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04/08/2008 - 17:11

Africa: viagem virtual

Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou à dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa.
Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário em todas as direcções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares. Olhou o horizonte e chamou:
— Pai!
Então, se abriu uma fenda funda, a ferida de nascença da própria terra. Dos lábios dessa cicatriz se derramava sangue. A água sangrava? O sangue se aguava? E foi assim. Essa foi uma vez.

Mia Couto, jornalista e escritor de Moçambique, sempre me faz lembrar que não há nada de morno na África, tudo tem a medida do exagero, do impossível, do inusitado.
´
E é assim que fiz minha África de fantasia e costurei com cores viscerais, extremadas, de primórdios e de esperanças…

Por isso fiquei feliz quando recebi esta mensagem da minha amiga Lélia. Tão difícil alimentar com imagens minhas fantasias sobre a África, que acabo ficando nas palavras…de Mia Couto, por exemplo. Agora não mais…porque Chegou no outlook, África, uma viagem virtual

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Chegou no outlook, Sem categoria Tags: , , , ,

2 comentários para “Africa: viagem virtual”

  1. marcia disse:

    Não há nada morno na África mesmo…. como nestas fotos maravilhosas, fervendo cores e natureza

  2. AGOSTINHO BIE disse:

    GOSTEI MUITO DO LIVRO RETRATA UMA ISTORIA DRAMATICA OU SEJA SENTIMENTAL

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