Nos dias 12 e 13 de outubro o Spiritualized fez dois shows no Royal Festival Hall, em Londres, tocando seu álbum clássico Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space na íntegra. Você pode baixar o áudio do show aqui. Pode não, deve. Ladies and Gentlemen é um desses discos que salva almas de dias escuros. Não por acaso ele é apresentado como um remédio, seu encarte é uma bula com efeitos colaterais, dose a ser tomada e tudo mais. E bastam os primeiros versos da faixa título (”All I want in life’s a little bit of love to take the pain away, getting strong today, a giant step each day”), que abre o disco, para toda a confusão passar. Ouve a versão ao vivo abaixo no YouTube e tenta não se arrepiar com o coro que começa a 4′58”. Redenção total. Nos dias 16 e 17 de dezembro a banda repete este show em Londres, agora no Barbican Centre.
No dia 30 de novembro será lançada uma edição especial de Ladies an Gentlemen (foto acima), com três CDs, uma porrada de material extra que parece ser sensacional e em versão “tarja preta” (a arte do disco original é branca). Tem versão demo das músicas, vários takes e, o que deve ser mais impressionante, versões à capella da faixa título e de “I Think I’m in Love”. O disquinho já está em pré-venda na Amazon britânica. Um ótimo presente de natal.
É, fechei meu Top 10 com os melhores discos nacionais e internacionais da década, mas só coloco ele por aqui quando terminar a votação do Scream & Yell – o que deve rolar no começo de dezembro. Por enquanto, inspirado pelo Urânia, resolvi publicar por aqui a “não-lista”, ou seja, 15 discos sensacionais da década que estavam na pré-lista mas que não entraram no Top 10.
Discos Nacionais
“No Chão/Sem o Chão” – Rômulo Fróes
“A Marcha dos Invisíveis” – Terminal Guadalupe
“Pareço Moderno” – Cérebro Eletrônico
“Fome de Tudo” – Nação Zumbi
“Cê” – Caetano Veloso
“Carteira Nacional de Apaixonado” – Frank Jorge
“Vagarosa” – Céu
“Charme Chulo” – Charme Chulo
“Teletransporte” – Autoramas
“Picture Perfect” – Maybees
“C_mpl_te” – Móveis Coloniais de Acaju
“Nadadenovo” – Mombojó
“Ventura” – Los Hermanos
“Registro Sonoro Oficial” – Video Hits
“O Avesso” – Poléxia
Discos Internacionais
“Return To Cookie Mountain” – TV On The Radio
“Accelerate” – R.E.M.
“The Greatest” – Cat Power
“Back to Black” – Amy Winehouse
“Sound of Silver” – LCD Soundsystem
“In Rainbows” – Radiohead
“Baby 81″ – Black Rebel Motorcycle Club
“Modern Times” – Bob Dylan
“Funeral” – Arcade Fire
“Hot Fuss” – The Killers
“Songs in A & E” – Spiritualized
“The Flying Club Cup” – Beirut
“Stories from the city, stories from the sea” – PJ Harvey
“Whatever people say I am, that’s what I’m not” – Arctic Monkeys
“Ringleaders of the Tormentors” – Morrissey
“Jarvis” – Jarvis Cocker
Eles vêm de Curitiba, mas espantam a atmosfera cinzenta da capital paranaense em sua sonoridade. Unindo viola caipira com saxofone, rock com lirismo, a Banda Gentileza acaba de lançar um disco homônimo multicolorido. Neste sábado, às 20h, a banda faz show em São Paulo, no Espaço +Soma, para divulgar o álbum, produzido por Plínio Profeta. Heitor Humberto, vocalista da banda, conta um pouco da história do sextexto, comenta a cena de Curitiba e fala como foram as gravações do CD na entrevista abaixo.
Banda Gentileza no Espaço +Soma
14 de novembro, a partir das 20h
Rua Fidalga, 98 – Vila Madalena – São Paulo, SP
R$ 10
Esse é o primeiro álbum de vocês. Quais as expectativas?
A expectativa é grande. Várias das músicas que gravamos neste álbum já estavam nos nossos dois primeiros EPs, que foram gravados ao vivo. Apesar desses dois primeiros registros serem mais “crus”, menos trabalhados, conseguimos alguma repercussão em Curitiba, em Santa Catarina e também em São Paulo. Além de possibilitar o trabalho com o produtor Plínio Profeta. Ou seja, a gente acredita bastante no potencial dessas músicas, cada uma apontando para uma direção diferente, mas que ficaram bastante coesas dentro do álbum. E a produção do Plínio foi muito importante nesse sentido, pois as músicas formaram um belo conjunto. E é justamente com essa proposta que a gente espera alcançar novos ouvintes, marcar novos shows e criar novas expectativas.
Como rolou o contato pra trabalhar com o Plínio Profeta?
Quando a gente começou a pensar mais seriamente em gravar um álbum, concluímos que precisaríamos de um produtor bacana que tivesse bastante referência de diferentes estilos e que pudesse entender a nossa proposta. Eu já conhecia o trabalho do Plínio pelos artistas que ele produziu e que, de uma forma ou outra, tinham a ver com a sonoridade Banda Gentileza: Pedro Luís e a Parede, Kátia B., Lenine, Lucas Santtana, Pavilhão 9, O Rappa, Xis, entre outros. Para nós, seria ótimo poder trabalhar com ele. Mandei um e-mail e ele foi bem receptivo, pediu algumas de nossas músicas para conhecer o nosso trabalho. Ele ouviu e disse que tinha gostado da nossa mistura, que topava produzir o nosso disco. Depois disso, foi só conciliar as agendas para iniciar os trabalhos.
Vocês fizeram meio que um reality show das gravações. Teve bom resultado de retorno do público?
O retorno foi ótimo. A rotatividade de pessoas que assistiram ao vivo as gravações foi muito grande. A gente podia acompanhar sempre o número de computadores conectados e chegamos a picos de 40 pessoas simultaneamente (o que pra gente foi sensacional). Teve também o lado de nos aproximarmos das pessoas, pois o pessoal podia escrever no chat. Então eles faziam perguntas, queriam saber qual música estávamos gravando, como estava sendo o processo no estúdio etc. E a gente respondia tudo na hora pela câmera. Além do mais, teve gente que não conhecia a banda, mas assistiu às nossas transmissões por curiosidade e passou a nos conhecer. E por último, teve uma repercussão na imprensa dessa nossa iniciativa, o que atraiu ainda mais pessoas para a TV Gentileza.
Vocês são relativamente novos na cena de Curitiba. Como vocês sentem ela? É bem diversificada, mas por que não vinga tanto quanto cenas de outras cidades? O que falta?
Por partes. Sobre a cena: Há uns meses eu estava convencido de que a cena de Curitiba estava em ebulição, que não demoraria para ser destaque no Brasil. Isso porque dava para perceber que os shows estavam sendo melhor produzidos, as bandas mais preocupadas. Mas quando você toma conhecimento da movimentação e da organização que estão rolando em Cuiabá (meu deus, com moeda própria!), em Vitória, no Circuito Fora do Eixo, tudo com uma cena organizada, com pesquisas, com patrocínio, com ideias novas, é de ficar com o queixo caído. Eu continuo achando que a cena de Curitiba está muito boa, mas fica claro que ainda temos um grande caminho pela frente em termos do que precisamos fazer e aonde queremos chegar com tudo isso. Acho que falta uma visão global para entender o nosso potencial, conhecer o nosso nicho, o nosso mercado. Falta um festival de peso, por exemplo. Recentemente tivemos o De Inverno que está batalhando muito para crescer. Felizmente neste ano foi uma grande edição. Eu espero que ele cresça cada vez mais. Acho que o Ivan e a Adriane estão fazendo a parte deles. Então, na minha opinião, apesar de ser perceptível que as pessoas por aqui estão tentando deixar tudo cada vez melhor, ainda falta alguma coisa. O negócio é se espelhar nas belas iniciativas que estão rolando pelo Brasil para desenvolver algo semelhante por aqui e não apenas olhar para o umbigo e manter o discurso vazio de que “a cena de Curitiba é uma das melhores do Brasil e em breve deve estourar”, pois isso vem sendo repetido há algum tempo e infelizmente não se tornou realidade ainda.
A cena curitibana é bem diversificada mesmo, conta com bandas que se dedicam a diferentes estilos, o que é maravilhoso. Tem ruído/mm, Charme Chulo, Copacabana Club, Sabonetes, Anacrônica, Stella Viva, Chucrobilly Man, só pra citar alguns nomes. São todas bandas curitibanas, mas é impossível dizer que há uma estética, uma cara da cidade. E isso é muito bom, torna a cena muito rica.
O que falta? Na minha opinião, falta parar com essa eterna expectativa de que uma banda curitibana se destaque. E eu acho que essa expectativa, essa cobrança, só vai se encerrar quando algum grupo ou artista da cidade tiver um desempenho comercial e de público semelhante ao Skank, Jota Quest, Titãs ou coisa parecida, já que o Bonde do Rolê, por exemplo, lançou álbum por uma puta gravadora, fez shows importantes, participou de festivais, mas ainda assim a gente espera alguém daqui estourar. No meio independente, ruído/mm lançou um EP super elogiado, o Copacabana Club está subindo cada vez mais, mas parece que ainda não foi o bastante. Então na verdade eu acho que é uma questão de conceito, é uma questão de esperar que uma banda de Curitiba gere repercussão tanto na imprensa quanto entre o grande público. E por que isso ainda não aconteceu? Porque nada do que fizemos até hoje despertou em grande escala a atenção dos críticos, da imprensa, ou das grandes gravadoras. E por que não? Ou porque nunca teve apelo mercadológico ou porque nunca surgiu algo que realmente seja bom o bastante para isso. Se tivesse, a gente não estaria falando sobre isso.
Felizmente, as bandas estão se profissionalizando, trabalhando com produtores importantes que estão sabendo extrair o melhor cada banda, cada qual no seu estilo. Enfim, os grupos estão lançando trabalhos caprichados tecnicamente. Resta agora convencer o restante do país que o produto é bom. E aí a gente volta pro início da pergunta: o que fazer e como trabalhar com o potencial da cena curitibana?
A banda já teve muitas formações?
Algumas. Começamos como um quarteto (duas guitarras, baixo e bateria). Mas quando o nosso amigo Artur começou a tocar trompete, imediatamente o chamamos para testar umas linhas nas músicas que a gente já tinha. Em 2007, gravamos o nosso segundo EP e queríamos mais um metal na banda. Convidamos a Tetê, que tocava saxofone em uma banda feminina (a Toca Toca Errado). Foi aí que viramos um sexteto. Em 2008, depois de dois novos integrantes, tivemos uma baixa: o Jota, guitarrista, acabou saindo da banda e entrou o Emílio. Hoje, apenas o Diogo toca um instrumento (bateria). O resto da banda alterna bastante: o Emílio toca guitarra, violão, bandolim, viola caipira e ukelele. O Diego fica no baixo, mas também se aventura na concertina. O Artur assopra o trompete, toca baixo e guitarra. A Tetê comanda o saxofone e o teclado. Eu vario entre guitarra, violino e cavaquinho.
Vocês trocam bastante de instrumentos no palco e também usam violino, sopros e tudo mais. Árcade Fire é uma referência?
É uma referência, afinal todos na banda gostam de Arcade Fire. Mas acho que acaba não sendo uma influência direta, pois na hora de compor ou criar arranjos, não nos lembramos deles. A questão de usar vários instrumentos tem sido bem natural: quando alguém arranja um instrumento novo, tentamos ver como ele pode se encaixar na nossa sonoridade. Ou então pode acontecer o contrário: a vontade de explorar uma nova textura nos leva a buscar um instrumento que já tínhamos, mas não usávamos (violino e viola caipira, por exemplo) ou instrumentos que não tínhamos e precisariam ser adquiridos (cavaquinho e ukelele).
Qual o papel e a importância da música caipira e regional no som e na formação de vocês?
São importantes na medida em que nos despertam a vontade de agregá-las às nossas composições. O Emílio toca viola caipira e é o que melhor domina esse estilo dentro da banda, já fez algumas oficinas nessa área. Mas o nosso maior interesse é nos divertir enquanto tentamos descobrir estilos que não temos contato mais direto, como valsa, bolero ou músicas do leste europeu. Enfim, coisas que nos proporcionam passeios agradáveis.
Por onde sai este primeiro CD?
Vamos lançar do próprio bolso mesmo. Faz tempo que sonhamos em lançar um disco de estúdio e resolvemos correr atrás para que ele fosse viabilizado o quanto antes, sem selo ou gravadora. Depois que a primeira tiragem estiver pronta, vamos ver se surgem novas possibilidades.
Na mesma semana em que o disco C_mpl_te chegou à marca de 25 mil downloads no Álbum Virtual da Trama, o Móveis Coloniais de Acaju faz show especial em Salvador em comemoração aos 30 anos do Projeto Tamar, que ajuda as tartarugas da costa brasileira. A banda foi convidada a participar de um disco em homenagem ao aniversário do projeto e você ouve uma das músicas, “Mergulha e Voa”, com exclusividade abaixo.
Para compor a música a banda visitou a sede do projeto na Praia do Forte, em Salvador. Hoje à noite a banda volta ao local para show gratuito junto com Lenine e Luiz Caldas. O evento começa às 18h30 e o Móveis sobe ao palco às 19h. Para saber mais informações sobre o show, inclusive como chegar ao local, clique aqui.
Há pouco mais de um ano, Gruff Rhys, com o Neon Neon, e Eugene Hutz, com o Gogol Bordello, fizeram shows consecutivos na derradeira edição do Tim Festival em São Paulo. Exatamente como aconteceu na última terça-feira, 10-11, na segunda edição do festival Indie Rock, no Via Funchal, com a diferença que desta vez Gruff veio com sua banda de origem, o Super Furry Animals. Só que desta vez o grande show da noite coube a Gruff.
A troca de papéis é fácil de explicar. O Super Furry é muito mais banda do que o Neon Neon, projeto paralelo de Gruff e que teve sua apresentação salva pela performance do cantor americano Har Mar Superstar. No Via Funchal a história foi diferente. Mesmo sem muita empolgação e para um público diminuto, o SFA foi ajudado pelo som levemente desajustado, que ressaltava as dissonâncias, distorções e microfonias, e fez um show tão lírico quanto psicodélico.
Se os aparatos visuais não foram tão sofisticados quanto os da apresentação da banda em 2003, Gruff compensou tudo com bom humor. A série de cartazes que levantou em diversos momentos da apresentação, pedindo aplausos ou gritos de “woah” surtiu efeito com a platéia que, hipnotizada com as harmonias circulares da banda, respondia prontamente. O momento mais divertido destes ficou por conta da faixa “Inaugural Trams”, do disco mais recente da banda, Dark Days/Light Years (2009), em que o guitarrista do Franz Ferdinand Nick McCarthy, que faz vocais em alemão, foi representado por um cartaz.
Os melhores momentos da apresentação ficaram para o final, com as alucinantes “Crazy Naked Girls” e “The Man Don’t Give a Fuck”. A segunda terminou com a guitarras e baixo cruzados no ar. “Keep the Cosmic Trigger Happy” encerrou um show apoteótico, “doido” na medida certa, não deixando nada a dever à apresentação sublime que o Sonic Youth havia feito três dias antes no Planeta Terra.
Já o Gogol Bordello… Não é que o show seja ruim. Eugene Hutz é um ótimo frontman e violonista, a banda é afiada, o público responde perfeitamente com entusiasmo, pula o tempo inteiro, mas não dá pra deixar de pensar que a banda é um embuste. Confesso que no ano passado me surpreendi muito com a performance deles no Tim, tanto que o show figurou na minha lista de melhores do ano. Então, o que mudou de lá pra cá¿
A diferença é que no show do ano passado havia o fator surpresa. Sempre achei as músicas do Gogol péssimas, uma mistura mal-acabada de influências ciganas e punk. Mas ao me deparar com um espetáculo tão bom, me senti envolvido pela atmosfera do público e pelo clima de festa. No Via Funchal, já sabendo o que iria encontrar, o foco ficou menos na performance visual e mais na musical e, bem, não há presença de palco que mude música ruim. Mesmo assim, a imagem no bis do pequeno público aglomerado pulando ensandecidamente na frente do palco, em contraste com os vazios que tomavam conta do Via Funchal, foi reconfortante para uma terça-feira atípica em São Paulo.
Mais uma vez, a organização e a estrutura foram ótimas no festival Planeta Terra e, dessa vez, houve um show sensacional e memorável. O Sonic Youth deixou boquiaberto até quem não era fã (tipo eu) e, mesmo baseando o show no disco mais recente (The Eternal) e deixando os clássicos de lado, fez um dos shows do ano no Brasil. Iggy Pop foi horrivel musicalmente (um dos piores bateristas que eu já vi ao vivo) mas é sempre bom ver uma lenda viva do rock no palco e o pique e presença de palco do velho iguana fazem tudo valer a pena – mas eu morri de medo de ele realmente tirar a calça e eu ter que ver mais do que queria. Primal Scream ficou devendo em um show que só engrenou no final e o Maximo Park fez um show corretinho, mas sem empolgar muito – exatamente do tamanho e importância da banda para o cenário mundial: mediano. Entre as bandas brasileiras, o Macaco Bong fez um bom show só abusando um pouco da distorção no final; e o Móveis Coloniais de Acaju fez seu tradicional show ótim0, abrindo com “O Tempo”, a grande música do segundo álbum (C_mpl_te) e fechando com a já famosa roda em “Copacabana”. De resto, não fui nos brinquedos nem no palco indie, mas aproveitei bem os bancos da Praça de Alimentação – até porque as opções gastronômicas não eram as melhores.Abaixo, o Planeta Terra em vídeos e as notas de cada show. Você pode ler a cobertura completa aqui.
Macaco Bong – 7
Móveis Coloniais de Acaju – 9
Maximo Park – 6
A 2′51 eu confabulo algo com Marco T. Não faço a mínima ideia do que.
Eles já zoaram as bandas de axé, os samba-enredos, o pessoal dos clubinhos e da “náite” paulistana. Agora chegou a vez dos emos. Acima, o vídeo do Hermes e Renato que foi ao ar nessa terça-feira, 03/11, sobre essa gente tão sofrida do meu Brasil.
Não custa lembrar que a tiração de onda da trupe com os metaleiros virou “séria” e rendeu o Massacration, com disco lançado e tudo. Abaixo, confere os melhores momentos (pra mim) do Hermes e Renato e a música. Vale a pena ler também o texto do Matias sobre a importância deles para o humor brasileiro.
Depois de todos os lançamentos do dia 9 de setembro, a EMI agora coloca no mercado uma edição limitada de 30 mil pen drives de 16 Gb com os 14 discos (13 de estúdio mais o Past Masters) remasterizados em estéreo, além de todos encartes e dos 13 minidocumentários sobre as gravações dos discos. Fora que o pen drive em formato de maçã é lindo. Na loja dos Beatles você já pode fazer a pré-compra por 200 libras, sendo que o lançamento oficial é no dia 7 de dezembro. Este pode ser o primeiro passo para os Beatles colocarem seu catálogo para compra online no iTunes. Diz a Yoko Ono que isso será realidade em breve. É esperar para ver.
Sei que já mencionei o fato antes, mas nunca é demais reforçar: Cuiabá continua um calor desgraçado, 38ºC durante o dia, 30 e tanto durante a noite. Mas não ia ser um sol forte que iria estragar o Festival Calango, de organização cuidadosa e uma seleção de atrações com ótimos nomes do novo cenário independente nacional, aliados a alguns veteranos da cena, que rolou nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro. Se a proposta do evento é dar um panorama do que se faz no Brasil, não poderia ter dado mais certo.
A estrutura do festival continua impecável, tanto nos dois dias em que os shows aconteceram no Centro de Eventos do Pantanal como quando foram realizados na Praça das Bandeiras. Mas, apesar do conforto que o primeiro local oferece, os shows funcionaram melhor na Praça das Bandeiras, ao ar livre, com um público maior e mais diversificado. Além disso, o som esteve notadamente melhor, já que várias bandas sofreram na sexta e principalmente no sábado, em que a equalização ruim aliada à falta de acústica apropriada foram característica marcante.
Musicalmente falando, uma coisa deu pra notar do ano passado pra cá: as bandas locais evoluíram bastante (tira da conta o Macaco Bong, uma das grandes bandas do cenário nacional e que já está em outro patamar). Tudo bem, as bandas de metal continuam sendo maioria, mas já há vida inteligente entre elas, destaque pro Snorks e seu hardcore rápido, os Inimitáveis e a grande revelação local do festival, o Vitrolas Polifônicas (leia mais abaixo).
E se 2008 foi o ano em que o Calango ficou marcado pelas bandas que misturavam rock e ritmos brasileiros (Do Amor, Cérebro Eletrônico, Curumin), 2009 trouxe o que de melhor se faz em sons mais pesados e viajões, com um pé no indie, outro no stoner e outro no punk. Abaixo o Top 11 (porque show do Wander é hors concours, então abre um lugarzinho), mas com o mea culpa de não ter assistido aos shows do Mini Box Lunar, do Amapá, e do Macaco Bong, que todo mundo elogiou. Às vezes o cansaço cobra seu preço e você não consegue ver tudo que poderia.
Holger – eles catalisam diversas influências indies em uma banda só, atendendo a todos os gostos. Se no primeiro EP a mistura não funciona tão bem, a espontaneidade alegre em cima do palco transforma as músicas completamente. Destaque para o riffzinho New Order de “The Auction” e a intensidade de “Nelson”.
Black Drawing Chalks – donos do grande disco de rock de roqueiro do ano, os goianos não pouparam energias em cima do palco. Com o público na mão, cantando todas as músicas, fizeram a festa. A dobradinha “My Favourite Way” e “I’m a Beast I’m a Gun” foi matadora.
Walverdes – nunca esqueci o comentário de um amigo que mora em Porto Alegre sobre o Walverdes: tu vê os caras fora do palco e não consegue imaginar o barulho que eles são capazes de fazer. No meu primeiro show da banda consegui comprovar isso. “Câncer” é clássico. Barulho com melodia como ninguém mais conseguiu fazer no festival.
Wander Wildner – o que dizer de um show que tem “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”, “Bebendo Vinho”, “Lugar do Caralho”, “Eu tenho uma camiseta escrita Eu Te Amo” e “Amigo Punk”? Show do Wander é sempre diversão garantida.
Nevilton – a banda de Umuarama provou por que é uma das revelações do ano, com seu show explosivo e a performance contagiante do guitarrista e vocalista Nevilton e do baixista Lobão. Virtuose sem ser pedante, Nevilton é pop inteligente para as massas.
Caldo de Piaba – música instrumental com guitarra blueseira mas cozinha suingada. Referências regionais do Norte do Brasil, guitarrada e uma cover esperta e oportuna de “I Want You (She’s So Heavy)”, dos Beatles. Uma banda para se prestar atenção.
Do Amor – acompanhando Jonas Sá durante o festival, eles ganharam 20 minutos para fazer um show. Mesmo de surpresa e com o som não ajudando muito, “Dar uma banda”, “Perdizes” e “Morena Russa” mostraram que eles continuam afiados – e deixaram ainda mais expectativa pelo primeiro CD, que deve sair no ano que vem.
Cassim & Barbaria – kraut-rock vindo do Sul, a banda evoluiu bastante do primeiro show que vi deles no ano passado em São Paulo. O diálogo entre as duas baterias acrescentou um peso importante e os efeitos noise tirados por Zimmer deram um clima espacial ao show.
Jonas Sá – bem diferente do disco, Jonas apresentou um show mais ousado e quebrado, apoiado por um ótima banda e sua excelente performance frenética no palco.
Vitrolas Polifônicas – a mistura de samba e rock dos jovens cuiabanos soou promissora, com uma cantora carismática, Maísa Hollanda, roubando os holofotes. O “hit” da banda, “É isso que me excita” – cantado pelo público juvenil a plenos pulmões -, é pura picardia. Pena que a banda anunciou seu fim após o show, por que Maísa vai morar em Belo Horizonte – mas promete carreira solo.
Herod Layne – provavelmente a banda mais experimental do festival, os paulistanos mereciam um público maior para seu rock instrumental cheio de climas e noise.
Fotos do Marcelo Costa, que também escreveu sobre o festival aqui. Na ordem: Zimmer e a bala de bacon; Holger; Walverdes; Wander Wildner; Nevilton; Caldo de Piaba; Jonas Sá; Cassim & Barbária; Vitrolas Polifônicas
Desde ontem de manhã estou em Cuiabá para cobrir o Festival Calango 2009, que você pode conferir a programação aqui. Na segunda entra um textão completo do assunto, mas, enquanto isso, algumas considerações pertinentes sobre a primeira noite de shows:
- A bala de Bacon que o Zimmer, do Cassim & Barbária me deu, é gostosa.
- As bandas locais melhoraram do ano passado pra cá. Continuam basicamente fazendo música pesada, mas agora não é mais só barulho, há um sentido em toda distorção.
- Caldo de Piaba, do Acre, foi a grata surpresa da noite. O Zé Flavio e o Alex Antunes já tinham falado dos guris e eles não decepcionaram: música instrumental inteligente, com elementos regionais, um ótimo baixista e uma cover inspirada de “I Want You (She’s So Heavy)”, dos Beatles.
- Walverdes e Wander Wildner provaram por que o rock gaúcho é um gênero tão importante no país. Os primeiros fizeram noise como ninguém no festival. E Wander desfilou, um a um, boa parte de seus “clássicos” do independente, além de incluir “Amigo Punk” da Graforréia no meio. Jogo ganho.
As considerações da segunda noite de shows:
- O som estava mal equalizado para todas as bandas.
- Jonas Sá surpreendeu e fez um show bem diferente de seu primeiro disco, largando o pop fácil e arriscando harmonias e ritmos. Fora que ele é um ótimo showman.
- O Do Amor (Bubu e Benjão nas guitarras, Marcelo Callado na bateria e Ricardo Dias Gomes no baixo), que era a banda de apoio de Jonas, fez um show surpresa de 20 minutos. Mesmo com som ruim, sempre bom ouvir “Dar Uma Banda”, “Perdizes” e “Morena Russa”. Uma das melhores bandas do Brasil, fácil, fácil.
- Black Drawing Chalks provou por que lançou um dos melhores discos do ano, o esporrento Life is a Big Holiday for Us. Show em alta rotação, som no talo, energia do público, “My Favourite Way” e “I’m a Beast, I’m a Gun” na sequência. Quase o melhor show do festival…
- E só não foi por que o Holger subiu ao palco e fez uma zona tão grande, com uma entrega total e irrestrita, indo pro meio da plateia cantar e tocar guitarra, que até mesmo o show irrepreensível do BDC ficou menor. As músicas indies ao extremo dos paulistanos crescem muito ao vivo, com a performance intensa deles. Um show para se rever em um local menor.
- E há um só consenso entre todo mundo no festival: a sala de imprensa, com seu ar-condicionado, é o melhor lugar do Festival.