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	<title>Toques de Alma &#187; cidades</title>
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	<description>Espiritualidade e viver bem, por Adília Belotti</description>
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		<title>Chegou no outlook: as cidades dos meus amores</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 16:07:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adília Belotti</dc:creator>
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Deve ter alamedas verdes, 
a cidade dos meus amores&#8230;
Acabaram-se as eleições para prefeitos e a gente torce para que todo mundo esteja compartilhando da mesma pressa&#8230;a cidade dos nossos amores, como na música do Chico Buarque, há que começar rapidamente a construí-la, certo? Queremos todos viver em cidades mais acolhedoras, mais generosas de verde, mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em></em></p>
<h5><a href="http://colunistas.ig.com.br/toquesdealma/files/2008/10/burano_veneciap.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-8601" src="http://colunistas.ig.com.br/toquesdealma/files/2008/10/burano_veneciap.jpg" alt="Casas coloridas à margem do canal em Burano, Veneza" width="400" height="585" /></a><a href="http://colunistas.ig.com.br/toquesdealma/files/2008/10/burano_veneciap.jpg"></a><br />
 </h5>
<p><em>Deve ter alamedas verdes, </em></p>
<p><em>a cidade dos meus amores&#8230;</em></p>
<p>Acabaram-se as eleições para prefeitos e a gente torce para que todo mundo esteja compartilhando da mesma pressa&#8230;a cidade dos nossos amores, como na música do Chico Buarque, há que começar rapidamente a construí-la, certo? Queremos todos viver em cidades mais acolhedoras, mais generosas de verde, mais fáceis, mais amigáveis, onde as pessoas se sintam ao mesmo tempo próximas umas das outras, <em>ma non troppo</em>&#8230;o bastante para afugentar o medo da solidão, o suficiente para preservar a autonomia, o direito a calma, o lazer, sem atrapalhar nem ser atrapalhado por ninguém. Queremos cidades onde a gente possa andar sem medo, homens, mulheres, novos e velhos, sozinhos, em bandos, a dois. Queremos ir da casa para o trabalho o mais rápida e confortavelmente possível, e queremos voltar para casa com tempo e disposição para estar com nossos filhos, e amá-los&#8230;Tantas coisas a gente quer da cidade da gente. Sim, devem ter alamedas verdes, as cidades dos nossos amores, mas talvez possam ter alamedas de água ou de paredes azuis&#8230;</p>
<p>Chegaram essas duas apresentações no meu outlook esta semana, uma da Lélia, outra da Re, amigas, quem sabe companheiras, se um dia eu conseguir conhecer uma dessas cidades, Burano e Chaouen. Porque que dá muita vontade, isso dá. Veja só se você não concorda que essas são duas cidades fortes candidatas ao título de &#8220;as cidades dos nossos amores&#8221;?</p>
<p> 
<div style="width:425px;text-align:left" id="__ss_709319"><a href="http://www.slideshare.net/adilia/chaouen-presentation-709319?type=powerpoint" title="Chaouen">Chaouen</a><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://static.slideshare.net/swf/ssplayer2.swf?doc=chaouen-1225466812094305-8&amp;stripped_title=chaouen-presentation-709319" /><param name="allowFullScreen"><param name="allowScriptAccess"><embed src="http://static.slideshare.net/swf/ssplayer2.swf?doc=chaouen-1225466812094305-8&amp;stripped_title=chaouen-presentation-709319" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" width="425" height="355"></embed></object>
<div style="font-size:11px;font-family:tahoma,arial;height:26px;padding-top:2px">View SlideShare <a href="http://www.slideshare.net/adilia/chaouen-presentation-709319?type=powerpoint" title="View Chaouen on SlideShare">presentation</a> or <a href="http://www.slideshare.net/upload?type=powerpoint">Upload</a> your own.</div>
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<div style="width:425px;text-align:left" id="__ss_709320"><a href="http://www.slideshare.net/adilia/burano-venecia-presentation-709320?type=powerpoint" title="Burano Venecia">Burano Venecia</a><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://static.slideshare.net/swf/ssplayer2.swf?doc=buranovenecia-1225466833466804-9&amp;stripped_title=burano-venecia-presentation-709320" /><param name="allowFullScreen"><param name="allowScriptAccess"><embed src="http://static.slideshare.net/swf/ssplayer2.swf?doc=buranovenecia-1225466833466804-9&amp;stripped_title=burano-venecia-presentation-709320" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" width="425" height="355"></embed></object>
<div style="font-size:11px;font-family:tahoma,arial;height:26px;padding-top:2px">View SlideShare <a href="http://www.slideshare.net/adilia/burano-venecia-presentation-709320?type=powerpoint" title="View Burano Venecia on SlideShare">presentation</a> or <a href="http://www.slideshare.net/upload?type=powerpoint">Upload</a> your own.</div>
</div>
<p> </p>
<p><a title="Cidade Ideal, Chico Buarque" href="http://www.todascifras.com.br/t/144387/os-saltimbancos--a-cidade-ideal--cifra" target="_blank"><strong>Aqui você tem o restante da música do Chico Buarque, <em>Cidade Ideal</em></strong></a></p>
<p><strong>A foto lá em cima é da GettyImages/Medioimages</strong></p>
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		<title>Homo cordialis</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 10:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adília Belotti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bem-viver]]></category>
		<category><![CDATA[Estilo ecológico]]></category>
		<category><![CDATA[cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando começaram a construir um condomínio horizontal no terreno baldio que havia atrás de casa, nós e nossos vizinhos entramos em pânico. Condomínios horizontais seguem regras peculiares em relação a recuos e espaços, as casas ficam muitíssimo mais próximas umas das outras. &#8220;Vai desvalorizar nosso bairro&#8221;, dizia uma. &#8220;Vamos precisar vender nossas casas&#8221;, apavorava-se outro. Saí [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando começaram a construir um condomínio horizontal no terreno baldio que havia atrás de casa, nós e nossos vizinhos entramos em pânico. Condomínios horizontais seguem regras peculiares em relação a recuos e espaços, as casas ficam muitíssimo mais próximas umas das outras. &#8220;Vai desvalorizar nosso bairro&#8221;, dizia uma. &#8220;Vamos precisar vender nossas casas&#8221;, apavorava-se outro. Saí daquela reunião triste, por mim, por todos. Cheguei no dentista, abri uma revista e&#8230;fui abduzida pela foto dourada de uma vila na Sicília: casas, umas sobre as outras, cobrindo uma colina cercada de mar de humanidades empoleiradas&#8230;</p>
<p>Comecei a rir&#8230;houve um tempo em que a noite era escura, de um jeito que a gente hoje nem imagina. Nesse tempo, dormir era uma ousadia e o corpo do outro, a respiração quente do outro, a única proteção. As cidades medievais são todas assim, casas grudadas umas nas outras, idênticas, enfileiradas nas ruas minúsculas, tortas, labirínticas, tudo truques, para driblar o medo da noite e do inimigo desconhecido que vivia em algum lugar, fora dos muros, do outro lado, depois da floresta, atrás das montanhas, no horizonte do mar&#8230;</p>
<p>Nada de novo debaixo do Sol, como diria o salmista. Já vivemos empoleirados. O outro nos acompanha sempre, desde sempre. Há que se viver com isso.</p>
<p>Mas como?</p>
<p>A revista européia <em>Monocle</em>  fez um estudo entre seus leitores para descobrir como seria o bairro ideal. Juntou tudo com algumas idéias bem modernas sobre autosustentabilidade e economia de recursos naturais e chegou a algumas conclusões. O bairro ideal deve ter casas de tamanhos e estilos variados, misturadas com lojinhas, pelo menos um bar ou restaurante aconchegante, serviços 24h para emergências e esquecidos, supermercado, evidente, um parque, um lago, bondes, janelas em vez de ar-condicionados, escola, abastecimento de frutas e legumes através de produtores locais ou, no mínimo, próximos.</p>
<p>Sim, o bairro ideal&#8230;um sonho que a gente começa a construir sendo&#8230;o cidadão ideal. E é aí que entra o <em>homo cordialis.</em></p>
<p>Uma espécie que já esteve ameaçada de extinção, mas que, a julgar pela quantidade de cursos e workshops e livros sobre &#8220;empatia&#8221;, &#8220;rapport&#8221;, &#8220;comunicação não-verbal&#8221;, parece que anda procriando, em cativeiro, mas&#8230;!</p>
<p> E como seria esse homem/mulher cordial, vizinhos perfeitos, cidadãos do futuro, habitantes impecáveis de um mundo apinhado e tolerante?</p>
<p>Vamos ver&#8230;</p>
<p>- dizer por favor, muito obrigado/a, com licença, básico</p>
<p>- respeitar filas, à pé, de bicicleta, de carro</p>
<p>- ser generoso com os sorrisos</p>
<p>- e muito econômico nas críticas</p>
<p>- saber quando oferecer ajuda&#8230;</p>
<p>- e quando manter distância</p>
<p>- conhecer o mundo o suficiente para apreciar seus múltiplos aspectos</p>
<p>- e tolerar conviver com seres diferentes de si mesmo</p>
<p>- não deve se intimidar com costumes exóticos, ao contrário, encontrar o vizinho tailandês caçando grilos ao entardecer para fritá-los no jantar deveria no máximo provocar nesse ser cordial um sorriso de cumplicidade e, eventualmente, com graça e elegância, ele poderia oferecer uma lanterna</p>
<p>- precisa dominar a arte de conversar, sobre o tempo, economia, política, futebol  e até religião sem perder a expressão afável e, sobretudo, jamais, nestas situações, ameaçar seu interlocutor com a possibilidade de, a qualquer momento, transformar-se num missionário furioso</p>
<p>- e saber ouvir é fundamental, numa proporção de, digamos, três perguntas realmente interessadas sobre o outro, para cada minuto de conversa sobre si mesmo</p>
<p>- manter sua vida privada, privada, o que pode parecer óbvio, mas não é, algumas pessoas insistem em compartilhar suas preferências e hábitos mais íntimos, incluindo nessa longa lista de coisas para fazer apenas entre quatro paredes, singelezas, como coçar-se e arrotar, só para dar dois exemplos banais</p>
<p>- evitar compartilhar com os vizinhos seus gostos musicais também é bom preceito, mas compreender que existem festas para as quais não somos convidados e elas podem acontecer bem do lado da nossa janela também é&#8230;</p>
<p>- exercitar o olhar direto, amistoso, ao cruzar com outros seres humanos, ousar um cumprimento: bom dia, boa tarde, boa noite! Ser gentil não é obrigação apenas dos políticos&#8230;</p>
<p>- entender que a rua, o bairro, a cidade não são exatamente &#8220;seus&#8221;, são de todos, agora, o seu cachorro, ele é só seu&#8230; (isso, aliás, vale para todo o seu lixo e para o seu carro quando ele está parado na frente da garagem do outro ou em um lugar proibido, por exemplo)</p>
<p>- agradecer, sempre e pedir desculpas, quando for o caso, o outro nem ligou? O ser cordial sabe que a maior parte das vezes em que somos de fato cordiais não é por causa do outro, é para alimentar uma sensação gostosa de que afinal estamos longe das selvas&#8230;</p>
<p>Tudo isso porque, você sabe, não basta escolher o prefeito e o vereador, você, e cada um de nós, precisa começar já a escolher o tipo de cidadão que gostaria de ser.</p>
<p> </p>
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