O teatro dos sonhos e as camas insólitas de Thierry Bouet

Acordei querendo dormir numa cama nova, num quarto novo e ter sonhos com imagens novas, surpreendentes, talvez de um outro eu…consegui arranjar um cantinho para colocar uma almofada de meditação, troquei a colcha da cama, tirei os livros de um lado, coloquei no outro, pronto, só faltam os sonhos…
E ainda rindo de mim mesma, lembrei de um ensaio que vi na versão mais “estilo de vida” da revista “The Economist”, “Intelligent Life”, chama-se e é excelente. O tal ensaio era sobre um fotógrafo francês que passou anos tirando fotos de camas. Sim, as camas e seus donos, é claro!
Thierry Bouet é um parisiense, ex-advogado, que se define como alguém “que se infiltra nos acontecimentos e nas comunidades buscando nelas fraturas e possibilidades de sonhos”. Passou, segundo descubro, dois anos pedindo para ser convidado a conhecer a alcova das pessoas e fotografar o “teatro dos sonhos” mais inusitados, mais loucos.
O resultado são imagens que fazem comichão na alma, ninhos insolentes e coloridos, caixas mágicas que dão boas vindas a todas as fantasias e aos sonhos mais absurdos.
E a gente fica aqui imaginando que seres estranhos somos nós que rodeamos a hora de dormir de tantos adereços, como se assim enfeitada a noite fosse menos assustadora e o dormir menos semelhante à morte.
“Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar.” É a fala de Hamlet, de Shakespeare, na tradução de Millôr Fernandes.
Agora navegue pelas camas de sonho de Thierry Bouet e alimente seus sonhos…


Que idéia interessante a respeito do sono!
Penso muito nisso também.
Abraço.