2012 fevereiro | Viagens com Seth Kugel - iG

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Arquivo de fevereiro, 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012 Estados Unidos | 06:54

11 razões para ir ao Texas

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Texas-Austin-Cowboy

As vistas panorâmicas do Texas te fazem sentir ator em um filme de cowboy

As prioridades de muitos turistas brasileiros que visitam os Estados Unidos são:

1) Conhecer a Disney.

2) Conhecer Nova York.

3) Voltar pra Disney e Nova York.

Eu não nego o atrativo de tirar uma foto com o Mickey e comer os cupcakes famosos da Magnolia Bakery, em Nova York, mas nenhum dos dois lugares faz parte dos EUV: os Estados Unidos de Verdade. A Disney, claro, é uma terra de fantasia e não pretende ser outra coisa. Mas Nova York também é: lotada de estrangeiros, e até os americanos que moram lá são bem diferentes. Em 2004, por exemplo, 82% dos residentes de Manhattan votaram a favor de John Kerry contra 17% a favor de George W. Bush nas eleições presidenciais. Como falei, terra de fantasia.

- Leia mais dicas de viagens no iG Turismo

Texas-Austin-estrada

Sempre dava vontade de parar o carro e tirar fotos nas estradas texanas

Vou sugerir um destino do qual todos já ouviram falar, mas poucos pensaram em visitar. Um estado de paisagens lindas, cidades interessantes, cozinha única e um caráter tão forte que por dez anos (1836-1846) foi um país independente. Ah, e tem voos diretos do Brasil. Assim, que chega dessa desculpa.

O Estado do Texas. Terra dos cowboys, das picapes e de uma das cidades mais interessantes do país, a capital, Austin. (E duas das mais chatas, Dallas e Houston, mas aí chegam a maioria dos voos internacionais).

Nem eu pensava que o Texas valia a pena até janeiro, quando fiz uma viagem de 10 dias pelo Estado… bom, na verdade, por 2.700 quilômetros, uma pequena parte do Estado. (É enorme, maior do que o Japão e a Grã-Bretanha juntos)

Sei: ir para o Texas é uma ideia meio radical, e vocês talvez estejam pensando em desistir deste artigo e clicar em outro mais interessante no iG, tal como “Uma em cada dez pessoas já fez sexo no trabalho, diz pesquisa”. Mas aguente aí, leia os onze destaques da minha viagem e pense no meu caso. (E se está lendo a coluna no trabalho, nem reclame: nove em dez de vocês não têm nada mais interessante para fazer). Vamos a elas:


1)
As vistas panorâmicas que te fazem sentir ator em um filme de cowboy. Eu passei sete dos meus dez dias andando de carro, e nem sei quantas vezes parei ao lado da estrada (quase sempre vazia) para tirar fotos de algum pôr-do-sol atrás de um moinho de vento ou de um senhor mexicano visitando o túmulo (coberto de flores plásticas) da esposa falecida, com montanhas no fundo. Nunca vi um lugar tão vazio e tão cheio ao mesmo tempo.

Desert Hill Cemetery-Presidio-Austin-Texas

Miguel Holguín ao lado do túmulo da esposa, no Desert Hill Cemetery perto de Presidio


2) As cidadezinhas do interior. Nos 2.700 quilômetros que percorri, só tinha planejado cinco destinos: as cidades de Austin, Waco e San Angelo, a cidadezinha de Marfa que tem um museu famoso, e o Parque Nacional de Big Bend. Mas os lugares que gostei mais foram os vilarejos que visitei sem planejar. Um deles foi West, que parecia uma dessas cidades do Velho Oeste mesmo, só que com um detalhe diferente: tinha vários restaurantes tchecos, resultado da imigração tcheca do século 19.

West-Texas-Austin-Estados Unidos

A estrada de ferro ainda passa por West, Texas, cidadezinha que parece não ter mudado em 100 anos

Outro foi a pequenina Valera, que apareceu no caminho entre Waco e San Angelo justo no momento em que fiquei com fome, e onde comi um chicken fried steak (um filé de carne empanado e frito como se fosse frango) num restaurante acolhedor, simples e beeeem texano (dos sotaques até o cardápio), que se chama The Grazin’ Patch. O vilarejo é tão pequeno que na página de Facebook do restaurante eles indicam a localização dizendo apenas: “fica a leste do sinal”. E como isso, você chega facilmente. (A mesma frase descreveria pelo menos mil restaurantes em Nova York)

Destaque da minha visita: as crianças da família local na mesa do lado se desafiando a comer uma pimenta jalapeño inteira. (Uma menina ofereceu US$ 5 a um menino para que ele comesse a pimenta inteira, mas ao final ele não o fez)

Também visitei Presidio, uma cidadezinha na fronteira com o México, com mexicanos que moram nos Estados Unidos, na sua maioria, e restaurantes que servem a verdadeira comida tex-mex (essa cozinha de burritos e enchiladas servida em muitos restaurantes “mexicanos” do Brasil).


3)
As torres de água. Quase todas as cidadezinhas do interior são marcadas por torres de água que anunciam o nome da cidade. Isso é bem interior mesmo, parece filme. (Aliás, já percebeu que no Texas quase tudo parece filme?).

Texas-torres de águas-Estados Unidos-Marfa

Torres de água anúnciam o nome da cidade por todo o estado de Texas


4-) Os “trailers” de comida
da capital, Austin. Como eles surgiram, eu não sei. Mas muito da melhor comida de Austin (a capital texana onde comecei e terminei minha viagem – e o lugar onde George W. Bush foi governador antesde ser eleito presidente) é servido em reboques suficientemente grandes para uma cozinha inteira caber lá dentro. A variedade de comidas nos trailers é imensa – sanduíches de porco desfiado, arroz asiático com champignons, linguiça marroquina, doughnuts de pêssego e muito mais.

- Leia também: Flórida além da Disney (e de Miami)

Izzoz Tacos, um dos muitos trailers de comida em Austin

Izzoz Tacos, um dos muitos trailers de comida em Austin


5-)Música ao vivo na capital. Você pode pensar que é por ser sede principal da enorme University of Texas que Austin tem tantas opções de música ao vivo todas as noites, ao longo de todas as semanas do ano, mas não é somente por isso. Esta cidade ama a música em todas as suas formas. Country e rock (e rock-country), claro. Mas também tem blues, jazz, pop, música latina. É só dar uma olhada no jornal semanal Austin Chronicle, no site The Austinist e no mapa sempre atualizado BillsMap –  a variedade é impressionante. Em Nova York, você também pode assistir a um concertode jazz – junto com muitos turistas. Em Austin, o público é local. (Também recebe todos os anos o South By Southwest, um dos festivais de música – e cinema – mais famosos dos Estados Unidos)

Ginny's Little Longhorn Saloon-Austin-Texas

Dançando à música country em Ginny's Little Longhorn Saloon, Austin


6-) O Parque Nacional Big Bend. OK, está longe pra caramba das grandes cidades, mas facilmente faz parte de uma viagem de carro. (Fica perto de Marfa, por exemplo.) O parque tem 3.242 quilômetros quadrados de puros cenários de filme de cowboy no Deserto Chihuahua: tem montanhas, cânions, rios, cactos, trilhas. E solidão: é um dos parques nacionais menos visitados dos Estados Unidos apesar de ser um dos mais bonitos. Também tem ursos pardos e leões-da-montanha, o que podem agregar um pouco de emoção ao seu passeio. (Placas explicam o que fazer se encontrar um dos animais, que muito poucas vezes atacam os humanos)

Lost Mine Trail-Big Bend-Texas-Estados Unidos

Vista da caminhada Lost Mine Trail em Big Bend


7-) A tradição do barbecue.
Em muitos Estados menos sofisticados em assuntos de carne, a palavra “barbecue” pode significar simplesmente um churrasco típico em casa, com hambúrgueres e carne assada. Mas o barbecue de verdade é a arte de cozer carne bovina e suína muito lentamente usando não só o calor, mas também a fumaça da madeira. Os lugares mais tradicionais, como o Louie Mueller Barbecue, na cidade de Taylor, sempre tem filas com apaixonados pelo seu brisket (peito bovino), gloriosamente gorduroso, e costelas de porco suculentas.

Louie Mueller-Taylor-Texas

O ambiente de Louie Mueller, em Taylor, parece de um bar de filme de Faroeste

Você pode discutir por horas com um texano sobre qual é o melhor barbecue do Estado, mas a melhor opção é gastar esse tempo comendo. Para mim todos são ótimos, até os lugares desconhecidos. Adorei o Packsaddle Bar-B-Q em San Angelo, por exemplo, onde um prato de costela com iscas de peixe-gato frito vale só US$ 7,85 e as paredes são cobertas de carrinhos e fotos dos pilotos da NASCAR, que os texanos adoram tanto quanto os brasileiros adoram a Fórmula 1.


8-)Os
kolaches e o cobbler. Meu vício é doces, e foi durante esta viagem que descobri o kolache, um pão doce de origem tcheca com recheio de frutas ou carne, mas o pão é mais mole do que um “Danish”. O cobbler, um doce de frutas cobertas de massa doce levada ao forno, é a sobremesa oficial dos lugares de barbecue, servido quente com sorvete de baunilha feito em casa. Engordei vários quilos durante minha viagem ao Texas e foi tudo culpa do cobbler.

Kolaches-checa-West-Texas

Kolaches, pão doce de origem checa, em West, Texas


9-) As surpresas de
San Angelo. Não fica entre as maiores cidades do Estado, e é meio desconhecida fora, mas encontrei várias coisas inesperadas por lá: um museu de arte que parece que pertence a uma cidade mais “sofisticada” (que preconceito antitexano, nem acredito que escrevi isso). O ótimo Fort Concho, base militar do século 19, época das guerras entre norte-americanos e tribos indígenas, que foi convertida em museu e é bem interessante. E dentro de um dos prédios tem mais uma surpresa: um pequeno museu dedicado à história do telefone. Ah, e outra surpresa, umapousada no centro da cidade com tema de blues – cada um dos três quartos é dedicado a um cantor diferente; as diárias começam em US$ 109.

- Leia também: Em Nova York, como os nova-iorquinos

Sealy Flats Blues Inn-San Angelo-Texas-Austin

Um quarto no Sealy Flats Blues Inn, em San Angelo


10-) A fronteira. O Rio Grande, que fica na fronteira entre o México e os Estados Unidos, é lindo. Mas o que é interessante aqui não é a beleza: é a política. Os Estados Unidos gastam sei lá quantos bilhões de dólares protegendo a fronteira contra os imigrantes latino-americanos ilegais que chegam do México (e que, em sua jornada em direção aos EUA, passam pelo México). É impressionante ver a quantidade de veículos da Border Patrol (a agência que patrulha a fronteira) em todos os lugares, até nas áreas mais isoladas. E é igualmente impressionante olhar o deserto vasto, montanhoso e ameaçador e imaginar os imigrantes tentando atravessar.

Texas-Ranch Road 2810

Vista panorâmica da estrada Ranch Road 2810 no sul-oeste de Texas


11-) O charme dos texanos. Os brasileiros em geral são muito mais charmosos do que os norte-americanos, admito.

Mas os texanos fazem um pouco de concorrência: todos os que eu conheci foram muito simpáticos e abertos a conversar. Comparando de novo com as suas outras opções de viagem: os nova-iorquinos geralmente falam com você só se você pedir ajuda. E o Mickey? Ele nem fala.

W.C. Clark-Austin-Texas

W.C. Clark canta blues em Austin, capital mundial de música ao vivo

Então, “bora” pro Texas? Não? Bom, se vocês não ficaram com vontade de ir, pelo menos convenci alguém – eu mesmo. Tem mais milhares de quilômetros de estradas texanas para percorrer e vou voltar tão logo for possível.

- Leia também: Nossos imigrantes são melhores do que os seus

Autor: Seth Kugel Tags: ,

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 11:20

Deu gringo no carnaval

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Este fim de semana, enquanto vocês curtiram o carnaval, eu trabalhei, conduzindo um experimento social… na folia. Levei dois gringos que nunca antes tinham visto nem um bloco, nem um trio elétrico, para participar do carnaval. Não o do Rio de Janeiro, nem o de Salvador, experiências já conhecidas por milhões de turistas, mas o da cidade histórica de São Luiz do Paraitinga, no interior paulista. Uma celebração bem tradicional, bem conhecida entre os paulistas, mas que atrai poucos visitantes de outros Estados, sem falar de outros países.

Pessoas de todas as idades se divertem pelas ruas do centro histórico de São Luiz do Paraitinga

As vítimas – quer dizer os sujeitos – eram meus amigos Adam, um colega profissional que conhece mais de 50 países e não fica surpreso com nenhum fenômeno cultural, e Jon, um amigo do colégio que trabalha como professor de escola pública e sai raramente dos Estados Unidos.

Para quem não conhece, São Luiz do Paraitinga é a cidade de 10 mil habitantes que, dois anos atrás, virou notícia nacional quando uma enchente destruiu grande parte do centro histórico (sem falar de muitas casas fora do centro) e causou o desmoronamento da igreja matriz, enquanto muitos residentes observavam horrorizados de um dos morros verdes que rodeiam a cidade. Eu visitei a cidade em 2009, cobri a enchente em 2010 e morria de vontade de testemunhar a volta do carnaval para o centro histórico.

Músicas que não sejam marchinhas de São Luiz do Paraitinga são literalmente proibidas

Apesar de muitos prédios ainda estarem em ruínas, a cidade está quase tão bonita quanto a lembrança que eu tinha da minha primeira visita. Só que com muitas dezenas de milhares de foliões lotando as ruas com fantasias e seguindo o trio elétrico que anda cada bloco da praça principal, atravessa o rio que causou todos os problemas e chega na Praça de Eventos, onde tem um palco e barracas de cerveja, batidas e lanches sem fim. Detalhe: em São Luiz não tocam samba, nem axé, nem Rebolation, nem Ai Se Eu Te Pego – músicas que não sejam marchinhas luizenses são literalmente proibidas.

Tentei, antes de eles chegarem, adivinhar o que mais os impressionaria. A energia provavelmente, as mulheres com certeza e, quem sabe, as fantasias, as batidas de maracujá e a música. Mas depois da primeira noite como foliões, eles me surpreenderam.

Crianças se divertem entre os adultos no bloco do Barbosa

“É fascinante”, disse o Jon. “A grande maioria das pessoas tem entre 15 e 30 anos e estão muito bêbados, há pouca presença policial nas ruas, mas não vimos nenhuma briga.” Quando ele sai em Boston, onde mora, quando há bebidas e jovens, sempre têm brigas. Adam também ficou mais do que surpreso: a falta de violência acabou com uma convicção firme. “Sempre associei o álcool com a testosterona – quanto mais bebe, mais o desejo de ser masculino e brigar. Mas isto refuta minha teoria.”

Um incidente impressionou o Adam: um cara carregou uma menina de salto alto nos braços e a girou rapidamente na praça central. No ato, os saltos bateram diretamente nas costas de outra mulher. Mas ela só sorriu e deu o polegar para eles. “Em Boston”, disse Jon, “essa menina teria tirado os brincos, dado eles para uma amiga e começado a bater na mulher.”

Mas talvez o fenômeno mais curioso para meus amigos foi a agressividade dos homens solteiros (e, suponho, os não-solteiros que encontraram um jeito de chegar sozinhos no carnaval) ao dar em cima das mulheres.  Não só a agressividade: também a habilidade, a facilidade e a persistência – de soltar cantadas constantes e não aceitar a rejeição. E mais incrível ainda: às vezes funcionava com um beijo público.

Viramos "notícia" em um bloco fantasiado de repórteres

De um lado, ficaram impressionados – a grande maioria dos nossos compatriotas, nos Estados Unidos, desistiria depois da primeira tentativa, ou nem tentaria com mulheres que não conheciam. Mas do outro, ficaram com nojo da agressividade física dos que pegavam no cabelo das mulheres e até praticamente forçavam elas a beijar – algo que seria considerado assédio sexual no nosso país.

Como é que a mulher brasileira tolera isso, perguntaram. Ou será que algumas gostam? Durante o carnaval perguntaram para algumas mulheres e 100% disseram que não gostavam. Mas visto a quantidade de beijos que aconteceram, muitas pelo menos aceitam a prática. (Outra coisa que impressionou: nos Estados Unidos seria mais comum encontrar um cantinho para escapar e beijar, não mostrar as línguas para todos no meio da rua. Piada favorita de Adam, um cara bem sarcástico: ver mais um casal beijando e dizer “Que surpresa! Estão ficando na rua!”)

Boneco gigante desfilava pelas ruas

Se não sabiam exatamente o que pensar do “romance” de rua, ficaram fascinados pela energia dos blocos e a capacidade dos brasileiros de aprender a música e a dança de cada bloco em três minutos. E se mover pelas ruas com uma felicidade extraordinária e um ritmo perfeito. Acho que o bloco que mais nos impressionou foi o do Barbosa, que tinha um coro viciante que simplesmente não me sai da cabeça:

Ô, ô, Barbosa
Essa curva é perigosa
Siga em frente nessa linha
Que eu vou contar pra Tia Rosa.
(Repete-se mil vezes)

Até o Jon, que fala só “obrigado” e “desculpe”, estava cantando, com palavras totalmente inventadas que nem pareciam português.

Os grupos que iam espontaneamente dançando pelas ruas eram até mais impressionantes para nós do que os blocos oficiais. Adoramos a “buzina paralisadora”, na qual um grupo dança loucamente pela rua até um deles tocar uma buzina e todo o mundo se congela no lugar (claro, em pose dramática). Dois toques e começam de novo a dançar e cantar: “Buzina pa-ra-li-sa-dora, buzina pa-ra-li-sa-dora”.

(Isso não é invento de São Luis. Vem do programa Chapolin – aparentemente de 1972. Mas converter algo de um programa originalmente para crianças mexicanas num sucesso de carnaval, é muito brasileiro mesmo. Até o Chaves e o Chapolin ficariam surpresos)

Mas carnaval não é só para observar. Eu queria que meus amigos gringos participassem também. Por isso eu tinha mandado uma lista das fantasias associadas aos blocos para Jon, que fez um trabalho heroico para trazer algumas para o Brasil. Nosso melhor momento foi domingo à tarde, no bloco Bebêbum. Nos preparamos no quarto da pousada, botando primeiro uma fralda tamanho adulto em cima da cueca e depois um babador azul, uma chupeta enorme e um gorrinho para bebês, desse tipo que você amarra por baixo do queixo.

Meus amigos Adam e Jon encontraram outros "bebês" pelas ruas

Eu sou meio atrevido e poucas vezes sinto vergonha. Mas saindo em público de fraldinha, babador e mais nada dava frio na barriga. (Detalhe: barriga peluda e exposta) Jon, que é o mais extrovertido, entrou na rua procurando imediatamente sua mãe, em espanhol. “Mami! Mami!” gritou, chegando nas mulheres. Eu corrigi e, sem parar um instante, foi procurando em português com sotaque gringo: “Mamãe! Mamãe!”.

Desculpe a falta de modéstia, mas se tinha melhor fantasia de bebê entre os foliões, não vimos. Arrasamos entre muitos grupos demográficos. Grupos de mulheres pediram fotos com a gente. Alguns homens já bêbedos pediram a fraldinha emprestada para urinar. (Brincando, espero) Um senhor idoso nos parou – com uma expressão totalmente séria no rosto – e começou a nos criticar para estar na rua sem as nossas mães. Mas as mais encantadas foram as crianças entre um e três anos que ficaram hipnotizadas olhando fixo para nós, como se tivéssemos chegado de outro planeta.

Eu e meus amigos vestidos de Saci

Eu e meus amigos vestidos de Saci

Por alguma razão, Jon fez mais sucesso entre os homens gays ou fingindo ser – eu acho que porque a fraldinha dele era mais apertada, quase como uma sunga. Vários homens pegaram na bunda dele, davam cantadas… até um menino de uns 10 anos deu um tapada na bunda. Um morador de rua pegou nele e começou a… acho melhor não falar.

Aí começou o bloco: “Mamãe, eu quero beber, me dá, me dá, a mamadeira, a mamadeira”. Andávamos cantando e dançando, porque, depois de várias horas de andar como bebês em público, parecia a coisa mais normal do mundo.

Por fim chegou a hora de tirar as fraldinhas e voltar a vestir roupa normal. Bom, menos anormal, vamos dizer. Era hora de vestir a próxima fantasia: a do Saci. O Saci não é conhecido nos Estados Unidos, mas o Jon, usando apenas a foto do site Wikipédia, comprou bermudas vermelhas, cachimbos e três jogos americanos vermelhos que conseguiu transformar em os gorrinhos em forma de cone. (Só não pintamos os rostos de preto, já que isso nos Estados Unidos tem um significado racista que não conseguimos superar)

Mais uma vez formamos um bloco, as mulheres pedindo fotos e nós cantando “Ô, ô, ô, o saci chegou… ô, ô, ô, o saci chegou…” tantas vezes que na manhã seguinte ainda estávamos cantando no quarto.

Uma observação final do Adam que achei curiosa – e certinha. No Halloween, nos Estados Unidos, – nosso grande dia de nos fantasiar— muitas mulheres usam fantasias sexualmente provocativas. Por exemplo, de enfermeira-quase-stripper, de aluna em uniforme de escola, de freiras com saia bem curtinha etc. No carnaval, ele observou, isso não é comum – as fantasias são simplesmente divertidas. Sua análise: a sociedade brasileira tem uma atitude muito mais saudável em relação ao sexo. “Não existe esta sexualidade reprimida que temos nos Estados Unidos, que só podemos soltar um dia por ano.”

O primeiro leitão à pururuca de Jon e Adam, no Tempero da Terra

Mas a observação principal foi em relação à boa vontade, atitude positiva e energia do brasileiro. E não só dos foliões. Várias vezes notaram até os seguranças dançando ao lado do trio elétrico, enquanto cumpriam sua tarefa. Os vendedores de drinques sempre sorriam e faziam piadas, igual os donos dos restaurantes e bares (incluindo o Tempero da Terra, onde Jon e Adam provaram seu primeiro leitão à pururuca) e o sempre alegre Henrique, dono da nossa pousada. E as ganhadoras do prêmio Nobel de atitude positiva: as mulheres vítimas de quem sabe quantos milhares de cantadas horríveis e beijos tentados.

“Deve-se distribuir um panfleto no aeroporto para os turistas norte-americanos”, disse o Jon, “nos advertindo da gentileza excessiva do povo brasileiro, que estamos prestes a experimentar”.

Confira a cobertura completa do carnaval 2012.

Autor: Seth Kugel Tags:

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012 Estados Unidos | 05:59

Em Nova York, como os nova-iorquinos

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Siga os passos dos nova-iorquinos para uma viagem fora do roteiro turístico

Siga os passos dos nova-iorquinos para uma viagem fora do roteiro turístico - Foto: Getty Images

Depois de dias de compras e museus e filas, você não aguenta mais as multidões de turistas em Nova York? Quer escapar dos roteiros típicos e passar um dia na Big Apple como um típico nova-iorquino?

Pena que não vai poder. Na cidade talvez mais diversa do mundo, não existe nova-iorquino típico. Homem ou mulher? Com filhos ou não? Rico ou pobre? Acorda cedo ou deita tarde? Nasceu no Bronx ou chegou há um ano da China? Coberto de tatuagens de bandas heavy metal ou amante de ópera?

A ideia, porém, é uma boa. Assim que pedi a quatro amigos com vidas bem diferentes que descrevessem um dia típico na vida deles. No fim de semana, claro, porque não acho que vocês, estando de férias, queiram acordar às 6h, pegar metrô lotado, trabalhar o dia inteiro com 15 minutos para almoçar, voltar para casa exausto e sentar no sofá para ver televisão.

- Leia também: Nova York longe do óbvio

Nos roteiros deles, pode-se notar um pouco de bairrismo em favor do Brooklyn, mas isso é inevitável. O Brooklyn está bombando, e para muitos já virou o centro da cidade. Hoje em dia, tem muitos que só vão para Manhattan para trabalhar. Eu não sou um deles, mas estou perdendo a batalha.

- Leia também: Descubra o bairro de Jackson Heights

Confira os roteiros:

- DO BANQUEIRO SOLTEIRO (ou seja, com grana e sem responsabilidades. Mora em Greenwich Village, Manhattan)

Adora uma caminhada matinal? Dê uma volta pelo Hudson River Park

Adora uma caminhada matinal? Dê uma volta pelo Hudson River Park - Foto: Getty Images

9h - Acordar. Correr 45 minutos pelo Hudson River Park (faixa verde à margem do Rio Hudson) da Houston Street até a 42nd (e de volta), passando por nova-iorquinos fazendo todo tipo de exercício, além do lindo prédio IAC feito pelo arquiteto Frank Gehry e do centro esportivo Chelsea Piers, com direito a vista do Empire State Building e do Estado de Nova Jersey do lado de lá do rio.

10h - Sauna e banho na academia megachique Equinox. Nota do Seth: Difícil entrar não sendo sócio. Melhor fazer no hotel.

Tente arranjar um lugar na janela do Extra Virgin

Tente arranjar um lugar na janela do Extra Virgin para observar o movimento - Foto: Flickr/La Citta Vita

11h - Comprar o jornal Financial Times (edição de fim de semana) para ler no Café Henri, pequeno café aconchegante no West Village, tomando um espresso duplo sem açúcar.

12h30 - Encontrar amigos para o “brunch” no restaurante Extra Virgin, na West 4th Street, pedindo ao maitre haitiano uma mesa na janela para observar o desfile de garotas lindas que passam pela calçada de fora. A rua tem um ar europeu… talvez de Paris. Peça um omelete (US$ 15) e um bloody mary (US$ 10). Com mais café, claro, e sem açúcar, óbvio.

14h – Andar pelo bairro de Chelsea visitando galerias de arte (ver mapa) e depois subir no parque High Line, um parque suspenso construído sobre antigas vias de trem, e caminhar até o bairro Meatpacking District e depois para casa.

- Leia também: Nova York em torno do High Line Park

17h - Descansar em casa.

20h - Encontrar amigos para um drinque (de preferência os a base de whisky) no bar que representa bem a cultura de “coquetéis sérios” em Nova York, Employees Only. Mas só um drinque porque…

21h30 - Logo começa um encontro romântico. Deixar os amigos e jantar com uma mulher linda no Hudson Clearwater. Talvez você possa pedir um peito de pato (US$ 19) para ele, um risoto com abóbora, parmesão e romã (US$ 17) para ela e uma garrafa de vinho italiano para o casal. Ou duas garrafas. Nota do Seth: esse amigo já me abandonou muitas vezes para sair com uma das suas muitas “dates”.

0h - Encontrar com mais dois casais para um “nightcap” – o último drinque da noite – no bar Jimmy, no último andar do James Hotel, com vista da cidade que nunca dorme.

2h - Dormir. (A cidade nunca dorme, mas as pessoas sim)


- DA FUNCIONÁRIA PÚBLICA
(ou seja, que precisa relaxar depois de uma semana trabalhando dentro da burocracia da prefeitura)

Muitos acham o Prospect Park mais lindo que o Central Park

Muitos acham o Prospect Park mais lindo que o Central Park - Foto: Getty Images

9h - Correr no Prospect Park do Brooklyn (que muitos acham mais lindo do que o Central Park) para tirar a ressaca da noite anterior. Nota do Seth: duvido muito que essa amiga minha consiga acordar tão cedo. Acho 10h30 mais realista.

11h30 – Ir para o East Village (em Manhattan) para o “brunch” no restaurante Essex, sempre lotado e barulhento. Tentar pegar uma mesa na sacada (no segundo andar) para observar todas as pessoas lá embaixo. Ah, o mais importante: o “brunch special” (US$ 22,95) inclui três coquetéis bloody mary.

Assista a um filme no cinema da BAM, a Brooklyn Academy of Music

Assista a um filme no cinema da BAM, a Brooklyn Academy of Music - Foto: Getty Images

13h - Ir para o Brooklyn Flea (o “mercado de pulgas”, mas muito mais chique) para artesanatos legais, bijuteria clássica e doces caseiros. Depois andar pelas lojas e boutiques de Fort Greene, um bairro bem diverso também no Brooklyn.

16h – Assistir a um filme no cinema da BAM, a Brooklyn Academy of Music, que sempre tem filmes artísticos e estrangeiros.

20h – Jantar no Flatbush Farm no Brooklyn, um dos muitos restaurantes da cidade que usa só carnes orgânicas e traz verduras e produtos lácteos das fazendas da região. Assim que o cardápio muda segundo a estação. Neste momento, o cardápio oferece truta com recheio de ostra defumada e confit de porco com salsicha de javali, mas quando você visitar, quem sabe?

23h – Cervejas e paquera no bar Hot Bird, localizado em uma antiga oficina de automóveis. Um clima bem, bem Brooklyn, com camisa xadrez de hipster quase obrigatória no inverno (camiseta cool no verão).


- DOS PAIS DE FAMÍLIA
(ou seja, que têm dois filhos pequenos e querem passar o fim de semana em família)

Atravessar a Brooklyn Bridge a pé pode ser uma experiência diferente

Atravessar a Brooklyn Bridge a pé pode ser uma experiência diferente - Foto: Getty Images

8h - Atravessar a Brooklyn Bridge a pé, começando do lado do Brooklyn (pegue o metrô até as paradas High Street ou Clark Street)

9h - Caminhar por Chinatown, parando para os “dumplings” (bolinhos de massa) chineses na Vanessa’s Dumpling House, onde quase nada custa mais de US$ 3.

10h - Visitar o Children’s Museum of the Arts, recém-transferido para um espaço maior, cheio de atividades para crianças. Há oficinas de artes plásticas, um laboratório de mídia, um “lago de bolas” e muito mais.

Leve as crianças para visitar a Lego Store no Rockefeller Center

Leve as crianças para visitar a Lego Store no Rockefeller Center - Foto: Flickr Shinya

12h - Almoçar no Balthazar, o badalado bistrô francês que, apesar de ser um destino muito popular de turistas e nova-iorquinos, também trata muito bem as famílias com crianças pequenas.

14h - Visitar a Lego Store no Rockefeller Center, aberta desde junho de 2010 e muito divertida para crianças de todas as idades. Nota do Seth: meu amigo nunca deixou de ser criança, acho que ele gosta mais do que os filhos.

16h - Descanso! As crianças não aguentam um dia inteiro na cidade com os pais, nem vice-versa.

18h - Se for o primeiro sábado do mês, não tem nada melhor do que os Target First Saturdays, no Brooklyn Museum, com programas de arte, música e dança que conseguem ser ótimo para adultos e também lotado de crianças. Nota do Seth: Concordo. Eu nunca vi um ambiente no qual as crianças conseguem se divertir tanto sem atrapalhar o divertimento dos adultos.


- DA BRASILEIRA DO BAIRRO ALTERNATIVO
(ou seja, que nem precisa sair do seu bairro – Williamsburg, Brooklyn – para ter um dia completo e descolado)


A Williamsburg Bridge vale a pena pela vista maravilhosa de Manhattan

A Williamsburg Bridge vale a pena pela vista maravilhosa de Manhattan - Foto: Getty Images


9h – Pedalar pela Williamsburg Bridge (o trajeto é relativamente curto e vale a pena pela vista maravilhosa de Manhattan) ou correr em McCarren Park. Nota do Seth: Não se compara com a beleza do Central Park ou do Prospect Park, mas o que perde em beleza ganha em “cool”.

11h - Brunch no Roebling Tea Room não só pela vibe local, música boa e forte bloody mary, mas pelo prato que lembra carne seca com catupiry. Nota do Seth: é o “chicken steak with white gravy”. Nem todo mundo vai concordar, mas até lembra mesmo. Mas o cardápio é bem americano: também oferece salmão defumado, uma panqueca grande com frutas, cheeseburgers e mais.

13h – É ritual passar pelo Blue Bottle e pegar um café (o mais forte e delicioso de Williamsburg) e dar uma passada nas lojas locais. E não as lojas óbvias da Bedford Avenue: melhor passear pelas ruas laterais, entre a North 3rd e North 7th e também na Berry e Wythe, onde existem várias lojinhas de artigos para casa, roupas (como o Brooklyn Denim), móveis de designers locais e antiguidades.

15h – Não importa a estação do ano, todo sábado tem sambão no Miss Favela. Hora de dar uma passadinha por lá e dar um oi aos amigos farofeiros. Nota do Seth: OK, talvez o turista brasileiro não queira fazer nada brasileiro, mas vamos deixar passar: o lugar merece publicidade por criar um ambiente realmente brasileiro até nos sábados mais frios do inverno.

18h - Sesta até a hora do jantar…

20h – Ir ao Betto para pratos italianos com ambiente casual, gente bonita e bons vinhos.

22h – Depois de jantar, hora de “bar hop” – ir de bar em bar, e neste bairro não falta escolha. Vá ao The Bedford para esquentar com uma boa seleção de vinhos, mas a melhor parte é o DJ que toca aos sábados, é um som meio rock dos anos 80, com beats de funk entre os sets. Segunda parada: Hotel Delmano, com decoração linda e drinques fortes.

0h – Hora de meter o pé na jaca: The Woods é a parada final, escondido, mas lota nos finais de semana. O ambiente é casual e bem divertido, os drinques são baratos, mas o melhor é a pista de dança que se forma ao som frenético do DJ que toca do mais atual indie rock ao hip hop clássico. Até se vende tacos mexicanos se der uma fome.

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Autor: Seth Kugel Tags: ,

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 Dicas | 05:46

O que levar – ou não levar – na mala de viagem

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Só ao chegar ao destino, percebemos que faltam algumas coisas na nossa mala

Só ao chegar ao destino, percebemos que faltam algumas coisas na nossa mala

“Já fez as malas?” Não dá para não rir quando ainda faltam 24 horas para uma viagem e um amigo – e mais frequentemente uma amiga – me pergunta isso. Fazer a mala? Nem sei onde deixei a mala depois da última viagem.

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A verdade é que não penso muito no que vou levar. Botar roupa, escova de dente, a máquina, um livro. Quem quer levar três dias para decidir qual camisa combina com qual calça ou saia e dobrar tudo perfeitamente, tudo bem. Fazer a mala é um ato pessoal.

Por isso nunca gostei da maioria das matérias que fala desse assunto. Quais malas são as mais legais, por exemplo. Puro marketing. Minha mala preferida é tão velha que tem fita adesiva em várias partes. Nunca pensei em comprar uma amarela com faixas roxas para distingui-la das outras na esteira de bagagem, a minha é toda preta (mas a fita adesiva ajuda, admito). Não tem nenhum jeito especial para dobrar a roupa. Nem me interessa os que dizem que só precisa levar uma pequena mochila com duas camisetas, um par de tênis e óculos de sol. Eu nunca poderia ser essa pessoa.

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Ainda assim, acho que tem algumas coisas que todo mundo deve levar consigo, e outras coisas que é melhor deixar em casa. Assim que vou me arriscar com algumas dicas “universais” – para homens e mulheres, para as pessoas que despacham duas malas grandes e as que levam tudo a bordo do avião, e até para vocês malucos que começam a fazer as malas uma semana antes da viagem.

(E se esqueci alguma coisa, ou você não concorda com minhas dicas, deixe um comentário.)

Levar: Uma mini-despensa pessoal. Ou seja, uma garrafinha de pimenta ou de adoçante ou de azeite de oliva ou saquinhos do seu chá favorito. Ou qualquer coisa pequena que você sempre usa mas que pode faltar nos restaurantes de outro país ou de outra região. Aprendi essa lição quando peguei um barco de Manaus para Porto Velho, e a comida a bordo era tão monótona que quase perdi a fome. Mas outro passageiro tinha levado uma garrafa de pimenta malagueta caseira e me deixou usar. Um milagre! Os brasileiros que usam adoçante ficam surpresos que nos Estados Unidos, por exemplo, não há adoçante líquido, só em pó. Por que não? Sei lá. Cultura inferior, talvez. (Na minha casa em Nova York há sempre ZeroCal para os que me visitam do Brasil, mas nem todos são tão preparados quanto eu.)

Não precisa levar várias lingeries para a viagem

Não precisa levar várias lingeries para a viagem

Deixar: A oitava cueca ou calcinha. Ou pelo menos a décima. Conheço pessoas que viajam 15 dias e levam 20 cuecas. Será que acham que não há água para lavar em outros países? Pode lavar você mesmo se não encontrar uma máquina ou se o hotel não oferecer o serviço de lavanderia. Ou no pior dos casos, participe de uma ótima experiência intercultural – compre cuecas ou calcinhas no país que está visitando. Às vezes o estilo ou corte ou cores são tão diferentes que isso rende uma ótima história para contar.

Levar: Cinco minutos. Ou seja, cinco minutos para parar e pensar sobre o que você esqueceu antes de correr para o aeroporto, sobretudo os cabos e carregadores de todas suas maquininhas modernas que já estão na mala. O carregador do celular é óbvio, mas muitas pessoas esquecem. O carregador das baterias da máquina? Uma vez esqueci, junto com a bateria extra, porque deixei carregando na noite antes da viagem quando fiz a mala e me esqueci de pegar na saída para o aeroporto. Perdi um dia inteiro – de só quatro dias na Espanha – procurando outro carregador. Os fones de ouvido para o celular se você for alugar um carro. E falando de alugar carros, alguns CDs com suas músicas favoritas, porque seu iPod chique não vai adiantar em nada com os sistemas de som dos carros de aluguel, e os programas de rádio local podem ser chatos. Na Alemanha, por exemplo, há uma grande possibilidade de os programas serem em alemão.

Deixar: O notebook. Eu levo sempre, porque as viagens são meu trabalho. Você não deve levar nunca, porque viagem para você nunca deve ser trabalho. Ah, você fica em estado de pânico se não checar seu email? Faça isso no smartphone com o wifi do hotel, ou entre num cybercafé uma vez por dia. Ou melhor, uma vez por semana. Ou melhor, nunca. Outra vantagem de não levar o notebook: não pode ser roubado nem perdido nem cair num lago habitado por hipopótamos-assassinos

Que tal deixar o laptop em casa e aproveitar melhor a viagem?

Que tal deixar o laptop em casa e aproveitar melhor a viagem?

Levar: Presentinhos para crianças. E não só para as crianças de países pobres.  Vocês são do país quase mais chique do mundo no momento, assim que qualquer coisa com as cores ou a bandeira do Brasil é perfeita, tipo canetas ou esses Tic-Tac nacionalistas em verde-amarelo.  Doces que não existem em outros lugares funcionam bem (Paçoquinha, Sonho de Valsa, brigadeiros). Ah, e adesivos. Qual criança não adora de adesivos? Em caso de emergência bote na testa deles (ou na sua), sempre rende um sorriso.

Deixar: Grandes quantidades de artigos de higiene pessoal. Tipo um garrafão de Listerine ou um tubão de pasta de dentes. Pegue esses tamanhos pequenos feitos para viagens. Tem medo de algo acabar? Peraí, você conhece algum lugar onde não se venda pasta de dentes? Talvez Antártica. Se for para Antártica, pode levar todo o Colgate que você que quiser.

Levar: Algum jogo social para fazer amigos. O mais básico seria um baralho de cartas, mas pode ser uma pequena bola de futebol também. Eu tenho um amigo norte-americano que às vezes viaja comigo e sempre leva uma mini-bola de futebol americano. É um sucesso total em rodoviárias à espera do ônibus, por exemplo.

Deixar: Jogos eletrônicos, óbvio. E se precisar para acalmar os filhos no avião ou carro, esconda logo depois de chegar.

Levar: Fotocópias dos guias. Comprou seu Lonely Planet ou seu Publifolha ou Quatro Rodas? Bom, agora deixe em casa. Leve só cópias. Primeiro, se for um guia da Europa inteira e você só vai para três países, pesa menos. Mas ainda melhor, você pode jogar fora as páginas depois de visitar um lugar e assim sua bagagem fica mais leve.

Deixar: Cópias dos seus documentos importantes. Sério. É, todo o mundo fala que tem que levar cópias do seu passaporte e cartões de crédito e deixar tudo isso separado dos originais. Nossa, que sistema antiquado! E se roubarem todas as malas? A solução é uma mala virtual. Escaneie seus documentos ou tire uma boa foto de cada um, bote tudo em um email e mande para você mesmo. Assim fica no seu correio eletrônico e se você perder alguma coisa é só entrar na internet e pegar.

Não esqueça de levar seus remédios habituais na viagem

Não esqueça de levar seus remédios habituais na viagem

Levar: Fotos da sua família. Não para casos de saudades urgentes, embora isso funcione também. É para mostrar para pessoas que você conhece no caminho, sobretudo de outras culturas ou que não falam sua língua. Família é algo universal, que todos nós temos em comum. Pode ser fotos no celular? Pode. Mas melhor como marcador de páginas do seu livro. Quer conversar com a pessoa ao seu lado no trem? Deixar cair a foto “sem querer” para que o cara veja e pergunte quem é. Melhor ainda se for do seu cachorro.

Levar: Remédios. Os que não viajaram para fora do Brasil podem levar uma surpresa nos Estados Unidos, Europa e outras partes do mundo onde alguns remédios fáceis de conseguir aqui na farmácia precisam de receita. Só para dar um exemplo: a pílula anticoncepcional.

Levar: Um bloco pequeno que caiba no seu bolso. Para escrever seus pensamentos, claro. Mas também para escrever os emails das pessoas que você conhece, ou fazer listas de coisas que não quer esquecer. Um amigo que foi para Morro de São Paulo ficou maravilhado com os nomes criativos das pessoas que carregam as malas do porto. (Os nomes, segundo meu amigo, são escritos das camisetas deles.) Escreveu num bloco, e por isso conseguiu me mandar a lista vários anos depois. Inclui: Florisvaldo, Marinaldo, Renildo, Wanderson, Elielson, e mais. Que lembrança bacana.

Autor: Seth Kugel Tags: , , ,

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012 Estados Unidos | 05:00

Um roteiro de compras – para brasileiros – em Nova York

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As muitas opções de compras de Nova York levam milhares de brasileiros a Nova York

As muitas opções de compras de Nova York levam milhares de brasileiros a Nova York - Foto/Getty Images

Adoro dar dicas sobre Nova York para os viajantes que chegam do Canadá, Califórnia, México, Inglaterra, Espanha ou China. E amo dar dicas sobre Nova York para os turistas que chegam de Berlim, Amsterdã, Bogotá, Tóquio, Houston ou Dubai.

Para os brasileiros? Nem tanto. É que em muitos casos eles fingem escutar minhas dicas ótimas – fruto de meus 15 duros anos morando em Nova York –sobre museus alternativos, restaurantes desconhecidos e eventos culturais inéditos. Depois, me agradecem muito, e logo passam sua estadia inteira na Big Apple… fazendo compras.

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A culpa não é deles, claro. Os preços de roupas, eletrônicos e outras coisas mais, no Brasil, são tão absurdamente altos que eu também evito fazer qualquer compra não-urgente quando estou no País. Quem faria quando pode ir para Nova York (ou qualquer cidade dos Estados Unidos) comprar tudo e ainda sair ganhando, mesmo com os gastos do voo, do hotel e da comida?

Então, vamos combinar. Se eu contar um pouco sobre os principais pontos de compras em Nova York e onde encontrar todas as marcas internacionais que quiserem, vocês não levarão para casa só as mesmas roupas da Abercrombie, máquinas Canon e carrinhos de bebê Bugaboo que usam seus amigos, mas também verão umas lojas que vendem produtos locais e únicos (e mais legais)? E, no tempo que sobrar, também visitarão algum museu diferente ou provarão algum restaurante fora do roteiro típico? Afinal, não é possível fazer compras o dia todo e também a noite toda. Ah, é? Então tudo bem, esquece.

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Minas de ouro

Como sei quais são as lojas que deleitam mais os brasileiros em Nova York? Porque toda vez que estou em uma delas ouço muito português brasileiro – e ninguém está reclamando. Veja algumas:

Woodbury Common Outlets tem boas marcas a bons preços

Woodbury Common Outlets tem boas marcas a bons preços - Foto/Getty Images

- Woodbury Common Outlets

Para os que não sabem, um “outlet” é uma loja de marca que vende só produtos de desconto porque são da coleção anterior ou porque foram fabricados em excesso. Até os norte-americanos que conhecem Woodbury pela primeira vez acham os preços muito bons e gastam muito mais do que esperavam. Imagine os brasileiros. Conselho: se só quer gastar mil dólares, só leve mil dólares e deixe os cartões de crédito em casa.

Não dá para ir de metrô, assim que você precisa pegar um ônibus direto. Uma das possibilidades nesta página é o ônibus Gray Line, que sai dez vezes por dia do Port Authority Bus Terminal, na 42th Street com a Eighth Avenue, e custa US$ 42 por adulto e US$ 21 por criança. Não se preocupe com o preço, porque você vai poupar muito mais. O lugar parece uma cidadezinha falsa, com ruas, restaurantes e tudo. Vocês, brasileiros, não vão ser os únicos gringos lá, as lojas fazem anúncios até em japonês.

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- B&H Photo
Quantos brasileiros compram suas máquinas no B&H? Tantos, que lá na loja botam atendentes que falam português e o link que coloquei é em português. Não se confunda com o nome, a loja não vende só máquinas fotográficas: há computadores, equipamentos de vídeo, produtos de som, binóculos e muito mais. O aspeto mais notável do lugar é que os donos e muitos dos funcionários são judeus hassídicos, vestidos de preto e com barba e chapéu. Por isso, nós, americanos, brincamos que B&H significa “Beards and Hats”, ou seja “Barbas e Chapéus”. Mas o atendimento no lugar não é piada nenhuma: é excelente e os funcionários têm um ótimo conhecimento dos produtos.

Century 21 dá descontos em marcas chiques

Century 21 dá descontos em marcas chiques

- Century 21
Se não tiver tempo para ir aos outlets, o Century 21 é a melhor opção em Nova York para descontos em roupas de marcas chiques, além de perfumes, maquiagem, malas de viagem etc. O único problema é que está sempre lotado de pessoas e é meio desorganizado. Ou seja, tem que procurar. Ou seja, homem que odeia fazer compras e chega sem uma mulher vai se frustrar totalmente e vai embora em cinco minutos. Como é que eu sei? Porque na primeira vez que eu fui lá, durei cinco minutos. (Na vez seguinte, fui com uma amiga) A loja principal está perto do World Trade Center, assim que dá para visitar o memorial do 11 de setembro antes (mas não depois, com todas essas sacolas, é meio falta de respeito).

- Babies ‘R’ Us
Você está grávida e pensa ir para Nova York e fazer todas suas compras? Ótima ideia – mas você não é a primeira brasileira nem está entre o primeiro milhão delas. Babies ‘R Us é um bom lugar para começar. Tem lojas no país inteiro, mas a de Nova York está localizada na Union Square, muito central e fácil de chegar por metrô.

- Bed, Bath and Beyond
Não é tão popular entre brasileiros quanto os outros, mas tem bons preços e produtos para a cama e o banheiro (como indica o nome) mas também para a cozinha, as janelas e a sala.

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Bairros bons para fazer compras

Pesquisando dá para encontrar achados no Brookling Flea - Foto: Flickr/Carl MiKoy

Pesquisando dá para encontrar achados no Brooklyn Flea - Foto: Flickr/Carl MiKoy

Existem duas formas de fazer compras fora das minas de ouro. A primeira é identificar os bairros que são bons para lojas únicas que você não vai encontrar em outras cidades, ou pelo menos não vai achar no Brasil. O SoHo tem algum charme, mas já está nas mãos das marcas internacionais. Melhor andar por Tribeca – na área ao redor de Duane Park (tem o Torly Kid, com roupas para bebês e crianças) e por toda Greenwich Street. Ou em NoLIta (uma abreviatura de North of Little Italy), em Manhattan, entre Houston Street, Bowery, Broome Street e Lafayette Street, ou no Lower East Side que tem muitas lojas de roupa para homens e mulheres, além de galerias de arte.

Se quiser sair de Manhattan, a Bedford Avenue, em Williamsburg, é bem divertida. Mas o lugar que eu mais recomendo é o Brooklyn Flea, um “mercado de pulgas” que não é realmente isso, tem roupa “vintage” (ou seja, usada mas chique), joias e peças de artesanato originais, e muita comida legal.

Lojas legais

Eu não sou de forma alguma especialista em compras, mas a meia dúzia seguinte são algumas lojas legais que você não vai encontrar no Brasil.

Dá para achar roupas bacanas na Brooklin Industries

Dá para achar roupas bacanas na Brooklyn Industries - Foto: Divulgação

- Brooklyn Industries
Uma empresa que começou no Brooklyn mas agora tem lojas em Manhattan (e até em Chicago). Vende camisetas, camisas, casacos, calças e até roupas que não começam com “c”, com um estilo sofisticado e moderno, mas não exagerado. Também tem roupa para mulher, mas nem sei te dizer se é bom ou não, dê uma olhada.

- Anthropologie
Muito recomendada para roupa de mulher… mas não por mim. É uma dica de uma amiga brasileira que mora em Nova York e trabalha com moda. A cadeia de lojas tem quatro sucursais na cidade e uma quinta chega daqui a 15 dias. É especializada em um look boêmio, mas romântico e feminino. (As palavras são dela, não reclame para mim se não concordar)

* Books of Wonder
Seu filho estuda inglês na escola? (Se não, hora de mudar de escola) Esta livraria especializada em livros para crianças vende em inglês, claro, mas a diferença é que a seleção de livros é maravilhosa, o ambiente, aconchegante e o atendimento, muito bom. E apesar de ter muitos livros espalhados sobre as mesas da loja, nenhum se chama “The Book Is on the Table”.

Seu filho vai se encantar com o mundo de brinquedos da FAO Schwarz

Seu filho vai se encantar com o mundo de brinquedos da FAO Schwarz - Foto: Divulgação

- FAO Schwarz
Tá bom, seu filho não quer livros, só fica feliz com brinquedos? A loja mundialmente famosa ficou ainda mais famosa em 1988 com esta cena do filme “Big” (ou como ficou em português, “Quero Ser Grande”).

- Economy Candy
Nossa, o seu filho nem gosta de brinquedos? Precisa de doces, balas, caramelos? Aqui é um empório de doces que parece que é da Nova York de 1950 – e está entre as galerias de arte e boutiques do Lower East Side. As marcas são uma verdadeira história dos bombons americanos. Entre as minhas recomendações: os Charleston Chews – mas tem que botar no congelador antes de comer.

- The Metropolitan Museum of Art Store
O museu mais famoso da cidade tem uma loja absolutamente lotada não só de pôsteres e livros mas também de produtos de papelaria (com imagens de arte das coleções, claro), relógios, joias e até jogos para crianças.

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