coberto por manteiga ou lardo (lardo! De porco!). Depois recebe carne de porco, salmão, camarões ou outra coisa, seguidos de uma variedade de outros ingredientes, que podem ser cebolas cruas, fritas, alface, alcaparras, molho de curry, molho de endro, ou muito mais. Um ótimo lugar tradicional para provar é o restaurante Schønnemann, com um cardápio variado, garçons acostumados aos turistas e prontos para ajudar com as opções que chegam com os ingredientes para você armar na mesa.

smørrebrød de porco, com o pão totalmente escondido

Outro, mais frequentados por jovens e “semijovens” como café ou bar é o Dyrehaven (onde existe cardápio só em dinamarquês). Eles servem várias versões, das quais a melhor pode ser a mais simples: smørrebrød com batatas e cebolas. É, smørrebrød com batatas… parece sanduíche de arroz. Mas é muito melhor, e faz muitos dinamarqueses lembrarem da comida preparada pela mãe quando eram crianças.

Boa notícia para quem não aguenta a ideia de um sanduíche com apenas um pedaço de pão. Pode ir para o McDonald’s sem medo. O cheeseburguer ainda tem pão em cima e em baixo, e até agora, não existe tal coisa como um McSmørrebrød.

3) A lição linguística

No meu país e no seu há muitas desculpas para quem não consegue aprender idiomas estrangeiros. “Ele não é bom com idiomas”, dizemos em inglês. Pode ter um elemento de verdade nisso: algumas pessoas têm mais talento do que outras. Mas a Dinamarca é a prova de que ser bilingue não é resultado de sorte. Lá todo mundo fala inglês. Aprendem desde a escola primária, assistem a programas de TV e filmes com legendas, não dublados. A frase mais inútil em dinamarquês é “Taler du engelsk?”, ou seja, “Você fala inglês?”. Porque a resposta automática é que sim. (Outra pergunta quase tão inútil: “Taler du portugisisk?”. A resposta é quase certa de que não.)

Mais: Como aproveitar o programa de milhas

4) O conto de fadas e o monstro

Conheci um dinamarquês durante meu primeiro dia na cidade e mencionei que estava muito impressionado com a organização e eficiência da cidade. Ele me disse que todo mundo chega à Dinamarca e acha que entrou em um conto de fadas, de tão perfeito que tudo parece. Concordei. Parece assim mesmo.

O castelo de Rosenborg, agora um museu. (Detalhe: chove muito em Copenhague.)

Mas ele me disse que é importante lembrar que em todo conto de fada há sempre um monstro. É muito tentador achar tudo tão perfeito, e voltar para casa deprimido porque a sua cidade ou país não é assim. Mas até Copenhague tem seu lado escuro. Passei uma noite com um amigo, Sune Lolk, e andamos muito de bicicleta. Quando passamos por algumas ruas da cidade, ele me contou dos assaltos e até os assassinatos que ocorreram ali recentemente. Também tem problemas de drogas. Sune contou que no bairro onde ele foi criado já há muito mais pobreza e dificuldade do que no passado.

Por exemplo, quem sabe o que acontece durante o inverno? Como tem poucas horas de sol por dia, é normal que as pessoas fiquem deprimidas. Andar de bicicleta na neve e na escuridão também não parece conto de fadas mesmo.

Ver uma sociedade como turista é quase sempre ver só a melhor parte. Lembra um pouco a visão que se tem de alguém só observando seu perfil no Facebook. A versão pública, editada. Assim deve ser com o turista. Mas é bom lembrar de não ficar com tanta inveja quando você “curtir” a página de Copenhague. Para quem vive lá, nos bastidores, sempre há alguns monstros.

Leia no iG Turismo:
- O melhor de Praga em um dia
- Pela Europa de trem ou avião?
- Um passeio pela fábrica da primeira cerveja Pilsen do mundo
- Aproveite a crise para voajar à Grécia

Notas relacionadas:

  1. Arrumando a mala – e a pesquisa – para a Escandinávia
Autor: Seth Kugel Tags: ,

quinta-feira, 31 de maio de 2012 Europa | 06:45

Arrumando a mala – e a pesquisa – para a Escandinávia

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Estou escrevendo esta coluna na terça-feira, seis horas antes de sair para uma viagem de dois meses por quatro países que não conheço: Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia – os países da Escandinávia. (Tudo isso depois de uma breve estadia em Roma, o tema da coluna da semana que vem).

Alguns jornalistas de viagens gostam de fingir que são especialistas em cada lugar onde desembarcam, mas é quase sempre mentira. Eu prefiro admitir o que eu sou: ignorante e preconceituoso. Mas ao mesmo tempo, muito curioso e com muitas perguntas e dúvidas para resolver.

Leia também: O que levar – ou não – na mala de viagem

O que você sabe sobre Estocolmo, capital da Suécia?

É inevitável ter preconceitos sobre um lugar que não conhecemos, mas o importante é reconhecer que são “pré-conceitos” e fazer muitas perguntas e observar rigorosamente o que encontramos no país desconhecido. Imagino que a grande maioria de vocês também não conhece esses países, assim que hoje espero fazer um ato de jornalismo colaborativo sobre esses dois ingredientes necessários e inevitáveis de qualquer boa viagem: preconceitos e perguntas.

Então, submeto para sua participação as seguintes perguntas sobre a Escandinávia:

1) Quais são seus preconceitos – positivos e negativos – sobre a região?

2) Quais são suas dúvidas sobre a Dinamarca, a Suécia, a Noruega e a Finlândia – ou seja, o que querem saber sobre esses países?

Mais: Como aprender inglês de uma vez por todas

Todo mundo é loiro nos países escandinavos? Vai ser legal ser exótico!

Coloque suas respostas nos comentários, lá embaixo, e eu tentarei responder durante os próximos dois meses, pela coluna e também pelo meu Twitter, @tuitesdo7.

Deixe-me começar com alguns exemplos. Eu, definitivamente, tenho alguns preconceitos em relação à região.

a) Quase todo o mundo é loiro. Sei que agora já existem comunidades de imigrantes por lá – até da África. Mas segundo me dizem o cabelo escuro ainda é exótico. Nossa, vai ser legal ser exótico! Isso se o meu preconceito estiver certo.

b) Tudo é caro demais. Tipo, vou morrer de fome. E mais especificamente, de sede: amigos que já foram dizem que uma lata ou long-neck de cerveja custa até R$ 30 em um bar. Detalhe: meu medo dos preços é tanto que, pela primeira vez, vou levar uma tenda e um saco de dormir para não gastar tanto nos hotéis.

c) Todo mundo é muito obediente às regras e leis. Li que os suecos preferem ficar parados numa chuva intensa a atravessar uma rua com o sinal vermelho, mesmo que não tenha carro nenhum vindo.

Concordam?  Tem mais? Escreva um comentário.

E agora, minhas dúvidas.

1) A região é conhecida por ter um sistema socialista – e que funciona bem. Qual é a visão dos moradores locais sobre os altos impostos que pagam (muito mais altos do que no Brasil e nos Estados Unidos) em relação ao que recebem do governo?

2) É verão agora na Escandinávia, e em algumas regiões o sol passa 18, 20, até 24 horas no céu, e a noite quase não existe. Como isso afeta o ritmo de vida? Como aguentam o inverno, quando o sol quase não aparece?

Leia também: Quais as metas das suas viagens? Uma teoria sobre turismo

Como será que o sol constante durante o verão afeta o ritmo de vida?

3) Come-se mesmo a carne de rena? Se existir uma churrascaria brasileira na região, será que servem rena?

E as suas?

***

Mais uma coisa: faltando só seis horas para sair do aeroporto, chegamos ao momento em que os amigos me ligam ou mandam mensagens para me perguntar “malas prontas?”.

Óbvio que não. Primeiro, é “mala” e não “malas”, viajo sempre com uma só. Segundo, nem pensar: para mim, fazer a mala é coisa de uma hora no máximo. Qual é o segredo? Fácil: começar a fazer a mala quando falta uma hora para sair para o aeroporto.

Na verdade, não é tão simples assim. Uma semana antes da viagem, começo a fazer uma lista de tudo o que preciso comprar e, aos poucos, coloco as coisas que acho que vou esquecer (passaporte, adaptador para tomadas no país de destino, canivete, euros que sobraram da última viagem) em cima da mala. Assim que, no momento de fazer a mala, tenho certeza que não vou esquecer nada.

Porém, sempre esqueço algo. O que será desta vez? Quem dera eu soubesse. Mantenham-se sintonizados…

LEIA NO IG TURISMO:

- Agência de viagem leva turistas para “caçar” auroras boreais

- Viaje pelo mundo com James Bond

- Inglaterra muito além de Londres

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