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Arquivo de julho, 2009

24/07/2009 - 10:52

Enfim, Halloween de Rob Zombie chega ao Brasil

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No post anterior, escrevi sobre a demora no lançamento de À Prova de Morte. A “reinterpretação” de Halloween assinada por Rob Zombie enfrentou atraso quase idêntico. Lançado em 2007 nos EUA, o longa só chega aos cinemas do país nesta sexta-feira (24).

O original, dirigido por John Carpenter em 1978, começa com um menino assassinando sua irmã mais velha. Anos depois, o garoto, Michael Myers, já crescido, foge da instituição em que estava preso e volta à sua cidade natal para espalhar o terror na noite de Halloween.

Ao ser contratado pelo irmãos Weinstein para dirigir a refilmagem, Zombie foi “pedir a bênção” de Carpenter, que disse “torne-o um filme seu”. E foi o que ex-vocalista da banda White Zombie fez.

Para Carpenter, menos é mais, tanto na forma quanto no conteúdo. Ele não estava preocupado em explicar as causas do surto psicótico do pequeno Myers. Sua ideia era torná-lo ainda mais assustador por desconhecermos suas intenções. Por isso mesmo, o personagem recebeu o apelido de “shape” (forma, corpo). Era uma máquina de matar, desprovida de sentimentos, de qualquer sinal de humanidade, que se existe está oculta por detrás de uma máscara inexpressiva. Estilísticamente falando, o famoso tema musical minimalista, composto pelo próprio diretor, e sua opção por não ser muito explícito nas cenas de assassinato (Massacre da Serra Elétrica, rodado 3 anos antes, era muito mais violento) deixam clara essa intenção de simplificar ao máximo o filme para se concentrar no suspense.

Rob Zombie, então, seguiu o conselho do mestre e foi por uma direção totalmente oposta, sem, no entanto, desrespeitar o filme original. Na nova versão vemos o ambiente opressivo em que vive o pequeno Myers, acompanhamos seu processo de encrudescimento na instituição psiquiátrica e sua explosão de fúria ao fugir do lugar onde passou 17 anos para, claro, tocar o terror em Haddonfield, sua cidade natal.

A primeira parte do filme, justamente a que Zombie toma mais liberdade com relação ao material de Carpenter, é a melhor. Apesar da fórmula manjada, a origem do vilão é bem apresentada e como era de se esperar, não poupa o espectador. Antes de ser encarcerado, o jovem Myers promove uma matança com requintes de crueldade. O segundo ato, no hospital psiquiátrico, também reserva bons momentos, em especial do ator mirim Daeg Faerch, que fica parecido com um membro do “fã-clube infanto-juvenil” da banda Slipknot ao criar diferentes máscaras para cobrir sua face que alterna inocência e insanidade.

O Michael Myers adulto é “interpretado” por Tyler Mane, ex-lutador de luta livre (telecatch) que ganhou destaque ao encarnar o Dentes-de-Sabre no primeiro filme dos X-Men. Com 2,05 m de altura, Mane impõe mais respeito e mete mais medo que os Myers dos filmes anteriores. A cena em que ele foge do hospital seria perfeita se Zombie não tivesse incluído o risível assassinato de um carcereiro que tem uma espécie de “relação de amizade” com o psicopata.

A partir daí, com a consequente chegada de Myers a Haddonfield, Zombie se aproxima mais do filme de 1978, chegando a repetir enquadramentos de câmera usados por Carpenter. Apesar da homenagem, que inclui o uso da música-tema do Halloween original, a refilmagem cai na vala comum dos slasher movies, com Rob Zombie se rendendo aos velhos e batidos clichês do gênero. Apesar disso, há que se ressaltar que o roqueiro vem amadurecendo como cineasta. Quem viu os trabalhos anteriores de Zombie, A Casa dos Mil Corpos e Rejeitados pelo Diabo, sabe que ele adora um excesso visual, muito por influência de sua origem como ilustrador e diretor de videoclipes. Em Halloween – O Início, ele dá uma maneirada com o “estilo MTV”.

De toda forma, quem gosta de filmes de assassinos mascarados não vai se decepcionar. Aliás, quem gostar vai poder conferir a continuação Halloween 2, também dirigida por Rob Zombie, daqui a alguns meses. A Playarte promete lançar a sequência no dia 30 de outubro.

Autor: Daniel - Categoria(s): Cinema Tags: , , ,
23/07/2009 - 14:31

Você acredita em Papai Noel?

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Se acredita, prepare-se pois antes do Natal deve chegar aos cinemas brasileiros, finalmente, À Prova de Morte de Quentin Tarantino. Só pra relembrar, o filme foi lançado em 2007 e desde então teve seu lançamento adiado pela distribuidora Europa Filmes inúmeras vezes.

O motivo seria a fraca acolhida de Planeta Terror, de Robert Rodriguez, nas bilheterias brazucas. Os dois longas foram lançados nos EUA como uma sessão dupla em homenagem aos filmes Bs da década de 70, intitulada Grindhouse.

A curiosidade é que, se À Prova de Morte realmente chegar às salas de exibição daqui, o trabalho mais recente de Tarantino, Bastardos Inglórios, poderá ser visto antes. Ah, faltaram as datas. Bastardos… estreia no dia 23 de outubro, semanas antes de À Prova…, que, espera-se, chega ao circuito em 13 de novembro.

Autor: Daniel - Categoria(s): Cinema Tags: , , , , , ,
20/07/2009 - 14:10

Interlúdio

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Pausa na tosqueira para a música. Há pouco tempo foi lançado “The Spirit of Apollo”, álbum de estreia da dupla N.A.S.A., formada pelos DJs Zé Gonzales (ex-Planet Hemp) e Squeak E. Clean (irmão do cineasta Spike Jonze, de Quero ser John Malkovich). O disco traz participações de medalhões como Chuck D, Method Man, Kanye West, Tom Waits, John Frusciante, RZA e George Clinton, entre outros.

O ex-Talking Head David Byrne participa da faixa “The People Tree”, ao lado dos rappers Chali 2na, Gift of Gab e do DJ Z-Trip. O clipe, dirigido pelos animadores Syd Garon e Johannes Gamble, é uma das coisas mais legais (e sinistras, com direito a enforcamentos e sexo com um torso serrado ao meio) a passarem na MTV atualmente.

Confira!

Autor: Daniel - Categoria(s): Música Tags: , , , , , ,
12/07/2009 - 14:53

O pai do horror explícito

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Há 46 anos um diretor de filmes B produzidos para exibição em cinemas drive-in criou o horror gore, mostrando assassinatos de uma forma escandalosamente gráfica nas telas, com direito a closes em membros decepados e muito sangue falso. Herschell Gordon Lewis ganhava a vida na década de 1960 assinando para o produtor David F. Friedman películas baratas cheias de nudez a fim de animar os jovens casais que lotavam os drive-ins. Mas a fórmula se desgastou. O público já se acostumara às mulheres nuas que apareciam na tela a cada dez minutos, intervalo criado para não incomodar a pegação dos casais em seus automóveis.

Foi então que Gordon Lewis e Friedman resolveram ousar e incluir banhos de sangue à nudez em seus filmes. Daí nasceu Blood Feast (lançado por aqui apenas em VHS, com o título Banquete de Sangue), sobre um serial killer egípcio que mutila suas vítmas a fim de preparar uma “refeição” que servirá de oferenda a uma deusa. Confira o trailer abaixo.

O longa fez um relativo sucesso, foi detonado pela crítica, mas, com o passar do tempo, foi adquirindo notoriedade como o primeiro filme de horror explícito. Diretor e produtor voltaram a repetir a fórmula com 2000 Maniacs! (1964) e Color me Blood Red (1965), mas decidiram abandonar o filão com medo da saturação, já que muitos similares surgiram depois de Blood Feast.

Sem a colaboração de Friedman, Gordon Lewis ainda reutilizaria a fórmula em produções como Wizard of Gore (1970), versão splatter de O Mágico de Oz. Apesar de praticamente aposentado, o diretor se reuniu com o antigo parceiro em 2002, justamente para realizar a sequência de sua obra mais famosa: Blood Feast 2: All U Can Eat.

A despeito da pouca qualidade cinematográfica de seu trabalho, o legado da obra de Gordon Lewis é óbvio. Não fosse por ele, não veríamos efeitos tão grotescos — e divertidos para os fãs do gênero — como os da foto abaixo, dos bastidores da refilmagem de Piranha, dirigida pelo francês Alexandre Aja (de Viagem Maldita, interessante remake de Quadrilha de Sádicos), divulgada na última semana pelo site da revista “Fangoria”.

Autor: Daniel - Categoria(s): Cinema Tags: , , , , , , , ,
05/07/2009 - 12:46

Terror em edição de luxo

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Não se trata de uma novidade – foi lançado no ano passado, mas aí vai uma indicação para os fãs da cultura tosca. “Cine de Terror” edição em espanhol do livro “Horror Cinema” (ed. Taschen) escrito pelo ator Jonathan Penner (da cultuada comédia de humor negro O Último Jantar) e Steven Jay Schneider, com edição de Paul Duncan. A obra traça um histórico da cinematografia de horror mundial, dividido por subgêneros como “mortos-vivos”, “vampiros e lobisomens”, “assassinos em série” e “fantasmas e casas assombradas”, entre outros.

O texto é bem didático e não traz muitas novidades aos iniciados. A propósito, o grande senão é a exclusão de José Mojica Marins. Não há uma linha sequer sobre o criativo cineasta brazuca. De qualquer forma, “Horror Cinema” é uma beleza de 23.1 cm x 28.9 cm, capa dura e 192 páginas ilustradas com fotografias sensacionais, como é de praxe nos livros editados pela Taschen.

Como é importado, você não deve encontrá-lo por menos de R$ 100 nas melhores livrarias de sua cidade. Mas vale o investimento e pode ser uma ótima opção de presente para o dia dos pais que vem por aí, dependendo do gosto cinematográfico dele.

Autor: Daniel - Categoria(s): Cinema Tags: , , , , , ,
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