Observar os exóticos da classe AAA em Palm Beach | Viagens com Seth Kugel - iG

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011 Estados Unidos | 06:54

Observar os exóticos da classe AAA em Palm Beach

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Se você entrar pela ponte de Royal Palm Way, é só olhar para cima para saber por que esta ilha da elite no litoral leste da Flórida se chama Palm Beach. E, depois, é só olhar para os lados para ver que as pessoas que moram lá – ou que vão para passar o inverno – têm tanto dinheiro quanto dizem.

Em cima, dominando a rua, estão as palmeiras reais, tão altas que, se caísse um coco, não existiria teto de Rolls-Royce que aguentasse. Pelos lados, prédios de empresas com nomes como Cypress Capital Group e Bessemer Trust. Não reconhece? Bom, então parece que você não é multimilionário, porque são “gerentes de riqueza” que ajudam os mais ricos a ficarem mais ricos ainda. Mas você deve conhecer o Bradesco Prime e o Itaú Personnalité, que atendem os “melhores” clientes dos bancos no Brasil, né? Os bancos de Royal Palm Way são para os que acham os clientes Prime e Personnalité bem povão.

Um Rolls-Royce estacionado na Worth Avenue

Você vira à direita na South Country Road e, daí a pouco, começam as mansões. Nem todas as casas dos residentes da ilha são mansões, claro, assim como nem todos milionários são bilionários. Mas as mansões (pelo menos as que não são ocultadas pelas sebes enormes e tão caras que todos os dias chegam exércitos de imigrantes latinos para cuidar das plantas) parecem de cinema. Dessas que têm portões como se o dono fosse o rei da França e, do lado de fora, um interfone ao nível do motorista para que ele se anuncie sem descer do carro. Quando eu passei uns quatro dias na ilha, em novembro, imaginei que devia haver cachorros ferozes esperando dentro das casas, que seriam soltos no caso de alguém ativar o detector de movimento tentando pular a cerca.

Bom, mas como esta coluna se trata das viagens, e não de roubar dos ricos para dar aos pobres, não tentei pular. Em vez disso, nas mansões que tinham nome oficial em uma placa, procurei no Google para aprender algo sobre a propriedade e seus (ex) residentes. Exemplo: Casa Apava era a residência de Ron Perelman, financeiro que vendeu a propriedade em 2004 por 70 milhões de dólares (ou seja, arredondando, 70 milhões mais do que vale a minha casa).

Uma das mansões de Palm Beach

E Casa del Sud, onde descobri que Jeffry Picower, bilionário e colega de Bernard Madoff, aparentemente se suicidou na piscina, em 2009, pouco depois de Madoff ir para a cadeia por ter fraudado e arruinado muitos investidores.

Nem sei em qual mansão morava Michael Jackson quando ele estava morando na área, nem qual era a casa da família Kennedy, nem a dos Lauder (e.g. Estée), nem dos outros notáveis que moram ou moravam na ilha.

Claro que, em Palm Beach, é impossível fazer minha atividade favorita: procurar um convite para a casa de uma família local. Mas você pode entrar nas lojas onde eles fazem compras. E a maioria se encontra na Worth Avenue, onde há lojas de todas as grifes de luxo que se possa imaginar (Gucci, Chanel, Tiffany & Co.).  Observando os carros estacionados na rua, parece que está acontecendo o Congresso de Donos de B.M.W. e Mercedes. Se você pudesse se “teletransportar” da Worth Avenue diretamente para a Oscar Freire, em São Paulo, seria como entrar na favela.

Então, como é visitar Palm Beach sem muito dinheiro? É como visitar um zoológico para uma espécie exótica de ser humano. O mais indicado seria passar um dia fazendo um tour ou ficar em um dos hotéis de luxo, mas é bem possível — até divertido — ficar na cidade sem gastar muito dinheiro. O único problema é que suas atividades serão um pouco restritas. Você deve comer várias vezes, por exemplo, nos poucos restaurantes menos caros — as duas lanchonetes (ou “diners,” o Hamburger Heaven e a Green’s Pharmacy), por exemplo. Lá até os ricos comem às vezes, por que quem não gosta de batata frita de vez em quando? Claro que sempre existe a opção de atravessar a ponte de novo e voltar a West Palm Beach, a cidade grande ao lado, onde há mil opções.

Clientes no Hamburger Heaven, onde os ricos comem batatas fritas

Jantar por lá vira um pouco problemático porque os restaurantes são chiques e caros. Tentei ir à pizzaria Pizza al Fresco, onde a mais barata era 15 dólares. Só louco paga isso por uma pizza de marguerita (estão me ouvindo, pizzarias paulistanas?). Mas adorei o restaurante Testa’s, que tem cardápio variado e consegue ser antigo (foi estabelecido em 1921) e moderno ao mesmo tempo. O jantar é caro, poucos pratos por menos de 20 dólares, mas oferece o cardápio de almoço durante o jantar, o que me permitiu pedir um sanduíche delicioso de atum grelhado com batatas fritas por 11 dólares.

A verdade é que há várias atividades disponíveis que não são caras. Apesar de muitos trechos de praias serem particulares, há algumas públicas, inclusive uma bem tranquila quase no centro da cidade.

E, apesar de Worth Avenue ter tantos lugares caros, tem também galerias de arte bacanas. Eu entrei em duas. A DTR Modern tinha muitas obras de Hunt Slonem, artista norte-americano aparentemente bem famoso, apesar de eu não ter ouvido falar dele antes. O vendedor foi muito educado comigo, me avisando “qualquer dúvida, é só falar”, mesmo percebendo (tenho certeza) que eu não ia comprar nada, nunca. Entrei também na Gallery Biba, que tinha muitas obras do artista pop Jonathan Stein, como uma escultura de batatas fritas de McDonalds feita de bronze em um recipiente desses vermelhos, mas decorado com cristais Swarovski. Também vi um trabalho do artista brasileiro Vik Muniz e fiquei suficientemente animado para até tirar uma dúvida com uma senhora que trabalhava na galeria. “Desculpe, você terá algo mais de Muniz? É que me fascina a arte contemporânea brasileira.” O que não é totalmente verdade, mas parecia coisa apropriada para falar no momento. Graças a Deus que a senhora não respondeu: “Ah, meu doutorado é sobre arte brasileira, quais são seus artistas favoritos?” (Minha resposta, sem dúvida, seria: “Cadê o toalete”? E depois escaparia pela janela).

O "thrift shop" Goodwill Embassy Boutique, onde roupa de grife se vende em segunda mão

Mas as compras não se fazem somente na Worth Avenue. As “thrift stores” – as lojas que vendem roupas e outros objetos de segunda mão e doam o dinheiro a várias ONGs – são bem legais porque recebem doações dos residentes da ilha, alguns dos quais se desfazem dos sapatos Prada quando os do novo ano são lançados. A melhor é a Goodwill Embassy Boutique, na Sunset Avenue, com preços tão incríveis que até eu comprei duas camisas (10 dólares cada), algo que quase nunca faço durante as viagens. E você pode jogar golfe por 35 dólares à beira-mar (é um campo fácil, mas tudo bem).

Para se hospedar, há até uma pousada em prédio histórico (dizem que em algum momento foi bordel, mas sempre dizem isso) com alguns quartos (em baixa temporada) por menos de 100 dólares por noite, um preço meio absurdo para a localização a dois quarteirões da Worth Avenue e a um da praia. É o  Palm Beach Historic Inn.

Ciclovia de Palm Beach

Mas a melhor parte de qualquer viagem a Palm Beach é andar de bicicleta. O lado Norte da ilha tem caminhos dedicados para bicicletas, mas até as outras ruas são tranquilas, e as distâncias não são grandes (alugue no Palm Beach Bicycle Shop). A única outra opção é alugar um carro. Mas andar em carro japonês pequeninho pode ser difícil para o ego em Palm Beach, visto o que os outros dirigem. É que é muito mais difícil distinguir as bicicletas dos ricos das bicicletas dos pobres, pelo menos a distância. E, de perto, é tarde demais de todo jeito: ninguém vai imaginar que você é residente da ilha, andando com essa bolsa Louis Vuitton que você comprou na loja de roupa de segunda mão. É que é tão primavera de 2010.

Notas relacionadas:

  1. As redes de restaurantes que valem a pena. E as que você deve fugir
  2. Jackson Heights: Nova York como você nunca viu
  3. Em 2012, arranje um convite para comemorar o Thanksgiving
Autor: Seth Kugel Tags: ,

6 comentários | Comentar

  1. 6 lino 07/12/2011 10:17

    BOM DIA, PARABENS, REPORTAGEM CURIOSA, CHEIA DE DICAS….FAZ A GENTE TER VONTADE DE CONHECER…………

    Responder
  2. 5 Ricardo de Castro 07/12/2011 12:09

    Royal Palm Way / Palm Beach / Worth Avenue

    Responder
  3. 4 Marcelo Marcondes 08/12/2011 13:03

    Bom, venho acompanhando suas colunas com sede, sempre checando o site do iG Turismo para ver se já chegou a nova!

    Conseguistes me fidelizar…way to go!

    Mas tava demorando para sua verve condescendente (a melhor expressão seria, na verdade, no seu inglês ‘patronizing’) aparecer. Sim, eu admito: você conseguia esconder bem…sempre escapulia um comentário menosprezador ao Brasil aqui e ali, mas, nessa coluna em especial, você se superou.

    Seth erros para sua coluna de hoje:

    1) O Rolls Royce em questão é dos anos oitenta, não é lá muita coisa. Você poderia ter colocado uma foto de um RR mais novo, pelo menos, para ostentar (não é isso que você está fazendo, analogamente ao comportamento dos habitantes de Palm Beach)? Quando morava na hipóide Berkeley, sempre via esses carros. Aqui em SP já vi também. Vão abrir uma concessionária da RR em março em SP, tá sabendo? http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/rolls-royce-vai-abrir-primeira-concessionaria-no-brasil-em-2012

    2) Embora seja uma abreviação de uma expressão em latim, *ninguém* usa (nem vai entender) quando colocar ‘e.g.’ num texto. A abreviação de exempli gratia é usada no inglês, eu sei, mas em português…fica estranho.

    3) A Oscar Freire, ao contrário da Worth Avenue, é listada como uma das mais prestigiadas ruas do mundo pela Excellence Shopping: http://www.excellencemysteryshopping.com/Etudes/us/Mostprestigiousavenues.pdf e como uma das mais luxuosas pela célebre consultoria Cushman & Wakefield http://www.czechmarketplace.cz/?download=_/1617/09-09-22-msatw-2009.pdf (o relatório é o de 2009, pq eu não tenho login no site da Cushwake; você tem?). Sorry, Seth, mas a Worth Ave. não aparece nem entre as ‘mais’ da consultoria nas Américas.

    4) O quarto erro deriva do terceiro: Porque querer comparar, usando termos tão pejorativos, uma avenida nos EUA com uma do Brasil? It’s nonsense to me…

    5) Você diz que Ron Perelman vendeu a casa dele por 70 milhões de dólares (ou 70 milhões a mais do que vale a minha). Quanto vale a sua casa? Zero? Eu sei que desde o problema com “Fannie Mae” e “Freddie Mac” (eu sei que na verdade são siglas) o preço das casas caiu muito…mas, a sua casa vale nada???

    6) O seu blog tem a característica de desvendar para os leitores lugares que estão fora dos roteiros convencionais, lugares como Wisconsin e Pirenópolis, e isso é muito bom. Mas…uma coluna, em português, para um site brasileiro sobre um lugar…na Flórida!?!??! É como se quisesse escrever um blog para ajudar obesos a comer de maneira mais saudável e, de repente, escrevesse um post detalhando as delícias do novo sanduíche do McDonald’s.

    7) Bradesco Prime e Itaú Personnalité são bancos comuns, embora para pessoas mais abastadas que a ‘classe média’. Se quer saber quais os bancos dos milionários brasileiros, aí pense em Santander Private, Bradesco Private, Itaú Elite.

    Responder
  4. 3 Marcelo Marcondes 09/12/2011 9:40

    Bom, venho acompanhando suas colunas com sede, sempre checando o site do iG Turismo para ver se já chegou a nova!

    Conseguistes me fidelizar…way to go!

    Mas tava demorando para sua verve condescendente (a melhor expressão seria, na verdade, no seu inglês ‘patronizing’) aparecer. Sim, eu admito: você conseguia esconder bem…sempre escapulia um comentário menosprezador ao Brasil aqui e ali, mas, nessa coluna em especial, você se superou.

    Seth erros para sua coluna de hoje:

    1) O Rolls Royce em questão é dos anos oitenta, não é lá muita coisa. Você poderia ter colocado uma foto de um RR mais novo, pelo menos, para ostentar (não é isso que você está fazendo, analogamente ao comportamento dos habitantes de Palm Beach)? Quando morava na hipóide Berkeley, sempre via esses carros. Aqui em SP já vi também. Vão abrir uma concessionária da RR em março em SP, tá sabendo? http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/rolls-royce-vai-abrir-primeira-concessionaria-no-brasil-em-2012

    2) Embora seja uma abreviação de uma expressão em latim, *ninguém* usa (nem vai entender) quando colocar ‘e.g.’ num texto. A abreviação de exempli gratia é usada no inglês, eu sei, mas em português…fica estranho.

    3) A Oscar Freire, ao contrário da Worth Avenue, é listada como uma das mais prestigiadas ruas do mundo pela Excellence Shopping: http://www.excellencemysteryshopping.com/Etudes/us/Mostprestigiousavenues.pdf e como uma das mais luxuosas pela célebre consultoria Cushman & Wakefield http://www.czechmarketplace.cz/?download=_/1617/09-09-22-msatw-2009.pdf (o relatório é o de 2009, pq eu não tenho login no site da Cushwake; você tem?). Sorry, Seth, mas a Worth Ave. não aparece nem entre as ‘mais’ da consultoria nas Américas.

    4) O quarto erro deriva do terceiro: Porque querer comparar, usando termos tão pejorativos, uma avenida nos EUA com uma do Brasil? It’s nonsense to me…

    5) Você diz que Ron Perelman vendeu a casa dele por 70 milhões de dólares (ou 70 milhões a mais do que vale a minha). Quanto vale a sua casa? Zero? Eu sei que desde o problema com “Fannie Mae” e “Freddie Mac” (eu sei que na verdade são siglas) o preço das casas caiu muito…mas, a sua casa vale nada???

    6) O seu blog tem a característica de desvendar para os leitores lugares que estão fora dos roteiros convencionais, lugares como Wisconsin e Pirenópolis, e isso é muito bom. Mas…uma coluna, em português, para um site brasileiro sobre um lugar…na Flórida!?!??! É como se quisesse escrever um blog para ajudar obesos a comer de maneira mais saudável e, de repente, escrevesse um post detalhando as delícias do novo sanduíche do McDonald’s.

    7) Bradesco Prime e Itaú Personnalité são bancos comuns, embora para pessoas mais abastadas que a ‘classe média’. Se quer saber quais os bancos dos milionários brasileiros, aí pense em Santander Private, Bradesco Private, Itaú Elite.

    Um abraço,
    Marcelo

    Responder
  5. 2 Mona 09/12/2011 20:35

    oi Seth,
    quando você vai voltar a falar sobre outros locais FORA dos EUA?
    Gosto muito de sua coluna, mas preferia quando vc falava e outros lugares do mundo, principalmente aqueles onde sobre os quais quase ninguem fala.

    Ate gostaria que voce escrevesse sobre lugares manjados (tipo Buenos Aires e Roma), mas essa série sobre EUA esta bem pouco interessante.

    Responder
  6. 1 marcos 17/05/2012 16:59

    Meu Deus, parecem duas “bibas” querendo mostrar qual tem o peito de silicone maior!!! (Seth Kugel/Marcelo Marcondes)

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