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15/06/2009 - 12:35

Saudades…

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Blog querido, que saudades!

Mas logo logo trago novidades…

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags:
01/04/2009 - 13:47

Gavetas…

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Blogs são assim feito gavetas. Gavetas da alma, caixas, onde a gente guarda coisas,  preciosas ou fúteis, mas que não se quer perder ou que faz algum sentido jogar para o lado do futuro.

Alguns são bagunçados e coloridos, como as gavetas dos adolescentes, outros formais, impecáveis, feito gavetas de revistas de decoração, uns outros tantos são gavetões, pesados de saberes, outros, ainda, pueris como as gavetas das meninas. É fácil de se encontrar em uns, enquanto em outros a alma se escarafuncha e afinal desiste, cansada de buscar.

Todos, no entanto, são gavetas escancaradas ao olhar curioso de quem passa.

Nesse blog-gaveta estão (des)arrumadas as reflexões e idéias que fui catando durante esses seis anos de caminhada e que foi uma alegria compartilhar com vocês. Essa gaveta, abarrotada, continua aberta. Há que se abrirem outras…

Partir e voltar são apenas dois momentos do mesmo sentimento irresistível e urgente de mudança. Não é à toa que nossa espécie às vezes é tão confusa!

Não é mudança de rumo, nem de caminho, a estrada é sempre a mesma, a gente é que se perde, dá voltas, guinadas, nós…e, em algum momento, percebe que foi longe, e está na hora de voltar…

Ou, como dizem os sábios chineses:

Primeiro havia a montanha
Depois não havia a montanha
E, afinal, havia apenas a montanha, assim como ela existia desde o início. Era óbvio, você é que não via!

E foi pensando nas gavetas da alma e nas montanhas que surgem e desaparecem no horizonte, conforme as curvas da estrada e o cansaço do viajante, que resolvi adormecer esse blog sem tristezas e me despedir com poesia.

Escolhi essa, de uma mulher que canta o mar feito marinheiro e tem alma de pirata, Sophia de Melo Breyner:

“Sou o único homem a bordo do meu barco
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento como os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo desse sonho e nunca durmo.”

Vamos nos encontrar por aí…

Anotem os endereços dos novos experimentos:

Em Casa, um blog sobre a arte de ficar no seu canto

Fifties, mulheres apaixonadas pela vida

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Toques de alma Tags: , ,
04/03/2009 - 16:37

Historinha sufi

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Ouvi ontem numa palestra do rabino Nilton Bonder.

Um homem visitava uma aldeia do Casaquistão, onde se teciam famosos tapetes de padrões tão intrincados e complexos que alguns levavam várias décadas para serem tecidos.

O homem, ouvia as explicações do guia e, ao passar por um dos tecelões, um velho de longas barbas, debruçado sobre um imenso tapete de fundo vermelho, perguntou: “Você não tem medo de não conseguir terminar sua obra antes de morrer?”. Ao que o velho, placidamente, respondeu: “Não. Também não fui eu quem começou…”

Moral da história: que belas coisas a gente não faz para jogar no futuro, nas mãos dos nossos filhos e dos filhos dos nossos filhos…

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Histórias Tags: ,
06/02/2009 - 18:59

Em busca da Índia

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The daily market in Mysore (Karnataka state, India) is full of colours. Marco Bellucci

Minha professora de yoga favorita, a Renata Mendes, está viajando pela Índia e escrevendo um blog para seus alunos e ex-alunos, como eu, acompanharem e se inspirarem no seu jeito sereno de ver o mundo.

Evidente que a viagem não tem nada a ver com a novela da Gloria Perez, mas, como todo mundo anda se perguntando quanto de fantasia e quanto de verdade sobre a Índia a novela dá conta de mostrar para nós, achei que o blog da Re podia dar uma visão diferente, fresca dessa terra colorida, rica e extraordináriamente complexa…

O blog já começa explicando o que significa a saudação “namastê”:

“Namastê é o cumprimento que as pessoas fazem para dar oi, tchau, bom dia, boa noite e até mesmo passando pela rua sem se conhecer. Essa palavrinha significa que o divino que está dentro de mim sauda o divino que está dentro de você. Isto é, honrar com humildade a presença da outra pessoa.”

Se quiser fazer uma visitinha, clique aqui

A foto que você vê é do Flickr de Marco Bellucci, intitulada United Colors of India e mostra as cores fortes e luminosas do mercado de Mysore, no estado de Karnataka

Na minha busca da Índia possível vista daqui do Brasil, encontrei estas fotos de Steve McCurry, o fotógrafo extraordinário autor daquela foto da moça com olhos verdes que foi capa da National Geoghaphic, você lembra? As fotos estão reunidas numa apresentação de slides, também chamada As cores da Índia. Não trazem legendas, nem precisam, contam histórias que a gente vai adivinhando, construindo…

Se quiser navegar por mais fotos deslumbrantes, visite o site de Steve McCurry

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Destinos Tags: , ,
02/02/2009 - 13:36

A verdadeira rainha da salsa

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Sempre tem aqueles dias em que você precisa de uma ajudinha para achar que vale a pena viver num país livre e não precisar se esconder atrás de burkas, véus, mantos, só com os olhinhos de fora, se tanto… Momentos que pegam a gente em geral logo de manhã, ao olhar para o espelho e nos deixam com a sensação incômoda de que tem algo de muito errado no curso natural das coisas, da infância para a velhice…não daria para inverter? “Você ia odiar isso”, diria, sábio, o Benjamin Button/Brad Pitt lá da sua tela de cinema…

Pois foi justamente num dia desses que chegou no meu outlook o vídeo de Paddy e Nico, dançando uma salsa mirabolante, molenga, daquelas onde todas as fantasias que a gente nutre secretamente em relação à Cuba parecem se encaixar, à perfeição.

E chegou com a recomendação da Lélia: “Adília, preste atenção!” Prestei…
Nico é um homem bonito, alto, jovem, com aquele porte altivo dos dançarinos. Paddy, sua parceira de piruetas, é uma mulher linda, esguia, graciosa, sedutora…de 80 anos de idade!!!!

Dá um pouco de medo de assistir até o final do vídeo porque você tem a impressão de que a qualquer momento vai acontecer alguma coisa terrível e ela vai cair no chão, catatônica, irremediável…

Nada disso, Nico e Paddy são uma dupla de dançarinos de salsa que se apresenta regularmente em torneios e espetáculos, na Espanha.

Assista…você vai se sentir rejuvenescida, linda, perigosamente perto de fazer alguma coisa muito louca na vida e pronta para jogar o espelho fora da próxima vez que ele reclamar da sua aparência…

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Mulher, mulheres Tags: , ,
23/01/2009 - 12:09

Chegou no outlook: nuvens de palavras do discurso de Obama

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O discurso do presidente Barack Obama transformado em nuvem de palavrasO discurso do presidente Barack Obama transformado em nuvem de palavras
Recebi hoje cedo um e-mail com essa tagcloud que você vê aí em cima, feita a partir da frequência das palavras usadas pelo novo presidente dos EUA, Barack Obama.
E me apaixonei de novo pelas palavras…e nem estou falando da mágica da palavra escrita ou falada. Mas da forma extraordinária como elas podem ser agrupadas de modo a compor verdadeiras paisagens! Que me desculpem os poetas, mas a web também faz poesia concreta…
Graças a um gerador de tagclouds, desenvolvido pela empresa americana, Wordle.net, as palavras do discurso do presidente americano ganham novas possíveis interpretações, relacionam-se entre si não apenas na linearidade da fala, mas na complexidade da alma. Expressam os meandros das idéias, emoções e sentimentos, sinalizam os desvios, as ênfases, tornam legíveis as marcas do tempo e das circunstâncias, revelam até mesmo os lapsos e desvios inconscientes que a fala tão lindamente articulada de Barach Obama pode eventualmente esconder.
A análise das clouds, feita pelos jornalistas e blogueiros nos últimos dias, revela um discurso onde os aspectos propriamente políticos cedem lugar a um chamamento, dirigido a todos e a cada um. E um estranhamento: duas palavras que a gente acostumou a associar com Obama, “mudança” e “esperança”, não foram muito utilizadas.
As palavras mais empregadas no discurso presidencial foram:
 
New (novo)
People (povo)
Every (cada)
America (América)
Less (menos)
Today (hoje)
Spirit (espírito)
Generation (geração)
Para mim, elas revelam alguém com um olhar no futuro, os pés bem fincados no chão e capaz de incluir todos e cada um neste seu abraço inicial. Você o que acha?
Crédito da foto: Wordle.net
Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Estilo ecológico, Inspiração Tags: ,
20/01/2009 - 07:00

Qual é o seu estilo?

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Livro Questão de Estilo, Carrie McCarthy e Danielle La PorteResenha livro Questão de Estilo

Se é verdade que cada um de nós tem um estilo único, inconfundível, um jeito só seu de estar no mundo, também é verdade que não é nada fácil reconhecer-se com tamanha intimidade.

O privilégio da vida é ser quem você é, disse Joseph Campbell. Mas quem é esse eu que olha para mim no espelho? O que ele diz de mim, das escolhas que eu fiz, da vida que levo, dos meus sonhos…

Duas amigas, consultoras de estilo e de comunicação, resolveram dar forma a uma espécie de Manual de Estilo. Um guia passo a passo para criar uma “declaração de estilo” que fale com clareza de você, do seu projeto de vida e expresse exatamente quem você é em tudo que faz.

O livro, Questão de Estilo, é resultado de muita pesquisa das autoras, Carrie McCarthy e Danielle LaPorte. Um farta exploração de idéias sobre as inúmeras maneiras que usamos para enxergar o mundo. Como você se relaciona com seu lar e suas coisas? E com a moda e a sensualidade? O que inspira você e o que motiva você a aprender? Que idéias você usa para pensar em dinheiro, em trabalho? Amigos, romance, família, colegas, que recursos você usa para se comunicar? E que idéias, imagens, conceitos provocam sua criatividade? Como você usa seu corpo? E o que faz você se sentir bem como um gato? A Natureza chega como até você? O que faz você se acalmar? E como você definiria descanso e relaxamento?

Não existem respostas certas, evidente, mas a cada página surgem provocações, palavras-chaves que fazem a gente tomar consciência das coisas em nós que ficam escondidas na correria e na afobação do cotidiano.

Um livro interessantíssimo para começar o ano!

O site das duas é inspirador, cheio de dicas para quem invariavelmente se perde nos estilos e nos provadores das lojas…mas é em inglês!

E antes que você se aborreça comigo por isso, o livro está traduzido para o português, Questão de Estilo, da Larousse.

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver Tags: ,
30/12/2008 - 09:20

Feliz ano-novo!

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Meu amigo de muitos anos-novos e estudioso apaixonado por folclore, Helio Moreira da Silva, envia um presente para este blog. Uma aula completinha para você saber o que está por trás dos rituais e tradições que trazem felicidade e sorte no ano-novo! Aproveite!

“Mais um fim de um ciclo e início de outro. Um ano que alguém ousou fracionar em doze suaves prestações. Como se isso fosse possível. No último dia do ano é sempre cheio de promessas. Algumas levadas a sério, outras tantas esquecidas. Neste dia 31não há quem não queira predizer ou adivinhar o imediato futuro, tendo como base a realidade atual. Com aquilo que conhecemos como sorte, essa força invencível a que se atribuem o rumo e os diversos acontecimentos da vida; do destino, do fado, da estrela que necessariamente tem de ser.  

E os mais diversos rituais alimentam os nossos sonhos e dão vida às celebrações. Mas são tantos detalhes que a gente acaba se confundindo, sem saber direito para que serve cada um deles. Vale tudo para aproveitar a oportunidade de encher o coração de esperança e começar tudo de novo, mas para que a meia-noite não vire uma corrida de obstáculos é sempre bom saber um pouco mais sobre esses costumes.

 As celebrações e as profecias do Ano-Novo estão entre as mais antigas e universalmente celebradas festas da humanidade. Para nós, tudo isso começa em 6 de dezembro e encerra no dia 6 de janeiro com as Festas de Reis, quando obrigatoriamente deve-se desmontar a Árvore de Natal, o presépio, as guirlandas e as luminárias, estas últimas recentemente incorporadas aos nossos festejos. É necessário lembrar que a pessoa – ou as pessoas – que monta tanto a Árvore de Natal, o presépio e outros apetrechos deve fazê-la por sete anos seguidos, como reza a tradição. 

O porquê da data?
Em tempos idos comemorava-se o dia de nascimento do menino Deus em 5 ou 6 de janeiro, na Epifânia de Dionisos OUA como a data do seu aparecimento. Somente no século IV é que começaram as celebrações em 25 de dezembro, a qual era comemorada a antiga festa pagã do Sol, a qual passou a ser reinterpretada pelos cristãos, que até então tinham o costume de festejar apenas o aniversário da morte e da ressurreição de Cristo, isso porque devido à dificuldade em situar a data do seu nascimento. O Dia de Natal, por muito tempo, era determinado pelos estudos de Hipólito (nascido em Roma 170?–235, teólogo, defendia a doutrina e a disciplina da Igreja, depois foi um antipapa e por fim ordenado como santo) gravados em estátua da biblioteca de São João de Latrão, em Roma, como sendo em 2 de janeiro, ou então, em 2 de abril de 5.532. Depois, o mesmo Hipólito, em comentário sobre Daniel (“Aquele que é julgado por Deus”, profeta do Antigo Testamento, sua via e profecia estão incluídas na Bíblia, no Livro de Daniel.) corrigiu, determinando que o nascimento do Menino Deus se desse em 25 de dezembro de 5.500, depois de Adão e Eva. 

Para os cristãos orientais o nascimento de Jesus Cristo se deu em 5 ou 6 de janeiro, na Epifânia de Dionisos, isso por influência da antiga crença, devido às bodas Caná (pequena vila da Galileia, segundo Evangelho de São João, era o local de residência de Natanael) quando aconteceu o milagre da transformação da água em vinho e Jesus Cristo passou a ocupar o lugar de Dionisos. Ressalte-se que o milagre da água-e-vinho procede do culto do deus grego e, também, de outros deuses pagãos.

 A essência da festa do Ano-Novo é sempre a renovação da vida, o que, em muitas culturas, inclui também a repetição simbólica do momento da criação do mundo. No Brasil, a festa até os anos 30, era restrita às residências. Foi a partir desta época que o umbandista Tancredo da Silva Pinto (Tata de Inkice – grau máximo na Umbanda –, escritor, músico e compositor – co-autor com Moreira da Silva, do estilo de samba-de-breque, nascido em 10/8/1905; falecido em 1/9/1979, no Município de Cantagalo, então Estado do Rio.) levou para o Rio de Janeiro o culto da divindade banto Kalunga, da Umbanda, Kimbanda e do Omolokô sincretizado em nosso o país com as oferendas à Yemanjá (Orixá dos rios e águas doces; divindade do rio Ogun, em Abeokutá, Nigéria, África – não confundir com o orixá Ogun. Também, muito conhecida como Mãe dos Orixás, Mãe-D´Água  e Rainha do Mar, esta devido à combinação da onomatopéia com morfema nominal ou verbal da língua portuguesa: Yemanjá = mar.) e essa com a divindade Olukun (de Ilé Ifé, Nigéria) ou Okunjimum, ambas do culto jeje-nagôs.

A festividade de Yemanjá sendo uma das mais antigas é cultuada em 2 de fevereiro, no Rio Vermelho, em Salvador, Bahia, a qual termina nas águas do mar com a entrega das oferendas. Foi desta obrigação religiosa que Tancredo levou para o Rio de Janeiro nos anos 30. A princípio na mesma data, mas logo a transferiu para 31 de dezembro, pois em fevereiro acontecia, às vezes, com a proximidade do carnaval carioca. Além disso, os terreiros de Umbanda ficaram pequenos para acolher seus religiosos. Sem falar na dificuldade de conduzir às oferendas até o mar.

Inicialmente as festividades da Rainha do Mar no Rio de Janeiro foram realizadas na Praia de Ramos ou no Caju, porque na Glória ficara proibida pela Delegacia de Costumes, em que a primeira providência para acabar com os macumbeiros era “prender” os engomas (atabaques), com o devido registro policial (o conhecido BO) de insurgência a ordem.

Com a expansão de Copacabana aos poucos os umbandistas começaram a realizar os cultos à Yemanjá os cultos nas praias ainda desertas da Zona Sul. E pela necessidade geral de começar um ano melhor e ao mesmo tempo jogar nas águas profundas as mazelas do ano que terminava os religiosos foram, ano a ano, aumentando a aceitação pelos cariocas que se deslocavam dos subúrbios para fazer suas homenagens a Mãe dos Orixás.

A festa cresceu tanto, que entre coisas, obrigou as empresas de ônibus aumentarem o número de veículos para atender a demanda. A mídia logo acordou e entendeu ao fenômeno social e com o Turismo a festa passou a ser uma data comemorativa, atraindo não só brasileiros de outros estados como também turistas do mundo inteiro. Hoje, a Festa de Yemanjá é transmitida para diversos países. Odoyá ou Odô-fé-iabá!

Hélio Moreira da Silva é jornalista, ex-diretor do Museu do Folclore Rossini Tavares de Lima, de São Paulo e da Associação Brasileira de Folclore, também é membro da Comissão de Folclore de São Paulo. 

E seguem mais “bons conselhos” para atrair boas energias no ano que começa!

Fogos e barulho. Em alguns países o Ano-Novo começa entre fogos de artifício, buzinadas, apitos e gritos de alegria. Ou seja, toda sorte de barulho para que ninguém passe dormindo. A tradição é antiqüíssima e, dizem, serve para espantar os maus espíritos.

Roupa nova. Vestir uma peça de roupa que nunca tenha sido usada combina com o espírito de renovação do Ano-Novo. O costume é muito conhecido pelo mundo afora aparecendo em várias versões, como trocar os lençóis da cama, usar uma roupa de baixo nova ou romper o ano com o corpo limpo, isto é, de banho tomado.  Banhos de sal grosso ou perfumados com sete ervas são variações dessa nossa necessidade de limpeza e purificação antes do novo ciclo começar.

A vigília da virada. Ninguém deve dormir antes da meia-noite. Para os povos primitivos, os seres humanos precisavam ajudar o ano a romper permanecendo acordados e vigilantes. O hábito de deixar as luzes das casas acesas e as janelas abertas vem daí.  Além disso, a tradição diz que quem conservar os olhos abertos até o Ano-Novo despontar verá o dia nascer no ano seguinte.

Boas saídas, boas entradas. Cuidado, o que você fizer no Ano-Novo continuará a fazer o ano todo. O costume veio da Europa. Ovídio, um poeta que viveu no primeiro século da era cristã diz: “Convém ao dia bom, palavras boas”, referindo-se ao Ano-Novo. Assim, quem começar o ano viajando, viaja o ano inteiro, quem começa o ano chorando, vai chorar o ano inteiro. Daí dizer-se que é bom subir em uma cadeira, para dar impulso à vida, começar o ano com o pé direito, para atrair a sorte e comer doces na ceia, para garantir sabor e doçura o ano inteiro. E nada de roupas apertadas, para não passar apertos no futuro.

Cores. Maria Eugenia Sahagoff reserva um capítulo inteiro do seu livro Feliz Ano-Novo para as cores. Segundo ela, todo nosso corpo é afetado pela cor e pela luz e elas realçam estados emocionais e psicológicos. Através das cores “chega-se às profundezas da alma das pessoas”. Por isso essa escolha deve ser feita com cuidado no Ano-Novo.  A recomendação mais tradicional aqui no Brasil, lembrança de nossos ancestrais afro-brasileiros, é usar branco. Além de ser a cor de Yemanjá, a grande mãe e rainha do mar, o branco é o “símbolo da própria luz” e, como conseqüência, da sabedoria, da pureza e da verdade. A roupa branca – em qualquer gênero — é um símbolo utilizado em homenagem aos afro-descendentes, a qual lembra a importância das famosas baianas e os negros-de-ganho. O azul também é uma cor propícia para saudar o Ano-Novo. Porém, mais ligada ao consumismo. É a cor da paz, da tranqüilidade e das coisas espirituais. Outra alternativa para o final de ano é usar amarelo, a cor do sol, do ouro, um costume comercial que se confunde com a cor votiva do orixá Oxum, a divindade da riqueza, da fecundidade e da abundância.

Ceia. Comer bem, entre amigos alegres, faz parte das comemorações de Ano-Novo. A fartura na mesa ajuda a trazer abundância e sucesso no ano que começa. Diz à crença que tanto o mais velho, como o mais novo em numa ceia devem receber a primeira porção do alimento. Mas alguns alimentos não podem faltar. O leitão e o porco são as carnes favoritas segundo Maria Eugenia Sahagoff, porque o animal fuça para frente, “impelindo a vida também para adiante”.  As uvas também têm que estar presentes, avisa Helio Moreira e continua: “dependendo do lugar onde você estiver, o costume pedirá 3, 7 ou 12 bagos que serão comidos quando der a meia-noite no relógio.”Não se esquecer de fazer os pedidos. Uvas e vinho, aliás, são os símbolos mais universais de congraçamento e alegria. Para os gregos, o vinho foi um presente de Dionísio — ou Baco, dos romanos — o deus das vinhas, dos delírios, da orgia e da inspiração. Não existe festa sem sua presença. Para nós, os espumantes fazem parte da passagem do Ano-Novo, o seu barulho – ao abrir a garrafa – é o sinal que novo tempo está porvir e com ele tudo de bom.

Romã. No livro Feliz Ano-Novo, a romã aparece como um dos alimentos favoritos das festas de final de ano, devido à enorme quantidade de sementes, que simbolizariam fartura e prosperidade. A fruta também faz parte dos rituais do Ano-Novo não só dos judeus, que oram para que as bênçãos de Deus sejam tão numerosas quanto às sementes de romã. A romã é maça dos antigos romanos e sempre fizeram parte da mesa em qualquer comemoração.

Grãos. Tradicionalmente, lentilhas ou ervilhas são símbolos de morte e ressurreição. A semente, enterrada na terra, germina e se multiplica e, novamente, volta para a terra, para começar tudo de novo.

Dinheiro.  São muitas as simpatias para atrair dinheiro. Helio Moreira da Silva sugere uma que, pela antiguidade, deve ser eficiente. Colocar uma folha de louro embrulhadinha em uma nota de dinheiro, dentro da carteira. E guardá-la até o próximo reveillon. A nota antiga deve ser dada ao primeiro pobre que você encontrar. A folha velha você vai jogar na água corrente. Desde o tempo dos gregos e romanos o loureiro é a planta-símbolo da vitória, do sucesso e da imortalidade que a glória traz. Os grandes atletas romanos ganhavam coroas de louro, assim como os heróis e os grandes sábios. Era a planta de Apolo, o belo deus grego da sabedoria, inspirador dos oráculos e das profecias. Importante uso deste amuleto só diz respeito a quem o possui.

Primeiro dia do ano. O dia primeiro do ano é dedicado à confraternização. É o dia da fraternidade universal. Helio avisa: “Como se deve fazer no Dia de São Nunca (1o. de novembro) é hora de pagar as dívidas e devolver tudo que se pediu emprestado ao longo do ano. Esse é um costume europeu muito antigo, do tempo em que se emprestavam arados e foices e reflete a nossa necessidade de fazer um balanço da vida e de começar o ano com as contas acertadas, conosco e com os outros.”

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade Tags: , ,
20/12/2008 - 12:12

Os amigos e o Natal

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Mais uma vez está chegando a hora de fazermos juntos a grande mágica de fechar um ciclo e abrir outro.

Mais uma vez nos é dada a chance de fazer um acerto de contas do ano que vai acabando, para entrarmos frescos e mais leves no ano que vai começar.

Antes disso, no entanto, muita festa, muitos encontros, muita alegria e, é claro…brindes!

Este ano, enquanto estivermos esperando a meia-noite do dia 24 para saudar o nascimento do Menino-Deus, queria muito levantar um brinde especial, um brinde aos amigos!
Rubem Alves, no prefácio da edição brasileira de um livro des estórias lindo de um pedagogo português chamado José Pacheco e com o título mais do que convidativo de “Quando eu for grande, quero ir à primavera“, diz:

“Fernando Pessoa escreveu a mais bela declaração de amor que existe: ‘Quando te vi amei-te muito antes. Tornei a achar-te quando te encontrei…’ Na minha fantasia imagino que ele a escreveu para uma mulher. Mas penso que coisa parecida poderia ter sido escrita para um homem. Porque há homens que escontramos e quase instantaneamente vem a surpresa do reconhecimento! Misteriosamente, já éramos amigos em tempos imemoriais, anteriores a esta vida. Antes que se diga qualquer palavra já existe a compreensão. Não é preciso explicar. Disso sabia o Riobaldo (personagem de Guimmarães Rosa): ‘O senhor mesmo sabe. E se sabe, me entende…’ Já tive esta experiência várias vezes. E aprendi que a amizade não acontece por meio de construções temporais sucessivas. A amizade irrompe repentinamente no tempo, como uma dádiva da eternidade. Tal como aconteceu com Jean-Christophe, o herói adolescente de Romain Rolland. Já conhecera muitas pessoas. Mas aquele encontro era diferente. Voltando para casa à noite, seu coração cantava: ‘Tenho um amigo, tenho um amigo…’”

Sim, amigos, daqueles que são verdadeiros companheiros de viagem. Que nos emprestam seu olhar para a gente se descobrir através deles, mergulhando neles…
Amigos com quem a gente possa conversar absolutamente nus. Desvestidos das nossas máscaras e das nossas funções.
Amigos com quem ficar em silêncio, ouvindo as estrelas ou o barulho do mar.
Amigos que compartilhem os brindes e não tenham pressa de ir embora.
Amigos que cozinhem juntos e ajudem a lavar a louça depois.
Amigos com quem possamos viajar para lugares distantes ou para dentro de nós mesmos, sempre com o mesmo entusiasmo.
Amigos que nos conheçam bem e gostem de nós por causa disso e apesar disso.
Amigos assim, que façam a gente se sentir melhor, um pouquinho melhor que pensamos que somos.
Amigos com quem possamos fazer o exercício do encontro e do desencontro, com a alma leve de quem sabe que nada realmente é importante. Apenas o amor é que conta, sempre!
Um brinde a vocês todos, amigos virtuais, tão longe e tão perto…e Feliz Natal!!

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Bem-viver, Religião e espiritualidade Tags: , ,
19/12/2008 - 11:02

Tibet, imagens do coração do Himalaia

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Claudia Proushan

Bons viajantes, desde sempre, são aqueles que vão e voltam para contar. Em outros tempos, esse “contar” reuniria membros da tribo ou da aldeia em volta da fogueira e as chamas encarnariam monstros marinhos, inimigos invencíveis, belezas jamais vistas, amores exóticos, riquezas extraordinárias, na fala do viajante os avessos do mundo se faziam realidade compartilhada com todos.

O planeta ficou menor, dizem, os viajantes voltam carregados de fotos, filmes, postam “em tempo real” nos blogs, a viagem adquire quase a carnatura do “vivido”.

Alguns viajantes, no entanto, trazem imagens de sonho…é o caso dessas, recolhidas por Cláudia Proushan, durante sua viagem para o Tibet.

O livro, para quem já conhecia, estava esgotado, mas ganhou uma reedição patrocinada pela Mitsubish. E uma exposição, em São Paulo.

Para se deliciar!
Onde: Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim
Av. Magalhães de Castro 12000
São Paulo
Quando: 20 de dezembro de 2008
Horário: das 11 às 14h

Tibet, coração do Himalaia, de Claudia Proushan

Claudia Proushan

Claudia Proushan

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade Tags: , ,
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