Leituras de Metrô e as mulheres de 50 anos
Adoro tablóides, aqueles jornais pequenininhos, que cabem na mão e combinam com trens, metrôs, aviões, andanças em geral.
E no Metrô News, que eu pego amanhecendo nos sinais (semáforos? farõis?) de São Paulo, leio: “Mulher de 50 não tem vergonha da idade”…então essa não é uma excelente notícia?
Uma pesquisa feita com 1450 mulheres dos Estados Unidos, Canadá, México, Reino Unido, Itália, Alemanha, França, Japão e Brasil, coordenada por duas professoras da London School e pelo Longevity Center dos EUA, revelou que 93% das mulheres entre 50 e 64 anos acham que está na hora de as pessoas largarem algumas visões bem estereotipadas das mulheres de meia-idade e abrirem os olhos para uma nova realidade: as mulheres desta faixa etária têm é muito orgulho da sua idade.
Para elas, a mídia ainda está presa a um conceito envelhecido de mulher: “não curtem sexo”, “não fazem nada da vida”, “não se importam com a aparência física”, “não flertam”…nada disso é mais verdade! Até mesmo a idéia de que mulher não gosta de revelar a idade está sendo repensada por esta leva de novas mulheres: 94% não se importam nada de compartilhar a idade.
Lembro das últimas linhas do livro lindo de Clarisa Pinkola Estés, A Ciranda das Mulheres Sábias, publicado pela editora Rocco:
Apesar dos nossos apegos atuais,
nossas mágoas, dores,
choques, realizações, perdas, ganhos, alegrias,
o local que almejamos é aquela terra psíquica habitada pelos velhos,
aquele lugar onde os humanos ainda são tão perigosos quanto divinos,
onde os animais ainda dançam,
onde o que é derrubado cresce de novo,
e onde os ramos das árvores mais velhas florescem por mais tempo.
A mulher oculta que preserva o estopim dourado conhece esse lugar.
Ela conhece.
E você também.
Hoje à noite, vou acender uma vela, abrir uma garrafa de vinho e fazer um brinde a essas “novas mulheres” e uma oração para que todas nós possamos envelhecer assim, com graça e beleza…

Mulheres de cinquenta.
Sou uma delas. Tenho uma filha de vinte e dois anos. Passei tantas coisas boas e aquilo que não foi bom eu digo que foi aprendizado. Estou aqui firme e forte. Me apaixono como quando tinha meus vinte anos, amo da mesma forma. E,por incrível que pareça, na hora do amor, só recebo elogios. Palavras que não ouvia nos meus vinte anos.O mundo não sabe ou não quer saber o que nós de cinquenta temos de valioso. Não temos mais pressa de nada, vivemos cada momento, pois a ansiedade de um casamento, já passou, a necessidade de se ter uma casa, um marido pra cuidar também, e os filhos que sonhamos logo na nossa adolescência, com certeza, já estão criados e quase nos dando netos. Então é a verdadeira hora de recomeçarmos, como as águias, que recomeçam aos quarenta. Ah! é maravilhoso. Entramos na vida com mais certeza, não temos necessidade de agradar ninguém, nem de ser a mais bela. Temos outro caminho a percorrer. Amo meus cinquenta anos. Parabéns para nós.
*Texto ótimo !!!
*Copiei-o para enviá-lo para a minha “Lista de Amigos” !!!
*Obrigada !!!
Adorei saber que temos mulheres que se importam em qualificar as mulheres de novos pensamentos, pois existem pessoas que ainda pensam que nascemos só para parir e depois desistir de viver, tenho 38 anos e espero que quando eu chegar aos meus 50 anos esteja realmente com uma massa de mulheres mais coragosas em ser felizes e dar adeus aos pensamentos antigos.
Incrível a maneira como foi abordado o tema da idade. Tenho 67 anos e me orgulho de minha idade, não a escondo de ninguém. Sou o que sou e ponto!
“Mulher de 50 não tem vergonha da idade”…então essa não é uma excelente notícia?
[Depende...]
Tenho um problema com essa definição: ‘50 anos… 64 anos… meia idade…’ Mas são mesmo outros tempos…
É que eu nunca fui fã de ficção científica e, de repente, o futuro chegou! Custar a envelhecer, durar mais, para mim, são conquistas e possibilidades de outra espécie: a civilização do terceiro milênio – que não é exatamente aquela da minha expectativa estética.
O (não)plano era envelhecer sossegadamente, por exemplo: deixar o cabelo embranquecer, ver mudar de tonalidade, sem sustos; ir descobrindo as coisas horripilantes e apreciáveis que nos acontecem… a barriga, o ar de serenidade, o papo, a falta de paciência e o conforto da ironia… Ainda é possível?!
Não posso crer que as jovens peludas e/ou dentuças dos anos setenta e oitenta, não envelheceram para transformarem-se nessas lobas franjudas lisas turbinadas e louras que afirmam as conquistas da ciência cosmética (e ortodôntica)!
Só de rebeldia, posso considerar envelhecer como minha avó materna que ficou antenada até os 90 anos e fora do ar até os 92, quando perdeu o contato forever – sem dores e sem pensamentos mórbidos. Deixou dois marcos bem claros: um retrato aos quarenta anos, um outro aos noventa e, consequentemente, a história de como éramos quando envelhecíamos sem botóx, sem tinta de cabelo, sem mamas de bisturi e sem essa tristeza imensa no olhar, exaustos de disfarçar a velhice…
Há um enorme pecado em ser anacrônico?! Vou para o inferno.