Chegou no outlook…
Que prazer viver neste tempo!!! Que bom ter um outlook, compartilhar idéias, sentimentos, histórias…
Foram muitas, ao longo desse ano, muitas…algumas chegam com alegria, outras chegam tímidas, muitas acabam coladas em imagens meio pasteurizadas, outras são aprisionadas em musiquinhas nada muito a ver…todas, porém, falam de tesouros, de coisas preciosas, são, de fato, TOQUES DE ALMA…
Essa, eu recebi da minha amiga Re, ao contrário da maioria dos textos, essa autora eu conheço, você também vai gostar muito dela…
De repente é Natal e o primeiro pensamento é qualquer coisa como: “Já?”, “Que saco!”, “E, daí?”, “Lá se foi mais um ano!”…
O trânsito enlouquece, o cartão de crédito estoura, a balança dispara, o fígado arrebenta. Tem ainda as coisas inevitáveis: o especial do Roberto Carlos, os chatos que só surgem nos dias 24 e/ou 25, as filas para tudo, os presentes de última hora. Uma quase histeria verde-vermelha regada à champagne e neve de mentira toma conta de tudo e nós nos sentimos quase que obrigados a nos sentir felizes !!! Dizem que no Natal gastamos o que não podemos, comemos mais que devemos e abraçamos quem não gostamos!!!
Tudo conspira contra o verdadeiro espírito de Natal.
De repente é Natal, e nos sentimos cansados, espantados e quase tristes, por que os novos natais parecem velhos e sem magia. Tudo parece vulgar, frenético, obrigatório e despido de reflexão. Tudo é feérico, nervoso, pomposo. O rito se perde e um turbilhão de frivolidades nos afasta do essencial.
Mas, o Natal insiste e chega e, independentemente, de todas as loucuras, de todo o consumismo, de todo o desencanto: é Natal, mais uma vez. Queira você ou não. E mais uma vez recomeça uma inquietação, uma melancolia, que vai crescendo, devagarzinho, como semente, mexendo na alma, soprando lembranças nos nossos ouvidos, enchendo nossos corações de vontades antigas e nossa cabeça de sonhos eternos.
Vai dando uma saudade dos natais das nossas infâncias. Os natais dos tempos de certezas simples e valores cristalinos. Aí, começamos a sentir falta da singeleza e da simplicidade que deveria ser o tom do Natal. Sentimos falta da Missa do Galo, do abraço dos avós, da alegria indizível de ser criança, ter pai, mãe, família e esperar pelo Natal, cantar “Noite Feliz” e olhar com
reverência o Menino Jesus no presépio.
E aí, quando menos esperamos, o Natal acontece: é quando, nos lembramos de duas crianças: uma no presépio e outra dentro de nós…
Então, já não somos mais os mesmos… Somos o menino, a menina, somos nós em essência, o melhor de nós, aquele “eu-mesmo” de quem tanto gostamos… Por que no Natal nasce o Menino-Deus, renascem as crianças em nós, e a Esperança!
O Natal insiste e chega todo ano, pontual, irredutível, para que nós insistamos também. O Natal resiste para que nós resistamos, à falta de tempo, ao comodismo, à frieza, à superficialidade, às anestesias, à banalização de tudo, à indiferença.
De repente é Natal, e aí vem o possível milagre: lembrarmo-nos de quem somos, de quem sonhamos ser, de quem queremos ser, de quem podemos ser e, darmo-nos, a nós mesmos, de volta, de presente.
Você já tentou se lembrar de quem você sonhava ser quando era criança e ADORAVA o Natal?
Acredito que esse é o milagre do Natal. O milagre da esperança: de poder recomeçar, retornar, renascer, reescrever o futuro. O milagre da reconciliação: de fazer as pazes conosco, com nossos sonhos, nossos propósitos, nossas crenças. O milagre da serenidade: de reconhecer e ser fiel à nossa canção interior, nossa lenda pessoal, nossa verdadeira história.
Recebi esse arquivo que fala sobre o costume de uma tribo africana que é dar a cada criança quando nasce, uma canção própria, só dela, uma espécie de mantra, de cântico, que a tribo canta para aquela pessoa ao longo da sua vida, em todos os momentos marcantes, felizes ou não, inclusive aqueles momentos em que a pessoa decepciona ou fere a comunidade. A idéia é fazer
com que a pessoa nunca se esqueça e nunca se afaste da sua “canção pessoal”, pois essa é a chave da harmonia e da felicidade. A tribo tem o papel fundamental de manter a canção viva. Hoje, esse papel é dos amigos. Os amigos nos ajudam a voltar para o tom…
Acredito que todos temos uma canção pessoal e que nossa felicidade está na razão direta da nossa fidelidade à essa canção. Como uma impressão digital da alma. Ela nos identifica, traduz, ilumina, orienta, redime e nos impele a buscar o que é bom, harmônico e justo no Universo. Às vezes não a ouvimos, outras vezes, esquecemos de cantá-la, mas ela está dentro de nós, não pode
ser calada.
Essa canção é o sussurro de Deus nos lembrando quem somos e de onde viemos.
Essa canção é nosso fio de Ariadne a nos guiar para fora dos labirintos; pedrinhas mágicas que marcam o caminho de volta para nós mesmos. Essa canção é a voz do nosso coração.
Que neste Natal, possamos relembrar nossa canção pessoal e nos sintamos felizes, confortados e protegidos por ela. Que neste Natal, os corações entoem suas canções, num coro silencioso, capaz de compor uma música maior, chamada PAZ na TERRA !
Que neste Natal, e sempre, você cante muito e sinta vontade de sorrir, chorar, celebrar, mudar, recomeçar, não importa, contanto que você se sinta totalmente afinado com a sua canção!
Feliz Natal!
Com carinho e música…
