01/04/2009 - 13:47
Blogs são assim feito gavetas. Gavetas da alma, caixas, onde a gente guarda coisas, preciosas ou fúteis, mas que não se quer perder ou que faz algum sentido jogar para o lado do futuro.
Alguns são bagunçados e coloridos, como as gavetas dos adolescentes, outros formais, impecáveis, feito gavetas de revistas de decoração, uns outros tantos são gavetões, pesados de saberes, outros, ainda, pueris como as gavetas das meninas. É fácil de se encontrar em uns, enquanto em outros a alma se escarafuncha e afinal desiste, cansada de buscar.
Todos, no entanto, são gavetas escancaradas ao olhar curioso de quem passa.
Nesse blog-gaveta estão (des)arrumadas as reflexões e idéias que fui catando durante esses seis anos de caminhada e que foi uma alegria compartilhar com vocês. Essa gaveta, abarrotada, continua aberta. Há que se abrirem outras…
Partir e voltar são apenas dois momentos do mesmo sentimento irresistível e urgente de mudança. Não é à toa que nossa espécie às vezes é tão confusa!
Não é mudança de rumo, nem de caminho, a estrada é sempre a mesma, a gente é que se perde, dá voltas, guinadas, nós…e, em algum momento, percebe que foi longe, e está na hora de voltar…
Ou, como dizem os sábios chineses:
Primeiro havia a montanha
Depois não havia a montanha
E, afinal, havia apenas a montanha, assim como ela existia desde o início. Era óbvio, você é que não via!
E foi pensando nas gavetas da alma e nas montanhas que surgem e desaparecem no horizonte, conforme as curvas da estrada e o cansaço do viajante, que resolvi adormecer esse blog sem tristezas e me despedir com poesia.
Escolhi essa, de uma mulher que canta o mar feito marinheiro e tem alma de pirata, Sophia de Melo Breyner:
“Sou o único homem a bordo do meu barco
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento como os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo desse sonho e nunca durmo.”
Vamos nos encontrar por aí…
Anotem os endereços dos novos experimentos:
Em Casa, um blog sobre a arte de ficar no seu canto
Fifties, mulheres apaixonadas pela vida
Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Toques de alma
Tags: Em Casa, Fifties, Toques de alma
17/08/2008 - 12:25
Todo mundo sabe que vai morrer, mas saber quando faz uma imensa diferença. De certa forma estranha, é como se de repente, nos tornássemos senhores do nosso destino. Esse tempo, daqui até o final, é mais nosso do que todos os outros dias, de “antes”, em que vivíamos, displicentes, a ilusão da eternidade…
Se você soubesse que tem, digamos, apenas 3 meses mais para viver, o que faria? Que sonhos decidiria realizar? Que situações escolheria viver?
É esse o tema de “Bucket List“, o filme de Rob Reiner, o mesmo de “Harry e Sally“, lembram? Não que seja um grande filme, embora Jack Nicholson e Morgan Freeman sejam um espetáculo sozinhos, sem cenários, quem precisa? Mas é daquelas boas idéias, que viram roteiros corretos e fazem a gente gostar de ter ido ao cinema…
No filme, os dois homens são doentes terminais e decidem “chutar o balde”, ou seja, fazer tudo o que gostariam antes de partir…
Parece simples fazer uma lista de coisas para fazer antes de partir? Mas não é não, ao menos, se você for honesto consigo mesmo…Experimente: o que realmente, faria toda a sua vida ganhar sentido no último minuto? Como será que a gente precisa ter vivido, experimentado, sentido para chegar lá no final e conseguir dizer: OK, cada minuto valeu a pena…pode cair o pano!
A web ajuda:
No site 43things.com, você se inspira, cria sua lista, vê a lista dos outros, corrige, assinala os progressos, compartilha…
Os desejos campeões? Veja só:
- perder peso
- parar de procrastinar
- escrever um livro
- apaixonar-se
- ser feliz
- fazer uma tatuagem
- fazer uma viagem de carro, sem rumo, sem hora para chegar, uma “road trip”
- beber mais água
- casar
- viajar pelo mundo
Outra rede social de desejos, a Your 100 things, também tem listas compartilhadas, aqui, você ainda recebe estímulos de outros “desejantes”, palavras de apoio, votos de felicidade, coragem, você vai conseguir…
Conhecer a África, ter um filho, aprender chinês, viajar para o Peru com a família, comer saudavelmente, perder peso, dançar com a mulher, amar a humanidade, são alguns dos desejos mais comuns.
Muitos psicólogos aconselham fazer essas listas. Dizem que escrever cria um comprometimento nosso, e que o sonho começa a se realizar no momento em que conseguimos formulá-lo, extraí-lo do fundo de nós, arrancá-lo da correria do cotidiano. No mínimo, criar uma “bucket list” é uma forma de tomar consciência dos nossos desejos, iluminá-los, e, através deles, descobrir o que realmente é importante para nós…
No Omelete, você lê a crítica e a resenha do filme “Antes de Partir”
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Você vai à Bienal do Livro? Sim, dia 14 começa a 20ª Bienal Internacional do Livro de SP, segundo maior evento mundial da área – o 1º é a feira de Frankfurt. E os leitores deste blog que comparecerem ao estande da editora Totalidade, a mesma que publicou o livro Toques de Alma, ganham 20% de desconto. Pode aproveitar!
Bienal do livro de SP
Local: Pavilhões do Anhembi
Rua: O
Data: de 14 a 24 de agosto
Horário: das 10h às 22h

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Inspiração, Sem categoria, Toques de alma
Tags: Antes de partir, cinema, cotidiano, espiritualidade, filmes