Silêncio…
“No futuro, ricos serão aqueles que forem donos do seu tempo, que puderem usufruir do contato com a Natureza e que consigam desfrutar de ao menos alguns momentos de silêncio”, profetizou um desses “gurus do amanhã”, do qual não lembro o nome embora — extraordinário! — nunca mais eu tenha conseguido pensar em riqueza de outra maneira…
Além de privilégio de poucos num cenário futurístico permanentemente explodindo em sons, ruídos e estrondos, o silêncio é uma via. Um caminho que os místicos de todos os tempos e de todas as crenças conhecem bem. Porque é ele que conduz ao êxtase, à união entre a Alma e o Divino.
Religiosos e buscadores, sim, mas teólogos e filósofos também tentaram traduzir as possibilidades contidas neste mergulho interior. Plotino, um grego que viveu em Alexandria, entre os séculos 2 e 3 da nossa era, foi um deles. O divino está além das palavras, ensinava o filósofo, herdeiro de Platão e que é considerado um dos fundadores do pensamento neoplatônico.
É no exercício do silêncio e da contemplação que a verdade absoluta, que discurso nenhum, nem nenhuma racionalização pode vislumbrar, aparece, revela-se, despede-se dos seus véus…
Plotino parece tão “moderno” para nós, “modernos”, que dá a impressão de que ele trouxe para o pensamento grego, ocidental e intelectualizadíssimo, o frescor das intuições fundamentais que as religiões do oriente — da Índia, por exemplo — já haviam incorporado em suas práticas espirituais.
E Silêncio e contemplação, uma introdução a Plotino é justamente o nome do livro recém-lançado pela Paulus, da professora Gabriela Bal. Sem desculpas de que livro de filosofia é difícil. Gabriela, mestre em Ciências da Religião, passeia pelas idéias do filósofo grego como que sem esforço, e leva a gente junto neste mergulho na “arte da quietude”…
Saiba mais sobre o livro Silêncio e contemplação no site da editora Paulus.

gostei. gostaria de aumentar o diálogo sobre o assunto
Abraços
anesio
Assisti um filme esse semana, “Um amor para recordar”, onde a protagonista tinha uma lsita de sonhos a realizar, nesta segunda-feira, resolvi fazer a minha, e adivinhe o que foi o primeiro item… Ser dona do meu tempo e podem usufruir do contato com a Natureza… Bem, acho que estou almejando ser rica no futuro.. risos! Um abraço, adorei o texto!
Parabêns pela matéria, muito boa. As vezes esqueçemos que nosso o “silêncio” tem muito a dizer….
é preciso saber o que incomoda mais se silêncio ou barulho
adoro o silêncio de vozes humanas desagradáveis, de música de péssima qualidade, de ruídos em horários de descanso, mas adoro o barulho de vida em torno de mim, como o som do tráfego, do ir e vir accesível das pessoas andando nas ruas, dos lugares onde se consegue ir a pé, do som da televisão, do rádio do carro,e, do silêncio em minha casa, qdo lá fora é só movimento e dinamismo.
Não sinto necessidade alguma de outras riquezas, nem é o que vejo ao meu redor, vejo sim, muita pobreza, e muita!..mas muita! Muita vontade de parecer ter riquezas, qdo falta o principal…
de aparências muitos vivem,contrariando sua visível e real condição, na ilusão de que os outros são bobos ou burros…
Assisti um filme chamado “Into great silence” sobre os monges da Grande Chartreuse, cartuxos. Espero que passem aqui. Tem uma página web com algumas informações:
http://www.diegrossestille.de/english/