Vivemos um momento único nos mercados de consumo. Os modelos e ferramentas que sempre foram utilizados pelas empresas na economia tradicional já dão sinais de ferrugem.
Os economistas sempre trataram mercados “não monetários” (aqueles onde as trocas não são realizadas através de papel-moeda) com um pouco de desdém. O problema é que agora não está dando mais para ignorá-los e a economia da reputação está ocupando um lugar de destaque nos mercados atuais.
Com a expansão da Internet e proliferação das redes sociais, o valor das coisas não são mais definidos apenas pelas campanhas de marketing que as empresas fazem, mas também pela reputação que os mesmas possuem dentro das mídias sociais.
Podemos dizer que esse fenômeno não é novo, pois sempre houveram redes de conhecidos, que através do milenar boca-a-boca, criavam e espalhavam a reputação de produtos e pessoas.
A grande diferença para os tempos atuais é que a Internet potencializou esse comportamento humano. Com isso, fez com que o inocente boca-a-boca de antigamente transformasse-se no pesadelo dos profissionais de marketing.
Com isso, o valor das trocas (indicações, links, twittadas, blogs de recomendação, comunidades de reclamação, etc) na economia da reputação tem tornado-se cada vez mais relevante e perceptível para as organizações.
Uma pesquisa recente, publicada no Valor Econômico, mostrou que mais de 90% dos internautas pesquisam sobre produtos e serviços antes de comprar. Assim, aqueles produtos que tiverem a melhor reputação dentro das mídias sociais saem na frente na concorrência com seus rivais de menor valor no mercado de reputação.
Já está muito claro para todos, consumidores e empresas, que o ambiente de negócios não é mais o mesmo e não adianta ficar indiferente a pressão que a reputação digital tem exercido sobre marcas, produtos, pessoas e tendências. Sendo assim, quem souber aproveitar melhor as oportunidades que este novo cenário está gerando sairá na frente.
Ontem estive no escritório do Google Brasil para uma conversa informal com Chad Hurley – CEO e fundador do site de vídeos YouTube.
Toda vez que vou ao escritório do Google me sinto muito à vontade, pois o ambiente lá é muito leve e informal, fora que as pessoas são muito simpáticas. Não há aquele ar corporativo que existe na maioria das empresas brasileiras.
Quem me recebeu foi Carol Fullen (RP da Agência Ideal), que me explicou qual seria a dinâmica da conversa. Seriam uns 20 convidados entre blogueiros, jornalistas e heavy users do YouTube, que poderiam tirar dúvidas e dar sugestões para Chad num bate-papo bem informal.
Chad não tem o estereótipo de um genuíno Geek, como poderia se esperar do criador de uma plataforma de vídeos online. Fisicamente ele parece muito com o personagem “Encantado” do Shrek. Tem estilo e charme, além de ser muito simpático com todos (nisso ele é diferente do personagem do desenho animado).
Assim que a conversa começou ela foi dominada pelos heavy users presentes, que estavam avidos por contar suas experiência e anseios (um dos usuários demonstrou como usa o YouTube para fazer remixagem de músicas – veja o vídeo).
Infelizmente, isso tirou um pouco o foco de assuntos mais centrais dos negócios do YouTube, como modelo de negócio, rentabilização através de publicidade e integração do serviço com outros produtos do Google.
Eu e alguns outros blogueiros e jornalistas presentes não tivemos muita chance para fazermos perguntas e, até o próprio Chad não pode falar o quanto gostaria. De qualquer forma, foi muito interessante, pois deu para perceber o fascínio que o YouTube exerce sobre seus usuários. Além disso, durante a conversa, deu para perceber que algumas melhorias no serviço são necessárias, como por exemplo, a velocidade de upload de arquivos grandes.
Já faz algum tempo que estão circulando na Internet alguns rumores sobre o lançamento de um table device pela Apple . De acordo com o site Barron’s o anúncio oficial estaria previsto para Setembro chegando as lojas em Novembro para aproveitar as compras de natal.
Este tablet, baseado no sistema do iPhone, teria tela sensível ao toque e seria projetado para ser usado como um hub para conteúdos multimídia com conexão Wi-Fi e de fácil integração com outros dispositivos da Apple.
Além disso, a Apple teria projetado o novo dispositivo para rodar jogos eletrônicos. Isso significa, que muitos dos jogos hoje disponíveis na App Store estariam preparados para funcionar no novo equipamento.
Se esses rumores se confirmarem, a Apple dará mais um passo importante em direção ao lucrativo mercado de games (como já escrevi anteriormente aqui no Tecnozilla), como já está fazendo com o iPhone, ameaçando diretamente as consolidadas posições da Microsoft, Sony e Nintendo.
Este terceiro dia de evento começou animado com vários palestrantes de peso se revezando no palco do auditório principal do Moscone West. Os pontos altos dessa sessão de keynotes foram a palestra sobre computação móvel de Anssi Vanjoki, CEO da Nokia, e uma entrevista com Will Wright – o gênio por trás de jogos como The Sims e Spore – conduzida com maestria por John Battelle – um dos fundadores da cultuada revista Wired e autor do aclamado livro “The Search”.
A palestra da Nokia foi focada nas novas tecnologias que a empresa está desenvolvendo e deu para perceber que estão investindo forte para poderem bater de frente com o iPhone da Apple e o Android do Google. Como o Sr. Vanjoki disse: “Tudo indica que este ano o celular brigará, em vários aspectos, com os computadores pessoais”. E por experiência própria, concordo com ele, pois em grande parte do tempo meu iPhone atende muito bem minhas necessidades computacionais. Com ele tenho navegação na web, e-mail,MSN, Skype, Twitter e muitas outras coisas.
A entrevista com o Will Wright foi a última atividade da manhã de keynotes e foi fantástica – pelo menos para mim que sou um grande fã do cara. Will explicou o conceito do jogo Spore como um ambiente colaborativo e como isso permite a criação de experiências únicas para o jogadores – para quem não conhece, o jogo é um simulador de criaturas que vai desde o surgimento do organismo unicelular evoluindo até seres mais complexos que podem explorar outros planetas e galáxias. O fato inusitado foi que ao final do evento acabei encontrando Will no corredor e troquei algumas palavras com ele, que se mostrou muito simpático com seu fã boca aberta aqui. Infelizmente, no calor da emoção acabei esquecendo de pedir para alguém tirar uma foto. Imperdoável.
No resto do dia assisti mais algumas palestras, onde a tônica foi sempre a necessidade de integração dos negócios convencionais com serviços de mídia social. Clara Shih, da Salesforce.com e autora do livro “The Facebook Era“, apresentou uma ótima abordagem sobre ferramentas de CRM que buscam informações de seus clientes em redes sociais como Facebook e Orkut. O próprio aplicativo da Salesforce.com é integrado com o Facebook e consegue traçar um perfil comportamental muito mais profundo do cliente com isso.
Outra palestra bacana foi de Tara Hunt – autora do livro “The Whuffie factor”. Ela conseguiu expressar bem a necessidade de trabalhar em conjunto com o consumidor de forma transparente e honesta, mesmo quando isso expõem problemas e fragilidades da empresa. Seu ponto de vista parte do pressuposto que não adianta tentar mentir ou enganar o cliente, pois cedo ou tarde isso cai na rede e o estrago é sempre muito maior.
Mas o ponto alto do meu dia foi quanto estava saindo do Moscone West, após ter circulado na área de exposições, e encontrei Tim O’Reilly – organizador do evento e o principal responsável pela popularização do termo Web 2.0 - e aproveitei para bater um papo rápido com ele. Perguntei o que estava achando dos resultados do evento, visto que em 2008 haviam 3 vezes mais pessoas participando e que o evento da Europa foi cancelado. Ele me disse, que já estavam prevendo uma quantidade menor de pessoas mesmo, devido a crise, mas que mesmo assim tudo está acontecendo dentro do programado e que no próximo ano acredita que tudo será ainda melhor. Além disso, ficou muito alegre quando disse que eu era brasileiro, que segundo ele é um país que gosta muito. Ao nos despedirmos aproveitei para tirar uma foto e não comer bola igual fiz com Will.
Assim encerro meus relatos sobre os principais momentos deste terceiro dia do Web 2.0 Expo, mas amanhã teremos mais novidades aqui no Tecnozilla. Quem sabe não encontro o Will novamente e tiro a bendita foto.
Quem quiser acompanhar o que está acontecendo na Web 2.0 Expo em tempo real pode me acompanhar pelo Twitter – http://twitter.com/marcelominutti. Mais informações é só fazer uma busca no twitter por #w2e.
Começou o Web 2.0 Expo em São Francisco – o maior evento de Web 2.0 do planteta. Quem quiser me acompanhar no evento siga-me pelo Twitter (http://twitter.com/marcelominutti). No final do dia – aqui em São Francisco estamos 4 horas atrás do horário de Brasília – farei um post resumo sobre coisas interessantes deste primeiro dia de evento.
O site BlogTalkRadio, que oferece o interessante, inusitado e inovador serviço de produção e distribuição de podcasts usando chamadas telefônicas, resolveu apostar também no mercado corporativo. O site, com mais de 1000 broadcasts ao vivo por dia, tem sido usado por grandes empresas de mídia e distribuição de conteúdo.
PBS, Womens’s Day Magazine e outros estão usando as ferramentas do BlogTalkRadio para criar podcasts e talkshows. Além disso, o site também tem criado redes privadas para grandes corporações como Sun e Wal-Mart onde elas podem produzir e publicar seus próprios programas e podcasts.
Para quem não conhece, o BlogTalkRadio foi fundado em 2006 com a missão de permitir a qualquer pessoa produzir e distribuir seus próprios podcasts ou radio talkshows na Web utilizando chamadas telefônicas. No ano passado, eles lançaram uma nova funcionalidade que popularizou muito o serviço: a “Ask the host“. Essa nova funcionalidade permitiu que ouvintes dos programas transmitidos ao vivo pelo serviço pudessem interagir com o programa usando Voip e microfones de seu próprios computadores. Isso resolveu um grande problema que o site tinha anteriormente, pois para participar das transmissões ao vivo, as pessoas precisavam ligar para um número local em Nova York – onde fica a sede do site – e gastar uma grana alta de interurbano, que praticamente inviabilizava a participação de ouvintes de outros países.
Quando o serviço surgiu em 2006 confesso que gostei muito do conceito, mas pelas experiências que observo no mercado, serviços que exigem produções mais complexas de conteúdo, como textos, vídeos e audios tem tido maior dificuldade de pegar e ganhar volume – é só ver o percentual de conteúdo do YouTube produzido realmente por seus usuários. Por isso, a estratégia do BlogTalkRadio de permitir que sua plataforma de podcasts seja utilizada por corporações é, no mínimo, muito inteligente e pode alavancar o negócio no médio e longo prazos.
Um serviço similar ao do BlogTalkRadio é o TalkShoe, mas a interface de uso não é tão boa e fácil de usar, além de não tem a grande quantidade conteúdos que o BlogTalkRadio possui.
Ferramenta interessante para encontrar e classificar músicas por estilo. A primeira vista parece muito com o Genius da Apple, que permite gerar playlists automaticamente a partir de outras músicas que se tenha na biblioteca. A diferença entre os dois serviços está na forma que eles analisam o gosto musical do usuário, enquanto o Genius avalia seus hábitos musicais – considerando um conjunto de dados agregados – o Mufin analisa o arquivo de música propriamente dito. Parece coisa de ficção cientifica, mas na prática ele identifica mais de 40 características da música e recomenda uma playlist baseada no mesmo conceito.
Resolvi instalar o brinquedinho para ver se funcionava mesmo e fiquei surpreso, apesar de algumas recomendações serem um pouco bizarras, outras vezes foram realmente interessantes. O problema é que serviços como Last.fm , Pandora , MyStrands e Echo Nest (Echo Chamber) – e o próprio Genius – ainda são mais eficientes para classificar gostos musicais e acho difícil que em um futuro próximo o Mufin consiga superá-los. Mas como o produto foi desenvolvido pela Magix Ag, uma startup berlinense surgida a partir do Instituto Fraunhofer (o centro de pesquisa alemão onde surgiu o formato de compressão de áudio MP3), acho que podemos esperar coisas boas.
Tenho andado um pouco ausente do Tecnozilla nas últimas semanas, mas foi por motivos de força maior (qualquer dia desses eu conto por aqui ). De qualquer maneira, vamos voltar ao objetivo desse blog: informações relevantes sobre tecnologia, internet e inovação.
Para começar acho interessante falar um pouco sobre a Futurecom 2008 – que aconteceu na semana passada em SP – e que para mim é o melhor evento de tecnologia do Brasil. Nesse ano participei da feira como painelista (fui convidado do painel sobre Publicidade 2.0 para o mercado móvel) e circulei pelo evento tempo suficiente para conseguir levantar algumas pistas para onde o mercado nacional está indo nos próximos anos. Como em um blog não é lugar para ficarmos escrevendo textos enormes e chatos, segue uma pequena lista dessas minhas percepções de futurologia:
1 – O padrão de navegação de internet no celular será a Web convencional. (WAP o que?);
2 – O estilo “iPhone” será seguido pelos outros fabricantes de celulares (essa foi fácil);
3 – Perda total do controle das operadoras de telefonia sob o conteúdo acessado por celulares através da internet;
4 – Google, Microsoft, Yahoo, MySpace, Twitter e Facebook, através de seus serviço de internet móvel, serão os novos donos das almas dos clientes de telefonia móvel;
5 – Os serviços de Governo Digital serão cada vez mais colaborativos e com mais características 2.0 (a infra-estrutura de redes multisserviço será o primeiro passo para isso);
6 – Usuários de banda larga móvel serão mais numerosos que usuários de banda larga convencional;
Estamos tendo uma avalanche de iniciativas em mídias sociais. Isso torna difícil acompanhar muitas coisas legais que estão sendo feitas por ai. Para ajudar nesse problema Peter Kim publicou em seu blog uma lista com as empresas que estão experimentando esse novo ambiente. Vale dar uma olhada (clique aqui para ver a lista completa).
Também fiz um filtro na lista de Peter com algumas das ações que acho mais interessantes:
Adidas. Social networks: adidas soccer on myspace; 70% of ROI driven by pass-along, aka “never-ending friending.” American Express. Blogging: OPEN Forum.
Estamos vivendo uma nova fase no marketing online. Quase todas as premissas que no passado eram tão sólidas estão sendo ameaçadas pela força silenciosa da Internet 2.0. Assim, resolvi postar aqui no Tecnozilla alguns fatores que considero fundamentais para entender esse fenômeno que cedo ou tarde alcançará todos.
O e-mail marketing não é mais o mesmo.
Não adianta tapar o sol com a peneira, o e-mail como ferramenta de marketing está com os dias contados. De acordo com o instituto de pesquisas americano Pew, somente 14% dos jovens que navegam na Internet usam e-mail com freqüência.
Ai você me pergunta, então como esses jovens estão se comunicando? A resposta é simples: por scraps em redes sociais (além é claro das ferramentas de mensagens instantâneas). Na verdade, esses jovens só criam contas de e-mail porque muitos serviços, na hora do cadastro, exigem isso, mas na prática quase ninguém usa no dia a dia.
Micromídia: O fim dos portais como os conhecemos
Blogs, redes sociais e agregadores de gadgets estão roubando a audiência de portais convencionais. O comportamento dos internautas tem mudado muito nos últimos tempos. A audiência tem migrado para esses serviços, que permitem uma interação muito mais profunda e flexível com conteúdos e comunidades online. Um bom exemplo disso, é o Orkut, que hoje é o site mais visitado Brasil, acessado por 70% dos internautas brasileiros ativos (ibope/netrantings). Impressionante, não?
Para essa nova forma de empacotamento e distribuição de conteúdo, através de gadgets/widgets e mashups, eu dou o nome de micromídia. São pílulas de conteúdo, pulverizadas pelos serviços de Internet 2.0 e propagadas pelo efeito de rede da colaboração online. No futuro, tudo indica que os portais de conteúdo tradicionais terão um formato menos centralizado, onde a distribuição será pulverizada e baseada no conceito de micromídia.
A Media 2.0 e o declínio da ERA DOS BANNERS
Está cada vez mais difícil captar a atenção da audiência online. As campanhas online tradicionais (Mídia 1.0) estão cada vez mais caras e produzem inversamente menos resultados. A mídia 2.0, por sua natureza viral, produz resultados muito melhores e a custos imensamente menores.
Vejo tudo isso como um esgotamento do modelo de mídia tradicional, onde a escassez de atenção está alimentando a contagem regressiva para a implosão desse modelo. Quem demorar muito para acordar para isso, pode peder o bonde para o futuro.
E agora? O que fazer?
Está claro que o ambiente está mudando. As fórmulas que considerávamos sagradas até um tempo atrás, não estão mais produzindo resultados satisfatórios.
Precisamos de um novo marketing. Que entenda o fenômeno das redes sociais. Que perceba a relevância da micromídia para entrega de conteúdo. Que aproveite as oportunidades do protagonismo digital. Que perceba que não adianta ficar martelando sobre velhas regras que não são mais adequadas. Que utilize a força das comunidades online a seu favor. Que olhe para agregadores de gadgets (iGoogle, Netvibes) como ferramentas de propagação e de relacionamento com os clientes.
Precisamos de um marketing com tudo isso e mais um pouco. Precisamos de um Marketing 2.0.