“No futuro, ricos serão aqueles que forem donos do seu tempo, que puderem usufruir do contato com a Natureza e que consigam desfrutar de ao menos alguns momentos de silêncio”, profetizou um desses “gurus do amanhã”, do qual não lembro o nome embora — extraordinário! — nunca mais eu tenha conseguido pensar em riqueza de outra maneira…
Além de privilégio de poucos num cenário futurístico permanentemente explodindo em sons, ruídos e estrondos, o silêncio é uma via. Um caminho que os místicos de todos os tempos e de todas as crenças conhecem bem. Porque é ele que conduz ao êxtase, à união entre a Alma e o Divino.
Religiosos e buscadores, sim, mas teólogos e filósofos também tentaram traduzir as possibilidades contidas neste mergulho interior. Plotino, um grego que viveu em Alexandria, entre os séculos 2 e 3 da nossa era, foi um deles. O divino está além das palavras, ensinava o filósofo, herdeiro de Platão e que é considerado um dos fundadores do pensamento neoplatônico.
É no exercício do silêncio e da contemplação que a verdade absoluta, que discurso nenhum, nem nenhuma racionalização pode vislumbrar, aparece, revela-se, despede-se dos seus véus…
Plotino parece tão “moderno” para nós, “modernos”, que dá a impressão de que ele trouxe para o pensamento grego, ocidental e intelectualizadíssimo, o frescor das intuições fundamentais que as religiões do oriente — da Índia, por exemplo — já haviam incorporado em suas práticas espirituais.
E Silêncio e contemplação, uma introdução a Plotino é justamente o nome do livro recém-lançado pela Paulus, da professora Gabriela Bal. Sem desculpas de que livro de filosofia é difícil. Gabriela, mestre em Ciências da Religião, passeia pelas idéias do filósofo grego como que sem esforço, e leva a gente junto neste mergulho na “arte da quietude”…
Magérrimas, altíssimas, sérias, muito sérias, implacáveis nas suas poses quase inconcebíveis para outras mortais do mesmo gênero…por mais que a gente sonhe com mulheres normais, saudáveis, que riem e exibem suas imperfeições, as imagens das topmodels dançando esquálidas nas passarelas alimentam nossa (baixa) autoestima.
Hoje, porém, recebi no meu outlook uma imagem de mulher de outros tempos e que me fez lembrar que somos mais do que um estereótipo de nós mesmas…
As Gibson Girls personificavam o ideal de beleza feminina que acendia a imaginação dos poetas e românticos do final do século 19 e início do século 20. A popularidade dessas figuras lânguidas, de quadris largos e seios fartos, cintura fina, envoltas em panos diáfanos, sempre com os cabelos amarrados, displicentes, no alto da cabeça, era tanta que elas viraram selos nos EUA. Chamavam-se Gibson Girls porque a primeira dessas figuras nasceu num desenho do ilustrador americano Charles Dana Gibson, que viveu entre 1867 e 1944.
Muitas mulheres de sonho posaram como Gibson Girls, até Anaïs Nin, sabia? A Primeira Guerra Mundial, no entanto, empurrou esses belos e misteriosos seres para o limbo e trouxe para o palco um ser feminino mais urbano, mais prático, mais masculino, chique, mas de um jeito assim Coco Chanel…
Depois, a gente conhece mais da história, fomos emagrecendo, trocamos o mistério por um certo ar doentio…
O Centro Mandala, um espaço a 100km de São Paulo para quem deseja recuperar o equilíbrio e a harmonia, promove workshops de meditação, além de oferecer para as stressadas criaturas que buscam um pouco de calma, terapias ayurvédicas, vivências de autoconhecimento e, principalmente, muita mata e paz de espírito. Nos dias 24 e 24 de maio, o Centro promove o workshop Psicanálise e meditação: o cultivo da escuta criativa, com o psicanalista Ignacio Gerber. Mais informações, você encontra no site.
Não é que eu ache que a gente deve alimentar velhos ressentimentos entre homens e mulheres. Ao contrário. Mulheres da minha geração aprenderam desde o berço a viver em um mundo hierarquizado em função dos gêneros: a gente fumava para imitar os meninos, trabalhava “só porque precisávamos reclamar para nós um espaço que era deles”, e imaginávamos que a liberdade chegava de moto por uma estrada sem fim, e vestia casaco de couro, capacete e usava bigodes…Houve uma época em que ser como os homens era tudo que queríamos ser, ainda que eles não pudessem chorar como nós, nem expressar emoções, nem andar por aí sem armadura, nem escolher outra vida do que morrer de tédio em alguma fábrica…
Hoje, desde que Rosiska Darcy de Oliveira publicou seu livro Elogio da Diferença — houve muitíssimas outras mulheres que refletiram sobre essa questão de gêneros, é claro, mas o livro da Rosiska é um dos meus favoritos –, gosto de pensar que caminhamos para um mundo onde será enfim possível viver a “diferença sem hierarquia”! Viva! Com certeza chegamos lá!
Enquanto isso…cai nas minhas mãos um livrinho desses pequenos, de bolsa, com 365 reflexões de mulheres sobre os homens e algumas são mesmo engraçadas…mas será que elas expressam realmente o que nós, mulheres pensamos dos homens? Selecionei algumas frases do livro para você julgar e palpitar:
Uma mulher sem um homem é como um peixe, sem bicicleta, de Gloria Steinem, jornalista americana e feminista
Qual é o problema dos homens, afinal? Será que eles pensam que os pelos do seu peito vãa cair se eles um dia pararem para pedir informações sobre o caaminho?, Erma Bombeck, humorista, que também teria dito: “Deus criou o homem. Mas eu poderia ter feito melhor”…
O melhor indicador do caráter de um homem é a) como ele trata as pessoas que o ameaçam e b) como ele trata as pessoas que NÃO o ameaçam, Abigail Van Buren, escritora do início do século passado.
Quando uma mulher se comporta como um homem, por que ela nunca se comporta como um homem gentil e agradável?, Dorothy Eden, escritora inglesa.
De uma vez por todas meninas, quando um homem diz “eu ligo” e não liga, ele não esqueceu, ele não perdeu seu número, ele não morreu. Ele simplesmente não quis telefonar para você! Rita Rudner, comediante.
Mostre-me uma mulher que não sinta culpa e eu mostrarei a você um homem, Erica Jong, escritora e educadora.
Ele era como um galo que acreditava que o sol tinha raiado só para ouvi-lo cantar…, George Eliot, escritora inglesa.
Imagine uma página eletrônica para cada ser vivo do planeta! E que todos os cidadãos do mundo possam acessar, de qualquer ponto da Terra! É este convite que abre a Enciclopédia da Vida, uma iniciativa fantástica de um pool de cientistas, pesquisadores e instituições, que inclui a MacArthur Foundation, o Field Museum, a Harvard University, o Marine Biological Laboratory, o Smithsonian, a Biodiversity Heritage Library, entre muitas outras organizações que estão capitaneando um esforço global de mobilização para criar essa mega enciclopédia wiki sobre a vida no nosso mundo.
A idéia é que nos próximos 10 anos todas as 1,8 milhões de espécies que habitam o planeta sejam classificadas, descritas, analisadas. Para cada uma, uma página na web, um retrato, com direito a foto, filme, som, imagens do seus habitat…
“A Terra”, avisa o vídeo que abre a Encyclopedia of Life, “é uma teia delicada de ecosistemas que provê a base para todas as formas de vida do planeta. O mundo natural, reconfigurando-se incessantemente e num processo continuado de decadência e transformação, é, ao mesmo tempo, espantoso, sublime, brutal e extraordináriamente elegante”.
Você e eu estamos convidados a participar da construção dessa “catedral da vida” e a deixar uma marca da qual possamos realmente nos orgulhar para as gerações do futuro…
Jimmy Wales, criador da Wikipedia, e Tim O’Reilly, que cunhou a expressão “Web 2.0″, dois gigantes do mundo web, estão propondo um código de conduta para os debates online. A idéia é colocar alguns limites que protejam os cybercidadãos de agressões, insultos, e abusos de vários tipos, desde grosserias até ameaças. A posição de dois dos maiores defensores do espaço democrático da web provocou um tumulto no mundo online: será que devem ser implantadas medidas para garantir um ambiente mais civilizado na “blogosfera”? Será que qualquer medida não seria uma ameaça de consequências perigosas para o maior e quem sabe mais autêntico espaço de liberdade de expressão que a humanidade já criou?
Será que é o anonimato que faz as pessoas ultrapassarem todos os limites da educação e gentileza e se insultarem sem nenhum pudor? Então adiantaria abolir o anonimato? Mas e aí, a liberdade onde fica?
Minha filha precisava fazer um trabalho para a escola sobre Internet. “Mãe, você acha que a Internet ajuda a educar as pessoas?” Acho, acho mesmo, nunca se viu ferramenta tão poderosa, nunca estivemos tão perto de um saber que possa incluir todos, sem distinções… Mas talvez a gente precise de um tempo maior para aprender a usar todo esse poder que a web colocou nas nossas mãos…
E tomara que a solução para criar um cybermundo mais gentil possa nascer da consciência maior de cada cybercidadão em relação à sua própria responsabilidade…
Uma idéia taoísta para inspirar a semana que eu tiro do livro Relaxe, você já está em casa, de um professor da Califórnia, Raymond Barnett, apaixonado pela filosofia chinesa e pelo estudo do Tao, publicado pela Nova Era:
Nós já somos o que devemos ser. Não estamos partidos, nem desesperadamente perdidos, nem precisando de conserto ou de salvação. Assim como os tigres são o que devem ser, as abelhas, as árvores, nós também já estamos em casa, esse agora É a nossa casa.
A energia do Tao — o caminho, o humor do mundo –, flui através de cada um de nós, assim como flui em tudo que existe. Não somos órfãos, na verdade. Somos filhos do universo, parte integrante do tecido da via. Por isso, ensina o professor californiano, “Aprenda a relaxar. Simplifique as coisas, livre-se dos excessos, dimiminua as expectativas, aproveite o instante. Afinal, sua casa é aqui mesmo e você já está nela”
Assino um monte de newsletters! Gosto de me sentir no entroncamento das notícias, das novidades, das surpresas…um pouco é ilusão, eu sei, mas para mim existe uma espécie de mágica em esperar o carteiro, só adaptei a sensação para sua versãao eletrônica… evidente que também é muitíssimo prático…
Mas uma das minhas newsletters favoritas vem de Mimi Doe, autora de vários livros sobre relacionamento entre pais e filhos. Sim, existem vários, mas Mimi aborda com muita valentia um lado esquecido dessa relação: o aspecto espiritual.
Hoje recebi dela uma Oração das Mães, que eu traduzi à minha moda e compartilho com carinho com você:
Que eu possa alcançar meu mais elevado e melhor potencial divino como mãe;
Que eu possa permanecer sempre amorosa e atenta, sem perder a mim mesma;
Que eu possa esculpir uma vida de amor e apoio para meu filho sem pressões, nem controle;
Que eu possa superar meus medos e limitações para ajudar a criar um lar onde convivam a magia e o encantamento;
Que eu possa “empodeirar” meu filho com amor;
E que eu possa sentir o círculo do amor me envolver e elevar meu espírito.
May I reach my highest and best Divine potential as a mom.
May I remain compassionate and mindful without losing my self. May I craft a life of loving and supporting my child without pressuring or controlling.
May I overcome my limitations and fears so that I envelop and support wonder and magic in my household.
May I empower my child with love.
May I feel that circle of love wrap back around me and lift my spirit.
A fotografia é o particular absoluto, a ocasião, o reencontro, o Real na sua infatigável expressão.
É assim que Roland Barthes define a relação misteriosa que existe entre o olhar do fotógrafo, o objeto e a máquina que captura o instante e o transforma imediatamente numa espécie de eternidade.
Hoje, quando Margot me contou da amiga que havia publicado um livro com imagens do nosso novíssimo santo, Frei Galvão, fiquei pensando nessa “eternidade” que a fotografia instaura…
Uma eternidade feita de detalhes, de mãos, de linhas, de fragmentos que o olho captura, amplia, dá sentido, devolve para quem olha, transformados…
As imagens do livro de Roberta Dabdab, Frei Galvão
A Vida, os Milagres e as Pílulas Milagrosas do Primeiro Santo Brasileiro, falam desses detalhes ampliados e desse olhar que constrói a eternidade.
“Durante todo o tempo que estive na igreja do Mosteiro da Luz fotografando para o livro, percebi a dedicação dos fiéis e o quanto estar ali era gratificante e de certa forma um alívio para eles”, conversa por e-mail a fotógrafa, e continua “foi uma experiência bastante interessante principalmente porque eu tenho pouca relação com o universo religioso e pude me deixar envolver com as imagens sem preconceito ou juízo de valores. Pensei em usar um objeto comum que pudesse traduzir essa sensação de amor e alívio e me deparei com as mãos e com o quanto elas traduzem o que nosso coração sente”.
E não é qualquer santo! Frei Antonio de Sant’Anna Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil — Madre Paulina nasceu em Trento, onde hoje é a Itália — era um visionário que construiu o Mosteiro da Luz, hoje incluído entre os Patrimônios da Humanidade, da UNESCO e um apaixonado por Nossa Senhora: seu primeiro ato como sacerdote foi um voto de sangue, consagrando-se ao serviço da Virgem Maria! Dedicou muitas de suas reflexões espirituais ao tema da concepção imaculada da Mãe de Jesus. E foi também um poeta, cujos versos dedicados à Sant’Anna, a mãe de Nossa Senhora, eu copiei aqui para vocês:
Poesia de Frei Galvão
A Santíssima e gloriosíssima Ana é celebrada com louvores.
Conforme o metro e as palavras eclesiásticas.
Louvemos todos a Mulher Genitora da Virgem Maria, que refulge com excelsa glória na ínclita ara do louvor.
Ferida do celeste amor, exorta todos a desprezarem o nocivo do mundo, convidando aos bens celestiais.
Exalta os suplicantes; colocada nas culminâncias do altar, alcança a glória da terra e igualmente as alegrias do céu;
ó Ana, que clemente favorece os mortais, pedimos o prêmio do céu, por tua intercessão.
Hymmus
Sanctissima Gloriosissima Anna Laudibus celebratur juxta Ecclesiastica Verba
Matrem Parentis Virginis
Laudemus omnes feminam
Quae laudis excelsa gloria
Ara refulget Inclita.
Haec mundi amorem noxium
Caelesti amore saucia
Hortatur omnes spernere
Invitat ad caelestia:
Haec supplicantes sublevat,
Arae locata in culmine
Terrae potitur gloria
Caeli potitur gaudiis;
O Anna quae mortalibus
Clemens favores efficis,
Tuo precatu, quaesumus,
Nos ire caeli in praemium
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Lembram que há umas semanas andei perguntando por aqui “Quando começa a vida?” O post gerou centenas de comentários e eu recebi vários e-mails. Uns indignados, outros não, uns contra, outros a favor…
Mas esse aqui, para mim, foi especial porque é o relato de uma mulher sem certezas, que gerou e perdeu uma filha anencéfala e que, ainda assim, não consegue dar nenhuma resposta pronta para essa pergunta.
“Quando a vida começa?”, talvez de todas as perguntas que os humanos vêm se fazendo há milênios, essa seja a mais complexa, sobretudo para nós, mulheres….
Gostei do e-mail da leitora na sua extraordinária simplicidade e me comovi com a pergunta que ela lança no final: “E então, Adília?” Pois é, cara amiga, e então?
Adília,
Sempre leio seus artigos no site Somos Todos Um e antes de você participar dele lia seus artigos no Árvore da Vida.
Gosto muito de sua visão sobre a vida, sobre os filhos, sobre a mulher. Acabei de ler seu artigo no STUM intitulado: Quando começa a Vida?
Você tem razão ao dizer que devemos nos preocupar com isso, pois é de nós mesmos que estão falando.
Para mim, a vida começa na concepção, apesar do Singer dizer que ser consciente da sua humanidade demora mais, ou seja, uma criança recém-nascida ainda não tem consciência de sua humanidade.
Acho isso muito duro, pois apesar daquela criança não conseguir sobreviver sem os cuidados de alguém, ela existe, ela tem pensamentos e tudo o mais.
Sabe, é uma coisa muito complicada.
Perdi uma filha com 9 meses de gravidez. Ela era anencéfala, ou seja, se tivesse feito um ultrassom no início da gravidez isso seria descoberto e o médico me aconselharia a abortar.
Mas isso não aconteceu, naquele tempo não se faziam esses exames tão frequentemente e meu organismo não abortou espontaneamente.
Quando ela nasceu, de parto normal, ouvi seu coração. Mas ela não sobreviveu. Enquanto estava dentro de mim, no entanto, ela se mexia e seu coração batia.
Sua perda foi para mim irreparável. Já se passaram 24 anos e eu ainda me lembro perfeitamente do nascimento dela e ainda me dói o coração.
E então????????
Vão dizer que ela não viveu. Acho que viveu sim, um tempo pequeno, talvez o tempo apenas de um resgate espiritual, talvez o tempo de uma lição para mim.
Não sei, mas eu jamais diria que ela não viveu, que ela não era alguém.
Então, não sei o que pensar ou dizer sobre embriões, células tronco.
A ciência está muito à frente, a tecnologia e os recursos são muitos, mas pessoas ainda morrem desnutridas…. morrem de dengue…. morrem de solidão…..E a ciência que cria e recria não resolve…
E então?????
Adília, gosto muito do seu raciocínio, você é muito inteligente e tenho certeza que também deve estar se perguntando. E então??????????????
Pois é, amiga, e então? Certa vez li um livro de uma grande antropóloga, Margaret Mead, no qual ela dizia que haviam certas questões que escapavam da nossa capacidade de julgar e de compreender. Num mundo ideal, esses dilemas deveriam ser assunto estritamente pessoal, resolvidos no âmbito soberano e inexpugnável da alma de cada um. Não deveriam existir culpados, muito menos heróis. Evidente que ela sabia que isso era algo impossível, não é assim que os grupos humanos funcionam, nem é desejável que seja, mas talvez também seja impossível dar uma resposta final para algumas questões. E talvez a gente tenha mesmo que se contentar mesmo com um “E então?”…E tentar viver sem tantas certezas…