Quem são: pense na história mais convencional para a formação de uma banda e você saberá tudo o que há para contar sobre o The XX, quarteto formado por amigos de colégio no final da adolescência. Apontados pelo NME no início deste ano como uma das bandas para se prestar atenção, só foram realmente notados com o lançamento de seu primeiro álbum, The XX, em agosto. Agora sua agenda de shows está lotada até março de 2010.
O que fazem: o XX é climático, soturno e sensual e a principal tensão da sua sonoridade está nos timbres de guitarra a la The Cure e na colisão entre o vocal feminino de Romy Madley Croft (que também toca guitarra) e o masculino de Oliver Sim (baixo), dupla que fundou a banda. A bateria eletrônica minimalista completa a atmosfera que oscila entre o pós-punk oitentista e o dream pop dos anos 1990.
Quem são: o sueco Simon Balthazar formou o Fanfarlo em Londres em 2006. O nome ele tirou de um romance de Baudelaire, e isso já entrega toda a seriedade do sexteto. Seu primeiro álbum, Reservoir, foi lançado este ano e tem a produção assinada por Peter Katis, que já trabalhou com Interpol e The National.
O que fazem: os seis elementos do Fanfarlo transitam por tantos instrumentos diferentes que acabam por transformar a sonoridade do grupo em um banquete que tem clarinete, banjo, violino, bandolim, glockenspiel e guitarra constantemente entre os ingredientes. A banda se assemelha a um Beirut mais elétrico e mais à vontade com os sonhos épicos do Arcade Fire e a influência decisiva de Clap Your Hands Say Yeah é reforçada pela semelhança da voz de Balthazar à de Alec Ounsworth.
Para quem gosta de: Clap Your Hands Say Yeah, Arcade Fire, Beirut
Quem são: vindo da remota Carolina do Norte (EUA), o Annuals é um sexteto liderado por Adam Baker. Formada por volta de 2004, em 2006 a banda já lançava seu primeiro disco, Be He Me, mas por muito tempo seu nome ficou restrito a blogs e sites independentes. O aumento da popularidade veio com o tempo, o trabalho e os shows de abertura para gente como Bloc Party e Flaming Lips. Such Fun, lançado no final de 2008, é seu segundo álbum e uma longa agenda de divulgação segue firme pelos próximos meses prevista para acabar no badalado festival South by Southwest.
O que fazem: o Annuals faz um indie rock bem norte-americano com cara dos anos 2000 descrito como pop orquestral, colorido e expansivo. Com um pouco da doçura e beleza melódica do indie pop do The Shins, mas buscando um tantinho da grandiosidade dos arranjos de canadenses do Arcade Fire, seu som é variado e surpreendente.
Para quem gosta de: The Shins, Death Cab For Cutie, Broken Social Scene
Quem são: uma loira, uma ruiva e uma morena. Parece roteiro de série de tevê dos anos 70, mas são as Vivian Girls. Trio do Brooklyn, Nova York, o grupo foi formado em 2007 e já no final do ano passado virou coqueluche. Mas não confunda com enganações puramente estéticas como as Plasticines: o foco aqui é a música, não a minissaia. Elas são Cassie Ramone (guitarra e voz), Kickball Katy (baixo) e Ali Koehler (bateria) e têm de 22 a 24 anos.
O que fazem: seu álbum de estreia tem dez músicas e dura pouco mais de vinte minutos e isso diz tudo sobre a urgência dessas meninas. Seu rock sujo, direto e soterrado em white noise tem melodia e graça, mas é punk, lo-fi, e não é à toa que uma de suas integrantes faz menção aos Ramones em seu nome. Sua música pode agradar de fãs de C86 aos roqueiros da rua Augusta.
Para quem gosta de: Jesus and Mary Chain, C86, Vaselines
Quem é: neste início de ano, época de balanços e previsões, Florence and the Machine é o principal nome entre as listas de apostas para 2009. A banda é o veículo de Florence Welsh, uma ruiva de 22 anos que nasceu em Londres e cresceu ouvindo Kate Bush e Velvet Underground. Na infância, ela diz que não parava de cantar e hoje, em pouco mais de um ano de atividade, já venceu o prêmio da crítica do Brit Award 2009, que será entregue em fevereiro.
O que faz: compositora de tudo o que grava, ela diz que seu tema preferido é culpa e canta sobre isso em ritmo de folk, rock e blues. Não há nada de frágil ou doce em sua aparência ou sua voz. Além disso, sua música não é sempre imediata e pode não te pegar de primeira, mas a dedicação promete trazer recompensas. Seu primeiro álbum ainda não tem data certa para sair, mas já está em produção.
Para quem gosta de: PJ Harvey, Fiona Apple, Cat Power
Quem são: baseado em Nova York, o trio School of Seven Bells nasceu nos bastidores de shows do Interpol formado por Benjamin Curtis (ex- Secret Machines) e as irmãs gêmeas Alejandra e Claudia Deheza (ex-On-Air Library!). Elogiada por Rolling Stone, Spin, Pitchfork e Guardian, a banda lançou em outubro seu primeiro álbum, Alpinisms.
O que fazem: o School of Seven Bells parece estar buscando um meio-termo entre psicodelia, globalização e futurismo. Tem momentos que remetem ao shoegaze e ao dream pop que compunha muito da sonoridade do Secret Machines, toques de Cocteau Twins, elementos eletrônicos, ambiências etéreas e vocais fantasmagóricos, referências latino-americanas e batidas tribais. Às harmonias vocais das meninas fica a tarefa de adoçar a receita e dar a liga.
Para quem gosta de: Cocteau Twins, Medicine, Secret Machines, M83
Ouvir: “Half Asleep”
O burburinho: “Nos seus melhores momentos, o School of Seven Bells sabe onde quer chegar e chega lá com graça e estilo de sobra” – Pitchfork Media
Quem são: Raphael e Rodrigo Carvalho são irmãos nascidos em Maringá (Paraná) que vivem hoje autoexilados em Nova York. “Uma perda para o Brasil, um ganho para o Brooklyn”, já defendeu um site local. A banda foi formada em 2006 e vem construindo sua carreira com a paciência de quem conhece bem as etapas e obstáculos da cena independente, calos conquistados após diversas tentativas de viver de rock no Brasil. E nessa luta, guitarra e bateria são suas únicas armas.
O que fazem: é simples, o Soundscapes gosta de melodias e camadas de guitarra. Os meninos que tocavam covers de Pixies, Sonic Youth e My Bloody Valentine aos 14 anos cresceram com um gosto muito específico pelo indie rock dos anos 1990 e recuperam o clima daquela década com propriedade. Seu primeiro álbum, Freestyle Family, foi lançado em formato digital na última segunda-feira e deve ganhar o mundo em versão física no início do ano que vem.
Para quem gosta de: Sonic Youth, My Bloody Valentine
Ouvir: “Son of the Future”
No Youtube: “Here’s When”
Página oficial / MySpace: www.myspace.com/thesoundscapes
Quem são: com sua cidade natal Glasgow no nome, o quarteto escocês Glasvegas lançou seu álbum de estréia na semana passada e ameaçou tirar do Metallica oprimeiro lugar entre os mais vendidos da semana. Um sucesso popular que pode parecer repentino, mas que vem sendo construído há mais de um ano com muito suor e hype e é mantido com o apoio quase histérico de grande parte da imprensa britânica, dos alarmistas ao racionais, dos sites independentes aos jornais mais sérios – do NME ao The Independent.
O que fazem: eles começam lá em Phil Spector e no pop ingênuo dos anos 60, passam por The Clash, apostam muitas fichas em Jesus and Mary Chain e incorporam o Interpol com toda essa bagagem nas costas. Algumas vezes soamsimples como puro Ramones, em outras se desmancham em dramaticidade e paisagens sonoras amplas, quase infinitas, ou se afogam em distorção. O sotaque escocês carregado beira o dialeto com letras com o olhar da classe operária enquanto a capa do álbum mostra uma cidade sem cores assombrada por um céu turbulento e opressor. Eles são tudo o que o claudicante revivalshoegaze precisava para chegar ao mainstream.
Para quem gosta de: Jesus and Mary Chain, Intepol, My Bloody Valentine, Editors
Ouvir: “Daddy’s Gone”, “Geraldine”
O Burburinho: “Glasvegas é a mais importante banda britânica que estreou este ano, assim com o MGMT é a banda americana mais importante – e a única dúvida é se se trata apenas deste ano ou de anos. O que leva o Glasvegas para outro nível são as letras que carregam um senso de realidade, uma autenticidade vista apenas superficialmente desde o Smiths”, The Independent
Quem são: o Sabonetes ou os Sabonetes? O quarteto de Curitiba não explica o nome, mas está na ativa desde 2004 catalisado pelo baixista Salim Oh. Com Wonder Bettim e Artur Roman dividindo guitarras e vocais e Alexandre Caja na bateria, o grupo está lançando seu primeiro trabalho, o EP “Descontrolada”. Já foram recomendados na Folha de S. Paulo e ganharam destaque na Rolling Stone. E foi tudo merecido. alguma coisa aqui faz lembrar o velho Astromato, mas talvez seja apenas o talento de fazer bom indie rock nacional cantado em português. Com influências de new wave, pós-punk e anos 90, o grupo está bem próximo do rock gringo atual com batidas de disco punk e guitarras secas e certeiras. Franz Ferdinand, Bloc Party, Strokes
O que fazem: alguma coisa aqui faz lembrar o velho Astromato, mas talvez seja apenas o talento de fazer bom indie rock nacional cantado em português. Com influências de new wave, pós-punk e anos 90, o grupo está bem próximo do rock gringo atual com batidas de disco punk e guitarras secas e certeiras.
Para quem gosta de: Franz Ferdinand, Bloc Party, Strokes
Quem são: eles podem parecer os rapazes mais comuns do bairro, mas o I Concur está pronto. São quatro jovens de Leeds, interior da Inglaterra, que se uniram em 2006 por amor ao rock alternativo americano e acabaram, por ironia, parindo uma sonoridade bastante britânica. Com apenas um EP e um single lançados até o momento, o grupo foi selecionado pela BBC para tocar em agosto no palco dedicado a novas bandas nos festivais Reading e Leeds e essas duas apresentações prometem ser apenas o começo.
O que fazem: pós-punk com indie rock, lembram as melhores faixas da estréia do Bloc Party somadas a uma grandiosidade que remete a Doves. Eles são climáticos, cinematográficos, têm simpatia por temas incomuns e sua verve pop sobrevive até mesmo aos ecos de pós-rock presentes aqui e ali.
Para quem gosta de: Bloc Party, Editors, The Secret Machines
Ouvir: “Lucky Jack”, “Oblige”
Conexões: seu próximo single, “Oblige”, foi produzido por Tom Woodhead, do ¡Forward, Russia!.
É jornalista. Única mulher da redação do iG Música, já colaborou com a revista Bizz e inúmeros sites independentes. Sua missão aqui é indicar boas bandas novas.