2011 outubro | Viagens com Seth Kugel - iG

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Arquivo de outubro, 2011

quarta-feira, 26 de outubro de 2011 Estados Unidos | 07:58

Harvard: um passeio pela universidade mais famosa do mundo

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Sei. Você ia fazer faculdade em Harvard, e só não fez porque teria ficado com saudades do seu cachorro, ou tem alergia à neve, ou talvez achou o preço (mais de US$ 50.000 por ano) um pouco alto.

Não faz mal. Você ainda pode experimentar a vida em Harvard passando um ou dois dias em Cambridge, a cidade que abriga a universidade mais famosa do mundo. Afinal, apesar de ser muito difícil e custoso estudar em Harvard, é muito fácil e barato visitar a universidade.

proveite a viagem a Boston para conhecer a Universidade de Harvard - Foto: Getty Images

Aproveite a viagem a Boston para conhecer a Universidade de Harvard - Foto: Getty Images

Como muitas outras faculdades norte-americanas (e igual à University of Wisconsin, tema da coluna na semana que vem), o campus da Harvard está surpreendentemente aberto ao público. É, no mesmo país onde precisa tirar os sapatos e passar por máquinas que parecem da NASA para entrar em um avião, você pode andar pela famosa Harvard Yard, entrar em muitos dos prédios, assistir a várias palestras e até comer nos refeitórios ao lado dos alunos sem nem mostrar um documento.

- Leia também: Seth erros em Harvard

Para começar, um tour do campus. Harvard, como muitas outras faculdades norte-americanas, dá tours de graça guiados pelos próprios alunos. Esse tour oficial pode ser um pouco seco e formal, assim que surgiu uma alternativa: a empresa Trademark Tours faz uma versão mais divertida, mais irreverente e mais verdadeira. Óbvio que vai fazer este, né? Bom, na verdade, isso vai depender  de duas coisas: primeiro, todos os tours são em inglês, e se você não fala o idioma fluentemente, não vai entender muitas das piadas e até se perder um pouco. Segundo, apesar de ser “grátis,” ao final o guia pede uma “gorjeta” de $10 para a empresa. (Você não precisa pagar, e uma boa ideia é fingir que você recebeu um telefonema importante e fugir ao final do tour para evitar constrangimentos.)

Lushuang demonstra o "grito primordial", mas sem tirar a roupa

Lushuang demonstra o "grito primordial", mas sem tirar a roupa

Eu testei o segundo tour durante uma visita a Cambridge (onde moram meus pais) na semana passada. Minha guia era a Lushuang, uma aluna de 18 anos nascida na China mas criada em San Francisco. Era muito simpática, bem sorridente, e 100% nerd. Ou seja, um aluno típico. Contou episódios importantes e curiosos da universidade e mostrou as janelas dos quartos de ex-alunos famosos. Entre eles: John F. Kennedy e Natalie Portman. A Lushuang também compartilhou um desejo – que daqui a 100 anos, algum guia fale “E aí, nesse dormitório, dormiu a Lushuang.”

“Só que ainda não sei o que vou fazer de extraordinário,” disse.

Ela também demonstrou o “grito primordial” que todos os calouros fazem à noite antes dos seus primeiros exames finais. Só que a versão dela não foi exatamente igual: os calouros fazem à noite e no meio do inverno – completamente pelados.

Grupo de alunos coreanos visita Harvard

Grupo de alunos coreanos visita Harvard

O campus está lotado de prédios lindos da época em que a arquitetura georgiana estava na moda. O coração dele é a Harvard Yard, conhecida por duas coisas: por ser onde moram os calouros, e por fazer parte da frase mais usada para imitar o sotaque dos bostonianos, que omitem muitos “r”: “Pahk the Cah in Hahvahd Yahd.” A frase é um pouco absurda, porque Harvard Yard é gramado e não é permitido estacionar nenhum carro, mas tudo bem.

O tour não entra em prédio nenhum, mas você pode explorar depois: quase todos os prédios (menos os dormitórios) ficam abertos durante o dia. Você pode andar por bibliotecas, sedes de departamentos, prédios de salas de aula. (Você pode até espiar as aulas do corredor, ou se a aula é de muitos alunos, entrar.) Se em algum momento alguém pedir uma identificação, é só se desculpar e dizer que você está visitando o campus e não sabia que não dava para entrar. (“Oh, I’m sorry, we’re visiting from Brazil, we didn’t know this wasn’t open to the public.”) Quem sabe, o cara pode gostar de futebol, ou já ter passado férias na Bahia, e deixar você entrar.

O Spangler Center Food Court da Harvard Business School é um lugar elegante, e melhor, aberto ao público

O Spangler Center Food Court da Harvard Business School é um lugar elegante e aberto ao público

Onde comer? Com os alunos, óbvio. Não é fácil comer com os alunos de graduação, porque as refeições são incluídas nos $50.000 assim que seus refeitórios não têm caixa para você pagar. A melhor alternativa é almoçar no famoso (e luxuoso) Spangler Center Food Court da Harvard Business School, que você pode localizar neste mapa. O salad bar (44 centavos de dólar por porção) é muito bom e os sanduíches, excelentes, mas durante minha visita, pedi o “macaroni and cheese” (macarrão com queijo) com lagosta e verduras. Foi o prato mais caro do lugar – $11.50 – mas com pedaços enormes de lagosta em cima? Muito barato mesmo.

Uma visita a Harvard é muito mais do que fazer o tour, explorar o campus e comer no restaurante. Você pode assistir a alguns dos infinitos eventos – concertos, filmes, palestras, eventos esportivos – abertos ao público. Muitos aparecem neste site; outros você fica sabendo só andando pelo campus e vendo os posters. Muitos são de graça, outros (como os filmes bem-escolhidos do Harvard Film Archive) são pagos.

Na palestra sobre emulsões, chefs catalães preparam um molho romesco, e o público observa por um microscópio

Na palestra sobre emulsões, chefs catalães preparam um molho romesco, e o público observa por um microscópio

Durante minha visita, fui a dois eventos. O primeiro foi uma palestra sobre como medir a mortalidade infantil em países em desenvolvimento. Apesar do professor ser muito técnico, eu gostei – e não só pelo vinho e queijo e frutas de graça – mas porque eu sou meio-nerd também.  Mas o segundo qualquer pessoa adoraria. Faz parte de uma série chamada “Science and Cooking” (“Ciência e Cozinha”). Organizada pela Faculdade de Engenharia, a série combina uma mini-aula de ciências dada por um professor da Harvard, com uma demonstração de cozinha feita por um chef famoso.

Na parte a que eu assisti, falaram de emulsões e espumas. O professor explicou a ciência por trás da formação dessas substâncias, e depois dois chefs catalães demonstraram, na prática, como é fazer isso na cozinha. A parte mais incrível é quando o professor bota as emulsões que os chefs fazem sob um microscópio e projeta no telão para comparar com os diagramas que ele tinha mostrado na aula.

Lojas de Harvard Square

Lojas de Harvard Square

Mentira. A parte mais incrível foi quando o público conseguiu experimentar o resultado, que neste caso foi um molho romesco feito pelo chef catalão Carles Gaig.

Apesar de todas as atividades da universidade, Harvard não é só Harvard. Também é Harvard Square, a área comercial que praticamente faz parte no campus. E não é só pizzarias e bares para os alunos: a presença dos professores e administradores (muitos dos quais moram perto também) eleva a qualidade até um nível apropriado para os sofisticados leitores deste blog. Cafés e restaurantes, lojas de presentes, livrarias e cinemas comprovam que você está em um dos grandes centros intelectuais do país. (Não há nenhum Walmart nem McDonalds, e não é por coincidência.)

Entre minhas sugestões: o Crema Café, que tem bons espressos, sopas e sanduíches, e pode provar o “hot apple cider,” cidra de maça quente, tradicional na região durante o outono. O Pinocchio’s Pizza é bom se quer comer no lugar favorito do Matt Damon quando ele estudou em Harvard, mas o Oggi Gourmet é melhor em qualidade da pizza (e às segundas-feiras entre as 18h e as 20h uma pizza marguerita é só $6.)  Para presentes bem legais, a Black Ink tem posters de Tintin, borrachas em forma de Lego, muitos sabonetes e mil coisas mais. (Alguns exemplos dos produtos se encontram no blog deles.)

Uma vista do Rio Charles, que divide Boston e Cambridge

Uma vista do Rio Charles, que divide Boston e Cambridge

Se quiser provar a cozinha típica de Boston e Nova Inglaterra em um restaurante que usa ingredientes dos fazendeiros e pescadores locais – é só entrar no Charles Hotel. É lá que você encontra o Henrietta’s Table, que tem sopas como corn chowder (uma sopa espessa de milho), peixes como o monkfish (tamboril) incrustado em farinha de milho, ou um Yankee pot roast (carne estufada) com batatas que vem da receita da avó do chef, Peter Davis.  A melhor parte: não é caro. Eu convidei meus pais para almoçar lá e gastei menos de $60 em total. (Não fale para eles.)

Sua última parada da Harvard Square: o metrô. Não porque você precisa ir embora, mas porque como a parada se chama “Harvard,” é o lugar perfeito de tirar fotos embaixo do letreiro, tentando parecer tão inteligente quanto possível. (Sugestão: Posar como este cara.) Tirou? Parabéns, a foto é seu diploma: já se formou como Turista da Harvard.

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Sem categoria | 07:49

Seth erros em Harvard

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- Leia também: Um passeio pela universidade de Harvard

1) Visitar Harvard durante as férias escolares. A Harvard sem alunos perde metade da graça. Este ano o primeiro semestre vai de final de agosto até um pouco antes de Natal, e o segundo semestre começa ao final de janeiro e dura até meados de maio. Ver também o calendário oficial.

2) Deixar Cambridge fora da sua agenda porque quer ficar em Boston. De Cambridge para Boston de metrô é coisa de 15 minutos e $2.

3) Ler no site da Harvard que oferecem “self-tours” (com mapas e informação) em 9 idiomas e pedir a versão em português. Não é um dos nove. Parece que o pessoal da Harvard não é tão inteligente quanto pensávamos.

4)     Perder a oportunidade de observar a diversidade racial e mundial dos alunos na Harvard. (A Harvard não tem cotas, mas existe a ação afirmativa.)

5)     Se surpreender pela quantidade de sem-tetos na Harvard Square. Não é pela crise econômica: fui criado na área, e sempre foi assim.

6)     Esquecer a outra faculdade importante de Cambridge: o M.I.T., melhor escola de tecnologia do país. Há muitos eventos no seu calendário também, além do prédio maravilhoso de Frank Gehry, o Stata Center.

7)     Ir na sorveteria JP Licks em Harvard Square e confundir o Noodle Kugel (sabor de sorvete) com o Seth Kugel (autor deste blog). Pode ser que nós dois somos muito doces, mas nem somos parentes.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011 Estados Unidos | 07:00

Toda cidade tem seu “esquilo”

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esquilo

Esquilos fazem a alegria dos turistas em Nova York

Esta foto tirada em um parque nova-iorquino provoca qual reação em você?

a) Um esquilo! Que liiiiiiiiiiindo!
b) Nossa!!! Fofura!!! É Tico! Ou Teco! Ou Alvin!
c) E daí? O fotógrafo disparou sem querer?

Quando eu levo um amigo estrangeiro para um passeio por Nova York, tento fazer todo o possível para desenhar um tour feito sob medida, com tudo o que eu acho que ele vai adorar.

Mas sempre esqueço uma das maiores atrações da cidade para muitos turistas estrangeiros: os esquilos.

É que na pergunta que inicia a coluna de hoje, a maioria dos turistas brasileiros que eu conheço responde “a” ou “b”. E a resposta de 100% dos nova-iorquinos é “c”. Por isso, às vezes, me pega de surpresa quando estou explicando algum fato histórico ou detalhe cultural para um amigo e ele enxerga um desses bichos correndo pela grama e me interrompe.

“Uuuuuuuuuaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuu”, grita deslumbrado, tirando a máquina da bolsa e se aproximando, empolgado para botar uma foto do bicho no Facebook para todo mundo curtir. O esquilo, acostumado a ser desconsiderado totalmente pelos nova-iorquinos, se assusta e sobe correndo na árvore mais próxima. O que excita ainda mais o turista.

LEIA TAMBÉM:
Seth erros comuns sobre esquilos

“Subiu na árvore, que bonitinho!!!!”

E se o esquilo começa a comer uma bolota ou uma castanha, esquece.

“Aaaaaaaaaaaaaa!!!”

O termo técnico para esta reação é “orgasmo turístico”.

Para mim é muito interessante ver as diferenças do que o residente local acha que o turista vai gostar, e o que ele gosta de verdade. Eu também gostei dos esquilos em algum momento da minha vida – quando tinha dois anos e andava no parque com minha mãe, gritando “Mamãe, esquilo!”.

O exemplo é de Nova York, mas a lição é global: os aspectos que os turistas mais gostam de um lugar podem ser, para os que moram no lugar, a coisa mais mundana do mundo. Em Paris, adoro ver todo mundo andando na rua com baguete quente para levar para casa (e se a pessoa está de bicicleta, pego a máquina para tirar foto). Apesar de ser, para o parisiense, o ato mais cotidiano imaginável.

Quando estava em Segóvia, Espanha, comentei com um residente que o bairro onde ele morava tinha a vista mais maravilhosa do castelo da cidade. Ele me falou que ele às vezes nem lembrava que o castelo existia. E esse é um castelo maravilhoso, não um esquilo nem uma baguete comum.

Esquilos são figurinhas pouco notadas pelos nova-iorquinos

Esquilos passam despercebidos pelos nova-iorquinos

Daí vêm duas conclusões complementares. Primeiro, que nem sempre um residente local é o melhor guia: às vezes ajuda ter dicas de alguém de fora que compartilha seu ponto de vista. Segundo, os residentes de um lugar podem aprender sobre sua própria cidade (e sua própria cultura) com os turistas. Eu, por exemplo, evitei por muitos anos subir no Empire State Building. Que coisa chata e turística, pensei. Mas ao final, fui com uns amigos que visitavam a cidade, e, surpresa! Gostei. Também aprendo muito sobre a cultura da cidade com os amigos que chegam de outros países e fica surpreso com algum aspeto da cultura nova-iorquina.

Até comecei a apreciar os esquilos. Pelo menos mais que minha mãe. É que estou escrevendo a coluna de hoje na casa dos meus pais, em Boston, onde também há esquilos em toda parte. Quando minha mãe perguntou o que estava escrevendo, expliquei que era sobre a fascinação que muitos turistas sentem pelos esquilos.

“O quê?????” ela gritou, quase tão surpresa quanto um turista brasileiro que enxerga seu primeiro esquilo. “Para mim são o inimigo. Lembram ratões.”

Entendo a surpresa dela. Demorei muito para entender. Quinze anos atrás passei um tempo em El Salvador, um país “esquilo-deficiente”. Lá comecei a namorar uma menina salvadorenha que depois veio me visitar em NY. Apaixonou-se loucamente pelos bichos, tirando mais fotos deles do que de mim.

E oito anos atrás, entrevistei o Juanes, um roqueiro colombiano, em Washington (outra cidade de esquilos infinitos). Fiz a entrevista no carro dele e depois me convidou para ver um ensaio da banda. Andando do estacionamento ao teatro, ele viu um esquilo na grama. Parou, olhando fascinado. “Que lindo!” disse.

Um dos maiores músicos da América Latina, no alto da sua fama, fascinado por um bicho tão comum que no meu país se considera um ratão com rabo? Começou a cair a ficha.

Até tenho uma dica para os fãs do esquilo: em Nova York, vá no Battery Park, em Manhattan (onde se pega o barco para a Estátua da Liberdade). Os esquilos locais são tão acostumados aos humanos que até comem nas mãos dos turistas.

Sobre esquilos e sucos de laranja

Não confunda, Alvin e seus companheiros são chipmunks e não esquilos

Não confunda! Alvin e seus companheiros são tâmias e não esquilos

Será que toda cidade tem seu próprio “esquilo,” algo comum e corrente, que os turistas adoram? Paris tem a baguete. Segóvia, o castelo. E minha outra cidade, São Paulo? Que coisa totalmente normal para o paulistano poderia ser interessante para um gringo?

Não posso falar pelos demais gringos, mais para mim é o suco de laranja. Nos EUA os sucos de laranja naturais e feitos na hora são quase inexistentes. E, nos poucos lugares que fazem, são muito caros. Mas em qualquer lanchonete de São Paulo você pode pedir um suco e o cara pega quatro ou cinco laranjas para espremer. Incrível!!!! (Concorda comigo? Não, né?)

Adoraria saber a) se vocês concordam comigo e b) quais são os “esquilos” de outras cidades do Brasil e do mundo. A seção de comentários está aberta para suas ideias.

Mas, primeiro, preciso aclarar uma coisa. Acho que parte do encanto que o brasileiro sente pelos esquilos é o amor que ele tem pelos desenhos “Tico e Teco” e pela animação “Alvin e os Esquilos”.

Tico, Teco, Alvin e os amigos…não são esquilos. São tâmias, ou seja, “chipmunks” em inglês. A prova está no nome original “Alvin and the Chipmunks” e no nome em inglês do Tico: Chip.

Tecnicamente, o “chipmunk” é um tipo de esquilo. Mas o esquilo comum de Nova York é o esquilo arborícola, e é tão diferente do chipmunk quanto um lobo é de um poodle. Ou seja, esses esquilos do Central Park não são os mesmos que cantam esta versão maravilhosa de “Baby” do Justin Bieber. Até duvido que os esquilos do Central Park cantem sob qualquer condição.

Duas boas notícias. Os fãs de Tico, Teco e Alvin ainda podem ver os “chipmunks” em Nova York, só que é mais difícil. É que eles são mais tímidos que os esquilos e mais difíceis de encontrar. Mas pelo menos há uma boa notícia: se você estiver andando com um amigo norte-americano e vocês encontrarem um “chipmunk”, pode gritar e tirar fotos à vontade: nós também achamos fofinhos.

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Notas relacionadas:

  1. São Paulo ou Nova York: Qual a melhor pizza do mundo?
  2. Seth Erros em Nova York
  3. Nova York longe do óbvio
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Seth Erros | 06:58

Seth erros comuns sobre esquilos

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1) Botar todas as 100 fotos de esquilos que você tirou em Nova York na sua página do Facebook.  (Eles são bonitos, mas não tanto assim)

2) Pensar que Tico, Teco e Alvin são esquilos da mesma espécie, que pode ser encontrada por toda Nova York. (Eles são tâmias, espécie muito menos comum)

3) Achar que os esquilos se encontram só em alguns países do mundo. (Há esquilos no mundo inteiro com exceção da Austrália e do Deserto do Saara.)

4) Acreditar que os esquilos comem só castanhas e bolotas. (Existem muitas variedades e alguns – os esquilos voadores – comem até pássaros)

5) Pensar que todos os esquilos sabem subir em árvores.  (Há muitas espécies terrestres.)

6) Considerar todos os esquilos mamíferos. (Há alguns que são helicópteros, como o Esquilo AS, que caiu em uma favela do Rio em 2009)

7) Achar que, dos que são mamíferos, todos são roedores. (Um dos dramaturgos gregos mais famosos da história foi Ésquilo, com acento no “e”. Mas como a maioria dos esquilos é analfabeta, ainda o considera parte do grupo)

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quarta-feira, 12 de outubro de 2011 Estados Unidos | 07:55

Uma volta ao passado no Bronx

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Vista típica do Bronx

“Mamãe, é um telescópio?”

Baixei minha máquina 7d da Canon (com uma lente zoom não muito telescópica) para ver quem falava. Era uma menina de 5 anos, no máximo, usando uniforme escolar e mochila cor-de-rosa. Ela andava com a mãe, uma mulher negra, alta e magra, vestida com um véu colorido típico das muçulmanas africanas. A mãe não disse nada, então respondi para ela. “É uma máquina fotográfica.” Ela deu um sorriso cheio de dentes, a mãe tomou a mão dela e seguiram caminho.

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Seth erros no Bronx

Estávamos quase na Park Avenue, mas duvido muito que uma menina de 5 anos andando pela Park Avenue de Manhattan – uma das avenidas mais sofisticadas da cidade – não saberia o que era uma máquina fotográfica. Mas estávamos na Park Avenue do Bronx, onde turistas não aparecem nunca e o salário típico dos vizinhos não permite muitas compras de máquinas semiprofissionais como a minha. Ademais, quem quer tirar fotos do Bronx?

Menina "telescópio" com a mãe, uma muçulmana de origem africana

Eu, óbvio. O Bronx ainda sofre de má fama, mas a maioria do “boro”, um dos cinco que formam New York City, não a merece mais. É verdade que nos anos 70 e 80, e até 90, a parte sul (o “South Bronx”) era um desastre, um lugar de narcotráfico, assaltos e assassinatos. A cidade inteira é muito mais segura do que era naquela época, e o Bronx não é exceção.

Mas, segurança à parte, o Bronx parece estar perdido no tempo, e por isso é ótimo para visitar e fotografar. Em Manhattan há muita novidade, o que às vezes é bom (mesas e cadeiras para sentar em Times Square! Faixas de bicicletas!) e às vezes ruim (McDonald’s, Starbucks e H&M substituindo empresas locais). Grande parte da região do Brooklyn mudou muito também – com a saída forçada de Manhattan de muitos profissionais (culpa dos alugueis altos) e a chegada dos “hipsters”, jovens boêmios muitas vezes apoiados financeiramente pelos país. Mas o Bronx, onde trabalhei como professor e funcionário público nos anos 1990, parece quase igual ao que era naquela época.

Nenhum turista deve dedicar todo seu tempo em Nova York ao Bronx, mas passar um dia ou dois para explorar as ruas muito urbanas revelará para o visitante um lado de Nova York que nunca aparecerá em Manhattan. Prédios e mais prédios velhos de apartamentos sem fim, metrô em trilhos elevados que fazem tremer o bairro quando passam, lojas de imigrantes, igrejas evangélicas e mesquitas africanas. Também há muitos exemplos de arquitetura interessante, sobretudo os excelentes nos prédios Art Déco. E vida nas ruas, sobretudo fora das “bodegas” (mercearias, em espanhol nova-iorquino), que ainda servem de centros comunitários informais.

Embaixo dos trilhos elevados da linha 4, fora do restaurante vietnamita

Na quinta-feira passada decidi fazer uma caminhada pelas regiões centro e sul do Bronx, revisitando áreas que conheço há quase duas décadas, mas desta vez do ponto de vista de um turista. Desci do metrô da linha D de manhã, na parada Kingsbridge Road, passei o dia andando em zigue-zague até chegar a Bruckner Boulevard ao final da tarde, uns sete quilômetros ao sul. (Fiz um mapa no Google para vocês visualizarem a rota).


Ver O Bronx num mapa maior

Decidi evitar os lugares mais turísticos da vizinhança, como o Bronx Zoo – o jardim zoológico principal da cidade –, mas agreguei uma lista das atrações principais no Seth Erros desta semana. O meu dia era para andar e explorar. Comecei na Kingsbridge Road porque queria almoçar em World Of Seafood, um restaurante vietnamita na Jerome Avenue, que segundo vários colaboradores do indispensável site Chowhound, era igual ou melhor do que qualquer outro restaurante vietnamita da cidade.

Mas quando saí do metrô, não era hora de almoçar ainda e decidi entrar na St. Lazarus Botánica, na 52 East Kingsbridge Road. Uma “botánica” é um tipo de loja comum nas comunidades caribenhas de Nova York. Vendem ervas, remédios e ícones para os crentes da santería, a religião sincrética afro-caribenha, com muito em comum com o vudu e o candomblé. Lá dentro, mulheres faziam fila para uma consulta ou uma compra. Vendo que eu não era o cliente típico, uma loira que se chamava Sandra se apresentou em inglês com um sotaque bem familiar. Perguntei de onde era.

Refrigerante Country Club sabor laranja, o preferido de São Miguel

“I am from Brazil,” ela explicou. Resposta certa! Começamos a falar em português, e me contou como chegou a uma parte da cidade que quase não tem brasileiros. Fez um minitour comigo pela loja e, mais importante de tudo, me explicou porque, junto com as ervas, velas e estátuas havia várias garrafas do refrigerante Country Club sabor laranja, importado da República Dominicana. Usava-se nas oferendas a São Miguel, claro. “Ele gosta do sabor”, me disse.

"Pho": sopa vietnamita de macarrão e carne

Próxima parada, o restaurante vietnamita. Só que, quando cheguei, vi que não existia mais e que no seu lugar há uma loja de produtos de beleza. Droga! Mas não fiquei surpreso, os restaurantes em Manhattan abrem e fecham bem rápido, no Bronx talvez mais ainda. Mas lá na frente da loja havia outro restaurante vietnamita, o Com Tam Ninh Kieu, um lugar ultrasimples, onde pedi uma entrada de summer rolls (“rolinho verão”, como um rolinho primavera, mas não frito) por US$ 4 e um “pho” – sopa de macarrão com vários tipos de carne (de almôndegas até tripas) por US$ 6,95. Brotos de feijão, limão e folhas frescas de menta e manjericão ao lado para agregar a gosto. Ou seja, comida caseira vietnamita, em quantidade suficiente para duas pessoas, por menos de US$ 11. Preços do Bronx mesmo.

O próximo destino era Arthur Avenue, centro da Little Italy do Bronx. Para chegar, passei pelo parque St. James, onde vários grupos jogavam “handball”, um esporte típico entre jovens do Bronx por décadas. Joga-se quase como o squash, só com uma parede e com a mão em vez da raquete. (Quer saber se dói? Dói) Parei para ver um jogo, depois continuei no meu caminho, passando ao lado de uma escola no momento dos alunos saírem para casa. Bom, depois de comprar um “coco helado” – tipo de sorvete de um dólar vendido na rua, e não só com sabor de coco. Depois desci a Fordham Road, admirando a atividade comercial, sobretudo a de uma loja bem interessante, a “Colombia Jeans Levantapompis”, vendedora de calças jeans “alça-nádegas”, importadas da Colômbia.

Pouco depois cheguei a Arthur Avenue. Em Manhattan, os italianos não moram mais em Little Italy, porque já virou um bairro chinês. A Little Italy do Bronx é diferente, “pero nem tanto”: virou mexicano e albanês. Mas ainda há alguns descendentes de italianos que residem nas ruas, e muitos mais que visitam, compram, socializam e comem na Arthur Avenue; a Little Italy de Manhattan só visitam turistas.

O centro de tudo, o imperdível do bairro, é o Arthur Avenue Retail Market, um quase-mercado municipal no 2344 da Arthur Avenue. E o imperdível do imperdível é a Mike’s Deli, que vende o melhor queijo “parmigiano reggiano”, e também salsichas, presunto de Parma, “soppressatas” (tipo de salame) e todas essas versões de carne que só os italianos sabem fazer. (Pode provar algumas coisas de graça, se é que os que estão atendendo estão de bom humor – e quase sempre estão) Os que não acabaram de comer uma sopa vietnamita podem aproveitar os sanduíches, massas e carnes nas mesas informais do interior do mercado. Ali dentro também há açougues e duas empresas de charutos (feitos ao vivo). Saí do mercado e entrei na Madonia Brothers, uma padaria também na Arthur Avenue, onde comprei uns biscoitos doces de pinhões e um pão de erva-doce com passas para comer depois. (Claro que no momento eu achava que “depois” significava “à noite, em casa”, mas resultou que significava “15 minutos depois, na rua”. É que o cheiro era irresistível).

O Grand Concourse, concebido como o Champs-Elysées do Bronx

Minha ideia era descer pela Grand Concourse, uma avenida bem ampla que foi construída nos primeiros anos do século 20 para ser o Champs-Elysées do Bronx. E virou uma avenida chique, pelo menos para a classe média. Não é tão glamuroso como antes, mas ainda mantém muitos prédios lindos, especialmente os em estilo art déco dos anos 1930. Também ainda existe o cinema clássico Loew’s Paradise, um dos mais famosos da época dos grandes cinemas nos Estados Unidos, e lugar de milhões de primeiros beijos adolescentes entre 1929 e os anos 60, quando o Bronx começou a se deteriorar. O prédio não é mais cinema, mas foi renovado recentemente e serve para concertos e eventos.

Prédio com detalhes art déco, muito comum no Bronx

Caminhar pelo Grand Concourse é ver a vida de Nova York com é vivida agora fora de Manhattan: vizinhos se abraçando, gente voltando cansada do trabalho, jovens sem muito para fazer inventando atividades – a maioria legais e outras nem tanto. Eu, andando com minha máquina pendurado do pescoço, fiquei surpreso com quantas pessoas queriam que eu tirasse uma foto deles; um casal até mandou um beijo para a máquina. Só para se divertir no momento, nem deram seu e.mail para que eu lhes mandasse as fotos.

Também parei para ver uma atividade muito comum entre os hispânicos do Bronx: um jogo de dominó. Isso foi na esquina da Grand Concourse e a East 164th Street, e era muito típico: quatro homens bem concentrados falando o espanhol rápido da República Dominicana, e vários “fãs” observando e comentando.

Passei o Bronx Museum of the Arts e o lindo Bronx County Courthouse (o principal tribunal da região) e o novo estádio dos Yankees, o pior time de beisebol de todos os tempos. (Detalhe: nem todos concordam com minha avaliação, sendo que eu torço pelos Red Sox, rival dos Yankees.)

Continuando pelo Grand Concourse, passei a 156th Street, olhando com nostalgia a escola onde dava aulas, e passei pelo Hostos Community College, uma universidade pública, na 149th, por fim chegando ao final do Grand Concourse, na rua 138.

Meu último destino era a área ao redor da Bruckner Boulevard, uma das poucas áreas do Bronx que tem mudado muito nos últimos anos. Antes, era muito industrial e perigosa, mas nos últimos dez anos virou um pequeno centro de artistas e vendedores de antiguidades. Alguns dos prédios industriais se converteram em apartamentos. O lugar perfeito para terminar a caminhada é o Bruckner Bar and Grill, que serve a Bronx Pale Ale (uma cerveja feita no bairro), saladas, como a de pera com radicchio e parmesão, hambúrgueres e jantares mais completos. O ambiente é acalorado e energético, e o público é uma mistura de jovem e coroa, brancos e negros, artista, funcionário, bombeiro, professor e advogado. Um mix bem Nova York, mas que quase não existe mais em Manhattan.

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Estados Unidos, Sem categoria | 07:50

Seth erros no Bronx

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Nesta semana, os erros são meus: lugares que devem fazer parte da minha matéria sobre o Bronx, mas que não cabem.

Veja também:
Uma volta ao passado no Bronx

1)   City Island – bairro que fica numa ilha a nordeste do Bronx, mas parece mais uma cidadezinha do litoral. Com excursões de barco, restaurantes de peixes, lojas de presentes e sorvete.

2)   New York Botanical Garden – o jardim botânico principal da cidade.

3)   Wave Hill – um jardim público com muitos eventos culturais e vistas ótimas do Rio Hudson.

4)   Orchard Beach – uma praia pública não tão linda, mas muito interessante pela cultura hispânica que predomina nos fins de semana de verão. Nunca falta salsa para dançar.

5)   Bronx Zoo – o mais famoso de Nova York.

6)   Woodlawn Cemetery – lugar de enterro de muitos nova-iorquinos importantes, quase um museu de mausoléus. Ao norte do cemitério, o bairro de Woodlawn é um dos últimos bairros verdadeiramente irlandeses. Os “pubs” são a prova.

7)   Dominick’s – Mais uma experiência do que um restaurante. É o melhor lugar da Arthur Avenue se tiver tempo para sentar e almoçar ou jantar. Você senta em mesas comunitárias e pede o que você quiser – não tem cardápio. Não sabe o que pedir? É só olhar o que estão comendo ao seu lado – quase não há clientes novatos como você, assim que a maioria dos seus vizinhos já sabe bem o que é oferecido no cardápio invisível.

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011 Destinos Internacionais | 07:55

Península de Yucatán: muito além de Cancún

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Eu adoro Cancún, apesar de nunca ter pisado nas suas praias de areia branca. Ou amarela. Ou roxa com estrelas verdes. Quem sabe? Como eu disse, nunca pisei.

É que estou apaixonado pelo aeroporto de Cancún. Não porque esse é um aeroporto que merece ser a oitava maravilha do mundo, mas por sua localização e seus voos baratos e diretos de muitos lugares, e porque Cancún está situada no lugar ideal para explorar a parte mexicana da península de Yucatán, formada por três Estados mexicanos e 160 mil quilômetros quadrados – grande, mas com estradas decentes e lotadas de sítios arqueológicos, cidades históricas e cochinita pibil (prato tradicional da região que nada mais é do que porco marinado em suco de laranja-azeda e urucum, assado lentamente enrolado em uma folha de bananeira).

Tenho certeza de que a cidade de Cancún é ótima para os que gostam de praia e margaritas servidas na sua mesa de praia e, pelo que sei, a cidade tem bons restaurantes, algumas ruínas maias e até um ótimo museu. E com certeza é um sucesso absoluto: Cancún é uma invenção turística dos anos 70 – a cidade nem existia antes e não aparece nos mapas dos anos 60. Incrível. Mas praia não é minha praia, e as cidades lindas e ruínas sem fim que ficam perto são irresistíveis.

Cancún é mais que belas praias: o local tem bons restaurantes, ruínas maias e até um ótimo museu

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Os três Estados, Quintana Roo, Yucatán e Campeche, formam quase um país inteiro – maior do que Portugal, Grécia ou Cuba – e (junto com a Guatemala) é o centro da antiga e gloriosa cultura maia. Se não confia em mim, que fui uma vez só, pode confiar na Unesco, que classificou cinco das suas atrações – três arqueológicas, uma cidade histórica e uma reserva natural – como Patrimônios da Humanidade.

Em uma semana dá para visitar as cinco com um carro alugado no aeroporto de Cancún, e depois ficar mais alguns dias num resort da cidade. A duas horas do aeroporto estão as ruínas de Chichén Itzá, a antiga cidade construída ao longo de séculos pelos maias e toltecas e, de longe, a mais famosa atração da península. Mas cuidado: é insuportável entre as 10h e as 15h, e não só pelo calor. É porque sofre dessa praga de todos os sítios megaturísticos: turistas. Os ônibus começam a chegar dos resorts de Cancún e não param, e grupos enormes (inclusive muitos americanos tão vermelhos que parecem que nem sabem o que é protetor solar) lotam os templos construídos pelos povos maia e tolteca.

Ruínas de Chichén Itzá, antiga cidade construída pelos maias e toltecas

Mais intoleráveis que os turistas, claro, são os vendedores espertos de souvenirs bregas. Quando eu fui para lá, em 2005, para escrever uma matéria sobre a Unesco, conheci um vendedor de souvenirs – Ermenegildo Kahum Kem – que tinha aprendido a dizer “Não vai levar nada para a sogra?” em cinco idiomas.

A solução é fácil: chegar logo no começo do dia – às 8h – ou muito melhor, entre 14h e 15h, quando os ônibus já começam a ir embora. A diferença é incrível. O lugar volta a ser mágico, e um pouco antes das 17h, você estará quase sozinho e pode explorar as ruínas como se você fosse dono do local. E para os fotógrafos, a luz ótima do final da tarde significa que você vai tirar fotos muito melhores do que os camarões americanos que visitaram a antiga cidade suando no meio-dia.

Daí é só chegar à cidade Mérida, capital do Estado de Yucatán, localizada a 120 quilômetros de distância de Chichén Itzá. Apesar de não ser considerada Patrimônio da Humanidade, Mérida é linda e tem um calendário sempre lotado de eventos culturais e restaurantes que servem  a comida tradicional do Estado. Perto da cidade – a 80 quilômetros – estão as ruínas de Uxmal, uma cidade fundada no século 6 (ou antes, não se sabe precisamente) pelos maias. Como Chichén Itzá, é classificada como Patrimônio da Humanidade, mas não fica tão lotada, assim, que dá para conhecer a qualquer hora, e ainda dá para esticar a visita para outras ruínas da região e para as Grutas de Loltún.

O próximo destino é Campeche, meu lugar favorito da península: uma cidade que foi totalmente restaurada e transformada para se candidatar para o status de Patrimônio da Humanidade em 1999. O resultado: um centro encantador, com casas antigas pintadas em tons pastel e uma muralha maravilhosa que foi construída no final do século 17 para proteger a cidade de colonização espanhola contra os ataques constantes dos piratas. Apesar de ser capital do Estado de mesmo nome, o lugar fica bem tranquilo e sem muitos turistas; em outras palavras: é um lugar perfeito para explorar e conhecer as atrações, que são o orgulho da cidade.

Campeche: lugar perfeito para explorar

Agora, a parte mais chata do tour da península: os aproximadamente 300 quilômetros entre Campeche e a próxima parada, a reserva natural e as ruínas de Calakmul, que virou patrimônio só em 2002. Mas a localização isolada tem uma vantagem também: o lugar é pouco visitado. Calakmul foi uma cidade muito importante no passado: ocupou 70 quilômetros quadrados, teve até 60 mil habitantes e existiu por 12 séculos. Incrivelmente, só começou a ser escavada por arqueólogos em 1985. Está dentro de uma “reserva biosférica”, por isso não fique surpreso se, quando você subir os templos, algum macaco te acompanhar pelo caminho (tem onças também, mas elas são menos sociais). Calakmul fica longe de outras cidades, mas se não quiser chegar e sair no mesmo dia, pode ficar dentro da reserva e perto das ruínas no lindo Hotel Puerta Calakmul (ou, opção mais barata: pode acampar).

O próximo patrimônio no caminho de volta para Cancún é a Reserva Biosférica Sian Ka’an. Fica na costa, ao Sul da Riviera Maia, mas é muito mais isolada e tranquila, com estradas de terra e praias desertas (ou pelo menos mais vazias do que as de Cancún). Dentro da reserva dá para pescar, observar 300 espécies de aves, e até fazer um tour de caiaque.

Da cidadezinha de Punta Allen (onde fica a hospedagem da reserva) são só 3 horas para voltar até Cancún. E, se tiver tempo, descansar na praia mais alguns dias. Ou, se não tiver, voltar diretamente para meu lugar favorito, o aeroporto internacional.

Autor: Seth Kugel Tags: , ,

Seth Erros | 07:45

Seth erros para evitar no México

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1)   Nos restaurantes, pedir tudo sem pimenta. Eu sei que muitos brasileiros têm medo das pimentas fortes, mas isto é México, pelo amor de Deus. Pedir comida sem pimenta é como pedir feijoada sem feijão.

2)   Não ver o filme  Como Água Para Chocolate (ou ler o romance), para entender a conexão entre a comida e o amor (e sexo) na cultura mexicana. De certa forma a comida tem um papel tão central na cultura mexicana quanto a música na cultura do Brasil, e o filme explica isso muito bem.

3)   Enquanto ficar em Cancún, não sair do seu resort. Apesar de a cidade ser criada para turistas, existe uma vida bem mexicana se você sair da zona hoteleira.

4)   Passar todo o seu tempo em Cancún enquanto há tantas riquezas tão perto.

5)   Em Cancún, comer em redes internacionais. Tem hambúrguer no cardápio? Evite.

6) Visitar Cancún durante as férias escolares norte-americanas. Nunca fui, mas deve ser insuportável mesmo.

7)   Tentar encontrar a comida da Yucatán nos restaurantes mexicanos do Brasil. A grande maioria dos restaurantes mexicanos no Brasil é patética.

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