Pérola do cinema extremo abre festival em SP
A Indie 2009 – Mostra de Cinema Mundial, que já passou por Belo Horizonte no começo do mês, tem início em São Paulo na noite desta quinta-feira (17), com a exibição para convidados de Kinatay (2009), do filipino Brillante Mendoza, vencedor do prêmio de direção no Festival de Cannes deste ano, apesar de ter sido recebido com vaias por parte da imprensa presente no balneário francês. Tudo porque Mendoza mostra de forma crua (cruel?) o rapto, tortura e assassinato – além do posterior desmembramento do cadáver – de uma prostituta sob a ótica de um rapaz que participa do crime apenas para conseguir dinheiro para se casar com sua namorada.

Kinatay não foi rodado como um filme de terror, mas o que se passa na tela durante sua exibição é puro horror. Películas assim, com imagens destinadas a chocar a audiência, não são novidade (basta lembrarmos do barulho provocado na década de 1970 pelas cenas de tortura do Salò de Pasolini). A mesma edição do Festival de Cannes teve ainda O Anticristo de Lars von Trier, com suas já célebres cenas explícitas de mutilação genital.

Dentro do gênero terror, o gore, os efeitos de maquiagem que expõem vísceras e afins, geralmente são utilizados não para chocar, mas para divertir exagerando ao máximo aquela situação, que na vida real seria intolerável. No entanto, alguns cineastas, com a ajuda de experts em efeitos, preferem ir além, “pushing the envelope”, como dizem os americanos, mostrando a violência e a morte da forma mais realista possível.

A série japonesa de falsos snuff movies Guinea Pig ficou famosa no começo dos anos 90, quando o ator Charlie Sheen achou que as mortes encenadas em frente às câmeras fossem reais. Sheen chegou a alertar o FBI a respeito dos vídeos. Dez anos antes, o diretor italiano Ruggero Deodato foi para a cadeia após o lançamento de Canibal Holocausto, que, na forma de falso-documentário, mostra a morte de um grupo de jovens documentaristas por índios canibais na Amazônia. A ideia, que seria copiada mais tarde pelos realizadores de Bruxa de Blair, combinada a efeitos nojentos, cenas reais de execuções em países da África e da Ásia e, o que ainda causa enorme controvérsia, o abate de animais pelos atores em cena (a sequência da morte da tartaruga é para poucos estômagos) levaram Deodato ao tribunal na Itália, para provar que seu elenco não havia morrido de fato.

Inspirado na angustiante cena de estupro de Henry – Retrato de um Assassino (1986), o diretor Fred Vogel pegou ainda mais pesado e cometeu a série August Underground. Não há história, as câmeras apenas registram da maneira mais explícita possível as atrocidades cometidas pelo personagem de Vogel e seus amigos degenerados. A gravação amadora e o trabalho extremamente competente da ToeTag, empresa de efeitos de Vogel, levam qualquer um, inclusive quem sabe que se trata de algo fake, a pensar que está vendo um vídeo com assassinatos reais.

A onda do terror extremo chegou até Hollywood com a violência e o gore de filmes como Jogos Mortais e O Albergue, que logo ganharam dos críticos o rótulo “torture porn”.
E você, o que pensa dos filmes com cenas de violência extrema? Acha válido se as imagens estiverem dentro do contexto da obra? Atenção, me refiro a filmes mesmo, não a pseudo-documentários com imagens de mortes reais e autópsias como a infame série Faces da Morte.
Ah, e pra quem ficou curioso a respeito de Kinatay, o próprio Brillante Mendoza – que é tema de uma retrospectiva na mostra – participará de um bate-papo mediado pelo jornalista Ricardo Calil no sábado (19), às 11h. Para participar, basta retirar o ingresso gratuito no local (CineSesc – r. Augusta, 2075) com uma hora de antecedência.
