Chegou no outlook…

Alguns amigos são assim, feitos para a gente envelhecer junto, ainda que esse “junto” precise ser reinventado: junto pode bem ser um encontro numa das esquinas da alma ou uma lembrança, ou melhor, a atualização de uma lembrança…boa!
Minha amiga Cláudia, me manda essa <a color:#B75CB4;font-weight:boldOração para ser uma velhinha legal, just in case, ela diz…
E a prece vem com manual de instruções que recomenda: aconselhável diariamente, pela manhã e à noite.
Eu compartilho com você…
Ó Senhor, tu sabes melhor do que eu que estou envelhecendo a cada dia.
Sendo assim, Senhor, livra-me da tolice de achar que devo dizer algo, em toda e qualquer ocasião.
Livra-me, também, Senhor, deste desejo enorme que tenho de querer pôr em ordem a vida dos outros.
Ensina-me a pensar nos outros e ajudá-los, sem me impor,
mesmo considerando com modéstia a sabedoria que acumulei e que
penso ser uma lástima não passar adiante. Tu sabes, Senhor, que desejo preservar uma boa relação com meus filhos, e que só se preserva os filhos quando não há intromissão na vida deles.
Livra-me, também, Senhor, da tolice de querer contar tudo com detalhes e minúcias e dá-me asas para voar diretamente ao ponto que interessa.
Não me permita falar mal de alguém.
Ensina-me a fazer silêncio sobre minhas dores e doenças.
Elas estão aumentando e, com isso, a vontade de descrevê-las
vai crescendo a cada ano que passa. Não ouso pedir o dom de ouvir com alegria a descrição das doenças alheias; seria pedir muito. Mas, ensina-me, Senhor, a suportar ouvi-las com paciência.
Ensina-me a maravilhosa sabedoria de saber que posso estar errada em algumas ocasiões. Já descobri que pessoas que acertam sempre são maçantes e desagradáveis.
Mas, sobretudo, Senhor, nesta prece peço: mantenha-me o mais amável possível.
Livrai-me de ser santa. É difícil conviver com santos!
Mas uma velha rabugenta, Senhor, é obra-prima do diabo!
Amém!!!
<a color:#B75CB4;font-weight:boldSe vocês não se importam, eu gostaria de aproveitar a carona e incluir alguns pedidos também.
Livra-me, Mãe, da arrogância e dos juízos apressados, mas não me deixa esquecer quem eu sou;
Livra-me do passado, não quero ser prisioneira da saudade; me acorda todos os dias, para o aqui, o agora, o hoje, esse é o meu tempo;
Livra-me do “bigode chinês”, aquelas rugas horrorosas que deixam a gente com a cara triste, de cachorro buldogue abandonado…isso não pode fazer bem para a alma e deve ter sido um lapso do Criador!
Livra-me da intolerância e me deixa morrer à sombra de uma árvore, mas no pátio ensolarado, onde as crianças jogam bola, as amigas gritam, as portas batem com o vento, os namorados se abraçam, e o mundo faz barulho…
Torna-me cada vez mais permeável à compaixão, até que eu seja como um tecido velho e esgarçado pelas histórias humanas;
Ajuda-me a continuar fazendo uma coisa assustadora por dia, a dar uma boa risada todos os dias (ao menos uma), a não deixar de cantar no chuveiro todas as manhãs, a chorar sempre: quando os bebês nascem, quando os cachorros morrem e quando começam a pintar os primeiros verdes da primavera…
Quando chegar a hora, Mãe, permita que eu saia de cena com certa elegância, como as grandes damas do teatro. Difícil? Então me ensina a rir da decrepitude e estamos conversadas;
E me acolhe no teu colo no final…
Amém
Ah, a imagem lá no alto é da Pachamama, a risonha deusa dos povos do Peru! Dizem que ela aparece para ajudar os viajantes sob a forma de uma velhinha assim, fofa…

Puts! Incrível, pensei que só minha mãe deveria orar assim….mas como eu pretendo envelhecer, acho melhor começar a orar!!!!!!!
Que tal colocar mais uns pedidos como: Não deixe que eu continue sendo obtusa e acreditando em baboseiras.
Não permita que nenhum religioso leve minha pensão, mais do que o governo faz.
Que os filhos que criei com tanto amor, lembrem-se de mim, antes de receberem a notica de meu falecimento.
Que eu não tenha que provar que estou viva, mesmo estando morta de cançasso e dores reumáticas, para ter que dizer isso a um cretino que nem olha pra minha cara……
Essa oração está no livro “Orações de Poder” e foi escrita por uma monja, lá pelo século XVI ou XVII.