Lojas Apple, Playstation e Wal-Mart diante da crise
Como muitos já sabem, estive em São Francisco acompanhando o evento Web 2.0 Expo que foi fantástico. Mas o que mais me impressionou não foram os ultra palestrantes com suas ultra teorias, na verdade, o que me deixou realmente abalado foi o contato direto com a tão falada “crise financeira mundial“.
Foi como bater de frente com uma carreta carregada de entulho, pois só nos dias que passei por lá presenciei o anúncio de uma meia-dúzia de falências e topei na rua com muitos mendigos (lá eles chamam de “homeless“). Situação não muito comum por aquelas bandas. Para se ter uma idéia, perto do hotel onde estávamos, foi anunciado, apenas naquela semana, o fechamento de uma loja da Virgin e outra da Sony focada somente em Playstation, além do corte de pessoal e estrutura do jornal San Francisco Chronicle, que ficava ao lado do hotel. Também assisti no “Good Morning San Francisco” – não lembro o nome correto, mas era alguma coisa assim – uma reportagem mostrando a redução de mais de 20% do número de empregados nas empresas do Vale do Silício.
Na loja da Virgin estava quase tudo em promoção – descontos de até 50% – e uma horda de turistas fazendo o rapa (entre eles eu). Já na loja dedicada a Playstation fiquei meio deprimido, haviam pouquissimas pessoas – que não estavam comprando nada, apenas usavam os consoles de demonstração para jogar de graça – o vendedor informou que as vendas estavam tão ruins que não repunham o estoque haviam algumas semanas.
Outro susto veio quanto resolvemos passar para comprar água no Wal-Mart. Procuramos no GPS a loja mais perto e fomos direto para lá. O GPS nos levou até um grande estacionamento vazio com alguns carrinhos de supermercado jogados de um lado e um monte de entulho do outro. Para nossa surpresa, ali jazia uma loja do Wal-Mart. Ver, ao vivo e em cores, uma loja da maior empresa de varejo do mundo fechada e com tapumes bloqueando a porta principal deu uma sensação estranha. Pensei: onde isso vai acabar? O pior que fui atrás tentar saber o que aconteceu e tudo indica que a loja estava deficitária. Por isso fechou.
A única loja que estava sempre com muito movimento era a da Apple – não sei se isso era reflexo do evento que estava cheio de Macmaniacos, mas… – com seus dois andares apinhados de gente, não só olhando, mas também comprando (eu também não resisti). Foi uma das poucas lojas que não estavam dando descontos. Para mim, isso deixa claro o motivo de muitos analistas de mercado dizerem que a Apple não passará pelos mesmos maus bocados que a indústria de eletrônicos está passando. Por isso que dizem por ai que a Apple não tem clientes tem fãs.
Outra noticia impressionante que li no USA Today na semana que estava por lá, foi a redução da venda de veículos em fevereiro deste ano em relação ao mesmo mês do ano passado: 45% de redução. Sério, se eu fosse executivo de alguma dessas montadora americanas, ao ler essa notícia eu pulava de alguma ponte fácil (se algum executivo estiver lendo estepost agora e quiser fazer a mesma coisa, sugiro a Golden Gate. A vista é ótima).
O momento está bom mesmo para os turistas, que estão aproveitando as promoções para comprar tudo que aparece pela frente com ótimos preços. Manoel Netto e o Ronaldo do BlogBlogs, que também estavam no evento, aproveitaram e fizeram suas comprinhas. O Manoel comprou um chapéu muito bacana (estiloso como ele) a um preço super camarada e o Ronaldo encheu a mala de livros.
Em resumo, este contato direto com a crise deixou claro para mim a seguinte mensagem: Aquelas empresas que dependem muito do mercado de consumo americano precisarão buscar em mercados de outros países, compradores para seus produtos urgente, pois ficou evidente, pelo que presenciei, que a capacidade de consumo do americano está realmente abalada e sem previsão de melhora no curto e médio prazo.
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Hehehe valeu pelo “estiloso”, Marcelo
Realmente a crise por aquelas bandas está braba. Nessas horas que os outros países (cof cof Brasil cof cof) deveriam abrir mão de suas taxas de alfândega para que as pessoas caridosas como nós, pudessem ir lá e encher as malas, para ajudá-los, claro
[piada-interna] Mas o pior é atravessar o continente e beber cerveja brasileira, né não?
[/piada-interna]
Abraço e até a próxima.
Caramba Minas… excelente texto… dah um bom panorama do que a gente ve por aqui apenas em manchetes… Deu pra perceber na pratica os efeitos da crise…. :/
Medo…
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