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23/01/2009 - 17:47

Campus Party: Palestra sobre pornografia é uma das mais disputadas do evento

Uma das palestras mais inusitadas e interessantes da Campus Party aconteceu na tarde desta sexta-feira: “Internet is for Porn? (Internet é para pornografia? – tradução livre)”. O evento contou com a participação de Alessandro Martins (blogueiro do site Pink, The Kinky), Zander Catta Preta (responsável pelo iG Sexo), Fernanda Lizardo (blogueira do Sexto Sexo), Raquel Pacheco (Bruna Surfistinha) e foi moderado por Edgard Reymann (Sax Magazine, e ex-editor das revistas Sexy Premium e Playboy).

Sem dúvida alguma que a palestra foi uma das mais disputadas de toda a Campus Party até esta sexta-feira. Pessoas amontaram-se em frente a mesa dos palestrantes, sentaram no chão e mais tantas outras que acompanharam o debate via streaming ao vivo.

A palestra foi bem-humorada. O blogueiro Cristiano Dias chegou a pedir conselho para os palestrantes: “tenho uma filha de 12 anos e fico com medo de que, quando ela começar a se interessar por garotos, possa acabar deixando vazar fotos impróprias suas na internet, como vemos todos os dias”. Os palestrantes concordaram que não há muita coisa a se fazer: “Acho que a internet acaba gerando um padrão de comportamento para o usuário. Invariavelmente os adolescentes vão se deparar com a pornografia e é aí que a educação recebida os fará tomar suas próprias decisões”, afirmou Catta Preta. Já a blogueira Fernanda foi mais sarcástica: “O melhor jeito de lidar com a situação é tentar ganhar algum dinheiro com isso”. “Contanto que isso seja feito após ela completar 18 anos”, emendou.

Porn 2.0

O tema acabou encaminhando para o lado da web 2.0 e Martins afirmou que a pornografia é uma área interessante para o “colaborativismo” do usuário. “É muito legal ver conteúdo produzido pelo próprio internauta. Foi assim que eu criei meu blog, sem fins-lucrativos, apenas querendo me expressar e querendo mostrar as coisas que eu gosto”, disse o blogueiro. Bruna Surfistinha ainda citou fóruns de acompanhantes. Nesses sites, voltados para garotas de programa, o usuário sai com uma menina e avalia a ‘performance’ no site”, contou.

Catta Preta já abordou o ponto rentável desse tipo de negócio:“Esse ainda não é um tipo de serviço que consegue se manter, nem alcança um sucesso gigante, mas no futuro, provavelmente será esse tipo de produto que venderá bastante”.

Anonimato

Em um determinado momento, uma espectadora da palestra contou que possuía um site erótico, onde trocava contos e fotos entre seus usuários e perguntou à mesa o que eles achavam do anonimato da internet. “Acredito que essa coisa de não saberem quem é quem, o fato do usuário não precisar se identificar, poder observar sem ser observado, ajudou muito a pornografia online a prosperar”, disse Fernanda.

“No meu caso, quando eu montei meu blog e deixei minha identidade ser relativamente revelada isso me ajudou na minha profissão”, disse Surfistinha. “Os homens que liam meus textos no meu blog queriam ser parte da história”, disse a ex-garota de programa e agora escritora. “Os homens adoram ser avaliados e morriam de vontade que eu os tornasse personagens das minhas histórias”, completou.

Martins optou por deixar sua identidade descoberta. “Acho que as pessoas gostam de saber quem eu sou e o que um autor de um site pornográfico faz na vida offline. No meu caso foi algo natural sair do anonimato”, disse.

E os lucros?

Catta Preta deixou claro que, apesar da grande audiência gerada pelo conteúdo sexual, o ramo ainda não é o mais lucrativo. “É claro que sempre existem os ‘big players’ e as produtoras gigantes que faturam bastante, mas para o usuário ainda é difícil conseguir ganhar dinheiro com produções próprias, algo que alguns blogueiros já conseguem fazer”, disse.

Para Surfistinha já foi diferente: “Tenho que agradecer ao meu site, que consegue faturar o suficiente para me manter, mas vejo outras conhecidas tentando fazer o mesmo e elas não têm a mesma sorte que eu”.

Martins já prefere que seu site seja sem fins-lucrativos: “Eu adotei um modelo de negócio que só quer repassar o produto. Normalmente eu gosto de postar o conteúdo gerado por algum amador e lhe dar os créditos, mas não peço nada em troca”.

No final, a palestra disputou diretamente (em público) com o debate acirrado entre José Henrique Santos Portugal (representando o Senador Eduardo Azeredo), Fernando Neto Botelho (Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais), Sérgio Amadeu e Ronaldo Lemos sobre o futuro da internet no Brasil.

*Fotos: Thaís Pontes

Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): evento, web Tags: , , , , ,
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