2011 junho | Viagens com Seth Kugel - iG

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Arquivo de junho, 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011 Europa | 17:41

Seth erros para não cometer na Croácia

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1) Ir para a Croácia e ficar num hotel. É fácil encontrar quartos ou apartamentos no Google, e seria uma pena perder a oportunidade de conhecer uma família croata.

2) Esquecer as palavras mais importantes em croata: “sobe” (“quartos”) e “apartmani” (“apartamentos”). Basta colocar no Google junto com a cidade ou ilha da Croácia que quer visitar e voilà.

3) Ficar dias demais em Dubrovnik, até mesmo na casa do Tony. A cidade antiga é bela, mas as ilhas são as melhores atrações do país.

4) Visitar a ilha de Mljet num dia só. A visita-padrão ao Parque Nacional é maravilhosa e é possível voltar a Dubrovnik no mesmo dia, mas vale a pena ficar a noite.

5) Entrar em pânico se você não fez reserva para um apartamento. Quase sempre é possível encontrar um lugar para ficar na hora ao chegar a uma nova ilha ou cidade.

6) Recusar um convite do anfitrião. Ir para a praia com Tony e Luka foi muito mais divertido do que ver qualquer museu, por exemplo.

7) Procurar anfitriões só nas cidades principais das ilhas croatas. Até os menores vilarejos têm famílias que alugam “sobe” ou “apartmani” e sempre se oferecem para te pegar no porto onde o barco aporta. Recomendo a vila de Racisce, na ilha de Korcula.

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Autor: Seth Kugel Tags:

Europa | 16:24

Na Croácia, aproveite a hospitalidade natural

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Tony (de regata verde) leva eu e meus pais para a praia

Tony (de regata verde) nos leva para a praia

“Luka…Luka!!!!” gritou nosso anfitrião Tony, exasperado (mas nem tanto) com o filho de 10 anos, que devia ter feito alguma travessura que não percebi. Tony virou para nós e falou: “É um menino hiperativo. Tem problemas na escola. Estamos preocupados.”

Foi um detalhe íntimo da boca de alguém que meus pais e eu, viajando juntos na Croácia, tínhamos conhecido há bem pouco tempo. Havíamos passado só algumas horas com Tony e sua família desde que tínhamos deixado as malas no apartamento que alugamos, que ficava ao lado da casa dele. Mas durante essas horas, Tony fez todo o possível para que nós nos sentíssemos em casa: nos ofereceu um trago de conhaque de cereja feito em casa, nos convidou para a praia de Dubrovnik com o Luka e um amiguinho dele, e agora, estava nos contando intimidades da família.

Pouco depois, o Luka, um menino de cabelo castanho claro e sorriso doce, saiu da água e falou algo em croata para o pai. Tony lhe deu umas moedas. “Esse menino não vai crescer. Só quer sorvete. Há uma hora tomou sorvete em casa. Agora, na praia, quer mais sorvete.”

Meus pais no elegante restaurante Kasar, perto de Dubrovnik. (Tony nos deu carona, claro.)

Meus pais no elegante restaurante Kasar, perto de Dubrovnik. (Tony nos deu carona, claro)

“Acabamos de aprender que as crianças do mundo inteiro são iguais”, disse minha mãe. Quando visito um país ou uma cidade nova, sempre tento fazer amizades locais, mas nem sempre isso acontece. A realidade é que todo mundo tem uma vida, e poucos têm tempo para passar com os turistas.

Mas a Croácia é diferente. Qualquer pessoa pode reservar uns dias na casa do Tony (pelo site dele ou pelo Hostels Club) ou em outros milhares de quartos ou apartamentos adjacentes às casas croatas. É só fazer uma busca no Google. É claro que nem todos os anfitriões são tão amáveis e abertos como Tony. E que nem todos os turistas querem ir para uma praia meio sem graça, numa cidade famosa pelo seu centro histórico murado e pelos seus museus, mas, definitivamente, não pelas suas praias medíocres.

A Croácia também tem hotéis tradicionais. Mas os quartos de hotel são minoria. Incrível mas certo: em 2009, segundo o governo croata, havia 149.823 quartos disponíveis para turistas em casas e só 55.702 em hotéis. Ou seja, a Croácia tem criado, talvez sem querer, um sistema nacional para fomentar o contato entre turistas e cidadãos locais.

Nas ilhas croatas, até o ceu é mais lindo

Parabéns aos croatas e seria bom que todos os países fossem assim. E não é como se a Croácia precisasse de mais uma atração: sua costa no Mar Adriático tem dezenas de ilhas para visitar – uma mais linda que a outra – e também cidades antigas, parques nacionais preciosos e uma história fascinante. Isso sem falar do peixe fresco.

A demanda mundial para experiências além dos hotéis está crescendo. Já existem muitos esforços em diversos países para proporcionar experiências mais íntimas que não são possíveis em hotéis tradicionais. Há os “bed & breakfast” (no Brasil, os poucos se chamam “cama e café”) – e agora há sites como o AirBnB, que tenta criar um sistema mundial mais ou menos como o sistema croata.

Arte de receber bem

Um lago no Parque Nacional Mljet, na ilha de Mljet

Um lago no Parque Nacional Mljet, na ilha de Mljet

Mas os croatas têm algo especial: são anfitriões naturais. Depois do sucesso com Tony, procuramos casas nos nossos outros dois destinos. Em Mljet, ilha preciosa de pinheiros, montanhas, lagos tranquilos e um pouco mais de mil habitantes, ficamos em um apartamento da família Strazicic.

Nosso apartamento era em outro prédio, mas incluía o direito de usar o pátio da casa deles, que ficava ao lado do porto no vilarejo de Polace. O pátio tinha flores de todas cores, em todos lados, que deixavam as borboletas – e os humanos – felizes da vida.

Ane, nossa anfitriã, nos fez um jantar de peixe fresco por aproximadamente R$ 30 por pessoa, servido numa mesa entre as flores e perto do mar. Também conhecemos suas duas filhas, uma adolescente que falava bem o inglês e uma menina de talvez oito anos que se chamava Karla e só falava “good morning” (mas com empenho).

O pátio florido do Andro e da Ane, em Mljet

O pátio florido do Andro e da Ane, em Mljet

Na ilha de Korcula, nossos anfitriões foram Maria e Zeljko Segedin, que por 60 euros (R$ 136) por noite nos ofereceram um apartamento grande de dois quartos, com cozinha, sala e um balcão com vista para o Estreito de Peljesac, com águas límpidas e montanhas estonteantes. Passeamos pela cidade antiga (onde os moradores – e alguns historiadores – dizem que nasceu Marco Polo) e visitamos Racisce, um vilarejo de pescadores que gostamos até mais do que a cidade antiga.

Mas nosso lugar favorito foi o Gera, um restaurante (e pousada) rural cuja dona é a irmã do Zeljko e produz seus próprios queijo, azeite de oliva, pão, vinho e muito mais. Como chegar? Nem sei – o cunhado do Zeljko nos pegou em casa e nos levou até lá. Teríamos gostado do lugar de todo jeito, mas com a conexão pessoal (e a carona) foi impossível não adorar.

Meus pais adoraram a Maria e um dia ficaram conversando muito tempo com ela. E ficaram escutando a história romântica de como ela tinha conhecido o marido, um pescador que foi trabalhar perto da ilha de Lastovo onde ela foi criada. Maria também deixou minha mãe carregar o bebê dela.

O porto de Prozurska Luka, em Mljet

O porto de Prozurska Luka, em Mljet

Quer ficar com a família Segedin? Pode, deve, mas nem tente reservar os apês dela em agosto. Há uma família italiana que adora o lugar e ocupa todos os espaços durante o mês inteiro. Até pagam um extra para o Zeljko ir pescar todas as manhãs e Maria cozinhar os peixes à noite.

Mas vou me lembrar mesmo é do Tony e do Luka. Tony não falava muito bem o inglês, mas é uma dessas pessoas que quer tanto se expressar que a falta de vocabulário não é obstáculo. Aprendemos muito sobre o emprego dele – ele trabalha numa padaria comercial a 200 metros da onde exerce o cargo de “commercial man” (“homem-comércio”) uma frase que não significa nada em inglês (nem em português, acho). Mas acho que ele trabalha com vendas, porque nos contou todos os detalhes de como os chefes tinham perdido o maior cliente da empresa e ele tinha que ir falar com o cliente e salvar o dia. Mas o Luka era o assunto número um e nem sei contar quantas vezes ele repreendeu o filho com um “Luka…Luka!!!!”

Hotel, para quê?

A cidade antiga de Korcula, 20 minutos (a pé) da casa dos Segedin

A cidade antiga de Korcula, 20 minutos (a pé) da casa dos Segedin

É verdade que as casas nem sempre são tão perfeitas quanto os hotéis. Na casa da Maria e do Zeljko, sofremos uma invasão de formiguinhas. Claro que meu pai nem percebeu, mas minha mãe encontrou os insetos até nas malas. E na manhã em que percebemos que não tinha água quente no apartamento que alugamos da família Strazicic, informamos a filha adolescente sobre o problema – porque os pais não estavam em casa – e saímos para passear.

É claro que a filha se esqueceu de contar para a mãe e chegamos mais tarde para encontrar água gelada no chuveiro. (E a solução era tão fácil, só ligar um interruptor.) Mas fazer o quê? Se surpreender porque uma adolescente fez algo irresponsável, para variar?

Quando acabou a semana, comecei a pensar na existência dos hotéis. Para mim, as revistas de viagens gastam palavras demais falando deles, avaliando as camas, os móveis, o serviço de quarto, a arquitetura. Acho que os hotéis, em grande parte, são ambientes falsos onde devemos ficar só para dormir e sair logo para conhecer a cidade ou estado, ou país, ou ilha, ou parque nacional para onde viajamos. E nem me fale dos resorts tudo incluso.

A Croácia é bonita demais para esquecer. Mas as lembranças que vão durar mais, acho, são a minha mãe carregando o bebê da Maria no pátio com vista para o mar e as montanhas; o “good morning” da Karla; o jantar de peixe preparado pela mãe dela; e claro, o “homem-comércio” que se chamava Tony e o filho dele que sempre queria sorvete e se chamava Luka. Quer dizer, Luka!!!!

Não deixe de ler: Seth erros para não cometer na Croácia

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quarta-feira, 22 de junho de 2011 Europa, Seth Erros | 10:30

Sete erros para as atrações imperdíveis

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1) Seguir só a rota das atrações “imperdíveis”.

2) Tentar ir a muitos lugares imperdíveis em pouco tempo. Porque o Louvre, em Paris, realmente é imperdível. Mas se só visitou o museu por 30 minutos, o perdeu.

3) Ir para um lugar só para dizer: “Estive lá”. Viagens são para você, não para contar para os demais. (A verdade: os demais nem querem saber.)

4) No caso de Pompeia e Herculano, pagar o preço inteiro. Compre um ArteCard.

5) Tentar visitar Pompeia e Herculano num dia só. Escolha um e se quiser suba no vulcão Vesúvio também.

6) Ficar mudo quando seus filhos chegam da escola te contando de Pompeia. Mencione Herculano também!

7) Contar com mapas, panfletos e guias em áudio sempre. Boa ideia: imprimir informação detalhada dos lugares “imperdíveis” antes de visitar, sobretudo se você não fala o idioma do país onde se encontra.

Notas relacionadas:

  1. O lado multicultural de Londres
  2. Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem
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Europa | 10:21

Lugares imperdíveis. E quando se pode perder

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As estátuas das pessoas no momento da morte é uma grande atração de Pompeia

As estátuas das pessoas no momento da morte é uma grande atração de Pompeia

Eu tinha apenas oito anos quando aprendi sobre a cidade de Pompeia, mas ainda me lembro muito bem daquela história macabra: no ano 79 d.C., o vulcão Vesúvio entrou em erupção tão forte que as pessoas não tiveram tempo de fugir e foram queimadas vivas, “petrificadas” no momento de sua morte. A cidade ficou preservada sobre metros de lava até ser redescoberta séculos depois. É o tipo de aula que um menino impressionável não esquece nunca.

Também me lembro muito bem do momento em que ouvi falar de Herculano, outra cidade da mesma região italiana que também sumiu com a erupção de Vesúvio e foi preservada da mesma forma. Só que essa memória é mais recente: foi em maio de 2011, quando um colega que tinha visitado o lugar com sua família me avisou que Herculano é melhor preservada, menos visitada e igualmente impressionante.

Herculano é um lugar bacana, me disse ele. “Nem precisa visitar Pompeia.” Encontrei a mesma dica em vários sites e livros sobre a região. Segundo eles, Pompeia é superlotada de turistas e tão grande e confusa que ver tudo é difícil, entender tudo é impossível. As duas cidades escavadas ficam na mesma linha da ferrovia Circumvesuviana.

Mas como é possível estar em Nápoles (a 35 minutos de trem de Pompeia) ou Sorrento (29 minutos) e não visitar um lugar tão famoso? É que Pompeia cai na categoria de atrações “imperdíveis” junto com a Torre Eiffel, o Taj Mahal e a Estátua da Liberdade. Estando na China, você desistiria de visitar a Grande Muralha só porque um amigo te contou de uma “Maravilhosa Muralha” desconhecida, mas muito melhor?

- Sete erros para as atrações imperdíveis

Essas decisões sempre são difíceis para mim. Quero ser diferente, quero dizer “não me importa se não vou a X, deve ser uma farofa, vou conhecer o desconhecido Y”. Mas logo começam as dúvidas: “Mas todo mundo diz que X é imperdível…”

Então decidi me “sacrificar” e ir aos dois lugares no mesmo dia para poder dizer aos outros se realmente Herculano era um substituto razoável ou se Pompeia era imperdível mesmo.

Como esperado, foi um dia longo, cansativo e corrido, e o que menos recomendo é ver os dois um depois do outro. Primeiro, porque assim não dá para subir no vulcão mesmo, e segundo porque, em geral, sempre é melhor não passar as férias correndo de um lugar para outro e terminar o dia exausto. (Para isso existe sua vida normal.)

Pompeia

Pompeia, tal como eu imaginava, foi toda uma experiência padronizada. O trem chega, você segue a maré de turistas falando uma babel de idiomas, passa pelas barracas de souvenires e pizza e limonada a preços exagerados até chegar na fila interminável para comprar os ingressos. Durante a espera, os guias licenciados tentam te convencer (em várias línguas, mas não em português) a contratá-los. Outras opções: comprar um guia detalhado nas barracas ou alugar um guia em áudio.

Não faltam turistas em Pompeia

Não faltam turistas em Pompeia

Não escolher nenhuma guia é errado, porque as ruínas de Pompeia são vastas mesmo e, apesar de alguns lugares indicarem o nome da casa, prédio ou templo e o número para o guia em áudio, não há explicações adicionais.

Eu optei pelo guia em áudio, porque quando viajo sozinho gosto dessas maquininhas nas quais você digita um código exibido no quadrinho e alguma voz intelectual te explica tudo. Mas naquele dia, em Pompeia, os mapas das ruínas com a rota do guia em áudio tinham acabado, tornando a visita muito mais difícil. O pessoal do site nem pedia desculpas pela falha, simplesmente continuava aceitando os 11 euros (R$ 25) pela entrada e os 6,50 euros (R$ 15) pelo guia em áudio.

Perdi muito tempo procurando os quadrinhos. Quando não encontrei a primeira atração, as “Termas Suburbanas”, decidi ouvir a narração de todo jeito para o que estava perdendo. E entre outras coisas, ouvi o seguinte: “As decorações pintadas nas paredes representam cenas eróticas… podemos observar uma variedade curiosa de posições amorosas…” Cadê?!?! Mais estimulado, procurei as termas de novo.

E encontrei. Mas o problema é que só dava para entrar nessa parte se você tinha reservado antes pela internet. Um desastre. (Mas graças ao meu tempo no Brasil, usei o jeitinho brasileiro e consegui entrar implorando ao cara que cuidava da entrada – e sem mencionar que era jornalista, claro.)

Morte de um cão, 79 d.C., Pompeia

Morte de um cão, 79 d.C., Pompeia

Outro desastre: a multidão. Rebanhos de turistas seguindo pastores-guias usando microfones e erguendo pequenas bandeiras com o nome da empresa ou do cruzeiro para ajudar qualquer ovelha perdida. Foi logo que lembrei – tarde demais – o ótimo conselho que tinham me dado antes de visitar a também “imperdível” cidade maia de Chichén Itzá, no México: chegue à tarde e fique até o final do dia, quando os ônibus já foram embora, o sol não está tão quente e ficam alguns poucos turistas independentes.

Apesar das frustrações, admito: Pompeia teve momentos legais. Em uma das casas, o guia em áudio explicou que os arqueólogos tinham encontrado uma mensagem escrita na parede em latim: “Alugam-se a partir de 1º de julho, no piso superior, apartamentos de luxo. Tratar com Primus”. Adoro visitar sítios antigos e encontrar detalhes que mostram que nós não somos tão diferentes dos nossos antepassados.

Também fiquei impressionado com a parte que mostrava os modelos de pessoas petrificadas no momento da morte. A história é fascinante: os arqueólogos não encontraram os corpos mesmo no século 19 – claro que tinham se decomposto. O que encontraram foram vãos na lava endurecida e eles verteram gesso nos vãos. Quando secou… réplicas quase perfeitas das pessoas no momento da sua morte. Ah, não só pessoas: também havia um cão, a verdadeira estrela da exibição, sobretudo para as crianças. “C’est un chien”, falou uma menina francesa. “Ein Hund”, exclamou um alemãozinho. “Mommy, a dog!”, ouvi gritar um dos meus compatriotas. Nem quero pensar nos pesadelos que tiveram essas crianças.

Herculano

Pouco depois do meio-dia, peguei o trem para Herculano. Uma experiência totalmente diferente. Saindo do trem, não havia essa maré de turistas para seguir. Eram só quadros indicando o caminho aos “scavi” (“escavações” em italiano) com setas. Você caminha 10 minutos pela cidade moderna de Ercolano antes de encontrar a cidade morta com quase o mesmo nome.

Cena nas ruas de Herculano antigo.

Cena nas ruas de Herculano antigo

Mas recomendo explorar um pouco mais o local. Na rua Pugliano, uma feira acontece todas as manhãs. (Eu perdi por chegar à tarde.) No lugar da pizza feita para turistas com preço exagerado de Pompeia, há uma pizzaria excelente, a Luna Caprese, para comer junto com os cidadãos modernos de Herculano depois do seu tour.

As ruínas eram exatamente como tinham me contado: em melhor estado de preservação e, como o sítio era menor (e ainda havia mapas!), era impossível se perder. Não precisava de reserva por e-mail para entrar nas termas, que eram muito bonitas apesar de não terem desenhos eróticos.  Havia muito menos turistas e poucos grupos. E que esquisito ver a cidade velha no que parecia ser um subsolo exposto ao lado da cidade moderna. Das ruínas, dava para olhar pra cima e ver a roupa secando nas varandas dos residentes que ainda vivem na sombra do Vesúvio.

Minha conclusão: Herculano é a melhor experiência de longe (e também abriga o Museu Arqueológico Virtual, que não tive tempo de visitar). Mas se você não acredita, ou se sempre foi seu sonho ver Pompeia, ou se não aguenta estar tão perto sem visitar, eu não vou reclamar. Só peço que, quando voltar, não conte para os amigos que “Pompeia é imperdível!” Porque para os que vão para Herculano, é perdível mesmo.

Notas relacionadas:

  1. São Paulo ou Nova York: Qual a melhor pizza do mundo?
Autor: Seth Kugel Tags: , , ,

quarta-feira, 15 de junho de 2011 Seth Erros | 11:50

Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem

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1) Avaliar como ruim a pizza de outra cidade só por ser diferente. Claro que é diferente. Viva a diferença!

2) Avaliar a pizza paulistana sem provar as melhores, como a da Bráz. (É só ganhar na Mega-Sena primeiro.)

3) Avaliar a pizza de Nova York sem provar as melhores: Joe’s, por exemplo, ou os lugares mencionados nesta matéria do blog Slice.

4) Usar garfo e faca numa pizzaria nova-iorquina…

5) … e não pegar a fatia com guardanapos!

6) Colocar azeite de oliva na sua pizza em Nova York ou Nápoles.

7) Colocar ketchup ou maionese na sua pizza em São Paulo, Nova York ou, pelo amor de Deus, em Nápoles. Uma pizza que precisa de ketchup ou maionese é uma pizza ruim mesmo.

Veja também:

- São Paulo ou Nova York: Qual a melhor pizza do mundo?

Autor: Seth Kugel Tags: , , , , , , ,

Brasil, Estados Unidos, Europa | 08:00

São Paulo ou Nova York: Qual a melhor pizza do mundo?

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Duas fatias de Joe's, estilo nova-iorquino (ou seja, sem nada em cima, e definitivamente sem azeite)

Quando um nova-iorquino se muda para São Paulo é impossível evitar a pergunta: “Qual das duas cidades tem a melhor pizza?”. Ou, mais comum: “A pizza paulistana é a melhor do mundo, né?”.

Uma observação somente: os nova-iorquinos também acham que a pizza deles é a melhor do mundo. E daí temos um problema, porque as pizzas das duas cidades são muito, muito diferentes.

A diferença mais marcante é a grande quantidade de ingredientes que os paulistanos colocam sobre a pizza. Em Nova York, é queijo, tomate e mais um ingrediente (pepperoni, por exemplo), no máximo. Nos meus primeiros meses em São Paulo, quando comi pizza portuguesa, baiana ou vegetariana – com mil ingredientes em cima de cada uma – , minha resposta sempre era: “A pizza de São Paulo é muito boa. Só que não é pizza.”

- Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem

Pizza boa e barata em uma pizzeria típica, em Erculano, fora de Nápoles. Massa incrível, tomates frescos.

Pizza boa e barata em uma pizzeria típica, em Erculano, fora de Nápoles

Ou seja, não era a pizza que eu conhecia. É que pizza em Nova York e São Paulo não é só pizza. É cultura. E são culturas tão diferentes que achava impossível comparar as pizzas das duas cidades – até a semana passada, quando estive em Nápoles, Itália.

Lá a pizza não é só cultura. É vida. Da legitimidade da pizza de Nápoles ninguém pode desconfiar. Assim que, entre São Paulo e Nova York, ganha quem tem a pizza que mais se parece com a pizza napolitana. Capisce?

Vamos à comparação:

1 – Ingredientes: Pizza para mim, pelo menos para meu lado nova-iorquino, é massa, molho de tomate e queijo. E, talvez, um ingrediente: pepperoni, por exemplo. Ou um monte de alho picado (hummm). Por outro lado, minha alma paulistana entende que pode colocar mais, sem se esquecer dos elementos básicos. Em Nápoles? Tem a famosa Da Michele (que apareceu no livro Comer, Rezar, Amar) onde só há duas opções: pizza margherita e pizza marinara. Mas na Pizzeria Starita, também muito famosa (o dono até serviu pizza ao Papa João Paulo II), o cardápio é muito variado, como em São Paulo. Empate.

2 – Pizza boa e barata: Nem tudo pode ser perfeito. Quando se bota presunto, azeitona, palmito, catupiry, frango, calabresa, abacaxi, rúcula  e mais ingredientes sobre a pizza, a massa, o molho de tomate e o queijo perdem importância? Em Nova York uma pizzaria de bairro não sobrevive nem uma semana com a massa de cartolina e omolho de baixa qualidade de muitas pizzarias que já provei em São Paulo. Em Nápoles também não. Até pizzas baratíssimas que eu provei – de 3 euros ou 4 euros (R$ 7 a R$ 9) – tinham massa perfeita, tomate fresco e mozzarella de búfala de qualidade. Vantagem: Nova York

Pizza racchetta na Pizzeria Starita em Nápoles: com muitos ingredientes inclusive ricota e cogumelos

Pizza racchetta na Pizzeria Starita em Nápoles: com muitos ingredientes inclusive ricota e cogumelos

3 – Pizza boa e cara: Por fim, descobri onde existem ótimas pizzas em São Paulo: nos lugares caríssimos, como Bráz e Veridiana. Tudo da melhor qualidade. Agora, gente, isso é pizza, a melhor que já provei. Nova York também tem pizzarias “de grife”, tipo Motorino, mas não são tão parte da cultura e é raro encontrar uma pizza por mais de R$ 30. E esses preços paulistanos? Mais de R$ 40, às vezes até R$ 50, por uma pizza? Parece piada, mas só os donos das pizzarias que estão rindo. E muito. Vantagem São Paulo, mas é vitória pírrica.

4 – Forma: É tão comum em Nova York pedir pizza por “slice” (uma fatia) que o melhor blog sobre pizza se chama Slice mesmo. A pizza de São Paulo se pede inteira, com a exceção de poucos lugares, como O Pedaço da Pizza e a ótima ideia de rodízio de pizza (Detalhe: o rodízio de pizza é minha invenção brasileira favorita, muito melhor do que a feijoada ou a bossa nova). Em Nápoles, apesar de poder comprar um pedaço em muitos lugares, a cultura prevalente é pedir uma pizza inteira. Leve vantagem: São Paulo.

5 – Quem serve: Em São Paulo, o garçom chega com a pizza e depois serve as primeiras fatias a todo o mundo. Depois volta para dar as segundas e as terceiras. Uma das minhas atividades favoritas nas pizzarias paulistanas é começar a pegar um pedaço e ver o garçom correr à mesa para me ajudar. Em Nova York, ao pedir uma pizza inteira, você mesmo pega o primeiro pedaço, o segundo e o terceiro (No meu caso, também o quarto e o quinto). Em Nápoles? As pizzas são de tamanho individual e nem chegam divididas em fatias. Ambos estamos errados. Empate.

Em Nova York, pizza se come com a mão

Em Nova York, pizza se come com a mão

6 – Com garfo e faca ou com a mão: Pizza em São Paulo se come com garfo e faca. Muito civilizado. Pizza em NY se come com a mão. Muito fácil. O paulistano, sem dúvida, acha o costume nova-iorquino anti-higiênico. Mas comer com garfo e faca parece tão esquisito em Nova York que, quando o Donald Trump foi filmado comendo pizza assim na Times Square, foi ridicularizado. É só ver a raiva do comediante Jon Stewart neste clip (começa no 4:15) para entender o que os nova-iorquinos acham de comer pizza com garfo e faca (e nem precisa entender o inglês). Também não perca a demonstração de como comer uma “slice” (a 5:30).  Porém, em Nápoles, é com garfo e faca que se come a pizza. Vantagem: São Paulo

7 – Quando?: Em São Paulo, domingo é o dia oficial da pizza. Em Nova York, o dia oficial da pizza é: todos os dias, no almoço ou no jantar, como lanche, ou até para comer antes de sair para um restaurante caro para não gastar demais (Bom, esse último exemplo talvez só eu faça). Nápoles? Pizzarias lotadas o tempo todo também. Vantagem: Nova York.

8 – Quem faz: O cara que faz pizza, em Nova York, se chama “pizzamaker” ou pior, “pizza guy”. Em São Paulo é “pizzaiolo”. Em italiano como deve ser?  Vantagem: São Paulo

9 – Azeitonas: Quem decidiu, em São Paulo, botar azeitonas em qualquer pizza? Não foi um napolitano. Em Nápoles, como em Nova York, a pizza só tem azeitonas se você pede com azeitonas. Vantagem: Nova York

10 – Condimentos: Em São Paulo muitas pessoas colocam azeite de oliva na pizza, algo que me pareceu muito esquisito quando vi pela primeira vez – jogar mais gordura sobre uma comida gordurosa? Em Nova York muitas pessoas botam pimenta calabresa ou queijo parmesão nas “slices”. Você pode usar o mesmo argumento para o queijo: uma comida com queijo precisa de mais queijo? Em Nápoles a pizza é tão boa que ninguém bota nada em cima. Faz sentido. Empate

Fazendo pizzas na Pizzeria Starita em Nápoles 1

Fazendo pizzas na Pizzeria Starita em Nápoles

É óbvio que as tradições das pizzas em São Paulo e Nova York são bem diferentes, que cada uma tem suas qualidades e que, apesar de os dois povos terem suas discordâncias, podemos nos respeitar. Mas só pode haver uma cidade ganhadora. Então, o envelope, por favor. A melhor pizza do mundo é… a de Nápoles.

- Sete erros para não cometer quando comer uma pizza na viagem


Notas relacionadas:

  1. Razões para encarar a Amazônia de barco
  2. As redes de restaurantes que valem a pena. E as que você deve fugir
  3. Jackson Heights: Nova York como você nunca viu
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terça-feira, 7 de junho de 2011 Estados Unidos | 16:00

Jackson Heights: Nova York como você nunca viu

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Em 2006, comprei um apartamento em Jackson Heights, Queens (um dos cinco “boros” da cidade de Nova York – os outros são Manhattan, The Bronx, Brooklyn e Staten Island). Escolher um bairro para morar em Nova York é uma decisão crucial: a primeira pergunta que outro nova-iorquino faz ao te conhecer é: “onde você mora?”. Não é  para saber quanto dinheiro você tem – para isso perguntam “o que você faz?” ou olham seus sapatos -, mas para saber quem você é.

Eu sou muito Jackson Heights.

Pode ser que eu seja parcial, mas, para mim, quem não conhece Jackson Heights não conhece Nova York. Não me refiro aos museus, ao Central Park, aos restaurantes, à Quinta Avenida… Mas, na última década, Manhattan tem virado, pouco a pouco, um parquinho de diversões para os ricos. Os imigrantes, os artistas, a classe média – as forças vitais da cidade – se mudaram de lá.  No meu bairro todos se misturam, produzindo uma criatividade caótica e uma tolerância admirável. Além disso, é um paraíso para quem ama viajar. Nas ruas, o inglês é o idioma que menos se escuta. Ali, é possível visitar a Colômbia, a Índia, o Uruguai e a Itália em cinco minutos, a pé. (O que é bom, pois quase nenhum nova-iorquino tem carro.)

Fotos Seth Kugel

Os apartamentos "Greystone", num quarteirão considerado um dos 50 melhores de Nova York, pela revista Time Out

Então, escolha um hotel em Manhattan, suba no Empire State quantas vezes quiser, passe um dia inteiro admirando a arte no MoMA, faça suas compras no Century 21, jante no Daniel, saia de madrugada no Meatpacking District. Mas reserve uma tarde para visitar meu bairro. De metrô, você só leva 22 minutos do Empire State à estação Roosevelt Avenue, mais rápido do que ir de Wall Street ao Metropolitan Museum of Art.

Chegando à estação, procure a saída principal e saia na Roosevelt Avenue, embaixo dos trilhos elevados do trem 7. Se não errou, verá dois ou três carrinhos de tacos mexicanos – é óbvio que você vai comer um. Preste atenção: se houver três carrinhos, vá ao do meio. Só dois, vá ao da esquerda. (O terceiro, às vezes, some. Não sei o motivo). No seu melhor sotaque mexicano peça “un taco al pastor”, ou seja, carne de porco com pedacinhos de abacaxi. Se te perguntarem “¿con todo?”, significa cebola, coentro e guacamole. A pimenta do carrinho é super forte, mas não se preocupe, é você quem a coloca.

Um taco custa dois dólares, muito barato, pois não é comida para turista nem para americano: os clientes são os imigrantes mexicanos do bairro, que trabalham muito, ganham pouco e só comem tacos verdadeiros.

Fotos Seth Kugel

Rua 74: Saris, música indiana e filmes de Bollywood

Procure a 74 th Street e vire à direita. Acaba de entrar no bairro indiano. Bijuterias, lojas de saris (a roupa tradicional da mulher indiana) e de DVDs de Bollywood, tudo num só quarteirão. É fundamental entrar no supermercado Patel Brothers. Se você acha que supermercado não é uma atração turística, vai mudar de ideia. Ali, você pode passar uma hora vendo diversos  produtos exóticos. Quando for embora, fale um “oi” para Jadeja Mahendra, vendedor de mangas do Patel. Ele fica o dia inteiro ao lado da saída principal, na rua. Há anos esse cara está aí e suas mangas são as mais baratas de Nova York.

Ainda na 74 th Street, há muitos restaurantes indianos com “buffets” de almoço onde é possível comer à vontade por 8 ou 9 dólares. (Em Manhattan, você paga 8 ou 9 dólares por um drinque.) Outra opção para seu almoço é virar à direita na 37th Avenue e comer no restaurante nepalês Thakali Kitchen (um dos poucos do gênero em Nova  York). Os “momos” -  “dumpling” estilo nepalês – são ótimos. Outra boa opção é a Elmhurst Pizza, que serve pizza em estilo grego. Para entrar no espírito do bairro, peça sua pizza “indo-pak”, com curry, cebola, alho e um monte de pimentas jalapeños. Cuidado: é muito, super, nuclearmente apimentada.

Continue na 37th Avenue. O coração residencial do bairro fica nos quarteirões a sua esquerda. Os prédios históricos de tijolo foram construídos na primeira metade do século 20, como parte do movimento mundial “Cidade Jardim”, uma tentativa de maximizar os espaços verdes em centros urbanos. Se você explorar as ruas da vizinhança (recomendo!), vai ver muitas árvores e flores. Porém, as partes mais verdes ficam escondidas. São os jardins interiores. Eles abrem para o público apenas uma vez por ano, em um domingo de junho. A data está chegando, dia 19. Se, por coincidência, você estiver na cidade, compre seu ingresso por 10 dólares na calçada fora da igreja da 81-10 35th Avenue. Há nove jardins abertos entre 12h e 16h.

Fotos Seth Kugel

Jardim interior do Hampton Court: um dos nove jardins do bairro que abrem ao público apenas uma vez por ano

Voltando à 37th Avenue, ao seu lado esquerdo, há mais um supermercado para visitar, o Trade Fair. Ele vende produtos importados de quase todos os países de imigrantes que moram no bairro. É incrível! Para os equatorianos, cobaia congelada – ao lado da polpa de graviola (sério!). Para os colombianos, arepas. Para os indianos, mil temperos. Ah, e se você não acredita que num país tão avançado como os Estados Unidos seu hotel não tem adoçante líquido para o café, o Trade Fair vende Zero-Cal importado do Brasil. Fica perto do Nescau.

Na 77th Street, no lado direito, há uma escola pública. Se passar por lá entre 14h e 15h, observe a diversidade de pais e mães esperando os filhos na saída. Bangladeshianos, americanos, colombianos… Os pais se reúnem por nacionalidade e idioma, mas pode ter certeza de que dentro da escola seus filhos são amigos, falam inglês entre eles e formam a próxima geração de nova-iorquinos. O produto mais interessante do bairro pode ser a comida. Mas o “produto” mais importante do bairro são os cidadãos americanos.

Nossa, falta muito. Precisa de um banheiro? Há um Starbucks quase chegando à 79th Street (minha rua!), mas não compre nada. (Não leu a coluna da semana passada?) No próximo quarteirão, há o Rudy Volcano, uma lojinha linda. O proprietário, Rudy, importa objetos de arte e roupas da Guatemala, sua terra natal, e vende, principalmente, para clientes americanos. Quase tudo no bairro é barato. Rudy Volcano é a exceção.

Fotos Seth Kugel

"Pandebonos" e "almojábanas": iguarias da padaria colombiana

Agora, você chegou à “Pequena Colômbia”. Em muitas padarias, você pode provar os pães colombianos com queijo (os “pandebonos” ou “panes de queso”), mas vou sugerir outra opção, típica da cidade de Cali: o “tcholado”. Leva frutas, sucos, leite condensado e gelo. Uma delícia, sobretudo no verão sufocante nova-iorquino (que está chegando). Pode comprar seu “tcholado” na pequena La Paisa Bakery, na 82 th Street, muito perto da esquina com a 37 th. Um pouco depois, dê uma olhada na Aroma de Mujer, loja de roupas colombianas no lado esquerdo da 37 th. Muitas imigrantes colombianas não gostam dos cortes dos jeans, calcinhas e biquínis americanos e procuram roupas produzidas no seu próprio país.

O próximo destino é uma padaria uruguaia: La Nueva Bakery, na 86-10 37th Avenue. (Cuidado, também existe um restaurante que se chama La Nueva, dos mesmos donos). Sente-se para tomar um café ou o ótimo refrigerante uruguaio El Paso de los Toros (sabor grapefruit), acompanhado por um genuíno alfajor uruguaio.

Acabou o seu tour. Pode voltar a Manhattan pela linha 7 (a parada mais próxima está na 90 th Street com a Roosevelt Avenue) ou ir a pé para a estação da 74th (andando pela movimentada Roosevelt para pegar a linha E ou a F).

Fotos Seth Kugel

Jantar no La Fusta, restaurante argentino

Claro que você poderia explorar mais o meu bairro e ficar para jantar no La Fusta, um restaurante argentino muito mais barato do que os existentes em Manhattan. Lá, o “bife de chorizo” é perfeito, o vinho é barato, o serviço é ótimo e a sobremesa de “crêpes flambées” com doce de leite é de morrer. Mas não é que tinha algo superimportante e superchique para fazer em Manhattan?

SETH ERROS

para evitar em Nova York e Jackson Heights.

1) Visitar a cidade e ficar só em Manhattan.

2) Desistir de ir para Jackson Heights por achar complicado chegar. Pode ir direto por três linhas do metrô: a E (pela Eighth Avenue), a F (pela Sexta Avenida) e a 7 (pela Rua 42). Se for pela E ou pela F, desça na estação Roosevelt Avenue-Jackson Heights; pela 7 desça na 74th Street-Roosevelt Avenue).

3) Comer antes de ir a Jackson Heights. (O ideal: jejum por três dias. O aceitável: não tomar café de manhã).

4) Preocupar-se com a limpeza dos carrinhos de tacos. São todos inspecionados pela prefeitura. Pode ser que os trabalhadores lá dentro sejam ilegais, mas a comida é legal.

5) Desistir de La Nueva Bakery porque está sem fome. Leve um alfajor coberto de chocolate para viagem e coma no dia seguinte em Manhattan, preferivelmente na calçada, para que os demais turistas morram de inveja.

6) (Só para mulheres) Perder a oportunidade de conversar com a dona colombiana da loja Aroma de Mujer sobre o mau gosto das norte-americanas.

7) Tentar encontrar o restaurante argentino La Fusta sem imprimir este mapa.

Notas relacionadas:

  1. As redes de restaurantes que valem a pena. E as que você deve fugir
Autor: Seth Kugel Tags: , , , ,

quarta-feira, 1 de junho de 2011 Estados Unidos | 07:03

As redes de restaurantes que valem a pena. E as que você deve fugir

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Já aconteceu tantas vezes que nem consigo contar. Um brasileiro me pergunta: “qual é a verdadeira comida americana?” Hambúrguer do McDonald’s, né? Pizza do Domino’s, né? Café e muffin tipo Starbucks, né?”

Não é, não é, e não é.

Fotos Seth Kugel

Deixe para ir ao McDonald's na volta ao Brasil

Um outro dia falarei do peru com molho de cranberry do jantar de Ação de Graça e dos sanduíches estilo americano tipo Subway, mas mil vezes melhor são a comida caseira do Sul que me lembra a comida mineira, os queijos de Wisconsin que não me lembram em nada o queijo mineiro e o burrito de San Francisco que não é, nem de longe, uma invenção mexicana.

Hoje vou me limitar a um erro grave cometido por turistas pelo mundo inteiro: comer em redes internacionais.

Me dá muita pena entrar no McDonald’s lá na Times Square e encontrar tantos turistas falando tantos idiomas diferentes (quando suas bocas não estão cheias de batatas fritas). Quanto dinheiro eles gastaram para vir a Nova York só para comer num lugar que existe no seu país também? E todos os turistas no Starbucks, essa rede de cafés tão medíocre. Em muitas cidades americanas onde existem tantos outros cafés simpáticos, o Starbucks tem só três razões para existir: cafeína de emergência, internet de emergência, banheiro de emergência.

Não é que toda rede seja ruim. Por alguma razão viraram redes, né? Em algum momento o primeiro restaurante fez tanto sucesso que inauguraram mais um, e mais outro, e mais outro. Olha o primeiro McDonald’s, parece até bom mesmo.

Minha regra para turistas, então, é a seguinte: pode comer numa rede, mas só se ela não existir onde você mora.

Levante a mão se você mora perto de um McDonalds. OK, está proibido de comer no McDonald’s quando viajar. Agora, levante a mão se você mora perto de um Five Guys ou de um In-n-Out Burger.

Não existem no Brasil, mas são duas redes regionais nos Estados Unidos que servem hambúrgueres de verdade e têm milhares de devotos. Um dos maiores fãs do Five Guys é o Obama, que uma vez saiu da Casa Branca para ir até lá e voltar com cheeseburgueres para seus assessores. O In-n-Out Burger é uma rede da Califórnia conhecida por seu “cardápio secreto” que só os devotos conhecem.

Fotos Getty Images

Se quiser fast food, busque por redes internacionais que não existam próximas a sua casa. Foto: Getty Images

Minha regra não aplica só aos Estados Unidos, claro. Quando fiz uma matéria em Londres sobre os lugares favoritos dos alunos universitários, pesquisei entre os estudantes para ver onde se comia bem e barato. Quase 100% mencionaram o Nando’s, uma rede lendária entre eles pelo “frango peri-peri,” frango grelhado e servido com molho apimentado com origem moçambicana. A rede nem é inglesa, mas já virou parte da cultura londrina. Fui, adorei e recomendo como parte imperdível duma visita a Londres.

E se não houver alternativa às redes proibidas? Não custa verificar as opções. Já pesquisou no Google Maps? (A busca “Restaurants near xxx”, onde “xxx” é o endereço onde você está, funciona muito bem). Também tem Urbanspoon.com (fácil até para os que não entendem muito inglês), Chowhound.com, Yelp.com e TripAdvisor.com. Para Nova York, nymag.com/restaurants é o melhor, e de longe.

Mas e em uma viagem de estrada, nessas paradas onde só existem redes? Resposta 1: pegue uma saída qualquer da estrada, dirija até a cidadezinha mais perto e procure um restaurante local. Resposta 2: se não quiser ousar, veja se há uma rede não conhecida na sua parada e pergunte qual é a comida mais típica deles. Coma o frango saudável do Boston Market, por exemplo, e depois vá ao Cinnabon para pedir o cinnamon roll mais gostoso de todos os tempos. Com 880 calorias e 36 gramas de gordura, é para dividir. (Ok, tem Cinnabon no Brasil, mas se você não mora perto de uma franquia, pode experimentar durante sua viagem aos Estados Unidos).

 

Fotos Getty Images

A lendária rede Waffle House é uma boa opção para o café da manhã

Às vezes existem redes locais ou regionais que valem a pena até procurar. Quando fui à Flórida recentemente, quis muito tomar café de manhã num Waffle House, uma rede quase lendária que não existe em Nova York (nem no Brasil). Não gostei, mas pelo menos matei a curiosidade. Outro exemplo é o Friendly’s, uma rede de lanchonetes e sorveterias popular nas pequenas cidades no Nordeste dos Estados Unidos. Eu fui criado nessa região e, para mim, o Friendly’s tem uma forte ligação com a infância. Se você for, não perca o sorvete de black raspberry (framboesa negra). É ótimo. Bom, pelo menos foi ótimo nos anos 80 – preciso voltar lá para me atualizar.

A minha regra se aplica também às redes brasileiras? Claro. Eu gosto do Habib’s, principalmente porque é muito barato. Mas no ano passado, quando fui a Maceió, meu hotel ficava muito perto de um Habib’s sempre lotado. Fui? Claro que não – em frente ao Habib’s, na beira-mar, uns camelôs vendiam as melhores tapiocas que já provei na vida. No Nordeste, eu como comida nordestina, lógico.

Da mesma forma, eu aceito que um turista gringo visite o Habib’s quando estiver no Brasil. Óbvio que ele não vai encontrar as melhores esfirras do mundo, mas vai conhecer um lugar bem brasileiro. Claro que seria inaceitável para esse turista concluir: “Assim é a comida árabe no Brasil.”

Da mesma forma, o hambúrguer do McDonalds não é comida típica americana. Se você quiser se empanturrar com sanduíches cheios de calorias e gorduras, tudo bem. Mas economize o custo da passagem e faça isso no Brasil.

SETH ERROS

PARA EVITAR AO ESCOLHER UM RESTAURANTE NA VIAGEM

1) Comer em um restaurante de rede se a mesma rede existe perto da sua casa ou se já experimentou em outro lugar.

2) Tomar café no Starbucks (procure um café local. Alguns exemplos nova-iorquinos: em Manhattan, Grounded, Think Coffee, Ninth Street Coffee, Joe, e no Brooklyn, o Tea Lounge.)

3) Desistir das redes totalmente (Muitas redes locais e regionais são ótimas.)

4) Usar como desculpa “Mas não sabia aonde ir”. Procure, pesquise, pergunte.

5) Perder a oportunidade de comer seu primeiro Cinnabon.

6) Comer seu segundo Cinnabon. Como saltar de pára-quedas, Cinnabon é coisa de uma vez na vida.

7) Me dizer que o McDonald’s é comida americana. Só é se o Bob’s for comida brasileira.

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