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Arquivo de janeiro, 2008

28/01/2008 - 00:12

Criacionismo X evolucionismo: este debate interessa a todos

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Num primeiro momento, assim de relance, a gente poderia achar que essa história de “criacionismo” não tem nada a ver conosco. É coisa de americanos superconservadores, diríamos…uma maluquice…talvez um dia isso tenha sido verdade, ao menos em parte, mas hoje, as aulas de ciência correm o risco de assemelhar-se perigosamente a aulas de religião…

Afinal, o que ensinar para as crianças: o mundo, tal qual o conhecemos, foi criado por Deus em sete dias? Ou o mundo foi o resultado daquela grande explosão, o Big Bang?

O problema parece até simples de resolver, não é? Aula de religião é aula de religião, aula de ciência é aula de ciência. Ou você consegue imaginar seu filho tendo que decorar o sistema digestivo dos nematelminteos para a aula de religião? Mas na hora do vice~versa a coisa complica. Com a separação da igreja e do estado na maioria das sociedades abertas, religião deixou de ser disciplina obrigatória nas escolas públicas. E, de qualquer maneira, num mundo plural, qual religião deveria ser adotada nas escolas?

Na dúvida, mistura-se tudo… Como argumentava o editorial do jornal Folha de São Paulo, discutindo as recentes declarações da Ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, a favor do criacionismo: “Num estilo próximo ao dos neoconservadores americanos, (ela, a ministra) considerou que “as duas visões” devem ser oferecidas aos alunos, para que “decidam” por si mesmos. Sob uma aparência de equanimidade, a tese faz parte de uma investida anticientífica que, com firmeza, cumpre repudiar. Pode-se, é claro, sustentar que a fé pessoal é compatível com o espírito científico; que religião e ciência não se opõem. Talvez não se oponham, mas certamente não se misturam. E é isto o que o criacionismo tenta fazer, sem base comprovada, e com um aparato de falácias que um estudante médio, no Brasil ou em qualquer parte do mundo, não tem condições de identificar.”

Toda a discussão é preocupante. E nossa única alternativa é o debate. Informação e discussão sobre todos os graves aspectos envolvidos, sobre as formas como o resto do mundo está lidando com estas teorias, enfim, precisamos conhecer melhor essas idéias até para podermos argumentar, contra ou a favor…

E neste domingo cinzento, esperando uma chuva que não veio, alinhavei vários links para alimentar nossas conversas. Se você quiser incluir outros, fique à vontade.

Porque, como disse o papa João Paulo II, em um discurso que você lê na íntegra no final deste post:

“As ciências da observação descrevem e avaliam as múltiplas manifestações da vida com precisão cada vez maior e com maior exatidão em relação à linha do tempo. Mas, o momento de transição para o espiritual não pode ser objeto deste tipo de observação.”

É a filosofia e a teologia que devem ser ouvidas quando o assunto é o significado último de todas as coisas, segundo os desígnios de Deus…no debate entre ciência X religião, voto em ambas, cada uma na sua sala de aula…

E seguem os links…

O blog deste professor nos EUA traz um depoimento simples, claro e muito contundente, sobre os riscos embutidos nas interpretações radicais dos textos sagrados de todas as religiões (em português e em inglês)

Em um blog dedicado inteiramente ao debate criacionismo X ciência, Marcus Valério, mestrando da Universidade de Brasília, abre espaço para discussões, informações e notícias. Embora o objetivo do site seja alinhavar argumentos contra as teorias criacionistas, o conteúdo é bastante extenso e o autor sempre procura trazer informações dos dois lados para alimentar a discussão.

O site da Sociedade Criacionista Brasileira

Artigo de Rainer de Souza, professor, no site Brasil Escola

Meu post sobre o Museu do Criacionismo, na época, recém-inaugurado nos EUA

Artigo da How Stuff Works com uma boa relação de links e fontes bibliográficas para enriquecer sua pesquisa

No mesmo site, um artigo para entender melhor a Teoria da Evolução

E um outro sobre as teorias criacionistas. É fundamental conhecer os dois lados da discussão antes de se posicionar, não acha?

No site da Religious Tolerance Association, um artigo bastante completo sobre as origens e as discussões que o criacionismo levanta: criacionismo X evolucionismo

Trecho extraído de um discurso do Papa João Paulo II para a Academia de Ciências, defendendo o ensino da evolução nas escolas. (em inglês). Os grifos são meus.

6. With man, then, we find ourselves in the presence of an ontological difference, an ontological leap, one could say. However, does not the posing of such ontological discontinuity run counter to that physical continuity which seems to be the main thread of research into evolution in the field of physics and chemistry? Consideration of the method used in the various branches of knowledge makes it possible to reconcile two points of view which would seem irreconcilable. The sciences of observation describe and measure the multiple manifestations of life with increasing precision and correlate them with the time line. The moment of transition into the spiritual cannot be the object of this kind of observation, which nevertheless can discover at the experimental level a series of very valuable signs indicating what is specific to the human being. But the experience of metaphysical knowledge, of self-awareness and self-reflection, of moral conscience, freedom, or again, of aesthetic and religious experience, falls within the competence of philosophical analysis and reflection while theology brings out its ultimate meaning according to the Creator’s plans.

We are called to enter eternal life.

7. In conclusion, I would like to call to mind a Gospel truth which can shed a higher light on the horizon of your research into the origins and unfolding of living matter. The Bible in fact bears an extraordinary message of life. It gives us a wise vision of life inasmuch as it describes the loftiest forms of existence. This vision guided me in the Encyclical which I dedicated to respect for human life, and which I called precisely Evangelium vitae.

It is significant that in St John’s Gospel life refers to the divine light which Christ communicates to us. We are called to enter into eternal life, that is to say, into the eternity of divine beatitude.

To warn us against the serious temptations threatening us, our Lord quotes the great saying of Deuteronomy: “Man shall not live by bread alone, but by every word that proceeds from the mouth of God” (Dt 8:3, cf. Mt 4:4).

Even more, “life” is one of the most beautiful titles which the Bible attributes to God. He is the living God.

I cordially invoke an abundance of divine blessings upon you and upon all who are close to you.

From the Vatican, 22 October 1996.

Artigos publicados em jornais e revistas sobre o tema

<a href=”http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1555132,00.html
” target=’_blank’>God X Science, na Times Magazine, de 2006

Do mesmo autor, The Case for Teaching the Bible, de 2007

Um programa de rádio da BBC de Londres, com um debate sobre como lidar com as crenças criacionistas nas salas de aula. Interessantíssimo, até para a gente aqui no Brasil ter a dimensão exata do quanto este debate está afetando a educação no resto do mundo.
<a href=”http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2701200804.htm
” target=’_blank’>Artigo do biólogo Sandro de Souza, para o jornal Folha de São Paulo, Mas…é ciência?

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade, Toques de alma Tags:
25/01/2008 - 12:26

Quem foi São Paulo?

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São Paulo, apóstolo, pintado por El Greco

De todas as figuras da história cristã primitiva talvez São Paulo seja a que a gente conhece melhor. Existem fartas informações sobre ele nos Atos dos Apóstolos e nas suas próprias cartas ou epístolas. Os estudiosos acreditam, inclusive, que as cartas autênticas de São Paulo (nem todas foram escritas por ele mesmo, embora levem seu nome) são os livros mais antigos do Novo Testamento e os únicos realmente escritos nos primeiros anos depois da morte de Jesus.

Essa abundância de informações justifica-se. Afinal, foram justamente essas cartas, além, é claro, das pregações que ele fazia de cidade em cidade, que contribuíram para que o cristianismo recém-nascido deixasse de ser um aglomerado de entusiasmados fiéis prontos para submeter-se ao mesmo destino de seu mestre e se transformasse em uma igreja organizada e forte dentro do poderoso Império Romano.

Mas antes de tornar-se esse incansável trabalhador da fé cristã, no entanto, Paulo tinha sido um igualmente incansável perseguidor de cristãos.

Um rosto de santo
A extraordinária energia do apóstolo dificilmente podia ser adivinhada pelo seu físico. Um dos livros apócrifos, escritos por um historiador do século 2, Onesiphoros, o descreve como sendo ” um sujeito pequeno, mas de constituição forte, careca, de pernas arqueadas, sobrancelhas grossas, unidas no meio da testa, e um grande e avermelhado nariz”.

Seu poder, contudo, impressionava: ele era “cheio de graça, ora assemelhava-se a um homem, ora a um anjo” e injetava coragem e um forte sentimento de fraternidade nas recém-nascidas comunidades cristãs que se formavam na Palestina, Síria e nas cidades gregas das províncias às margens do mar Mediterrâneo por onde passava.

Saulo de Tarso, o fariseu orgulhoso
Paulo era um cidadão romano, nascido em uma cidade de forte influência grega chamada Tarso, numa família de judeus. Ele se dizia “um hebreu, nascido de hebreus” e seu nome originalmente era Saul. Culto e instruído, Paulo estava destinado desde cedo a tornar-se rabino e, de fato, com 18 anos, ele foi estudar teologia em Jerusalém, com um dos grandes sábios da época: Gamaliel, um doutor em sabedoria e moderação. Aos 30 anos, Saul era um intransigente defensor da pureza do judaísmo, na linha dos fariseus, tantas vezes criticados por Jesus.

Foi tanto por seu saber como pela intensidade de sua aversão aos seguidores daquela heresia que ameaçava os judeus, que Saul foi escolhido para seguir a trilha dos judeus convertidos que haviam fugido às perseguições em Jerusalém e imigrado para as cidades de Damasco e Antioquia. Sua missão era defender a honra de seu Deus e destruir os seguidores de Jesus.

O milagre na estrada de Damasco
Na estrada para Damasco, no entanto, Saul foi apanhado de surpresa pelo milagre. De repente, uma luz intensíssima cegou o rabino, que caiu no chão. E uma voz que vinha do céu falou: “Saul, Saul, porque me persegues? Eu sou Jesus, aquele que tu persegues”.

Cego, Saulo foi levado para Damasco por seus companheiros. Um discípulo de Jesus, chamado Ananias, teve uma visão em sonhos, foi ao seu encontro, batizou-o e devolveu-lhe a visão. Assim, Paulo virou um apóstolo sem nunca ter sido discípulo de Jesus. E o grande perseguidor transformou-se no grande apóstolo da evangelização. A experiência na estrada de Damasco foi tão marcante na vida do futuro apóstolo que uma de suas marcas registradas eram reflexões sobre a graça e a misericórdia de Deus em relação a todos os seres humanos, mesmo aqueles que não era merecedores de tal amor, como era o caso dele mesmo.

Paulo, o apóstolo dos gentios
Paulo, o apóstolo dos gentios
Essa espetacular conversão (que é celebrada no dia 25 de janeiro) também levaria Paulo (seu nome romano) a tornar-se o Apóstolo dos Gentios. O título esconde um certo conflito inicial entre os discípulos de Jesus. A pregação do novo apóstolo dirigia-se aos não-judeus, chamados pagãos ou gentios. Sua mensagem falava de um cristianismo muito mais universal do que jamais qualquer dos seguidores de Jesus poderia imaginar e completamente desligado das obrigações rituais típicas dos judeus.

O caráter universal da mensagem cristã que foi a marca registrada de São Paulo desagradava a alguns apóstolos e a muitos líderes cristãos que, como ex-judeus, preferiam difundir a mensagem de Cristo apenas entre os judeus e viam com desconfiança essas conversões de pagãos. Para eles, o cristianismo era a continuação natural do judaísmo e, não, uma doutrina independente.

O fato é que graças às famosas viagens do apóstolo o cristianismo saiu da Palestina e espalhou-se como febre por todas as cidades do Mediterrâneo.

O martírio do santo
Paulo foi martirizado em Roma, em um lugar chamado Aquae Salviae, que hoje é chamado Três Fontes, porque, diz a lenda que dos lugares onde a cabeça cortado do santo tocou o chão começou a brotar água. Ali perto foi erguida a imponente Basílica de São Paulo Extramuros onde, acredita-se, ele esteja enterrado.

Não dá para ter certeza da data da sua morte, mas deve ter sido nos últimos anos do reinado do imperador Nero (aquele mesmo que tocou fogo em Roma para por a culpa nos cristãos). Dizem que São Pedro foi martirizado junto com ele e a data para lembrar do martírio dos dois grandes apóstolos é dia 29 de junho.

Navegue mais no blog interessantíssimo de Luiz Coelho, o cristão errante (Wandering christian)

E se quiser ousar leituras mais aprofundadas, entre no blog de discussões teológicas de Carlos Seino

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade, Toques de alma Tags:
17/01/2008 - 11:17

Oxalá, Senhor do Bonfim ou o Velho de Barba Florida

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Oxalá-rei babá orixalá
Oxalá-rei, ô mãe de Deus

Você viu Oxalá
Por detrás daquele monte?

A Igreja de Nosso Senhor do Bonfim fica no alto de uma colina. É lá que se encontram hoje o Jesus do Bonfim do catolicismo popular e Oxalá, considerado o maior e mais antigo dos orixás do candomblé afro-brasileiro, masculino e feminino, pai e mãe, em sua honra, as filhas de santo vão lavar os degraus da escadaria da Igreja, dizem: “não há espetáculo mais belo”…mas por que água para Oxalá?

Era uma vez….Oxalá estava velho, bem velho! Vivia com seu filho Ogum. Mas sentia falta de Xangô, seu outro filho querido, rei do povo iorubá. O velho queria tanto visitar seu filho…mas nada podia ser feito sem consultar o babalaô, senhor do destino. Oxalá, o velho da barba florida, vai visitar o adivinho, que o aconselha a desistir da viagem, os búzios não tinham visto bons presságios. Oxalá tem saudades do filho e deixa escondido o reino de Oxum rumo ao país dos Iorubás. No caminho, encontra uma velha que suava e arquejava sob o peso de um tonel de azeite. Oferece ajuda, mas seu cavalo foge e Oxalá sai correndo atrás dele. O povo da aldeia vendo o velho perseguir o cavalo o toma por um ladrão. Oxalá é preso e condenado pelo conselho da tribo a ficar 7 anos preso.

Enquanto isso, Xango estava triste em seu palácio. Uma tristeza sem nome, sem razão. Uma pontada no peito tão doída que ele decide consultar o babalaô: o que é isso que me acontece? O adivinho mostra a ele a prisão onde seu pai, o velho Oxalá de barba florida espera…O filho parte para libertar o pai imediatamente. Saindo do fundo da prisão para a luz, Oxalá tem tanta sede, quer água, muita água. Xango ordena que todos os seus súditos busquem água na fonte sagrada para Oxalá. E assim, o velho de barba florida saciado e seu filho, o forte Xangô, encantados de estarem juntos, voltam para casa de Ogum, onde são recebidos com um enorme banquete.

Essa á a história que Roger Bastide, o sociólogo e etnólogo mais apaixonado pelas coisas do Brasil, conta em seu livro Images du Nordeste Mystique, en noir et blanc. Recontei para vocês porque também me apaixonei por este velho de barba florida, que precisa uma vez por ano sair de sua terra, ajudar alguém, ser confundido, ter muita sede que só pode ser saciada com água da fonte sagrada, oferecida pelos seus súditos. E fui dormir imaginando que hoje, na Bahia, todo mundo vai participar, juntos ou cada um em sua casa, do banquete de Oxalá.

Epa Babá! (Viva nosso Pai Oxalá!)

Para saber tudo sobre a festa de hoje em Salvador, entre no site oficial A foto e de Marcelo Guerreiro, tirado do Site Oficial de Turismo de Salvador

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade, Toques de alma Tags:
14/01/2008 - 01:00

Chegou no outlook…Ensinamentos Ramakrishna

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Uma amiga me manda esta mensagem, decidida e assertiva. Boa para levantar o moral, inspiradora naquelas segundas-feiras desanimadas que às vezes nos sopram tristezas. Fui pesquisar e descobri que o autor era um grande líder espiritual, da The Ramakrishna Foundation de Calcutá, na Índia, Swami Lokeswarananda.

No site da Ramakrishna Vedanta do Brasil achei outra mensagem, estimulante feito café fresco e forte…aí vão as duas para você:

“Qualquer sistema que enfraqueça a mente e nos torne supersticiosos, desanimados e que nos faça desejar toda sorte de insensatas impossibilidades, mistérios e crendices, não é do meu agrado, porque seus efeitos são perigosos. Tais sistemas nunca trazem qualquer bem; criam uma mente mórbida, enfraquecendo-a e debilitando-a a tal ponto que com o passar do tempo, torna-se quase impossível aceitar a Verdade ou viver de acordo com ela. Força, portanto, é o requisito mais necessário. Força é o remédio para a enfermidade do mundo.”

Swami Vivekananda

Levante-se e comece de novo

“Ninguém pode dizer que nunca experimentou fracassos na vida. A vida significa altos e baixos: às vezes você está no alto e às vezes está em baixo – nunca é a mesma coisa. O essencial é que se deve lutar o tempo todo, quaisquer que sejam os resultados. Você tem de continuar sua luta mesmo após um sucesso, pois sempre é possível aperfeiçoar o sucesso obtido. Tente sempre fazer algo melhor ainda e nunca diga que já fez o suficiente. Não há nada melhor do que o sucesso.

O que você realiza externamente pela sua luta pode ser importante, mas o que você realiza internamente, isto é , em relação ao seu caráter e personalidade, é ainda mais relevante. Por isso é essencial que você continue lutando mesmo quando alcançou o que desejava. Um eventual fracasso não é motivo para desistência.

Mesmo que você falhe repetidamente, deve continuar lutando até o último alento. O Gita ensina que devemos trabalhar sem nos preocupar com a recompensa: o próprio trabalho é a sua recompensa e não existe nenhuma outra a ser buscada. Qualquer eventual recompensa será meramente incidental. A recompensa é um incentivo, mas ela pode revelar-se ilusória e pode até vir a desencorajar esforços posteriores. Por isso o trabalho é mais importante que a recompensa.

“Cuide dos meios, que o fim cuidará de si mesmo”. Ou seja, dê o melhor de si: essa é a única coisa que você pode fazer e é também o único segredo para o sucesso. O fato de você se esforçar ao máximo não é garantia de sucesso. Também aprendemos no Gita que não devemos trabalhar levados por nenhuma ilusão quanto aos resultados de nossos esforços. Pode ocorrer que o sucesso não venha, apesar de tudo o que você tenha feito; mesmo assim, você deve continuar lutando, pois é desse modo que sua força interna se desenvolve, e isso é muito mais relevante do que aquilo que almejava ganhar externamente. O que conta é a experiência que se adquire pelo esforço continuado. Você pode fracassar aqui e ali, mas isso é um preço muito pequeno comparado ao que ganha em termos de personalidade: seu discernimento se desenvolve, sua visão fica mais clara, você se torna mais forte e corajoso, uma pessoa infinitamente melhor em todos os aspectos. Visto desse modo, o ditado “O fracasso é o pilar do sucesso” faz sentido. Nunca desistir diante dos fracassos: essa é uma das lições do Gita.

O verdadeiro teste de uma pessoa ocorre quando ela é confrontada com a adversidade. Quando tudo é favorável fica fácil seguir em frente; mas persistir quando há dificuldades, quando se é vencido pela falta de sorte, requer muita coragem. Os hindus acreditam que é possível desenvolver uma grande força interior capaz de desafiar todas as forças hostis internas e externas, de modo a perseverar rumo ao objetivo com incansável dedicação. Um modo de construir tal força é pensar que a vida é um esporte e a regra do jogo é que, aconteça o que acontecer, devemos sempre seguir em frente, aceitando na corrida tanto o sucesso quanto o fracasso. Não deixe nada ao acaso, conte apenas com seu próprio esforço. O covarde se detém diante das dificuldades; o corajoso as recebe com prazer porque deseja medir forças com elas. Ousar sempre e nunca temer as dificuldades é a lição mais importante a ser lembrada.”

Swami Lokeswarananda, Pratical Spirituality

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade, Toques de alma Tags:
08/01/2008 - 22:26

Chegou no outlook…como viver os 366 dias de 2008

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Todas as mensagens de final de ano são comoventes. Falam de esperança, de afeto, de memórias alegres compartilhadas. São momentos especiais em que, mesmo em meio a toda correria, cada um de nós faz uma parada, nem que seja de alguns minutos, para pensar no amigo, no amor, em alguém querido distante, ao alcance apenas da imaginação…e do desejo!

Como você também, espero, este ano recebi muitos votos amorosos. Mas de todos, escolhi o do meu amigo Zander para ilustrar este post porque nunca me senti tão pressionada pelo tempo como neste entardecer de 2007. E torço, muito mesmo, para que a invocação do Zander ressoe em mim e em você, ao longo dos 366 dias de 2008!

Que 2008 tenha exatos 366 dias…

Pois é de seu direito, como ano bissexto, tê-los – cada um com um nascer e pôr do sol – e que cada em cada dia seja respeitado o direito cósmico de se ter vinte e quatro horas e que cada hora tenha apenas sessenta minutos.

Já faz tempo que insistimos em ter mais horas do que aquelas que o dia nos dá, mais dias do que as semanas comportam, mais semanas do que os meses e mais meses do que o ano. E cada hora dessas que insistimos em multiplicar diariamente tem de ser cada vez maior e mais extensa, transbordando os sessenta minutos que tradicionamente lhe cabem. Sem falar nos “minutinhos” que insistem em se transformar em centenas de segundos a fio.

Então esse é o meu desejo para 2008: que saibamos respeitar os limites do tempo e saibamos viver cada minuto, cada segundo da melhor forma possível e não inventemos mais atividades para cada hora que nos tirem o sossego e o bater compassado do coração.

Porque cada minuto que se vai, não volta.

Bom 2008 para todos nós com todos os trinta e um milhões e seiscentos e vinte e dois mil e quatrocentos segundos que nos cabem nessa revolução solar.

Zander na Casa do Zander

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade, Toques de alma Tags:
06/01/2008 - 09:29

O Dia de Reis e as bruxas do bem

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Hoje as crianças da Itália pularam da cama cedinho e foram procurar no céu os rastros de uma vassoura voadora. Porque é hoje, dia 6 de janeiro, Dia de Reis, que a bruxa Befana sai pelo mundo distribuindo doces e presentinhos para os pequenos.

Tradicionalmente, o Dia de Reis encerra o tempo de Natal — sim, o Natal é um “tempo”, não uma data no calendário — e celebra a longa viagem que os três Reis Magos fizeram da Pérsia até Belém, seguindo uma estrela, para honrar o “Menino Rei”, recém-nascido. Os doze dias do chamado ciclo de Natal terminam naquele momento mágico em que o nascimento do filho de Deus é revelado ao mundo, simbolizado pelos pastores e pelos três reis vindos do Oriente, com seus camelos carregados de presentes. Uma epifania. Um instante de sonho em que deus permite que os homens vejam sua face.

E o que faz uma bruxa na celebração do Natal, embolada entre o presépio e os Reis Magos? Diz a lenda — uma delas, ao menos — que lá pelas tantas, os Reis Magos pararam numa aldeia nas colinas onde hoje é a Itália para descansar. A grande e suntuosa caravana se deteve justamente diante da casinha de uma velha chamada Befana — o nome, acreditem, vem de “epifania”, em italiano: Befana é uma manifestação com cara de bruxa e jeito de avó do divino — que havia perdido o marido e o filho e vivia arrumando a casa e preparando bolos e doces para as crianças do vilarejo. Os reis convidaram a velha para juntar-se à caravana que ia em busca do Menino Deus, mas ela estava muito ocupada varrendo a casa e não quis ir. Depois que eles partiram, no entanto, Befana sentiu um aperto no coração, mistura de saudades do filho, morto ainda criança, e desejo de conhecer este bebê maravilhoso sobre qual os reis do Oriente haviam falado. Amarrou o lenço na cabeça, calçou seus tamancos rotos, lembrou de enfiar os bolos e tortas doces na cesta para dar ao bebê e de carregar a vassoura para ajudar a mãe a limpar a casa e partiu. Mas logo perdeu-se.

Como aquela não era uma noite qualquer e havia anjos espalhados por toda parte, rodeando os humanos, algum deles teve pena da velha e fez com que ela alçasse vôo, montada na sua vassoura. Befana nunca achou o menino-deus, que até hoje ela busca, incansável, em todas as casas onde dorme uma criança, na noite mágica do dia 6 de janeiro. Como adora crianças, Befana deixa sempre um doce, um agrado, um presente para cada uma. Ou um pedacinho de carvão, para aquelas que se comportaram mal durante o ano.

De onde será que vem a história da bruxa boa que traz presentes para as crianças? Ninguém realmente sabe. Mas as velhas eram cercadas de mistérios na imaginação dos nossos ancestrais. Parteiras, sábias, curandeiras, conhecedoras das plantas e das ervas que ofereciam alívio ou esperança numa época desconfiada e distante das coisas do corpo, elas foram ora demonizadas, ora veneradas. As “abuelitas”, como chama Clarissa Pinkola Estes, autora do livro Mulheres que Correm com os Lobos, “foram testadas pelo tempo. Elas não apenas sobreviveram, mas se dedicam à tarefa de cuidar da vida”. Por isso, nos mitos e nas histórias, surgem como a avó querida que produz o “pão do amor”, aquele que cura quem quer que o coma. É em torno da cozinha, do fogão, em volta do fogo que a mágica das avós se realiza nas histórias antigas. Não admira que Befana deixe seus agrados para as crianças sempre em algum lugar perto da lareira. As ferramentas destas boas bruxas são simples, corriqueiras: vassouras, ervas, doces, sopinhas, chás, mingaus…carinhos mornos, cheiros de açúcar…

Não conhecia La Befana. Mas de agora em diante, toda vez que no Dia de Reis eu olhar para o céu, vou ver uma velha bruxa montada numa vassoura, que há milênios acredita que em cada criança adormecida, Jesus espera por um carinho…de avó!

A história de Befana, contada pelo autor de livros infantis, Tomie de Paola, você encontra na Livraria Cultura

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1278785&sid=896260132101611165758453&k5=1AB8FE27&uid=

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade, Toques de alma Tags:
03/01/2008 - 00:37

Driblando os desejos para ser feliz

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Parar de fumar
Perder aqueles 5kg
Arranjar o parceiro dos sonhos
Aprender a tocar violão
Comprar afinal um apartamento
Trocar de carro

Não tem jeito, termina um ciclo, começa o próximo e ninguém escapa da sensação de que é preciso virar a vida de cabeça para baixo, esvaziar os bolsos da velharia do ano que passou e vestir a alma com as melhores intenções e projetos para o futuro.

São infindáveis as variações em torno do tema: desejos. Ninguém tem tudo o que sonha, ninguém é tudo que imagina. Somos seres eternamente “sendo”, num cenário sempre em construção. Tantas coisas nos faltam…e que aguda é essa urgência do desejo que acompanha a virada do ano!

Tempo perigoso esse, porque a gente quer muito acreditar que seremos felizes quando tivermos tudo o que desejamos. Será mesmo? Lendo A Felicidade, Desesperadamente, de André Comte-Sponville, me dou conta do quanto essa identificação da felicidade com o desejo é perigosa e ilusória. “Ora, se só desejamos o que não temos, nunca temos o que desejamos, logo, nunca somos felizes”, explica o filósofo. Deu para entender? Os desejos são marotos, fazem a gente ficar com os olhos pregados num futuro que não chega nunca. “Assim que um desejo é satisfeito, já não há falta, logo já não há desejo”, ele continua ensinando, no livrinho pequeno e curto e fundamental. Veja só que situação mais bizarra a nossa, como diria minha filha adolescente. Ou desejamos o que não temos e, por isso não conseguimos ser felizes. Ou temos o que já não desejamos mais, o que tampouco nos deixa felizes. Ou seja, tanto na teoria quanto na prática somos uma espécie difícil de se contentar…

Os budistas apontam os desejos como sendo a raiz do nosso sofrimento. E, ao que tudo indica, os filósofos parecem concordar. Mas essa coisa de associar felicidade e desejo não parece uma armadilha? Pois é, parece, e é…mas o professor André Comte aponta uma brecha, um filetinho de luz neste emaranhado escuro de desejos realizados ou não, mas sempre frustrantes.

Segundo ele, nosso nó está em tentar viver a esperança. Impossível, dizem os filósofos em uníssono. A gente espera o que não depende de nós, espera o que não sabemos se vai ou não se realizar, espera o imponderável: ganhar na loteria, encontrar o homem dos nossos sonhos, ter saúde…desejar as coisas que só existem no grande saco vermelho do Papai Noel só nos causa sofrimento.

Temos que aprender a desejar aquilo que está ao nosso alcance, na medida da nossa capacidade de agir, no limite da nossa vontade. Esse é o truque. “Quando você desaprender de esperar, eu o ensinarei a querer”, é a fórmula que um outro filósofo, Sêneca, ensina ao amigo Lucílio.

Para André Comte-Sponville, a felicidade é um drible entre duas palavras: esperança, que é desejar o que não depende de nós, e vontade, ou seja, desejar apenas aquilo que depende de nós. Uma nos conduz ao reino dos impossíveis e das frustrações, a outra nos leva para o presente e suas inesgotáveis possibilidades de alegria.

Li e reli o livrinho do filósofo moderno. E decidi adotar os votos de Feliz Ano Novo do meu amigo Zander: que 2008 venha com sua cota justa de dias de 24 horas, nem mais nem menos. Que a gente não deseje mais tempo ou mais felicidade, mas trabalhe para viver a cada dia a felicidade possível, miúda, cotidiana, feita de microresoluções e de microalegrias e gozos diários.

A Felicidade, Desesperadamente!

ET: O livro é da editora Martins Fontes e não poderia imaginar um jeito melhor de começar o ano!

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Religião e espiritualidade, Toques de alma Tags:
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