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12/10/2009 - 11:26

Padroeira

 Entronização da imagem de Nossa Aparecida 2009_TVAparecida

Hoje é Dia da Padroeira. Para os católicos, dia de procissão, de festa, antecipada na alma às vezes por muitos meses…

E revendo as imagens da devoção dos fiéis à Nossa Senhora Aparecida, fiquei pensando nos padroeiroes, esses protetores das gentes e das coisas das gentes. A palavra “padroeiro” vem de protetor, de defensor. E o costume de dedicar igrejas, edifícios, barcos, cidades e países para um protetor celestial é muito, muito antigo.

Ao contrário dos católicos ortodoxos, os católicos do Ocidente sofrem de saudades. Afastados dos locais da história sagrada, longe dos caminhos e dos símbolos que emprestariam concretude maior a sua fé, eles vão encontrar nas relíquias dos santos, dos mártires e da Virgem Maria presença e consolo. Órfãos da geografia sagrada, vão buscar na devoção ao santo proteção celestial e cuidado, numa relação viva, quente, dinâmica que reproduz direitinho as complicadas relações que vão se estabelecendo entre as pessoas a partir da Idade Média. De um lado, os poderosos, cujo dever era cuidar, do outro, o povo, que trocava essa proteção por trabalho, dedicação, reverência. São padrinhos e afilhados, senhores e servos, figuras nossas conhecidas dos livros de história, agora com a benção do santo que vai salvar de todos os males, ajudar nos casos de amor, assim como castigar a falta de dedicação e o descaso.

Na Europa, além de escolher um padrinho e uma madrinha para o recém-nascido, as mães se apressavam em escolher um padrinho ou uma madrinha celestiais entre os santos, os anjos, o próprio Jesus Cristo e sua mãe, a Virgem Maria, havia que proteger as crianças sozinhas no berço dos feitiços, dos quebrantos, dos olhos invejosos.  Porque se com Deus a relação é de temor e distante reverência, com os santos o relacionamento é mágico e íntimo, feito de promessas, de orações, de serviços mútuos prestados ali mesmo, no reme-reme da vida.

A força desta relação só vai crescer, marcada pelas festas em honra ao padroeiro da cidade ou da aldeia e pelas peregrinações aos lugares sagrados onde se exibiam as relíquias do protetor favorito.

Nossa Senhora, como Mãe de Deus, será a campeã dos benfeitores. Mas de um jeito seu, muito peculiar. Nossa Senhora “aparece”. Não é escolha, nem decisão, muito menos coisa imposta. Na devoção do povo, Nossa Senhora de vez em quando visita seus filhos e eles a encontram, ora no topo de uma colina, ora numa gruta, ora tirando-as de dentro das águas em milagrosas pescarias. São literalmente Nossas Senhoras Aparecidas.

A mais famosa história de aparição de Maria na América é a de Nossa Senhora de Guadalupe, a Padroeira do México, que surgiu diante do índio Juan Diego, na colina Tepeyac, perto de onde hoje é a Cidade do Mexico, entre 9 e 12 de dezembro de 1531, e estampou o manto do camponês com sua imagem milagrosa.

No Brasil, Nossa Senhora chega trazida pelos marinheiros. E se deixa encontrar pela primeira vez por Caramuru, na Bahia, já em 1530. A imagem também milagrosa, era de Nossa Senhora das Graças, e foi colocada numa capela mandada construir pela índia Paraguaçu, mulher de Caramuru.

Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil, foi achada em 1717 pelos pescadores Domingos Garcia e Filipe Pedroso, que jogavam suas redes no rio Paraíba. Assim como Nossa Senhora de Guadalupe, é preta, dizem que por ter ficado muito tempo dentro d´água. Os fiéis não acreditam. As “Virgens Morenas” tem a cor mestiça dos seus filhos.

E há de ser por tal afinidade com a vida, que no vídeo do You Tube, a chamada da TVAparecida não tem o tom solene que a gente poderia associar com uma celebração religiosa, ao contrário, o clima é de espetáculo, de show. A Padroeira quer seus filhos em festa, ao menos hoje.

A imagem que ilustra este post é do momento em que a imagem é “entronizada”, ou seja, colocada no trono para a procissão. Da TVAparecida.

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade Tags: , , , , ,
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