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Arquivo da Categoria Bem-viver

06/10/2008 - 07:00

Homo cordialis

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Quando começaram a construir um condomínio horizontal no terreno baldio que havia atrás de casa, nós e nossos vizinhos entramos em pânico. Condomínios horizontais seguem regras peculiares em relação a recuos e espaços, as casas ficam muitíssimo mais próximas umas das outras. “Vai desvalorizar nosso bairro”, dizia uma. “Vamos precisar vender nossas casas”, apavorava-se outro. Saí daquela reunião triste, por mim, por todos. Cheguei no dentista, abri uma revista e…fui abduzida pela foto dourada de uma vila na Sicília: casas, umas sobre as outras, cobrindo uma colina cercada de mar de humanidades empoleiradas…

Comecei a rir…houve um tempo em que a noite era escura, de um jeito que a gente hoje nem imagina. Nesse tempo, dormir era uma ousadia e o corpo do outro, a respiração quente do outro, a única proteção. As cidades medievais são todas assim, casas grudadas umas nas outras, idênticas, enfileiradas nas ruas minúsculas, tortas, labirínticas, tudo truques, para driblar o medo da noite e do inimigo desconhecido que vivia em algum lugar, fora dos muros, do outro lado, depois da floresta, atrás das montanhas, no horizonte do mar…

Nada de novo debaixo do Sol, como diria o salmista. Já vivemos empoleirados. O outro nos acompanha sempre, desde sempre. Há que se viver com isso.

Mas como?

A revista européia Monocle  fez um estudo entre seus leitores para descobrir como seria o bairro ideal. Juntou tudo com algumas idéias bem modernas sobre autosustentabilidade e economia de recursos naturais e chegou a algumas conclusões. O bairro ideal deve ter casas de tamanhos e estilos variados, misturadas com lojinhas, pelo menos um bar ou restaurante aconchegante, serviços 24h para emergências e esquecidos, supermercado, evidente, um parque, um lago, bondes, janelas em vez de ar-condicionados, escola, abastecimento de frutas e legumes através de produtores locais ou, no mínimo, próximos.

Sim, o bairro ideal…um sonho que a gente começa a construir sendo…o cidadão ideal. E é aí que entra o homo cordialis.

Uma espécie que já esteve ameaçada de extinção, mas que, a julgar pela quantidade de cursos e workshops e livros sobre “empatia”, “rapport”, “comunicação não-verbal”, parece que anda procriando, em cativeiro, mas…!

 E como seria esse homem/mulher cordial, vizinhos perfeitos, cidadãos do futuro, habitantes impecáveis de um mundo apinhado e tolerante?

Vamos ver…

- dizer por favor, muito obrigado/a, com licença, básico

- respeitar filas, à pé, de bicicleta, de carro

- ser generoso com os sorrisos

- e muito econômico nas críticas

- saber quando oferecer ajuda…

- e quando manter distância

- conhecer o mundo o suficiente para apreciar seus múltiplos aspectos

- e tolerar conviver com seres diferentes de si mesmo

- não deve se intimidar com costumes exóticos, ao contrário, encontrar o vizinho tailandês caçando grilos ao entardecer para fritá-los no jantar deveria no máximo provocar nesse ser cordial um sorriso de cumplicidade e, eventualmente, com graça e elegância, ele poderia oferecer uma lanterna

- precisa dominar a arte de conversar, sobre o tempo, economia, política, futebol  e até religião sem perder a expressão afável e, sobretudo, jamais, nestas situações, ameaçar seu interlocutor com a possibilidade de, a qualquer momento, transformar-se num missionário furioso

- e saber ouvir é fundamental, numa proporção de, digamos, três perguntas realmente interessadas sobre o outro, para cada minuto de conversa sobre si mesmo

- manter sua vida privada, privada, o que pode parecer óbvio, mas não é, algumas pessoas insistem em compartilhar suas preferências e hábitos mais íntimos, incluindo nessa longa lista de coisas para fazer apenas entre quatro paredes, singelezas, como coçar-se e arrotar, só para dar dois exemplos banais

- evitar compartilhar com os vizinhos seus gostos musicais também é bom preceito, mas compreender que existem festas para as quais não somos convidados e elas podem acontecer bem do lado da nossa janela também é…

- exercitar o olhar direto, amistoso, ao cruzar com outros seres humanos, ousar um cumprimento: bom dia, boa tarde, boa noite! Ser gentil não é obrigação apenas dos políticos…

- entender que a rua, o bairro, a cidade não são exatamente “seus”, são de todos, agora, o seu cachorro, ele é só seu… (isso, aliás, vale para todo o seu lixo e para o seu carro quando ele está parado na frente da garagem do outro ou em um lugar proibido, por exemplo)

- agradecer, sempre e pedir desculpas, quando for o caso, o outro nem ligou? O ser cordial sabe que a maior parte das vezes em que somos de fato cordiais não é por causa do outro, é para alimentar uma sensação gostosa de que afinal estamos longe das selvas…

Tudo isso porque, você sabe, não basta escolher o prefeito e o vereador, você, e cada um de nós, precisa começar já a escolher o tipo de cidadão que gostaria de ser.

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Estilo ecológico Tags: , , ,
30/09/2008 - 12:49

A culpa é da testosterona

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Em tempos de crise, todo mundo sai à cata de bodes…eventualmente, é claro, nenhum dos pobres bodes têm culpa no cartório, mas…

No Times inglês de hoje leio uma reportagem interessantíssima sobre o impacto da testosterona na crise financeira do planeta. Alguns estudos sugerem que quando um homem amanhece com níveis mais altos de testosterona, ele tende a assumir mais riscos ao longo do dia. Na mesma linha de raciocínio darwianiano, homens tendem a assumir mais riscos se uma criatura do sexo feminino estiver acelerando seus  batimentos cardíacos. Um estudo da Universidade de Liverpool mostrou que os homens em geral são mais propensos a atravessar uma rua movimentada fora do sinal, por exemplo, do que as mulheres. Pior. Digamos que você peça a um ser do sexo masculino para brincar de “cara ou coroa” valendo dinheiro. Digamos que você coloque ao alcance da vista desta destemida criatura, uma foto erótica de mulher. Adivinhou? Ele vai apostar mais alto…

A pergunta ultracontrovertida do Times, em função dessa predisposição masculina para associar risco com desempenho sexual – o que faria a crise financeira ser um produto de “delinquentes intoxicados de testosterona” –, é: e se as mulheres dominassem o mercado financeiro, será que estaríamos em crise?

Na falta de respostas conclusivas, o jornal sai com elegância britânica pela tangente, pode ser que sim, pode ser que não. Mulheres quando chegam aos cargos de poder das organizações tendem a reproduzir os mais estereotipados comportamentos masculinos, são tão agressivas quanto eles, por exemplo. Por outro lado, algumas doses de “feminino” não fazem mal, nem para eles nem para elas, certo?

Na falta de conclusão, sobra esperança. “Um grande massa de mulheres transformaria o ethos financeiro do mundo, o ambiente de trabalho das corporações e as horas que passamos no trabalho de tal forma que isso reduziria muito as chances de uma outra crise financeira destas proporções”.

Há que se preparar para esse novo tempo…

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags: , , ,
21/09/2008 - 13:24

Dia Mundial da Paz

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Dia Internacional ds Paz no Pakistão

Se você correr, ainda dá tempo. Porque hoje é o Dia Internacional da Paz. Houve manifestações aqui e ali pelo mundo todo, como essa, em Multan, no Paquistão.

A comemoração do Dia Internacional da Paz foi estabelecida em 1982, em uma assembléia das Nações Unidas. Meu filho nasceu em 82. Um bom ano, afinal, para se nascer…

Em 2008, a ONU está convidando os cidadãos do mundo inteiro a exercitarem sua vocação para a paz e enviarem mensagens de tolerância e boa vontade por e-mail ou por carta. As mensagens reunidas serão apresentadas para os dirigentes de vários países que vão se reunir para a 63a. Assembléia Geral da ONU, em Nova York, no dia 23 de setembro.

E na web você descobre que milhões de pessoas em todo o planeta vão participar de eventos para celebrar o dia. No site do International Day of Peace, por exemplo, você encontra um mapa com todos os eventos programados. E, se quiser participar de forma mais permanente, também não faltam opções. O mesmo pessoal que organizou o protesto de luz, Candle4Tibet, criou uma comunidade só para amantes da paz, a IPeace. Gosto dessa idéia de comunidades de idéias. Você acredita que uma pessoa faz diferença? Sim, sem dúvida. E juntas, elas se apóiam e alimentam a esperança comum.

“A paz”, disse Martin Luther King, “não é apenas um objetivo a ser alcançado, é também os meios e os recursos de que dispomos para alcanar esse objetivo”.

Por isso, corra. Porque hoje se você parar e observar à sua volta. Deve existir uma energia nova no ar.

A foto acima é de Asim Tanveer/REUTERS

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Inspiração, Religião e espiritualidade Tags: ,
21/09/2008 - 07:00

Ouvir Mozart faz bem

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Ouvir Mozart faz bem, para a alma e para a saúde. E nem é coisa genérica, não, 12 minutos de Mozart por dia, três dias por semana, durante no mínimo quatro meses, bastam para baixar a pressão arterial. 

A conclusão é de um estudo conduzido pela Escola de Enfermagem da Seattle University e que acabou de ser apresentado na conferência anual da American Heart Association sobre pressão arterial em Atlanta. “É um programa muito simples, muito fácil de ser seguido e que efetivamente ajuda a baixar a pressão”, afirmou a dra. Jean Tang, autora do estudo.

O grupo estudado incluía 40 idosos. Metade deles ouvia uma sonata de Mozart, a outra metade ouvia um cd com exercícios de relaxamento e de respiração e sons de ondas do mar. O grupo que ouvía Mozart apresentou resultados quase tão bons quanto o grupo que fazia os exercícios de relaxamento.

No Brasil, 35% da população com mais de 40 anos sofre de hipertensão, segundo estimativa de 2004 do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). É uma das doenças mais comuns do mundo moderno. E mata. Além de remédios, o que se sabe é que são mudanças radicais no estilo de vida que ajudam a controlar a pressão. Essas mudanças incluem exercícios, dieta e técnicas variadas para lidar com o stress.

Para aqueles dentre nós que não podem cercar-se de “rocks rurais” e mudar para uma casa no campo, há que se exercitar a imaginação e achar alternativas para não deixar o ritmo da cidade grande e os apelos ansiosos da vida moderna acabarem com a nossa saúde. Mozart e ondas do mar…por que não?

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags: , ,
18/09/2008 - 09:51

Um milhão de árvores

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A primavera está quase chegando! As flores dos ipês caíram, anunciando as “chuvas criadeiras”, como se dizia antes, o ar vibra de energia, de possibilidades. De repente, ás árvores parecem prenhes, prestes a explodir, transbordar! Adoro esse tempo feito de “quase”!

Carlos Solano é arquiteto e escritor. Autor do livro Feng Shui – Kan Yu, arquitetura ambiental chinesa, Editora Pensamento, co-autor do livro Alma da Pedra – anotações sobre assentamentos humanos para o terceiro milênio, Oficina Mineira de Edições e colunista da revista “Bons Fluidos”, da Editora Abril, onde assina a coluna Casa Natural. E é dele a idéia de lançar uma campanha que tem tudo a ver com esse tempo de criar e de brotar que nós estamos nos preparando para viver.

Plantar 1.000.000 de árvores, é essa a proposta de Solano, que já tem site: www.ummilhaodearvores.org.br  e 122.525 adesões! A idéia, ele conta no site, surgiu a partir de um comunicado da ONU sugerindo que se plantasse um bilhão de árvores em todo o planeta para ajudar a frear o aquecimento global. Era o “chamado das árvores” que fez o arquiteto lançar a campanha e encampar a idéia de convidar as pessoas a plantarem árvores…e a cuidarem delas, evidente!

A campanha, lançada no final de 2007, ganha peso, justamente agora, na entrada da primavera com a vinda da escritora canadense e conferencista internacional Dorothy Maclean, 88 anos, que é fundadora da Findhorn, aquela ecovila escocesa que virou uma Findhorn Foundation (www.findhorn.org/index.php). Ela vem acompanhada de Judy McAllister, que também era coordenadora da comunidade e vai fazer um ciclo de conferências e workshops em Manaus, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo: “O Chamado das Árvores” é o tema.

Entrar em sintonia com a vida em volta de nós… passear pelo ritmo das estações, ao menos do jeito que a gente aprendeu — primavera, verão, outono, inverno — nem sempre é fácil aqui abaixo do Equador. Mas dá sim para a alma sintonizar nas mudanças de tom, de cor, de luz que acompanham a passagem do tempo e compõem a música tão peculiar das criaturas.

É primavera em volta de você, basta prestar atenção…as árvores que fazem festa são um ótimo começo!

 

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Estilo ecológico, Inspiração Tags: , , , , ,
14/09/2008 - 14:06

Felicidade X suicídio

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Pesquisas…meu sogro costumava dizer que se alguém conseguisse cruzar todas as pesquisas que saem nos jornais descobriria que o mundo está muito longe de fazer algum sentido!

Minha amiga, Lélia me manda uma notícia: o número de suicídios aumentou 60% nos últimos 45 anos! A informação vem de uma pesquisa divulgada essa semana pela Organização Mundial de Saúde, como parte de uma campanha de conscientização lançada no Dia Mundial de Prevenção do Súicídio, 10 de setembro.

A cada dia, informa a OMS, cerca de 3 mil pessoas se suicidam no mundo. Para cada suicídio, no entanto, contam-se algo como 20 tentativas frustradas. O objetivo da campanha da OMS é justamente sinalizar a necessidade de políticas de saúde pública que incluam o acompanhamento de pessoas que tentaram se matar logo na primeira vez. Fingir que não aconteceu nada e varrer o problema para debaixo do tapete é, sem dúvida, a pior opção, alertam os autores do estudo.

O suicídio é a terceira causa de morte entre pessoas de 25 e 44 anos e, em  90% dos casos, está relacionado a problemas mentais. Questões familiares e crises sócioeconômicas também podem ter aí um certo papel, mas o fato é que a maioria das pessoas que resolvem tirar a própria vida, faz isso sem uma razão externa aparente, ou seja, as estatísticas não dizem que em zonas de guerra as pessoas se suicidam mais, por exemplo. Nem tampouco informam que nas favelas do mundo a taxa de suicídios é maior. Nada disso, o aumento do número de suicídios aparentemente tem a ver com países desenvolvidos ou em desenvolvimento e afeta cada vez mais os jovens. 

E como a gente junta isso com a pesquisa da semana passada, da World Value Survey Organization, que concluía que as pessoas andavam mais felizes?

Meu sogro diria: “cuidado, ler pesquisas não é coisa tão simples”, e ele teria razão…

Porque veja só. O estudo da WVS foi feito com foco nos países, tentando relacionar felicidade da população e nível sócio-econômico. O estudo da OMS, ao contrário, olha para as pessoas e para suas razões individuais.

Isso nos deixa com algumas perguntas penduradas: será que esse aumento do número de suicídios não estaria ocorrendo justamente nos países nos quais as pessoas se disseram menos felizes? E isso teria algo a ver com aquele tal “tédio de consumo” sobre o qual falavam os autores do estudo da WVS? Por que os jovens? Lembram que no outro estudo os especialistas relacionavam oportunidades pessoais, capacidade de realizar alguns sonhos e o senso de pertencer a uma família, a um grupo, como sendo das coisas importantes para se medir a felicidade? Será que os jovens estariam perdendo esse vínculo com suas comunidades? Seria esse um fenômeno geral ou ele estaria relacionado, por exemplo, às grandes cidades, aos países mais desenvolvidos…será que essas coisas todas estão relacionadas: tédio, jovens, perda de vínculos, falta de horizontes, suicídio?

Pesquisas, para mim, elas trazem mais perguntas do que respostas, meu sogro diria: “é para isso que elas servem”, e ele teria razão…

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Família 360o Tags: , , ,
07/07/2008 - 00:39

O teatro dos sonhos e as camas insólitas de Thierry Bouet

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Acordei querendo dormir numa cama nova, num quarto novo e ter sonhos com imagens novas, surpreendentes, talvez de um outro eu…consegui arranjar um cantinho para colocar uma almofada de meditação, troquei a colcha da cama, tirei os livros de um lado, coloquei no outro, pronto, só faltam os sonhos…

E ainda rindo de mim mesma, lembrei de um ensaio que vi na versão mais “estilo de vida” da revista “The Economist”, “Intelligent Life”, chama-se e é excelente. O tal ensaio era sobre um fotógrafo francês que passou anos tirando fotos de camas. Sim, as camas e seus donos, é claro!

Thierry Bouet é um parisiense, ex-advogado, que se define como alguém “que se infiltra nos acontecimentos e nas comunidades buscando nelas fraturas e possibilidades de sonhos”. Passou, segundo descubro, dois anos pedindo para ser convidado a conhecer a alcova das pessoas e fotografar o “teatro dos sonhos” mais inusitados, mais loucos.

O resultado são imagens que fazem comichão na alma, ninhos insolentes e coloridos, caixas mágicas que dão boas vindas a todas as fantasias e aos sonhos mais absurdos.

E a gente fica aqui imaginando que seres estranhos somos nós que rodeamos a hora de dormir de tantos adereços, como se assim enfeitada a noite fosse menos assustadora e o dormir menos semelhante à morte.

“Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar.”
É a fala de Hamlet, de Shakespeare, na tradução de Millôr Fernandes.

Agora navegue pelas camas de sonho de Thierry Bouet e alimente seus sonhos…

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags:
24/06/2008 - 19:36

Procuram-se avós

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Saudades de colo de avó? Anda precisando de um avô que ensine você a jogar xadrez? Ou quer esquecer do presente e passar alguns momentos ao pé do fogo ouvindo histórias do passado?

Em qualquer caso, se você não tem mais uma avó ou um avô à mão, a internet resolve seu problema de falta de “contatos intergeracionais”. Na França, já existem sites de relacionamentos que promovem só esse tipo de encontro: “Menino de 8 anos precisa de um avô para levá-lo ao jogo de futebol”; “Menina de 10 anos procura avó para ensiná-la a fazer tricô”; “Gêmeos de 6 anos procuram desesperadamente um avô para contar histórias antes de dormir”…

No site Super Grands Parents vale também o contrário: “Avó de 65 anos, craque em navegar na web, cujos netos andam com a mãe em algum lugar ignorado do mundo, procura…”; “Avó de 78 anos, ex-piloto de avião, procura neto que goste do assunto para iniciar uma coleção de aeromodelos”; “Avó de 80 anos, totalmente lúcida, mas abandonada pela família, procura netos “postiços” e desafia: sou craque em vídeogames!”…

Pois, é…não sou saudosista, de jeito nenhum, meu tempo é sempre agora.. Mas confesso que fiquei confusa…será que em tempos de supernannies muito mais sabidas das artes de educar crianças perfeitas do que mães comuns, estamos vendo nascer a era dos “avós profissionais”, muito mais avós do que os avós comuns?

E será que isso não sugere que talvez a gente ande à cata da família ideal? Afinal, por que aguentar uma familia assim chinfrim, fuleirinha mesmo, cheia de defeitos, mau-humor de manhã, impaciência no final do dia, falta de tempo, falta de jeito, se podemos ter, nem que seja no mundo virtual, a família dos nossos sonhos?

Resta um consolo. Para os que se recusam a desistir de competir com os “profissionais” do assunto, existem também sites cheios de dicas, idéias e recursos online para avós… Teste este aqui, My Grand Child, é muito fofo, aliás…

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags:
08/06/2008 - 06:58

A Casa Cor e as cavernas masculinas

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Casa na árvore de Fernanda Abs e Fred Benedetti

Todo ano vou à Casa Cor. Gosto de saborear esta vitrine do viver em casa. É claro que, como todas as vitrines, nem sempre a gente gosta de tudo que vê. Lembram daquela Casa Cor onde a tecnologia era a estrela absoluta de ambientes em que era impossível imaginar humanos vivendo? Não sei mais em que ano foi, mas lembro que saí exausta…e vazia!

Já li vários comentários sobre a Casa Cor 2008 e deixo para os especialistas a árdua tarefa de fazer a triagem das tendências e avaliar todos os detalhes.

Mas aquela Cabana do Roberto Migotto é coisa para se pensar…a tal cabana, aliás, versão nada rústica daqueles refúgios de caça que povoam os bosques da imaginação, junto com a Casa na Árvore, o Chalé de Golfe, a Garagem cheia de vasos de murano, me fizeram viajar pela idéia de que talvez estejamos antecipando um tempo de buscar dentro das casas um espaço mais masculino, onde caibam os jeitos dos homens estarem no mundo.

E fico surpresa ao ler na CNN um artigo com o título sugestivo de “Porque ele precisa de um canto só seu”. Os homens andam em busca de suas cavernas, avisa a reportagem.

Um santuário masculino ou “mantuary”, em inglês. Lugar onde acolher tudo que não cabe nos espaços mais sofisticados, caprichados e, cá prá nós, femininos do restante das casas modernas: do vídeo game às TVs gigantes, passando pela coleção de gibis, de velhos discos de vinil, memorabilia de esportes, gadgets de todos os tipos.

Um canto onde os homens podem talvez se comportar um pouco menos “bem”, receber os amigos para intermináveis sessões de Halo 3 e piadas escatológicas e machistas, longe dos ouvidos femininos, longe das culpas, lembrar de tempos na garagem tocando guitarra e ouvindo música bem alto…gritos primais, batcavernas, vai saber do que sentem saudades os nossos homens modernos, urbanos?

Junto com o espaço, viria o tempo. Um tempo para redescobrir camaradagens, gargalhadas, do que eu gosto mesmo afinal, do que sinto falta. Meu marido, logo depois de uma das nossas separações (foram algumas nestes 30 e poucos anos) me disse: “incrível é descobrir que você não tem a quem culpar pelas coisas que não consegue fazer, pelos sonhos que não viveu, pelas horas disperdiçadas, de repente, é tudo seu!” Sim, uma caverna só faz sentido se for para você descobrir-se dentro dela…

Está certo que a visão Casa Cor destes espaços “masculinos” é refinadíssima, mas a imagem de uma caverna ultrasofisticada, povoada de confortos e maciezas cheirando a grama molhada, a bicho e de lembranças estrangeiras…não sei não, mas vai ter muita mulher disputando um pedacinho…

Clique para ler o artigo da CNN

No Urban Dictionary “mantuary” já tem até definição

<a href=”http://themantuary.wordpress.com/”
target=’ _blank>E no blog “Mantuary”, uma amostra do estilo novo ‘caveman’

As fotos são do site da Casa Cor 2008, de São Paulo

A Cabana de Roberto Migotto

A Sala do Hobby do Dono da Casa, de Vanessa Feres

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags:
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