2011 dezembro | Viagens com Seth Kugel - iG

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Arquivo de dezembro, 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 Europa | 05:57

Noites quentes e dias agitados no inverno da Islândia

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Para quem foge dos destinos tradicionais, a Islândia reserva paisagens que impressionam

Para quem foge dos destinos tradicionais, a Islândia reserva paisagens que impressionam

O nome “Islândia” quer dizer “Terra do Gelo” e “Groenlândia” é “Terra Verde.” Mas a Islândia é quase mais verde do que a Irlanda e a Groenlândia é quase mais gelada do que seu congelador. Então a brincadeira comum é que os dois lugares trocaram de nome.

Só que eu não vi este verde todo. Durante os cinco dias que passei na Islândia nevou em todas as partes, com temperaturas abaixo 0ºC, e praticamente o único verde que vi foi nas estufas onde os islandeses cultivam verduras que não existem naturalmente na ilha.

- Leia também: Seth erros no inverno islandês

Visitar a Islândia no inverno não é típico. Mas não é a neve nem o frio – que chegaram cedo este ano – que os turistas evitam. É a falta de luz do sol. A capital, Reykjavik, fica na latitude 64 norte, o que significa que na semana que vem, no dia do solstício de inverno, será o dia mais curto do ano: o sol sobe depois das 9h e desce antes das 15h. (Quando estive lá na semana passada, era só um pouco melhor.)

No inverno, as noites são longas, com o sol se pondo um pouco depois das 15h

No inverno, as noites são longas, com o sol se pondo um pouco depois das 15h

Mas visitar a Islândia no inverno tem suas vantagens. Relaxar ao ar livre nas águas termais, naturalmente quentes e lotadas de minerais, é especialmente gostoso quando a temperatura está baixa, como sabe qualquer pessoa que já entrou numa jacuzzi depois de um dia de esqui. No verão, as cachoeiras são lindas, mas o Brasil também tem belas quedas d’água. Só que ver uma cachoeira parcialmente congelada é espetacular e meio assustador, como se atrás da cortina de água houvesse a cova de um ogro da neve. (Ah, deixa eu imaginar…). Além disso, a vida noturna lendária da capital fica um tanto esquisita no verão, quando o sol nasce às 2h da manhã. Nem sei se deveria se chamar “noturna.”

No verão ou no inverno, porém, a Islândia é um lugar diferente. Esta grande ilha de apenas 300.000 habitantes, equivalente à população de Blumenau (SC), ganhou a independência da Dinamarca em 1944. Mas a identidade islandesa vai além do voto na ONU. O fato de ser isolada no Mar Atlântico significa que a cultura dos islandeses se desenvolveu de uma forma diferente, com costumes e idioma muito distintos. O sistema bancário da Islândia falhou memoravelmente em 2008, mas apesar de o povo ser mais pobre agora, esse é um país sofisticado e moderno. Mas, por outro lado, estar situado num lugar tão selvagem – a grande maioria do espaço é inabitável, com vulcões ativos, gêiseres, montanhas ameaçadoras e glaciares – também deixa um sentimento de inferioridade humana ante as forças da natureza.

Qualquer visita curta à ilha deve combinar um tempo em Reykjavik, onde mora a metade dos islandeses, e viagens para as atrações fora da capital.

A capital Reykjavik

Hallgrímskirkja, a catedral luterana de Reykjavik

Hallgrímskirkja, a catedral luterana de Reykjavik

A cidade – pequena, limpa e organizada, com mais casas do que prédios até mesmo no centro – é agradável, embora imagino que no verão, quando chegam os exércitos de turistas estrangeiros, ela possa ficar meio chata. Não é a arquitetura que impressiona em Reykjavik– a catedral, uma obra moderna concluída em 1986 que parece o Space Shuttle, é o cartão postal meio-brega da cidade. Mas os museus merecem destaque  - entre eles, a joia é o Museu Nacional, que apresenta a história, a política, a cultura e a religião da ilha de forma tão clara (em inglês) que, se essa for sua primeira atividadem por lá, nem precisa ler nada sobre a ilha antes de viajar. Outro museu que visitei foi o Reykjavik 871±2, que fica no lugar onde foram descobertos – recentemente – as ruínas de uma casa do século 10 (e algumas partes de um muro do ano 871, mais ou menos dois anos).

Também é uma cidade boa para fazer compras – não pelos preços, que são altos, mas pela quantidade de produtos locais (de doces de alcaçuz à alta moda criada por estilistas de lá) que vendem na rua Laugavegu e vias adjacentes. A cultura de cafés também é legal – o Babalu é muito aconchegante, por exemplo – e muito importante no inverno, quando é preciso se esquentar.

O esquenta no ateliê da Eygló

O esquenta no ateliê da Eygló

A vida noturna é famosa em Reykjavik, algo meio curioso dado que a cidade tem 120.000 habitantes, ou seja, é menor do que mais de cem cidades brasileiras. No verão, sair à noite traz a sensação exótica de entrar um bar ou uma boate às 22h ou 23h – antes do pôr-do-sol – e voltar às 4h ou 5h depois dele nascer. Para não ter que experimentar os bares sozinho (que sempre é chato) perguntei no Facebook se alguém tinha amigos de amigos na Islândia. (Note que fiz isto uma semana antes de viajar, e nem reservei hotel até a véspera. Isso se chama prioridades.) Deu certo: um amigo me passou o contato da Eyglo, uma designer de moda que por coincidência estava celebrando seu aniversário na noite do sábado em que eu cheguei.

A pequena festa no ateliê dela era só um esquenta. Todo mundo foi depois para um pequeno bar de dois andares chamado Boston, que parecia um bar qualquer com “pints” de cerveja por 750 krona (11 reais), mas com uma clientela que, do momento que entramos até o momento que saímos, transformou metade do bar em uma pista de dança absolutamente louca.

Outra vantagem de visitar a ilha no inverno: procurar hotel em Reykjavik no inverno é como procurar espaço no Posto 9 da praia de Ipanema em uma tarde de chuva. Não precisa fazer reserva. Um dia antes de chegar à capital islandesa, mandei um e-mail para a dona da Baldursbra, uma pousada em uma área residencial. Paguei 6500 krone, o equivalente de 99 reais e um desconto de um terço da diária de julho e agosto. A cama nem era das mais confortáveis do mundo mas os anfitriões – um casal francês de Bretanha, que mora lá há mais de uma década – foram muito simpáticos, ligando para uma agência para me reservar um carro, me dando uma garrafa térmica de café quente para levar em uma excursão, e até irrompendo no meu quarto às 6h quando perceberam que eu não tinha acordado com o despertador e iria perder meu voo.

Atrativos naturais da Islândia

Na viagem à Islândia, vale a pena alugar um carro os arredores da capital

Na viagem à Islândia, vale a pena alugar um carro os arredores da capital

Mas ninguém fica em Reykjavik o tempo todo. A atração mais famosa fora da cidade é a Blue Lagoon (a Lagoa Azul), um banho térmico de cores extraordinárias. Segundo algumas pessoas me disseram, é imperdível.  Só que essas pessoas não mencionaram que entrar na lagoa custa 97 reais, um preço que achei tão absurdo que fiz um boicote particular. A Eygló e alguns amigos me contaram depois que se lembram dos dias em que era de graça e que muitos islandeses já boicotam o lugar. No fim, estava fazendo parte de um movimento e nem sabia. Fui então tomar banho nas piscinas públicas da cidade, que custam ao redor de sete reais e usam água direta das fontes termais e são muito populares entre os islandeses.

A Blue Lagoon, possivelmente, é tão deslumbrante que vale o dinheiro. Mas para mim a atração máxima foi a cachoeira Gullfoss, e era de graça. Tomei o carro que tinha alugado muito barato – as locadoras baixam os preços até 65% no inverno – para lá, parando também no lugar dos gêiseres Geysir e Strokkur. O Strokkur estoura a cada dez minutos, manda um jato de água quente até 30 metros no ar. O mesmo Geysir quase não estoura mais. Mas isso foi só a entrada para o prato principal: a cachoeira vasta, de vários níveis, no meio do nada, parcialmente coberta de gelo, mas ainda tão poderosa que dava medo, como se fosse a entrada do Inferno (num mundo alternativo, claro, no qual o Inferno é um lugar congelado).

Muitas pessoas vão para Geysir e Gullfoss como parte do “Golden Circle Tour”, um de muitos tours diários que saem da capital e voltam à noite. Mas aluguei um carro e fui no caminho de Vik, um povoado de 300 pessoas na costa sul do pais, conhecido pelas suas praias de areia preta, entre outras maravilhas naturais. (Alugar carro no inverno é tão barato que se for em um grupo de duas pessoas ou mais, não tem porque ir de tour. O preço que paguei, um pouco menos de 100 reais por dia na Budget, seguro incluso, é um terço do preço que se paga no verão.)

O gêiser Strokkur e o sol do meio-dia (de verdade)

O gêiser Strokkur e o sol do meio-dia (de verdade)

O plano era ficar chegar à noite na pousada Vellir, localizada no meio do nada, 20 quilômetros antes de Vik,  e esperar para ver as luzes da aurora boreal durante à noite (não dá para ver em Reykjavik por causa das luzes da cidade). Então, acordaria a tempo de chegar na cidadezinha com a primeira luz do dia. Mas no inverno na Islândia o turista tem um inimigo poderoso: o tempo. A noite estava nublada, assim que as luzes não apareceram. E de manhã, a dona da pousada, uma mulher, er, fofinha de cabelo ruivo, teve uma notícia ruim. “Você não pode ir para Vik”, me disse. “Está uma nevada horrível. Até cancelaram as aulas, e nunca cancelam as aulas.” “Mas como podia ser?”, perguntei. Estávamos a só 20 quilômetros de Vik e nem estava nevando. “É a Islândia”, respondeu.

A cachoeira Seljalandsfoss

A cachoeira Seljalandsfoss

Felizmente, ela me deu várias dicas para aproveitar o dia. Me mandou para a cachoeira Seljalandsfoss, outra maravilha meio-congelada (mas esta vez, sem ogro). E, seguindo a dica de um amigo de Eyglo, subi os morros atrás da cidade de Hveragerði. As montanhas cobertas de neve, a terra congelada, o sol na sua posição constante um pouco acima da linha do horizonte, eu me congelando, parei o carro ao final da rua e entrei nas trilhas de trekking para explorar a região. Não havia mais ninguém na área. Em vários lugares, o vapor saia de orifícios na terra, e uns córregos fluíam. Tirei minha luva e botei minha mão fria em uma deles: meio quente. Incrível. Imaginei como seria visitar esta área sob o sol de verão, e achei que perderia a graça.

Logo vi uma área que parecia uma banheira – com uma parede de pedra sustentando-a, cheia de água que chegava por outro córrego.  Toquei a água. Estava quente. Exatamente na temperatura para eu tomar um banho. Só que tirar a roupa com a temperatura de 3 graus abaixo de zero, ficar molhado e depois sair e vestir de novo a roupa parecia loucura. E o lugar no verão ganhou graça de novo. Teria que voltar.

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Destinos Internacionais, Seth Erros | 05:55

Seth Erros no inverno islandês

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1)   Beber tanto na balada e acordar tarde no dia seguinte: no inverno, não se pode perder nem um minuto de luz.

2)   Perder o Museu Nacional. Esta deve ser a primeira parada no país (até um substituto do Duty Free Shop).

3)   Sentir a obrigação de gastar 100 reais na Blue Lagoon.

4)   Comer carne de baleia sem pesquisar um pouco na internet sobre a polêmica sobre a caça destes animais. São controversos, mas argumentos existem dos dois lados.

5)   Ficar só em Reykjavik. Mas cuidado se nunca dirigiu sob neve antes.

6)   Procurar vida noturna em Reykjavik todas as noites do inverno. Apesar de ser famosa pelas baladas, é um fenômeno de final de semana.

7)   Não provar os doces de alcaçuz, nem a cerveja Viking, nem o Rúgbrauð (pão de centeio, muito denso), nem o skyr (iogurte islandês), nem o tubarão podre.  Ah ok, pode evitar o tubarão podre. E, se alguém perguntar, é só dizer “provei, é nojento.”

Leia também:
Noites quentes e dias agitados no inverno da Islândia

Notas relacionadas:

  1. Seth erros para não fazer se você quiser conhecer a cultura local (na Turquia e no mundo)
  2. Seth erros para evitar no CouchSurfing… e em Istambul
  3. Seth erros dos turistas norte-americanos
Autor: Seth Kugel Tags: , ,

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011 Estados Unidos | 06:54

Observar os exóticos da classe AAA em Palm Beach

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Se você entrar pela ponte de Royal Palm Way, é só olhar para cima para saber por que esta ilha da elite no litoral leste da Flórida se chama Palm Beach. E, depois, é só olhar para os lados para ver que as pessoas que moram lá – ou que vão para passar o inverno – têm tanto dinheiro quanto dizem.

Em cima, dominando a rua, estão as palmeiras reais, tão altas que, se caísse um coco, não existiria teto de Rolls-Royce que aguentasse. Pelos lados, prédios de empresas com nomes como Cypress Capital Group e Bessemer Trust. Não reconhece? Bom, então parece que você não é multimilionário, porque são “gerentes de riqueza” que ajudam os mais ricos a ficarem mais ricos ainda. Mas você deve conhecer o Bradesco Prime e o Itaú Personnalité, que atendem os “melhores” clientes dos bancos no Brasil, né? Os bancos de Royal Palm Way são para os que acham os clientes Prime e Personnalité bem povão.

Um Rolls-Royce estacionado na Worth Avenue

Você vira à direita na South Country Road e, daí a pouco, começam as mansões. Nem todas as casas dos residentes da ilha são mansões, claro, assim como nem todos milionários são bilionários. Mas as mansões (pelo menos as que não são ocultadas pelas sebes enormes e tão caras que todos os dias chegam exércitos de imigrantes latinos para cuidar das plantas) parecem de cinema. Dessas que têm portões como se o dono fosse o rei da França e, do lado de fora, um interfone ao nível do motorista para que ele se anuncie sem descer do carro. Quando eu passei uns quatro dias na ilha, em novembro, imaginei que devia haver cachorros ferozes esperando dentro das casas, que seriam soltos no caso de alguém ativar o detector de movimento tentando pular a cerca.

Bom, mas como esta coluna se trata das viagens, e não de roubar dos ricos para dar aos pobres, não tentei pular. Em vez disso, nas mansões que tinham nome oficial em uma placa, procurei no Google para aprender algo sobre a propriedade e seus (ex) residentes. Exemplo: Casa Apava era a residência de Ron Perelman, financeiro que vendeu a propriedade em 2004 por 70 milhões de dólares (ou seja, arredondando, 70 milhões mais do que vale a minha casa).

Uma das mansões de Palm Beach

E Casa del Sud, onde descobri que Jeffry Picower, bilionário e colega de Bernard Madoff, aparentemente se suicidou na piscina, em 2009, pouco depois de Madoff ir para a cadeia por ter fraudado e arruinado muitos investidores.

Nem sei em qual mansão morava Michael Jackson quando ele estava morando na área, nem qual era a casa da família Kennedy, nem a dos Lauder (e.g. Estée), nem dos outros notáveis que moram ou moravam na ilha.

Claro que, em Palm Beach, é impossível fazer minha atividade favorita: procurar um convite para a casa de uma família local. Mas você pode entrar nas lojas onde eles fazem compras. E a maioria se encontra na Worth Avenue, onde há lojas de todas as grifes de luxo que se possa imaginar (Gucci, Chanel, Tiffany & Co.).  Observando os carros estacionados na rua, parece que está acontecendo o Congresso de Donos de B.M.W. e Mercedes. Se você pudesse se “teletransportar” da Worth Avenue diretamente para a Oscar Freire, em São Paulo, seria como entrar na favela.

Então, como é visitar Palm Beach sem muito dinheiro? É como visitar um zoológico para uma espécie exótica de ser humano. O mais indicado seria passar um dia fazendo um tour ou ficar em um dos hotéis de luxo, mas é bem possível — até divertido — ficar na cidade sem gastar muito dinheiro. O único problema é que suas atividades serão um pouco restritas. Você deve comer várias vezes, por exemplo, nos poucos restaurantes menos caros — as duas lanchonetes (ou “diners,” o Hamburger Heaven e a Green’s Pharmacy), por exemplo. Lá até os ricos comem às vezes, por que quem não gosta de batata frita de vez em quando? Claro que sempre existe a opção de atravessar a ponte de novo e voltar a West Palm Beach, a cidade grande ao lado, onde há mil opções.

Clientes no Hamburger Heaven, onde os ricos comem batatas fritas

Jantar por lá vira um pouco problemático porque os restaurantes são chiques e caros. Tentei ir à pizzaria Pizza al Fresco, onde a mais barata era 15 dólares. Só louco paga isso por uma pizza de marguerita (estão me ouvindo, pizzarias paulistanas?). Mas adorei o restaurante Testa’s, que tem cardápio variado e consegue ser antigo (foi estabelecido em 1921) e moderno ao mesmo tempo. O jantar é caro, poucos pratos por menos de 20 dólares, mas oferece o cardápio de almoço durante o jantar, o que me permitiu pedir um sanduíche delicioso de atum grelhado com batatas fritas por 11 dólares.

A verdade é que há várias atividades disponíveis que não são caras. Apesar de muitos trechos de praias serem particulares, há algumas públicas, inclusive uma bem tranquila quase no centro da cidade.

E, apesar de Worth Avenue ter tantos lugares caros, tem também galerias de arte bacanas. Eu entrei em duas. A DTR Modern tinha muitas obras de Hunt Slonem, artista norte-americano aparentemente bem famoso, apesar de eu não ter ouvido falar dele antes. O vendedor foi muito educado comigo, me avisando “qualquer dúvida, é só falar”, mesmo percebendo (tenho certeza) que eu não ia comprar nada, nunca. Entrei também na Gallery Biba, que tinha muitas obras do artista pop Jonathan Stein, como uma escultura de batatas fritas de McDonalds feita de bronze em um recipiente desses vermelhos, mas decorado com cristais Swarovski. Também vi um trabalho do artista brasileiro Vik Muniz e fiquei suficientemente animado para até tirar uma dúvida com uma senhora que trabalhava na galeria. “Desculpe, você terá algo mais de Muniz? É que me fascina a arte contemporânea brasileira.” O que não é totalmente verdade, mas parecia coisa apropriada para falar no momento. Graças a Deus que a senhora não respondeu: “Ah, meu doutorado é sobre arte brasileira, quais são seus artistas favoritos?” (Minha resposta, sem dúvida, seria: “Cadê o toalete”? E depois escaparia pela janela).

O "thrift shop" Goodwill Embassy Boutique, onde roupa de grife se vende em segunda mão

Mas as compras não se fazem somente na Worth Avenue. As “thrift stores” – as lojas que vendem roupas e outros objetos de segunda mão e doam o dinheiro a várias ONGs – são bem legais porque recebem doações dos residentes da ilha, alguns dos quais se desfazem dos sapatos Prada quando os do novo ano são lançados. A melhor é a Goodwill Embassy Boutique, na Sunset Avenue, com preços tão incríveis que até eu comprei duas camisas (10 dólares cada), algo que quase nunca faço durante as viagens. E você pode jogar golfe por 35 dólares à beira-mar (é um campo fácil, mas tudo bem).

Para se hospedar, há até uma pousada em prédio histórico (dizem que em algum momento foi bordel, mas sempre dizem isso) com alguns quartos (em baixa temporada) por menos de 100 dólares por noite, um preço meio absurdo para a localização a dois quarteirões da Worth Avenue e a um da praia. É o  Palm Beach Historic Inn.

Ciclovia de Palm Beach

Mas a melhor parte de qualquer viagem a Palm Beach é andar de bicicleta. O lado Norte da ilha tem caminhos dedicados para bicicletas, mas até as outras ruas são tranquilas, e as distâncias não são grandes (alugue no Palm Beach Bicycle Shop). A única outra opção é alugar um carro. Mas andar em carro japonês pequeninho pode ser difícil para o ego em Palm Beach, visto o que os outros dirigem. É que é muito mais difícil distinguir as bicicletas dos ricos das bicicletas dos pobres, pelo menos a distância. E, de perto, é tarde demais de todo jeito: ninguém vai imaginar que você é residente da ilha, andando com essa bolsa Louis Vuitton que você comprou na loja de roupa de segunda mão. É que é tão primavera de 2010.

Notas relacionadas:

  1. As redes de restaurantes que valem a pena. E as que você deve fugir
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Autor: Seth Kugel Tags: ,