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05/11/2008 - 11:04

Lições do medo

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Imagino que todos os tempos são tempos de violência. O sofrimento que causamos uns aos outros não é novo, nem nasceu nas telas de TV. O que talvez seja novo é, como ensinam os especialistas, a escala. O que talvez seja novo é a visibilidade planetária que ganham os atos de violência que os humanos (poucos, temos que acreditar nisso e as estatísticas ainda devem estar a favor dos seres pacíficos!!) andam cometendo por aí.

Será que é possível se proteger da violência? Talvez. Segundo Gavin de Becker, que, de especialista virou uma celebridade, desde que Oprah Winfrey disse que “esse é o maior entendido do mundo em comportamento violento”, a única coisa que pode evitar que sejamos vítimas da violência é… nosso medo!

No livro The Gift of Fear, Gavin de Becker explora várias situações de violência, tentando demonstrar como, naqueles momentos, as pessoas envolvidas tinham sido assaltadas por inúmeras indicações do perigo iminente — arrepios, intuições, impulsos “irracionais” — e, nos piores casos, não tinham reagido a esses sinais. Nos melhores casos, essas pessoas forneceram indícios preciosos para o estudioso do comportamento formatar suas teses sobre o “presente do medo”.

“Ouvir um pequeno sinal de advertência pode salvar a sua vida”, afirma o especialista “assim como não seguir outros acabam nos colocando em situações de risco”. Nada a ver com paranóia. Apenas pesquisa aplicada na vida diária. Veja só os sinais que ele relaciona:

Pensamentos persistentes

Variações de humor

Ansiedade sem explicação

Curiosidade

Sensações estranhas “na boca do estômago”

Dúvidas

Hesitações

Apreensões

Suspeitas

Palpites

Todas essas reações cheias de informação são enviadas para nós pelo nosso maior aliado, o medo.

Mas como distinguir essas reações na hora “H”? Aprender a reconhecer esses sinais é um tremendo exercício de autoconhecimento. Nada fácil, ao contrário, mas simplesmente começar a pensar nisso já é alguma coisa.

Todos nós já trombamos alguma vez com alguém que nos faz sentir “esquisitos”…talvez até tenhamos prestado atenção, mas grandes são as chances de termos sacudido os ombros num “que bobagem!”. Demos sorte, provavelmente.

Todos nós também já desconfiamos injustificadamente de alguém. E nos arrependemos depois. “Puro preconceito”, dizemos. Provavelmente.

E ninguém quer viver em estado de vigilância eterna contra nossos semelhantes. Então, o medo pode ser educado, ensina De Becker, reconhecer e exercitar “a intuição confiável é exatamente o oposto de viver com medo”.

E talvez a gente tenha mesmo desaprendido a ouvir esses sinais protetores. A moça Eloá, por exemplo, poderia ter usado esses recursos para evitar um envolvimento maior com o rapaz que a matou.

O medo, puro, dos animais, não é aquela coisa ansiosa que inventamos para nós mesmos. Nada tem a ver com fantasias e pavores imaginários. O medo é coisa de bicho. De sobrevivência.  Aprender a não ter medo do medo é a primeira regra. Até porque “quando temos medo, não está acontecendo”.  O medo é sempre medo de algo que pode acontecer. Se um ladrão entrar na sua casa, você não vai ter medo de que um ladrão entre na sua casa, esse medo você já teve. Agora, seu medo é do que ele vai fazer em seguida, entende? Ou seja, o medo sempre antecipa alguma situação de perigo. Cabe a cada um checar as origens deste medo, examiná-lo de todos os ângulos possíveis, ouvir as intuições agregadas a ele e depois tomar uma decisão: evitar, fugir ou atacar. O medo nos dá tempo para pensar e agir.

Não ter medo do próprio medo pode parecer uma idéia polêmica, mas se a gente parar para pensar, não faz sentido? Afinal, nem sempre a gente pode confiar nos versos da música “o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”…

Em português, o livro chamou-se As Virtudes do Medo, na Livraria Cultura você compra online
 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags: , ,
13/08/2008 - 16:35

Uma pulseira contra a violência doméstica

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A partir deste mês, procure nos catálogos da Avon por essa pulseirinha azul. A “Pulseira da Atitude” só custa R$5,00 e cada centavo deste valor vai para o escritório regional do Unifem Brasil/Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento da ONU para a Mulher).

A ação faz parte da campanha Fale sem Medo – não à violência doméstica, que é coordenada pelo Instituto Avon. A pulseira tem o símbolo do infinito em metal prateado, que, segundo a assessoria da empresa, “simboliza o futuro sem limitações para as mulheres, que merecem estar seguras, autônomas, saudáveis, para buscar seus sonhos e transformá-los em realidade”.

E não é uma ação isolada, segue a campanha mundial da Avon Foundation, Speak Out against Domestic Violence, que existe desde 2004 e já investiu mais de US$ 6 milhões em ações com o objetivo de conscientizar a sociedade e reduzir os índices de violência contra a mulher, em várias partes do mundo.

Conscientizar a sociedade…todas as campanhas contra a violência são importantes, é óbvio! Desde que tragam no bojo alimento para reflexão e propostas de mudanças. Mas existe uma certa indulgência na fala “conscientizar a sociedade”, não acha? Dá a impressão de que no fundo no fundo, nós, cada um de nós, de alguma forma está excluído do incômodo, NÓS, que lemos ou ouvimos a frase somos inocentes, culpados são sempre…os outros! Porque a violência não nasce em algum lugar lá bem lá fora de nós, nada disso, ela nasce no espaço mais escuro de nós mesmos, se alimenta do nosso medo e cresce até ocupar cada cômodo da casa, as ruas, as cidades, o planeta…

Ou você acha que não é violência bater numa criança, gritar com o motorista do carro ao lado, xingar moça do caixa do supermercado, controlar obssessivamente a vida dos outros, brigar na torcida do jogo de futebol, manipular o afeto do parceiro, macular, da forma que for, o corpo de quem quer que seja, o seu, inclusive…são inimagináveis as tantas formas de violência…

Dá para imaginar que uma em cada 3 mulheres apanham ou sofrem algum tipo de abuso, sexual, sobretudo, seja do pai, do marido ou de algum membro da família? Dá para entender o que nós, adultos, estamos fazendo com as nossas crianças? O documento da ONU sobre o assunto, de 2006, fala de “epidemia global de proporções escandalosas”, fala 250 milhões de crianças que estão sendo agora, enquanto eu escrevo e você lê, sendo torturadas, abusadas, machucadas e mortas pelas mesmas pessoas que deviam protegê-las, cuidar delas e garantir o seu futuro!

E se, ainda, ousarmos olhar de frente os estudos que falam da violência doméstica contra os homens (sim, não precisamos nos iludir quanto a nossa capacidade de inflingir dor, certo?) vamos descobrir, por exemplo, que em um deles, mais de 24% dos homens relataram ter sofrido algum tipo de violência por parte de suas parceiras, seja essa violência definida como física (tapas, pontapés, socos) ou psíquica (ameaças, escândalos, humilhações, comportamento controlador). Que 1 em cada 9 homens nos EUA são vítimas de violência por parte de suas parceiras! Um em cada 9!!!?

E para que não haja dúvidas sobre o que é mesmo que estamos chamando de violência, transcrevo o que está no site do National Domestic Violence Hotline, dos EUA. Além da violência física, são consideradas formas de violência também:

Xingamentos ou humilhações
Gritos e ameaças
Tapas, bofetadas e empurrões
Ciúmes e desconfianças
Proibir alguém de estar com sua família e amigos
Arremessar sobre o outro objetos de qualquer tipo

No site Psiq Web, de Psicologia Forense, você encontra mais material para discutir esta questão com seu parceiro, seus amigos, sua família…porque no fundo, todos somos responsáveis por todos…

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Local: Pavilhões do Anhembi
Rua: O
Data: de 14 a 24 de agosto
Horário: das 10h às 22h

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Inspiração, Mulher, mulheres, Toques de alma Tags: , , , ,
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