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	<title>Toques de Alma &#187; Iansã</title>
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	<description>Espiritualidade e viver bem, por Adília Belotti</description>
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		<title>Falando de Iansã</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 19:05:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adília Belotti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[candomblé]]></category>
		<category><![CDATA[Iansã]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que conheci Sophia de Mello Breyner Andresen, mergulho todos os dias neste mar encantado de que ela fala.
Os versos e a voz de Maria Betânia cantando as &#8220;senhoras&#8221; divinas, Nanã, Oxum, Iemanjá, têm me feito companhia de manhãzinha, são eles que me acordam&#8230;
O cd, Mar de Sophia, homenagem à poetisa, é belíssimo, você com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que conheci Sophia de Mello Breyner Andresen, mergulho todos os dias neste mar encantado de que ela fala.</p>
<p>Os versos e a voz de Maria Betânia cantando as &#8220;senhoras&#8221; divinas, Nanã, Oxum, Iemanjá, têm me feito companhia de manhãzinha, são eles que me acordam&#8230;</p>
<p>O cd, <em>Mar de Sophia</em>, homenagem à poetisa, é belíssimo, você com certeza vai gostar também. Mas preste atençao quando a cantora invoca Iansã&#8230;</p>
<p>&#8220;<em>Vamos chamar o vento</em>&#8220;, Dorival Caymmi sussurra com a voz de Betânia, &#8220;<em>Vamos chamar o vento</em>&#8220;&#8230;</p>
<p>Depois, empresta a voz para Sophia, poeta do mar cantar um ser fabuloso: a Procelária.</p>
<p>&#8220;<em>É vista quando há vento e grande vaga<br />
Ela faz o ninho no rolar da fúria<br />
E voa firma e certa como bala.</em></p>
<p><em>As suas asas empresta à tempestade<br />
Quando os leões do mar rugem nas grutas<br />
Sobre os abismos passa e vai em frente</em></p>
<p><em>Ela não busca a rocha, o cabo, o cais<br />
Mas faz da insegurança sua força<br />
E do risco de morrer seu alimento</em></p>
<p><em>Por isso me parece imagem justa<br />
Para quem vive e canta no mau tempo&#8221;</em></p>
<p><strong>Procelária: uma ave, uma mulher, ou todas as mulheres que vivem e cantam no mau tempo.</strong></p>
<p>A história de Iansã Oiá, literalmente, &#8220;aquela que rasga&#8221;, e que eu reconto aqui é para elas:</p>
<p>Iansã Oiá tinha um pai adotivo e vivia com ele na mata.<br />
Ele era o maior de todos os caçadores.<br />
Um dia, morreu e deixou Oiá muito triste.<br />
Ela decidiu que queria fazer uma homenagem para o pai.<br />
Embrulhou seus pertences de caça num pano, preparou suas iguarias favoritas.<br />
E dançou e cantou por sete dias, espalhando seu vento por toda parte e fazendo vir todos os caçadores da terra.<br />
Na sétima noite, embrenhou-se na mata e depositou ao pé de uma árvore sagrada os pertences de seu pai.<br />
Olorum, que sempre vê tudo, ficou comovido.<br />
Fez da jovem Iansã guia dos mortos no caminho sagrado, Orum Aiê e mãe dos espaços dos espíritos.<br />
Fez de seu pai, Odulecê, um orixá.<br />
E do gesto de Oiá, o ritual ao qual todos os mortos tem direito: comidas, cantos, danças e um espaço sagrado&#8230;<br />
 <br />
Iansã teve muitos homens e de cada um ganhou uma coisa importante:</p>
<p>De Ogum, o ferreiro divino, ganhou nove filhos e o direito de usar a espada para defender-se e defender os outros<br />
De Oxaguiã, o jovem construtor, ganhou um escudo para proteger-se dos inimigos<br />
De Exu, o mensageiro, ganhou o direito de usar a magia e o poder do fogo para realizar desejos<br />
De Oxóssi, o caçador, ganhou o saber da caça para alimentar seus filhos<br />
De Logun Edé, o senhor das matas, ganhou o direito de tirar das cachoeiras os frutos dágua para seus filhos<br />
Com Xangô, o juiz, viveu o resto da vida e ganhou dele o poder do encantamento, o posto da justiça e o domínio dos raios.<br />
 <br />
Um dia, houve uma festa, todos os orixás estavam presentes.<br />
Omulu-Obaluaê, o temido orixá das doenças, chegou vestido de palha. Ninguém o reconheceu e nenhuma mulher quis dançar com ele.<br />
Mas eis que de repente, Oiá-Iansã entra na roda e atrave-se a dançar com o Senhor da Terra.<br />
E tanto girava que levantou o vento, e o vento descobriu a palha de Omulu.<br />
Todos puderam ver o quanto ele era belo.<br />
E o reverenciaram.<br />
Ele ficou tão grato que fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos, Oiá Igbalé, a condutora dos eguns, os espíritos dos mortos).<br />
E ela dançou de alegria a sua dança que convoca o vento.</p>
<p><strong>As filhas de Iansã devem ser assim, apaixonadas, amantes dos temporais, amazonas de ventanias&#8230;</strong></p>
<p><strong><a title="Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi" href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3040990&amp;sid=22612325311527473856864281&amp;k5=3744CD0&amp;uid=" target="_blank">Leia mais histórias dos orixas no livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi</a></strong></p>
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