iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

Arquivo de novembro, 2007

25/11/2007 - 09:23

Páre e ouça a música!

“Nós chegamos a um ponto em que não conseguimos mais separar o valor das coisas do quanto elas custam”, me cutuca Margot indignada. “Veja só esse artigo da Vida Simples“, ela continua, “um dos maiores violinistas do mundo, Joshua Bell, toca seis peças clássicas no metro de Washington, nos EUA e simplesmente ninguém se dá conta do que está ouvindo!”

Vou atrás. E o artigo da Vida Simples de fato me deixa curiosa.

Além de ser considerado um fenômeno msical, Joshua Bell , é também jovem, bonito, engajado e ousado! Por isso, aceitou o desafio que o jornal Washington Post propôs e foi se postar em plena estação de metro, de calça jeans e camiseta, assim como qualquer um desses músicos de rua pelos quais a gente passa sem ver…nem ouvir: sacola de moedas aberta na frente, violino no ombro.

Quem iria imaginar que o violino do rapaz tão igual a qualquer um no metro era o lendário Gibson ex-Huberman, uma obra de arte feita pelo mestre italiano, Antonio Stradivari, em 1713, e que vale milhões de dólares? Sim, quem ousaria imaginar?

O objetivo do experimento conduzido pelo Washington Post era responder à pergunta: “Num lugar comum, num momento qualquer, inconveniente talvez, será que as pessoas reconhecem o Belo?” Dá para identificar a coisa genial, sublime, se ela estiver perdida n meio do “comum”?

Eram quase oito da manhã quando o grande violinista começou a tocar na estação, cuja acústica, aliás, foi generosa com as harmonias que nasciam das cordas do instrumento perfeito. Joshua Bell não tocou nada “popular”, a idéia do jornal era que as pessoas ouvissem apenas obras-primas testadas pelo tempo, os mais belos sons criados pelos gênios humanos, aqueles que impregnam as paredes de pedra das mais antigas catedrais e ecoam nas grandes salas de concerto do mundo. Ele tocou “Chaconne”, de Johann Sebastian Bach, considerada uma das peças para violino mais difíceis jamais escritas…e uma das mais belas! Depois tocou a “Ave Maria” de Franz Schubert, “Estrellita”, de Manuel Ponce, uma peça de Jules Massenet, uma outra de Bach.

E a imensa maioria das pessoas que passaram pela estação sequer ouviu! Passavam pelo músico como se fosse um fantasma. Assistindo o vídeo depois, Joshua Bell, rindo, disse que estava espantado com o fato de que as pessoas passavam como se ele fosse invisível porque, afinal, “no mínimo, ele estava fazendo um bocado de barulho!”

Ninguém parou. Estavam todos com pressa para chegar no trabalho. Passaram ser ver pelo músico que na semana anterior tinha tocado em Boston para uma platéia embasbacada que havia desembolsado no mínimo $150!

Ninguém, não, um homem parou, atônito, perplexo. Horas depois ele diria ao jornalista que perguntava se algo estranho havia chamado sua atenção pela manhã, na estação: sim, havia um violinista que tocava”. “Você nunca viu um violinista tocar na estação antes? ” “Não como aquele”, respondeu o homem…uma moça reconheceu o violinista famoso…só!

Mais de mil pessoas passaram por Joshua Bell naquele dia. A beleza sucumbiu ao stress, ao embalo sem encanto da correria diária, ao cotidiano amarfanhado da vida nas cidades, à anestesia da rotina.

Engraçado, as crianças que passaram pelo violinista maravilhoso pararam. Embora puxadas pelos adultos que as acompanhavam, elas resistiam, bem do jeito das crianças pequenas, queriam ver-ouvir-experimentar, saudar essas estranhezas todas que de repente saltam na vida da gente e ficam por alguns poucos segundos penduradas nos fios do mistério, apenas por alguns instantes, mas que valeriam uma vida, se ao menos a gente conseguisse prestar atenção…

E desde que Margot chegou na minha mesa indignada não paro de me perguntar: será que eu pararia embasbacada diante do Belo?

Leia toda a história aqui (em inglês)

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/11/2007 - 19:13

Idéias para um Thanksgiving à brasileira

Todo ano fico brincando de inventar razões para celebrar o Thanksgiving…nem gosto tanto assim da história dos peregrinos famintos, dos índios amáveis que vieram saudar os recém-chegados, carregando os frutos da terra e do terrível desencontro que fecha esta história americana sem final feliz…

Mas gosto muito da idéia de incluir no calendário da alma uma data que afinal até já existe no calendário oficial: o Dia de Ação de Graças…meio desenchavido e burocrático, é fato, criado por decreto e celebrado todo ano nos quintais das repartições públicas toda quarta quinta-feira do mês de novembro. Dia 22, portanto, em 2007.

Podemos mudar isso…Não seria bom aproveitar este nosso tempo de primavera para renovar o prazer de estarmos vivos? De olhar o mundo através dos desencantos e das feiúras e enxergar o núcleo luminoso que existe em todas as coisas, em todas as criaturas? “A verdade luminosa por trás das mentiras humanas”, como disse o escritor peruano Mario Vargas Llosa..

Por isso é que na próxima quinta, — não, na quinta não, que nem tem graça celebrar uma coisa assim desta importância num dia no meio da semana –, vou subverter e lei e celebrar na 6a. feira um dia especial de Ação de Graças. Não sei se não troco o famoso peru por uma galinha caipira ensopada com polenta mole e quiabos sem baba — como meu pai mineiro ensinava a fazer. E quem sabe usamos a palha do milho para embrulhar uns pedacinhos de queijo de minas meia-cura ou aquele queijo tão bom que se come no norte, queijo de coalho, colocamos os embrulhinhos no forno, só uns minutos, hummm, será que não ia ficar bom? Podemos fazer uma salada com delícias da terra, da nossa terra, da terra de todos, que hoje, todas as terras podem ser abençoadas, se a gente não enchê-las de minas subterrâneas, bombas e lixos tóxicos… E pra adoçar tudo, doces de avó: mamão-verde de rolinho, goiaba, abóbora e coco…minha tia Loló fazia um doce de carambola que a gente apelidou de Doce de Estrelinha da Branca de Neve. Pois então vamos acabar nossa refeição lambuzados de estrelas… Quem aceita um cafezinho?

Depois de preparar a refeição, prepararíamos o espírito. Pensei na frase do monge cristão, Thomas Merton: “seja como for, o Senhor brinca e se alegra no jardim de sua Criação e se conseguíssemos nos livrar da obssessão que temos em querer dar um sentido a tudo, talvez pudéssemos ouvir Sua voz chamando-nos e poderíamos segui-Lo então em seu misterioso bailado cósmico”.

Rindo e brincando, convidaríamos Deus para sentar-se entre nós e se fizéssemos um instante de silêncio ouviríamos o brinde que Ele proporia: Filhos Amados do Instante e do Sonho, alegrai-vos hoje na Minha música, porque “escondido no coração mortal, o eterno vive; Ele vive recôndito na tua alma. Uma luz brilha lá que nenhuma dor ou sofrimento pode cruzar”.

É claro que Deus não precisaria citar ninguém a não se a si mesmo, mas nós, aqui, pegamos emprestadas as palavras do filósofo hindu Sri Aurobindo para nos ajudar no brinde.

E assim apascentados, veríamos o sol nascer e, pelo menos por um dia, o universo inteiro se fazer puro encantamento.

Aqui você descobre tudo sobre o Dia de Ação de Graças

Pergunta: como você criaria um ritual para contar bençãos? E que tal refletir sobre as boas razões que todos nós temos para agradecer?

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/11/2007 - 21:06

O poeta e o Cristo Redentor

Adoro faxinas! Abrir caixas, virar gavetas, esvaziar armários…arrumar gavetas e armários é tarefa que obriga você a fazer uma faxina na alma, impossível remexer fotos antigas, cartas de amor, velhos papéis sem sentir que a vida você faz e refaz, a cada lembrança…quem foi mesmo que falou que as memórias são nosso único bem? A única coisa que de fato possuímos…

Neste feriado cinza e friorento decidi acertar minhas contas com caixas e caixas de recordações… E descobri que eu desenhava bailarinas, borboletas coloridas, rabiscava poesias e encapava meus cadernos com imagens recortadas de revistas e palavras que compunham frases, idéias, pedaços de poemas…

Achei esse, de folhas grossas, encapado com a poesia de Jorge de Lima tatuada na imagem de um Rio de Janeiro de sonho, no lusco-fusco de um eterno entardecer…

Adoro este Cristo turista de braços abertos
Que procura equilíbrio na montanha brasileira
Os homens de fé têm esperança nele porque ele é ligeiro
Porque ele é ubíquo, porque ele é imutável.
Ele acompanha o homem de cimento armado através de todas as distâncias,
através de todas as perspectivas,
através de todas as circunstâncias.

No blog Sentimentos-sam, você lê a poesia inteira de Jorge de Lima e conhece outros poemas…

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/11/2007 - 15:44

Norman Mailer e Deus


A ilustração é de Sean McCabe, Adam Nadel/Polaris

Morreu Norman Mailer, o escritor, aos 84 anos. E o mundo perde um dos seus “enfants terribles”, aquelas pessoas comuns ou célebres que provocam, empurram, sempre insatisfeitas com o jeito modorrento das andanças da vida.

Talvez você não tenha lido nada dele, nenhum dos muito livros que ele escreveu, O canto do carrasco, O Exército da noite, (por esse, ele ganhou um Pullitzer), O Sonho americano, mas muito do que você lê hoje tem o toque de Mailer. Lá pelos anos 60, ele foi um dos “malucos” que ousaram um estilo de escrita todo novo, o que hoje se chama “novo jornalismo”, mistura de reportagem com ficção que transformou o jornalismo em literatura.

Mas, como não sou crítica de literatura, não vou aborrecer você com meus parcos conhecimentos do assunto. Falo de Norman Mailer porque seu último livro chamou-se “On God: an uncommon conversation”, no qual ele recria para Michael Lennox um
extraordinário personagem: “Deus”. Na revista New York, uma sensacional entrevista antecipa — porque o livro ainda não chegou ao Brasil — como seria esse personagem, no mínimo, curioso e estranhamente “atrapalhado”…

Para Mailer, Deus seria um artista, um Criador. Um novelista, talvez. Como todo artista genial, ele teria que se haver com
seus fracassos e suas vitórias.

Imagine um Deus eternamente sujeito à sua própria evolução, como um jovem artista tendo que se reinventar todo tempo. E com um arquiinimigo, o Diabo, que sempre tenta atrapalhar os seus planos?

Como todos nós, ele teria que lidar com limites, negociar, eventualmente, até, ceder, quem sabe? O Deus do escritor esbarra o
Deus-arquiteto do “design inteligente” mas tem uma certa fragilidade muito típica dos homens…

Nós, humanos, querendo ou não, fazemos uma certa imagem de Deus. Transformar em imagem é uma forma mais ou menos cautelosa de se
aproximar, de poder conceber. Norman Mailer e seu Deus irreverente me remetem a minha imagem de Deus…

Não consigo de fato me relacionar com o Deus que é “a Voz que clama no deserto”, dos judeus. É muito, muito distante, lembra dunas vastíssimas e imensas ausências… Nossa imagem ocidental de Deus´, ao contrário, tem muito de Michelângelo na exuberância das formas, na força dos gestos, nas barbas brancas esvoaçantes. Também é bela! Cabe no civilizado Júpiter romano ou no todo-poderoso e fecundíssimo Zeus, grego. Gostamos de imaginar Deus como essa figura patriarcal protetora e imponente, machista, sim, um tanto, o que se há de fazer?

Mas tenho tentado ampliar essa “visão”, um pouquinho ao menos, e experimento conversar com Krishna, o deus azulado dos hindus, com Shakti, a Divina Mãe, que imagino em forma de lótus. Sem muito sucesso, devo confessar…Deus sempre escapa da minha imaginação…

Talvez um dia eu, como o velho escritor rebelde, possa ter intimidade bastante com Deus para de fato recriá-lo no meu coração, emprestar-lhe atributos, cores, formas. Por enquanto, essa imagem é pura bravata minha. Por enquanto, Deus ainda é para mim o misterium tremendum de que falava o pensador Rudolf Otto. O que não pode sequer ser sonhado, concebido. O que está muito além da compreensão humana.

Mas no dia em que eu conseguir fazer meu ninho pessoal para abrigar a imagem Deus, tomara, que Ele seja…(um tantinho que seja) Mulher!

No Diário Digital, uma revista online de Portugal, você lê mais sobre Norman Mailer

E, se inglês não for um problema, não deixe de ler a reportagem na revista New York

A ilustração é de Sean McCabe, Adam Nadel/Polaris

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/11/2007 - 00:30

Minha amiga Suzi, tem um olhar iluminado para entender as imagens que vão capturar o coração das crianças, não é à toa que é dona da uma editora de livros infantis. Por isso, curti esse Chegou no outlook….

Como manter-se jovem

Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura…” Fernando Pessoa

1. Jogue fora os números que não são essenciais.
Isso inclui a idade, o peso e a altura. Deixe que os médicos se preocupem com isso. Afinal, é para isso que são pagos!

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo (porém ajude-os quando e quanto puder). Lembre-se disto se for um desses depressivos!

3. Aprenda sempre: aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que seu cérebro se torne preguiçoso. “Uma mente preguiçosa é trabalho do diabo .” E o nome do diabo é Alzheimer!

4. Aprecie as mais pequenas coisas

5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele/ela!

6. Quando as lágrimas aparecerem, aguente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida, somos nós mesmos.
VIVA enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama: quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja. O seu lar é o seu refúgio.

8. Tome cuidado com a sua saúde: se for boa, mantenha-a. Se for instável, melhore-a. Se não consegue melhorar, procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde estiver a culpa.

10. Diga às pessoas que ama, que as ama, a cada oportunidade.

E, se não mandar isto a pelo menos quatro pessoas – quem é que se importa? Mas pelo menos partilhe com alguém!

(Mas, por favor, assinem, deêm os créditos, é tão mais legal quando a gente sabe quem fez, quem escreveu, quem desenhou, de quem foi a idéia….)

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
04/11/2007 - 03:05

Histórias de harpas

A gente acostumou com a idéia de que anjos tocam harpas, certo? E que, por conseguinte, o som da harpa é o som celestial por excelência. Estou romantizando, é claro, existem milhares de harpistas no mundo. Músicos com quais outros. Que até se reúnem em festivais, como esse que acabou ontem no Paraguay. Foram dois dias de concertos, com músicos de vários países! Anjos?

Não devem ser. Mas que deve ser uma experiência angelical você ouvir dezenas de harpas tocando juntas, isso deve!

A fantasia não é só minha. Harpas são instrumentos tradicionais de contos de fadas. Junto com os tambores e as flautas, fazem a música que embala as histórias…

Dizem que a harpa nasceu no Egito, ou, ao menos, é de lá que veêm os primeiros registros, junto com um “canto do harpista” que descubro no meu livro de símbolos. O harppista egípcio faz os toques das cordas acompanharem a canção: “Afasta de ti os cuidados. Procura a alegria até que chegue o dia em que vais embarcar para a terra que ama o silêncio”.

Mesmo quando toca a alegria, o som da harpa, fala das fragilidades humanas e do caráter transitório de todas as coisas. Por isso, é o instrumento que entretém as festas dos deuses. Na mitologia nórdica, é dedilhando as cordas de uma harpa que os deuses tocam o “modo do sono”, que faz dormirem para sempre os mortais.

Existem inúmeras histórias envolvendo harpas. Como a da princesa malvada e ciumenta que joga a irmã linda e cheia de encantos no rio para que ela morresse afogada. O corpo da bela jovem é recolhido por um harpista muito célebre que tocava para os reis. O músico, que nunca havia visto mulher mais bela, resolve fazer uma harpa com seus cabelos. E o som desta harpa é o mais doce do universo. Certo dia, o músico é convidado a tocar para o rei, pai das duas princesas. Qual não foi sua surpresa ao ver que não conseguia dedilhar a harpa encantada. Ao contrário, de repente, ela começa a tocar sozinha. E a cantar, com a voz da jovem princesa morta. Os versos da canção falavam da sua tristeza e contavam toda a verdade sobre o crime da malvada irmã. A história que eu conheço não fala qual foi o castigo da irmã, mas meu palpite é que, como a rainha de uma outra história, ela pode ter sido condenada a dedilhar a harpa sem descansar, até que ferir todos os dedos e morrer de cansaço. E entrou por uma porta…

Mais sobre harpas, você lê aqui

E mais sobre contos de fadas e histórias do mundo inteiro você encontra no excelente site Sur La Lune

A foto é da REUTERS, de Jorge Adorno, Paraguai

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo