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Arquivo da Categoria Bem-viver

14/09/2009 - 10:36

Aprender a morrer

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Joy for the death_Cocayhi

Morremos mal hoje, escondidos, envergonhados, atrás das portas automáticas das UTIs; morremos sozinhos, feito aparelhos velhos, ligados inutilmente nas tomadas.

Morremos de morte morrida, fatal, trágica, de susto, morte de motoboy. Morremos de doenças cujo nome não ousamos pronunciar porque elas vem insinuadas de culpas, morremos como castigo…

Morremos desajeitados, fora de contexto: qualquer um que já tenha se internado num hospital sabe que ali não se vai para morrer, ao contrário, médicos e enfermeiros são treinados para salvar vidas, soldados de uma guerrilha feita de vitórias sempre provisórias. Os que vão morrer que desculpem, saiam da frente, por favor, desocupem os leitos, são tantos para salvar…a morte nos hospitais chega invariavelmente com jeito de derrota! Deus é o grande adversário ou o grande ausente!

Morremos mal hoje, perplexos e desconfiados, e tudo que podemos desejar é que não doa!

Essa morte de todos os dias, corriqueira, tão desnecessária, apavora e desconcerta, entendemos as desgraças, as grandes tragédias, sobretudo porque elas são plurais, anônimas: morte de bando, contada às dezenas, centenas e milhares parece menos morte…

Será que é possível morrer bem? Não falta quem aposte que sim.

Não que a morte deixe de nos meter medo, fim e finitude são palavras que usamos para definir nossa humanidade, reservamos a eternidade, a imortalidade, aquilo que é ilimitado, para além de qualquer fronteira e de qualquer experiência possível, para os deuses, nós, os homens, sabemos que vamos morrer, mais dia menos dia…A morte, como diriam os budistas, não é uma questão de SE, é uma questão de QUANDO…

“A vida e a morte são vistas como um todo, onde a morte é o começo de um novo capítulo da vida, um espelho no qual o inteiro significado da vida é refletido”, ensina Sogyal Rimpoche, no Livro Tibetano do Viver e do Morrer.

Incluir a morte dentro da vida, tirá-la deste “não-falar”, trazê-la para a luz, é um desafio, um aprendizado e um exercício de amor incondicional!

Há muito trabalho a fazer…e muita gente trabalhando para ajudar as pessoas a morrerem uma “boa morte”. Três pistas para ajudar na sua pesquisa sobre o assunto.

Para começar: conheça Elisabeth Kübler-Ross
Na década de 80, Elisabeth Kübler-Ross, uma psiquiatra suíça, lançou um livro revolucionário: On death and dying. Elisabeth foi uma pioneira, estudiosa dos meandros da morte e do morrer (o nome grego complicado é tanatologia, de thanatos, morte e logia, estudo) e ativista dos direitos dos pacientes terminais em relação à própria morte. Foi eleita uma das cem personalidades do século pela revista Time, escreveu dezenas de livros sobreo tema e passou a vida ensinando médicos e enfermeiros que, para lidar com a morte dos outros, é preciso antes elaborar suas próprias questões espirituais: “Para aqueles que buscam compreendê-la, a morte é uma imensa força criativa. As mais profundas reflexões espirituais sobre a vida, têm sua origem nas reflexões e estudos sobre a morte”.

Para saber mais, visite o site da ERKFoundation

Um lugar para morrer
Ajudar a morrer, virou um ramo da medicina, chamado medicina paliativa e, embora ainda haja muito a fazer para tornar esse assunto menos tabu, a situação já foi pior. Nos anos 1970 e 1980, a psiquiatra Cecily Saunders lançou o Movimento Hospice. Hospices são lugares especiais onde as pessoas podem ir para morrer em paz, num ambiente tranqüilo e espiritual, cercadas da mais moderna tecnologia para aliviar a dor e dar conforto a quem se prepara para morrer (em alguns países você também pode optar por ficar na sua própria casa e receber o atendimento de um Hospice). O nome é emprestado da Idade Média. Era assim que os monges chamavam o lugar onde recebiam os viajantes cansados e doentes.

Em alguns países, como Inglaterra, Espanha e Canadá os hospices estão se tornando comuns, no Brasil as iniciativas ainda são raras, mas no Sítio Vida de Clara Luz, por exemplo, fundado em 2004, por Bel Cesar, psicóloga e budista, que desde 1991 dedica-se a acompanhar pessoas com doenças terminais, existem espaços destinados a funcionar como Hospice.  Mais informações você consegue no site do Centro de Dharma.

Aprenda: um curso para ensinar a morrer
O dr. Franklin Santana Santos é médico e professor na USP da cadeira de “Tanatologia – Educação para a Morte”. Graças a ele muitos esforços e reflexões isoladas sobre o tema estão confluindo e o resultado são os dois volumes do livro A Arte de Morrer, compilação de trabalhos de especialistas em diversas áreas, da medicina à religião, relacionados à morte e ao morrer.

Essa abordagem multidisciplinar ele também adota no Curso de Tanatologia da FMUSP – Educação para a Morte – Uma Abordagem Plural e Interdisciplina. O objetivo é sensibilizar os profissionais das várias áreas para a questão da morte e ajudar a construir uma cultura que ajude as pessoas em geral e os pacientes terminais dos hospitais do país a morrerem com mais dignidade. A boa notícia é que você pode fazer o curso presencialmente, caso esteja em São Paulo,  ou online, da sua casa, em qualquer lugar.

Para conhecer esses trabalhos, navegue pelo site Saúde e Educação

E descubra o jeito budista de ver a morte no Livro Tibetano do Viver e do Morrer, de Sogyal Rinpoche, publicado pela Palas Athena.

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A foto é de Adrian Mohedano, mexicano, e foi tirada em durante os festejos  do Dia dos Mortos, em 2007. No México o Dia dos Mortos é uma festa de luzes (para guiar os espíritos que vem visitar suas famílias), muitas flores, boa comida, bebida farta e muitos amigos em volta!

Leia mais sobre o Dia dos Mortos no México

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags: , , , , ,
15/06/2009 - 12:35

Saudades…

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Blog querido, que saudades!

Mas logo logo trago novidades…

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags:
02/02/2009 - 13:36

A verdadeira rainha da salsa

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Sempre tem aqueles dias em que você precisa de uma ajudinha para achar que vale a pena viver num país livre e não precisar se esconder atrás de burkas, véus, mantos, só com os olhinhos de fora, se tanto… Momentos que pegam a gente em geral logo de manhã, ao olhar para o espelho e nos deixam com a sensação incômoda de que tem algo de muito errado no curso natural das coisas, da infância para a velhice…não daria para inverter? “Você ia odiar isso”, diria, sábio, o Benjamin Button/Brad Pitt lá da sua tela de cinema…

Pois foi justamente num dia desses que chegou no meu outlook o vídeo de Paddy e Nico, dançando uma salsa mirabolante, molenga, daquelas onde todas as fantasias que a gente nutre secretamente em relação à Cuba parecem se encaixar, à perfeição.

E chegou com a recomendação da Lélia: “Adília, preste atenção!” Prestei…
Nico é um homem bonito, alto, jovem, com aquele porte altivo dos dançarinos. Paddy, sua parceira de piruetas, é uma mulher linda, esguia, graciosa, sedutora…de 80 anos de idade!!!!

Dá um pouco de medo de assistir até o final do vídeo porque você tem a impressão de que a qualquer momento vai acontecer alguma coisa terrível e ela vai cair no chão, catatônica, irremediável…

Nada disso, Nico e Paddy são uma dupla de dançarinos de salsa que se apresenta regularmente em torneios e espetáculos, na Espanha.

Assista…você vai se sentir rejuvenescida, linda, perigosamente perto de fazer alguma coisa muito louca na vida e pronta para jogar o espelho fora da próxima vez que ele reclamar da sua aparência…

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Mulher, mulheres Tags: , ,
20/01/2009 - 07:00

Qual é o seu estilo?

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Livro Questão de Estilo, Carrie McCarthy e Danielle La PorteResenha livro Questão de Estilo

Se é verdade que cada um de nós tem um estilo único, inconfundível, um jeito só seu de estar no mundo, também é verdade que não é nada fácil reconhecer-se com tamanha intimidade.

O privilégio da vida é ser quem você é, disse Joseph Campbell. Mas quem é esse eu que olha para mim no espelho? O que ele diz de mim, das escolhas que eu fiz, da vida que levo, dos meus sonhos…

Duas amigas, consultoras de estilo e de comunicação, resolveram dar forma a uma espécie de Manual de Estilo. Um guia passo a passo para criar uma “declaração de estilo” que fale com clareza de você, do seu projeto de vida e expresse exatamente quem você é em tudo que faz.

O livro, Questão de Estilo, é resultado de muita pesquisa das autoras, Carrie McCarthy e Danielle LaPorte. Um farta exploração de idéias sobre as inúmeras maneiras que usamos para enxergar o mundo. Como você se relaciona com seu lar e suas coisas? E com a moda e a sensualidade? O que inspira você e o que motiva você a aprender? Que idéias você usa para pensar em dinheiro, em trabalho? Amigos, romance, família, colegas, que recursos você usa para se comunicar? E que idéias, imagens, conceitos provocam sua criatividade? Como você usa seu corpo? E o que faz você se sentir bem como um gato? A Natureza chega como até você? O que faz você se acalmar? E como você definiria descanso e relaxamento?

Não existem respostas certas, evidente, mas a cada página surgem provocações, palavras-chaves que fazem a gente tomar consciência das coisas em nós que ficam escondidas na correria e na afobação do cotidiano.

Um livro interessantíssimo para começar o ano!

O site das duas é inspirador, cheio de dicas para quem invariavelmente se perde nos estilos e nos provadores das lojas…mas é em inglês!

E antes que você se aborreça comigo por isso, o livro está traduzido para o português, Questão de Estilo, da Larousse.

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags: ,
20/12/2008 - 12:12

Os amigos e o Natal

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Mais uma vez está chegando a hora de fazermos juntos a grande mágica de fechar um ciclo e abrir outro.

Mais uma vez nos é dada a chance de fazer um acerto de contas do ano que vai acabando, para entrarmos frescos e mais leves no ano que vai começar.

Antes disso, no entanto, muita festa, muitos encontros, muita alegria e, é claro…brindes!

Este ano, enquanto estivermos esperando a meia-noite do dia 24 para saudar o nascimento do Menino-Deus, queria muito levantar um brinde especial, um brinde aos amigos!
Rubem Alves, no prefácio da edição brasileira de um livro des estórias lindo de um pedagogo português chamado José Pacheco e com o título mais do que convidativo de “Quando eu for grande, quero ir à primavera“, diz:

“Fernando Pessoa escreveu a mais bela declaração de amor que existe: ‘Quando te vi amei-te muito antes. Tornei a achar-te quando te encontrei…’ Na minha fantasia imagino que ele a escreveu para uma mulher. Mas penso que coisa parecida poderia ter sido escrita para um homem. Porque há homens que escontramos e quase instantaneamente vem a surpresa do reconhecimento! Misteriosamente, já éramos amigos em tempos imemoriais, anteriores a esta vida. Antes que se diga qualquer palavra já existe a compreensão. Não é preciso explicar. Disso sabia o Riobaldo (personagem de Guimmarães Rosa): ‘O senhor mesmo sabe. E se sabe, me entende…’ Já tive esta experiência várias vezes. E aprendi que a amizade não acontece por meio de construções temporais sucessivas. A amizade irrompe repentinamente no tempo, como uma dádiva da eternidade. Tal como aconteceu com Jean-Christophe, o herói adolescente de Romain Rolland. Já conhecera muitas pessoas. Mas aquele encontro era diferente. Voltando para casa à noite, seu coração cantava: ‘Tenho um amigo, tenho um amigo…’”

Sim, amigos, daqueles que são verdadeiros companheiros de viagem. Que nos emprestam seu olhar para a gente se descobrir através deles, mergulhando neles…
Amigos com quem a gente possa conversar absolutamente nus. Desvestidos das nossas máscaras e das nossas funções.
Amigos com quem ficar em silêncio, ouvindo as estrelas ou o barulho do mar.
Amigos que compartilhem os brindes e não tenham pressa de ir embora.
Amigos que cozinhem juntos e ajudem a lavar a louça depois.
Amigos com quem possamos viajar para lugares distantes ou para dentro de nós mesmos, sempre com o mesmo entusiasmo.
Amigos que nos conheçam bem e gostem de nós por causa disso e apesar disso.
Amigos assim, que façam a gente se sentir melhor, um pouquinho melhor que pensamos que somos.
Amigos com quem possamos fazer o exercício do encontro e do desencontro, com a alma leve de quem sabe que nada realmente é importante. Apenas o amor é que conta, sempre!
Um brinde a vocês todos, amigos virtuais, tão longe e tão perto…e Feliz Natal!!

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Religião e espiritualidade Tags: , ,
15/12/2008 - 13:22

Simplificando o Natal

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Você conhece um conto de Mario de Andrade, chamado O Peru de Natal? Não, desta vez não vou recontá-lo aqui para você, por absoluta certeza de que jamais conseguiria reproduzir a irreverência refinada das frases, dos pontos, das pausas… Esta história você deve ler inteira, de preferência agora, nas vésperas do Natal.
Sim, porque você sabe, nosso Natal anda meio bambo, meio morno, assim sem paixão. Ao contrário do que prometem, as alegrias de consumo nos deixam mais ou menos anestesiados. E compramos mais do que podemos, gastamos, cá prá nós, muitas vezes sem razão nem necessidade. E lá se vai aquela mini-saia azul, comprada num impulso “irresistível”,  indo parar no colo assombrado da sobrinha tímida, que se cobre de moleton até no verão… Isso para não falar no Papai Noel e nas loucuras que conseguimos fazer com o cartão de crédito apenas para que nossos filhos tenham a ilusão de que a felicidade pode vir sim embrulhada num papel de presente. E não é à toa que eles nos olham sem entender quando, no dia seguinte, já fartos, resolvem abrir o boneco que fala para ver o que tem dentro e a gente quase enfarta: “como, você não dá valor para o dinheiro, menino?”. É isto mesmo, mais sábios talvez do que nós, eles sabem que brinquedo é para brincar e que esta história de brinquedo sinônimo de status é coisa destes adultos esquisitos!!!
Janeiro chega com jeito de ressaca e, à medida em que vão se amontoando as contas do cartão e dos crediários, a gente se pergunta, o que aconteceu que o Natal ficou estranho? Como foi que a grande celebração da generosidade virou a festa planetária do consumo?
E se a gente fizesse uma coisa diferente neste Natal? Algo louco, como diz o personagem do conto de Mário de Andrade? Tão louco que no final a gente pudesse se reconhecer na frase que encerra o conto:

“Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores do grande amor familiar. E foi, sei que foi aquele primeiro peru comido no recesso da família, o início de um amor novo reacomodado, mais completo, mais rico e inventivo, mais complacente e cuidadoso de si. Nasceu de então uma felicidade familiar para nós que, não sou exclusivista, alguns a terão assim grande, porém mais intensa que a nossa me é impossível conceber.”

 

Da minha parte, vou engrossar o coro dos valorosos defensores de um Natal mais simples, cujas fileiras, acredite, estão engrossando no mundo todo! Com a crise planetária, frugal é chic! Pensei em algumas idéias, você pode acrescentar outras e fazemos uma grande lista!

 

Dê presentes que façam sentido. Lembram que eu dizia que muita gente compra presentes não pelo prazer de dar, mas pelo prazer de comprar? Cá para nós, consumir virou um passatempo… Poucas vezes guarda realmente alguma relação com o gesto generoso de fazer outra pessoa feliz. E se a gente expressar nosso amor de uma outra forma? E se, apenas este ano, a gente só comprasse aqueles presentes que realmente vão significar algo para quem recebe? Ou seja, não vou dar presentes para “todo mundo do trabalho” só porque senão “fica chato”. E ponto! Isso deve reduzir sua lista de presentes pela metade!

Tamanho não é documento. Depois do segundo dia de shopping frenético, lista na mão, horários contados no relógio, mesmo os seres humanos mais saudáveis são presas fáceis das maiores fantasias de consumo. Por exemplo, acreditar que o valor de um presente é medido pelo tamanho do pacote. Quer mentira maior? Mas a gente às vezes cai nessa e sai por aí desfilando pacotes gigantes de coisas sem graça nenhuma. Uma única meia do mais puro cashmere não pode ser muito mais interessante do que duas bermudas ”bobinhas”? Pegue carona num estilo de ser mais “bobo” — mistura de duas palavras em inglês, bohemian – bourgeois (boêmios-burgueses), cunhada por um escritor americano, David Brooks, e que serve para falar de gente que detesta excessos, curte as idéias por trás das coisas e paga muito caro apenas pelo que é exclusivo, faz bem para o planeta e é “uma obra de arte” . E ouse pensar pequeno e diferente.

Seja criativo. Um presente pode ter muitas caras. Quer presente melhor para sua avó do que sentar junto dela, oferecer-se para preparar um cafezinho e ouvir com atenção amorosa as suas histórias de outros natais? Ou comprar para sua amiga os ingressos para aquele show que ela vive dizendo que não pode perder? Pense em presentear com cursos, atenção, companhia, idéias de programas para fazer junto, enfim, subverta a idéia de que presente de Natal se compra em loja, muitas vezes, não precisa ser assim.

Crie doze dias de presentes realmente significativos. Li isso certa vez e desde então adotei! O tempo entre o Natal e o Dia de Reis, que na verdade, é o tempo que o Natal dura para a igreja cristã, inspirou um música chamada Os doze dias de Natal, cuja letra fala de apaixonados que dão presentes extraordinários aos seus verdadeiros amores, como perdizes que nascem em árvores. Esta é uma canção muito tradicional nos EUA, embora as origens deste costume de celebrar doze dias de festas nesta época se percam nas memórias dos povos europeus. Então, e se em cada um destes dias sagrados, a gente convidasse os filhos, a família, os amigos para dar presentes de alegria para o mundo!. No primeiro dia, o presente seria fazer as pazes com alguém. No segundo, tornar a vida de uma outra pessoa mais alegre. No terceiro, nada de implicar com as crianças nem de reclamações (isto vale para elas também ..ah, e para seu parceiro também!) No quarto dia, faça uma cesta com coisas gostosas e entregue num asilo ou num orfanato. No quinto dia, sorria para todo mundo que cruzar o seu caminho…e por aí vai, que idéias para ser gentil é que não faltam, não é?
O que você adora no Natal? Muitas vezes fazemos as coisas apenas por hábito ou porque sempre fizemos daquele jeito e mudar traz uma sensação esquisita de desconforto. Ou, ainda, mantemos tradições nas quais não acreditamos só porque “todo mundo faz” e não queremos ser diferentes. Mas não existe melhor época do que agora para avaliar o que realmente faríamos com o Natal se fossemos nós os inventores da festa. Nem todos os lugares do mundo comemoram o Natal da mesma forma. Existem tradições em outros países que talvez respondam de modo mais sincero aos desejos do nosso coração. Penso, por exemplo, nas Missas do Galo das pequenas aldeias portuguesas ou no hábito que ainda perdura em muitas cidades do sul da França de deixar a mesa posta com as sobras das iguarias da ceia do 24 para os anjos e os ancestrais se deliciarem, enquanto a família dorme. No dia seguinte, a toalha é dobrada em uma trouxa com todas as comidas e entregue num asilo ou num orfanato ou, então, vai alegrar o almoço de alguma família mais necessitada. Era assim na casa da minha avó e até hoje gosto de pensar que quando todos dormem, os espíritos dos antepassados se reúnem para beber e comer, se alegrar e, talvez, encher de bençãos a mesa dos vivos…
Reinventar o Natal é um grande desafio. Mas se não tivermos coragem de fazer isto nas nossas casas e nas nossas almas, talvez, em alguns anos, ninguém consiga mais reconhecer atrás da avalanche de pacotes o autêntico Espírito de Natal, feito de compartilhar afeto e agradecer pelas bençãos que sempre recebemos do Papai Noel!

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags: ,
27/11/2008 - 11:07

Vamos inventar o Dia de Ação de Graças

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Já importamos tanta coisa! Hambúrgueres, sons, jeitos, Halloweens, até aquela terrível compulsão pelos excessos…Temos quase tudo por aqui: shoppings, fastfoods e, inclusive, aqui e ali, uns toques daquele puritanismo so wasp (white anglosaxon protestant ou brancos, anglosaxões e protestantes: os “verdadeiros americanos”), tingem nosso tecido social, tecido com as cores mais ao sul do Equador….
 
Então se é assim, se mesmo em tempos pré-globalização nosso sonho irrequieto e escondido sempre foi Park Avenue, por que não importar mais um aspecto do american way of life? Só mais unzinho, vai?
 
É que hoje é Thanksgiving Day, o Dia de Ação de Graças, feriado favorito dos americanos e que é celebrado na quarta 5a. feira do mês de novembro. E eu fico achando que não podemos perder esta chance de tirar um dia inteiro só para contar bençãos: obrigada Deus, por ter me feito irmã dos pássaros; obrigada pelo café da manhã com as crianças; obrigada pela orquídea gratuita e selvagem que de repente iluminou o jardim; obrigada pelo pulo maluco do gato Salem que me fez rir hoje de manhã, justo na hora em que eu estava tão preocupada; obrigada pelo riso de hoje de manhã; obrigada por todos os risos…

Nós até temos este dia garantido na agenda oficial, mas é assim murchinho e nem de longe evoca a abundância e a generosidade que deveriam ser as convidadas de honra da festa.
 
Nos EUA, tudo começou com a chegada de 102 colonos exaustos, que vinham fugidos da fome e das perseguições religiosas na Europa. Faziam parte de um grupo reformista da Igreja da Inglaterra, que buscava a pureza original da fé, daí o nome, puritanos. Chegaram num navio que alguém feliz batizou de Mayflower, mas, ao chegar, descobriram que a vida no Novo Mundo não tinha nada de fácil. A história conta que no primeiro inverno, em 1620, muitos morreram. Na primavera, os índios da região  que hoje é a Nova Inglaterra, algonquins da tribo Wampanoag, ensinaram os recém-chegados a cultivar o milho e a pescar. A colheita do outono de 1621 foi tão boa que todos comemoraram juntos, colonos e índios, com um grande banquete dos frutos da terra. Estava nascendo o Thanksgiving, com seus perus e tortas de abóbora e milho.  Foi pena que a paz entre colonos e índios não tenha durado muito, mas a idéia de um dia de trégua, dia de agradecer a Deus pela colheita farta, pela comida na mesa, pelas bênçãos recebidas, foi se impondo, apesar de tantos pesares….
 
Aprendo na Internet que nosso Dia Nacional de Ação de Graças foi instituído em 1949, pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra. E que a lei que oficializou a quarta 5a.feira de novembro para a celebração é do presidente Castelo Branco. Mas como alegria não nasce de decretos e ofícios presidenciais não fazem brotar a tolerância e a gratidão no coração de ninguém, nós mal nos damos conta do dia de Ação de Graças até hoje…
 
Mas ainda podemos mudar isto. Não seria bom aproveitar este nosso tempo de primavera para renovar o prazer de estarmos vivos? De olhar o mundo através dos desencantos e das feiúras e enxergar o núcleo luminoso que existe em todas as coisas, em todas as criaturas?
 
Por isso é que na quinta-feira, dia 27, — não, na quinta não, que nem tem graça celebrar uma coisa assim desta importância num dia no meio da semana –, vou subverter e lei e celebrar na 6a. feira um dia especial de Ação de Graças.

Não sei se não troco o famoso peru por uma galinha caipira ensopada com polenta mole e quiabos sem baba — como meu pai mineiro ensinava a fazer — acompanhando tudo. E quem sabe usamos a palha do milho para embrulhar uns pedacinhos de queijo de minas meia-cura ou aquele queijo tão bom que se come no norte, queijo de coalho, colocamos os embrulhinhos no forno, só uns minutos, hummm, será que não ia ficar bom? Podemos fazer uma salada com delícias da terra, da nossa terra, da terra de todos, que hoje, todas as terras podem ser abençoadas, se a gente não enchê-las de minas subterrâneas, bombas ou de lixos tóxicos… E pra adoçar as almas, doces de avó: mamão-verde de rolinhos, goiaba, abóbora e coco…minha tia Loló fazia um doce de carambola que as crianças apelidaram de Doce de Estrelinha da Branca de Neve. Pois então vamos acabar nossa refeição lambuzados de estrelas… Quem aceita um cafezinho?
 
Mas como este vai ser um dia tão especial, antes de comer, prepararíamos o espírito. Pensei na frase do monge cristão, Thomas Merton: “seja como for, o Senhor brinca e se alegra no jardim de sua Criação e se conseguíssemos nos livrar da obssessão que temos em querer dar um sentido a tudo, talvez pudéssemos ouvir Sua voz chamando-nos e poderíamos segui-Lo então em seu misterioso bailado cósmico”. 

Rindo e brincando, convidaríamos Deus para sentar-se entre nós e se fizéssemos um instante de silêncio ouviríamos o brinde que Ele proporia: Filhos Amados do Instante e do Sonho, alegrai-vos hoje na Minha música, porque “escondido no coração mortal, o eterno vive; Ele vive recôndito na tua alma. Uma luz brilha lá que nenhuma dor ou sofrimento pode apagar”.  É claro que Deus não precisaria citar ninguém a não se a si mesmo, mas nós, aqui, pegamos emprestadas as palavras do filósofo hindu Sri Aurobindo para nos ajudar no brinde.
 
Ficaríamos em volta da mesa, rindo e bebendo à saúde de todas as criaturas até de manhã. E assim apascentados, veríamos o dia nascer e o universo inteiro se fazer em puro encantamento.
 
E deixo você com minha crônica favorita de Ação de Graças há anos e o Salmo 19, talvez o mais festivo de todos e que, com certeza, há de iluminar nosso dia de hoje…

1 – Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
2 – Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
3 – Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.
4 – A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. Neles pôs uma tenda para o Sol,
5 – O qual é como um noivo que sai do seu tálamo, e se alegra como um herói, a correr o seu caminho.
6 – A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até à outra extremidade, e nada se esconde ao seu calor.
7 – A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
8 – Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos.
9 – O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente.
10 – Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.
11 – Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa.
12 – Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.
13 – Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.
14 – Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Religião e espiritualidade Tags: , , , ,
25/11/2008 - 12:57

Hábitos zen: seis segundos para relaxar

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Existem alguns lugares na internet que são como jardins: páginas onde você pode descansar e quase aspirar um ar mais puro — sim, com um pouco de imaginação até dá!

Um desses lugares para mim é o blog zenhabits. Um sucesso na blogosfera com quase 80 mil visitantes registrados, o blog é um porto seguro, onde você sempre encontra uma dica, uma idéia, uma inspiração para transformar sua vida…agora!

O autor, Leo Babauta, vive em Guam, uma ilha da Micronésia, no Oceano Pacífico, tem seis filhos e em vez de se apresentar através de títulos, cargos ou funções, prefere contar das suas conquistas, coisas simples, mas quase impossíveis, como emagrecer, exercitar-se, organizar-se, controlar as finanças, realizar sonhos, escrever, relaxar…essas são as qualificações que tornam Leo Babauta um mestre…do cotidiano!

E como o site é em inglês, vou convidar vocês para visitarem, mas adianto um artigo muito oportuno para gente afobada como eu: Seis segundos para relaxar.

Não tem nenhuma desculpa, para manter a mente tranquila, ensina Leo, experimente ao longo do dia fazer pausas de 6 segundos para respirar: 2 tempos inspirando pelo nariz bem devagar e 4 tempos expirando pela boca bem devagar. Faça isso a cada vez que tiver que realizar alguma tarefa rotineira, como atender o telefone, escrever um e-mail, entrar numa aula… Pronto, eis você mais perto do ideal budista: mente limpa e coração tranquilo!

Então complete já a frase: sou…… (jornalista, no meu caso) e vou respirar a cada vez que…….(escrever um e-mail — são milhares por dia!)

Pode começar e não desista: “Somos o que fazemos repetidas vezes. A excelência, portanto, não é um ato, é um hábito”, ensinava Aristóteles.

Nos vemos pelo caminho!

Se quiser ler o artigo (em inglês), clique aqui

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Toques de alma Tags: , ,
05/11/2008 - 11:04

Lições do medo

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Imagino que todos os tempos são tempos de violência. O sofrimento que causamos uns aos outros não é novo, nem nasceu nas telas de TV. O que talvez seja novo é, como ensinam os especialistas, a escala. O que talvez seja novo é a visibilidade planetária que ganham os atos de violência que os humanos (poucos, temos que acreditar nisso e as estatísticas ainda devem estar a favor dos seres pacíficos!!) andam cometendo por aí.

Será que é possível se proteger da violência? Talvez. Segundo Gavin de Becker, que, de especialista virou uma celebridade, desde que Oprah Winfrey disse que “esse é o maior entendido do mundo em comportamento violento”, a única coisa que pode evitar que sejamos vítimas da violência é… nosso medo!

No livro The Gift of Fear, Gavin de Becker explora várias situações de violência, tentando demonstrar como, naqueles momentos, as pessoas envolvidas tinham sido assaltadas por inúmeras indicações do perigo iminente — arrepios, intuições, impulsos “irracionais” — e, nos piores casos, não tinham reagido a esses sinais. Nos melhores casos, essas pessoas forneceram indícios preciosos para o estudioso do comportamento formatar suas teses sobre o “presente do medo”.

“Ouvir um pequeno sinal de advertência pode salvar a sua vida”, afirma o especialista “assim como não seguir outros acabam nos colocando em situações de risco”. Nada a ver com paranóia. Apenas pesquisa aplicada na vida diária. Veja só os sinais que ele relaciona:

Pensamentos persistentes

Variações de humor

Ansiedade sem explicação

Curiosidade

Sensações estranhas “na boca do estômago”

Dúvidas

Hesitações

Apreensões

Suspeitas

Palpites

Todas essas reações cheias de informação são enviadas para nós pelo nosso maior aliado, o medo.

Mas como distinguir essas reações na hora “H”? Aprender a reconhecer esses sinais é um tremendo exercício de autoconhecimento. Nada fácil, ao contrário, mas simplesmente começar a pensar nisso já é alguma coisa.

Todos nós já trombamos alguma vez com alguém que nos faz sentir “esquisitos”…talvez até tenhamos prestado atenção, mas grandes são as chances de termos sacudido os ombros num “que bobagem!”. Demos sorte, provavelmente.

Todos nós também já desconfiamos injustificadamente de alguém. E nos arrependemos depois. “Puro preconceito”, dizemos. Provavelmente.

E ninguém quer viver em estado de vigilância eterna contra nossos semelhantes. Então, o medo pode ser educado, ensina De Becker, reconhecer e exercitar “a intuição confiável é exatamente o oposto de viver com medo”.

E talvez a gente tenha mesmo desaprendido a ouvir esses sinais protetores. A moça Eloá, por exemplo, poderia ter usado esses recursos para evitar um envolvimento maior com o rapaz que a matou.

O medo, puro, dos animais, não é aquela coisa ansiosa que inventamos para nós mesmos. Nada tem a ver com fantasias e pavores imaginários. O medo é coisa de bicho. De sobrevivência.  Aprender a não ter medo do medo é a primeira regra. Até porque “quando temos medo, não está acontecendo”.  O medo é sempre medo de algo que pode acontecer. Se um ladrão entrar na sua casa, você não vai ter medo de que um ladrão entre na sua casa, esse medo você já teve. Agora, seu medo é do que ele vai fazer em seguida, entende? Ou seja, o medo sempre antecipa alguma situação de perigo. Cabe a cada um checar as origens deste medo, examiná-lo de todos os ângulos possíveis, ouvir as intuições agregadas a ele e depois tomar uma decisão: evitar, fugir ou atacar. O medo nos dá tempo para pensar e agir.

Não ter medo do próprio medo pode parecer uma idéia polêmica, mas se a gente parar para pensar, não faz sentido? Afinal, nem sempre a gente pode confiar nos versos da música “o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”…

Em português, o livro chamou-se As Virtudes do Medo, na Livraria Cultura você compra online
 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags: , ,
20/10/2008 - 11:23

Perplexões ou tentando engolir as tragédias da tela

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“Perplexões”, foi a palavra que imaginei poder descrever esse estado confuso e desolado no qual mergulhamos há uma semana. Um combinado de perplexidade e indignação…”perplexões”…

Perplexões, embora palavra recém-nascida, devem se expressar através de perguntas, imagino. E numa enxurrada, que perplexões são assim, aflitas…

- Vocês repararam a quantidade de vezes que a moça Nayara, em seu depoimento, fala que Limdenberg Alves mudou de humor ou de rumo por conta de ter visto alguma coisa na TV? Como fica a cabeça de um rapaz se vendo dessa forma em cadeia nacional? E por que mesmo ninguém lembrou de cortar a luz?

- Quem é essa menina que já desde os 12 anos vive uma relação de tal intensidade? Ouvi um depoimento do rapaz que dizia que ela já tinha se desesperado antes, em uma das outras várias separações do casal, quando ele havia ameaçado romper o namoro, agora seria a vez dele reivindicar seu direito ao “sofrimento”…

- E quem é essa outra menina que desafia a proteção da polícia e volta correndo para o cativeiro? Então, já não seria tempo de reinventarmos nossas fronteiras entre o que é ser criança e o que é ser adulto?

- E por falar em adultos, quem somos nós, adultos, que estamos falhando tanto na nossa mais biológica função: proteger nossos filhotes? Onde a gente está quando eles precisam de nós? Em algum momento dessa tragédia anunciada vocês também não se pegaram perguntando, cadê os adultos nessa história?

- As telas provocam uma ilusão de distância, as coisas todas parecem reais, mas estão tão convenientemente lá do outro lado da tela, que a gente pode até fingir que nem é tão conosco assim: esses três jovens poderiam ser os filhos de uma melhor amiga, da vizinha querida, os NOSSOS filhos! Será que estamos sendo sábios quando permitimos que eles sejam transformados em personagens nestes Big Brothers da vida real?

- E de novo, por falar, em BBB, como podemos ajudar nossos filhos a redefinirem conceitos assim básicos, coisa de chão de terra mesmo, de avó: público X privado, fantasia X realidade, TV X vida real?  Ver as fotos dessas meninas “posando” no orkut, tão frágeis na sua juventude, tão adultas nas “caras e bocas”, tão à mercê do olhar do outro, não incomoda você também?

- Há alguns meses, a Veja fez uma reportagem de capa falando da “geração do eu mereço”. Fico pensando que, sim, compramos essa ilusão “made in America” do “tudo é possível, basta desejar com bastante força”  e ter um shopping center na vizinhança– não é à toa que The Secret virou esse fenômeno – mas como vamos ensinar aos nossos filhos que mesmo diante dessa vertigem de poder, existe uma única, talvez, e intransponível barreira: o desejo do outro?

Minha mãe, quando a conversa toma este rumo, costuma sacar do fundo do baú uma peça de J.B.Priestley, “Está lá fora um inspetor“, que fala de uma noite de tempestade, de um mordomo que chega para avisar o dono da casa que “está lá fora um inspetor para falar de uma moça que morreu, sabe-se lá por quê, Eva Smith, chamava-se”… E entra o inspetor provocando cada membro da família tão certinha até cada um assumir sua parcela de responsabilidade na morte da moça, de nome tão comum, Eva: o pai que tinha demitido a moça, o filho que a havia abandonado, grávida, a mãe que a humilhara…nada demais, apenas pessoas comuns trombando com pessoas comuns sem nem prestar muita atenção…

Mas, assim como o espectro do “inspetor”, alguns fatos funcionam feito espelhos e revelam para quem quiser olhar, a parte de responsabilidade de cada um, ainda que mínima, na vida de todos…

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Família 360o Tags: , , , , ,
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