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Arquivo de outubro, 2007

29/10/2007 - 15:27

Explorando a criatividade

Não sei se tenho medo da morte, daquela, genérica, ao menos…ou se existem mortes…e mortes…perder a consciência, por exemplo, seria uma forma de morrer, talvez a única! Porque afinal, não é a consciência de si a única coisa que realmente possuímos? Dessa eu tenho medo!

Por isso, quase caí da cadeira quando li na Scientific American que pacientes diagnosticados com um tipo de demência associado a funções do lobo temporal direito — responsável, entre infinitas outras coisas, pela memória, pelo nosso “bom-cmportamento”, pelas nossas inibições, pela nossa capacidade de colocar uma palavra atrás da outra de modo a que elas todas dancem a idéia que desejamos compartilhar –, essas pessoas, então, desenvolvem uma espécie de “hiperpoder” de criatividade.

Os estudos estão longe de serem conclusivos, como sempre e graças a Deus é o caso quando o assunto é a mente humana — mas a conclusão abre algumas perspectivas instigantes.

A criatividade é um dos nossos maiores orgulhos como espécie. Um presente de Deus, tesouro que nos torna poetas, visionários, artistas, sonhadores…os cientistas sabem pouco desta função da mente. De onde vêm, afinal, esses insightsinsights que nos fazem geniais?

Esses pacientes descritos na reportagem da Scientific American, são assistidos pelo dr. Bruce Miller, diretor do Memory and Aging Center, hospital ligado à Universidade da Califórnia, especializado em estudos sobre memória. São eles que podem fornecer algumas pistas.

A primeira delas é que, ao contrário do que os sonhadores costumavam imaginar, a criatividade não é um dom. Aparentemente, idéias criativas fazem parte da bagagem de qualquer mortal, e podem ser exercitadas.

A segunda é que quanto mais focados na solução de um problema nós ficamos, menos criativos conseguimos ser. Incrível, não é? Somos dotados de dois recursos igualmente poderosos, duas formas diferentes de pensar.

Uma, o pensamento convergente, faz a gente apontar em linha reta para um objeto e dissecá-lo, entendê-lo e, a partir dele, construir possibilidades lógicas de interação entre o objeto no qual estamos focados e todos os outros que já conhecíamos antes. Infelizmente, essa não é a ferramenta mais adequada para as viagens exploratórias da criatividade.

Ao contrário, libertar-se do pensamento convergente e abrir portas internas para o pensamento divergente é o desafio de quem quiser liberar sua criatividade. Porque o que os cientistas chamam de “pensamento divergente” é que turbina nossos vôos e faz a gente se soltar da lógica e experimentar outras, mais loucas, menos “sensatas” possibilidades.

E se o pensamento convergente pode ser medido, ou, pelo menos, avaliado, por meio de testes de inteligência (os Testes de QI), o pensamento divergente começa a ser investigado a partir de algumas características, habilidades…

Fluência de idéias ou o número de idéias, sentenças e associações que uma pessoa consegue estabelecer quando é apresentada a uma palavra nova.

Variedade e flexibilidade ou a quantidade de soluções que alguém consegue encontrar quando é solicitado a explorar outras possibilidades de uso de coisas simples, como um jornal, por exemplo.

Originalidade ou a habilidade de desenvolver soluções potenciais para problemas ou situações, que outras pessoas não conseguiram imaginar.

Elaboração ou a habilidade de formular uma idéia, expandi-la e transformá-la numa solução concreta.

Sensibilidade ou a capacidade de reconhecer o desafio central de um problema ou situação e as dificuldades associadas a ele.

Redefinição ou a facilidade que cada um de nós possui de conseguir enxergar um problema sob um ângulo completamente diferente.

Você se identificou com alguma dessas “habilidades”? Então está na hora de explorá-las.

A partir de agora, inclua na sua vida e no seu cotidiano quatro palavras-chaves:

Encantamento. Maravilhar-se com o mundo a seu redor é o primeiro passo para fugir da obviedade e do senso-comum;
Motivação. Tente seguir seus impulsos de interesse , eles são como fagulhas…se você não alimentar, elas se esgotam sem ter produzido luz…
Coragem intelectual. É difícil andar na contramão do mundo? Acostume-se. Você está em ótima companhia. E desconfie das respostas: “é assim que sempre fizemos”, ninguém pensa criativamente fazendo as coisas por hábito ou porque os outros fizeram assim.
Relaxe. A criatividade nasce naqueles momentos mais inesperados, quando estamos relaxados. Faça entrar — nem que seja a fórceps — na sua agenda, um tempinho para sonhar acordada…

Navegue pelo site brasileiro da Scientific American

No site de Virgílio Vasconcelos Vilela, você descobre truques incríveis para potencializar os recursos da sua mente

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/10/2007 - 00:17

Tradições de família…

O Natal está aí…de novo…e, de repente, fiquei com vontade de reinventar a festa. Queria refrescar os rituais, sacudir o pó das receitas, jogar fora a árvore artificial, comprar uma fresca, que enchesse a casa com o perfume das florestas; queria ter de novo crianças em casa, para ver o Natal nascer nos olhos delas, e tomar emprestado o milagre da renovação da vida; queria muito presentes nunca ousados antes, coisas esquisitas, estranhas, embrulhadas no novo…

Ah, se a gente pudesse reinventar as tradições e criar outras, novas e significativas…Fui buscar no Google. Acreditam que existe um blog onde as pessoas trocam e compartilham “novas tradições”? É uma delícia, mas não fiquem bravos, é em inglês…

Tradições para todos os dias no site Everyday Traditions.com/

Alguma idéia de tradição familiar que você gostaria de (re)inventar?

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/10/2007 - 11:10

Preciso confessar que esse Chegou no outlook eu recebi do meu marido, que recebeu de uma prima, que recebeu de um amigo, que recebeu da namorada…

O e-mail veio com o título: Versão simplificada do funcionamento do cérebro de uma mulher

Pelo visto, a imagem tem alguma ressonância, fala do nosso jeito “multitarefas”, da correria, de dar conta de tantos papéis…e, sobretudo, de como só dá mesmo para costurar tanta coisa com alegria!!! Por isso, minhas amigas feministas que me perdoem, mas rir é fundamental!


Clique na imagem para vê-la maior e animada!

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/10/2007 - 11:47

A frase…

“Venha o que vier. Depois se vê. Corrige-se mais tarde, se for o caso. O importante é querer morrer pelo que se disse e, ja no instante seguinte, compreender que não, ao contrário, que isso é que é viver…O importante é sentir na barriga aquele friozinho da inconsequência, da travessura…”

A frase foi extraída da peça Adivinhe quem vem para rezar, de Dib Carneiro Neto, com direção de Elias Andreato, e divulgada durante a semana passada nos principais jornais de São Paulo, como homenagem da empresa Time for fun, ao ator Paulo Autran.

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/10/2007 - 11:37

A medalha de ouro e as mandalas de areia

“…É nossa responsabilidade coletiva proteger e nutrir a família global, dar suporte aos seus membros mais fracos e preservar e cuidar do ambiente no qual nós todos vivemos”
S.S. o 14o. Dalai Lama

O Dalai Lama, líder espiritual do Budismo Tibetano, está nos Estados Unidos para receber, no dia 17, a Medalha de Ouro do Congresso americano, por seu “incansável trabalho a favor da paz, da não-violência, dos direitos humanos e do entendimento entre as várias religiões do mundo”. A cerimônia será realizada no Capitólio, em Washington, aparentemente, até o presidente Bush estará presente e milhares de tibetanos já estão a caminho.

Essa vai ser a maior homenagem prestada ao 14o. Dalai Lama, depois do Prêmio Nobel da Paz que ele recebeu há 20 anos. O papa João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá e Nelson Mandela também receberam a medalha, considerada a maior honraria concedida a “um civil” — certo, essas medalhas lembram tempos de reis e cavaleiros, não tem muito a ver com o caráter fundamentalmente pacífico do agraciado, mas o fato não deve tirar o brilho do evento, não é?

Mesmo porque, enquanto isso, e para dar um colorido mais espiritual à homenagem, monges “namgyal”, do monastério onde vive o Dalai Lama, em Dharamsala, na Índia, visitaram o Aldrich Museum of Contemporary Art, em Nova York para celebrar um ritual antiquíssimo: a criação e a destruição de mandalas de areia.

O ritual dá vida a um dos mais contundentes — e difíceis de colocar em prática — temas do budismo, a impermanência.

Saiba mais sobre a cerimônia de criação das mandalas de areia

Lembre-se sempre que a vida é instável.
Que o tempo muda de repente para tempestade e trovoada.
Reforça portanto o poder da sua mente.
Ofereça o tesouro de um pensamento generoso e de uma disciplina interior
Ao amigo que o acompanha para sempre.

Lembre-se que as marcas de cada um dos seus atos
Unem-se à mente, tal como a sua sombra se une ao corpo.
Evite portanto os caminhos do mal
E cultive uma atitude de bondade ativa.
Fixe o seu olhar sobre estas coisas de benefício eterno.

Meus amigos, deixo-os hoje
Este conselho que é preciso seguir em minha memória.
Em breve nos encontraremos de novo

Gyelwa Gendün Gyatso (1475-1542), o 2º Dalai Lama, Vida.
In: Grasdorff, Giles. A Palavra dos Dalai Lamas. Coleção Ponto de Encontro.
Tradução de Emília Marques Rosa. Lisboa: Edições Asa, 1998. Pág. 163.

Leia mais no site Dharmanet

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/10/2007 - 11:28

A festa de Nossa Senhora “fujona”

O Círio de Nazaré, uma das maiores festas religiosas do Brasil, que acontece dia 14 de outubro, em Belém do Pará desde 1793, deve reunir este ano uns dois milhões de fiéis e de peregrinos, que vão caminhar pelas ruas da cidade, levando de volta para casa Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira do Pará e Rainha da Amazônia.

A imagem de Nossa Senhora Rainha, coroada e trazendo o Menino Jesus no colo é colocada num carro todo enfeitado, a Berlinda, e transportada da catedral de Belém até a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Uma corda amarrada na Berlinda simboliza o elo que une Nossa Senhora e seus filhos e vai se desenrolando em volta da multidão, que se acotovela, tentando segurar um pedacinho e fazer parte do “cordão humano”. Das janelas, as pessoas debruçam cantando hinos e orando, naquele tom solene que rege as procissões. O Círio é considerado o Natal dos paraenses e dura 15 dias. No sábado, por exemplo, a antevéspera do Círio, foi dia da romaria dos barcos coloridos de flores e amarrados de bandeirinhas flutuando no ritmo da ventania que encrespava a Baía de Guarajá, onde os rios Moju, Guamá, Acará e Pará se encontram e se festejam.

A procissão de hoje dura umas quatro horas, a esta altura, homenagem feita à Virgem milagreira, as família se reúnem em volta da mesa, para o almoço com os sabores exóticos da selva: tucupi, maniçoba, açaí, maniva, farinha d’água, jambu.

A imagem de Nossa Senhora de Nazaré é de madeira, pequenina, tem só 38cm. Foi achada por um caboclo, Plácido, às margens de um igarapé. O homem levou a santa para casa, mas no dia seguinte, a imagem havia desaparecido. Procura que procura, Plácido acaba descobrindo que a imagem tinha voltado para o mesmo lugar, no desaguadouro do riacho Murutucu, nome indígena de pica-pau e de coruja, onde hoje se ergue a imponente Basílica de Nazaré.

A Senhora de Nazaré faz parte de uma linhagem de “nossas senhoras fujonas” que desprezam os “templos oficiais” onde quer encerrá-las a igreja oficial e insistem em morar à beira d’água, nas árvores, nas grutas, lugares do seu “achamento”. Nossa Senhora Aparecida é outra delas; em Portugal, são muitas, senhoras da Natureza, que escolhem seus filhos e sua casa, soberanas, rainhas…

Para saber mais, clique aqui e conheça o site das Virgens Peregrinas

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/10/2007 - 08:40

Eid al-Fitr : a mais doce das festas

Olhando as fotos de homens barbudos e mulheres cobertas por véus é muito fácil afirmar as tantas diferenças que nos separam: eles lá onde o mundo começou, nós aqui, neste nosso mundo novo.

Mas existe um ponto, feito mais de estados da alma do que de qualquer proximidade geopolítica e sociológica, no qual todas as imagens se aproximam e se fundem. Um ponto de encontro e de reconhecimento, ali, somos de fato, absurda e extraordinariamente, iguais.

Entre hoje e amanhã, dependendo da Lua, mais de um bilhão de muçulmanos vão celebrar Eid al-Fitr, o festival da abundância, que marca o fim de um longo mês de jejum e oração, Ramadan. Durante quatro dias, eles vão enfeitar suas casas de luzes, as famílias vão se encontrar, as mesas serão postas com a melhor louça, as mais finas toalhas, parentes distantes chegam para visitar, as crianças ganham presentes… celebram-se as bençãos nesta festa da generosidade. Uma parte da riqueza do ano que passou será doada para os menos favorecidos pela sorte…muitos, muitos doces serão distribuídos, entre sorrisos, lágrimas e abraços apertados de véus esvoaçantes e longas barbas negras…

São quatro dias, o suficiente para levantar o véu da nossa diferença, e revelar um rosto tão familiar!

Na foto da Reuters, palestinos compram doces para Eid al-Fitr, na cidade de Jenin. REUTERS/Mohamad Torokman(WEST BANK)

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/10/2007 - 07:56

Rumi, o poeta dançarino

Não conheço a Turquia, mas é uma das coisas que preciso fazer antes de morrer. Minha primeira parada seria conhecer a casa de Nossa Senhora, em Éfeso, vizinha do Templo de Artemis, a deusa grega da natureza selvagem. Interessantíssima vizinhança, aliás, cheia de histórias, inventadas ou não, quem se importa? Como diria Roberto Calasso, essas coisas nunca aconteceram, mas sempre existiram…

Hoje arranjei outro motivo para ir à Turquia. Tem que ser em setembro, no dia 30, data do nascimento, em 1207, de um dos maiores poetas místicos que a espécie humana fabricou: Rumi, ou Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī.

Rumi nasceu onde hoje é o Afeganistão e morreu na Turquia, em 17 de dezembro de 1273. É considerado o criador do sufismo, a vertente mais mística do islamismo.

Acreditava que o exercício do amor era essencial para o amadurecimento e aperfeiçoamento dos seres humanos. Pregava a tolerância, a bondade, a paciência, a calma e a compaixão incondicionais.

Depois da sua morte, seus seguidores fundaram a Ordem Mevlevi, que a gente reconhece como aqueles derviches que dançam, girando…Essa dança, chamada “sema”, é uma forma de oração coletiva.

A UNESCO declarou 2007 Ano Internacional de Rumi e para celebrar os 800 anos do nascimento do poeta, o governo da Turquia convidou 300 derviches e vários cantos do mundo para dançar na maior “sema” jamais vista.

A dança belíssima dos derviches você assiste aqui

E os poemas de Rumi em português, eu encontrei no site Khamush.

Um gostinho de Rumi para iluminar este blog

Vem.
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes,
sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos,
sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca,
contemo-nos todos os segredos do mundo,
como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos
que só são capazes de entender
se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão: “toca”,
se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.

Um flash recém-postado no You Tube, com belas imagens de derviches dançarinos

Encontrei o site oficial dos eventos relacionados às comemorações do 800o. Aniversário do Nascimento de Rumi

A foto é de Fatih Saribas, da REUTERS

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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