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quinta-feira, 24 de maio de 2012 Dicas | 06:58

Como aprender inglês

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Leitores, quais entre vocês querem viajar para Estados Unidos ou Inglaterra e voltar falando inglês fluente? A resposta: quase todos, em teoria; na prática, alguns poucos.

É que muitos querem ter um inglês perfeito do mesmo jeito que querem abdominais sarados. De graça. Sem sacrifícios. Dedicar 90 minutos por dia a estudar ou malhar?  Desistir de ler “Caras” e só ler “The Economist” ou desistir de comer doces e só comer verduras?

Aprender um idioma é difícil. Custa tempo. Requer esforço. Mas, como ter o abdominal sarado, vale a pena. (Segundo me dizem. Falo quatro idiomas mas minha barriga está bem mole.)

Qual o destino ideal para você fazer intercâmbio? Faça o teste e descubra

Aprender um idioma é um projeto não de férias, mas de todos os dias do ano

Muitas pessoas que te dizem querer passar um, três ou seis meses em Nova York  ou Londres aprimorando o inglês estão mentindo. Não para você, mas para si mesmos. O que querem, provavelmente, é escapar da rotina por um tempo e se divertir na capital do mundo. E aprender um pouco de inglês no caminho. Mas esta coluna se dedica aos outros. Os que realmente querem viajar e voltar falando bem, muito bem. Ou seja, para os que querem fazer sacrifícios.

Só porque esta é uma coluna de viagens, vamos começar com a viagem. Mas como verão depois, aprender um idioma é um projeto não de férias, mas de todos os dias do ano.

A VIAGEM

Você tem 15 anos e seus pais têm uns R$ 7.000 a R$15.000 para gastar? Perfeito. Hora de fazer um desses intercâmbios de um ano em alguma “high school” dos Estados Unidos. Inglês fluente garantido – mais informações aqui. Mas para a grande maioria de leitores, o caminho é mais complicado. Quando eu comecei a aprender português, em 2003, em Nova York, jurei que passaria as poucas férias que tinha para viajar exclusivamente pelo Brasil e por Portugal. E assim foi pelos cinco anos seguintes. Você deve poupar o seu dinheiro e fazer a mesma coisa nos países que falam inglês.

Antes de embarcar: O que levar – ou não – na mala de viagem

AS AULAS

Vale a pena ter aulas? Vale. Mas, detalhe: quem já fala um inglês razoável não precisa ter aulas de inglês. Pode ser aula em inglês. Eu dei aulas de jornalismo por oito anos na New York University School of Continuing and Professional Studies, onde a metade dos alunos era estrangeira e muitos deles não falavam um inglês perfeito. É que muitas faculdades oferecem cursos de “continuing education” (ensino adulto ou educação continuada), os quais não requerem passar em nenhuma prova. Podem ser aulas de arte, de história, de filosofia ou até um curso de degustação de vinhos. É só buscar  pelo Google na cidade onde vai viajar e terá muitas escolhas, das quais algumas oferecerão ajuda com o visto de estudante.

Fuja de escolas no exterior com grande concentração de brasileiros

Os outros vão querer aulas de inglês. Como escolher? Com CUIDADO. Encontrar uma escola de inglês é fácil. Escolher uma boa é muito complicado. Segundo muitos amigos brasileiros e latino-americanos que estudaram nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, muitas escolas são apenas fábricas de vistos de estudante. A qualidade da instrução pode ser péssima. Então, é preciso procurar dicas de amigos que já foram e buscar online as avaliações das escolas.

Mas tem duas dicas adicionais:

Primeiro, é quase sempre mais seguro fazer cursos oferecidos por universidades do que por “escolas de idiomas”. É mais provável que os professores sejam profissionais legítimos que vão levar a sério a tarefa. Mas não só isso. Assistir aulas em um “campus” te dá a oportunidade de conhecer e fazer amizades com estudantes americanos (ou ingleses ou australianos) que fazem outros cursos no mesmo lugar.

Segundo, evite os cursos nos quais tenham muitos inscritos brasileiros. Fato: brasileiro que tem aula de inglês com outros brasileiros vai falar português entrando e saindo da (e às vezes durante a) aula. Como saber? Pergunte! Qualquer escola tem estatísticas sobre as origens dos alunos. Quanto mais diverso, melhor. E, detalhe: cuidado se tiver muitos latinos hispânicos. Você não seria o primeiro a voltar ao Brasil falando mais portunhol do que inglês.

Mais dicas do Seth: Como aproveitar melhor os programas de milhas

Mas estou dando dicas fora de ordem. Primeiro, você precisa escolher uma cidade (e país).

A CIDADE

A parte mais difícil: considerar a possibilidade de NÃO IR para Nova York, nem Londres. Essas cidades são tão lotadas de brasileiros e outros estrangeiros, que é fácil demais se refugiar com os compatriotas. Você acha que não, mas já vi isso acontecer muitas vezes. Todo mundo chega a uma cidade nova pensando que vai fazer amizades com os locais, mas, ao final, muitos acabam ganhando só amigos brasileiros. Lamentável, mas compreensível.  A única forma de evitar: ir onde não tem muitos brasileiros. Sacrifício? É. Vai sentir saudades de arroz e feijão? Vai. Falar inglês o dia todo dá dor de cabeça? Dá. Vale a pena? Só você decide.

Em cidades pequenas, como Savannah, nos EUA, tem menos estrangeiros para conviver

Um exemplo concreto da minha vida: dos idiomas que eu sei, o que falo pior é o francês, apesar de ter estudado desde jovem e ter passado cinco meses da faculdade estudando em Paris. Por quê? Porque estudei EM PARIS. Por que escolhi Paris? Porque era Paris. Mas a cidade estava lotada de americanos, e era quase impossível fazer amizades com os parisienses (como é com os moradores de muitas grandes cidades). Resultado: desisti e passei meu tempo com americanos. Por que não estudei em Lyon, Aix, Perpignan ou Nantes? É uma boa pergunta, que estou me fazendo até hoje.

Nas cidades pequenas, as pessoas normalmente são mais abertas – e mais interessadas em conhecer estrangeiros. Também podem ser menos caras. Mas tem boas aulas de inglês? Pode acreditar – pelo menos nos Estados Unidos, com tantos imigrantes que têm hoje. Só para fazer um teste, fiz uma busca de aulas de inglês na cidade de Savannah, a cidade charmosa de 135.000 sobre a qual escrevi na semana passada. E… a melhor faculdade da cidade, a SCAD, oferece aulas de inglês para estrangeiros, e (segundo dizem) cada professor se formou em “ESL”, ou seja, “inglês como segundo idioma”. Isso você nem sempre vai encontrar em outras escolas. (O preço: US$ 2.500 por 10 semanas de cursos, programa full-time de quatro cursos.)

“Brasileirismos”: Como ser brasileiro – mas não tanto – no exterior

ONDE MORAR

Mais um detalhe: onde morar. Já decidiu estudar na cidade de Gringolândia porque tem poucos brasileiros. Mas, claro, seu primo carioca tem um amigo mato-grossense cujo sobrinho gaúcho mora naquela cidade e conhece um cearense que quer alugar um quarto no seu apartamento. EVITE. Não more com brasileiros. Vai ser mais difícil procurar “roommates” que não são brasileiros? Vai. Vai ser mais arriscado? Vai. Vai valer a pena? VAI. Como fazer? Pergunte na escola onde vai estudar, mas também, dependendo da cidade, pode começar nos classificados craigslist.org.

ANTES DE IR/DEPOIS DE VOLTAR

A viagem é a parte divertida. Mas como eu disse, aprender um idioma é um trabalho de vários anos. Quem chegar na Inglaterra só com o inglês que aprendeu na escola cinco anos atrás corre o risco de poder entrar na conversa só quando se tratar de algum livro que esteja, por acaso, sobre a mesa.

Você pode fazer aulas de inglês na sua cidade, se quiser. Mas existem muitas outras opções. É possível comprar um cursos digital (tipo Rosetta Stone), ou contratar um professor particular pelo Skype, uma opção ótima para quem quer praticar com um nativo e talvez fazer um amigo para visitar quando viaja. (É só consultar seu melhor amigo Google com uma busca de “English lessons” e “Skype”; as aulas normalmente variam entre R$ 30 e R$ 60 e duram entre 25 minutos e uma hora.)

Mas com ou sem aula, a parte mais importante é algo extremamente fácil no mundo de hoje: escute rádio em inglês pela internet. Diariamente.

Ouvir programas de rádio - não músicas - em inglês é essencial

Claro, pode assistir TV americana (sem legendas, por favor), ou ler livros em inglês. Ótimas ideias, para quem tiver tempo. Mas rádio é bem mais fácil e não permite desculpas de “estou ocupado”. Dá para escutar no banheiro, enquanto se veste, tomando café da manhã e até no ônibus/ trem/ carro por “podcast”, esses programas que as pessoas baixam gratuita e legalmente na internet para botar no seu smartphone ou mp3.

Quais programas escolher? Esqueça música. O que você precisa é escutar conversações ou pelo menos o jornal do rádio. O ideal é virar fã de algum programa da manhã. Aprendi espanhol escutando “El Vacilón de la Mañana”, na rádio hispânica de Nova York (antes da época do rádio por internet) e aprendi português escutando o programa de Roberto Canázio, o  Patrulha da Cidade, na Tupi-AM do Rio, pela internet. (Fãs de Roberto Canázio: ainda uso muito a frase: “Moraaaaaal da história…”)

Uma escolha perfeita para melhorar seu inglês é a National Public Radio, a rádio pública nacional dos Estados Unidos, com estações em quase todas as cidades. Por quê? Porque os apresentadores são inteligentes, o conteúdo é interessante e intelectual etc. Mas a melhor parte: falam um inglês devagarzinho e certinho. (Na maioria dos casos. Exceção: os caras do programa CarTalk, dois mecânicos que dão conselhos sobre os carros e sobre a vida, em sotaque forte de Boston.)

Quer escutar ao vivo? É só escolher sua emissora pelo Google (NPR + cidade funciona) e encontrar o site. A minha é WNYC, em Nova York. E os “podcasts” são dos assuntos mais variados, e tem uma lista aqui.  Baixe alguns e escolha qual gosta mais. Não se preocupe se não entender tudo, ou nem 25%, na primeira vez que escutar. Ter o idioma nos seus ouvidos ajuda muito e pouco a pouco irá se acostumando, como mágica.

Tente ler só em inglês também.  Perdi quase todos os bons livros americanos publicados durante os anos 1992-1995 e 2003-2006, porque nessas épocas me dediquei só a ler livros publicados em espanhol e português. Sou maluco? Talvez. Mas um maluco que fala espanhol e português.

LEIA NO IG TURISMO:

- Intercâmbio aos 50 anos

- Inglaterra muito além de Londres

- Nova York pela primeira vez

- As várias faces dos Estados Unidos

Autor: Seth Kugel Tags:

quinta-feira, 26 de abril de 2012 Dicas | 06:35

Como aproveitar melhor o programa de milhas

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Como eu disse na semana passada, não gosto dos programas de milhagem das linhas aéreas. Ou talvez eu tenha dito que odeio e que o mundo seria um lugar melhor sem eles, não lembro exatamente.

Mas o mundo também seria um lugar melhor se pudéssemos ficar magros comendo chocolate e batatas fritas o dia todo. Mas, ainda assim, comemos frutas e verduras. E também devemos fazer todo o possível para aproveitar as milhas. As seguintes 11 dicas são um bom começo.

Outras viagens: Em Nova York, como os nova-iorquinos

Troque Paris por uma meta mas fácil de ser alcançada, como uma viagem pelo nordeste

1 – Se você não é um homem de negócios tipo o George Clooney em “Amor sem Escalas” ou este cara que tem 10 milhões de milhas, você não vai poder levar sua família inteira para Paris em classe executiva. Como alternativa, pense em uma meta razoável: um feriadão no nordeste, por exemplo.

2 – Organize as milhas que já tem. Se está acostumado a usar a internet em inglês, recomendo o AwardWallet, um site grátis que guarda os detalhes das suas contas de fidelidade e mostra seus balanços em milhas. Mais conveniente ainda, também contém links para entrar diretamente na sua conta sem ter que lembrar a senha de novo. Eu não encontrei nenhum site que faça o mesmo em português (se existir, alguém bote nos comentários, por favor), mas nem precisa de um site para isso. Basta fazer uma lista no seu smartphone ou em um papel guardado em sua carteira para sempre levar com você. Nem imagino quantas milhas se perdem porque o passageiro não encontra o número da conta quando faz a reserva, jura que vai colocar quando faz o check-in no aeroporto e depois se esquece de levar o número de novo. Ah, e nunca é preciso levar os cartões emitidos pelas companhias aéreas, é só o número o que importa.

3 – Nunca acumule milhas em duas companhias que sejam parceiras. Ou seja, se você tem conta com a Gol, não abra conta com a Delta também. Se viajar de Delta, peça para colocar as milhas na Gol, o que ajudará a concentrar milhas para chegar ao valor de um voo. Seja só com milhas da Gol ou só da Delta. Se você acumular 10.000 com a Gol e outros 10.000 com a Delta, e o voo custar 20.000, não será possível juntar. Confira uma lista das principais alianças. Faltam, no entanto, parcerias independentes como a da Delta com a Gol.

4 – Escolha a companhia que mais usa e voe com ela (e as parceiras) sempre que seja possível. Poucas milhas em muitas empresas não valem nada.

Veja também: Nossos imigrantes são melhores do que os seus

Coloque no papel quanto vale cada milha

5 – A parte mais complicada, mas mais importante: calcule quanto vale cada milha para você. Faça o seguinte: pense em uma viagem que faz com alguma frequência (ou que gostaria de fazer se tivesse o dinheiro: que tal Rio de Janeiro – Roma?). Investigue quantas milhas custará cada voo da viagem. Pela minha experiência, já digo que é difícil conseguir esta informação nos sites das companhias aéreas e às vezes é preciso ligar. Agora, calcule quanto custaria esses voos em dinheiro. Divida o custo em dinheiro pelo custo em milhas. Exemplo: você mora em Porto Alegre e seus pais moram em Belo Horizonte. Você acumula milhas da Gol e, lá, a viagem de ida e volta para Belo Horizonte sai (nem sei se está certo) 16.000 milhas. O preço típico da viagem é (vamos dizer) R$ 385. Daí é preciso descontar as taxas que se pagaria na viagem com milhas; vamos dizer que são R$ 50. R$ 335 divididos por 16.000, o que dá R$ 0,02 por milha. Eu sugiro testar pelo menos três voos diferentes e tomar a média dos valores, e depois descontar um pouco (talvez 15%), por várias razões chatas que não vou enumerar aqui, mas que incluem o fato de que as milhas podem vencer ou se desvalorizar.

6 – Já sabendo (aproximadamente) quanto vale uma milha para você, será mais fácil decidir quando tiver de escolher entre dois voos: o mais caro com sua linha preferida e o mais barato, em outra, onde não acumula milhas com frequencia.
Qual é a diferença? R$ 50? Qual o valor das milhas que ganharia do voo? R$ 16? Então, não vale pegar o voo mais caro.

7 – Usar um cartão de crédito para acumular milhas não é uma decisão tão simples. Pense profundamente. Depende, por exemplo, da taxa anual do cartão e da probabilidade de você usar as milhas. Para algumas pessoas, vale a pena usar um cartão que não acumule milhas ou simplesmente ficar com cartões de débito ou dinheiro mesmo. (Ou, ainda, procurar um cartão que dê dinheiro de volta em vez de milhas).

8 – As milhas se encontram em muitos outros lugares do mundo além dos hotéis e aviões. Acabo de alugar um carro em Washington e perguntei se era possível me darem milhas da United (novo parceiro da Avianca) por isso. Ganhei 50 milhas por dia, ou 350 no total.

Mais: Os piores pacotes de viagem possíveis

9 – Cadastre-se para receber todos os e-mails promocionais do seu programa de milhagem. É verdade que o Smiles vai te mandar muitos e-mails oferecendo voos por 1.000 e que são impossíveis redimir, mas sempre é bom ficar atento. Se for planejar uma viagem para fora do País, pense em “comprar” os voos entre dois países que não sejam o Brasil lá fora, usando as milhas das companhias brasileiras. Às vezes as milhas valem mais nas outras empresas parceiras.

10 – Quando, por fim, você estiver a bordo de um voo comprado com milhas, não celebre o fato de estar voando de graça. Óbvio que não foi. Ao invés de fazer isso, dê “parabéns” para você mesmo por ter aproveitado de um sistema que não foi desenhado para pessoas como você.

11 – Se você tiver mais alguma dica sobre milhas, escreva aí nos comentários. E se você não costuma ler os comentários das matérias, dessa vez pode valer a pena…

LEIA NO IG TURISMO:

- O melhor da Cidade do Cabo

- Uma ilha serena na costa da Tanzânia

- Cartagena: várias viagens em uma

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Notas relacionadas:

  1. Pelo fim das milhas de viagem
Autor: Seth Kugel Tags:

quinta-feira, 19 de abril de 2012 Dicas | 06:38

Pelo fim das milhas de viagem

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Neste momento, eu possuo 7.150 milhas da Gol, 27.465 da United, 2.561 da Delta, e 31.258 da British Airways. Em fevereiro usei 60.000 milhas para viajar de São Paulo a Nova York. E acabo de voltar de outra viagem – da Nova Zelândia– após gastar 105.000 milhas. Mas se eu controlasse o universo, o que infelizmente não é o caso, desistiria de todas as milhas de viagens em troca da eliminação total dos programas de fidelidade.

Outras viagens: Fiji é o paraíso, mas combine isso com a metereologia antes

Por quê? Porque, a existência dos programas é ruim para o turista típico. Só para citar uma das muitas razões: estudos econômicos concluem que os preços médios das passagens são mais altas do que seriam se os programas deixassem de existir.

Executivos e outros que viajam a trabalho são os mesmos que nunca pagam nada quando vão de férias

Claro que há muitos beneficiários das milhagens: os executivos e outros profissionais que ganham muitas milhas viajando por conta da empresa, sem gastar nenhum centavo; os obcecados por milhas que passam a vida pesquisando formas de ganhar mais (como cobrar cada Paçoquinha no cartão de crédito para ganhar mais meia-milha); e os que têm agendas tão flexíveis que sempre podem encontrar uma forma de usar suas milhas.

Quem perde são todos os outros. TODOS, até quem nunca pisou num avião na vida mas que comprou um pão de queijo na padaria da esquina hoje de manhã. É, pelo menos teoricamente, esse pão quentinho ficou mais caro pela existência dos programas de milhas. Mas vai ter que ler até o final para saber o por quê.

Mais: Segurança e limpeza são atrações turísticas da Nova Zelândia

O primeiro passo é entender que as milhas não são de graça. Quem pensa o contrário é como a criança que acha que o brinquedo do McLanche Feliz é de graça. Sinto muito, minha filha, mas dentro no preço que sua mãe pagou pelo hambúrguer e as fritas estão incluídos alguns centavos para produzir, empacotar e transportar essa sua Barbie que veio “de brinde”. E por isso, é lógico, o preço subiu (ou a refeição incluiu menos batatas fritas, ou algo equivalente). Conhece o ditado “não existe almoço grátis”? Pois é. Também não existe Barbie grátis, nem com o almoço pago.

O sistema de milhas, porém, não é tão simples quanto o McLanche Feliz. Mas o básico é igual: as milhas têm um valor monetário, e nenhuma empresa dá de presente.

Muitas milhas são perdidas por falta de uso

Quem paga, porém, não é tão óbvio. Às vezes é você mesmo. Quando uma passagem da Gol custa R$ 500 e a mesma rota pela TAM custa R$ 550, mas você decide pela TAM porque é com eles que você acumula milhas e quase tem o suficiente para ir nessas férias para Fernando de Noronha, você pagou R$ 50 pelas milhas.

Mas, às vezes, mesmo o consumidor que viaja não é quem paga. E assim chegamos à primeira verdade infeliz do sistema de milhas:

1 – Quem viaja a negócios com passagem paga pela empresa não desembolsa nada e ganha muito. Difícil negar que os executivos e outros que viajam a trabalho (seja só uma ponte aérea semanal ou São Paulo-Hong Kong três vezes por ano) são os mesmos que nunca pagam nada quando vão de férias. Porque acumulam milhões de milhas em passagens pagas pela empresa. É, essencialmente, um bônus não merecido. (E, detalhe, livre de impostos.) Pior, as milhas deles rendem mais, porque os clientes favoritos e mais frequentes das linhas ganham milhas mais rápido e prêmios maiores do que o turista casual. Sem falar dos executivos que insistem em sempre viajar por sua linha “preferida” – ou seja, a que eles usam para acumular milhas – embora outra linha ofereça um preço melhor.

2 – Também leva vantagem quem tem uma agenda mais flexível. Trocar suas milhas por uma passagem pode ser muito frustrante se você precisa viajar numa data específica, ou seja nas férias acadêmicas ou para ir a um casamento. Quem já tentou comprar um voo com milhas sabe que é quase impossível encontrar a viagem que se quer, ou, quando ainda existe essa possibilidade, custa muito mais milhas do que você pensou. Quem clica num e.mail promocional da Gol que diz “Viaje por apenas 4.000 milhas Smiles!” aprende rápido que a possibilidade pegar a viagem que quer com só 4.000 milhas é quase impossível.

Preciso contar os bastidores da minha viagem para a Nova Zelândia. A ideia era aproveitar a parceria entre a British Airways e a Qantas e usar minhas milhas para viajar de Nova York para Auckland pela empresa australiana. A passagem tem um custo oficial de 80.000 milhas e eu tinha mais de 120.000 na conta e uma agenda aberta. Mas apesar de eu tentar reservar com cinco meses de antecedência (em outubro, para voar em março), foi absolutamente impossível encontrar um voo disponível no site.

Leva vantagem no programa de milhas quem tem agenda flexível

Frustrado, liguei e expliquei para a atendente que o site não estava funcionando. “Estou disposto a viajar de Nova York para Auckland QUALQUER dia do mês de março e ficar QUALQUER prazo entre 15 e 30 dias.” Muito difícil imaginar um pedido mais fácil. A atendente (muito simpática, a propósito) procurou, procurou e… não conseguiu nada. Me ofereceu uma alternativa: ida de Nova York para Auckland, e volta só até Los Angeles. Daí, eu podia esperar quatro dias e pagar mais 25.000 milhas para pegar outro voo (pela American, também parceira) para Nova York. Para mim, tudo bem, eu tinha as milhas e podia aproveitar para fazer uma matéria sobre a Califórnia. Mas para o turista típico (ou com só 80.000 milhas na poupança)? Impossível.

Veja também: A imagem do Brasil no exterior

3 – Muitas milhas são perdidas por falta de uso. Imagina: se eu te desse R$ 1.000 em notas de R$ 50, você ficaria anos sem gastá-los e depois devolveria o dinheiro para mim? Duvido. Mas é isso que acontece com as milhas. Ou a pessoa tenta gastar e não consegue em nenhum voo, ou não tem oportunidade de viajar durante o prazo, ou esquece totalmente da existência das milhas. As milhas ficam sem uso, e depois de alguns anos, vencem. “Vencer” é uma forma simpática de dizer “o valor das milhas volta para a empresa aérea”. Assim BILHÕES de milhas ficam sem uso. E as empresas aéreas lhes agradecem pela gentileza.

4 – Quem aproveita mais é quem passa muito tempo se atualizando no mundo das milhas e pesquisando as melhores ofertas. O mundo das milhas é perversamente complicado, e quem viaja pouco precisa ficar muito atento para poder aproveitar. Eu peguei essas milhas pela British Airways porque leio um blog em inglês, The Points Guy (“O Cara dos Pontos”) que me avisou de um cartão de crédito que dava 100.000 milhas quase de graça. (Detalhe: o blog mais parecido em português é o absolutamente essencial MelhoresDestinos.) E depois eu passei horas tentando resgatar as milhas.

Custo dos programas de fidelidade é repassado, ainda que indiretamente, ao passageiro

5 – Os programas de fidelidade têm custo para as empresas aéreas. Óbvio que sim: tem que ter chefes e escritores, programadores e designers gráficos, escritórios e computadores. Alguém tem que pagar por tudo isto. E sabe quem é esse “alguém”? Você, claro. Mas talvez não da forma que você acha. E já chegamos ao capítulo mais surpreendente desta triste história.

Parece que o departamento de milhas de uma empresa aérea deve perder dinheiro (como qualquer departamento de marketing), porque só gasta e não recebe. Mas na pesquisa feita para esta coluna, aprendi que para muitas empresas aéreas o departamento mais lucrativo é justamente o de milhas. Como? Vamos lá. Muitos de vocês devem ganhar milhas com o Mastercard Bradesco Smiles, ou TAM Fidelidade Itaucard. E como que é que a Master, a Visa e os bancos têm as milhas para dar? Eles compram das companhias aéreas, claro, e nem sai barato. As empresas aéreas ganham duas vezes: quando os bancos compram as milhas e quando os consumidores não usam milhões delas.

Mais: 11 razões para ir ao Texas

Mas os bancos também não são tão generosos para comprar milhas e dar de presente para os clientes. Eles vêem como incentivo não só para atrair mais clientes e subir o preço anual do cartão, mas também para que os clientes comprem TUDO com cartão e nunca mais usem dinheiro.

E funciona. Quem vai pagar com dinheiro na padaria se podem pagar com cartão e ganhar milhas? Óbvio que os bancos adoram os juros da porção de clientes que não pagam as faturas pontualmente, mas isso só faz parte. Os comerciantes também pagam. Você já perguntou na sua padaria quanto eles perdem quando você paga com cartão de crédito em vez de dinheiro? Vá lá e pergunte. 3%, 4%, 5%. Ou seja, se um pão de queijo e um café custam R$ 2, até R$ 0,10 podem ir para os bancos, que mandam parte para as linhas aéreas pelas milhas.

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Ou seja: por ridículo que pareça, o pão de queijo da esquina fica mais caro pela existência de programas de fidelidade das linhas aéreas.

A parte mais frustrante é que você não pode escapar do sistema. Se você decide viajar sem se cadastrar nos programas de milhagem, perdeu. Se você pagar em dinheiro no lugar de cartão? Bom, as linhas aéreas, os bancos e a Visa perdem um pouquinho, e o padeiro te agradece. Mas você ainda perdeu: ganhou um pão de queijo só, e as pessoas antes e depois de você na fila ganharam um pão de queijo… mais umas milhas.

As lojas poderiam recusar os cartões de crédito, o que algumas fazem, ou dar desconto para quem pagar com dinheiro, o que fazem outras. Mas as duas estratégias causam problemas e a batalha vai além disso. Alguém quer organizar um protesto massivo contra o sistema? Eu topo. Que tal um “Ocupa Smiles”? OK, mas mais um problema: não é culpa da Gol. A TAM fez primeiro, e como é que a Gol não vai fazer também? E a TAM teve que fazer porque a concorrência internacional estava fazendo. Etc. Etc.

E assim chegamos à minha triste conclusão. A melhor saída, apesar de imperfeita, é: se não pode vencê-los, junte-se a eles. Assim, que na próxima semana, a coluna dará dicas de como aproveitar dos programas de milhagem… e ainda ter tempo de levar seus filhos para o zoológico.

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Autor: Seth Kugel Tags: ,

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 Dicas | 05:46

O que levar – ou não levar – na mala de viagem

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Só ao chegar ao destino, percebemos que faltam algumas coisas na nossa mala

Só ao chegar ao destino, percebemos que faltam algumas coisas na nossa mala

“Já fez as malas?” Não dá para não rir quando ainda faltam 24 horas para uma viagem e um amigo – e mais frequentemente uma amiga – me pergunta isso. Fazer a mala? Nem sei onde deixei a mala depois da última viagem.

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A verdade é que não penso muito no que vou levar. Botar roupa, escova de dente, a máquina, um livro. Quem quer levar três dias para decidir qual camisa combina com qual calça ou saia e dobrar tudo perfeitamente, tudo bem. Fazer a mala é um ato pessoal.

Por isso nunca gostei da maioria das matérias que fala desse assunto. Quais malas são as mais legais, por exemplo. Puro marketing. Minha mala preferida é tão velha que tem fita adesiva em várias partes. Nunca pensei em comprar uma amarela com faixas roxas para distingui-la das outras na esteira de bagagem, a minha é toda preta (mas a fita adesiva ajuda, admito). Não tem nenhum jeito especial para dobrar a roupa. Nem me interessa os que dizem que só precisa levar uma pequena mochila com duas camisetas, um par de tênis e óculos de sol. Eu nunca poderia ser essa pessoa.

- No iG Turismo: Como economizar espaço na mala

Ainda assim, acho que tem algumas coisas que todo mundo deve levar consigo, e outras coisas que é melhor deixar em casa. Assim que vou me arriscar com algumas dicas “universais” – para homens e mulheres, para as pessoas que despacham duas malas grandes e as que levam tudo a bordo do avião, e até para vocês malucos que começam a fazer as malas uma semana antes da viagem.

(E se esqueci alguma coisa, ou você não concorda com minhas dicas, deixe um comentário.)

Levar: Uma mini-despensa pessoal. Ou seja, uma garrafinha de pimenta ou de adoçante ou de azeite de oliva ou saquinhos do seu chá favorito. Ou qualquer coisa pequena que você sempre usa mas que pode faltar nos restaurantes de outro país ou de outra região. Aprendi essa lição quando peguei um barco de Manaus para Porto Velho, e a comida a bordo era tão monótona que quase perdi a fome. Mas outro passageiro tinha levado uma garrafa de pimenta malagueta caseira e me deixou usar. Um milagre! Os brasileiros que usam adoçante ficam surpresos que nos Estados Unidos, por exemplo, não há adoçante líquido, só em pó. Por que não? Sei lá. Cultura inferior, talvez. (Na minha casa em Nova York há sempre ZeroCal para os que me visitam do Brasil, mas nem todos são tão preparados quanto eu.)

Não precisa levar várias lingeries para a viagem

Não precisa levar várias lingeries para a viagem

Deixar: A oitava cueca ou calcinha. Ou pelo menos a décima. Conheço pessoas que viajam 15 dias e levam 20 cuecas. Será que acham que não há água para lavar em outros países? Pode lavar você mesmo se não encontrar uma máquina ou se o hotel não oferecer o serviço de lavanderia. Ou no pior dos casos, participe de uma ótima experiência intercultural – compre cuecas ou calcinhas no país que está visitando. Às vezes o estilo ou corte ou cores são tão diferentes que isso rende uma ótima história para contar.

Levar: Cinco minutos. Ou seja, cinco minutos para parar e pensar sobre o que você esqueceu antes de correr para o aeroporto, sobretudo os cabos e carregadores de todas suas maquininhas modernas que já estão na mala. O carregador do celular é óbvio, mas muitas pessoas esquecem. O carregador das baterias da máquina? Uma vez esqueci, junto com a bateria extra, porque deixei carregando na noite antes da viagem quando fiz a mala e me esqueci de pegar na saída para o aeroporto. Perdi um dia inteiro – de só quatro dias na Espanha – procurando outro carregador. Os fones de ouvido para o celular se você for alugar um carro. E falando de alugar carros, alguns CDs com suas músicas favoritas, porque seu iPod chique não vai adiantar em nada com os sistemas de som dos carros de aluguel, e os programas de rádio local podem ser chatos. Na Alemanha, por exemplo, há uma grande possibilidade de os programas serem em alemão.

Deixar: O notebook. Eu levo sempre, porque as viagens são meu trabalho. Você não deve levar nunca, porque viagem para você nunca deve ser trabalho. Ah, você fica em estado de pânico se não checar seu email? Faça isso no smartphone com o wifi do hotel, ou entre num cybercafé uma vez por dia. Ou melhor, uma vez por semana. Ou melhor, nunca. Outra vantagem de não levar o notebook: não pode ser roubado nem perdido nem cair num lago habitado por hipopótamos-assassinos

Que tal deixar o laptop em casa e aproveitar melhor a viagem?

Que tal deixar o laptop em casa e aproveitar melhor a viagem?

Levar: Presentinhos para crianças. E não só para as crianças de países pobres.  Vocês são do país quase mais chique do mundo no momento, assim que qualquer coisa com as cores ou a bandeira do Brasil é perfeita, tipo canetas ou esses Tic-Tac nacionalistas em verde-amarelo.  Doces que não existem em outros lugares funcionam bem (Paçoquinha, Sonho de Valsa, brigadeiros). Ah, e adesivos. Qual criança não adora de adesivos? Em caso de emergência bote na testa deles (ou na sua), sempre rende um sorriso.

Deixar: Grandes quantidades de artigos de higiene pessoal. Tipo um garrafão de Listerine ou um tubão de pasta de dentes. Pegue esses tamanhos pequenos feitos para viagens. Tem medo de algo acabar? Peraí, você conhece algum lugar onde não se venda pasta de dentes? Talvez Antártica. Se for para Antártica, pode levar todo o Colgate que você que quiser.

Levar: Algum jogo social para fazer amigos. O mais básico seria um baralho de cartas, mas pode ser uma pequena bola de futebol também. Eu tenho um amigo norte-americano que às vezes viaja comigo e sempre leva uma mini-bola de futebol americano. É um sucesso total em rodoviárias à espera do ônibus, por exemplo.

Deixar: Jogos eletrônicos, óbvio. E se precisar para acalmar os filhos no avião ou carro, esconda logo depois de chegar.

Levar: Fotocópias dos guias. Comprou seu Lonely Planet ou seu Publifolha ou Quatro Rodas? Bom, agora deixe em casa. Leve só cópias. Primeiro, se for um guia da Europa inteira e você só vai para três países, pesa menos. Mas ainda melhor, você pode jogar fora as páginas depois de visitar um lugar e assim sua bagagem fica mais leve.

Deixar: Cópias dos seus documentos importantes. Sério. É, todo o mundo fala que tem que levar cópias do seu passaporte e cartões de crédito e deixar tudo isso separado dos originais. Nossa, que sistema antiquado! E se roubarem todas as malas? A solução é uma mala virtual. Escaneie seus documentos ou tire uma boa foto de cada um, bote tudo em um email e mande para você mesmo. Assim fica no seu correio eletrônico e se você perder alguma coisa é só entrar na internet e pegar.

Não esqueça de levar seus remédios habituais na viagem

Não esqueça de levar seus remédios habituais na viagem

Levar: Fotos da sua família. Não para casos de saudades urgentes, embora isso funcione também. É para mostrar para pessoas que você conhece no caminho, sobretudo de outras culturas ou que não falam sua língua. Família é algo universal, que todos nós temos em comum. Pode ser fotos no celular? Pode. Mas melhor como marcador de páginas do seu livro. Quer conversar com a pessoa ao seu lado no trem? Deixar cair a foto “sem querer” para que o cara veja e pergunte quem é. Melhor ainda se for do seu cachorro.

Levar: Remédios. Os que não viajaram para fora do Brasil podem levar uma surpresa nos Estados Unidos, Europa e outras partes do mundo onde alguns remédios fáceis de conseguir aqui na farmácia precisam de receita. Só para dar um exemplo: a pílula anticoncepcional.

Levar: Um bloco pequeno que caiba no seu bolso. Para escrever seus pensamentos, claro. Mas também para escrever os emails das pessoas que você conhece, ou fazer listas de coisas que não quer esquecer. Um amigo que foi para Morro de São Paulo ficou maravilhado com os nomes criativos das pessoas que carregam as malas do porto. (Os nomes, segundo meu amigo, são escritos das camisetas deles.) Escreveu num bloco, e por isso conseguiu me mandar a lista vários anos depois. Inclui: Florisvaldo, Marinaldo, Renildo, Wanderson, Elielson, e mais. Que lembrança bacana.

Autor: Seth Kugel Tags: , , ,