Zappos: vendendo sapatos e entregando felicidade
“Entregar felicidade”. Esta é a visão da Zappos, empresa de e-commerce especializada em calçados que foi recentemente adquirida pela Amazon.com. Na palestra de abertura do Digital Age 2.0 Tony Hsieh, CEO da Zappos, explicou como pretende atingí-la e resumiu a estratégia: “é tudo uma questão de cultura”.
Cultura que tem como principal objetivo a satisfação do consumidor. A empresa emprega várias estratégias para isto: os atendentes não seguem scripts e nem tem limites de tempo para chamadas (a mais longa, segundo Hsieh, durou 5 horas). São encorajados a interagir de forma espontânea com o consumidor e encontrar soluções criativas para suas necessidades, sem medo até de indicar concorrentes, se isto for o melhor para o cliente.
A entrega dos produtos é gratuita, e muitas encomendas recebem um “upgrade” para entrega expressa por conta da empresa. Isto supreende e fideliza o consumidor, e acaba gerando propaganda positiva. Até mesmo a política de devoluções é incomumente flexível: se não gostar do produto, o consumidor pode devolvê-lo quando quiser e ter seu dinheiro de volta.
Mas isso só dá certo se os funcionários estiverem felizes. Tony explica que a empresa toma cuidado durante o processo de seleção para contratar apenas pessoas que se alinhem com sua cultura, chegando a rejeitar funcionários qualificados que não se encaixem no perfil.
Todos os novos funcionários passam pelo mesmo processo de treinamento de 5 semanas, independente da posição. Para filtrar os contratados que estão ali “só pelo dinheiro” a empresa tem uma oferta incomum: o funcionário pode pedir demissão nas primeiras seis semanas em troca de US$ 2.000. Em 2007 3% dos novos contratados aceitaram a oferta. Em 2008 o numero foi de apenas 1%, diz Hsieh.
Além disso, a empresa emprega o que chama de “frameworks para a felicidade”, pequenas mudanças que afetam positivamente a moral de seus funcionários, como permitir a especialização em diferentes atividades (skillsets) dentro da empresa em troca de pequenos aumentos de salário, ou dividir os processos de treinamento em períodos de tempo mais curtos, o que dá ao funcionário uma maior sensação de progresso, e consequentemente o deixa mais feliz.
Como resultado, a Zappos cresce a olhos vistos. Em 2008 ela atingiu a marca de mais de 1 bilhão de dólares em vendas online, com 11 milhões de clientes ativos, dos quais pelo menos 4 milhões fizeram uma compra nos últimos 12 meses e 75% são clientes frequentes. Do ponto de vista interno, ela foi eleita uma das 100 melhores empresas para se trabalhar no ranking de 2008 da revista Fortune, ficando na terceira posição.
Mas os números não são o objetivo. Para Tony Hsieh, o segredo da felicidade é perseguir a visão. O dinheiro vem depois.
Sobre o Digital Age 2.0
O Digital Age 2.0 é uma conferência que tem o objetivo de reunir especialistas internacionais e nacionais em marketing, publicidade, comunicação, negócios e internet, para discutir e entender as mudanças que a Web está provocando nas empresas, no relacionamento com o cliente, nos planejamentos de mídia e conteúdo, no perfil e necessidades dos anunciantes, nas estratégias de marketing e na forma como a comunicação corporativa se dá internamente e externamente à empresa.
A primeira edição do Digital Age 2.0 foi realizada em agosto de 2007, com o tema “O Impacto da Web 2.0”, e reuniu cerca de 400 participantes, 21 palestrantes nacionais e internacionais e quase trinta jornalistas. Em 2008, o evento atraiu profissionais de marketing e tecnologia de mais de 230 empresas, sendo que 59% dos participantes eram os principais executivos de suas empresas. O evento contou também com a cobertura de 23 jornalistas e 18 blogueiros. O tema do Digital Age 2.0 em 2008 foi “Expandindo as Fronteiras da Internet”.
O evento é realizado pelo Now!Digital Business, e acontece entre os dias 26 e 27 de Agosto de 2009 em São Paulo. Mais informações estão disponiveis no site oficial, em www.digitalage20.com.br/2009/

















