Arquivo de julho, 2008
17/07/2008 - 15:52

Quem nasceu depois de 68 deve achar que ele sempre existiu. Quem nasceu antes, talvez imaginasse, como eu, que era alguma inscrição hindu, nascida quando os jovens da minha época descobriram a Índia, a meditação, os mantras…
Pois não é nada disso. O símbolo mais tradicional de “paz” que a gente conhece nasceu, isso sim, na prancheta de Gerald Holtom, um artista inglês que recebera a incumbência de criar um símbolo para a primeira Campanha Pelo Desarmamento Nuclear, CND, na Inglaterra, em 1958. O trabalho de Holtom foi apresentado e aprovado pelo Direct Action Committee Against Nuclear War e selecionado para aparecer em público na primeira marcha contra a Guerra Nuclear, que entrou para a história como a 1st Aldemaston March, e reuniu centenas de pessoas numa caminhada de quatro dias desde Trafalgar Square, em Londres, até o Centro de Pesquisas Nucleares de Aldermaston, em Berkshire.
A ironia é que o símbolo da paz é, de fato, uma combinação de sinais militares. Holtom usou os símbolos de um tal de alfabeto semáforo, um sistema de sinais que utiliza os braços e bandeiras para transmitir informações. Não tinha noção de que isso existia, embora agora eu imagine porque os sinais de trânsito em São Paulo chamam-se “semáforos”…Mas já tinha visto algo semelhante nas pistas dos aeroportos.
Enfim, militarismos à parte, nosso amigo artista parece que era um fervoroso defensor da paz e que teria justamente escolhido usar os sinais deste alfabeto que representavam o N (de “nuclear”) e o D (de “desarmamento”) para expressar sua revolta, seu desespero diante da ameaça nuclear. Assim, os sinais que a gente vê no símbolo da Paz, sugerem alguém em atitude de desespero, com os braços estendidos para baixo, as palmas das mãos viradas para fora, como se perguntasse “e agora?”, “por quê?”
Das caminhadas contra os armamentos nucleares, o símbolo caminhou pelos movimentos que chacoalharam a década de 60: estava lá nas explosões do Civil Rights que confrontaram negros e brancos nos EUA e também estava, vestido de flores, nas manifestações dos jovens hippies, da Califórnia às barricadas de Paris.
Tentaram bani-lo durante o apartheid na África do Sul, tentaram apagá-lo das paredes das universidades francesas, mas como todos os símbolos poderosos ele resistiu, engordou de significados, grita “liberdade”, fala de “amor”, conta histórias de “mudanças”, e, afinal, vira símbolo da paz. Quem iria imaginar?
Gostou da historinha? Então entre no site e crie sua própria versão do símbolo aniversariante…é bem divertido e você ajuda a divulgar a idéia de que ainda hoje, justo agora, vale muito a pena falar de paz…
O símbolo da paz
O livro Peace, 50 years of protest
Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Inspiração, Religião e espiritualidade
Tags: guerra e paz, make peace, paz, paz e amor, peace, símbolo da paz
11/07/2008 - 12:06
Abençoar a comida, orar antes das refeições, agradecer pelas bençãos recebidas da terra, são coisas tão antigas…pena que hoje ninguém mais tem tempo prá isso e bem poucos de nós conseguem chegar nas refeições com a calma interior necessária para entrar em sintonia verdadeira com o momento e com o alimento.
E no entanto…já li vários estudos que afirmam que alimentar-se de maneira mais consciente, mais atenta, mais calma, faz bem para a saúde e até ajuda a emagrecer!
Pelo sim pelo não, experimente: na próxima refeição, em vez de jogar-se sobre a comida, páre por alguns instantes, respire, aquiete-se, entre em contato com seu corpo e com o alimento e agradeça, ao seu Deus, à Natureza, à Terra, a si mesmo, ao seus pais, ao agricultor, não importa, o que é transformador é sua atitude diante disso.
Alimento é vida, não é alternativa, nem dá para fazer de conta que a gente não está nem aí para a comida, quando os hindus dizem que “tudo é alimento”, eles não estão brincando…
É bem simples, na verdade, com a vantagem de que qualquer coisa que você inventar funciona: Que todos os seres que contribuíram para que esse alimento chegasse à nossa mesa sejam abençoados. E que nós possamos sempre nos alegrar por receber as bençãos da Terra
Se você, feito eu, se diverte fazendo pão, na hora de sovar e esmurrar, nunca deixe de “jogar” na massa umas pitadas de sentimentos generosos. “Abençoado é o Senhor, Rei do Universo, que faz nascer o pão da terra”, é uma antiga oração dos judeus, viu só? Simples, e bela!
Encontrei no Beliefnet uma série de preces para abençoar as refeições. De todas as religiões. Bom apetite!
Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria
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11/07/2008 - 11:42
Caríssimos,
Como já disse em outras ocasiões, às vezes os comentários são tão ou até mais interessantes do que o post…. que dá vontade de abri-los para todo mundo ver. Vamos ver no que dá?
enviado por: Rafael
Site: http://www.ireach100years.com
coitadoooo
Em: 11/07/2008 10:25:21
enviado por: maria luiza silva
Nenhum adolescente “decide” viver como ermitão, mesmo porque nesta idade não se tem formação suficiente para se “saber” nada, muito menos o que fazer da própria vida… o que será que aquela mãe lhe fez?… acho que quis “guardar” o filho para si mesma… pobre rapaz!
Em: 11/07/2008 09:26:12
enviado por: Paulo César Lomach
É de se admirar comentários tão transparentes e fecundos numa rede dominada por tolices prepetradas como verdades absolutas.
Longe vai a època que o pensamento era trazido a tona, numa tentativa de aclareamento ou entendimento onde o ser humano se encontrava e se munia de respostas.
Hoje um shopping digital nos manipula para uma sanha de mercado que nos oprime e esvazia.
Este homem,ermitão ou fugitivo, é um detalhe sobre o qual havemos de nos debruçar, aguçar o espírito, para que diante dele nos encontremos por inteiro, longe desta tonta figura que vemos no espelho, escravo das manipulações diárias a que somos submetidos, sorridentes e infelizes.
Em: 11/07/2008 08:35:25
enviado por: Herbert
Que reflexão contundente!
Viva a Sociedade Alternativa! Viva! Salvem os desviantes, os delirantes, os criativos-alternativos forever!
Em: 10/07/2008 19:13:40
enviado por: Alexandre Reis
Adilia, realmente o mundo pós-moderno fascina por suas incongruentes vicissitudes. Tudo é aqui e agora ao mesmo tempo. Adorei saber que vc tem este canal de comunicação e assim podemos nos conhecer melhor. Moro em Brasília, sou professor de Dança Contemporânea e tenho um projeto aprovado pela Lei Rouanet junto com mais um monte de outros artistas do país que estão esperando por patrocínio. Já estou há muitos anos neste mesmo procedimento, envio documentos sazonais ao MINC e pasme, nem estão me respondendo. Faltariam pessoas por lá para compreenderem os desígnios de nossos anseios? Eu também ando preocupado com o mundo pós-moderno, com essa desorganização em busca de entropia máxima por meio das comunicações. J. Habermas também escreveu muito sobre isso, embora eu esteja me dedicando mais aos filósofos da Estética ultimamente, entre eles Hegel e Schiller, não eu não sou nenhum cientista social, mas meu projeto é de cunho social sim, minha formação é em Educação Física e já me envolvi em muitas questões para justamente melhro me posicionar neste admirável mundo pós-moderno. Te peço que conheça o que faço e que estabeleça um novo contato no futuro, caso se interesse em conhecer minha proposta pedagógica e artística. Abraços e sucesso. Alexandre Reis. Veja o site deste video no youtube, mas desconsidere o Banco BMG, eles enrrolaram e não nos patrocinaram em nada: http://www.youtube.com/watch?v=cV_-hQLZx44
Em: 10/07/2008 18:40:44
Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria
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10/07/2008 - 14:57

Um homem de cerca de 50 anos, com uma cabeleira de mais de 3 metros, foi encontrado hoje, dia 10 de julho, na casa onde vivia com sua mãe, na França, melhor, numa daquelas cidadezinhas com cara de nada-de-mal-pode-acontecer-aqui da Côte d’Azur francesa.
Os policiais encontraram Michel, muito pálido e em estado de desnutrição, porque os vizinhos, preocupados porque fazia dias que não viam sua mãe, de 76 anos, chamaram a polícia. A velha senhora, na verdade, estava morta, sentada numa poltrona, e o filho, um pouco “perdido”, mas consciente do mundo exterior e se expressando bem, não parecia se dar conta da morte da mãe.
Os vizinhos sabiam da existência do homem que, segundo eles, desde os 14 anos havia decidido viver fora da sociedade. Um ermitão dos tempos modernos.
Mas…deve ser por ter assistido — e resistido — ao filme-documentário do Guy Debord, La Societè du Spectacle, fiquei pensando nesse ermitão que vira notícia de agência internacional, neste menino de 14 anos que decide sair do mundo, neste homem de 50 perplexo e desorientado…
Homens pós-modernos poderiam ser definidos como seres que não apenas são incapazes de se reconhecer no trabalho que realizam (como os “trabalhadores do mundo uni-vos” de Marx), mas também não usam seus recursos, talentos e conhecimentos para se construírem como seres humanos “melhores”, ao contrário, todo esse esforço vira “competências” com valor garantido no mercado, “mercadorias” para se comprar e vender…deu para entender? Pois piora: além de não se reconhecerem nem no produto que ajudam a fabricar, nem nos talentos que vendem no mercado da competência, esses seres pós-modernos vivem num mundo que se oferece sempre fragmentado, tudo que temos e sabemos do mundo são pedacinhos de informações, títulos e leads de jornais, cacos de notícias espalhados, sem crítica, nem reflexão, pelo planeta em frações de segundos…descrentes de uma narrativa que reúna as minúsculas peças desse quebra-cabeça, nós vivemos esbarrando uns nos outros, sem nos conhecer de verdade, sem saber direito a quem servimos, escravos das idéias de segunda mão que se apresentam todos os dias nas telas de todos os tamanhos que nos refletem, vazios…
A saída? Não sou nenhuma especialista na obra do grande intelectual francês, longe disso, mas imagino que ele gostasse da idéia de que eventualmente, mesmo num mundo aparentemente tão sem saídas, alguns de nós conseguem escapar…atormentados, muitos — o próprio Guy Debord se suicidou em 1994 –, perplexos e desatinados, outros tantos…mas há de existir quem consiga se enxergar neste espelho de forma mais generosa, sem sucumbir…
Quanto ao ermitão francês, quem sabe o que esse reencontrão com o mundo vai reservar para ele?
Leia aqui a íntegra da notícia no Nouvel Obs
Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria
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07/07/2008 - 00:39

Acordei querendo dormir numa cama nova, num quarto novo e ter sonhos com imagens novas, surpreendentes, talvez de um outro eu…consegui arranjar um cantinho para colocar uma almofada de meditação, troquei a colcha da cama, tirei os livros de um lado, coloquei no outro, pronto, só faltam os sonhos…
E ainda rindo de mim mesma, lembrei de um ensaio que vi na versão mais “estilo de vida” da revista “The Economist”, “Intelligent Life”, chama-se e é excelente. O tal ensaio era sobre um fotógrafo francês que passou anos tirando fotos de camas. Sim, as camas e seus donos, é claro!
Thierry Bouet é um parisiense, ex-advogado, que se define como alguém “que se infiltra nos acontecimentos e nas comunidades buscando nelas fraturas e possibilidades de sonhos”. Passou, segundo descubro, dois anos pedindo para ser convidado a conhecer a alcova das pessoas e fotografar o “teatro dos sonhos” mais inusitados, mais loucos.
O resultado são imagens que fazem comichão na alma, ninhos insolentes e coloridos, caixas mágicas que dão boas vindas a todas as fantasias e aos sonhos mais absurdos.
E a gente fica aqui imaginando que seres estranhos somos nós que rodeamos a hora de dormir de tantos adereços, como se assim enfeitada a noite fosse menos assustadora e o dormir menos semelhante à morte.
“Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar.” É a fala de Hamlet, de Shakespeare, na tradução de Millôr Fernandes.
Agora navegue pelas camas de sonho de Thierry Bouet e alimente seus sonhos…

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria
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