Africa: viagem virtual
Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou à dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa.
Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário em todas as direcções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares. Olhou o horizonte e chamou:
Pai!
Então, se abriu uma fenda funda, a ferida de nascença da própria terra. Dos lábios dessa cicatriz se derramava sangue. A água sangrava? O sangue se aguava? E foi assim. Essa foi uma vez.
Mia Couto, jornalista e escritor de Moçambique, sempre me faz lembrar que não há nada de morno na África, tudo tem a medida do exagero, do impossível, do inusitado.
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E é assim que fiz minha África de fantasia e costurei com cores viscerais, extremadas, de primórdios e de esperanças…
Por isso fiquei feliz quando recebi esta mensagem da minha amiga Lélia. Tão difícil alimentar com imagens minhas fantasias sobre a África, que acabo ficando nas palavras…de Mia Couto, por exemplo. Agora não mais…porque Chegou no outlook, África, uma viagem virtual

Não há nada morno na África mesmo…. como nestas fotos maravilhosas, fervendo cores e natureza
GOSTEI MUITO DO LIVRO RETRATA UMA ISTORIA DRAMATICA OU SEJA SENTIMENTAL